ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 562 - 24/11/2009
  Caderno da Cidadania
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MÍDIA & EDUCAÇÃO
Outubro, mês dos professores: um balanço

Por Gabriel Perissé em 3/11/2009

O mês de outubro foi rico em notícias envolvendo a educação. No início, o roubo das provas do ENEM, algo mais, talvez, do que mero amadorismo, permitiu ao MEC demonstrar capacidade de superação em meio à crise. O ministro Fernando Haddad, em lugar de perder credibilidade, ocupou espaço na mídia de modo positivo. Saiu fortalecido.

Se houve interesse em desgastar a imagem de uma nova liderança política, aconteceu o contrário. Em longa entrevista ao Estadão neste domingo (01/11), Haddad, conversando com a jornalista que denunciou o vazamento, Renata Cafardo, aproveitou para elogiar – "a prova não foi realizada [...] graças ao bom jornalismo que nós temos no Brasil" – e, com igual senso de oportunidade, afirmou seu empenho em combater a anomalia do vestibular da decoreba. Outro recado: ele espera que o incidente não seja usado como pretexto para adiar a implantação do novo ENEM.

Premiar o talento individual

A educação pública brasileira será melhor (ou seja, haverá aprendizado!), quando, entre outras ações, os professores forem valorizados. Ruy Castro denunciou em "Ao mestre, com desprezo" (Folha de S.Paulo, 13/10) o que já sabemos. Festejar o Dia do Professor está cada vez mais difícil. Os mestres se sentem desprezados: salários incompatíveis com o grau de responsabilidade, insegurança nas escolas, falta de comprometimento dos alunos.

O caso de São Paulo é emblemático. O secretário de Educação Paulo Renato Souza, entrevistado pela revista Veja (28/10) e adotando atitude "racional", supostamente acima de qualquer ideologia, termina por ser ideológico também. Sua bandeira é a da meritocracia, cuja base é o darwinismo social. Não há diálogo com a "espécie" professor. Que vençam os indivíduos mais fortes! Que seja premiado o talento individual! Só assim aumentará, segundo ele, "a eficácia das políticas públicas para a educação".

Mais verbas

O mês terminou com uma boa notícia, não suficientemente comemorada. O Senado aprovou a extinção gradual da DRU incidente sobre os recursos destinados à educação, o que representa a liberação, para já, de R$ 11 bilhões. A ideia é que o MEC ajude Estados e municípios a universalizar a educação básica. Desmonta-se, assim, uma trava para a educação criada em 1994 pelo governo FHC.

Sem dinheiro para a educação, e dinheiro bem administrado, teremos apenas discursos demagógicos, ou autoritarismo sem um pingo de sensibilidade para com a tarefa (a arte) de ensinar.

Comentários (3)
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Paulo  Santos , Manhuaçu-MG - profesor
Enviado em 9/11/2009 às 11:06:36 PM
Educação se faz com dinheiro no bolso e não com perseguição. Nos anos Aécio Neves no Governo de Minas o salário do professo da escola pública estadual não teve nem 50% de aumento. Lembrando que o salário mínimo subiu mais de 100% neste período, as perdas salariai são uma verdadeira perseguição. Haja desvinculação, mas com governos descomprometidos é uma ilusão falar que a Educação vai melhorar.
Sérgio Luiz do Prado , SBC-SP - professor
Enviado em 4/11/2009 às 9:44:21 AM
Seguindo o prof. Magela, já fui publicado no OI para afirmar, dentre outras coisas, que falta de recursos não é o maior nem talvez esteja entre os maiores problemas da educação pública, ponderando nossa base legal (Constituição, LDB, ECA, etc) e nas ações do estado baseadas em "políticas de governo", que mudam conforme o vento das urnas. Um dos graves problemas da educação (em geral, pública ou privada) não está dentro dos muros das escolas, e a sociedade deve admitir tal fato o quanto antes! Sobre o artigo do prof. Perissé, de quem sou assíduo leitor e a quem agradeço sua significância enquanto bandeira da educação num espaço como o OI, conclui eu, definitivamente, sua defesa incondicional de Fernando Haddad, e acho lamentável. Ele é Ministro de uma área da administração que não dá passos adiante. É evidente que ele não pode ser perseguido por questões político-partidárias, como às vezes ocorre, mas tampouco deve ser defendido! E o mesmo vale para Paulo Renato, apesar de sua incompetência como ministro e agora como secretário. Basta como exemplo a prova de mérito em SP, que tem tudo para camuflar ainda mais os fatos, pois certamente haverão mais professores habilitados para promoção do que vagas disponíveis. Isso mostrará que conhecimento, inclusive pedagógico, muitos professores tem. Mas isso, infelizmente, pouco significa. Quando é que vão acordar ou admitir?
Geraldo Magela Vieira de Sousa , Aracaju-SE - Professor
Enviado em 3/11/2009 às 3:48:08 PM
Dinheiro para a |Educação já tem demais. Que bom que o presidente vai extinguir, mesmo que gradualmente, a DRU. Esses R$ 11 bi vão parar nas contas dos apadrinhados políticos nas funções gratificadas e nos cargos de confiança. Melhorar estruturalmente a escola , pois é nela que reside o intercâmbio do processo ensino-aprendizagem, pagar salário digno e promover a verdadeira cidadania do corpo discente é que não acontecerá. Não vejo ares de mudança com esses ou outros políticos no poder. O que se presencia é a decadência da sociedade, a falta de esperança por uma melhor condição de vida e a usura dos que gastam e não empregam o dinheiro destinado à Educação. Não é pessimismo, é a realidade circundante.
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