Richard Fadden, novo presidente do Serviço de Inteligência de Segurança do Canadá (CSIS, sigla em inglês), estreou no cargo com críticas à mídia. Em seu primeiro discurso, ele acusou jornalistas e defensores de direitos humanos de frequentemente mostrar suspeitos de atos terroristas como "heróis folclóricos" e de minimizar os riscos impostos à sociedade pelo terrorismo.
Fadden ressaltou ainda que o Canadá tem um "sério buraco negro" no que se refere ao combate ao terror e citou em especial a cobertura "extremamente otimista" sobre o Toronto 18, grupo de jovens acusado de planejar ataques inspirados na al-Qaeda. "Terrorismo é um crime sério. Por que então os acusados geralmente são mostrados na mídia como heróis folclóricos? Por que eles são sempre fotografados com seus filhos e descritos de modo terno? E por que não são questionados quando acusam o CSIS ou outras agências de abusar deles?", disparou.
Outro lado
O CSIS e a Real Polícia Montada do Canadá (RCMP, sigla em inglês) estiveram envolvidos em uma série de casos antiterrorismo nos últimos anos – e, em alguns, receberam muitas críticas. No mais conhecido, uma investigação revelou que a RCMP forneceu uma informação à polícia americana – de que o engenheiro de software Maher Arar tinha ligações com extremistas – mais tarde revelada como falsa. Por conta disso, os EUA o deportaram para a Síria em 2002, onde ele alega ter sido torturado. Em 2007, o governo canadense pediu desculpas formais a Arar e o indenizou em US$ 9,8 milhões. A cobertura do caso pela mídia canadense foi dura, mostrando a RCMP como incompetente.
Kerry Pither, defensora de direitos humanos que fez campanha a favor de Arar, disse que as acusações de Fadden foram "inapropriadas e excessivas". Ela afirmou ainda que duas investigações mostraram que a CSIS fez "alegações imprecisas e injustificadas de ligações com o terrorismo". Em 2008, um inquérito concluiu que os serviços de segurança do Canadá contribuíram indiretamente com a tortura, na Síria, de três árabes canadenses suspeitos de envolvimento em atividades terroristas. Os três disseram que as perguntas que fizeram a eles na cadeia só poderiam ter sido elaboradas pela CSIS. Informações de David Ljunggren [Reuters, 29/10/09].