ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 333 - 24/11/2009
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MÍDIA E A CRISE POLÍTICA
O primeiro depoimento de Roberto Jefferson: lama sobre a mídia 

Por Luiz Egypto em 13/6/2005

Era a pauta da hora, pedra cantada com a devida antecedência: o depoimento do deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados, marcado para 14h30 de terça-feira (14/6), mobilizou toda a mídia na cobertura da primeira aparição pública, ao vivo e em cores, depois de vários dias, do protagonista da maior crise política já vivida pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A crise foi desencadeada pela divulgação, pela revista Veja (edição de 14/5), do conteúdo de um vídeo que mostrava o ex-chefe do Departamento de Contratação e Administração de Material dos Correios, Maurício Marinho, negociando com dois interlocutores e deles embolsando um pacote de 3 mil reais – que aceitou da forma mais natural do mundo.

Mais lenha na fogueira foi colocada na entrevista de Roberto Jefferson à repórter Renata Lo Prete, da Folha de S.Paulo, publicada na segunda-feira (6/6), na qual o parlamentar acusava o PT de distribuir dinheiro como forma de garantir apoio de deputados da base aliada do governo – o chamado "mensalão". As labaredas aumentaram com uma nova entrevista à mesma repórter, publicada pela Folha no domingo (12/6), na qual deputado garantia que o dinheiro do "mensalão" tinha origem nas estatais e empresas do setor privado [veja abaixo a matéria "As confissões do deputado"].

Conselho de Ética reunido, repórteres, fotógrafos, cinegrafistas e blogueiros a postos, acenderam-se as luzes e sobrou lama para todos os lados. Os alvos preferenciais do deputado petebista foram o ministro José Dirceu, da Casa Civil, o Partido dos Trabalhadores (em especial seu presidente, José Genoíno e o tesoureiro nacional, Delúbio Soares) e o deputado Valdemar da Costa Neto, presidente do PL.

Sobrou também para a mídia, que não foi poupada pelo deputado. Aliás, há muito não se via a mídia brasileira ser atacada com tanta virulência em rede nacional.

"Não arredo pé em nada do que disse à Folha de S.Paulo nas duas entrevistas que dei", começou dizendo Jefferson, na sua defesa oral, para em seguida afirmar que a matéria da Veja em que Maurício Marinho é mostrado recebendo propina não passou de um flagrante montado e gravado por agentes da Abin (Agência Brasileira de Inteligência).

"O governo acertou com a Veja e eles esconderam o que estava nesta fita que eu divulguei depois", disse. "Eles deram os fatos virtuais e esconderam os reais."

A seguir, uma coleção de estocadas na imprensa contidas em seu depoimento:

** "A Globo é uma extensão do Diário Oficial do governo. Colocaram a foto da minha esposa de baby-doll na capa da Época. Não é possível."

** Segundo o deputado, O Globo e a revista Época publicaram reportagens "covardes", que atingiram a sua honra e de sua família. Disse que reuniu a cúpula do PTB e comentou: "O governo vai botar o cadáver no colo do PTB. Olha a imprensa oficial como está saindo".

** Disse que à época de depoimento de Maurício Marinho à Polícia Federal recorreu ao ministro José Dirceu, pedindo que este intercedesse em seu favor na revista Veja. "Não, a Veja é tucana", o ministro teria respondido. Jefferson contou que, na seqüência, perguntou a Dirceu a respeito do jornal O Globo: "Esse eu tenho por cima, esse eu seguro", teria respondido o ministro.

** "A imprensa investiga, acusa, julga e executa em uma semana. Não se importa, não tem responsabilidade. A imprensa tem todos os poderes. Não tenho mais preocupação com mais nada, desarmei, não temo. A verdade é dita para enfrentar."

** "Ô, revistinha essa Veja...ô, revistinha."

** "O Estadão me linchou", disse sobre O Estado de S.Paulo, ironizando as críticas do repórter – seu "amigo" – Expedito Filho, de quem recebera a qualificação de "metrossexual".

** Citou o blog do jornalista Ricardo Noblat, que às 13h45 da terça-feira postou uma nota intitulada "Bomba!!!!!! Apareceu a primeira secretária", com a informação de que a revista IstoÉ Dinheiro, que circula às sextas-feiras, "antecipou sua próxima edição, está sendo impressa neste momento e deverá estar nas bancas ainda hoje". O motivo? "Trará entrevista com a secretária do publicitário mineiro Marcos Valério, acusado pelo deputado Roberto Jefferson de ser um dos operadores do esquema do mensalão ao lado do tesoureiro Delúbio Soares. A secretária confirma o que disse Jefferson."

***

No encerramento de sua defesa oral, o presidente do PTB Roberto Jerfferson nominou seis parlamentares como beneficiários ativos do esquema do "mensalão": seriam eles os deputados Valdemar da Costa Neto (PL-SP), o líder do PP na Câmara, José Janene (PR), o presidente do PP, Pedro Corrêa (PE), além de Sandro Mabel (PL-GO), Pedro Henry (PP-MT) e Bispo Rodrigues (PL-RJ).

Às 17h06, enquanto o deputado ainda era interrogado pelos seus pares do Conselho de Ética, Ricardo Noblat postou o seguinte comentário em seu blog, sob o título "De braçada":

"Jefferson está até aqui na posição de distribuir culpas e absolvições. Disse que só deputados do PP e do PL receberam o mensalão. Com a experiência de criminalista que já defendeu ou acusou 200 réus, está nadando de braçada no interrogatório a que está sendo submetido por membros do Conselho de Ética.

"Conta episódios com detalhes – porque sabe que são os detalhes conferem credibilidade a qualquer história que se conte.

"A maioria dos deputados que o escuta o faz com interesse, temor e raiva. Muita raiva no caso de alguns.

"Será diferente quando ele tiver que depor na CPI dos Correios. Ali há políticos mais experientes e que saberão apertá-lo."

O espetáculo não termina neste primeiro ato. O imbróglio ainda tem pela frente uma Comissão Parlamentar de Inquérito (que, como dizia Ulysses Guimarães, sabe-se como começa mas nunca se sabe como termina) e, pelos flancos, uma opinião pública atenta e atônita. Convém prestar atenção como será o comportamento da mídia diante desse prato cheio. E observar o que ainda poderá respingar sobre ela.

Aguardem as cenas dos próximos capítulos.

[Texto fechado às 18h15 de 14/6/05]



As confissões do deputado

Luiz Antonio Magalhães 

O deputado federal Roberto Jefferson, presidente do PTB (ao menos até o fechamento deste texto), é um homem dramático. Advogado criminalista e político formado na tradição do pragmatismo absoluto, Jefferson é também um profissional frio, calculista e consciente do peso das palavras que profere.

Na segunda entrevista concedida à Folha de S. Paulo, publicada na edição de domingo (12/6), mais uma vez com o objetivo de denunciar o suposto esquema do pagamento de um "mensalão" a deputados do PL e PP – de acordo com a denúncia, uma propina paga pelo tesoureiro do PT com o objetivo de garantir o apoio dos aliados em votações de interesse do governo –, Jefferson atirou em várias frentes. Envolveu novos personagens, bateu forte no ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, e acusou o líder do PP, José Janene, de participar ativamente da negociata.

Em outras palavras, fez jus à alcunha de "homem-bomba" ou, na versão politicamente incorreta, de "homem-ventilador". Garantiu para si, pela segunda vez em duas semanas, a manchete da Folha de S. Paulo. Mas tratou de alertar que não tem provas do que está denunciando: disse que não possui qualquer tipo de fita gravada ou documento que comprove as pesadas acusações que fez aos colegas da Câmara, aumentando assim a expectativa para o depoimento formal que faria na Comissão de Ética da Casa nesta terça-feira (14).

Imagem comprometida

Jefferson pode ser muita coisa, mas burro certamente não é. Tem informações de sobra para avaliar o tamanho da encrenca em que se meteu e muitas vezes suas afirmações não se destinam ao grande público, mas a poucos entendidos. No meio dos recados cifrados e insinuações, o deputado trabalhista disparou, na sua segunda entrevista concedida à Folha, um petardo na direção da mídia brasileira. Mais especificamente em direção à revista Veja, ao jornal O Globo e à TV Globo. O trecho a seguir merece ser lido com atenção, pois é revelador. Com a palavra, Roberto Jefferson:

"Eu coloquei ao Zé Dirceu tudo o que eu já disse a você na entrevista passada. Nesse ínterim, sobe um boletim da Polícia Federal, trazido pelo advogado do PTB, dizendo que o Mauricio Marinho [funcionário dos Correios flagrado em gravação recebendo propina e citando Jefferson] descredenciara a fita. Eu falei: ‘Se é assim, eu não tenho nenhum problema em retirar a assinatura da CPI. Mas Zé Dirceu, vocês, que esticaram a corda até romper, me expliquem como foi essa coisa de Furnas’.

"Aí ele repetiu a conversa do Chinaglia. Que recebeu pressão do Severino e do Janene, com ameaça de assinar a CPI, e que adiante eles reconduziriam o Pirandel.

"Eu falei: ‘Mas me importa a restauração da minha honra. A ‘Veja’ está fazendo um verdadeiro linchamento’. Ele respondeu: ‘Roberto, na ‘Veja’ não tenho nenhuma ação, porque a ‘Veja’ é tucana’. Eu falei: ‘Mas ‘O Globo’ e a Globo estão repetindo o linchamento’. Ele falou: ‘No ‘Globo’ eu falo por cima. Dá para segurar’.

"Retirar a assinatura foi o meu maior erro. Depois que fiz isso, recrudesceu o noticiário contra o PTB. Eu entendi que foi uma armadilha do Zé Dirceu para mim. Recrudesceu o noticiário, e eu vi claramente a mão do governo." (destaque meu)

Do que é possível entender do diálogo entre o ministro José Dirceu e o deputado Jefferson, segundo a versão do presidente do PTB, o comportamento atual da imprensa brasileira não difere tanto assim daquele observado nas já longínquas décadas de 1950 e 60, quando havia os veículos francamente de oposição ao governo, que manipulavam o noticiário a fim de solapar a governabilidade, e os chamados "chapa-branca", que também manipulavam as notícias, mas para defender o poderoso de plantão.

Desde o final da ditadura militar, praticamente todos os jornais, rádios e emissoras de televisão do país se esforçam para vender a imagem de veículos independentes, isentos e altivos no compromisso com a busca da verdade – a própria Folha já usou por bom tempo o inusitado slogan "Folha, de rabo preso com o leitor". Tal imagem de independência cai por terra no depoimento de Jefferson. Em poucas linhas, ele desconstrói, para usar uma palavra da moda na política, o papel de dois grandes veículos como intermediários isentos entre os fatos e os leitores. Nas palavras do deputado do PTB, pelo menos a revista Veja, o jornal O Globo e a TV Globo são qualquer outra coisa, mas isentos é que não são.

No momento certo

Evidentemente, não é fácil dar crédito total a um bufão do quilate de Roberto Jefferson, mas é forçoso reconhecer que, no tocante ao diálogo acima reproduzido sobre o comportamento a imprensa brasileira, "se non è vero, è bene trovato", como diriam os italianos.

No tocante à Veja, supostamente qualificada de tucana pelo ministro Dirceu, sempre segundo o relato de Jefferson, o qualificativo é até singelo. Na verdade, a revista sempre foi agressivamente antipetista. Durante a campanha de 2002, conta uma ex-profissional que deixou a casa horrorizada, um dos altos editores do semanário costumava passear na redação perguntando aos repórteres "o que é que nós temos para f... o operário nesta semana".

Nem é preciso avançar muito na análise do panfletão anti-PT editado pela Abril, basta bater os olhos na deplorável "reportagem" sobre outro suposto "esquema" petista, desta vez envolvendo a ex-prefeita Marta Suplicy, intitulada "O mensalão da perua", que está na edição corrente (nº 1909, de 15/6/2005) da Veja. Além de não conter nenhuma novidade – a matéria repete uma denúncia também sem provas e até o momento negada inclusive por gente graúda da administração tucana de José Serra –, Veja faz questão de agredir gratuita e pessoalmente a ex-prefeita.

No que diz respeito ao jornal O Globo e à TV Globo, a carapuça também pode acabar servindo. Apesar das desavenças do passado, que teve no episódio da edição do debate entre Collor e Lula, em 1989, o momento de maior estremecimento, a cúpula da empresa e o governo petista parecem ter se entendido desde a campanha de 2002, quando principalmente a emissora concedeu ao então candidato Lula um tratamento nada hostil. Após a vitória, o presidente-eleito retribuiu com a primeira entrevista exclusiva, durante a qual chorou ao assistir à edição de sua própria trajetória de vida.

Já no governo, Lula manteve a divisão do bolo publicitário do governo federal e das estatais praticamente como ela se dava nas gestões anteriores, garantindo assim vultosos recursos para os veículos da Rede Globo. Enfrentando uma grave crise financeira e preparando uma profunda reestruturação, a cúpula global certamente respirou aliviada com as permanências do candidato da mudança.

Passar a limpo

Veja e Globo à parte, o discurso de Jefferson, se bem analisado, contém praticamente uma confissão de culpa. No trecho assinalado em vermelho, o deputado pede a Dirceu que intervenha nos veículos para mudar o tom da cobertura do escândalo dos Correios. Pode parecer banal para quem administra as grandes redações, mas soa incompreensível ao bom jornalismo: então, um deputado acusado de corrupção pode pedir ao ministro da Casa Civil que "opere" para manipular o noticiário, e este ministro, a se acreditar nas palavras de Jefferson, admite fazer tal gestão junto ao maior conglomerado de mídia do país? Ambos agindo com a maior naturalidade do mundo, quase como se estivessem na reunião de pauta do Globo ou montando a escalada do Jornal Nacional...

Ao fim e ao cabo, é quase uma pena que o escândalo do mensalão e a corrupção nos Correios dominem o debate político de forma a ofuscar os tantos outros absurdos revelados por Roberto Jefferson. Porque não fossem esses temas tão mais importantes, seria o caso de pedir a CPI da Imprensa, para passar a limpo a maneira pela qual certas revistas e jornais decidem o que a opinião pública deve saber a respeito do que se passa no Brasil.

[Texto fechado às 01h21 de 14/6/05]

Comentários (9)
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Mauro Meira , São Carlos-SP - analista de sistemas
Enviado em 21/6/2005 às 10:08:42 AM

Em nenhuma oportunidade do programa (ainda que no (penúltimo bloco fossem feitas citações à imprensa), nenhum dos entrevistadores fez qualquer referência às acusações de Roberto Jefferson à influência do governo na imprensa (principalmente, de José Dirceu) sobre O Globo.

Ficou feio (e/ou suspeito)! 

Paulo Arenhart , Florianópolis-SC - Jornalista
Enviado em 16/6/2005 às 10:19:51 AM

E agora?  Não aprendemos com o infeliz período da ditadura militar, com os infindos escândalos dos orçamentos, dos anões, da Procunsult, do INSS, dos bancos, não aprendermos com o governo Collor, com a “compra” de mandato do FHC, com esta roubalheira pública do governo Lula.

 

Nossa democracia, ao longo da história, está dando marcha à ré. O medo e o desespero está vencendo a esperança do povo brasileiro. Talvez, infelizmente... a última esperança do povo brasileiro.

 

O depoimento do deputado Roberto Jeferson expôs a público como é tratada a política no nosso país. Tudo é feito neste toma lá dá cá. E tudo que foi falado, todos nós sabemos, por isto não tem por que se espantar. O nosso parlamento sabe que as coisas sempre funcionaram assim. Para eles isto é fazer política. Os nossos empresários também são coniventes com o que acontece, patrocinam esta barbaridade, pois sabem que terão compensações mais adiante. Os partidos gastam sem prestar contas destes mimos milionários repassados nas campanhas eleitorais e o TRE faz de conta que fiscaliza tudo.

 

Temos deputados e senadores recebendo remunerações que chegam a 200 vezes o salário mínimo e ainda cobrando um “mensalão” para votar e ajudar o governo. Vemos os partidos aliados do governo indicando diretores de estatais e pagando comissão por isto. A corrupção não está encalacrada no governo, como dizem alguns, a corrupção, como estamos vendo, move este país.

 

A Corrupção está na política, no futebol, na iniciativa privada, nas ONGs, e talvez no próprio quintal de alguns brasileiros. Ah... o bendito jeitinho brasileiro. De Gaule não foi profeta, nem agradiu o nosso Brasil, apenas disse a grande verdade que todos nós não queremos assumir. Nosso país não é mesmo um país sério. Pois o que fazer? Eu tenho a resposta: votar. Votar e votar.

 

Votar em gente nova. Votar em quem nunca participou disto. Desta política suja. Votar e, principalmente, se colocar à disposição para ser votado. Participar mais da vida política do nosso país. Assumir a responsabilidade de ajudar a arrumar tudo isto. Precisamos de nomes novos, de idéias novas. Precisamos de pessoas de bem. De pessoas que sejam puras na alma, na essência. Precisamos de um Congresso Novo, com gente nova, com vontade de trabalhar pelo Brasil. Chega de ACMs, Jefersons, Fernandos, Silverinos... chega destes nomes todos que sempre querem a reeleição... que sempre ganham, gastam e se locupletam com o poder para lá permanecerem.  Chega de “políticos profissionais”.

 

Hoje todos os nossos governantes passam 4 anos de mandato trabalhando para a reeleição. Ora, não é esta a essência de um mandato público. A reeleição, na verdade,  deveria acabar em todos os níveis. O que precisamos é de gente que nos represente no parlamento. Esta é a função de um deputado ou senador. Não importa se já tem ou já teve experiência política ou parlamentar. E nos próximos 4 anos... o vizinho é quem deve estar lá. E depois o lixeiro, e depois o médico, a doméstica, e assim por diante. Isto é democracia. Democracia é a condição de todos um dia poderem assumir o poder e ajudar a governar o nosso país. Ou acabamos com esta “era dos políticos proifissionais”, ou estes todos que sempre estiveram por aí, acabam com o Brasil e com todos nós brasileiros. Reeleição Não – Em todos os níveis!

Anna Asthine , Teresóplis-RJ - estudante
Enviado em 16/6/2005 às 2:53:42 AM
Tradução de Roberto Jeferson: mentiroso, trapaceiro, manipulador e, acima de tudo, CALCULISTA!
Renato Godinho , Joinville-SC - fiscal municipal
Enviado em 15/6/2005 às 6:36:44 PM
Lama é a própria imprensa brasileira: faz e derruba governos sempre no interesse dos poderosos. Mas não é o depoimento de um desqualificado, mentiroso, notório pilantra como Roberto Jefferson que acrescentará alguma sujeira à nossa mídia.
Eanes Melo , Maceió-AL - servidor público federal
Enviado em 15/6/2005 às 5:16:31 PM
O brasileiro gosta de ser enganado. É corno manso mesmo! Ora, um partido é feito de homens, e não de anjos! Infelizmente a nossa política é feita desse tipo de gente cuja maioria é desmoralizada. O PT passava a imagem de um partido de gente decente. Essa gente decente quando chega ao poder torna-se indecente. Foi o que aconteceu. Não tiveram nem o cuidado de não misturar o joio com o trigo. O deputado Roberto Jefferson era da tropa de choque do Collor, ambos antipetistas ferrenhos. E esse homem estava de braços dados com a cúpula palaciana. Quem com porcos se mistura o farelo come, já diz o ditado. O que o Brasil precisa é de homens públicos independentes, sem passado suspeito e sem rabo preso com nada. Para desespero da imprensa. Isso seria possível?
Moyzes Braz , Curitiba-PR - webdesigner
Enviado em 15/6/2005 às 1:19:27 PM
Como a imprensa avalia a forma parcial com que a Veja abordou o "escândalo" dos Correios, recortado-o em partes? Como a imprensa avalia o voto de credibilidade do público ante as acusações de Jefferson? A Globo, ao demonstrar uma postura abertamente pró-PT, ameaça sua credibilidade?
Francisco  Bastos , Fortaleza-CE - advogado
Enviado em 15/6/2005 às 1:16:58 PM

As declarações do deputado Jefferson, antes de se discutir o mérito, já têm seu próprio mérito em relação à mídia: mostrou o que todos sabem da relação incestuosa mídia e poder, verbas publicitárias etc. Este país, desde a era Vargas/Chateaubriand, nada mais retrata de podre do que esta chantagem da mídia com o poder. Por isso não se democratizam as concessões públicas de emissoras, pois não interessa aos detenteres do poder das comunicações: TV e rádio comunitárias nem pensar! Liberdade de expressão? Vejam os telejornais comentando as declarações, e tirem suas conclusões.

Fabio de Oliveira Ribeiro , Osasco-SP - advogado
Enviado em 15/6/2005 às 9:02:31 AM

Um amigo meu definiria o Roberto Jefferson como um "cínico sincero". Cínico porque chafurdou na mesma lama em que pretende com alguma justiça fazer chafurdar alguns proeminentes membros do governo. Sincero porque está a fornecer elementos que possibilitam a apuração mais detalhada do caso escabroso de corrupção em que se envolveu e em que podem estar envolvidas muitas outras pessoas. Figura interessante esta... Apresentou-se à Comissão de Ética vestindo uma camisa e uma gravata púrpura, simbolo de poder com que se adornavam os imperadores romanos. Não prestou apenas um depoimento. Confortavelmente instalado em seu assento, como se este fosse uma cadeira curul, distribuiu justiça. E justiça seja feita, por mais que não gostemos dele ou de seus métodos, este "cínico sincero" pode acabar sendo útil à República. A literatura credita ao advogado Marco Tulio Cícero a responsabilidade de ter sido o último pilar da república romana. Curiosamente Jefferson também é advogado e pode se tornar o arauto da destruição não da república, mas deste presidencialismo imperial que é a fonte de todo o mar de lama que envolve os três poderes. Assim seja!

Ricardo Missão , Leme-SP - publicitário e assessor de imprensa
Enviado em 15/6/2005 às 8:57:19 AM

Primeiramente quero parabenizar o jornalista Luiz Egypto pela clareza da matéria. Acompanhei alguns trechos da comissão pela TV Senado. Alguns dos deputados entrevistados pela reportagem da emissora disseram que Jefferson Roberto encenou o tempo todo, delatando todos que haviam participado da corrupção do mensalão e tudo mais. E o mais importante, que seriam as provas concretas de tudo isso, não existe, disseram alguns políticos. Jefferson teria como única prova concreta os R$ 4 milhões, tornando-se o acusado.

A maioria começava sermpre com a frase "Você vai entrar para a história". Ferrado mais vai. Lembro eu que tempos atrás era Jefferson o garoto-propaganda de comerciais do PTB. Para ator, talvez nem a Rede Globo aceitasse, pois para o elenco de Malhação a exigência é ser novo e esbelto. Talvez queira protagonizar alguma novela das oito.

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