ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 336 - 24/11/2009
  E-Notícias
Início > Índice Geral > E-Notícias + A | - A
[imprimir] [enviar por email ] [link permanente]
 

FUNDACIÓN NUEVO PERIODISMO IBEROAMERICANO
A internet e o futuro do jornalismo

Por Carlos Castilho em 4/7/2005

A internet ocupou o espaço nobre no brainstorm promovido pela Fundación Nuevo Periodismo Iberoamericano, com quase 40 jornalistas e professores de comunicação, para tentar identificar os fatores que mais influenciarão o desenvolvimento da imprensa na próxima década.

Parece o óbvio, mas os depoimentos dos participantes da reunião, realizada no final de junho em Cartagena de Índias, na Colômbia, mostraram que o papel da rede vai muito além da simples troca de ferramentas analógicas por digitais. Um conjunto de valores associados ao exercício da atividade informativa também está sendo drasticamente alterado e tudo indica o perfil do profissional no ano 2015 será bem diferente do atual.

Esta evolução não é apenas desejável, mas também inevitável porque os participantes foram unânimes na constatação de que o jornalismo atual não pode continuar como está, embora tenham divergido na forma e velocidade da mudança.

A tecnologia, o novo perfil dos consumidores e a realidade econômica terão um papel crucial no futuro da imprensa, mas tudo indica que o exercício da profissão vai depender de fatores não-materiais, concentrados especialmente na área da educação.

Novas exigências

Há necessidade de atualização dos profissionais que atualmente trabalham nas redações de revistas, jornais, rádios e emissoras de TV. O processo de modernização tecnológica é irreversível e está atropelando a maioria dos profissionais mais experientes, cujo conhecimento é indispensável na contextualização da informação – um recurso que se tornou essencial à compreensão das notícias num ambiente de avalancha informativa.

As empresas estão recorrendo ao expediente fácil de trocar profissionais calejados por jovens que conhecem as novas tecnologias mas carecem de maior experiência no relacionamento com fontes e leitores. O descarte dos veteranos parece uma solução fácil, mas suas conseqüências aparecem quando o noticiário perde densidade e o leitor troca os jornais pela internet, por exemplo.

As redações do ano 2015 estarão formadas por jornalistas que ingressarão nos próximos anos em algum curso de comunicação, mas se não houver uma urgente mudança nos currículos é quase certo que os novos profissionais serão tão desatualizados quanto os que saem hoje das universidades.

A grande maioria das faculdades de jornalismo no Brasil não tem uma disciplina de jornalismo online, não discute as mudanças em curso na imprensa e nem prepara os alunos para as novas exigências de um mercado onde a comunicação digital será predominante. O que as faculdades fazem hoje é preparar profissionais para o desemprego.

O desafio da educação

O terceiro e talvez mais importante fator a condicionar o futuro do jornalismo é a nova relação entre os profissionais e o público. A internet colocou nas mãos das pessoas comuns a possibilidade de elas tornarem-se protagonistas ativos na arena da informação pública. Isto nunca havia ocorrido antes em escala massiva.

Ferramentas como as páginas web, os blogs, as listas de discussão, os fóruns, os chats e o correio eletrônico deram ao público um poder inédito em matéria de observação crítica da imprensa e isso passou a ameaçar o olímpico isolamento dos jornalistas e formadores de opinião pública.

Os profissionais que já estavam desorientados pelo inexorável encolhimento das redações, pela introdução maciça de novas tecnologias, pela falta de tempo e recursos para contextualizar informações, passaram também a enfrentar leitores vigilantes e cheios de exigências.

Por outro lado, os leitores e os autodenominados jornalistas amadores passaram a exercer o seu papel ativo na comunicação sem terem tomado consciência de toda a complexidade do jogo da informação. Trata-se de uma situação delicada e que pode gerar conseqüências trágicas.

No workshop da FNPI, criada há 10 anos pelo Prêmio Nobel de Literatura Gabriel García Márquez, ficou claro que os principais desafios da imprensa nos próximos 10 anos encontram-se mais no terreno educacional, por meio do aprendizado permanente dos profissionais, estudantes e dos novos "amadores" do jornalismo, do que na tecnologia e nas finanças.

Comentários (0)
Comentar
Compartilhe
[imprimir] [enviar por email ] [link permanente]
Este é um espaço de diálogo e troca de conhecimentos que estimula a diversidade de idéias e pontos de vista. Não serão publicados comentários com xingamentos e ofensas ou que incitem intolerância ou crime. Os comentários devem ser pertinentes ao tema da matéria e aos debates que naturalmente surgirem. Evite vulgaridades e simplificações grosseiras. Não escreva em maiúsculas: isso dificulta a leitura do texto e, na linguagem da internet, é interpretado como gritos. Mensagens que não atendam a estas normas serão deletadas, e os comentaristas que habitualmente as transgredirem poderão ter interrompido seu acesso a este fórum.
         
Nome :   Sobrenome :
E-mail:   Profissão:
Cidade:   Estado:
Comentário:


para o limite de 1400.
 
The CAPTCHA image
Clique aqui para ouvir o
texto soletrado(mp3)
Digite no campo abaixo o texto
que você vê na imagem ao lado.

 
Compartilhe este texto
Blig Blig BlinkList BlinkList BlogBlogs BlogBlogs BlogLines BlogLines Delicious del.icio.us
Digg Digg Furl Furl Google Bookmarks Google Bookmarks Linkk Linkk Magnolia ma.gnolia
netscape Netscape netvibes Netvibes newsvine Newsvine reddit reddit Stumble Upon Stumble Upon
Technorati Technorati Twitter Twitter Windows Vista Windows Vista Yahoo! MyWeb Yahoo! MyWeb Facebook
Carlos Castilho

Outros artigos desta Seção
FUNDACIÓN NUEVO
PERIODISMO
IBEROAMERICANO
A internet e o
futuro do jornalismo

Carlos Castilho
4/7/2005
INCLUSÃO
DIGITAL
Os laptops de Lula
Rafael Tristão Pepino
4/7/2005
ELEIÇÃO ELETRÔNICA
Com ou sem auditoria?
Amilcar Brunazo Filho e Pedro
Antonio Dourado de Rezende
4/7/2005
GOOGLE
O céu é o limite
4/7/2005
COMUNIDADE VIRTUAL
O triunfo da comunicação
participativa

4/7/2005

Últimos 5 artigos de
Carlos Castilho
CASO MILAN KUNDERA
Escritor acusado de dedo-duro
4/11/2008
CASO SANTO ANDRÉ
Perguntas que a imprensa precisa responder
28/10/2008
THE ECONOMIST
Revista simula uma eleição planetária no dia da votação nos EUA
21/10/2008
POLÍCIA vs. POLÍCIA
Imprensa sem rumo na guerra do dia-a-dia
14/10/2008
MICROSOFT & YAHOO!
A grande aliança anti-Google
5/2/2008
Mais artigos de
Carlos Castilho >>