ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 337 - 17/11/2009
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MÍDIA & CRISE POLÍTICA
Revistas dão vexame e ninguém se incomoda

Por Alberto Dines em 12/7/2005

A mídia ligou os holofotes, mas detesta holofotes em cima dela. Acionou o ventilador giratório, mas esconde que a lama respingou nela. Adora fazer barulho, desde que o barulho não seja sobre ela. É um fenômeno, essa nossa mídia.

Ágil, criativa e ousada mas, ao mesmo tempo, penosa, omissa e pusilânime. A transfiguração da bela em fera dá-se apenas em uma circunstância: quando lhe oferecem um espelho. Basta ver-se equiparada às instituições dos comuns mortais, nossa alada mídia vira bruxa. Ou um tiranossauro.

Foi uma matéria de capa na Veja (edição 1.905, de 18/5) que deflagrou a cascata de escândalos que está virando o país de ponta-cabeça. Mas quando a CPI dos Correios, criada pela repercussão desta matéria, desvendou na terça-feira (5/7) como esta matéria foi realizada e quem a realizou, o quinto maior semanário do mundo comporta-se como um panfleto paroquial: por pudor ou despudor, omitiu dos leitores qualquer referência sobre esta revelação.

Em sua última edição (1.913, de 13/7, página 9), a Veja comporta-se como a grande vestal da crítica da imprensa. Denuncia o denuncismo, defende a apuração diligente, parece até fiel seguidora deste Observatório, não fosse a omissão sobre as constrangedoras confissões do araponga-videomaker-e-agora-jornalista Jairo Martins sobre as suas promíscuas relações com a sucursal brasiliense.

Operação de compra e venda

Não apenas a Veja enrustiu seus pecados perante a opinião pública. No dia seguinte, quarta-feira, foi a vez do lobista Marcos Valério revelar diante da CPI e das câmeras de televisão que a reportagem de capa da IstoÉ Dinheiro com a entrevista-bomba de Fernanda Karina, programada para sair em setembro do ano passado, foi engavetada depois da visita de Marcos Valério a Domingo Alzugaray, dono da Editora Três, responsável pela publicação da Istoé Dinheiro. O lobista revelou ainda que pagou R$ 300 mil ao jornalista Gilberto Mansur, funcionário da editora e seu consultor.

Menos de 24 horas antes, no programa Observatório da Imprensa na TV, o repórter Leonardo Attuch, autor da matéria com Fernanda Karina, declarava peremptoriamente que a matéria não foi publicada em setembro de 2004 por falta de provas; negava, também peremptoriamente, qualquer encontro com Marcos Valério. O depoimento no dia seguinte de Marcos Valério mostrou que o jornalista mentiu duas vezes: esteve com Marcos Valério e a razão que impediu a publicação daquela bomba não foi a falta de provas, mas o peso dos R$ 300 mil pagos à Editora Três.

Na última edição da IstoÉ (o carro-chefe da Editora Três, com data de 14/7, na página 29), numa pequena e ardilosa nota, tenta-se defender Gilberto Mansur (que não precisa ser defendido, foi apenas intermediário de uma operação de compra e venda) e tira-se de cena o ex-galã de fotonovelas Domingo Alzugaray, atual publisher da editora.

Gentleman’s agreement

A revista Época, completamente livre para mostrar à opinião pública os lamentáveis tropeços dos concorrentes, de repente foi atacada de um inopinado surto de discrição e solidariedade. Parecia uma lady inglesa que finge um pigarro para não revelar as malícias da vizinha. Com o título "Bastidores da notícia", descreve rapidamente as transações da IstoÉ, mas ignora totalmente o modus operandi investigativo da Veja (edição 373, 11/7, página 38).

O recato dos semanários sobre as mazelas do setor contrasta vivamente com o esbanjamento de indignação no relato sobre as patranhas do PT, do Executivo e do Legislativo. E não foi acidental. Os jornalões de quarta e quinta-feira (6 e 7/7) também foram omissos ou, na melhor das hipóteses, parcimoniosos ao contar os vexames das revistas na CPI dos Correios. Na quarta-feira, sobre a Veja, a Folha publicou pequena nota, O Globo algo ligeiramente maior e o Estadão, nada. Na quinta-feira, sobre a IstoÉ, apenas o Estadão registrou as constrangedoras revelações de Marcos Valério.

A fleuma não foi casual, é pactual. Faz parte de um histórico gentleman’s agreement, acordo de cavalheiros, montado no início dos anos 1980 (como reação à greve dos jornalistas) que resultou na criação da ANJ (Associação Nacional de Jornais, onde se incluía a Editora Abril). Mais tarde, em função de interesses específicos, a ANJ gerou um filhote, a Aner (Associação Nacional de Editoras de Revistas), controlada pela Abril mas no momento presidida por Carlo Alzugaray, filho de Domingo.

Falta alguém na CPI

Como esperar, então, que a Aner condene a falta de decoro de duas poderosas associadas e que a loquaz e beligerante ANJ saia em defesa do bom nome da imprensa, se o grande pool da mídia impressa foi montado justamente para abafar as críticas?

Esta atuação corporativa tem origem fisiológica e pode ser flagrada no episódio da custosa campanha de publicidade para promover a imagem da Câmara dos Deputados, então comandada pelo desastrado João Paulo Cunha (PT-SP).

Num país verdadeiramente democrático, com uma imprensa verdadeiramente independente, seria inconcebível que o Poder Legislativo usasse o dinheiro do contribuinte para lustrar a imagem de uma instituição que abriga 300 picaretas.

Não obstante, a campanha foi lançada com estardalhaço no ano passado na TV, no rádio, em jornais e revistas. Nenhum veículo jornalístico protestou contra este abuso. Exceto este Observatório [ver remissão abaixo].

Ninguém quis abrir mão dos caraminguás que a Câmara distribuía tão generosamente. Agora descobre-se na CPI que o deputado João Paulo Cunha contratou uma das agências de Marcos Valério para promover a gastança na mídia. Se 10 meses atrás algum jornal ou jornalista tivesse se indignado diante da promiscuidade do Legislativo com a imprensa, parte dos escândalos poderiam ter sido abortados.

Nesta última semana, ficou claro que falta alguém na CPI. Mas nenhum dos seus integrantes terá coragem para fazer esta convocação.

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Gabriel Borges Garcez , Patrocínio-MG - estudante
Enviado em 19/7/2005 às 11:51:26 AM

Em primeira pessoa escrevo o meu isolamento. Este isolamento não é por que filtrarei sozinho as informações sobre estes casos de corrupção, ou negarei os fatos políticos. A sensação é contrária. A grande imprensa está me isolando com suas articulações inescrupulosas e convenientes. Então, pergunto aos jornalistas do Observatório da Imprensa: como vou ler, assistir e escutar as notícias após estas constatações?

Edinaldo Augusto , Goiânia-GO -
Enviado em 18/7/2005 às 4:43:16 PM

Incomodados estamos, a todo instante. Mas o que podemos fazer além de ficarmos indignados, assistir e torcer para que alguém, na posição de provocar mudanças, se movimente?

Me parece válida a máxima de que repórter que come bem não publica e nem denuncia.

Luiz Pinheiro , São Paulo-SP - autônomo
Enviado em 17/7/2005 às 10:04:36 AM

Solicito a gentileza de demonstrarem em seus artigos a venalidade da revista Veja que neste domingo já escolheu o novo presidente da República, um tucano, como eles mesmo disseram. Também peço a gentileza de comentarem que nenhum jornal ou blog, inclusive o do Sr. Ricardo Noblat, comentou que a revista Época menciona o recebimento de contribuições de campanha através de Caixa 2 pelo PSDB e o PFL em 1998. Este jornalista Ricardo Noblat só pode estar a serviço de algum interesse, pois seus comentários são extremamente tendenciosos e parciais.

Eder Mineli , São Paulo-SP - gerente de vendas
Enviado em 16/7/2005 às 9:58:35 AM

Creio que o assunto para o próximo programa já deve estar escolhido, mas se não aparecer uma pérola maior, merece comentário o episódio das denúncias do deputado Rodrigo Maia (PFL-RJ) sobre envolvimento de assessores e parentes de deputados do PT em supostas visitas ao Banco Rural em dias coincidentes com os grandes saques.

Pois bem, logo a seguir, uma a uma das indicações do Sr. Maia foram caindo por terra, algumas até de forma grosseira, como a de acusar homônimos sem checar sequer número de identidade (caso da assessora do deputado Devanir Ribeiro). Mas, pasmem, senhores!, no outro dia os jornais (sem checar) apimentavam ainda mais as notícias do Sr. Maia, inclusive fazendo insinuações. O pior foi o Bom Dia Brasil da Globo, em que o Sr, Alexandre Garcia, aparentemente com o discurso já decorado no dia anterior, não prestou atenção na matéria exibida imediatamente antes de seu comentário (em que parte das denúncias já caía por terra) e sentou a lenha nos supostos envolvidos, inclusive fazendo gracinhas em relação à dificuldade de se chegar ao Banco Rural.

Enfim, esta semana se encerra com mais uma acirrada disputa por órgãos de nossa imprensa com a incrível competição de quem denuncia mais, nem que para isso se percam todos os padrões de ética do bom jornalismo.

João Paulo Pedro Alves , Fortaleza-CE - contabilista
Enviado em 15/7/2005 às 9:20:17 PM

Tenho certeza de que não vão publicar esse texto, mas, parabéns, Dines, o único jornalista com c. para mandar esses denuncistas imbecis irem t.n.c.

É a primeira vez que leio seu site e não será a última, com certeza.

Antonio Vinicius , João Pessoa-PB - estudante de Jornalismo
Enviado em 15/7/2005 às 8:43:34 PM
Isso mesmo. CPI da mídia urgente!!!!!!
Sergio Rodrigues [com nota do OI] , Juiz de Fora-MG - Arquiteto, ex-jornalista
Enviado em 15/7/2005 às 2:42:26 PM

Caro Dines,

Confirmando-se o esquema de corrupção em empresas públicas para pagamento do mensalão, você não acha um absurdo que nenhum dos jornalistas que atuam nas editorias de política em Brasília tenham dado este furo, ao longo dos quase 30 meses do governo Lula? Além de questionarmos se o presidente sabia ou não, devemos nos perguntar se os jornalistas sabiam ou não sabiam deste esquema.

Tanto como para Lula, a resposta a esta questão também é embaraçosa, se confirmadas as denúncias. Se os jornalistas não sabiam podem ser considerados extremamente incompetentes. Ou, se sabiam, por que se calaram? Por opção pessoal ou será que foram obrigados a se calar pelo tão conhecido dirigismo editorial de nossas empresas jornalísticas político/familiares?

Pela sedenta forma com que a imprensa, de um modo geral, acatou como verdade absoluta todas as denúncias, me parece que a segunda opção é a mais plausível...

Fica a questão: quando, com que interesses escusos e em que outras maracutaias estes jornalistas não quiseram ou não puderam divulgar fatos?

Nota do OI

O Jornal do Brasil publicou matéria a respeito no ano passado, mas não houve repercussão.

Valdemar Pires , São Paulo-SP - livreiro
Enviado em 15/7/2005 às 11:18:57 AM
O crime organizado, os lobbies dos capitães da economia e demais representantes dos poderes paralelos são acusados de se infiltrarem no Estado. Juízes, policiais, parlamentares, membros do Executivo, funcionários de estatais estão no bolso da contravenção. Ora, se a mídia é o 4º poder, ela será mesmo inocente nessa relação perniciosa?
Melissa Timo , Holanda-IN - bacharel em Direito
Enviado em 15/7/2005 às 6:03:10 AM
Tenho acompanhado pela internet essa crise desde o início. Francamente, o papel de grande parte da imprensa tem sido nojento, não encontro outra palavra. Nunca vi tanta parcialidade política, sensacionalismo barato, insinuações, notinhas falsas, julgamentos sumários. Eu praticamente aprendi a ler nas páginas da revista Veja mas, hoje, entro no site raramente, porque não levo mais a sério essa revista. Há muito tempo que já caí na real sobre a imprensa, leio tudo com desconfiança porque sei que imparcialidade é impossível, mas acho que dignidade e honestidade com os leitores e do jornalista consigo mesmo é possível sim. Gostaria de parabenizar o OI pelo excelente trabalho. Encontrar esse site foi um alívio para mim, uma ilha num mar de mediocridade e manipulação.
Isabel Alonso , Rio de Janeiro-RJ - bacharel em administração
Enviado em 14/7/2005 às 9:14:33 PM

Absurda a reportagem do JN de hoje, 14/7, sobre o depoimento do diretor (não lembro o nome) da Skymaster, ocorrido ontem (13/7) na CPMi. William Bonner ou a mulher dele, sei lá: o diretor afirmou ter procurado o secretário do PT para pedir ajuda numa audiência com o ex-ministro Miro Teixeira.

 

Ponto. A reportagem pára aí. Por que não foi mostrado o que o diretor disse, que o tal secretário do PT não o ajudou? Não respondeu ao seu apelo? Por quê? O JN está pensando que estamos nos anos 50, 60, 70. A imprensa está sendo conivente com esses políticos que querem derrubar o Lula. Aí vêm com o discurso de esgota. Sabem qual é? A palavra golpe está sendo tão depurada, com o único intuito de mostrar ao povão que tudo não passa de alucinação da esquerda. Ora, ora, façam-me o favor. A jornalista Cristiana Lobo da GloboNews chega a ser patética. Coitada!!!

 

A coluna Opinião do Globo de 13/7, intitulada "Suicidio", é de arrepiar qualquer cidadão que ama a democracia.

 

É um absurdo. Às vezes eu leio opiniões de jornalistas que eu penso que aquilo que eu estou lendo não está escrito. Faz parte do meu imaginário, de tão absurdas que são. Meu nome é Isabel. Sou brasileira. Sou cidadã. Pago imposto e não é a certeza desses jornalistas ou políticos que constroem a minha certeza. Muito pelo contrário. Esses jornalistas tinham que ser enquadrados na Lei de Segurança Nacional. Alguma coisa precisa ser feita contra esses predadores da verdade. Não é possível continuar desse jeito. A imprensa neste país já teve um papel belíssimo, importantíssimo quando denunciava os porões da ditadura. Atualmente, só está perdendo a credibilidade perante nós, brasileiros. Alguma coisa precisa ser feita. Isso não pode continuar assim.

 

A imprensa do meu país está me dando vontade de vomitar. É um absurdo o que determinados jornalistas (principalmente os ligados ao Sistema Globo) estão fazendo. Eles pensam que o povo é otário, é idiota, que o povo não pensa, não raciocina. Não reflete.

 

Que nojo!

Alline Mirelly , Altinho-PE - estudante
Enviado em 14/7/2005 às 10:53:23 AM

Adorei o artigo. Sou estudante de Jornalismo em Caruaru e estou sempre visitando este site magnífico, que transmite a realidade da mídia.

 

 

Nilton José Dantas Wanderley , Brasília-DF - sociólogo
Enviado em 14/7/2005 às 8:29:58 AM

Prezados amigos, algumas sugestões de pauta:

1) A Folha publicou uma "Correção" (?) atribuindo à Prefeitura de Indaiatuba o erro de mais de 535%(isso mesmo, 535%) quando a Folha e vários órgãos de impressa saíram atirando - sem perguntar antes -, informando que a Globalprev, ex-empresa de Gushiken, teria tido faturamento de mais de 595% entre 2002 e 2003. Quando descobriram que na verdade o faturamento tinha sido de 60%, colocaram a culpa na prefeitura. Desculpem, mas isso tem nome: pilatragem pura;

2) A obscura pesquisa do Ipsos-Opinion, que não bate de jeito nenhum com a do DataFolha e do Sensus/CNT. Esta duas indicam que os escândalos não abalaram em nada a imagem de Lula. Ao contrário. A da Sensus indica um crescimento na popularidade do presidente. Tanto a pesquisa da Folha, que não pode ser acusada de petista, quando a do Sensus indicam que a imagem do presidente não saiu arranhada. Existem diferenças de 21% entre perguntas semelhantes na pesquisa dos três institutos. Alguém está mentindo nesta história. E creio que a Veja, que já falsificou uma foto de João Pedro Stédile para torná-lo parecido com o diabo, tem antecedentes para cometer tal tipo de crime. Até porque tanto a Veja quanto o Ipsos estão se negando a fornecer o nome de quem pagou a pesquisa. Que, aliás, já tinha sido parcialmente publicada na revista Primeira Leitura, espécie de Diário Oficial Mensal do PSDB.

Ubirajara Sousa , São Luís-MA - psicólogo
Enviado em 13/7/2005 às 11:34:42 PM

Se todos fossem iguais a você... Lembra dessa música? Pois é, ela se enquadra direitinho como comentário sobre o seu escrito. Obrigado. Como você, sou um brasileiro que torce pela seriedade neste país, em todos os setores, inclusive naquele que avoca a si o direito de dizer o que bem entender, da forma que lhe convém, utilizando-se de métodos nem sempre elogiáveis. É uma dádiva a existência do Observário da Imprensa. Muito obrigado.

Fábio Carvalho , Porto Alegre-RS - jornalista
Enviado em 13/7/2005 às 5:32:38 PM

1) A revelação do relacionamento entre a reportagem da revista Veja e um araponga que se articula no submundo dos interesses comerciais contrariados é uma conduta escandalosa da quinta maior revista do mundo. Quando se cala, Veja não é tucana. É uma avestruz.

2) Ainda não se sabe como Gilberto Mansur tomou conhecimento da entrevista de Karina Sommagio, que ela peremptoriamente nega ter concedido. Desde quando Mansur é quem oportuniza ao "outro lado" o sagrado direito de ser ouvido pela Editora Três?

3) O Brasil está perplexo com o suposto "mensalão" pago a parlamentares. Pois Marcos Valério pagou R$ 300 mil pelo frila do conceituado jornalista Gilberto Mansur: são dez mensalões que não provocaram nenhuma condenação editorial da grande imprensa. Leonardo Attuch e sua indignação contra alguns profissionais da revista Veja pode - e deve - voltar ao OI.

4) O pacto de silêncio, ou de discrição, percebido na revista Época e nos jornalões é, como bem analisa Alberto Dines, decorrência do acordo de cavalheiros firmado pelos poucos donos da mídia.

5) Em relação a alguns comentários feitos, vale salientar que o Brasil não rompeu nada com o FMI. Não assinou novo acordo (o que é diferente de ruptura), mas continua cumprindo todo o receituário prescrito. Com folga, aliás. A equipe econômica de Lula, fundamentada em Delfim Netto, estuda agora o tal déficit nominal zero. Outra coisa: a Rede Globo sempre foi forte porque sempre esteve ao lado do poder. Ela foi a última a noticiar o movimento Diretas Já e resistiu muito a veicular os protestos para a saída de Collor. Julgar o Jornal Nacional apenas por não divulgar a pesquisa CNT/Sensus é desconsiderar tudo o que a Vênus Platinada já fez (e ainda pode fazer) para zelar pelo atual governo.

Marco Antonio Lima , Guarujá-SP - advogado
Enviado em 13/7/2005 às 5:04:38 PM

Tenho que concordar com o Marcelo Salles (Fazendo Média), vamos abrir a caixa-preta: "CPI da Mídia"

Helen Baurich , São Paulo-SP - administradora de empresas
Enviado em 13/7/2005 às 3:01:39 PM
Ãpenas uma correção: o atual presidente da Aner é o Angelo Rossi, presidente da Editora Peixes, após o mandato do Caco Alzugaray.
José Carlos Miranda , Araraquara-SP - advogado
Enviado em 13/7/2005 às 1:20:25 PM

Não há como acreditar que a história do mensalão vá produzir bons frutos. Se há deputados sendo assalariados, não posso crer que não haja jornalistas na mesma situação. Alias, "corre um boato aqui donde eu moro" de que um jornalista, ex-virulento contra o PT e petistas, e hoje elogioso ao extremo, tem um mensalinho.

Elias Chamas Neto , Curitiba-PR -
Enviado em 13/7/2005 às 11:37:34 AM
É de certa forma reconfortante saber que temos um pequeno grupo de pessoas que realmente exercem seus papéis com a consciência da sua responsabilidade perante a sociedade. Pessoas como a senadora Heloísa Helena, Eduardo Suplicy, e outros, incluindo Alberto Dines, nos dão um pouco de esperança, ainda sabendo que estamos remando contra um enorme tsunami, que o poder de reversão do quadro é ainda bastante remoto. Posso estar errado, mas acho que precisamos unir as forças cada vez mais no sentido de frear esse bando de picaretas, instalados em todas as instâncias do poder, incluindo todo esse corporativismo que presenciamos, em detrimento da construção de uma sociedade mais justa. Quero engajar-me, ainda que sendo mais um grão de areia, no que for necessário, para esse propósito. Continuem a sua missão. Estaremos sempre ao seu lado.
Carlos Gaspar Gaspar , São Paulo-SP - professor
Enviado em 13/7/2005 às 10:50:12 AM
Na época em que o FHC comprou votos para sua reeleição nenhum periódico comentou, qual a razão?
Diego Salazar de Souza , Porto Alegre-RS - advogado
Enviado em 13/7/2005 às 10:36:29 AM

Veiculada na semana passada (não recordo se em 8 ou 9/7) no Jornal da Cultura informação a respeito de um movimento de "abafa" encabeçado pelo ministro da Justiça. Tal movimento consiste em evitar uma saída desonrosa ao presidente (impeachment) e em troca as administrações anteriores -  FHC, Itamar - não seriam investigadas, garantindo, assim, vantagem eleitoral na corrida pela presidência.

Realmente, o próprio Roberto Jefferson faz questão de blindar o presidente e a mídia nem toca no assunto de responsabilidade dele. Por quê? Não parece claro que pelo menos o presidente prevaricou? Gostaria que fosse feito um programa sobre o assunto, eis que do contrário a mídia permanecerá silente.

Cláudio Gonzalez , São Paulo-SP - jornalista
Enviado em 13/7/2005 às 3:38:31 AM

Dines, não são apenas as revistas. Parece que a Globo voltou à velha forma. Ontem, o Jornal Nacional e o Jornal da Globo simplesmente ignoraram a existência da pesquisa CNT/Sensus.

Mistério?

Bruno Leite , Belo Horizonte-MG - advogado
Enviado em 13/7/2005 às 12:11:25 AM

Fora o suborno explícito da mídia, revelado pelo saque de R$ 300 mil perpetrado por um suposto jornalista da conta bancária de um suposto laranja, ninguém fala da compra de espaço na mídia pelas empresas de publicidade como as do efetivo Sr. Marcos Valério.

Ora, tais empresas concorrem entre si em licitações perante a administração pública e, depois de legalizada a saída do dinheiro público, gastam esse dinheiro em veículos e empresas que bem entendem. Quais critérios são adotados para que este ou aquele espaço na mídia seja comprado pelo efetivo Sr. Marcos Valério? Por que o jornal de meu bairro é completamente preterido nessa gastança de dinheiro público? Existe limitação de valor para que a Rede Globo venda seus 30 segundos no Jornal Nacional, quando tal espaço se dedique a uma campanha estatal?

Esses são apenas alguns questionamentos, dentre outros, que estão sendo esquecidos ou ocultados pela própria mídia.

Fernando Lindoso , Recife-PE - biomédico
Enviado em 12/7/2005 às 11:14:10 PM

Dines, sua coluna de sábado foi magnifica. Agora, sobre a isenção da imprensa, não existe, veja a vergonha que foi Boris e a Veja, que passou a julgar Lula.

Norberto Silva Marques , Jacupiranga-SP - professor
Enviado em 12/7/2005 às 11:13:00 PM
Não acredito que haja uma imprensa desprovida de ideologia. No entanto, partidarismo que se contrapõe à etica é inaceitavel. Pergunto: será que diante da crise financeira das instituições responsáveis pela mídia, dependentes cada vez mais da propaganda oficial, tornou-se lema sobreviver a qualquer custo, mesmo que isto custe sua credibilidade diante de seus leitores?
Wagner Couto Benedetti , Ribeirão Preto-SP - médico-veterinário
Enviado em 12/7/2005 às 10:53:23 PM
Para pensar! Estamos vivendo um mar de denúncias contra o atual governo. Nada mudou, a corrupção é a mesma que era combatida pelo PT antes de ser governo, é o que todos dizem. O que me causa estranheza é este mar de denúncias estar ocorrendo apenas três meses após o PT ter anunciado o rompimento com o FMI. Por que não houve denúncias antes e mesmo em governos anteriores? Em três meses, daria tempo para que outro país e seu serviço de inteligência preparassem as denúncias e convencessem os denunciantes? Deixando em maus lençóis o governo que os desafia? Estamos ou não sendo manipulados? Não sei se isso ocorre, mas é algo para se refletir! Esta mensagem não é uma defesa do governo, nem pretende ser uma desculpa.
Gilmar Bigarela , Caxias do Sul-RS - comerciante
Enviado em 12/7/2005 às 10:39:16 PM

Retirado do site do PT

Denúncia liga pesquisa da Veja ao PSDB

11/7/2005

O deputado federal Dr. Rosinha (PT-PR) denuncia, hoje, que o instituto Ipsos-Opinion, autor da pesquisa veiculada na capa da edição desta semana da revista Veja, tem ligações com uma série de dirigentes tucanos. Através da página do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na internet, o parlamentar petista descobriu que o único candidato que, em todo o país, fez uso dos serviços da Ipsos nas eleições de 2002 foi exatamente o tucano Geraldo Alckmin.

A pesquisa aponta, entre outras coisas, que 55% dos entrevistados pelo Ipsos teriam respondido que Lula saberia do suposto esquema do mensalão. "A revista inclusive não cita quem encomendou e pagou a pesquisa", observa Dr. Rosinha. "É bem provável que ela tenha sido paga pelo próprio PSDB."

O único dado registrado pela revista diz respeito ao total de entrevistados: mil pessoas. Não há referência ao financiador do levantamento nem às localidades onde os questionários foram aplicados.

Com base nos resultados da pesquisa suspeita, Veja chega a dizer que o PT é visto como um "partido de larápios", e defende que Lula desista da reeleição. "Não há transparência alguma, nem na metodologia utilizada nem no financiamento da pesquisa", sentencia Dr. Rosinha. "Trata-se de um tipo de jornalismo parcial e golpista."

Amigos

O deputado Dr. Rosinha realizou, no último fim de semana, um levantamento sobre o
histórico do Ipsos Opinion e de Orjan Olsen no país. Segundo ele, o diretor-executivo do Ipsos-Opinion, Orjan Olsen, trabalhou para Serra antes mesmo de sua campanha à presidência da República", afirma Dr. Rosinha. "E a campanha de reeleição de Alckmin, em 2002, registra um pagamento de R$ 371,8 mil ao Ipsos."

A prestação de contas da campanha vitoriosa de Alckmin à reeleição revela um pagamento de exatos R$ 371.837,50 ao instituto dirigido por Orjan Olsen. Multinacional com sede na França, o Ipsos teve seu CNPJ registrado junto à Receita Federal em 2001. Sua filial brasileira está localizada na capital paulista.

Em fevereiro do ano seguinte - quando José Serra ainda era ministro da Saúde do governo FHC -, o então pré-candidato tucano à sucessão presidencial encomendou uma pesquisa para avaliar o tamanho do estrago da epidemia de dengue em sua pré-campanha presidencial. Recorreu a Olsen, já naquela época considerado "pesquisador de sua campanha".

"O ministro [Serra] se reuniu em Brasília com Orjan Olsen, pesquisador de sua campanha, a fim de elaborar um levantamento e delinear uma estratégia que minimize danos à sua pré-candidatura", diz trecho de matéria publicada pelo jornal "Folha de S.Paulo" em 20 de fevereiro de 2002.

Antecedentes

Em maio do mesmo ano, de acordo com a Agência Estado, o comando da pré-campanha de Serra divulga uma pesquisa do Ipsos Opinion em que o tucano aparece com o dobro das intenções de voto de Garotinho (então no PSB) e quase o triplo do índice de Ciro Gomes (na época filiado ao PPS). "Segundo o comando da campanha [do PSDB], o levantamento foi feito pelo Ipsos-Opinion", diz nota publicada pela agência no dia 27 daquele mês.

Em outubro de 2002, mais uma revelação: Orjan Olsen, diretor-executivo do instituto no Brasil, era o responsável pelo "tracking" (pesquisa telefônica diária) da campanha presidencial de Serra.

Conforme nota publicada no dia 19 pela colunista Mônica Bergamo, Olsen prometia aos marketeiros tucanos que o Serra cresceria, "nas próximas pesquisas", quatro pontos percentuais na disputa do 2º turno contra Lula.
 
Em entrevista publicada no site Observatório da Imprensa, o próprio Orjan Olsen revela seu papel central na campanha de Serra. Com o segundo lugar do tucano ameaçado por Ciro Gomes, a campanha de Serra passou a bater no então candidato do PPS. Os ataques obedeceram aos resultados ditados pelo diretor do Ipsos, auto-intitulado
"responsável pelo tracking diário dos humores do eleitorado".

"Naquele momento, Ciro tinha 23% das intenções de voto", declarou Olsen na entrevista. Três dias depois da ofensiva - baseada na reprodução de um insulto de Ciro, que chamou um ouvinte de rádio de "burro", e de comentários pejorativos em relação à sua mulher, a atriz Patrícia Pillar-, seu índice nas pesquisas caiu para 12%. A ida de José Serra ao segundo turno estava consolidada.

"Estranhamente, apesar de todos esses registros feitos pela imprensa, a prestação de contas oficial de José Serra não registra nenhuma despesa com serviços do Ipsos ou de Orjan", observa Dr. Rosinha.

Cliente assíduo

Mais recentemente, o PSDB tem feito uso freqüente dos serviços de Olsen e seu instituto. Conforme pesquisa no arquivo eletrônico do "Diário Tucano", boletim editado pelas bancada tucana no Congresso Nacional, o partido encomendou uma série de pesquisas ao Ipsos-Opinion. Todas tiveram resultados favoráveis ao PSDB. Na edição do "Diário" do dia 1º de junho deste ano, o presidente nacional do PSDB, senador Eduardo Azeredo (MG), faz uso de uma pesquisa do Ipsos para dizer que seu partido teria "amplas condições de vitória nas eleições do ano que vem". O levantamento traz resultados favoráveis a Serra, Alckmin e Aécio Neves (MG) 

Em sua versão digital, o periódico Primeira Leitura - 100% alinhado aos tucanos - reproduz o levantamento do Ipsos, e elogia a revista "Veja" desta semana: "Está excelente". Nos arquivos tanto do informativo da bancada tucana quanto do Primeira Leitura, descobre-se uma série de matérias produzidas a partir de pesquisas do Ipsos-Opinion.

O deputado Dr. Rosinha afirmou que irá estudar o caso do instituto Ipsos nesta segunda-feira (11), junto com sua assessoria jurídica. "Legalmente, cabe ação judicial. Tanto para que a origem e a íntegra dessa pesquisa venham à tona quanto para defender a imagem do partido em relação à reportagem da revista, que, aliás, sequer ouviu o outro lado."

André Brum da Silva , Agudo-RS - funcionário público
Enviado em 12/7/2005 às 9:33:43 PM

Faço dois comentários sobre o JN de hoje (12/07). Primeiro, a pesquisa CNT/Sensus não foi considerada importante o suficiente para ser mencionada, como o foram as anteriores. O Observatório acha essa pesquisa importante? Eu sempre pensei que era, mas esta o JN decidiu que não era (aliás, o PSDB deixou o FHC pendurado no pincel depois da divulgação da pesquisa CNT, fazendo-o passar vergonha sozinho).

Segundo, sobre o caso do assessor do deputado do PT: o repórter do JN disse que o deputado é da opinião de que o dinheiro achado faz parte de uma armação, mas que a direção do partido no Ceará acha que não é armação; a seguir, fala um integrante da direção que diz outra coisa que não corrobora a interpretação do repórter. Assim sendo, tenho a leve impressão de que estão querendo induzir o público a acreditar em algumas coisas e a não considerar outras.

Termino com uma pergunta: o jornalismo investigativo tem alguma pergunta a fazer ao PSDB sobre Pimenta da Veiga, INSS ou contratos dos Correios? Ah, como eu sou chato, né? Dines, um abraço, mas informação, como você sabe melhor do que eu, é uma arma.

Paulo de Tarso Neves Junior , Curitiba-PR - engenheiro
Enviado em 12/7/2005 às 4:48:11 PM
Acho que está na hora de incluir revistas e jornais na campanha "Quem financia a baixaria é contra a cidadania". Gostaria de ver a classificação mensal dos piores da imprensa, inclusive com nome e sobrenome dos jornalistas. Já estou farto desse lixo de jornalismo que recebo todos os dias de quase todos os meios de comunicação.
José Assenir Bourguignon , Ipatinga-MG - empresário
Enviado em 12/7/2005 às 2:53:42 PM

A imprensa tem poder para destruir e construir um governo. Estou aqui observando esta bagunça da política brasileira e estou assustado por nossos governantes não saberem nada a respeito do mensalão, visto que o sistema já é usado desde remotos tempos. Gostaria de saber por que a imprensa não sai em socorro ao governo para ironizar estes que se fazem de inocentes na Câmara e no Senado.

Eduardo Guimarães , São Paulo-SP - comerciante
Enviado em 12/7/2005 às 2:31:58 PM
A pesquisa CNT-Sensus que acaba de ser divulgada e que mostra a perenidade da popularidade de Lula mostra também que a imprensa, que tanto se empenhou em abalar o apoio ao presidente da República, não é levada a sério pela sociedade porque adota práticas como a de publicar esmagadora maioria de opiniões decretando o fim do governo Lula apesar de este gozar de tão amplo apoio da sociedade. 
Porém a pesquisa com certeza será deturpada nos jornais e sofrerá, majoritária ou até exclusivamente, interpretações "heterodoxas" e amplamente divorciadas da opinião da
maioria absoluta dos brasileiros. Seria interessante a Veja e o instituto de pesquisas tucano que lhe fundamentou a matéria de capa do último fim de semana reverem seus conceitos.
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