ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 336 - 24/11/2009
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MÍDIA E A CRISE POLÍTICA
A chance da grande catarse do jornalismo

Por Alberto Dines em 4/7/2005

O atual ciclo de denúncias não chega a ser uma antologia de jornalismo mas é uma preocupante coleção de mazelas jornalísticas. Busca-se a credibilidade mas poucos oferecem transparência, pretende-se a moralização da vida pública mas os bastidores da imprensa continuam imersos na sombra:

** Tudo começou com uma matéria de capa da Veja sobre as propinas nos Correios, clássico do jornalismo fiteiro.

** Foi completado por duas entrevistas à Folha de S.Paulo do deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) sobre o esquema do "mensalão", clássico do jornalismo declaratório.

** Foi agravado por uma investigação da revista IstoÉ Dinheiro, que dirigiu os holofotes para o publicitário Marcos Valério e está sendo ferozmente contestada por duas concorrentes.

** E, novamente graças à Veja, o vazamento de um documento sigiloso empurrou o furacão para dentro da direção nacional do PT.

Estas cinco matérias, mesmo que sejam as últimas da série, já produziram um dos maiores abalos políticos desde 1945 e, pela repercussão, devem provocar profundas mudanças nos usos e costumes políticos do país.

Resta saber se conseguirão modificar nossos usos e costumes jornalísticos. Entrarão para a história do moderno jornalismo brasileiro pelos efeitos que causaram e ainda causarão. Mas sobre algumas dessas peças jornalísticas pairam sombras no tocante aos procedimentos adotados para produzi-las e aos interesses que as motivaram. [Veja, abaixo, "As primeiras e segundas intenções jornalísticas"]

Operação escusa

Não é o caso das entrevistas concedidas pelo denunciado-denunciante Roberto Jefferson à Folha. A repórter Renata Lo Prete, ex-ouvidora do jornal, teve o cuidado de informar poucos dias depois da primeira entrevista que o deputado Jefferson, na qualidade de fonte habitual, tomara a iniciativa de procurá-la. Cortou pela raiz qualquer tipo de especulação sobre eventuais interesses ou beneficiários das suas revelações.

Carece da mesma transparência a ouverture desta triste e ruidosa temporada através da Veja. Dois meses depois, a divulgação do vídeo da propina nos Correios continua envolta em sombras, rodeada de dúvidas e desconfianças. E, como não poderia deixar de acontecer com fatos mantidos no lusco-fusco da dubiedade, cada vez que a matéria é examinada ou discutida sob o ponto de vista estritamente profissional, mais interrogações levanta.

Caso da entrevista ao Jornal Nacional (Rede Globo, quinta-feira, 30/6) do ex-agente da ABIN, Jairo Martins de Souza, autor da gravação. O araponga — que, aliás, se diz jornalista [veja abaixo comentários de Ricardo Noblat] e faz negócios com jornalistas — revelou que ofereceu o vídeo ao repórter Policarpo Júnior, da sucursal da Veja em Brasília, e que este aceitou-o antes mesmo de examinar o seu teor [abaixo, a transcrição da matéria do JN].

Na hora da entrega, o jornalista teria usado um reprodutor portátil de DVD para avaliar a qualidade das imagens. De que maneira chegou ao jornalista e por que este aceitou o vídeo são questões que até hoje não foram esclarecidas.

Tanto o repórter como a revista recusam-se terminantemente a oferecer qualquer tipo satisfação ou esclarecimento aos leitores. Não se trata de proteger as fontes: elas seriam inevitavelmente nomeadas quando o funcionário flagrado, Maurício Marinho, começasse a depor. Foi exatamente o que aconteceu e hoje Veja carrega o ônus de ter se beneficiado de uma operação escusa – chantagem de um corrupto preterido ou ação formal da Abin para desmoralizar um aliado incômodo (o PTB, de Roberto Jefferson).

O que está por trás?

Diferente é a aura que envolve a segunda bomba do semanário (capa da edição 1.912, de 6/7, de autoria do repórter Alexandre Oltramari): baseada num documento rigorosamente secreto, protegido pelo sigilo bancário, sua obtenção parece livre de suspeitas – resultou de um vazamento ou de investigação, mas é trabalho reporterístico, legítimo. Araponga não é jornalista, vídeo secreto ainda não é reconhecido como gênero de jornalismo. Talvez o seja num futuro próximo.

Diferente dos demais é o desempenho de Leonardo Attuch, da IstoÉ Dinheiro, que revelou a existência da ex-secretária do publicitário Marcos Valério, sua patriótica indignação e, sobretudo, a preciosa agenda de compromissos do ex-patrão.

Revelações arrasadoras que ninguém até agora ousou contestar, porém envoltas em controvérsias no tocante aos seus reais beneficiários e/ou patrocinadores. É um dos seus pontos fortes – franqueia aos leitores a discussão sobre os bastidores da imprensa – mas é também uma de suas fraquezas – evidencia contradições importantes.

A saudável disposição do repórter Attuch em ser sabatinado na edição televisiva do Observatório da Imprensa (terça, 5/7, 22h30, ao vivo pela TVE) coloca-o automaticamente num patamar diferenciado.

Mas as descontraídas declarações da ex-secretária no Programa do Jô (Rede Globo, quarta-feira, 29/6), os diversos textos publicados em IstoÉ Dinheiro e uma discreta matéria ("A mentira da secretária", págs.72-73) enterrada no meio das 31 páginas de denúncias da última edição de Veja reforçam perguntas cruciais:

** Por que uma matéria produzida no início de setembro de 2004 só foi publicada em fins de junho de 2005?

** Se a idéia era transformar o depoimento de Fernanda Karina em matéria de capa (segundo Veja, ela posou para fotografias num estúdio de Belo Horizonte), por que razão só foi revelada no site da revista nove meses depois, durante o primeiro depoimento de Roberto Jefferson na Comissão de Ética da Câmara dos Deputados?

** Quem procurou quem – Fernanda tomou a iniciativa de procurar o ex-editor de economia do Estado de Minas ou foi o jornalista que chegou à secretária do poderoso empresário-publicitário em meio a uma investigação?

** Por que Veja, a desencadeadora da mais grave crise do governo Lula, agora investe contra a testemunha-bomba Fernanda Karina e CartaCapital, que praticamente omitiu a sucessão de escândalos, agora empenha-se em desacreditar o repórter que descobriu a ex-secretária?

** Justificam-se as suspeitas que atrás desta guerra de denúncias está a guerra das operadoras de telefonia?

Valores a preservar

A imprensa não pode entrar no clima de que o fim justifica os meios. Ela é um meio – ou um conjunto de meios, media – que não pode ser desacreditado. A moralização da sociedade não se faz com golpes de moral duvidosa. A busca da verdade exige um mínimo de transparência dos buscadores.

O atual turbilhão desvenda uma grave crise política mas, acima dela, uma gravíssima crise de valores. Cabe à imprensa preservá-los. Sem valores, a imprensa vai para o brejo – junto com os mensalistas, os ensandecidos, os utopistas, os irresponsáveis e os corruptos, ativos ou passivos.

Este watergate, felizmente, não foi batizado. Não é Correiogate nem Mensalãogate, muito menos PTgate. Melhor seria designá-lo como "A Grande Catarse", purgação. A imprensa não pode ficar de fora.



As primeiras e segundas
intenções "jornalísticas"

Luiz Egypto

O depoimento do ex-agente da Abin Jairo Martins de Souza à CPI dos Correios, na tarde de terça-feira (5/7), revelou uma relação entre a arapongagem e a imprensa a que o distinto público jamais tivera oportunidade de ser apresentado. Souza disse ter sido movido por "espírito jornalístico" ao tomar a decisão de entregar ao repórter Policarpo Junior, da Veja, o vídeo que mostra o funcionário dos Correios Maurício Marinho recebendo uma propina de 3 mil reais. Transformadas em matéria jornalística, essas cenas funcionaram como estopim para a grave crise política que atazana o governo Lula no geral e o Partido dos Trabalhadores, no particular. Noves fora o deputado Roberto Jefferson.

Com o caminhar das investigações, aos poucos vão ficando mais claros procedimentos políticos para lá de suspeitos e, de lambujem, da lama revolvida também afloram procedimentos outros, agora estritamente jornalísticos, que, sob qualquer ótica, devem ser considerados, no mínimo, pouco edificantes. Os fatos que se sucedem mostram o quanto o "jornalismo investigativo", cantado em prosa e verso como arte maior ofício, é capaz de macular-se quando imiscuído na arapongagem pura e simples, na jogatina de interesses escusos, e na cumplicidade com protagonistas de atos tipicamente ilegais. Em crimes, enfim.

A Agência Senado divulgou, na mesma terça-feira, mais um fiapo do novelo de relações que começa a tomar forma. Eis um trecho do despacho "Jairo contradiz depoimento de Wascheck" [íntegra disponível aqui]:

"O deputado José Eduardo Cardozo (PT-SP) apontou ainda divergências entre os depoimentos do jornalista Policarpo Junior à Polícia Federal e o de Jairo à CPI: à PF, Policarpo disse ter sido procurado por Jairo sobre um esquema de corrupção envolvendo o PTB, sobre o qual garantiu ter provas. À CPI, Jairo afirmou não ter comentado o assunto com o repórter e que, à época do contato, anda não existiam provas. O jornalista, prosseguiu Cardozo, afirmou ainda que a primeira fita que viu não foi a divulgada, ao contrário do que afirmou o ex-agente da Abin."

Durante o seu depoimento à CPI, o ex-agente Souza foi inquirido pela senadora Ideli Salvatti (PT-SC). Dois trechos do diálogo que se seguiu estão transcritos abaixo. Eles mostram o quanto vale uma boa amizade na obtenção de uma notícia-bomba. Nada contra a notícia, claro, mas o leitorado ficaria muito mais satisfeito – e confiante nos veículos de informação que compra ou assina – se lhe fosse dado o direito de saber como foi conseguida.

***

Ideli Salvati – O senhor disse aqui que fez isso pelo interesse da nação e como jornalista investigativo. O senhor disse aqui também que fez isto combinado com o jornalista Policarpo [Júnior, da sucursal de Brasília da revista Veja]. O senhor confirma?

Jairo Martins de Souza – Eu não entendi. Vocês estão combinados, eu não entendi, eu não entendi.

Ideli Salvati – O senhor que disse!

Jairo Martins de Souza – Combinado?!

Ideli Salvati – É, porque o senhor disse que...

Jairo Martins de Souza – Não. Eu disse que todo o momento eu fui acompanhado pela revista. Quando eu tomo conhecimento de um fato desse, que é para ser divulgado, eu tenho que trazer um veículo. Eu trouxe a quinta maior revista do mundo para dentro do assunto.

Ideli Salvati – Para dentro do assunto... É.

[...]

Ideli Salvati – O senhor fez isso no caso do Maurício Marinho?

Jairo Martins de Souza – Perfeitamente.

Ideli Salvati – Fez isso no caso do André Luís?

Jairo Martins de Souza – Perfeitamente.

Ideli Salvati – Fez isso no caso do Calazans?

Jairo Martins de Souza – Perfeitamente.

Ideli Salvati – Então o senhor é uma espécie de funcionário da revista Veja para a arapongagem?

Jairo Martins de Souza – Não senhora.

Ideli Salvati – Mas é muita coincidência, né! Três episódios, nos três o senhor é quem faz as gravações. Então eu quero saber: tem vínculo direto ou indireto com a revista Veja?"

Jairo Martins de Souza – Não, não tenho vínculo.

Ideli Salvati – E quanto é que o Policarpo lhe paga para fazer esses serviços para ele?

Jairo Martins de Souza – Excelência, não paga nada.

Ideli Salvati – Não paga nada! Só de bondade, só por amor à pátria.

Jairo Martins de Souza – É um amigo meu, né?!

Ideli Salvati – Amigo... O senhor tem muitas amizades né, Seu Jairo? Bastante amizade. Umas amizades que provocam determinados serviços, que têm interesses econômicos, empresariais e de corrupção e de crime organizado, como era o caso do André Luís e do Calanzas. E isso tudo por amizade, na "faixa", só "faixa".

Jairo Martins de Souza – Excelência, meus amigos me convidam, me aguçam...

Ideli Salvati – Aguçam a sua cobiça?

Jairo Martins de Souza – Não, aguçam minha intenção de ajudar, a minha intenção jornalística, a minha intenção de prestar um serviço. Eu vou e faço.

***

Ricardo Noblat

"Mais respeito! Araponga, não, jornalista", copyright Blog do Noblat, 5/7/2005, às 11h16

Jairo Martins, que está depondo na CPI dos Correios, foi quem cedeu o equipamento para gravar o vídeo onde aparece Maurício Marinho, ex-chefe de departamento dos Correios, embolsando R$ 3 mil. O vídeo detonou o escândalo que levou o deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) a falar tudo que anda falando.

No ano passado, também foi Jairo que gravou as conversas telefônicas responsáveis pela cassação do mandato do deputado André Luiz (PMDB-RJ) - aquele que pediu grana ao ex-bicheiro Carlinhos Cachoeira para livrá-lo da CPI da Assembléia Legislativa do Rio sobre maracutaias na Loteria Estadual.

Jairo acaba de dizer que foi como jornalista que atuou nos dois episódios – não como araponga, araponga o quê? Estão pensando o que dele? Ex-funcionário da Agência Brasileira de Inteligência, formou-se em jornalismo no final do ano passado. E como tal diz que se comporta.

Ao ser contratado para filmar Marinho e grampear André Luiz, a primeira coisa que ele disse que fez foi procurar a Veja e oferecer o material. ‘Foi um trabalho puramente jornalístico’, garantiu.

A amigos, nas duas últimas semanas, Jairo confessou mais de uma vez que espera ganhar o próximo Prêmio Esso de Jornalismo. Ele se considera um sério candidato ao prêmio.

Não é brincadeira não, é serio! Porque ele está convencido de que filmou e grampeou como free-lancer da Veja – embora jamais tenha recebido um tostão dela por isso. Recebeu dos que encomendaram as gravações.

Jairo ganhava como araponga e pensava em brilhar como jornalista.

É, de certa forma faz sentido."

***

"Eu fiz jornalismo investigativo", copyright Blog do Noblat, 5/7/2005, às 13h10

"Imperdível o depoimento na CPI dos Correios do ex-araponga e que agora se apresenta como jornalista Jairo Martins – que cedeu equipamento para gravar às escondidas a cena onde Maurício Marinho, ex-chefe de departamento dos Correios, aparece embolsando R$ 3 mil.

Durante nove anos ele foi araponga da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN). Mas insiste em dizer que ajudou a gravar Marinho na condição de repórter free-lancer.

– Eu fiz jornalismo investigativo – repetiu Jairo.

Foi ele que entregou à Veja a fita que desempregou Marinho e que abriu a boca do deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ). ‘Fiz um bem ao país’, desculpou-se Jairo."

***

Jornal Nacional

"Ex-agente da Abin fala sobre gravação", copyright Jornal Nacional, 30/6/2005

"O ex-agente da Abin – Agência Brasileira de Inteligência – Jairo Martins de Souza falou nesta quinta-feira pela primeira vez sobre o envolvimento dele nas gravações em que o ex-funcionário dos Correios Maurício Marinho aparece recebendo propina.

Jairo Martins só aceitou dar entrevista se o rosto dele não aparecesse, porque teria sido ameaçado de morte. Ele mora em Campo Grande, Mato Grosso do Sul. Trabalhou nove anos na Abin e deixou a agência em 2001. Ele disse que conheceu o empresário Artur Washeck causalmente num bar em Brasília.

‘Nesse primeiro momento, em nosso contato não se falou sobre grandes assuntos, até mesmo porque tinha várias pessoas. Mas meu amigo falou que eu era jornalista e que gostava de jornalismo investigativo’, disse Jairo.

Segundo o ex-agente da Abin, o empresário Artur Washeck acreditou que fosse esta a profissão dele. Tempos depois, num segundo encontro casual, o empresário teria falado sobre o desejo de fazer uma gravação.

‘A gente conversa sobre vários assuntos e ele fala que estaria com alguns problemas nos Correios e que esses problemas tinham de acabar e que queria divulgar esse fato’, diz Jairo. ‘Aí ele fala: pois é, eu queria gravar, você me ajuda? Eu falei: ajudo’.

Jairo conta que os dois trataram, então, da compra dos equipamentos para a gravação.

‘Aí, dado o OK, de que ele iria gravar, eu compareci à feira dos importados, que existe em Brasília’.

Jairo Martins disse que Artur Washeck deu a ele dois cheques para a compra do equipamento. Num novo encontro no terraço da casa do empresário, entrou em cena o advogado Joel dos Santos Filho.

‘E lá nesse terraço eu cheguei e expliquei para o Joel, o autor das gravações, expliquei para o Joel como manusear o equipamento’, disse Jairo. ‘Nesse momento eu não sabia o eram as gravações. Nem sabia que eram para o Marinho’.

Jairo relatou como foram feitas as gravações.

‘É preciso deixar claro que houve quatro encontros entre Joel e Maurício Marinho. Três com equipamento de gravação. Porém um ele não adotou o procedimento adequado, por isso não gravou. Depois ele teve o segundo encontro que gravou. Eu baixei as imagens, entreguei pro empresário Artur Washeck’.

Mas, segundo o ex-agente da Abin, a gravação não deu o resultado esperado.

‘Ele me liga e fala de novo que não ficou boa. Porque que não ficou boa, eu não sei. Não prestou pra finalidade deles. Aí foi o quarto encontro. Terceiro com equipamento, mas a segunda gravação, que foi a publicada pela revista Veja’.

Jairo disse que depois da gravação voltou a se encontrar com Washeck e com o advogado Joel dos Santos.

‘Eu fui ao encontro deles à noite, não sei se já eram onze horas da noite. Recebi o equipamento. Olhei, falei: gravou. Peguei o equipamento. Baixei as imagens no dia seguinte. Fiz duas cópias: uma para o Artur Washeck e a outra pro Policarpo Júnior, da revista Veja’.

Segundo Jairo Martins, desde o início toda a negociação foi acompanhada pelo jornalista da revista. O primeiro contato teria sido antes das gravações.

‘Eu procuro o jornalista da revista Veja Policarpo Júnior. E relato pra ele esse fato. Ele diz:

‘Olha se tiver algum fato jornalístico que nos interesse, tô dentro, tô contigo’’.

O novo encontro com o jornalista foi depois, quando a conversa com Maurício Marinho já havia sido gravada.

‘Entreguei pro empresário, marquei o encontro com o Policarpo. Nós nos encontramos no Parque da Cidade, em Brasília. Ele no carro dele, o Policarpo, trouxe um mini DVD. Nós assistimos juntos aquela fita. Foi quando nós nos surpreendemos. ‘Pô, o cara recebeu dinheiro’’.

O ex-agente da Abin disse que, depois disso, ficou à espera de um novo contato do empresário Washeck.

‘Aí fiquei esperando o OK do Artur Washeck pra divulgação do material na imprensa. Encontrei com ele pela última vez no restaurante, em Brasília, no setor hoteleiro sul, quando ele disse: ‘Eu vou divulgar o fato. Quero divulgar’. E decorreu um período que essa divulgação não saía. Aí foi quando eu fiz um contato com o jornalista e falei: ‘Pode divulgar a matéria’’.

Jairo disse ainda que enquanto estava na Abin nunca soube de investigação nos Correios. Mas afirmou que conhece um agente que, segundo comentários que ouviu, estaria envolvido no assunto.

‘A pessoa que eles citam envolvida na questão dos Correios é o Edgar Lange. Eu conheço. Passei nove anos na agência. Não vou mentir e dizer que não conheço. Claro. Eu conheço ele. Mas desconheço qualquer atividade que ele estivesse desenvolvendo por lá. Isso aí eu não tenho conhecimento’.

O ex-agente da Abin também contou por que se mudou de Brasília para Campo Grande.

‘Eu vim para Campo Grande em decorrência do episódio que cassou o mandato do deputado federal André Luiz, do PMDB do Rio de Janeiro, no qual eu fui autor das gravações’.

As gravações a que Jairo se refere mostraram o então deputado André Luiz tentando extorquir dinheiro do dono de casas de jogos Carlos Cachoeira para que ele não fosse citado na CPI da Assembléia Legislativa do Rio, que investigava irregularidades na loteria do estado. Na gravação, o deputado André Luiz conversa com um emissário de Cachoeira, que finge negociar com o deputado. Veja um trecho da conversa.

Homem: Sabe o que aconteceu, deputado? O advogado assustou, porque o pedido foi de US$ 3 milhões.

André Luiz: Não foi US$ 3 milhões não.

Homem: O advogado chegou com essa conversa lá pra ele.

André Luiz: Não foi US$ 3 milhões, foi R$ 3 milhões.

‘No desenrolar desse episódio, eu recebi várias ameaças de morte, de mim e da minha família. Naquele momento eu resolvi tirar minha família de Brasília e vim morar em Campo Grande’.

O ex-deputado André Luiz não foi encontrado para comentar a suposta ameaça de morte ao ex-agente da Abin."

Comentários (20)
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juliano de Paula , curitiba-PR - publicitário
Enviado em 3/11/2006 às 12:54:31 AM
Incrível, surrealista, cômico, desesperador!!!Sonho, pesadelo, ou triste realidade?! Como entender um pais que prende o denunciante e mantém em liberdade o denunciado?,digo, houve verdadeiramente um flagrante de Mauricio Marinho frente à toda a nação brasileira, quando embolsou aqueles R$ 3.000,00, e este não foi nem ao menos preso, e o advogado que constituiu a prova material , isto é , filmou o criminoso em pleno exercicio de atos corruptivos, ..., pamen, foi o único preso!!! Onde está este bandido numero 1 da nação, uma vez que todos os mocinhos inocentes ( Dirceu, Bob Jeferson, MARINHO, Silvinho Pereirta, Marcos Valério etc., etc, ) estão todos em pleno exercicio de seus atos heróicos, recolhendo benesses de palestras, livros publicados, lobys, etc. , comprando motos, aposentando-se ou financiando dossiês
Tibério Ramos , Porto Alegre-SP - jornalista
Enviado em 12/7/2005 às 10:32:51 AM
O Observatório da Imprensa contra a imprensa é um absurdo. Alguns ícones do jornalismo, que aprendemos a reverenciar, estão rasgando toda a sua história. Citar Ideli Salvatti como afirmação pública da veracidade é um acinte. O PT é o assaltante do dia e está acabado. Agora surgiu a Igreja Universal. Talvez o PSDB e o PFL também apareçam na linha de tiro, como vocês tanto querem. Eu sou brizolista. Tudo demorou a aparecer por culpa da imprensa, que sempre foi omissa e chapa-branca, inclusive com a história do Lula.
Fábio Carvalho , Porto Alegre-RS - jornalista
Enviado em 11/7/2005 às 3:09:35 PM

Arapongagem não é jornalismo investigativo. Como denomina Alberto Dines, isso é jornalismo fiteiro, que nada investiga, apenas redige o material "apurado" por gente que faz serviço sujo por aí.

A revista Veja omitiu a autoria da gravação nos Correios, mesmo sabendo que a fonte tinha outros interesses. O depoimento de Jairo Martins é o triste fim do jornalismo de Policarpo.

O frila de R$ 300 mil para um ex-repórter de IstoÉ está fora do preço de mercado. Por que a própria imprensa não protagoniza as pautas?

Luis Christovam Correa , Torres-RS - freelancer
Enviado em 10/7/2005 às 7:23:24 PM
Considero, em meu modesto entender, que se está tirando o sofá da sala, no intuito de acabar com o adultério. Condenar o jornalismo investigativo, a partir de uma suposta dúvida, se suas fontes são inteiramente legais e transparentes, seria inviabilizar esse mesmo jornalismo. Certamente, não quereríamos a imprensa a reboque do oficialismo ou vassala do governo.
Maria Josefina Carvalho Figueira , Juiz de Fora-MG - professora
Enviado em 10/7/2005 às 5:10:08 PM

Concordo com Dines, pois está cada vez mais difícil saber qual jornal e/ou jornalista está realmente comprometido com a verdade. Temos que ler sempre com pontos de interrogação. A serviço de que e de quem estão estes jornais e jornalistas? Existem muitos interesses em jogo, e, com certeza, são bem poucos os que estão a serviço do bem-estar do povão. Fiquei estarrecida com a postura de vários jornalistas que participaram do Roda Viva que entrevistou José Genoino. Dava a impressão de que eram não jornalistas, mas inquisidores, principalmente a Eliane, da Folha de S. Paulo. Não parecia um programa de entrevista, mas um interrogatório quase igual àqueles que vemos em filmes retratando o período da ditadura de 64 e da guerra. Tortura psicológica, com certeza houve. Depôs muito contra a imprensa, mas, ainda existem pessoas como o Sr. Dines e, quero crer, outros mais também que ainda nos levam a esperar essa catarse que precisa acontecer logo.

José Garcia , Salvador-BA - analista de sistemas
Enviado em 10/7/2005 às 9:27:52 AM

Como leitor habitual do OI, gostaria de levantar uma questão sobre o episódio do flagrante no assessor do irmão de José Genoino, preso no aeroporto de Congonhas com reais e dólares.

Em meio a uma crise como o PT e o próprio Genoino estão vivendo, me pareceu uma coisa tão primária este assessor estar viajando com tanto numerário que a primeira suspeita que tive foi de que era uma armação, mais ainda por ser exatamente na véspera do dia em que seria decidido o futuro de Genoino na presidência do PT (com o detalhe de que aconteceu uma ou duas horas depois de ele dar entrevista coletiva em que indiretamente se disse disposto a continuar no cargo).

A questão que gostaria de levantar é que fiquei surpreso pois, em todas as matérias que li a respeito, em nenhuma se levantava a suspeita de que pudesse ser uma armação para jogar uma pá de cal no moribundo Genoino. Ainda mais que há alguns fatos estranhos a envolver o episódio. Por exemplo, US$ 100 mil em notas de US$ 100 representam 1 mil notas (ou 100 maços com 10 notas cada um). Convenhamos que esconder isso na cueca que se está vestindo é um tanto quanto difícil!

Não quero dizer que foi uma armação, pois é provável que não tenha sido, mas é uma possibilidade básica que deveria ser levantada por alguém o que, surpreendentemente, não aconteceu. O único que vi levantar esta hipótese, por incrível que pareça, foi o senador Álvaro Dias (que nem do PT é).

Friso que acredito que Genoino tem culpa no cartório nesta história de "mensalão" e Marcos Valério. No entanto, os senhores não acham estranho que a imprensa não levante esta hipótese?

José Silvio Banciella , -NI -
Enviado em 10/7/2005 às 12:11:08 AM

O jornalista Luiz Weis, sobre o assunto, demonstra ter comprado a idéia do ex-ministro Miguel Reale Jr. e passou a vendê-la como se fosse artigo verdadeiro. Comprou meio gato e vendeu gato inteiro em vez de lebre. O que o nobre jurista não diz e omite propositadamente porque jamais poderá alegar ignorância é o porquê dos processos de certas pessoas especiais demorarem tanto tempo para irem a julgamento e obterem os benefícios da lei. O povo sabe distinguir direito de justiça, o ex-ministro sabe e muito, e o jornalista neste caso fez o papel da Hebe Camargo, cujas opiniões ele tanto criticou no artigo.

Marcio Varella , Brasília-DF - jornalista
Enviado em 9/7/2005 às 9:41:48 PM

O tal deputado nunca apresentou e muito menos viu aprovado nenhum projeto de sua autoria importante para a vida dos brasileiros, que ele representa. Foram 20 anos de cadeira cativa na Câmara. Nunca o vimos sentado em mesa de discussões importantes para o país. Pelo contrário, o vimos defendendo o indefensável. Aí ele chega de mansinho, manda brasa na verborragia, acusa um montão de gente de um montão de coisas. Mostra o caminho das pedras mas não apresenta sequer uma prova, algo palpável, para ser investigado. De réu, passa a herói. A imprensa, sensacionalista como os primos americanos, vai na onda. Os donos dos meios de comunicação são quase todos empresários bem-sucedidos, parlamentares e até autoridades. Fazem parte da tal elite que detém 70% do capital nacional de giro na mão, sem distribuí-los por meio de investimentos, apenas rendendo juros ou aplicados em fazendas improdutivas. Querem ver o operário Lula longe do poder, é claro.

Mas a imprensa, a meu ver, pratica aí um crime inafiançável moralmente falando. Acredita nas acusações, transforma o deputado em herói e trai as leis, o que prova que, no Brasil, a Justiça não funciona. Caso funcionasse, e vivessemos num país civilizado e plenamente democrático, uma acusação de tal teor levaria seu autor à cadeia.

E mais: o tal deputado foi à CPI dos Correios e lá, possuído de uma insanidade mórbida, acusa os membros da tal comissão de receberem mensalão. Na noite deste dia, vai ao programa mais chato do país repetir suas conjecturas obviamente extraídas de sua mente brilhante de tenor desafinado. Ninguém reclamou. Todo mundo vestiu a carapuça.

Sendo assim, já que todo mundo faz e ninguém é punido, então também eu faço. Faço aqui duas acusações gravíssimas. A primeira: acuso a senadora Heloísa Helena de receber mensalão. A segunda: acuso o deputado Roberto Jefferson de ser amigo, defensor e sócio do Fernandinho Beira-Mar.

Se alguém me pedir satisfação, seja a Justiça, seja a CPI, responderei com a calma do céu de Brasília, na maior tranqüilidade, à Roberto Jefferson: foi um engano.

Humberto M. do Nascimento , Campinas-SP - Economista
Enviado em 8/7/2005 às 3:19:19 PM

Apenas uma reflexão: se a CPMI não der em nada, alguém duvida DE que Jairo será contratado por algum grande veículo de comunicação? Ou melhor, alguém duvida DE que não foi?

Marco Antonio Furtado , Belo Horizonte-MG - professor universitário
Enviado em 8/7/2005 às 12:44:12 AM

No sábado 2 de julhoo jornal Diário da Tarde, página 3, de Belo Horizonte, trouxe matéria sobre a requerimento do deputado estadual Sávio Souza Cruz querendo saber por que a empresa SPM&B ocupou um andar do anexo do prédio da Assembléia, Edifício Tiradentes, e qual o tipo de ligação que as empresas de Marcos Valério mantinham com aquela casa. Solicitou também quais vínculos manteve a Assembléia com as empresas no período de 1999 a 2005.

É sabido, e o Sr. Valério não escondeu, que de há muitos anos presta serviços a órgãos públicos mineiros, como Loteria Mineira, governo de Minas, Assembléia Legislativa e outros. Também o fez em governos federais, e a maioria dos atuais contratos vem do governo FHC. Recentemente teve até dois encontros com o governador Aécio Neves.

Ora os levantamentos demonstram que o Sr. Valério cresce o seu patrimônio de há muitos anos, e não de dois anos pra cá. Fica a questão: será que todos os contratos de suas empresas com órgãos públicos só são viciados nestes últimos dois anos? Ou será que no período em que serviu a órgãos do governo mineiro, de Itamar Franco, Eduardo  Azeredo e no governo FHC, não aconteceu nenhuma irregularidade?

A questão  é: por que este senhor seria tão "correto" no passado recente, e apenas nos dois últimos anos é que teria se envolvido com corrupção? Além disso, sua ex-secretária diz que o Sr. Marcos Valério não é nem nunca foi publicitário. Então, por que suas empresas vêm ganhando licitações de publicidade há anos em órgãos públicos, inclusive em governos do PSDB, como o de FHC?

Neste país de tão ampla corrupção parece estranho que este senhor tivesse sido tão correto antes, e multiplicado seu patrimônio, e só nos dois anos recentes se tenha tornado mais um corrupto. No fundo, a sensação que dá é que quem acusa também deve ter praticado o mesmo que dizem estar combatendo.

Tudo me parece uma grande farsa.

Robson Sávio Reis Souza , Belo Horizonte-MG - professor
Enviado em 7/7/2005 às 2:56:00 PM

Por que a mídia e os profissionais da imprensa empreendem essa insana corrida pelo "furo" jornalístico - passando por cima da ética e deixando de lado o que difere o bom jornalismo do puro sensacionalismo, ou seja, a possibilidade da elucidação dos fatos ou, em outras palavras, a busca da verdade?

Penso que a busca desenfreada pela "manchete-bomba" tem exposto a fragilidade dos veículos e dos jornalistas, na medida em que pouco se importam com o desvendamento e a elucidação dos fatos, e muito investem na superficialidade da novidade a qualquer preço.

Estamos assistindo a um episódio de flagrante desrespeito ao bom senso e, inclusive, às leis. Qualquer pessoa citada por réus confessos (muitas vezes travestidos de testemunhas) tornam-se, instantaneamente, objeto de desconfiança e chacota nacional. O espetáculo tem que continuar: o sigilo bancário, por exemplo, garantia constitucional, é aberto a todo momento, sem constrangimentos. Afinal, pode-se afrontar a Constituição impunemente, ou os fins justificam os meios?

Quando das entrevistas ou dos depoimentos dos principais envolvidos nas falcatruas republicanas, todos esperam uma nova "bomba-relógio" e, quando essa expectativa é frustrada, repórteres e âncoras se mostram inconformados, aparentando estarem preparados para mais um espetáculo circense, sem a atração principal. Afinal, quem são os palhaços nesse "picadeiro virtual"?

Marcelo Maccaferri , São Paulo-SP - filósofo
Enviado em 6/7/2005 às 2:47:20 PM

E se as denúncias do "mensalão" forem verdadeiras? Neste caso, a imprensa terá feito um grande bem à sociedade. No entanto, a democracia sofrerá o mais duro golpe. Há algo de errado num modelo em que uma minoria prejudica a maioria, servindo-se do poder econômico que detém.

E se não forem verdadeiras? Ainda assim o papel da imprensa será louvável. Infelizmente, a democracia poderá também ser questionada. Pois o direito a defesa de uma minoria argüida deveria ter sido preservado. Lembremos que quando a imprensa julga, involuntariamente, ela condena.

Existem instituições próprias na sociedade que por legitimidade podem e devem julgar. Por princípio de ética o papel da imprensa deveria ser apenas o de informar. E há de ter cuidado se quando informar vai além de formar e passa a ser formatar, que se constitui acinte do poder.

Quanto à democracia? Bem, desde os gregos ela não é perfeita, mas está salva entre as demais que permanecem imperfeitas. No campo da ética, não ser perfeito não é necessariamente ser imperfeito.

Eduardo Guimarães , São Paulo-SP - comerciante
Enviado em 6/7/2005 às 12:32:49 PM

A mídia vem escondendo da opinião pública que não está investigando e denunciando toda a corrupção que sempre existiu neste país infeliz e sim, apenas, a corrupção que inegável e tragicamente brotou numa das bandas do espectro político que a considerávamos a mais honesta entre todas.

Mas, longe de estar em curso um movimento moralizador das instituições, as denúncias exclusivamente contra o PT que estamos vendo têm fundo político-ideológico de inspiração alienígena e visam combater o avanço das esquerdas na América Latina. E por isso, cautelosamente, com precisão cirúrgica, a mídia trata de filtrar as denúncias de corrupção que transmite ao público minimizando gravemente e até ocultando resultados das investigações que comprometem o grupo político que Washington quer colocar de volta no poder do maior país sul-americano a fim de equilibrar a disputa político-ideológica que vem travando com Hugo Chávez, Néstor Kirchner, Tabaré Vasquez etc.
 
Há abundância de provas do que afirmo. São tantas que não sei nem por onde começar a enumerá-las. Então talvez seja melhor começar pelo começo...
 
Vamos retroceder um pouco no tempo. Voltemos a 1997, quando explodiu o que considero um dos mais escandalosos casos de corrupção que este país já viu, o da compra de votos de deputados federais para aprovar a emenda constitucional que permitiu ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso reeleger-se. O que houve não foram denúncias sem provas de inimigos políticos dos que estavam no poder. O que houve foi que aliados do governo federal de então foram gravados em vídeo afirmando que o ministro das Comunicações do governo tucano os havia pago - com dinheiro e com concessões de emissoras de rádio e TV - para votarem a favor da tal emenda constitucional que favorecia o então presidente da República. Não havia, pois, razão para duvidar de que haviam sido "sinceros", porque incriminaram eles mesmos ao afirmarem tal coisa. Apesar da gravidade da "denúncia", porém, a esmagadora maioria da mídia tratou de, primeiro, relativizar o caso e, depois, de lutar para que não fosse instalada CPI nenhuma para investigá-lo. E esses veículos de comunicação todos, hoje, pedem, escandalizados, apuração de "mensalões" etc, mas continuam lutando para que não se investigue a compra de votos tucana. E até mesmo o veículo que denunciou aquela compra de votos, a Folha de São Paulo, naquele 1997 não teve ímpeto investigativo sequer parecido com o de hoje. E, além disso, atualmente também se diz contra a investigação daquele caso.
 
Mas se fosse só isso, não seria nada. O pior é que há indicações concretas de que a principal personagem que está na berlinda hoje, o tal publicitário Marcos Valério, enriqueceu de fato depois que passou a prestar serviços a governos tucanos muito antes de Lula se tornar presidente. O patrimônio do sujeito, que nos últimos dois anos e meio teria crescido mais de 70%, nos anos FHC cresceu mais de 1000%. E, além disso, sua movimentação financeira suspeita detectada pelo COAF vem de muito antes de o PT chegar ao governo do Brasil, mas não se viu praticamente nada sobre isso na mídia. O envolvimento de Marcos Valério com tucanos não interessa à mídia. O que interessa a ela são apenas as transações "estranhas" que o publicitário possa ter feito com petistas.
 
Outra prova contundente de que essa campanha da mídia é de inspiração político-ideológica está em notinhas diminutas de pé de página que os jornais soltaram recentemente dando conta de que há dezenas de pedidos de CPIs contra o governo Geraldo Alckmin parados na Assembléia Legislativa de São Paulo, entre as quais há até pedidos de investigação da horrenda Febem do governador tucano onde os horrores não param de brotar. E esses horrores, quando são divulgados pela mídia, sempre se pode notar o cuidado dela de não relacionar os nomes Alckmin e Febem. O máximo que se fala é "governo do Estado" ou "governo de São Paulo". E houve recentemente até um caso de corrupção detectado na ainda nova administração da capital paulista, do tucano José Serra, que foi noticiado timidamente e depois desapareceu da mídia, e que envolve gravação de gente da prefeitura paulistana confessando que estava sendo leniente com outdoors irregulares.
 
Por tudo isso, vê-se que o propósito da mídia não é combater qualquer corrupção e sim apenas a provável corrupção petista, que obviamente precisa ser combatida. Então é possível prever que se essa mídia tiver êxito em destruir a reeleição de Lula e em colocar algum tucano de novo na Presidência da República a corrupção voltará a ser acobertada por ela como foi no passado, agora sem o risco de grupos políticos de ideologias "indesejáveis" voltarem a ameaçar interesses das elites brasileiras e de potências estrangeiras, porque estarão moralmente destruídos. E por isso não passa de bobagem alguém achar que está ocorrendo um processo de depuração da política brasileira, porque o que está havendo é somente luta política-ideológica cujo resultado será a perpetuação da corrupção no Brasil. Mas agora muito mais à vontade, porque os grupos políticos que estão sendo defenestrados a mídia dirá que não têm moral para acusar ninguém.
 
Cumpre então ao cidadão brasileiro que se tem indignado com a corrupção "petista" exigir que as investigações em curso não fiquem limitadas ao PT e ao governo Lula. A menos que, como a mídia, acredite que existe corrupção "boa" e corrupção "ruim".
Lucinei Lucena , Rio de Janeiro-RJ - sociólogo
Enviado em 6/7/2005 às 11:02:22 AM
Prezado Dines, admiro muito seu esforço para melhorar o jornalismo, mas a questão fundamental é que esse pessoal da grande imprensa (toda uma geração de publicadores de opinião), simplesmente - muito simplesmente -, não faz jornalismo; faz política.
Maria Silva , Goiânia-GO - professora
Enviado em 6/7/2005 às 10:57:29 AM

Concordo que devemos refletir a respeito das questões recentes apresentadas pela mídia. Vejo que por trás disso tudo há interesses politicos e financeiros. Não podemos esquecer que mesmo em governos anteriores isso tudo acontecia, e os jornalistas não escancararam para os leitores como agora. Estou questionando o papel da revista Veja. Sou leitora, pago a mensalidade durante 6 meses, mas agora vou deixar essa revista.

Eles estão fazendo um serviço sujo, imundo. Por que não o fizeram em outros momentos? Essa revista está deixando a ética jornalistica de lado, infelizmente. Desse jeito, vão espantar muitos leitores.

Flávio de Almeida Silva , Mariana-MG - advogado
Enviado em 6/7/2005 às 12:07:29 AM

Engraçado, estou vendo o Programa do Jô e ele anuncia uma entrevista com o "Rouberto" Jefferson e com o responsável pelo extermínio de insetos de São Paulo. Aí fica a pergunta: será que o (quase ex) deputado vai sobreviver ao outro entrevistado?

Ramumdo N. P. de Medeiros , Vitória-ES - advogado
Enviado em 5/7/2005 às 11:47:18 PM

Sobre o comportamento da imprensa, especialmente da revista mencionada hoje na CPI dos Correios, quero dizer que a qualquer pessoa minimamente esclarecida e concientizada em nada surpreende, não há novidade na forma de atuação. É por isso mesmo que o cidadão razoavelmente informado não encontra razões para levar a sério esse tipo de veículo de comunicação.

Mas é não só essa revista que hoje arde na fogueira dos descrédito. Na verdade, qualquer pessoa com o mínimo de capacidade de mediação já constatou que grassa no país uma atividade dita jornalística de baixíssima confiabilidade. Na maioria dos casos não se sabe se uma determinada matéria é uma cobertura jornalística ou uma peça publicitária de determinados grupos econômicos ou políticos.

É claro que existem exceções, poucas, mas honrosas de que me lembro neste momento. Entre os raros exemplos temos Carta Capital, Agência Carta Maior e alguns poucos jornalistas, entre eles Paulo Henrique Amorim, Mino Carta, Paulo Marcun e você, Dines (embora o veja um pouco tímido).

E ressalte-se: não vemos nos outros veículos condições de análises crítica em relação a essas figuras e veículos. Assinalo, porém, que essa situação não é nova, visto que há muito tempo nos vemos quase sem saída, ou seja, olhamos para um e para o outro, e não percebemos na mídia uma cobertura crível e isenta. Parece que realmente estamos diante de uma crise de valores, quem sabe fruto da dizimação dos sonhos de gerações que foram sufocadas pela regime autoritário. E aí parece que nesse contexto o segmento mais depauperado é justamento o do jornalismo. O que manda hoje são interesses de grupos econômicos e políticos, e não a nobre missão de informar. Vide o exemplo da eleição de São Paulo, em que alguns grandes jornais desta cidade manipularam grosseiramente algumas matérias em prol de uma determinada corrente política.

Será que há alguma luz no fim do túnel?

Eduardo Marques , Santo André-SP - servidor público
Enviado em 5/7/2005 às 4:41:46 PM

Ex-cidadãos brasileiros ouçam com atenção!

A República foi derrubada!

O Império das Sombras tomou o poder!

LORD DARTH ROBERTO JEFFERSON VADER assumiu o poder!

A Carta Magna foi abolida, a Constituição-cidadã de 1988 não existe mais, o novo Código Civil foi atirado ao lixo, juntamente com os arcaicos Códigos Penal e Processo Penal. Queimem tudo, agora somente vigora: "A LEI DE JEFFERSON".

Oh, podres deputados "de rabos-preso" federais ajoelhem-se, não se atrevam a fazer perguntas embaraçosas ao Lord Jefferson e nunca se esqueçam de sorrirem embasbacados quando fizerem suas perguntinhas desfocadas, pois senão, com seu olhar arroxeado ele apontará o seu dedo laser e disparará: "VOCÊ TAMBÉM, PODRE DEPUTADO, RECEBE O MENSALÃO!!!", e soltando seu riso sardônico, OHH, OHH, OHH, acrescentará: "ADMIRO SEUS GOSTOS, PODRE DEPUTADO, ÉS MULHERENGO, GOSTAS DE UMA BOATE, ÉS CHEGADO A UMA BEBIDA" e decretará irrevogavelmente o envio do insolente para a gelada Terra do Ostracismo. Como ousas!

Provas, bah para provas, não percamos tempo com isso: "EU SOU AS PROVAS". "A LEI DE JEFFERSON" é marcial, categórica, decisiva, não admite discussões: "O JEFFERSON FALOU", "EU VI O JEFFERSON FALANDO ISSO NA TV" e acabou toda e qualquer discussão. Não existem margens para dúvidas! Xô para aqueles rebeldes insolentes que não acreditam em Lord JEFFERSON VADER. Caiam ministros arrogantes, diretores de estatal enlameados, tremam políticos dúbios, a partir de agora, nas próximas exibições Lord JEFFERSON no programa "O POVO NA TV" usem um grande nariz vermelho, compridas orelhas e um pontudo chapéu em forma de cone. Acapachados estão e acapachados ficarão!

E quem ousar falar que o imperdoável olho arroxeado de DARTH JEFFERSON ficou roxo e inchado porque foi "acariciado" com a mão de um "dedado cupincha" revoltado com suas "caguetagens" sofrerá a pena capital!

A partir deste momento os cavaleiros Jedi são inimigos da República!

VIVA LORD DARTH ROBERTO JEFFERSON VADER!

Eduardo Guimarães , São Paulo-SP - comerciante
Enviado em 5/7/2005 às 11:00:44 AM

No centro do programa Roda Viva da segunda-feira (5/7) esteve José Genoino, presidente do PT. E, uma vez mais, o programa patinou. Aliás, é isso o que acontece quase sempre que recebe políticos.

 
De "Roda Morta" na semana retrasada, quando recebeu Roberto Jefferson, o Roda Viva, desta vez, foi "Roda Histérica". Não se viu propósito outro além do de acuar e impedir de pensar desnecessariamente o entrevistado, que já estava obviamente desorientado. Os entrevistadores berravam, atropelavam um a fala do outro enquanto todos atropelavam a do entrevistado. Não o deixavam falar.
 
Aqueles jornalistas da Veja, do Estadão, da Folha, da IstoÉ, do Globo, da Carta Capital e da própria TV Cultura me chocaram pela falta de profissionalismo. Nem acuar Genoino souberam. Não tiveram competência nem para fazer o petista reconhecer o que saltava aos olhos, que ele não tinha como justificar sua assinatura junto da do publicitário Marcos Valério.
 
Além disso, enquanto o genial chargista Paulo Caruso identificava (literalmente) o perfil tucano do representante do Estadão, Mauro Chaves, a bancada de jornalistas ficou de cabelo em pé quando o entrevistado lembrou que parte dos saques suspeitos de dinheiro das contas de Marcos Valério que o COAF identificou refere-se ao período em que ele prestava serviços ao governo do tucano Eduardo Azeredo.
 
Perdi meu sono para assistir aquela porcaria de entrevista que não acrescentou nada aos fatos e ainda mostrou o nível ao rés do chão em que se encontra o jornalismo brasileiro, cujas tendenciosidade e mediocridade se coadunam perfeitamente com a do espectro político da nação neste momento triste por que passa o país.
Michiko S.de Carvalho , São Paulo-SP - socióloga
Enviado em 5/7/2005 às 10:08:12 AM
Gostaria de comentar algo que me incomoda na atual situação política. Toda a imprensa, escrita, falada e televisada, está em uníssono repetindo informações que não se comprovam com fatos concretos, como as que somos obrigados a apresentar na Justiça. E, no entanto, a repetição constante quase torna verdade algo que não passa de suposição do tipo ouvi dizer, ele me disse, ele teria pago, ele teria feito... Enfim, as pessoas têm o direito de falar o que quiserem sem provar. Na cabeça dos leitores, passa uma imagem de que todos são igualmente corruptos, quando não é verdade! Lembram da Escola Base? Do estrago que a mídia fez com aquelas pessoas inocentes? O que move a imprensa a ser tão irresponsável? A quem ela está prestando esse desserviço?
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