ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 308 - 24/11/2009
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CFJ ARQUIVADO
A euforia suspeita

Por Alberto Dines em 21/12/2004

A grande imprensa comemorou com confete e serpentinas o arquivamento do projeto do Conselho Federal de Jornalismo (CFJ). O prematuro carnaval no meio da temporada natalina, impróprio e debochado, merece uma reflexão.

Os jornalistas independentes foram os primeiros adversários – também os mais credenciados e mais legítimos – da desastrada proposta engendrada pela Fenaj e apadrinhada pelo governo federal. Nas colunas onde manifestam-se livremente, seja na mídia impressa, rádio, TV, portais jornalísticos, em entidades como a ABI ou este Observatório, as candentes opiniões do expressivo grupo de veteranos profissionais ofereceu o suporte de credibilidade para a rejeição ao projeto.

Os editoriais das empresas de comunicação ou as posições institucionais do patronato, além de chochas, chegarem tarde e não conseguiram o respaldo da opinião pública porque estavam evidentemente comprometidas com interesses que nem sempre coincidem com os da sociedade.

Ao contrário da voz do dono, as vozes dos profissionais têm validade, são respeitadas, podem até coincidir com o que pensam as empresas que lhes pagam o salário ou pro-labore. Mas são vozes com assinatura, de jornalistas com currículo e, sobretudo, com biografia.

Fecho repentino

O grande debate sobre o CFJ, além da sua intensidade e duração, teve o mérito de revelar um novo emissor de opiniões em matéria de imprensa e liberdade de expressão. Ao tradicional binômio empresas-governo acrescentou-se um terceiro elemento: os jornalistas independentes. Este é um dado que tanto o governo como as empresas precisam levar em conta. Já não estão sozinhos na feira das idéias. Significa que poderemos chegar a uma situação semelhante à americana ou européia, onde o ponto de vista da empresa jornalística vem acompanhado por uma dose de suspeição não muito diferente da que envolve as manobras oficiais.

O patronato tentou capitalizar um triunfo que não foi dele. A única jogada empresarial efetiva foi a da Associação Nacional de Jornais (ANJ) – e não foi das mais dignas: peitou o deputado-empresário Nelson Proença (PPS-RS) para convencê-lo a pedir o arquivamento do projeto do CFJ, inclusive do seu substitutivo.

Jornalistas independentes não se regozijaram com o abrupto encerramento do debate sobre a mídia. Jornalista alimenta-se de controvérsias, empresas jornalísticas preferem apostar nas unanimidades. E no silêncio.

Comentários (2)
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José Antonio de A. e Silva , Barra-BA - técnico agrícola
Enviado em 27/12/2004 às 2:05:57 AM
A quem interessa o CFJ? Ao governo, aos jornalistas ou a algum grupo dentro do jornalismo nacional?
Natan Praxedes , São Paulo-SP - Publicitário
Enviado em 23/12/2004 às 4:28:28 PM

O mau do jornalismo vai além da publicação de fatos errados, significa acreditar que só existe uma verdade. Tudo depende de onde e como se observa. Um acidente de trânsito, por exemplo, pode ter muitas variáveis. Para tanto, basta dar uma volta ao redor do carro e constatar. O caso do CFJ não foi diferente. A vaidade jornalística diz “tudo que falo é certo”. Essa soberba impede um debate para promover reflexão. Com isso, perde o jornalismo e a sociedade (que ele tanto defende). O jornalista de hoje é preguiçoso. Vai ao local do acidente olha e dá o veredicto: culpado / inocente (juiz?).

Foi o que aconteceu com o CFJ. Ao invés de pensar em solucionar os problemas existentes no projeto, exonera-o. É mais fácil. Se não está de bom grado, rejeite. Não discuta melhorias. Bata o pé, faça birra, seja mimado. Viver em uma pseudodemocracia da comunicação é suficiente para alguns, mas não o bastante para outros. A discussão do Conselho Federal de Jornalismo é muito mais do que o simples certo ou errado. E olha que já fui totalmente contra a criação.

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