ELEIÇÕES 2002
Jogo de Espelhos
Bem vindos ao observatório da imprensa. você e 115 milhões de brasileiros só pensam numa coisa: as eleições do próximo domingo. No caso do rio de janeiro a prioridade certamente é o sítio imposto pelo crime organizado, mas também neste caso impõe-se uma leitura política. O novo ocupante do palácio da guanabara, quem quer que seja, terá que esquecer promessas de campanhas e concentrar-se no problema fundamental da segurança porque ele não é regional mas irradia-se pelo país inteiro. Não se deve esquecer que o toque de recolher imposto pela bandidagem incluía as bancas de jornais em vários bairros. Isto não é censura prévia é terrorismo político igual àquele que nos anos oitenta incendiava bancas de jornais que vendiam jornais alternativos de oposição.
A poucos dias das eleições do próximo dia 6 de outubro este observatório registra também dois dados extremamente preocupantes para o futuro da imprensa brasileira. O assassinato do dono de um jornal em cuiabá, mato-grosso, revela que as instituições brasileiras - e a imprensa é uma delas - continuam ameaçadas tanto pelo caudilhismo regional como pelo crime organizado. Mais grave ainda foi a decisão do TSE há 10 dias proibindo que o correio braziliense divulgasse o conteúdo de fitas que comprometem um candidato ao governo do distrito federal. Esta nova decisão judicial deu-se uma semana depois da inédita decisão da nossa corte suprema mantendo o embargo sobre a publicação de fitas que comprometem um candidato, este à sucessão presidencial, caso que foi objeto de várias edições deste observatório no ano passado e neste ano. As decisões dos magistrados de duas cortes e instâncias revela que a censura prévia, aos poucos, transforma-se em instrumento regular de controle da informação. Qualquer que seja a intenção daqueles que legalizaram as duas censuras prévias a verdade é que estamos assistindo a uma gradual substituição dos censores fardados pelos censores togados.
Nesta edição do observatório vamos tentar um jogo de espelhos: como a mídia internacional avalia o trabalho da mídia brasileira nesta que está sendo considerada tanto aqui como no exterior como a mais importante eleição da nossa história republicana. Vamos saber o que os colegas do exterior pensam do empenho da nossa imprensa em mostrar imparcialidade, o que acham da febre das pesquisas aos quais todos os grandes veículos estão atrelados, o que pensam do horário eleitoral gratúito, uma novidade brasileira e assim por diante. vamos nos ver através dos olhos dos outros. É um bom exercício para os países que pretendem ter um papel de destaque no cenário internacional.