ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 562 - 24/11/2009
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FONTE & AUDIÊNCIA
O que é um formador de opinião

Por Washington Araújo em 3/11/2009

O presidente Lula participou na quinta-feira (29/10), em São Paulo, da Expocatador. Discursou para uma platéia de catadores de materiais recicláveis. E o que marcou este evento? Duas frases de Lula. São elas: "a figura do chamado formador de opinião pública já não decide mais" e "o povo não quer mais intermediários".

Mais que frases (ditas de efeito), principalmente em se tratando do presidente Lula, estas duas servem como constatação do que já vinha se desenhando no horizonte: é rotineiro aqueles que exercem cargos públicos deitar falação sobre tudo e todos. Agem assim porque são referidos por parte da grande imprensa como "formadores de opinião". Esta alavancagem dada pela imprensa termina sendo uma ação entre amigos.

Veículos de comunicação classificam esta ou aquela autoridade, esta ou aquela celebridade do mundo artístico, político etc. como pessoa que forma opinião. E são elas as primeiras a serem contatadas para "repercutir" a declaração da autoridade fulano ou beltrano. Entramos assim na transversal no mundo das fontes do jornalismo, uma forma pouco criativa de robustecer uma matéria factualmente pobre.

Um soluço

O papel das pesquisas de opinião pública tem relação direta com esse personagem pouco etéreo chamado formador de opinião. Aliás, entre opinião pública e opinião publicada existe espaço tão grande ou maior que o existente entre o Oiapoque e o Chuí (ver, neste Observatório, "A correspondência de comadres"). Faltou mencionar que desde a pá de cal lançada sobre a ditadura reiniciada no Brasil em 1964 e, em especial, durante as eleições diretas para presidente da República em 1989, vimos surgir ostensiva separação entre a opinião da vasta maioria da população e a opinião dominante publicizada de maneira retumbante – e sempre repetitiva – pelos que formam os grandes grupos midiáticos do país.

Mas o que é, exatamente, um formador de opinião? Pessoas que influenciam contingentes de pessoas, que levam as massas a concordar com uma dada opinião ou a consumir determinado produto, assistir determinado espetáculo, ler determinada revista ou jornal. Daí que determinadas celebridades cobram caro para associar seu nome, sua voz, seu rosto a um determinado banco, a uma mineradora, a uma fábrica de automóveis ou a uma marca de roupa.

É também um conceito que a atual teoria da comunicação rejeita por não aceitar que um indivíduo tenha poder de formar a opinião da massa. Formador é exagero. O que temos, e muito, são pessoas que influenciam a opinião de outros. Quando se descarta o conceito de "massa manipulável" percebe-se que a população é heterogênea e interpreta as mensagens segundo seus códigos. Nesta perspectiva, o conceito de "formador de opinião" passa a ser tão efetivo quanto dar um susto para que uma pessoa se livre do repetitivo (e irritante) soluço. Alguns estudiosos afirmam que formador de opinião é quem consegue se destacar na atividade que exerce. Pessoa com grande grau de reconhecimento (de forma positiva) do público.

Boa polêmica

É fácil confundir formador de opinião com pessoa que tem gosto pela simples polêmica. São pessoas que não fogem ao debate ou, então, como dizem os mineiros, aqueles "que dão um boi para não entrar numa briga e uma boiada para não sair". Ou, pior, são aqueles que, qual mariposas em tempo de chuvas, sentem-se instantaneamente atraídas pela luminosidade e pelo calor emanado dos holofotes. Estes fazem ecoar sua opinião em entrevistas sobre assuntos diversos ou alheios ao que tem potencial de polêmica, ou colocam manifesto ou carta-aberta na praça.

No meio artístico polemista de plantão é o Caetano Veloso. A propósito de decisão da prefeitura de Salvador para por fim à "calçada portuguesa" do Porto da Barra, com autorização do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), e substituí-la por calçada de granito e concreto, o cantor logo se posicionou: "Regredimos para visão grosseira que teria deixado o Pelourinho, em Salvador, e o Largo da Lapa, no Rio, virarem pó e serem substituídos pelo caos dos restos da arquitetura moderna que enfeiam o Brasil?"

Outros são menos freqüentes, como o foi há alguns meses o ator Pedro Cardoso, contra a exploração da nudez feminina em filmes, novelas etc., ao fazer circular manifesto questionando "até quando, nós, atores, atenderemos ao voyeurismo e a disfunção sexual de diretores e roteiristas, que nos impingem essas cenas macabras?".

No meio político temos muitos, quase sempre ao alcance do telefone celular. Alguns espécimes: Marco Aurélio Garcia (relembrar o episódio relacionado ao acidente com um avião da TAM em 2007, quando foi flagrado fazendo "top-top" na janela de seu gabinete ao conferir pelo Jornal Nacional notícias que eximiam o governo de culpas); Fernando Collor ("As palavras que o senhor acabou de pronunciar são palavras que não aceito. Quero que o senhor as engula agora, as digira e faça delas o uso que vossa excelência julgar conveniente"); Heloísa Helena ("A majestade barbuda, o presidente Lula, está mentindo, apresentando um país das maravilhas que não existe"); Carlos Minc ("O álcool faz 25 vezes mais vítimas do que as drogas ilegais somadas. Se o que faz mal deve ser ilegal, a comissão deveria propor que álcool e cigarro fossem declarados ilegais"); André Puccinelli ("Carlos Minc é *** e maconheiro e se viesse ao Mato Grosso do Sul, eu ia correr atrás dele e estuprar em praça pública").

Mas nenhum destes possuía aquela vocação extraordinária para a polêmica como tiveram Carlos Lacerda e Antonio Carlos Magalhães. Os adversários políticos de Lacerda chamavam-no de "O Corvo". Consideravam-no um sujeito agourento; fabricador de crises; mensageiro e responsável direta ou indiretamente pelas tragédias políticas que desabavam, ou que podiam vir a desabar sobre o Brasil. É de sua autoria: "Juscelino não deve ser candidato. Se for, não deve ser eleito. Se for eleito, não deve tomar posse. Se tomar posse, não deve governar, deve ser deposto". E, mais recentemente, o político baiano conhecido pelos adversários como Toninho Malvadeza não se fazia de rogado ante uma boa polêmica. É dele: "Há três tipos de repórteres: o que quer dinheiro, o que quer notícia e o que quer emprego. O correto é não dar dinheiro a quem quer notícia, notícia a quem quer emprego e emprego a quem quer dinheiro."

Mancadas verbais

Mas esta lógica de termos políticos talhados para a polêmica em mar aberto vem se invertendo a cada ano. E, por inacreditável que possa ser, quem tem surgido como polemista na política nacional é o senador paulista Eduardo Suplicy. Primeiro por ter dado cartão vermelho ao presidente do Senado José Sarney e depois por ter vestido aquele misto de cueca-calção, em seu ambiente de trabalho, isto é, o sisudo Senado Federal. Nos dois episódios, Suplicy mostrou ser polemista mais por conveniência que por talento natural.

No Judiciário, Gilmar Mendes é imbatível. Tem opinião aos borbotões e pouco importa se, em algum momento, o tema em que está metendo a colher, geralmente com opiniões finais e irrecorríveis, for objeto de julgamento no Supremo Tribunal Federal, por ele presidido. Não ficam muito atrás na arte de polemizar seus colegas togados Marco Aurélio Mello e Joaquim Barbosa. Alguns, como o ministro Gilmar Mendes, conseguem espaço cativo, regular, diário nos editoriais e nas páginas de jornais de grande porte como o Estado de S.Paulo. É muito raro que um rompante do presidente do Supremo não seja imediatamente acatado pelo editorialista do Estadão.

É recorrente reconhecer que o presidente Lula diz o que pensa, fala o que quer e o que acha que o povo quer ouvir, produz declarações a cada instante e não demonstra qualquer incômodo com a repercussão de suas falas. A depender dele, a polêmica não prospera muito. Sua frase se eleva como onda, inunda capas de jornais e páginas de revistas semanais e deságua nos telejornais noturnos. O fato é que cabe aos demais atores sociais repercutir o que aos poucos vai se transformando em espuma. E, é fato robusto: o que o presidente fala, repercute.

Vejamos este brevíssimo bate-pronto com o presidente:

** Aliança política? – "Se Jesus Cristo viesse para cá, e Judas tivesse a votação num partido qualquer, Jesus teria de chamar Judas para fazer coalizão".

** Oposição? – "Pobre da oposição que não tem o que fazer; acho que a ociosidade é a desgraça da humanidade". 

** Crise mundial? – "Lá, a crise é um tsunami; aqui, se chegar, vai se uma marolinha, que não dá nem para esquiar."

** Responsáveis pela crise? "A crise financeira foi causada por pessoas brancas de olhos azuis." Sobre esta última frase, que recebeu repercussão internacional – The Times, Daily Telegraph, The New York Times – é oportuno transcrever o seguinte excerto da coluna do ombudsman da Folha de S.Paulo, publicado em 29 de março de 2009: "A Folha adora debochar das mancadas verbais do presidente Lula. Quase sempre de maneira preconceituosa, elitista, exagerada, inócua e equivocada porque um presidente deve ser julgado pela sua administração, não pelo seu português ou seus conhecimentos gerais."

"Plebe rude"

O certo é que criar uma boa frase requer, ao menos para os simples mortais, uma engenharia complicada. Já os dotados de espontaneidade e intuição não necessitam muito dessa engenharia. Elas simplesmente saem. E acabam se tornando referência. Aqui e alhures. Afinal, foi Barack Obama, presidente dos EUA, numa conversa informal com líderes mundiais, pouco antes do início da reunião do G20, em Londres, que se referindo ao palestrante da recente Expocatador enviou esta frase para a imprensa internacional: "Esse é o político mais popular da Terra. Adoro esse cara".

É sintomático que as duas frases com que abrimos este texto tenham sido pronunciadas pelo presidente Lula aos participantes da Expocatador. Sintomático porque, como sói acontecer, o público-alvo estava muito além da Expocatador. E além dos profissionais que catam material reciclável por todo o país estavam, certamente, os profissionais da imprensa que catam opiniões a torto e a direito, personagens com algum grau de notoriedade naturalmente conquistada ou artificialmente conferida, com o intuito de influir no comportamento, na conduta e na opinião daqueles classificados como "massa ignara", "plebe rude", "pessoal do andar de baixo", e aqueles que no Brasil profundo não conseguem "ter três refeições ao dia".

Lula falava àqueles que se portam como "intermediários do povo". Os mesmos que, segundo sua fala, "já não decidem mais".

Comentários (20)
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jovino  arruda alves , rio de janeiro-RJ - promotor de vendas
Enviado em 15/11/2009 às 4:37:27 PM
Sou discente de Historia e a materia muito me interessou, pois temos debatido (e divergido) se o educador tem que ser necessariamente um formador de opinião. No meu entendimento, não. Pois soa como algo coercitivo e ai não rola!
Angelo  Frizzo , Bento Gonçalves-RS - desempregado
Enviado em 9/11/2009 às 6:43:38 PM
Boa essa do comentarista: A MASSA INFLUENCIADA por twiters, Internets, blogs, etc. Tá brincando ô ! Mora onde? na Europa? . Só para avisar , aqui é o Brasil, nem 20% tem acesso a isso tudo. Pelo menos por enquuanto. Acorda e inventa outra.
Alexandre Pereira , BH-MG - estudante
Enviado em 9/11/2009 às 11:54:44 AM
O artigo escrito nos faz realmente pensar no que é um formador de opinião. Essa discussão infindável passa por vários fatores. Políticos, celebridades, profissionais renomados se tornam alvos e todas as suas ações e declarações são muito acompanhados e repercutidos. O formador de opinião, ou o influenciador como queiram são produtos midiáticos. A falta de um “idolo” faz com que o povo se sinta carente e busque uma resposta neles. A população procura explicação para os problemas em celebridades julgando a opinião dos mesmos a solução pra tudo. Uma pessoa com poder do microfone pode manipular o povo e por mais bobagem que ele fale, as pessoas o veem como dono da sabedoria. A carência e a descrença do povo colaboram com isso. A intolerância é cada vez mais marcante, dado o fatos ocorridos na Câmara com senador Suplicy. A massa cada vez mais influenciada por twitter, orkut, facebook etc. recebe uma lavagem cerebral e buscam até em falsos perfis de pessoas famosas algo que se identifique e o levem a ter uma vida diferente. Portanto cabe a cada um filtrar e saber o que é melhor pra si. A identificação é de cada um, mas culpar alguém por isso pra mim é uma grande injustiça.
Fernando  Kelysson , BH-MG - comerciante e jornalista
Enviado em 9/11/2009 às 11:24:00 AM
O autor questiona sobre quem realmente são os formadores de opinião. Também critica o uso da imprensa de declarações opinativas para “enriquecerem” suas mtérias factualmente probres. De fato há uma distância monumental da opinião média de um povo (o que chamamos de popularidade) e a opinião de um restrito grupo, influente nos meios de comunicação. O que muitos chamam de formadores de opinião são os grandes polemistas. Celebridades que agitam o noticiário com suas declarações. Na verdade não são exatamente formadores de opinião, mas grandes provocadores dela. acessem: emfluencia.blogspot.com
João Nóbrega Araújo da Nóbrega , Patos-PB - Escritor
Enviado em 8/11/2009 às 4:21:33 PM
O presidente Lula pode falar o quanto quizer e o que quizer, visto que a oposição ao seu governo é a pior dos últimos quarenta anos. Incompetente, sem comando e sem identidade com as massas populares. Não assumem suas posições ideológicas e nem explicam ao povo as verdadeiras intenções do canto esquerdista. Pode crer! Com todos os escândalos que aconteceram e acontem constantemente, esse governo que está aí não suportaria um Carlos Lacerda por seis meses!
Vanderlina Moraes , Bsb-DF - assessora de imprensa
Enviado em 8/11/2009 às 3:28:54 PM
Eles como "intermediários do povo já não decidem mais" é a mais cristalina verdade. Gostei do texto pela argumentacao original.
Carlos Aires Alcantara , SP/SP-SP - jornalista
Enviado em 8/11/2009 às 3:26:50 PM
Muito oportunas as falas mencionadas do Lula: Aliança política? – "Se Jesus Cristo viesse para cá, e Judas tivesse a votação num partido qualquer, Jesus teria de chamar Judas para fazer coalizão". ** Oposição? – "Pobre da oposição que não tem o que fazer; acho que a ociosidade é a desgraça da humanidade". ** Crise mundial? – "Lá, a crise é um tsunami; aqui, se chegar, vai se uma marolinha, que não dá nem para esquiar." --- concordo com as falas do presidnete e até acho que sua performance jun to aa imprensa em geral escanteou de vez o tais formadores de opiniao.
Carlos Aires Alcantara , SP/SP-SP - jornalista
Enviado em 8/11/2009 às 3:26:20 PM
Muito oportunas as falas mencionadas do Lula: Aliança política? – "Se Jesus Cristo viesse para cá, e Judas tivesse a votação num partido qualquer, Jesus teria de chamar Judas para fazer coalizão". ** Oposição? – "Pobre da oposição que não tem o que fazer; acho que a ociosidade é a desgraça da humanidade". ** Crise mundial? – "Lá, a crise é um tsunami; aqui, se chegar, vai se uma marolinha, que não dá nem para esquiar." --- concordo com as falas do presidnete e até acho que sua performance jun to aa imprensa em geral escanteou de vez o tais formadores de opiniao.
José Vantuir Ferreira , Manaus-AM - jornalista
Enviado em 8/11/2009 às 3:23:29 PM
Muito boa sua abordagem. Estou copiando para meus alunos de jornalismo. Obrigado.
Angelo  Frizzo , Bento Gonçalves-RS - desempregado
Enviado em 8/11/2009 às 2:04:38 PM
Respeito muito o Caetano Veloso como um dos maiores artistas que o Brasil produziu. Mas como opinião politica é preferível que se abstenha. É um habitante de um Estado(Bahia) em que temos uma das maiores proporções de pobres e miseráveis no total da população. Não consta que esteja fazendo algo por seu povo. Que eu saiba vive nababescamente(merecidamente até) a beira mar, longe de problemas. Se a Marina Silva se cercar desse tipo de preconceituoso, vai perder meu voto. Sobre analfabetos, 90 da população Brasileira o é. Inclusive a maioria dos universitários. E é o Lula que está, em seu governo , quase DOBRANDO o número de universidades e escolas técnicas no Brasil. Então, ser alfabetizado e culto, não significa ser melhor do que ninguém. Só se é melhor quando a sociedade tem como aproveitar nossos conhecimentos, tanto espiritualmente, como MATERIALMENTE.
Cristiana Castro , Rio de Janeiro-RJ - Advogada
Enviado em 8/11/2009 às 1:23:38 PM
O termo, " formador de opinião", fala por si. Opinião, cada um vai ter a sua, de acordo com as informações que recebe. Usando os exemplos já citados, Caetano Veloso e Demétrio Mangnoli , manifestam suas opiniões e cada um de nós formula sua impressão do sujeito, baseado nas concepções deles sobre um determinado assunto. Não é o assunto é o sujeito. Se o Lula disser que na Bahia nevou, eu vou achar que ele piorou e não que o aquecimento global chegou seu limite. Não existe autoridade, acadêmica, social, poltica, etc... para se pensar a figura de um formador de opinião.
Jaime Collier Coeli , Itanhaem-SP - A´psentado
Enviado em 8/11/2009 às 6:47:48 AM
Como brasileiro politicamente correto, sei muito bem o que vem a ser um "formador de opinião", respeito oks seres superiores e dou plena razão a tudo que o exmo. senhor presidente da Republica Federativa diz, bem como a tudo que o grande poeta e cantor de Santo Amaro da Purificação afirma. Amem.
Max Suel , SP-SP - Engº
Enviado em 8/11/2009 às 1:33:28 AM
Madson, seja menos Mad e mais SON. O excelente Demétrio Magnoli, sociólogo e geógrafo, nunca foi racista,, muito pelo contrário, ele não quer é o país dividido entre negros e não negros; o país dividido por critérios racialistas. Aí ... menos Mad muito menos Mad
Luciano Prado , Rio de Janeiro-RJ - advogado
Enviado em 7/11/2009 às 5:20:54 PM
“Formador de opinião” é um cara muito bem pago pela mídia para entoar diariamente o mantra encomendado pelo patrão, com fins de fazer valer seus interesses pequenos em detrimento do interesse público. O “formador de opinião” é incumbido de incutir no público ouvinte que as idéias do patrão são na verdade o pensamento e a vontade da população. Portanto, todas as vezes que as vontades do patrão forem lançadas o “formador de opinião” deve ter o cuidado de creditá-las à opinião pública. Exemplo: “A opinião pública entende que a melhor coisa para o Brasil e seu povo é eleger Serra presidente”. Outro exemplo: “A opinião pública acha Daniel Dantas brilhante”.
Dante Caleffi , Rio de Janeiro-RJ - Publicitário
Enviado em 7/11/2009 às 12:44:21 PM
ACM, sabia do que falava.Afinal, era franqueado das "Organizações Globo",na Bahia. A mídia , cognominada de PIG,porque o oligopólio não permite ir além de quatro publicações :três jornais e uma revista semanal,não noticiam :editam. Lula, claro tem seus pronunciamentos ou opiniões dimensionadas de acordo com a editoria dos veículos;distorcidas,caricaturais ou ofensivas. Raramente reproduzidas "in totum". O que temos atualmente são os "deformadores de opinião",alguns até elegendo como ídolo,mito e modelo ,Carlos Lacerda,que pertence juntamente com seu aprendiz Amaral Neto,o que pior do jornalismo e da política produziram em qualquer tempo no nosso país.
Madson Fonseca , Maceió-AL - jornalista
Enviado em 4/11/2009 às 6:12:15 PM
Uma aula construída em cima de duas frases. Parabéns. Sempre que leio artigo do senhor penso que seria bom saber sua opiniao sobre questoes muito polemicas como a visao radical do racista Demetrio Magnolli, aliás, publicada aqui mesmo no OI. O sujeito está sempre "se achando". Já seria tempo de alguém como o senhor expor sua visao sobre acoes afirmativas no Brasil. Um abraço.
Carlos N Mendes , Santos-SP - industriário
Enviado em 4/11/2009 às 3:19:05 PM
Excelente abordagem. E me abriu os olhos : certos jornalistas são como catadores, que preferem pegar uma latinha de alumínio do que uma garrafa PET. Cada um com sua conviniência. Afinal, eles sabem exatamente porque estão nessa.
João Régis , floripa-SC - jornalista e prof
Enviado em 4/11/2009 às 11:43:19 AM
Show de texto. O ´Cara´ é um craque porque sabe trocar em miúdos bem miúdos teses de sociologos que prentensamente querem explicar a formacao do povo brasileiro. Lembro que algumas revistas nos anos 90 nao conseguiam fazer reportagem sem colocar figurinhas carimbadas como ACM e Delfim Neto na posicao de informante, em off ou a descoberto. Assim como o Estadao nao deixa de repercutir qualquer bobagem dita por sua excelencia suprema o notório Gilmar Mendes.
Lindolfo Antunes , Fortaleza-CE.-CE - bancário
Enviado em 4/11/2009 às 11:38:44 AM
Voce conseguiu de maneira brilhante ruenir ideias centrais em um mesmo período: "É sintomático que as duas frases com que abrimos este texto tenham sido pronunciadas pelo presidente Lula aos participantes da Expocatador. Sintomático porque, como sói acontecer, o público-alvo estava muito além da Expocatador. E além dos profissionais que catam material reciclável por todo o país estavam, certamente, os profissionais da imprensa que catam opiniões a torto e a direito, personagens com algum grau de notoriedade naturalmente conquistada ou artificialmente conferida, com o intuito de influir no comportamento, na conduta e na opinião daqueles classificados como "massa ignara", "plebe rude", "pessoal do andar de baixo", e aqueles que no Brasil profundo não conseguem "ter três refeições ao dia".
Carmem Antunes , Vitória-ES - Profa. universitária
Enviado em 3/11/2009 às 1:53:42 PM
muito boa essa análise sobre formadores de opinião. Como o senhor escreveu: O certo é que criar uma boa frase requer, ao menos para os simples mortais, uma engenharia complicada. Já os dotados de espontaneidade e intuição não necessitam muito dessa engenharia. Elas simplesmente saem. E acabam se tornando referência.
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