ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 348 - 24/11/2009
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CRÍTICA DA MÍDIA EM DUAS VERSÕES
Por que o PT errou e Chaui acertou

Por Alberto Dines em 26/9/2005

Com diferença de dois dias, a mídia publicou duas fortes manifestações contra a própria mídia que já provocaram enorme celeuma mas ainda não foram examinadas com o merecido cuidado. São igualmente veementes, mas discrepantes; talvez tenham os mesmos objetivos, mas produziram efeitos opostos.

A nota do Diretório Nacional do PT divulgada na terça-feira (19/9) [ver íntegra abaixo] tem por objetivo generalizar, não poupar ninguém. Concebida para enfrentar a "massificação totalitária", ficou muito próxima do que se convencionou designar como totalitarismo puro e simples. Não estabelece diferenças, nivela por baixo, desumaniza o processo, coloca todos os jornalistas no mesmo limbo.

Injusta sob o ponto de vista moral, antidemocrática sob o ponto de vista político. Panfleto destinado a combater panfletarismo da imprensa que designa como golpismo midiático (item 10), cria um bode expiatório e as condições para um golpismo populista-caudilhista.

Já a carta de professora Marilena Chaui, divulgada pela Folha de S.Paulo (quarta, 21/9), não generaliza, não é totalitária [ver remissão abaixo]. Específica, tópica, nomeia situações e circunstâncias, trata de procedimentos, aponta erros, estimula reflexões e debates.

A nota do PT tem 13 itens e cinco referências muito agressivas ao que os redatores designam (com evidente desprezo) como mídia e órgãos de comunicação (a palavra imprensa – mais nobre – sequer apareceu, assim também jornalismo e jornalistas).

Histeria totalitária

Como nada acontece por acaso, com base nesses dados é legítimo calcular que 40% das agruras do Partido dos Trabalhadores são causadas por esta mídia denuncista a serviço da oposição. Os escândalos nos Correios, no IRB, na direção do PT, o valerioduto, o caixa dois, os "por fora", os paraísos fiscais, o terremoto que sacode a política, nada disso aconteceu, é fantasia, criação do "festival denuncista".

Os redatores da nota do Diretório Nacional passaram uma borracha no papel desempenhado pela mídia na última eleição presidencial e fizeram questão de esquecer que o candidato Lula converteu-se no presidente Lula como resultado de um "fenômeno midiático", renegado pelo próprio PT quando critica os malabarismos marqueteiros de Duda Mendonça.

A nota da direção do PT tem o claro objetivo de dissociar-se do governo para enfrentar os partidos rivais. Seria legítima se o foco fosse mantido exclusivamente na disputa partidária. Mas ao afirmar que os partidos oposicionistas têm "ajuda irrestrita da ampla maioria da mídia" os redatores esquecem a ajuda que esta mesma "ampla maioria da mídia" prestou ao PT quando era oposição.

Custa crer que um partido que se auto-intitula como o responsável pela redemocratização do país se entregue agora à mais deslavada pregação antidemocrática. Sem imprensa não existe o Estado de Direito e o Estado de Direito existe para impedir que a imprensa abandone os seus compromissos com a isenção e a pluralidade.

Quando uma parte da imprensa erra, a outra procura (ou finge procurar) a direção contrária, se não para fazer justiça, pelo menos para manter acesa a concorrência. Apesar do efeito-manada da qual ainda não se libertou (e tão cedo não se libertará por causa da concentração), a imprensa está aprendendo a conviver com a crítica. Erros cometidos por jornais, telejornais e revistas ao longo desta crise não ficaram enrustidos, estão sendo apontados publicamente e publicamente discutidos. Certos comportamentos foram visivelmente alterados – Veja é um exemplo.

O PT deveria tirar partido deste aggiornamento jornalístico. Tem raízes intelectuais, tem tradição e, sobretudo, tem necessidade de buscar aproximações no campo moral para compensar as espúrias alianças no campo político. Se, por acaso, considera-se vítima da "mídia golpista" deveria estimular a observação da mídia no lugar de exibir uma histeria totalitária que não lhe fica bem.

Polindo lentes

Quando emitiu a desastrada nota, o PT começava uma eleição interna, carecia de cargas explosivas contra o inimigo externo para evitar a devastação doméstica que se anunciava. Escolheu errado. Inspirado no modelo Hugo Chávez, preferiu diabolizar a imprensa. Apostou na retórica delirante dos palanques. E agora, quando se anuncia uma debandada interna sem precedentes, com as entranhas do partido à mostra, não tem a quem culpar.

A manifestação da professora Marilena Chaui não foi prepotente: fez um desabafo e um desafio. Fatigou-se da superexposição, pediu tempo para pensar, optou por recolher-se. A filosofia tem um componente íntimo que deveria ser respeitado – sem ele não se produzem as idéias. Principalmente diante da canibalização intelectual promovida pela mídia eletrônica.

Rádios e TVs do gênero all news precisam encher o tempo – afinal, não é sempre que aparece um Daniel Dantas driblando espertamente um bando de parlamentares completamente despreparados. Além do parajornalismo da indignação fabrica-se agora o parajornalismo da peroração, às vezes até bem pago, porém com efeitos perversos no processo de saturação.

Marilena Chaui preferiu o silêncio, está no seu direito. Defendeu-o com elegância e firmeza. Quando acusa a mídia de onipotência põe o dedo numa ferida que já incomoda jornalistas sensíveis – mesmo em altos postos de comando. Como professora, procurou ensinar um pouco de filosofia aos consumidores de jornais (que às vezes são jornalistas também).

Não esbravejou, não se mostrou dona da verdade, nem pretendeu convocar as massas para um quebra-quebra das empresas de mídia. Falou em La Boétie, amigo de Montaigne, lembrou Spinoza – o ético que não participava de seminários de ética, preferia ganhar a vida polindo lentes.

Marilena Chaui deveria ser convocada para supervisionar as próximas notas do Partido dos Trabalhadores. Deixaria todos mais seguros.



A nota do PT

[Resolução da Executiva Nacional do PT de 19 de setembro de 2005 – Aprovada por unanimidade]

Combinar a correção dos erros com a defesa do PT e do Governo Lula

1 – Ao longo dos últimos meses, um conjunto de denúncias contra o PT e o governo Lula foram divulgadas, todos os dias, pelos meios de comunicação do país, investigadas por três CPIs no Congresso, pela Polícia Federal, Ministério Público, e por outros organismos em diversos estados e municípios. Nunca na história do regime democrático brasileiro um partido sofreu tamanha inquirição, duros e sistemáticos ataques de partidos oposicionistas, divulgados com a ajuda irrestrita da ampla maioria da mídia.

2 – A partir disso começamos a enfrentar nossos erros, buscar a punição dos culpados e a debater as correções políticas necessárias à superação da crise, tanto no governo como no PT. No curso deste processo, dirigentes e representantes dos partidos oposicionistas, os novos vestais da moralidade, continuaram articulando duros ataques contra nós.

3 – Vários líderes políticos nacionais e regionais, vinculados à era Collor e à era FHC, principalmente do PSDB e do PFL, que se tornaram conhecidos nos momentos mais fortes de dilapidação do Estado brasileiro, privatizações selvagens, desorganização econômica do país e gravíssimos casos de corrupção, apresentaram-se como os novos salvadores da nação. E o fizeram como se a nação não conhecesse os seus métodos de governar e os seus vínculos com os reiterados ataques ao patrimônio público do país, motivo pelo qual impediram, a sua época, diversas CPIs sobre ações de seus governos.

4 – Agora, orientam os trabalhos das CPIs num sentido eleitoreiro, no qual o objetivo de efetivamente investigar e punir é desviado para mero aproveitamento político midiático, através do qual se apresentam como sacerdotes da moralidade, pouco se importando com o foco das investigações, os procedimentos legais que dão eficácia aos resultados e com a produção de provas para sustentar as punições. Estão transformando as CPIs em palcos de promoção pessoal sem a mínima preocupação com a busca da verdade.

5 – Comandantes da eleição de Severino Cavalcanti à presidência da Câmara, em quem votaram para derrotar o governo, mesmo que isso custasse o aprofundamento da crise de credibilidade das instituições democráticas, hoje sequer pedem desculpas à nação pela sua postura irresponsável. Mesmo assim, continuam alimentando o denuncismo generalizado, sem qualquer respeito à verdade: combinam informações corretas – de erros já reconhecidos pelo PT e pelo governo – com inverdades, meias-verdades, ilações caluniosas, ao mesmo tempo em que congelam as investigações das CPIs. Isso ocorre, precisamente, quando elas deveriam buscar as origens da corrupção, desde quando ela ocorre, a quem ela sempre beneficiou e de onde vêm os recursos que a alimenta. Chegaram a "separar" dos denunciados, correligionários cuja investigação abriria as portas para passar a limpo os seus governos e as suas campanhas eleitorais.

6 – Suas denúncias, porém, ordinariamente são apresentadas como irrefutáveis pelos mesmos setores da mídia que maciçamente diziam, até há pouco, que a presença do PT no governo era incapaz de promover o crescimento econômico, a paz social sem violência contra os pobres e excluídos, a estabilidade da economia e o emprego. Este processo covarde pela massificação dos meios de ataque pretende, na verdade, criminalizar o PT como organização partidária e apresentá-lo como uma fraude ética e política.
Chegam ao cúmulo de tentar imputar ao presidente do Supremo Tribunal Federal a condição de empecilho para "punições sumárias" simplesmente porque ele acolhe o direito universal da ampla defesa. Trata-se de uma postura fascista, que agride o Estado de Direito e aqueles direitos mais elementares da cidadania.

7 – O festival denuncista tem finalidades claras: excluir o PT do cenário político nacional (livrar-se desta raça por 30 anos, diz o incorruptível Bornhausen); esmagar as esperanças de que os partidos políticos de esquerda possam governar com sucesso o país, fazer o povo esquecer a corrupção sistêmica que eles, como elite, implantaram historicamente no país; tornarem-se "inimputáveis" como elite dirigente, como se nunca tivessem governado e como se nunca tivessem usado de métodos ilegais de financiamento de campanha ou mesmo tivessem responsabilidades em graves casos de corrupção.

8 – É verdade que o PT não adotou mecanismos de controle para combater estes desvios que estavam em nosso meio. Nem por isso é aceitável que os representantes da elite tentem consagrar-se como inocentes perpétuos, para voltar a instrumentalizar o Estado para os seus interesses de partido e de seus grupos econômicos como sempre fizeram. Queremos a punição irrestrita de todos os que cometeram ilegalidades, cumpridos todos os ritos formais determinados pela lei e pela Constituição. A pressa em punir pode gerar penas anuláveis com aproveitamento político imediato, mas sem qualquer eficácia num futuro próximo. A resposta apressada ao denuncismo histórico que se instalou é, na verdade, uma "pizza" de médio prazo.

9 – O PT deve e pode reagir, sem deixar de corrigir-se, de admitir responsabilidades, de renovar seus métodos de governo e os seus métodos e políticas de direção, que permitiram a configuração dos seus erros. Mas o PT não pode assistir a esta formidável chantagem pública contra a sua própria existência, que hoje já alcança uma dimensão manipulatória só semelhante àquela que elegeu Collor em 89, legítimo representante das teses econômicas, morais e políticas do PFL e do PSDB, os quais, durante a gestão FHC, levaram o país ao desastre, configurado plenamente em 2001. O governo FHC, aliás, conseguiu combinar crescimento nulo, juros altos, inflação alta, aumento da dívida pública, aumento do desemprego e reeleição comprada. Quando Lula chegou ao governo, o país estava quebrado e a expectativa da direita neoliberal era que Lula, no governo, levasse o país ao desastre, o que geraria o isolamento interno e externo do país. Esse foi o primeiro desafio que o governo Lula enfrentou.

10 – O PT e todos os que defendem a democracia devem reagir ao golpismo midiático que pretende inviabilizar o mandato legítimo do Presidente Lula, um presidente que continua contando com a confiança dos brasileiros e brasileiras que querem o crescimento econômico, fortes políticas sociais, ampliação da democracia política, soberania política no cenário global e a construção de um novo modelo de desenvolvimento e de gestão do Estado, com base numa nova política de alianças que permita reconstruir o caráter reformador e radicalmente democrático do nosso Partido.

11 – A renovação das direções do PT deve gerar uma nova coesão interna, legitimada pelo atual processo eleitoral. Ela deverá permitir uma retomada da nossa iniciativa política, juntamente com um novo padrão de atuação das nossas bancadas na Câmara e no Senado. O governo, por seu turno, na opinião do Partido, deve acelerar a redução das taxas de juros, promover uma ação rápida para acelerar a execução orçamentária e abrir um debate efetivo com os nossos aliados do campo democrático popular sobre o orçamento do próximo ano, para, a partir daí, ampliar a discussão com todos os partidos representados no Congresso.

12 – Seu sentido é viabilizar uma lei orçamentária que impulsione ainda mais o crescimento, passe a promover de forma acelerada a distribuição de renda, amplie a criação de empregos formais e promova fortes investimentos públicos na infra-estrutura do país em políticas sociais estruturantes.

13 – O Partido deve iniciar mobilizações regionais articuladas com o DN, visando esclarecer a opinião pública sobre os objetivos do denuncismos em curso, inclusive estabelecendo diálogo com aqueles órgãos de comunicação regionais e nacionais, que não estejam inseridos voluntariamente nesta campanha de massificação totalitária da opinião contra o governo Lula e o Partido dos Trabalhadores. [São Paulo, 19 de setembro de 2005]

Leia também
O grito do silêncio de Marilena Chaui
Comentários (26)
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Sandro Marques , São Paulo-SP - designer
Enviado em 3/10/2005 às 8:55:20 PM
Alguém me explica por que, em quase todas as matérias do Jornal Nacional sobre a CPI, sempre há uma fala do deputado ACM Neto? Ele é mais esclarecido que os outros para sempre opinar?
Monahyr Campos , São Paulo-SP - professor
Enviado em 2/10/2005 às 10:24:46 AM
Temos um exemplo recente de como a mídia varia seus conceitos acerca da cobertura dos partidos políticos: nessa semana foi divulgada a notícia de que em Cotia, na Grande São Paulo, foi descoberta uma quadrilha de corruptos no alto escalão da cidade. Eu vi a notícia em varios canais de televisão e até agora não ouvi ninguém dizer de qual partido são os envolvidos. Nesse caso, parece-me até que essa informação não tem importância, ou tem?
Paulo Bandarra , Porto Alegre-RS - médico
Enviado em 2/10/2005 às 9:10:38 AM

Saiu hoje na Folha de S.Paulo a revelação de Silvio Pereira de que toda a Executiva Nacional do PT sabia. "Eu assumo a minha responsabilidade política. A minha responsabilidade não é diferente da de nenhum dos outros 21 membros da Executiva Nacional do PT. O nível de decisão que eu tinha não era diferente do de nenhum dos 21 membros da Executiva Nacional do PT."

Apenas tenta livrar Lula e José Dirceu, presidente do partido até 2002. Será que mudaram tudo de uma hora para outra às escondidas dos homens mais importantes do partido? As alegações de Marilena Chaui contra a mídia não se justificam. Apenas ela empenha a sua imagem de intelectual para defender a sujeira do PT. Como homeopatas que não conseguem provar a validade de seus preparados e acusam a medicina de efeitos indesejáveis, ela acusa a mídia e os “outros” partidos pelos erros pelos quais o PT pediu perdão, mas não puniu ninguém! É apenas uma inocente útil para tergiversar o assunto real!

Celmo Oliveira , Jataí-GO - administrador de empresas
Enviado em 1/10/2005 às 11:27:37 AM
Quero em primeiro lugar endossar o que disse aqui a professora Maria Izabel L. Silva, de Aracaju. Saibam que ela citou, se tanto, um por cento do que se poderia registrar de última hora sobre a total parcialidade de graaaande parte da mídia. Lamentavelmente, o Observatório da Imprensa, ultimamente, vem fechando os olhos diante de tudo isso. Basta ver no próprio site do OI quantos dos internautas registram suas indignações com a mídia diante das irresponsabilidades cometidas na cobertura dos fatos políticos do momento. Vendo o Alberto Dines fazer a abertura do último programa (27/9), tive a nítida sensação de que a opinião dos leitores no site do próprio OI nada conta. Estimo que nada menos que 80% dos internautas registram seus comentários fazendo duras críticas à cobertura da mídia e sobretudo à parcialidade com que coloca os fatos. Quer exemplo? Veja o próximo telejornal na TV, compre o primeiro jornal da banca... Que não podemos generalizar sabemos e aceitamos, mas dizer que a nota do PT foi injusta? É mais um ato de apoio ao PSDB e ao PFL, principalmente.
Nonato Luz , São Paulo-SP - engenheiro
Enviado em 1/10/2005 às 11:24:12 AM

Pela dimensão e importância do cargo, o assunto e capa das revistas semanais, deveria ser: Aldo Rebelo, um COMUNISTA na presidência da Câmara, a alegria do aliado Lula, que em uma estratégia incontestávelmente vitoriosa derrotou os adversários PSDB, PFL, ACM, o PMDB de Temer, Garotinho, o PSOL de Heloísa Helena, os radicais do próprio partido etc, etc. etc. Mas, ao contrário, todas, IMAGINO, já tinham uma capa preparada, mais ou menos assim: "UM PATO MANCO, assim ficou o governo Lula", e continuaria: "Mais um fracasso de um incompetente governo leva a vitória de Thomaz Nonô, e esta derrota representa o fim antecipado de um governo que frustrou todo o sonho de um povo que acreditou na esperança." E mais: (estilo Jabor) "A prepotência incomensurável de um PARTIDO que não estava preparado para o poder. Que se perdeu nas entranhas da própria burocracia bolchevista e esquerdista ultrapassada, que não conseguiu unificar seus ideólogos de botequim e seus mais presumidamente estimáveis idealistas membros, a arrogância de sua camarilha tentou empurrar um candidato fraco e inexpressivo, cujo modêlo de país é a grande potência Albânia, um político com grande vinculação e blá blá blá blá."

Os incautos e ingênuos leitores achariam então, que naquela leitura estaria a verdadeira fotografia de um país, mas que na realidade é a montagem fotográfica que nos vendem diariamente através dos seus Jabors, Mainardis, Rossis, Casoys etc. etc. E apesar deles o Brasil se recusa a não crescer, apesar de tudo o trem (ou a caravana) continua. Haverá ainda algum ingênuo que acredita na imparcialidade da grande imprensa? Acreditará que verdadeiramente a pauta da grande imprensa corresponde ao interesse do próprio país e dos próprios cidadãos? Será que este perceberá que a função de informar neste país está sendo substituída pela função formadora da própria opinião e dos interesses que elas representam?(Veja, IstoÉ, Folha, Estadão etc.). As capas que não deveriam ser encontram-se nas bancas. Vejam o assunto da capa.

Rogério Ferraz Alencar , Fortaleza-CE - técnico da Receita Federal
Enviado em 30/9/2005 às 7:56:59 PM

Para exemplificar os diferentes tratamentos da mídia, quando as irregularidades são petistas ou tucanas: No dia 29/9, a Folha de S.Paulo, no caderno Cotidiano, trouxe a seguinte "matéria", reproduzida toda aqui:

Tribunal suspende licitação do Metrô após suspeitas

A licitação do Metrô para instalar monitores de TV nos vagões foi suspensa pelo TCE (Tribunal de Contas do Estado) após suspeitas de irregularidades, que o Metrô nega.

O corpo da matéria é praticamente do tamanho do título. Não são citados nomes nem valores. Se não estivesse no caderno Cotidiano, não se saberia nem onde ocorreu, pois não há referência à localidade. Sem falar que quem negou tudo foi o Metrô. Trem ou repartição pública agora falam? Isso, evidentemente, favorece o governador paulista, Geraldo Alckmin. do PSDB, claro. Se fosse em governo petista, a "matéria" seria tão vaga e sucinta? A nota do PT, acho, foi até branda com a mídia.

Paulo de Tarso Neves Junior , Curitiba-PR - engenheiro
Enviado em 30/9/2005 às 4:43:06 PM
É a velha história de sempre. Uma frase, ou até mesmo uma palavra, é pinçada de um texto e todo o resto é desqualificado sem nenhuma discussão. Foi assim com a tentativa de implantação do Conselho de Jornalismo, é assim com os discursos de Lula e com as notas do PT. Por acaso há alguma mentira nos outros tópicos? Por que não se discute o resto da nota?
Nilson Dimas , Sorocaba-SP - analista de sistemas
Enviado em 30/9/2005 às 1:31:25 PM
Não parece que a nota do PT foi "desastrada" e "antidemocrática", foi no mesmo tom dos ataques dos setores "caolhos" da mídia, cujo olho só se abre do lado esquerdo e, para bom entendedor - "... pelos mesmos setores da mídia que massivamente diziam ..." não "generaliza" mas define muito bem a parcela (grande) da mídia que teve a carapuça vestida sob medida.
Alexandre Porto , Niterói-RJ - agrônomo
Enviado em 30/9/2005 às 10:45:32 AM
Muito se tem dito sobre as reclamações do PT. Exageros à parte, gostaria de saber por que a mídia em geral trata dois esquemas iguais de forma diferente. Será que nao está aí a reclamação petista? As perguntas certas são: o que difere o valerioduto tucano de 98 e o valerioduto petista de 2003? Vocês não acham que a pizza supostamente armada não está nessa questão? Fruet não sabe de onde vem o dinheiro? Por que não pergunta ao Azeredo?
Luiz Antonio Ferreira , Guarulhos-SP - empresário
Enviado em 30/9/2005 às 9:54:47 AM

Os politicos são a nata da sociedade! Diga-me com quem andas que te direi quem és! Diga-me o que lês e te direi quem és! Com quem mais andamos (mentalmente) hoje, quem mais influência nossas mentes, comportamentos? Na minha opinião, a mídia e a religião; porém, a força da religião está na mídia; podemos então dizer que a midia é quem mais nos influencia. Nosso comportamento é modelado grandemente pela mídia; o cidadão chega à casa, liga a TV e começa a viver, a sonhar, a formar opiniões e construir o seu futuro. Ele é modelado mentalmente em como se vestir, como lidar com o seu próximo, como namorar, como orar, a tomar coca-cola, cerveja, planejar em quem votar e até a forma que seu corpo deve ter. A mídia nos modela e nós deveriamos modelar a mídia, porém isso não acontece por um simples motivo: a mídia tem dono.

Quem são esses "donos", quem os pagam, qual os objetivos deles, seus funcionários têm livre arbítrio? Fazem dele bom uso? Todos nós somos fruto da sociedade e quem modela a sociedade em nossos dias é a mídia, que põe ou tira os políticos que quiser. Não existe político que seja eleito sem a midia e não existe político que governe sem a mídia. Assim, por exemplo, foi eleito e deposto o Collor, uma hora anjo logo após demônio. O PT tem grande razão nesta questão, pois dá para perceber claramente que a mídia está tentando repetir a história. Eles entraram no poder graças à mídia e se a parte mais influente da mídia assim o quiser eles vão cair fora.

Maria Izabel L. Silva , Aracaju-SE - professora
Enviado em 30/9/2005 às 9:17:54 AM

Prezado Sr. Dines, se o senhor tivesse visto (e ouvido) o que milhões de espectadores viram hoje no Bom Dia Brasil, ficaria mais fácil entender a nota do Partido dos Trabalhadores, à qual o senhor atribui o caráter de "antidemocrática" e moralmente injusta. Como observadora atenta e como cidadã, não consigo entender esse comportamento da imprensa contra um governo que, EM NADA, contraria os "sagrados" princípios e ordenamentos da economia capitalista, dentro das possibilidades historicamente construidas neste país. Não é um governo "revolucionário" e nem tão pouco de esquerda. Todavia a imprensa, em sua maioria defensora dos mesmos princípios, fabrica fatos e é conduzida (literalmente) pelos interesses eleitoreiros,mesquinhos, moralmente injustos do PFL e PSDB.

O governo anuncia a construção de uma refinaria em Pernambuco (notícia de grande interesse para o país e, especialmente para a população nordestina) e o Bom Dia Brasil nada informa sobre a refinaria, preferindo destacar a discurso de Lula elogiando Hugo Chávez. Detalhe: a estatal venezuelana é parceira no investimento. O que a Globo queria? Que Lula esculhambasse a Venezuela? De brinde, temos o comentário raivoso e preconceituoso de Alexandre Garcia, que fez questão de destacar a presença de Severino Cavalcanti no evento, insinuando maldosamente uma ligação entre Lula e Severino.

Mais tarde, no mesmo noticiário, somos obrigados a assistir ao mesmo Alexandre Garcia virando sua canhoneira contra a CPI dos Correios, acusando o governo, mais uma vez, pelo "esvaziamento" da comissão. Ora, convenhamos, Sr .Alberto Dines, tá difícil ver televisão e ler jornais atualmente. É um festival de patifarias inacreditáveis. E o senhor quer que o Partido dos Trabalhadores faça notas literárias e acadêmicas? Há uma guerra em curso, Sr. Alberto Dines! E o senhor não se deu conta disso? A imprensa é parte envolvida nestes combates. A imprensa não esta interessada em esclarecer, informar, debater...

A imprensa é moralmente injusta e antidemocrática. A imprensa radicalizou. Isso é visivel todos os dias, nos "escândalos" fabricados. As pesquisas eleitorais continuam dando vantagens a Lula. A imprensa não sossegará enquanto essa situação persistir. Este é o meu parecer, salvo melhor juízo. Um abraço.

Douglas Puodzius , São Paulo-SP - pesquisador
Enviado em 30/9/2005 às 12:14:31 AM
Qual o partido do prefeito de Cotia? O que eu sei é que ele não é do PT. Estou correto? O que percebo é que se a secretária de Mauá é presa logo se nomeia o partido. Quando o prefeito de Sertãozinho ou de Marília e outros fazem qualquer coisa errada a gente nunca vê o partido. Será que faz parte do manual de redação?
Lui Neumann , Itajubá-MG - servidor público federal
Enviado em 29/9/2005 às 4:47:39 PM
Bom Dia São Paulo, da Globo, e recebido pelas parabólicas em todo o país, veiculou reportagem sobre a corrupção na Prefeitura de Cotia/SP. O prefeito é do PSDB, mas isso não foi mencionado. Se fosse um prefeito do PT a manchete do jornal já seria "Prefeito do PT é afastado..."
Evandro Cordeiro de Lima , Salvador-BA - engenheiro
Enviado em 29/9/2005 às 2:58:24 PM
Caro Dines, a questão é esclarecida por uma lei da física: toda ação gera uma reação. Igual em intensidade e contrária no sentido e direção. E também vale lembrar outra regra, universal, que alguém citou outro dia: ninguém é santo, e nem todos são bandidos. Somente espero que este "curso intensivo" de política, que todos estamos tendo, amadureça e dê frutos. De verdade, e não pizzas... (em todos os sentidos). O resto são semânticas, retóricas, pleonasmos, silogismos, redundâncias etc. Um abraço.
Edson Rasquel , São Paulo-SP - advogado
Enviado em 29/9/2005 às 2:21:14 PM
Eis a matéria, cheia de provas, um valor escabroso, numa teia de roubalheira explícita: http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u113547.shtml - aqui a questão: por que suspeito do PT que pega 10 mil de caixa dois é manchete de primeira página em todos os jornais, e tucano gatuno só sai escondidinho, a maioria nem fala que é tucano? Depois a mídia se queixa. É parcialesca, sim.
Jefferson Ricardo Lopes , São Paulo-SP - engenheiro
Enviado em 29/9/2005 às 1:19:37 PM

As CPIs eclodiram. Ficaram demonstrados um fluxo de dinheiro e situações características de impeachment do nosso presidente, que a mídia e os políticos ignoram. Aos políticos interessa tão somente a queda do governo, mas dentro de certas circunstâncias, de forma a que eles sejam governo, não permitindo que outros participem do jogo - seja o atual vice ou o presidente da Câmara. Ou seja: a oposição procura tão somente desmoralizá-lo para enfraquecê-lo na próxima eleição, e não fazer com que pague por seus métodos ilegais - provavelmente utilizados no governo anterior. E a mídia - instrumento da oposição - cumpre seu papel de ser utilizada para tal fim. E se aproveita para criar um falso clima de justiça. É míope em relação aos fatos - enxerga, vê, mas não quer interpretar e se inserir no contexto dos fatos. O que se nota é a falta de isenção de todos - oposição e mídia - envolvidos no processo. Todos têm tão somente interesses - pequenos e mesquinhos - e não estão à altura de superar uma postura fraca, em busca de proveito próprio.

É possível em sã consciência acreditar que a imprensa é parcial e ética? Que suas reportagens são fruto de um trabalho sério e dedicado de seus repórteres, investigando as falcatruas que assolam o nosso país? Ou - que no fundo - imprensa é apenas parte do processo pela luta do poder, sendo utilizada como mero instrumento pelas forças políticas? E que suas opiniões refletem um mínimo de coerência, análise e carater? Desculpe pela dureza.

Regina Célia Cubas da Silva , São Paulo-SP - aposentada e universitária
Enviado em 29/9/2005 às 12:47:13 PM

Depois de ver o programa do dia 27/9, busquei mais informações no site, já que deixei de assinar a Folha de SP e o Estadão por me sentir manipulada e ainda pagar para isso. Acho que o cuidado com o papel da imprensa atropela os direitos muito bem diferenciados de interesses por Marilena Chaui. A carta do PT generaliza porque é uma carta política dirigida a pessoas de formações diferenciadas, e a da professora tem universitários da USP como destino.

Exemplos existem aos montes. Em 2002, quando assinante da Folha SP, reclamei ao ombusdman da má fé das manchetes descombinadas do texto, citando até o número de parágrafos que contradiziam a manchete. Recebi de volta um muito obrigado e meses depois um comentário dele publicado no jornal. Mas a prática continua.

Exemplos recentes (28/9) como o escandaloso caso de exoneração por um dia de dois secretários - Pinotti e Feldman - para se transformarem em deputados votantes em Nonô, na Câmara, não são noticiados. A corrupção na Prefeitura de Cotia envolvendo montantes comparáreis aos 55 milhões de Marcos Valério, quando noticiada, oculta o partido e a dimensão. O veto do governador Alckmin ao aumento de 1% para a educação foi mantido por partidos que sequer são listados pela imprensa.

Se a imprensa não divulga, como o eleitor pode acompanhar o desempenho do seu candidato? Depois dizem que o brasileiro não sabe votar. A imprensa tem um lado (em torno de 6 conglomerados financeiros, com vários veículos cruzados de comunicação), defende interesses privados, como escreveu Marilena Chaui, e creio que isso não é suficientemente esclarecido e debatido.

Portanto, quando a carta do PT se refere ao golpismo midiático, nós - pobres leitores, que vivemos as agruras diárias da impotência perante o poder desses órgãos, cuja reação sequer tem outro veículo senão a própria imprensa privada, que amargamos uma mordaça, uma censura privada - dispensamos listas porque localizamos imediatamente os exemplos pontuais. É claro que existem jornalistas, mas também existem os proprietrários de jornais, os donos das letras.

José Carlos Cerqueira Mota , Catu de Abrantes-BA - engenheiro civil aposentado
Enviado em 29/9/2005 às 12:34:57 PM
Meu caro Dines, gosto, pelo costume de lê-lo, de tudo que você escreve: o jornalista que me "lembra", em outro contexto e por exemplo Osvaldo Peralva. Mas o "aggiornamento" jornalístico não atinge, de imediato, o "público"! Sua frase sobre o Hugo Chávez poderia ser revisada (ou omitida). No resto, concordo. Como sempre. Sempre fui marxista e comunista. Acho-me um cidadão que ama a imprensa (e o Observatório) e torce pelo PT.
Rogério Ferraz Alencar , Fortaleza-CE - técnico da Receita Federal
Enviado em 28/9/2005 às 6:58:51 PM
Os lereiados de Alberto Dines contra Lula e o PT já estão ficando maçantes. E dão cada vez mais razão às criticas petistas e lulistas contra a mídia. O jornal e as rádios de Marília foram queimados, tudo indica, por gente do PSDB, em disputas que, também tudo indica, nada tiveram com a liberdade de imprensa. Mas, em vez de pedir desculpas por, delirantemente, ter culpado Lula pelo que ocorreu em Marília, Alberto Dines volta a atacar o governo. Fico imaginando o que ele estaria dizendo agora, caso fossem do PT os suspeitos.
Benedito F. Oliveira , Rio de Janeiro-RJ -
Enviado em 28/9/2005 às 2:58:16 PM

Diz o item 13 da nota:

"O Partido deve iniciar mobilizações... inclusive estabelecendo diálogo com aqueles órgãos de comunicação regionais e nacionais, que não estejam inseridos voluntariamente nesta campanha..."

Ué, o que tem de errado nisto? Onde a nota "nivela por baixo, desumaniza o processo, coloca todos os jornalistas no mesmo limbo"?

Cristiano de Angelis , Piracicaba-SP - advogado
Enviado em 28/9/2005 às 11:12:00 AM

Primeiramente gostaria de deixar claro que não sou filiado a nenhum partido político. Traço minhas opiniões em prol do bem-estar e da justiça social. Sobre as cartas publicadas na imprensa, estou de pleno acordo com ambas. Inclusive já me manifestei nesse sentido mediante e-mails enviados ao Jornal da Globo, ao Roda Viva, ao Jornal Nacional, porém, por algum motivo, esse ponto de vista não interessa à mídia.

Vou ainda mais longe, creio que há um complô entre os meios de comunicação e os partidos oportunistas de oposição com o objetivo de desestruturar e desacreditar o atual governo. O único programa sério e imparcial é o Observatório da Imprensa. Por isso, chego à conclusão de que quem for contra esses textos tem algum interesse obscuro, alguma vantagem lhe foi oferecida para as próximas eleições. Isso não é somente soberba, mediocridade ou hipocrisia da imprensa, confunde-se com totalitarismo, com intenção de buscar um objetivo calcado em falsas alegações. Tudo não passa de marketing político e vai terminar em pizza. Do contrário, os próprios acusadores acabariam condenados. O Brasil mais uma vez está sendo vendido e quem sofre as maiores conseqüências é o povo ignorante, como sempre.

Marcos Simões , São Vicente-SP - policial militar
Enviado em 28/9/2005 às 8:58:48 AM
Não cheguei a ler na íntegra o artigo por puro desinteresse conquistado no desenrolar da leitura, mas, até onde li, dizer que a mídia é isenta nas suas apurações ou veiculação de informações é, no mínimo, descabido. Respeito muitíssimo o articulista e as opiniões que dá sobre os mais variados temas, mas desta vez ele errou feio.
Monahyr Campos , São Paulo-SP - professor
Enviado em 27/9/2005 às 11:23:21 PM
Tudo o que envolve o PT, partido do qual sou filiado, tem sido feito com um envolvimento emocional muito profundo. Ou a pessoa é petista e busca justificar todos os erros, ou é antipetista e busca justificar todas as críticas. Quando o assunto é o PT, praticamente não existe chance de imparcialidade. A diferença é que, se a pessoa é petista, não tem como disfarçar. Agora, quando são feitas críticas, e aqui incluo as éticas e as imorais, essas têm sido feitas com uma imparcialidade fingida. Um exemplo claro disso é a proporção com que a legenda dos políticos acusados de quaisquer erros é citada: Geralmente diz-se "fulano, prefeito de Itapopóca do Norte", fez tal coisa. Caso o citado seja do PT, essa informação vem imediatamente; se é de outro partido, vem como uma informação sem importância. Sugeriria aqui uma lei que obrigasse a informação da legenda partidária, sempre que um político for citado pela mídia em geral.
Fábio Carvalho , Porto Alegre-RS - jornalista
Enviado em 27/9/2005 às 10:48:01 PM
Não é preciso ser nenhum Alberto Dines para perceber algumas diferenças entre a nota do PT e a carta de Chaui. Dessa forma, discordo do comentário de Leandro Vilas. Não são necessários neurônios para perceber que a silente filósofa supervisiona as notas do PT. Demanda-se bola de cristal.
Eduardo Guimarães , São Paulo-SP - comerciante
Enviado em 27/9/2005 às 10:21:50 PM

Como já disse várias vezes neste espaço, respeito Alberto Dines pelo excelente serviço que o Observatório da Imprensa vem prestando à sociedade. Foi por isso que não me permiti irritação com seu artigo "Por que o PT errou e Chaui acertou". E tanto eu quanto qualquer outro cidadão deste país temos o direito de nos irritar com afirmações que nos soem tão sem fundamento quanto a de que o PT algum dia tenha sido beneficiado de qualquer forma pela mídia. Por isso gostaria que mencionasse algum fato concreto que comprove essa teoria fantasiosa. Não é porque em 2002 a mídia não tomou partido que ela tenha ajudado o PT. Em contrapartida, desde a redemocratização do país, e anteriormente àquele ano, toda vez que houve eleição no Brasil sempre surgiu algum escândalo envolvendo o PT e campanhas midiáticas anti-PT envolvendo os maiores veículos de comunicação do país.

E quanto ao repúdio do Sr. Dines a se fazer uso dos termos mídia e órgãos de comunicação em lugar do termo imprensa - que seria mais "nobre" -, não vejo sentido nisso. Mídia, aliás, é o termo que melhor define a multiplicidade de tipos de meios de comunicação que existe (TV, rádio, internet, jornais, revistas...).

Finalmente, quero dizer que não se tem visto diferenças dignas de nota entre os veículos da grande mídia. A Veja erra? Ora, leiam então o ombudsman da Folha e vejam-no apontar erros iguais aos da Veja no jornal. A única diferença é que a Folha paga a alguém para criticá-la. Mas, apenas a título de metáfora, vejo a manutenção de ombudsman pela Folha como a colocação de imagens de santos em bordéis, pois o que os santos preconizam nesses lugares não é seguido. Não há, pois, razão alguma para se individualizar a crítica à mídia. Ela vem atuando em bloco, esmagadoramente, e, portanto, é assim que deve ser criticada. E quanto ao fato de que muito do que vem sendo denunciado pela mídia é necessário, lembro de que essas denúncias e esse rigor ético extremado dela são seletivos, pois no passado não contemplaram os mensalões e as compras de voto tucano-pefelês como contemplam hoje os mesmos delitos praticados por petistas. E o pior é que o acobertamento do PSDB e do PFL continua igualzinho. Ou existe algum veículo de mídia inconformado com a impunidade de Eduardo Azeredo? Abraços.

Leandro Vilas , Belo Horizonte-MG - advogado
Enviado em 27/9/2005 às 5:19:21 PM
Triste quando lemos um texto e no seu título já percebemos perfeitamente a empulhação (ou uma pueril ingenuidade - mas como não acredito na segunda opção...). Em primeiro lugar, Sr. Dines, não foi o PT quem se auto-intitulou responsável pela redemocratização do país. Foi Marilena Chaui - rompendo seu silêncio - quem o disse e foi ovacionada (obviamente pelo séquito sedento). Isso é desinformação. Não é preciso nem muitos neurônios para perceber que a filósofa silente já supervisiona as notas do PT. Em especial, esta que se critica. Do texto da nota petista, onde se relaciona a mídia às elites e a alguns partidos, basta trocar - no texto da silenciosa - por empresas privadas. O leninismo é irritante. Não bastasse isso, temos duas imposturas de Chaui: a primeira em relação ao endereçamento da carta - é óbvio que ela não se dedica aos seus alunos e, sim, a divulgação ampla; a segunda, que é basicamente o resumo do texto e, assim, pode ser condensado: a mídia só era boa quando servia de instrumento à construção de seu projeto político-ideológico, se só estão falando de dinheiro na cueca é melhor buscar o diálogo com órgãos independentes em nível regional e nacional. Ah! E criminalização de idéias foi o PT quem o fez (que o digam Heloísa Helena, Babá e Luciana Genro e reputações devidamente achincalhadas). Caro Dines, PT, Chaui e você erraram. O que me assusta? Todos se acham certos.
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