ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 349 - 24/11/2009
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OS MIMOS DA VEJA – 1
"Não" ao desarmamento, "sim" ao facciosismo

Por Alberto Dines em 4/10/2005

A matéria de capa da Veja (nº 1925, 5/10/2005, págs.78-86), sob o título geral "7 razões para votar não", é um clássico do jornalismo panfletário, capaz de convencer alguns indecisos por algum tempo e confundir outros para sempre.

Para começar: a matéria é prepotente e precipitada. Deliberadamente facciosa, sequer tenta uma isenção formal. Neste início da temporada de debates sobre o referendo das armas, com ainda três edições antes do 23 de outubro, ao invés de ensaiar uma progressiva troca de idéias capaz de suscitar o contraditório e algum esclarecimento antes de se acionar a urna, a revista berra para o leitor – "Cala boca, você não sabe nada".

Nas edições seguintes será obrigada a subir de tom, esgoelar-se, pisotear a razão, apelar para emoções ainda mais fortes. Em algum momento desta cruzada o leitor perceberá que foi ludibriado, não lhe deram tempo para pensar nem lhe ofereceram alternativas para exercer o seu discernimento.

É evidente que a questão preparada pelo TSE foi mal escolhida e mal formulada. Também é evidente que a omissão do governo em matéria de segurança – como em outras questões cruciais dominadas por palavras de ordem "politicamente corretas" – só favorece o "não" ao desarmamento.

Com a exceção do prefeito paulista José Serra e desde segunda-feira (3/10) da governadora fluminense Rosinha Mateus, ambos favoráveis ao "sim", nenhuma autoridade dispôs-se a discutir a questão com as respectivas comunidades.

O poder público retraiu-se, o Estado lava as mãos, esquecido de que na verdade ele é que está sendo julgado. Entregou a discussão às duas frentes parlamentares, multipartidárias (que, por isso, não conseguem formular uma estratégia argumentativa comum) e às ONGs dos dois campos.

Sob o pretexto de não influir, o governo eclipsou-se. Abriu mão de ser governo. Aos adeptos do "sim" oferece a perspectiva de um milagre, aos militantes do "não" presenteia com a certeza de que ao cidadão só resta a opção de defender-se sozinho.

Papel mediador

O vácuo não é só do governo, também é dos partidos. Nenhum deles conseguiu a unanimidade, todos divididos – o que explica as frentes multipartidárias. O vácuo está sendo preenchido inicialmente por um bonapartismo do tipo Veja, em seguida o será pelo cesarismo de algum demagogo tipo Severino escondido num partido-arapuca.

Veja abdicou da sua capacidade de persuadir. Não confia nela ou não confia no leitor. Prefere o rolo compressor da argumentação curta, frenética e fartamente ilustrada. Aquele recurso das páginas 78-79 é pura propaganda, nenhum parentesco com jornalismo. Ao lado de um "inocente" revolver calibre 38 o título proclama: "O referendo pode proibir a venda desta arma..."; e conclui, na página frontal: "...mas nada pode fazer para tirar este arsenal das mãos dos bandidos" – e mostra 32 granadas e sacos de munição de grosso calibre.

A comprovação do facciosismo de Veja foi dada na primeira rodada do horário do TSE, na segunda-feira, quando a matéria de capa publicada dias antes foi exibida pelo partido do "não" como argumento definitivo em favor de suas teses. Parecia jogada ensaiada.

Ao contrário da mídia eletrônica controlada pela Justiça Eleitoral, a mídia impressa — a imprensa — é desregulamentada, livre. Imprensa livre não significa imprensa entregue à licenciosidade. O Jornal Nacional de segunda-feira (3/10) e O Globo do dia seguinte mostraram como se argumenta com competência, como é possível oferecer ao público elementos para a formação de juízos sem impor-lhe conclusões. Ao mostrar que 61% das armas apreendidas no Rio nos últimos seis anos passaram por pessoas sem antecedentes criminais, oferece-se ao eleitor do referendo um elemento para ajudá-lo a tomar decisões. É, em última análise, um argumento favorável ao “sim”, mas é, antes de tudo, um estímulo à reflexão.

Referendos e plebiscitos em países com partidos inconsistentes – e desde que ministrados em doses apropriadas – podem aumentar o grau de participação popular e agilizar a tomada de decisões. Sem uma imprensa lúcida, responsável, capacitada para o seu papel mediador, tanto o "sim" como o "não" podem tornar-se exercícios fúteis, espécie de "cara ou coroa" para decidir o destino de uma nação.

Comentários (135)
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Antonio Carlos Caetano de Souza , Guaratinguetá-SP - engenheiro mecânico
Enviado em 3/11/2005 às 4:53:21 PM
Só faltou uma maior divulgação da "desinformação" dada por esta revista - que se faz a dona da verdade - por parte dos outros órgãos da imprensa. Até mesmo no programa Observatório da Imprensa achei que foi pouco comentado.
Tatiana Pinheiro , Natal-RN - estudante de História
Enviado em 23/10/2005 às 12:35:00 AM
A Veja com certeza não deixou ao cidadão o direito de julgar a melhor alternativa que lhe convém no referendo. Depois da edição da revista, o Não aumentou entre os eleitores. Concordo com o jornalista Alberto Dines ao dizer que a reportagem ajudou a convencer e confundir alguns cidadãos.
Leandro Vilas , Belo Horizonte-MG - advogado
Enviado em 11/10/2005 às 10:12:24 AM
Caro Fábio Carvalho, parabéns a você também por reforçar a irrelevância desta insignificância que está custando cerca de R$ 300 milhões aos bolsos do contribuinte. Apenas deve ser salientado que o comentário do Marcelo revela bem a dúvida da população, em geral, sobre o tema. Só um detalhe que acrescento: as exigências legais para aquisição de armas e munições são tantas (e algumas tão subjetivas, ficando a mero critério da discricionariedade da autoridade administrativa) que, para um cidadão comum, tornou-se, na prática, impossível ter até a posse da arma de fogo.
Leandro Vilas , BH-MG - advogado
Enviado em 10/10/2005 às 9:04:15 PM

Caro Fabio, minha diferença em relação a você é que eu acho que tanto a Veja quanto a Trip estão CERTAS. Bom jornalismo, para mim, não significa escutar "burocraticamente" ambos os lados (até porque como já vimos essa é a melhor tática para legitimar uma [falácia]), significa passar informação, deixando clara - de antemão - sua opinião sobre o assunto. Se você não concordar e achar um absurdo, cancele a sua assinatura, como fez o Carlos Eduardo Pimentel, e busque informações em outras fontes. Aliás, se o NYT tivesse feito o que você sugeriu (e acho que foi mais ou menos por aí) não penso que estivesse errado. Ética, mais do que tudo, demanda transparência.

Quanto a Afif, a afirmação dele é sim genérica, uma noção de senso comum (obviamente que tem a ver com a matéria, eu não disse o contrário), pronta para ser desmentida pela matéria.

E parabéns ao Marcelo Leme, de Osasco! Foi direto no ponto: eis a irrelevância do plebiscito.

Fábio Carvalho , Porto Alegre-RS - jornalista
Enviado em 10/10/2005 às 7:43:19 PM
O porte é o direito de andar armado, prezado Marcelo. Somente alguns profissionais, militares e civis em casos especialíssimos, têm direito de porte. Esse registro custa cerca de R$ 1 mil. Outra coisa é a posse de arma. Cumprindo determinadas exigências (certidões negativas da Justiça, maior de 25 anos etc), todo cidadão tem hoje o direito de comprar uma arma legal. Para registrá-la, deve desembolsar R$ 300. Esse cidadão não tem direito de porte, mas pode manter a arma no interior de sua residência (ou seja, tem direito à posse). Se o "sim" vencer, obviamente, não haverá para o cidadão a possibilidade de comprar uma arma legal. Se já tiver uma, não será obrigado a devolvê-la, mas não terá como comprar munição, que tem prazo de validade (em geral, de seis meses na arma e de até dois anos na caixa).
Carlos Eduardo Pimentel , Santos-SP - engenheiro
Enviado em 10/10/2005 às 5:28:30 PM
Sou leitor da Veja desde o seu lançamento e assinante por mais de 25 anos. Todavia, esta série está para ser interrompida. A única "arma" de que disponho, como leitor e consumidor, para mostrar o meu descontentamento com a falta de neutralidade no assunto de um veículo desse porte, é praticar o "tiro" do cancelamento da minha assinatura. Li os artigos de Aberto Dines e Luís Giron e tenho chegado à mesma conclusão a que voces chegaram. A Veja pirou. Esqueceu-se de fazer a lição de casa. A reportagem de capa sobre o desarmamento foi um verdadeiro acinte. Faccioso sim. Planfetário também. Praticou-se o mau jornalismo. Parodiando "Bob Jefferson"... "Ê revistinha".
Flávio Simonetti , São Paulo-SP - jornalista
Enviado em 10/10/2005 às 5:28:00 PM

Acho interessante divulgar nota de hoje do site Blue Bus sobre o assunto:

"Estado diz que senhorio da Veja fabrica armas" 12:04

"Uma informaçao perdida na edição de domingo do Estadão não pode passar batida" - avisa leitor. Numa reportagem de Carlos Franco, entra a informação de que o prédio alugado pela Editora Abril, na Marginal Pinheiros, pertence ao dono da CBC, a maior fabricante de munição da América Latina (obrigado pelo material ao leitor que prefere nao se identificar). 10/10 Blue Bus"

Fábio Carvalho , Porto Alegre-RS - jornalista
Enviado em 10/10/2005 às 4:53:48 PM

Os jornais podem defender, editorialmente, um determinado ponto de vista, Leandro. Podem, sim, ter opinião. A questão é justamente deixar isso explícito. Delimitar o espaço de opinião e de reportagem é fundamental. O NYT assumiu apoiar a candidatura democrata, publicou editorial nesse sentido. Nem por isso, manchetou "7 razões para votar em Kerry", com várias páginas de reportagem dedicadas a um único candidato. A candidatura de Bush teve espaço no NYT, embora o jornal apoiasse Kerry, entende?

Os leitores têm direito de divergir da opinião do veículo e devem encontrar informação não-editorializada acerca dos candidatos (ou do "sim" e do "não") num mesmo veículo. Não é o mercado que regula o direito à informação, ou "quem quiser que compre a Trip". Se a Trip fez o que você falou, também está errada. A declaração de Afif, em O Globo, não é genérica: ele fala que as armas dos traficantes cariocas são ilegais, o que tem relação direta com o título da reportagem. Por fim, meu exemplo do segundo debate Lula e Collor foi para ratificar tua crítica: não basta abrir espaço para os dois lados para se ter uma edição correta e responsável. Ética demanda um pouco mais do que o cumprimento burocrático de deveres.

Marcelo Leme , Osasco-SP - analista de sistemas
Enviado em 10/10/2005 às 4:34:57 PM

Tenho acompanhando as notícias sobre o referendo e a propaganda eleitoral gratuita, mas ainda estou confuso. Não sobre votar Sim ou Não, mas sobre este Estatuto do Desarmamento. As discussões que tenho acompanhado são sempre se é bom ou não desarmar a população. Mas lendo a lei percebi que é composta de 35 artigos, e que estaremos votando apenas o artigo 35. O 6º artigo, que trata do porte de armas, pelo que entendi, já limita bastante a utilização de armas por parte da população. Mas o 6º artigo não está em votação. 

O que entendi é que votar no Sim ou no Não não vai mudar em nada a lei que define o porte de armas, porque este já está definido. O referendo é apenas para saber se o Brasil vai continuar vendendo armas àqueles que estão autorizados, que, segundo o artigo 6º, são: policiais, exército, órgãos de desportos, pessoas que morem longe das cidades, mas que precisam de armas para a sua alimentação.

Leandro Vilas , Belo Horizonte-MG - advogado
Enviado em 10/10/2005 às 11:28:38 AM

Obrigado, Fábio, pela parcial razão que me concedeu. Agora, não entendo a sua colocação do debate Collor e Lulla em 1989, você está apenas confirmando a minha argumentação, utilizando um exemplo pretérito de um outro veículo da mesma organização jornalística que critico? Voltando ao meu ponto central, o que acredito é que a imprensa tem direito a ter uma opinião editorial e defendê-la, desde que isso seja EXPLÍCITO para o leitor (cuja inteligência devemos respeitar a priori) - o que Veja, ao que me consta, fez (divagando: as 7 razões da revista são conseqüência de uma interessante consideração a respeito da irrelevância deste referendo).

Sem me reportar ao diretamente ao seu exemplo Collor, mas ilustrando-o: os jornais nos EUA têm o costume de às vesperas das eleições presidenciais, recomendar o voto em um ou outro candidato - nas últimas, a maioria recomendou Kerry e ele não ganhou. E nem por isso os jornais "venderam" sua credibilidade (quem é republicano sabe que o NYT é democrata, quem é democrata sabe que o Washington Post é republicano - corrijam-me se estiver errado). O que me irrita, profundamente, em tudo o que se está discutindo aqui (apesar do desvirtuamento do debate) é porque Dines resolveu pegar a Veja para Judas e não se referiu, por exemplo, à revista Trip, cuja reportagem opinativa é igualmente corajosa e rendeu-lhe ameaça de censura. Só porque a primeira vende mais? E pior, ele usou com contra-exemplo da revista Veja um jornalismo que você concorda comigo que é evidentemente manipulativo. Enfim, o próprio articulista promoveu o desvirtuamento do debate que se seguiu porque ele foi faccioso. Um último ponto: quem tem mais inserção na opinião pública (quantitativa E qualitativamente), Veja ou a Rede Globo?

Em relação ao comentário do Afif Domingos, sinceramente, ele não relativiza minha argumentação, mas o comprova. Ora, a declaração é genérica o entrevistado diz que "não há comprovação de que a venda oficial aumente criminalidade". Sobre o que é a reportagem? A divulgação de um estudo em que se "demonstra" a participação das "armas legais" na criminalidade e, repito, não há qualquer pessoa "do outro lado" que foi entrevistada especificamente sobre os dados desta pesquisa, feita por uma entidade privada pró-sim. Em suma, legitimação da trapaça, como eu já disse antes.

 

Janes Rodriguez , Curituba-PR - professora
Enviado em 10/10/2005 às 9:06:17 AM
Concordo em tudo que Dines diz a respeito da revista (não)Veja, por essas e muitas outras razões. Acho que já não é sem tempo que os profissionais sérios do jornalismo comecem a denunciar a falsa parcialidade desse panfletão. Li essa matéria e discordo apenas de uma coisa: de que o governo se omitiu e de que os partidos não têm posição. Gostaria que você fizesse um reparo no seguinte: o Partido dos Trabalhadores fechou questão pelo Sim, portanto não há dissenso no partido; segundo: o presidente Lula manifestou publicamente sua opinião no dia 9/10/2005 no jornal Folha de S. Paulo em artigo assinado por ele. Portanto, acho que o governo tem posição sim, e é pelo Sim. Um abraço, e siga fazendo esse bom jornalismo de que todos nós precisamos.
Marcelo Ghibu , Santos-SP -
Enviado em 10/10/2005 às 7:49:46 AM

Infelizmente a revista Veja traz na sua história vários “deslizes”. Alguns desses “deslizes” foram muito prejudiciais, tanto a princípios individuais como coletivos. Ao que parece, o TSE já se pronunciou a respeito, escudando a revista no caso sobre o “não” do referendo. Portanto, juridicamente, pouco há de ser questionado.

Isso na melhor das hipóteses. Porém, há a questão da ética jornalística a ser levantada. E é para isso que volto meus olhos. Preliminarmente acho que não é argumento comparar o que faz a Globo e a Veja. Quem está sob análise é a Veja e sua conduta. Apesar da revista ser amparada por decisão do TSE, no mínimo, por uma questão de ética, deveria a revista ter informado a seus leitores, claramente, que aquilo ali exposto tinha caráter não-jornalístico, e sim de opinião, de propaganda, ou seja: "Este é um pensamento pronto, nosso. Não tem caráter jornalístico. Pensamos desta maneira e queremos que você pense assim também."

Portanto, no meu entender a Veja corrompe, sistematicamente, o jornalismo responsável. Entendo que um meio de comunicação deve ser utilizado para INFORMAR as pessoas. Dar suporte para que elas mesmas tomem as suas decisões, como fez a revista IstoÉ.

Wellington Gouvêa , Rio de Janeiro-RJ - médico
Enviado em 9/10/2005 às 10:01:13 PM
Caro Dines, ainda não vi ninguém falando a respeito, mas saberia explicar por que a Globo faz campanha pelo desarmamento e lança uma novela chamada Bang-Bang? Sem falar no fato de que, de alguns anos para cá, cada vez mais se tem personagens armadas nas novelas. A minha opinião é que a Globo deliberadamente tenta confundir o espectador, como parte da grande campanha de bestialização que as TVs abertas promovem há algum tempo.
Fábio Carvalho , Porto Alegre-RS - jornalista
Enviado em 9/10/2005 às 9:31:42 PM

Penso que Leandro Vilas tem muita razão no último comentário: não bastam algumas aspas do "sim" e do "não" para um veículo atingir a correção ao informar. Penso também que sua razão pára por aí. Imagine como os petistas se sentiram quando o Jornal Nacional editou o segundo debate entre Lula e Collor, em 1989? "Mas nós mostramos os dois lados", sustentaria a Rede Globo. Ninguém de boa-fé pode acreditar que os dois lados foram tratados da mesma forma naquela inesquecível edição do JN.

Negar a publicação de opinião divergente, em box ou fora dele, ridicularizar os argumentos contrários, omitir vozes, sonegar dados, interpretar pesquisas e estatísticas conforme conveniência política, ou seguir a linha da matéria de capa da revista Veja, não é melhor que o dolo em manipular. Admitir essas práticas como bom jornalismo, ou jornalimso corajoso, equivale a dizer que a edição do debate de 1989 seria honesta se mostrasse apenas os argumentos de um dos debatedores, no caso Collor. É um direito de Leandro Vilas acreditar que, ante o atual estado de coisas, melhor mesmo é a grosseria facciosa apontada por Alberto Dines.

Por fim, saliento que a declaração do "não" publicada em destaque na mesma página da reportagem "Maioria das armas do crime teve origem legal", de O Globo, tem a ver com o ângulo que a matéria traz. Ao afirmar que as armas dos traficantes cariocas são ilegais, o entrevistado Afif aponta contradição até no título da reportagem. Isso relativiza, mas não invalida os argumentos de Leandro Vilas.

Ediana Avelar , Rio de Janeiro-RJ - publicitária e professora universitária
Enviado em 9/10/2005 às 8:14:19 PM
É triste e lamentável que um veículo de comunicação como a Veja, com venda de mais de 1 milhão de exemplares e lida no Brasil por mais de 4 milhões de leitores, tenha escolhido o caminho do partidarismo, e não o do fomento à reflexão crítica. Esperava-se que a "indispensável" fosse fiel aos princípios da imparcialidade jornalística e desse nesta semana o mesmo espaço editorial ao "Sim" ao desarmamento. Seus milhões de leitores mereciam essa opção. O que há por trás de tudo isso? Só posso supor que sejam motivos capitais.
Paulo Batista , Joinville-SC - estudante
Enviado em 9/10/2005 às 6:56:58 PM
Brilhante. Parabéns.
Adalberto Tostes , Porto Alegre-RS - médico
Enviado em 9/10/2005 às 5:19:06 PM

"Para começar: a matéria é prepotente e precipitada."

É somente uma tomada de posição que reflete o pensamento da revista, assim como já fez a Globo e outras. Ou tão prepotente e precipitada que só poderia ser assim em virtude da prepotência e precipitação deste referendo. Esperar reflexão dos eleitores brasileiros é uma brincadeira de mau gosto, ainda mais por informações dadas por Angelicas, Maitês e afins. O articulista, após o terceiro parágrafo, onde mostra claramente o que é o referendo, parece até que vai se dar conta da validade da reportagem da revista. Mas no fim se rende novamente aos devaneios do JN e do Globo. Uma lástima.

Luis Gomes , São João da Boa Vista-SP - médico-veterinário
Enviado em 9/10/2005 às 12:33:17 PM
Concordo com cada palavra da matéria de Dines. Exatamente como escrevi à redação da Veja, lamentável, lamentável, lamentável. A revista, deliberadamente, inflou os argumentos contra o desarmamento, ao mesmo tempo em que omitiu os a favor. Prestou um desserviço à nação, ao confundir a população, em vez de apresentar análise clara e imparcial da questão. Está claro, pelo menos para mim, que outros interesses que não a opinião da editoria da revista estão por trás dessa atitude.
José Nogueira Lima , Fortaleza-CE - pastor
Enviado em 9/10/2005 às 5:59:10 AM
Gosto muito dos comentários e das reflexões de Alberto Dines. Contudo, discordo de suas opiniões expressas no artigo. A Veja foi corajosa e publicou matéria de cunho editorial, em que assume uma posição. Numa imprensa tão em cima do muro, a Veja foi, na minha opinião, formidável. Numa imprensa em que, na grande maioria das vezes, as matérias têm apenas uma muito artificial forma de ser neutra - mas que, na realidade, disfarça sua opinião e tenta fazer os leitores de burros -, a Veja foi singular.
Eduardo Guimarães , São Paulo-SP - Comerciante
Enviado em 9/10/2005 às 1:24:20 AM

Em atenção à manifestação do leitor Claiton Borges, que citou trecho de texto meu publicado no Canal do Leitor, e que, como pouco acontece com as pessoas que defendem uma sociedade armada até os dentes como a nossa, quer saber "que fontes são essas" que provam que a grande maioria das mortes por armas de fogo ocorre entre cidadãos sem ficha criminal em conflitos causados por razões passionais, reporto, primeiro, recente pesquisa do Ministério da Saúde, que mostrou que simultaneamente à campanha do desarmamento pela primeira vez em 13 anos caiu expressivamente o número de mortes por arma de fogo no Brasil.

Em segundo lugar, sugiro ao leitor que busque se informar nas secretarias de Segurança Pública dos estados sobre quais são os tipos de conflitos que mais geram mortes por arma de fogo e qual é a origem majoritária das armas envolvidas em crimes. Dessa forma, o leitor constatará também que a maioria das armas ilegais envolvidas em crimes um dia foram registradas e, além disso, foram fabricadas no Brasil, o que provará a ele que quem mais abastece o mercado de armas ilegais brasileiro são os cidadãos que compram armas legalmente e as têm roubadas.

Para buscar tais informações, entretanto, o leitor deve estar disposto a contrariar suas idiossincrasias armamentistas. Resta saber se ele quer ter razão ou se quer a verdade. E, finalmente, também quero chamar atenção para o fato de que o desconhecimento do leitor sobre os números que corroboram os argumentos da campanha do "sim" ao desarmamento comprovam minha teoria de que a mídia não tem coberto o assunto como deveria.

Paulo de Tarso Neves Junior , Curitiba-PR - engenheiro
Enviado em 8/10/2005 às 10:23:26 PM

Acho que já está na hora de a imprensa contar a história do nascimento desse referendo e do estatuto do desarmamento. Por tudo que já li, grande parte dos eleitores não tem a mínima idéia da origem disso tudo, acha que é obra do governo Lula, e até gente que deveria ser bem-informada, como Jô Soares, acredita piamente que é uma preparação para a retirada de outros "direitos" fundamentais ou um golpe de Estado.

Por favor, algum jornalista sério, informe a nós quem esteve envolvido na criação desse estatuto do desarmamento, como nasceu essa idéia e como e por que foi desembocar no referendo.

Leandro Vilas , Belo Horizonte-MG - advogado
Enviado em 8/10/2005 às 8:35:01 PM
Obrigado ao Fábio Carvalho, pois eu já estava começando a duvidar da boa-fé de Dines. Ora, meu caro, o expediente da matéria de O Globo me parece o típico para se utilizar quando se quer dar legitimidade a uma trapaça. Escreve-se uma matéria, o Sr. Toni Marques, com base em dados "analisados" por uma instituição diretamente ligada a uma das ONGs mais envolvidas com a campanha do sim, entrevista-se um diretor desta ONG e uma política que já se pronunciou no mesmo sentido. Em nenhum momento do corpo da matéria há "o outro lado" para comentar os dados da pesquisa. A seguir, abre-se um box com duas opiniões - contra e a favor do assunto - genéricas sem relação direta com o conteúdo imediato da matéria. E assim diz-se que ouviu os dois lados e posa de isento! Bela manipulação (que já faz parte da propaganda política da campanha do sim). Nesse ponto prefiro a Veja: dá sua opinião, justifica-a e a vende - se não gostar dos argumentos, ignore ou não compre. Ora, ninguém é obrigado a ler apenas esta revista, se quiser o outro lado, vá de Trip.
Claiton Borges , Santana do Livramento-RS - servidor público
Enviado em 8/10/2005 às 8:31:14 PM

Acredito que este canal deveria ser usado para comentar a matéria do Sr. Alberto Dines, e não para defender ou contrariar o desarmamento. Porém, ao ler as opiniões deparei com "fatos" escritos por leitores como os que reproduzo abaixo:

...os números oficiais provam que a maioria absoluta das mortes por armas de fogo decorre de conflitos entre cidadãos "de bem" (sem ficha policial). Afinal, é verdade ou não que a maioria das mortes por armas de fogo não decorre de ações de bandidos e sim de ações dos tais "cidadãos de bem"? A mídia poderia pôr fim a esse debate, mas não põe. Por quê?

Essa estatística, para mim, torna-se um tanto quanto "duvidosa". E gostaria de saber quais as fontes "oficiais" "não-divulgadas pela imprensa". Independentemente da opinião pessoal de cada leitor, e eu, pessoalmente, sou contra o desarmamento, não acredito que a maioria absoluta das mortes não decorra de crimes, conflito entre gangues, conflitos entre policiais e bandidos, e sim de brigas entre vizinhos? Não quero aqui criar polêmica, pois meu argumento para ser contrário à proibição é simplesmente que esse é um direito do cidadão, e se abrirmos mão deste logo estaremos abrindo precedente para que outros direitos nos sejam tirados. Mas achei interessante o que li e gostaria de saber as fontes.

Fábio Carvalho , Porto Alegre-RS - jornalista
Enviado em 8/10/2005 às 6:05:11 PM

Não havia lido a reportagem "Maioria das armas do crime teve origem legal" (página 10 de O Globo de 4 de outubro), observada por vários comentaristas, entre eles Leandro Vilas. Verifiquei o texto ainda há pouco na internet. Assinada por Toni Marques, a matéria ouve (e publica) argumentos prós e contra a proibição da venda de armas e munição. O entrevistado do "não" é o presidente da Associação Comercial de São Paulo, Guilherme Afif Domingos, para quem

"a proibição é uma restrição aos direitos fundamentais da cidadania. Não tenho arma, mas não gostaria de ver meu direito cerceado. Não há comprovação que a venda oficial de armas aumente a criminalidade. As armas dos traficantes dos morros do Rio são adquiridas ilegalmente".

Não formo aqui juízo sobre a qualidade da reportagem, mas é preciso reconhecer que a matéria em questão oportuniza espaço à opinião divergente. A revista Veja ignora essa saudável necessidade e, por isso, foi criticada por Alberto Dines.

João Bosco Lara de Oliveira , Mar de Espanha-PE - pastor evangélico
Enviado em 8/10/2005 às 2:50:39 PM

Li a reportagem e é muito difícil ter um discernimento no momento. Se nos voltarmos para o lado cristão, pessoal, não devemos ter uma arma, porém, se nos voltarmos para o lado de defesa, teremos algumas perguntas: 1) Por que o governo não toma esta decisão sozinho? 2) Onde estão os parlamentares nesta hora? 3) Quem nos garante que haverá desarmamento dos bandidos? 4) Se houver um apoio ao desarmamento, isto não abriria mais os horizontes para os criminosos?

Fico com a opinião de que é melhor haver o comércio legal da venda de armas do que impedi-lo.

Eduardo Guimarães , São Paulo-SP - comerciante
Enviado em 8/10/2005 às 2:17:44 PM

A meu ver, o principal argumento da imprensa da bala, que também é seu argumento menos ridículo, é o de que "se a proibição de armas vencer, devido a ela os bandidos terão certeza de que ninguém tem arma em casa e, assim, ficarão à vontade". Eureka! Descobrimos por que o crime não pára de crescer. É que hoje os bandidos não assaltam ninguém porque morrem de medo de que os que vão assaltar tenham arma. Essa possibilidade inibe tanto a bandidagem que o crime não pára de aumentar e...

Ei, espere aí! Não há algo de errado com essa argumentação, não? Bem, já o segundo argumento menos idiota da "Seita Midiática do Santo Trezoitão" é o o de que não adianta proibir o comércio de armas porque sempre haverá o mercado de armas, como direi?, "paralelo". Ah, então tá... Mas me respondam só mais uma perguntinha, ó amantes do bangue-bangue: se as armas podem ser adquiridas ilegalmente - e podem mesmo -, como é, diabos, que o bandido vai ter certeza de que suas vítimas estão desarmadas?

Celton Augusto , Belo Horizonte-MG -
Enviado em 8/10/2005 às 1:09:36 PM
Se não fosse pela parte do artigo que cita O Globo, eu concordaria totalmente com o articulista, mas citar o jornal totalmente parcial quanto a esta questão do desarmamento é, no mínimo, contraditório.
Leandro Vilas , Belo Horizonte-MG - advogado
Enviado em 8/10/2005 às 5:40:10 AM
O problema, meu caro, é que a opinião de Dines se apresenta como uma reflexão crítica ao que o articulista considerou jornalismo faccioso, mas esta crítica foi facciosa. E a demonstração disto é o próprio exemplo de jornalismo sério e argumentativo que ele utilizou para rechaçar aquilo que abominou, tão faccioso quanto, embora mais dissimulado. Aliás, a reportagem de O Globo à qual Dines se referiu (não vi o noticiário do Jornal Nacional) em momento algum trouxe a opinião do outro lado, aliás o pressuposto é que a pesquisa é um argumento em prol dos defensores do "sim". Considerando que Dines é um "provecto observador", ele não poderia jamais ter ignorado isto. Se isso ocorreu é porque foi vítima da trapaça jornalística. Lado outro, Veja vendeu uma opinião, sim, e a justificou com argumentos (alguns risíveis), cabe ao leitor, no sentido mais amplo, comprá-los ou não (vamos dar um crédito à inteligência do cidadão...)
Edinéa Moreira da Silva , Vitória-SP - aposentada
Enviado em 8/10/2005 às 1:12:44 AM
Não gosto e não leio a Veja, mas pela primeira vez estou de acordo, vou votar não, com certeza não pelo$ motivo$ "nobre$"! Mas para poupar-me a indignação e para sacanear a máfia do contrabando, que já deve estar contabilizando o lucro. Portanto, plagiando Zeca Pagodinho: só pra contrariar, vou votar não!
Fábio Carvalho , Porto Alegre-RS - jornalista
Enviado em 7/10/2005 às 7:39:11 PM

1) O artigo de Alberto Dines, prezados comentaristas, é uma opinião, não se pretende imparcial. Não é preciso ser jornalista para ter opinião. Mas é preciso separar as coisas: quando se tem um artigo, não há matéria jornalística. Não interessa se o autor do artigo é jornalista, ou se recorre a técnicas típicas do jornalismo. É opinião, ponto com, ponto br. 2) Veja vende ao público uma reportagem, mas entrega uma opinião. Esta é, em resumo, a crítica de Alberto Dines. A publicação manchetou um artigo em forma de matéria jornalística, confunde os leitores, presta um desserviço. Não há traço residual de honestidade, ou de coragem, nessa conduta. 3) Se quisesse fazer uma matéria sobre o tema escolhido, Alberto Dines teria que tentar ouvir os argumentos da revista. Buscar comparações dentro e fora da revista. Ouvir a opinião de especialistas e leitores. Repercutir aquele assunto. A imparcialidade pode até não existir da forma como a idealizamos. Mas o jornalista tem o dever profissional de adotar métodos que permitam a pluralidade de pensamento e oportunizem o debate de opiniões divergentes. Isso não é hipocrisia. Isso é jornalismo. 4) A matéria sobre a pesquisa das armas apreendidas, feita pela Rede Globo, ouviu e veiculou argumentos do "sim" e do "não" - ao contrário do que fez a revista Veja.

A matéria das Organizações Globo foi bem feita ou mal feita? É tendenciosa ou objetiva? A pesquisa que a ampara é boa ou é ruim? O que ele informa e o que ela omite? Escreva um artigo para o OI com a sua opinião! Isso é a crítica de que tanto precisamos. Seja um provecto observador e ajude a consolidar a democracia aonde ela ainda não chegou: no direito à informação.

Carlos Pinheiro , Rio de Janeiro-RJ - aposentado
Enviado em 7/10/2005 às 7:22:12 PM
Panfleto por panfleto sobre o desarmamento, sou "menos" o da Globo, que não desenvolveu nenhum argumento consistente, usou estatísticas mentirosas, escondeu-se atrás de famosos e panfletou por pelo menos um ano. Mesmo assim, voces não reclamaram de nada. Até tu, Brutus?
Eduardo Guimarães , São Paulo-SP - comerciante
Enviado em 7/10/2005 às 6:34:34 PM

Nos últimos dias estamos vendo na mídia uma enxurrada amplamente majoritária de argumentos de todo tipo em defesa da comercialização de armas de fogo e munições - sobretudo na internet, nos jornais e nas revistas semanais. Teorias conspiratórias que vão da mais insólita de que um dos segredos da Virgem de Fátima seria o de que os comunistas tentariam desarmar as nações para dominá-las por meio das armas até a exemplificação delirante de que Adolf Hitler teria desarmado os cidadãos alemães antes de dar início ao seu reinado de terror. Além disso, os defensores de uma sociedade armada desqualificam o argumento de que os números oficiais provam que a maioria absoluta das mortes por armas de fogo decorre de conflitos entre cidadãos "de bem" (sem ficha policial).

E isso é culpa da imprensa, que não divulga - sabe-se lá por que - os dados que seriam definitivos para convencer o país de que haverá uma considerável redução das mortes por arma de fogo a médio prazo se o Brasil votar "sim" no referendo do dia 23.

Afinal, é verdade ou não que a maioria das mortes por armas de fogo não decorre de ações de bandidos e sim de ações dos tais "cidadãos de bem"? A mídia poderia pôr fim a esse debate, mas não põe. Por que? Cada um que tire suas conclusões. Mas para tirá-las é preciso também ter em mente que se pegarmos os grandes jornais dos últimos dias, em suas seções de leitores se constatará a preponderância dos que se manifestam pelo "não" ao desarmamento, o que, somado à reportagem de capa da Veja do fim de semana passado, concede uma vantagem ilícita à frente política que defende essa resposta. E, além disso, em véspera de um referendo dessa importância causa espécie a imprensa escrita estar limitando o debate aos seus leitores.

Nessa questão do desarmamento a mídia está fazendo exatamente o mesmo que tem feito no debate sobre a crise política: está tomando partido. E nem acho que isso se deva a que queira manter legal a compra de armas no Brasil. Acho que quer apenas provar sua força para mudar opiniões da sociedade. O resultado desse referendo, portanto, assume uma importância política enorme, pois está se transformando num plebiscito sobre o governo Lula e num teste de fogo para a capacidade da mídia de manipular a população.

Roberto Veiga , Uberlândia-MG -
Enviado em 7/10/2005 às 3:52:06 PM
Caro Alberto Dines, neste trecho do seu artigo - "O Jornal Nacional de segunda-feira (3/10) e O Globo do dia seguinte mostraram como se argumenta com competência, como é possível oferecer ao público elementos para a formação de juízos sem impor-lhe conclusões" - faltou complementar o parágrafo com algo do tipo "O que representa um grande avanço, já que jornalismo (???) panfletário, só que pró-desarmamento, de forte apelo emocional (e irracional), com o uso recorrente a falácias de toda sorte, era tudo o que as Organizações Globo vinham fazendo nos últimos anos". Quanto a dizer que o governo "eclipsou-se", o que mais o governo deveria fazer - que já não tenha feito - no sentido de promover a vitória do sim no referendo?
Ana Virgínia Lemos Cisneiros , São Paulo-SP - advogada
Enviado em 7/10/2005 às 3:00:15 PM

O que se lê nos comentários daqui são as maiores falácias e aberrações do mundo. Proibir a venda de carros, blablablá. Ora, é muita má-fé não reconhecer que, diferentemente de uma arma, um automóvel não foi feito para matar. Ao mesmo tempo, acho engraçado defenderem a "libertinagem" de imprensa. Já pensou se algum veículo considerar legítimo apoiar o extermínio de pobres? Certamente, alguma voz se levantará em prol do direito do jornalista de “se expressar”. E a responsabilidade de imprensa será apenas um cadáver pesado e incômodo.

Por isso, eu sou pelo Dines, contra a panfletagem grotesca da Veja. A violência se dá em diversos níveis e contextos. A da bandidagem certamente não será coibida pela lei do desarmamento. Já a do marido que chega em casa bêbado e dá um tiro na mulher e nos filhos, certamente sim... Não me venham com a desculpa de desarmar a população e deixar o bandido livre. Essa é a maior mistificação do mundo. O bandido é um fora-da-lei, portanto, independentemente do Estado, ele continuará matando, assaltando. Chega a ser risível imaginar que, quando vai invadir uma casa, um marginal pensa: "Hum, aí dentro deve ter alguém armado".

O fato de permitir que as pessoas portem armas não é garantia de segurança contra os criminosos. Agora, eu não posso aceitar que pessoas "dentro da lei" andem armadas e coloquem a minha vida em risco por um simples desentendimento no trânsito. Penso que todo instrumento de controle do Estado contra a sordidez humana é válido. Se os políticos que estão aí não zelarem pelo bem da coletividade, a gente troca! A nossa passividade e tentativa canhestra (quase ingênua) de pensar que o voluntarismo nos garantirá a salvação levará a humanidade ao limite da paranóia e do salve-se quem puder. O Estado ainda é uma instância fundamental. Exijamos o seu funcionamento.

Pedro Pena , Belo Horizonte-MG - publicitário
Enviado em 7/10/2005 às 2:52:48 PM
A observação de Dines é perfeita, só quero acrescentar que o PCdoB defende consensualmente o desarmamento e a sua bancada trabalha unida pela vitória do sim, bem como sua militância.
Luiz Paulo Santana , Belo Horizonte-MG -
Enviado em 7/10/2005 às 2:15:33 PM

Nem tudo, é claro. A proibição à pedofilia, por exemplo, é necessária, porque envolve as crianças, e elas, por motivos óbvios, necessitam da proteção da sociedade. Mas, em relação às armas, estamos falando de jovens e adultos. Proibir o comércio de armas é retirar do cidadão o direito e a responsabilidade que ele deve ter quanto ao uso que fizer desse direito ou de quaisquer direitos. Proibir o comércio de armas é atrasar o processo de conscientização educacional dos cidadãos quanto à sua inutilidade e/ou oportunidade de tê-las ou de usá-las. Proibir o comércio de armas é como proibir o fabrico e o comércio de drogas: como são práticas seculares — o uso de drogas e de armas — que só podem ser combatidos com conscientização e responsabilização, ou seja, com o exercício da cidadania, o produto se valoriza, o tráfico toma conta, a corrupção aumenta envolvendo (devo citar, para refrescar a memória, ressalvando as exceções, graças a Deus) políticos, juízes, delegados, policiais, funcionários, etc., etc., ou seja, o aparelho de estado é (está) contaminado, e teremos mais um problema catastrófico para resolver.

Quando, no futuro, pensarem em liberar o comércio de armas, (na hipótese provável do "sim" sair vitorioso), dirão os experts, os conservadores, os interessados e os temerosos cidadãos destreinados em assumir responsabilidades: mas, se liberar, aumenta o problema. Que problema? O estado paternalista tende a tratar o cidadão como um imbecil incapaz de tomar decisões. Um estado paternalista e corrupto (sempre ressalvando as exceções, mas não nos iludamos, estamos todos imersos na cultura e na história de nosso país, e autoritarismo, paternalismo e corrupção são traços sobreviventes), cuja representatividade está longe de ser pelo menos razoável, merece a confiança de tratar questões como essas à base de simples proibições? O cidadão que, afinal de contas, não é um imbecil, quando se convencer, diante de circunstâncias, mesmo equivocadamente, de que precisa de uma arma, terá de comprá-la nas mãos de traficantes — uma arma sem registro, sem impostos, que ele usará sem qualquer treinamento.

O ideal é que não tenhamos armas. Não tenho, não pretendo ter. Mas... A tendência de quem não tem arma é continuar desarmado. Entre o ideal e o real vai uma boa distância. Quem observa o resultado da criminalização da produção e uso de drogas, de seu combate mundial, da falta de perspectiva dessa política, e do crescimento deslavado de seus sub-produtos, a corrupção, a contaminação do aparelho público, o desvio de função, a falta de controle público de qualquer espécie, enfim, a clandestinidade que impede o controle social, a oficialização de mercados, a tributação, o financiamento de campanhas e tratamentos, quem observa esse quadro há de ter sua dúvidas na hora de escolher entre o "sim" e o "não". É o meu caso.

Leandro Vilas , Belo Horizonte-MG - advogado
Enviado em 7/10/2005 às 10:41:34 AM
Eu não critiquei a pesquisa em si, mas o artigo que foi usado pelo articulista Dines como exemplo de jornalismo reflexivo, argumentativo e não-faccioso. Nesse caso, o correto seria, no mínimo: "Manchete fajuta". Ademais, se for para criticar a pesquisa, podemos dizer que ela não é clara, uma vez que se fala na matéria de armas apreendidas em ocorrências criminosas: ora, possuir uma arma sem registro após a Lei 9.437/97 já é uma ocorrência criminosa, capaz de levar à apreensão da arma - em sendo assim, no mínimo uma grande parte dos dados da pesquisa não quer dizer nada. Por outro lado, a tal pesquisa não é de nenhum órgão público, mas dados "analisados" por um tal do Iser, intimamente ligado ao Viva Rio, que por sua vez... eu não vou repetir a lenga-lenga de um comentário anterior.
Claiton Borges , Santana do Livramento-RS - servidor público
Enviado em 6/10/2005 às 11:17:05 PM
A revista Veja não agiu com isenção. Isto é fato. Assim como a Rede Globo também não o faz, e não li, aqui no OI, nenhuma crítica a essa emissora. Gostaria que se fizesse, também, um referendo pela proibição da produção de automóveis e peças, pois eles - os automóveis - matam muito mais que qualquer arma. E não seria necessária a criação de uma propaganda especial, pois os argumentos a favor do desarmamento serviriam.
Joaquim Dias , Votorantim-SP - policial militar reformado
Enviado em 6/10/2005 às 10:16:45 PM
Seja ou não aprovada a lei do desarmamento, é preciso criar uma lei que ampare a família da vítima, e que realmente o homicida ou mandante seja punido, o que raramente acontece. Acredito que se fosse criada e aplicada uma lei em que o autor ou mandante de homicídio tivesse que pagar pensão vitalícia aos familiares da vítima ou a instituição de caridade tudo mudaria.
Carlos Soares , Rio de Janeiro-RJ -
Enviado em 6/10/2005 às 6:27:55 PM
Dizer que a Veja é prepotente, precipitada, facciosa, sem isenção, e ao mesmo tempo dizer que o Jornal Nacional dá um show de argumentação e induz o público a pensar e tirar suas conclusões é a melhor piada que eu já ouvi na minha vida. Tenha a santa paciência, chega a ser risível essa sua observação.
Marcelo Carvalho , Mesquita-RJ - professor
Enviado em 6/10/2005 às 6:22:39 PM
Finalmente, depois de muita demora, vejo na TV os comerciais sobre o referendo, porém, com apenas duas opções de voto. Fico sem saber se posso votar nulo ou em branco. E se alguém apertar a tecla 3 e confirmar? Isto anulará o voto ou fará com que a máquina "peça" o voto outra vez? Moro num país dito "democrático", mas não sei se posso votar nulo.
Leandro Vilas , Belo Horizonte-MG - advogado
Enviado em 6/10/2005 às 5:30:17 PM
Quer exemplo de trapaça jornalística em favor da defesa de uma opinião? Peguemos justamente o artigo de O Globo que Dines utiliza para contraditar a postura da Veja. Seu título diz: "A maioria das armas do crime teve origem legal". E, a seguir, detalha os dados da pesquisa, desde 1999 (portanto, após a Lei 9.437/97): 33% das armas eram do estoque legal (com registro), 39% do estoque "informal" (armas não registradas e que pertenciam a pessoas sem antecedentes criminais) e 28% tinham origem criminosa. Ora, arma não registrada é arma ilegal, com origem, certamente, no comércio ilícito. Portanto, a conclusão é o contrário do que diz a manchete, já que 72% das armas apreendidas tiveram origem ilegal. E, dos 33% de origem legal, um terço pertencia ao Estado.
Murilo Cervi , Santa Maria-RS - doutorando
Enviado em 6/10/2005 às 4:30:21 PM
Seu artigo é "muito imparcial", como a Veja! Também o é o Jornal Nacional e a Rede Globo como um todo! O "estimulo à reflexão" apresentado, baseando-se em dados estatísticos, esquece-se de mostrar as limitações das estatísticas "feitas". Fala-se muito em estatísticas... mas não se oferece a fonte, ou as limitações, como a porcentagem de crimes que foram devidamente esclarecidos, dos quais tiraram tais dados, ou da quantidade de armas registradas em nome de policiais ou promotores, que entram nestas mesmas estatísticas! Sou a favor do não, por não conhecer um argumento sequer convincente do contrário. Falando-se em imprensa lúcida e responsável, o que o Sr. pensa a respeito das vinhetas a favor do "desarmamento", mostradas na Globo antes da "campanha" do referendo? Por favor... Se fores comentar uma matéria tentando se mostrar imparcial, sejas deveras imparcial!
Onildo Barbosa , Rio de Janeiro-RJ - programador
Enviado em 6/10/2005 às 1:04:29 PM
Dines, lamento, mas tenho de discordar de você. A verdade é que essa isenção é uma utopia. É praticamente impossível. A Globo e O Globo são claramente a favor do "sim" e ninguém parece reclamar de que exista algum "facciosimo" nisso. A Veja deixou clara a sua opinião. Já que os que aderem ao "sim" costumam usar argumentos que ofendem a inteligência, a Veja deixou clara sua opinião e não ofendeu a inteligência do leitor (a não ser naquela historinha dos regimes totalitários desarmarem os civis antes de tomarem o poder). De qualquer modo, não existe essa isenção. O que vejo é que em nome dessa suposta isenção os jornais ficam escondendo suas verdadeiras opiniões, mas revelando-as subliminarmente, como se vê no caso da Globo.
Leandro Vilas , Belo Horizonte-MG - advogado
Enviado em 6/10/2005 às 12:48:33 PM
Traduzindo o tradutor Fábio: o que me intriga é por que Dines se prendeu apenas à Veja. Por que sequer chegou a tocar no caso da revista Trip (mais explícito) ou da revista Época (mais "reflexivo"), que fizeram extensa reportagem a favor da proibição à comercialização de armas e munições? Trip, Globo e Veja têm direito a suas opiniões e os leitores têm direito a que elas sejam expostas e defendidas claramente e não sub-repticiamente. Estar a favor ou contra os argumentos usados é direito inalienável do leitor que, ainda bem, vive num ambiente em que pode comprar e ler todas estas publicações. De resto, campanha por campanha, sou a favor do voto nulo (podemos anular este referendo), não é responsabilidade do cidadão decidir questões em área na qual o Estado tem obrigação de agir e não o faz de modo minimamente satisfatório, ainda mais sobre uma questão inútil. Pronto, fiz minha panfletagem.
Ricardo Andrade , Nova Friburgo-RJ - comerciante
Enviado em 6/10/2005 às 11:50:43 AM
A lei do desarmamento deveria ser para todos, mas não é isso que vai acontecer. Empresarios, comerciantes que tiverem dinheiro para pagar a uma firma de segurança terão casas e estabelecimentos bem protegidos. Isso é uma forma de continuar armado, pela condição financeira de pagar a alguém para andar armado em seu lugar. O certo seria extinguirem-se as firmas de segurança particulares, deste modo todos estariam desarmados. Infelizmente, essa lei é só para o pobre. Quem tem dinheiro continuará a cima da lei.
Mauro Maimone Sá , Brasília-DF - jornalista
Enviado em 6/10/2005 às 11:10:03 AM

Antes que me acusem de qualquer coisa, deixo registrado que o meu voto no referendo será nulo. Não enxergo bons argumentos nem nas manifestações raivosas e beligerantes da turma do não, nem no pacifismo low-profile dos desarmamentistas. Outrossim, percebo nitidamente uma tendência à ideologização do debate. Expressões como “comunismo”, “companheiro” e congêneres revelam o vigor reaça da patota antidesarmamento.

Nos comentários, já evocaram Nossa Senhora de Fátima, Stalin e até a luta de classes. É tudo de uma mirabolância inacreditável. Alguém muito sábio disse aqui que as pessoas só querem ouvir aquilo que lhes convém. Por isso os elogios rasgados à postura “corajosa” da Veja. Porém, o fato de não ter questionado a Globo sobre a sua suposta campanha pró-desarmamento não invalida o texto do Dines. Encontrar o ponto de equilíbrio entre a panfletagem descarada e a omissão covarde é a quintessência do jornalismo. O brilhante articulista apenas aponta qual foi o lado escolhido pela revista.

Calypso Fagundes , Rio de Janeiro-RJ -
Enviado em 6/10/2005 às 9:43:50 AM
As falácias que escutamos em torno do desarmamento estão formigando. Argumentos enganosos, Veja, internet e o perigo. Sou contra o desarmamento, jamais haverá o jogo totalitário, mata-se com as mãos, promotores, hoje, podem se armar e o Jefferson tambem com seu 45 no coldre. Parece brincadeira, não? É fato. Todos sabemos e nem controlaremos nossas emoções, portanto nos ocupemos do bom comportamento dos políticos e dos homens. Qualquer objeto se transforma numa arma, até um bisturi, certo? Digo não e não me acabrunho.
Wellington Gouvea , Rio de Janeiro-RJ - médico
Enviado em 5/10/2005 às 11:45:13 PM
Caro Dines, comentar o plebiscito é trabalhar no que já se degradou. Mais da metade do povo brasileiro é de analfabetos funcionais; mais ou menos o mesmo para pessoas que não sabem fazer duas operações aritméticas consecutivas. Se nem a imprensa debateu o suficiente, nem os partidos se pronunciam, convenhamos, esta é uma tremenda covardia com o povo. Acho que o voto pelo não, mais do que um voto a favor das armas, é um voto contra este governo sem pé nem cabeça.
Carlos Alberto Schäffer , Encantado-RS - advogado
Enviado em 5/10/2005 às 7:06:33 PM
Prezado Dines, com todo o respeito que me mereces, então a Globo pode fazer propaganda a favor do sim de forma subliminar, utilizando todos os seus bonitos artistas, e aí está tudo bem? A Veja pelo menos tomou uma posição clara. É contra. Ainda bem. Pelo menos podemos enfrentar um pouco o poder da Globo.
Peter Wilm Rosenfeld , Porto Alegre-RS - aposentado
Enviado em 5/10/2005 às 6:46:21 PM
Absolutamente insensatos os argumentos do Sr. Dines de quem, normalmente, sou um admirador. Li a matéria da Veja e julgo que esteja absolutamente correta e seja pertinente. Os veículos de comunicação em geral vêm, há tempos, sendo tendenciosos sobre o assunto (especialmente as Organizações Globo). Não há nada de errado em um veículo como a Veja publicar sua opinião, além de que, fartamente documentada. Lamentável a tendenciosidade do Sr. Dines com relação à revista, o que, aliás, não é a primeira vez que ocorre.
Flávia Rosas , Búzios-RJ - jornalista
Enviado em 5/10/2005 às 5:33:04 PM
Sentada no balanço de casa no domingo avistei pela primeira vez a Veja desta semana. Que visão terrível! Três dias depois, ainda não consegui folhear a revista. A questão não é o desarmamento e nem ser contra ou a favor da venda de armas, mas a parcialidade exacerbada da matéria de capa. Fiquei inapetente. Surpresa maior foi entrever, mais uma vez, a perversiva estampada no horário eleitoral gratuito. Coincidência ou mais um acontecimento meticulosamente estudado? A Veja vem demonstrando com precisão e maestria como não produzir uma revista séria, responsável e isenta de dissimulação. Não é esse o papel que se espera das empresas de comunicação na sociedade contemporânea. A esperança é que a liberdade abra espaços para ser a mais democrática e ampla possível. Não para tornar o cidadão refém dessa conquista.
Leandro Vilas , Belo Horizonte-MG - advogado
Enviado em 5/10/2005 às 1:55:55 PM
Ao leitor Henrique Sanches: discordo de você. Os veículos de imprensa têm direito, sim, a ter uma opinião sobre os assuntos. O errado, para mim, é tê-la sem deixar isto claro (a famosa isenção) de início, manipular fatos e dados para favorecer tal opinião com aparência de reflexão crítica ou simplesmente desqualificar quem pensa contrariamente. O artigo de Dines provocou tantos comentários, a seu ver equivocados, porque provavelmente incorre nos três erros citados. Só um esclarecimento: o referendo (alguém aqui neste OI já andou falando em "plebiscito"), vencida a tese do sim, equivale ao desarmamento, uma vez que será proibida a comercialização de armas e "munição". A propósito, meu voto é nulo.
Fabiana Avila , Campinas-SP - DJ
Enviado em 5/10/2005 às 1:20:35 PM
Ainda estou em dúvida sobre a opção em que votarei no plebiscito, a decisão exige muita reflexão. E, apesar de estar mais "direcionada" à opção "não", considero repugnante a reportagem da Veja, jornalismo de péssima qualidade. Os profissionais liberais que rapidamente saíram em defesa da revista deveriam apresentar mais discernimento, pois podemos até defender a posição do não, mas apoiar que um meio de comunicação tenha posição tendenciosa é ignorância. A população deve ter o direito à informação de ambos os lados. Apesar da minha "tendência" em votar "não", quando eu observo e analiso os discursos dos apoiadores do "não" penso logo se não é melhor mudar a escolha.
Leandro Vilas , Belo Horizonte-MG - advogado
Enviado em 5/10/2005 às 12:30:41 PM
No fim, é lógico que o contra-argumento à Veja é uma questão de crítica a posições (pior, interdição de uma das opiniões) é o noticiário Das Organizações Globo (que também tem sua opinião formada e forma muito mais opiniões do que a Veja), que tem um de seus vice-presidentes como integrante do Viva Rio que, por sua vez, tem entre seus financiadores a Ford Foundation, que também apóia - olha só - este OI. Ai, ai... Por favor, declarem de uma vez que estão em campanha e poupem-nos do embuste!
Fábio Hernand Mota , São Paulo-SP - jornalista
Enviado em 5/10/2005 às 11:33:09 AM
Creio que a maioria dos leitores que escreveram cartas desancando o Dines não compreendem o verdadeiro propósito deste Observatório: analisar a atuação da imprensa. Portanto, aos que cobram uma posição do jornalista sobre o desarmamento, aconselho ler a opinião de especialistas em segurança (prós e contras). Como todos nós, um articulista também busca formar a sua opinião sobre os temas da hora. Antes de mais nada, ele é um simples leitor. À imprensa cabe o papel de apresentar os argumentos (favoráveis e contrários). Apresentar um único lado da polêmica, gostem os senhores ou não, é facciosismo sim! Jornalismo não é isso. Ouvir uma única fonte e escrever um manifesto é panfletagem! A boa imprensa não representa o melhor meio para os que já têm um ponto de vista formado e só querem ouvir aquilo que lhes convém. Por outro lado, para os "indecisos", a opinião dada de bandeja não auxilia em nada na formação de um ponto de vista.
Olympio Neto , Araraquara-SP - estatístico
Enviado em 5/10/2005 às 11:20:26 AM
A reportagem da Veja, ao meu ver, é no mínimo, tendenciosa. A análise de Alberto Dines é extraordinariamente lúcida. Não sei, mas para mim a reportagem tem cara de matéria comprada. Se isso for verdade, é um verdadeiro estelionato com os leitores da Veja, entre os quais me incluo. Como alguma outra pessoa já se manifestou neste debate, a matéria serviu para me definir pelo sim.
André Lux , São Paulo-SP - jornalista
Enviado em 5/10/2005 às 10:04:07 AM
Impressionante. A Veja (e o resto da imprensa, por tabela) manipula, mente e faz panfletagem quando o assunto é desarmamente. Mas, sempre segundo alguns observadrores deste Observatório, isso não acontece quando os mesmos veículos aplicam o mesmo tipo de "rolo compressor" faccioso contra, digamos, o PT! Chega a ser cômica a lógica de vocês... PS: Sou petista, sim. Podem, portanto, desqualificar minha opinião, afinal sou apenas um paranóico que acredita em teorias de conspiração.
Luciano Orlando , Diamantina-MG - Dentista
Enviado em 5/10/2005 às 9:53:53 AM
E o escandaloso apoio da Globo ao sim no referendo, cedendo (obrigando) seus atores e divulgando todo tipo de coisa diariamente no JN? Apareceu até D. Rosinha Garotinho dizendo que vota sim. Não era para o Ministério Público tirar essa emissora do ar por, pelo menos, um mês? Não disseram que o TSE não permitiria, de forma nenhuma, alusões ao referendo nos veículos de comunicação que não fossem as propagandas oficiais do TSE?
Reginaldo Vieira , Itabaianinha-SE - funcionário público
Enviado em 5/10/2005 às 9:13:11 AM
Todos os brasileiros, com certeza, seriam a favor do desarmamento, ou melhor da proibição do comércio de armas de fogo. O que não entendo, e fico muito irritado com estes políticos, é por que não desarmam primeiro os criminosos que vêm tomando conta do poder que pertence ao Estado.
José Manuel da Silva , Porto, Portugal- - padeiro
Enviado em 5/10/2005 às 2:34:51 AM
A Veja foi escancaradamente contrária ao desarmamento, sim... E o senhor Alberto Dines não me pareceu coerente criticando. Ele não demonstrou neutralidade para tomar uma posição justa na abordagem da publicação. Deveriam proibir o jornalismo então pois: a) Armas, em determinada perspectiva, também são um meio de expressão, um recurso vil que transmite a verdade e obriga as classes econômicas relativamente privilegiadas a enxergar o sofrimento e a revolta crescente neste povo brasileiro que tanto amo. b) A informação, no atual contexto político e social, é evidentemente a arma mais poderosa que existe. Tão poderosa e mortal quanto a mais poderosa bomba nuclear, capaz de destruir uma nação. E os jornalistas insistem em temer armas quando a coisa mais perigosa neste país está nas mãos deles e ninguém pode fazer nada, no máximo fechar os olhos e ouvidos para não ser atingido.
Fábio Carvalho , Porto Alegre-RS - jornalista
Enviado em 5/10/2005 às 2:33:39 AM

Quem acompanha o OI sabe que já foram publicados vários artigos sobre a falta de foco (e de debate) acerca do referendo em edições anteriores. O jornalista Mauro Malin, por exemplo, tratou do assunto mais de uma vez aqui no OI. Um dos artigos, aliás, dizia que faltava discutir segurança pública. Mas a turma da bala entra atirando no OI para defender não só a opinião, mas a conduta da Veja. Há muitas direrenças entre o OI e a revista Veja. Muitas mesmo. Neste momento, salta aos olhos uma delas: vozes discordantes das opiniões publicadas no site encontram aqui espaço para serem contestadas, criticadas.

Sabem o que acontece com quem discorda das opiniões da Veja? Bem... alguns procuram o OI para se manifestar. A crítica de Alberto Dines, para quem não entendeu, não é porque a revista defendeu o "não". Há enorme diferença entre uma opinião e o trabalho jornalístico. Os leitores podem até confudir as coisas. Veja e Dines não têm esse direito. Algumas considerações adicionais:

1) Os atores da Globo que participaram de campanha eleitoral em 1989, em sua esmagadora maioria, cantavam "Lula lá". Nem por isso está correto dizer que a empresa pressionou os artistas para isso. Aliás, não seria verossímil. 2) Um das estrelas do jornalismo global, Alexandre Garcia, é contrário à proibição da venda de armas. Ele publicou artigo de opinião sobre isso. Não há nenhum problema nisso. É um direito de Alexandre Garcia ter opinião. Se ele quiser fazer uma matéria sobre o referendo, no entanto, terá que ouvir (e publicar!!!) outros argumentos, inclusive aqueles que contrariam sua própria opinião. 3) A Rede Globo deu e dá, sim, amplo espaço aos movimentos que defendem "a paz". Não faz muito tempo, havia até vinhetas "plim-plim" com flores saindo do cano de um revólver. Isso é verdade. A partir do momento em que o referendo foi aprovado, a emissora retirou as vinhetas do ar. E passou a dosar opiniões nas matérias sobre o referendo. 4) Na matéria sobre as armas apreendidas, criticada por um leitor, há opinião do "sim" e do "não" publicada. Reportagem semelhante foi veiculada, na noite do dia 4, pelo Jornal Nacional. 4) Você acha que o Jornal Nacional manipulou a opinião de Bolsonaro ("não") e de Raul Jungman ("sim") na noite do dia 4? Você acha que a matéria da revista Época é hipócrita? Escreva um artigo para o OI sobre isso e contribua com a observação da imprensa. 5) Se você ainda acredita que a próxima capa da Veja vai ser "7 razões para votar sim", procure um psiquiatra. Ou acesse www.euacreditoemduende.com.br.

Nelson David , Sao Paulo-SP - escritor
Enviado em 5/10/2005 às 1:39:29 AM

Caro Alberto, você está julgando as pessoas muito mal. Se são indecisos, podem optar pelo não (da Veja) ou pelo sim (da Globo). "Confundir outros para sempre"? A matéria da Veja pelo NÃO foi muito bem feita, assim como o SIM da Globo. O que você quis dizer com isso? Que as pessoas são burras e não serão tão esclarecidas como você nunca? Será que elas não poderão evoluir? Dito isso, quero dizer que você está sendo tão parcial quanto a revista que você está acusando. Poderia prolongar por muito tempo esse e-mail, mas vou apenas dizer o seguinte: se a potência televisiva da Globo pode fazer campanhas com seus artistas e divulgar estatísticas no mínimo contraditórias e incompletas, influenciando o eleitor, a Veja tem o mesmo direito. Posso estar enganado, mas pelo jeito que você ficou ofendido, o seu voto deverá ser SIM. O meu voto com certeza é NÃO e fiquei muito feliz com a reportagem, pois iguala a parcialidade da Globo. O importante mesmo é o seguinte: A maioria das pessoas odeia armas, mas elas querem o direito de possuí-las quando e se necessário. E não só por causa dos bandidos! Que eu saiba, o pessoal do MST não é considerado bandido. Que eu saiba, Hitler não era considerado bandido pelos alemães. O Hugo Chávez ("La propriedad no és sagrada!") não é considerado bandido pelos venezuelanos, tampouco pelo companheiro Lula. Lênin e Stalin não eram considerados bandidos.

Portanto, gostaria de finalizar dizendo que você tem talento e poderia usá-lo para escrever matérias menos parciais, visto que você mesmo não gosta desse tipo de abordagem. E só lhe escrevo porque estou extremamente chateado com esse referendo que está completamente equivocado em sua pergunta, é totalmente fora de hora e não vai resolver o problema grave de crimes ou acidentes. O que resolveria isso seriam outras medidas muito mais sérias. E não o subestimo: tenho certeza que você sabe quais seriam. E tenho certeza que os outros cidadãos desse país também sabem.

Henrique Dias , Rio de Janeiro-RJ - engenheiro
Enviado em 4/10/2005 às 11:37:17 PM

Perfeita a posição do Dines. Nem a Veja nem a Globo ou qualquer outro veículo de comunicação de massa deve tomar posição em referendos e plebiscitos. Devem infomar, passando dados e situações reais para que os (e)leitores julguem e tomem suas próprias decisões.

Observação 1: No artigo do Dines, em nenhum momento ele deixou claro ser a favor ou contra a venda de armas, ao contrário do que afirmam alguns leitores.

Observação 2: Também ao contrário do que afirmam outros leitores, a questão não é sobre o desarmamento (retirar armas de quem já as possui), e sim proibição de comprar novas armas legalmente.

Finalmente, os argumentos da Veja são fracos e repetitivos e a matéria pessimamente redigida. Existem muito mais bons argumentos contra a proibição de armas. Em tempo: sou contra a proibição!

Eduardo Guimarães , São Paulo-SP - comerciante
Enviado em 4/10/2005 às 11:23:40 PM

Creio que a repercussão do excelente artigo de Alberto Dines sobre o mais novo strip-tease profissional da Veja acabou se tornando tão importante quanto o tema do texto. É impressionante o volume de manifestações. Leio o Observatório da Imprensa há anos e poucas vezes vi tantas manifestações sobre algum assunto já no primeiro dia de publicação da edição da semana. Outro dado que também impressiona é a chuva de manifestações favoráveis ao "não" no plebiscito do próximo dia 23. E impressiona porque se sabe que pesquisas recentes sob a opinião majoritária no país mostram que é a opinião favorável ao "sim" que está ganhando disparado, o que me faz suspeitar de que existe uma orquestração da campanha do "não" e seus argumentos malucos nessa enxurrada de defesas das armas que se abateu sobre o OI.

Enxurrada que, como se viu nas manifestações a que me refiro, inclui até a hipótese delirante de que Nossa Senhora de Fátima seria favorável a que os filhos de Deus andem armados. Daqui a pouco esses malucos vão pregar que as igrejas pendurem um "trezoitão" ao lado dos crucifixos. Outra alucinação da turma da bala é a de que a Globo esteja fazendo campanha pelo "sim". Que campanha é essa? A Globo, por acaso, veiculou algum programa "7 razões para votar sim"? A Globo é culpada de muita, muita coisa. Mas, nesse caso, é inocente como um recém-nascido.

Não posso concluir sem deixar de difundir um meio de encerrarmos essa discussão sobre se o Brasil deve ou não proibir a venda de armas de fogo e munição. Basta que as secretarias de Segurança Pública dos estados divulguem o percentual de armas de fogo "quentes" envolvidas em crimes de morte por armas de fogo. É fácil prever que esse percentual será altíssimo, já que se sabe que são maioria as mortes por arma de fogo causadas em desentendimentos entre cidadãos "de bem" - leia-se sem ficha criminal - que atiram por razões banais.

É importante que cidadãos conscientes como Dines continuem pregando um debate alto e sem malandragens como a da campanha do "não", que tenta turvar os fatos defendendo que se desarmem os bandidos e não "os cidadãos honestos", como se fosse permitido que bandidos portem armas de fogo. Mas a postura da Veja não é de estranhar, porque ela se vale, nessa questão do desarmamento, dos mesmos métodos de que se vale na cobertura que faz da política. Acho que o próximo plebiscito poderia ser sobre se o país deve proibir a imprensa irresponsável de emburrecê-lo com argumentos ardilosos e/ou mentirosos como os da última edição da Veja. E os da penúltima, da antepenúltima, da ante-antepenúltima...

Diego.Carvalho , Rio de Janeiro-RJ - engenheiro
Enviado em 4/10/2005 às 10:54:29 PM

Fico feliz que as pessoas comecem uma discussão acalorada do referendo sobre o desarmamento. Contudo, devemos lembrar que a única leviandade da Veja foi a de veicular matéria editorial em sua capa. Mesmo assim, devemos deixar de lado a hipocrisia e reconhecer que não existe imprensa imparcial. O que é chamado de imprensa imparcial é a imprensa que comunga das idéias de quem a observa, a escuta ou a lê. Se os jornalistas quiserem promover meu linchamento por essa opinião, gostaria de lembrá-los que a história é escrita somente pelos vencedores. Levando em consideração essa nova definição de imprensa imparcial, notamos que o jornal O Globo é completamente "imparcial".

Uma simples análise da matéria veiculada na capa revela que a pesquisa foi apresentada por um jornalista sem conhecimentos básicos de matemática ou de má fé. Apesar de diversas incoerências nos sete motivos da Veja, concordo num ponto: esse referendo é desnecessário, inócuo e uma perda de tempo. Somos chamados para apresentar uma opinião como nação e todos os dados apresentados pelos dois lados são levianos, manipulados e criminosos. Quem será realmente o mocinho e o bandido?

Marcos Marques de Oliveira , Niterói-RJ - jornalista
Enviado em 4/10/2005 às 8:49:57 PM
A capa da Veja foi decisiva para minha posição no próximo referendo. Vou votar pelo "Sim". Para a revista ser tão panfletária em prol do "Não" é que o outro lado deve estar certo.
Francisco Antonio Pagot , Canoas-RS - jornalista e pesquisador
Enviado em 4/10/2005 às 8:25:19 PM

Igualmente tendencioso, como a criticada matéria da Veja. Igualmente capcioso, como a postura da Rede Globo. E sobre isso não vi nenhuma posição contestatória de sua parte. Se observarmos bem, no site do Viva Rio e outros veiculados na internet fica bastante explicita a participação da Globo nessa "estória" de desarmamento. Se observarmos bem, vamos concluir pela total imparcialidade da Rede Globo nesse estratagema do desarmamento. Basta assistir à publicidade veiculada em favor do "sim". Lá só se vêem artistas e gente ligada à Globo. Se não, vejamos: Regina Casé, José Mayer, Lázaro Ramos, Wagner Moura, Salem, Zezé (Xica da Silva) Motta, Angela Vieira, Ingrid Guimarães, Angélica, Maitê Proença, Fernanda Montenegro (esta cada vez que aparece em entrevista na tevê só reclama de subsídios à cultura, e ela cobra exorbitâncias nos ingressos de seus espetáculos. E hoje está rica, graças aos subsídios, patrocínios de estatais etc. e tal). E por incrível que possa parecer, até o Gilberto Braga virou "garoto-propaganda" pelo desarmamento. Ele também está no "sim". A Veja, pelo menos, não é um favor do governo, enquanto a Rede Globo é uma concessão. Afinal, Dines, quem tem interesse no desarmamento do já indefeso povo brasileiro? Quem está por trás dessa maracutaia, já que no site do Viva Rio consta que até organizações internacionais estão financiando o "desarmamento"? Será que é só a Veja que está incluída como "bonopartismo" ou "comprovação de faccionismo"?

Tenho uma revista e, a exemplo da Globo, porém do lado oposto, estou também fazendo campanha explicita em favor do "não". Este é menos nefasto do que o "sim". De que lado está a hipocrisia? A quem interessa toda essa maracutaia, que também foi cometida por Hitler na Alemanha, na Rússia e na China, países que depois do desarmamento praticaram verdadeiras barbáries contra o "ultraindefeso povo".

Desarmamento é proposta para genocídio. O resto (e qualquer contra-argumentação) é a mais pura hipocrisia e o acobertamento de uma desavergonhada maracutaia. Posições em favor das "elites" (empresariais, políticas e da própria imprensa) me fazem cada vez mais indignado. Uma premonição: espere o resultado. Caso vença o "sim", e torço que "não", você poderãá me cobrar em que tudo resultará. Até lá, espero, estarei vivo para lhe cobrar.

Não sou a favor do "não" porque tenho arma de fogo, e nem trabalho, comercialmente, com armas e munições. Sou contra porque aí está mais uma jogada suja, armada contra o povo. Quem viver, verá!

Antonio Gumercindo Taques dos Santos (Ticão) , São Paulo-SP - diretor de vídeos
Enviado em 4/10/2005 às 8:20:18 PM

A pergunta oficial do referendo já é muito mal formulada. Sim, diga não às armas. Não, diga sim às armas. Contradição intrínsica. Onde podemos achar alguma matéria que liste prós e contras? Já saiu em alguma publicação? Um dos pouquíssimos dados que encontrei e que merecem atenção saiu no blog do Noblat. Aproximadamente 60% das armas apreendidas em mãos dos bandidos são armas que foram compradas por cidadãos. Dados do governo garotinho/menininha RJ. Será fato? Faltam informações.

Franklin Gurgel , Natal-RN - empresário
Enviado em 4/10/2005 às 7:58:12 PM
Vamos deixar de demagogia. Existem grandes interesses por trás do referendo, por parte do "nao", a Taurus, e por parte do "sim", a Smith-Wesson, fabricante americana que quer acabar com a concorrência da Taurus lá na terra do Tio Sam, conseqüentemente acabaria com ela aqui no Brasil. Mas, finalmente, o que está sendo discutido é: será que o Estado tem condições de nos dar proteção contra a criminalidade? A resposta é não, então a pergunta deve ser feita assim: você gostaria de receber um bandido em sua casa dizendo que se você não abrir a porta ele vai entrar e matar você porque você não tem uma arma para defender sua família, seu lar? Porque o bandido já vai sabendo que você não tem arma, porque se tiver é crime e pode ser preso.
Arioston Soares Oliveira , Paulo Ramos-MA - bioquímico
Enviado em 4/10/2005 às 7:34:11 PM
Como diz Cazuza: "Brasil, mostra tua cara". É essa a cara do Brasil, basta ler semanários como a Veja, que muito já contribuiu para esclarecimento de alguns fatos escabrosos acontecidos nesta terrinha, mas, desta vez, fica claro o comprometimento com a indústria de armas de fogo, se não diretamente, está servindo de paredão para alguns, que só Deus sabe. Mas o povo brasileiro que sofre diariamente com a violência saberá escapar dessas armadilhas que alguns órgãos da imprensa, como a Veja, estão armando para todos nós. Não somos ignorantes, muitas vezes ludibriados, mas, a sensibilidade e a sabedoria nata vão repor essas idiotices.
Jorge Menelau , Juiz de Fora-MG - engenheiro militar da reserva
Enviado em 4/10/2005 às 7:25:33 PM

Sobre a questão do desarmamento, uma dúvida: quem mata mais, o louco do trânsito das cidades e das estradas abandonadas ou as armas particulares no Brasil? A resposta é óbvia - o trânsito! Nem por isso vão impedir a circulação de veículos automotores pelo país e, asisim, as mortes vâo continuar crescendo, pois motoristas irresponsáveis e estradas péssimas continuarão a fazer vítimas. Imaginem se colocarmos em discussão pelo TSE as estatísticas das mortes decorrentes do trânsito tresloucado e a indagação seguinte: permitir-se-á o aumento (não proibição) da circulação de veículos automotores no Brasil sustando as vendas de carros ao particular? Imaginem a repercussão mundial negativa, pois os interesses esbarram em grandes montadoras multinacionais. Nem pensar, né? Deixem que morram os pobres brasileiros atropelados! Voto não no dia 23 e acho que a pergunta sobre o evento está mal colocada, deveria omitir a palavra proibição, pois ela é indutiva, claramente indutiva. O TRE colocou já no cabeçalho do referendo as intenções do governo e diz: "Sobre a proibição de comercialização de armas no Brasil"! Pura indução e o eleitor dirá (livremente?) sim ou não?

O Estatuto do Desarmamento é bem claro e severo quanto ao uso de armas por particular e bastaria por si só. Será que acham que lei não pega no Brasil? Opino, ainda, que a pergunta veiculada na mídia é proselitista e deveria ser modificada para: "Referendo sobre a comercialização de armas no Brasil"; desta forma seríamos livres para opinar sim ou não!

João Bosco Lima , Salvador-BA - Aposentado
Enviado em 4/10/2005 às 7:19:57 PM
Esta lei só atingirá os homens honestos e só os bandidos e criminosos andarão armados, pois eles não compram armas em lojas. Um missivista me perguntou se não haveria uma referência na Mensagem de Fátima sobre esse polêmico assunto do desarmamento. Referencia direta não há, mas indireta sim. Nossa Senhora de Fátima apareceu e falou aos três pastorinhos que o comunismo espalharia seus erros pelo mundo promovendo guerras e perseguições etc. etc. Alguns regimes totalitários nazi-fascistas ou comunistas antes de se consolidarem no poder desarmaram a população ordeira para que ela ficasse impossibilitada de reagir contra tal regime.
Wagner Rodrigues Augusto , São Paulo-SP - vendedor
Enviado em 4/10/2005 às 7:19:47 PM
E bom lembrar que para fazer esse tipo de referendo é preciso vigorar educação para a população, mas como não temos uma estrutura governamental positiva estamos à beira da calamidade. Simplificando, cidadão, popular, pagador de milhares de tributos, vamos pagar por mais um que é a burrice de não ter direito de se defender da bandidagem.
Eduardo Radovanovic , Maringá-PR - professor
Enviado em 4/10/2005 às 7:17:14 PM
Concordo com você, Dines, num caso como esse uma revista não pode tomar partido tão diretamente como a Veja tomou, deve, sim, fornecer subsídios para que o cidadão tome sua decisão. No entanto, o rolo compressor chamado Rede Globo a favor do desarmamento não deixa outra arma às pessoas que são contra essa teoria, ou seja, a Globo há vários anos vem vendendo essa idéia de que o desarmamento é a panacéia da violência no Brasil, e isto se reflete nos atores que são a favor do sim, e que aparecem como garotos-propaganda da idéia, que são todos da Globo. Como se pode lutar lealmente com idéias quando se tem um concorrente que já está na disputa há vários anos e que nunca deu uma única oportunidade a quem é contra o desarmamento de se expressar? Isso tudo é muito lamentável.
José Maria Leitão , Brasília-DF - médico
Enviado em 4/10/2005 às 7:15:05 PM
Verdadeiramente lamentável que o jornalista Alberto Dines, um nome a se respeitar na imprensa, haja optado pelo proibição do comércio de armas no Brasil. Ele deve ter suas razões, mas devia lembrar-se no que deu a proibição da venda de bebidas (até cerveja!) nos Estados Unidos (a chamada Lei Seca), pelo período de 17 anos. Portanto, na possibilidade da proibição Lula/PT - que se têm revelado ladrões do erário -, vir a ganhar, não será difícil prever o crescimento do contrabando de armas, no momento restrito aos bandidos. Enfim, em que pese meu respeito aos equivocados defensores do sim, votarei não e farei o possível para convencer parentes e amigos a optarem pela negativa.
Joaquim Araújo Cardoso , Itabuna-BA -
Enviado em 4/10/2005 às 7:12:52 PM
Estão falando que a Veja é facciosa, a Veja está mostrando a verdade, se ela é facciosa vocês também são, estão usando um meio de comunicação tão poderoso quanto a Veja. Deus nos ajude que o sim não genhe. Se ganhar terão uma grande surpresa e um grande arrependimento!
Demerval Neri Vasconcelos , Juazeiro do Norte-CE - representante comercial
Enviado em 4/10/2005 às 7:03:35 PM
Dou toda razão à Veja, pois um país que não consegue controlar o tráfico de drogas e o contrabando e tem a polícia inoperante como a nossa, sem condição de oferecer a mínima segurança à população, que defende o desarmarmanto e a entrega de mão beijada aos bandidos no mínimo recebe algum provento do crime organizado, para favorecê-lo. O Rio Grande do Sul é o estado com maior número de armas registradas e o menor índice de mortes por armas de fogo. Vamos ser sérios, a única maneira de diminuir a violência é acabar com a impunidade, isto os políticos não querem.
Paulo Roberto Sobreira de Carvalho , Belo Horizonte-MG - médico
Enviado em 4/10/2005 às 6:54:51 PM
Quero parabenizar Dines pelo artigo, porque a primeira coisa que me veio à mente ao ler a matéria da Veja, além do estômago embrulhado, foi escrever ao OI. Nunca vi uma matéria tão malfeita! É isso que chamam jornalismo? Eu, que como médico já recebi uma criança com a cabeça ensangüentada, achada na própria casa, e surpreendentemente encontrei um orifício da bala, sou favorável à proibição de armas. É facil contra-argumentar, se os bandidos têm armamento pesado, para que revólver? Se em localidades distantes não há polícia, não é melhor não ter armas também? Afinal, alguém pode matar o vizinho e enterrar no quintal; mas o golpe de misericórdia é que a proibição é típica de regimes totalitários! Não é exclusivamente, é de regimes pacifistas também. No afã de ser mais uma vez oposição, acaba sendo panfletária, um lado tablóide que começou no início do ano, pouco antes da crise, quando chamou a prefeita de perua e ressaltou que tinha o direito de chamá-la de perua
Jurandir Trancoso , Curitiba-PR - comerciário
Enviado em 4/10/2005 às 6:52:36 PM
O que me pergunto é: o que está em xeque é o comércio de armas. Alguém é obrigado a comprar? Bandido compra 9mm ou R-15 em loja? O mais estranho é que estes dias eu vi um filme com um destes artistas que apareceram dizendo sim, cujo personagem fumava maconha e portava uma senhora metralhadora. E daí? O próximo plesbicito será para proibir a venda de televisão?
Nathalie Teyssonneyre , São Paulo-SP - supervisora
Enviado em 4/10/2005 às 6:51:56 PM
Não acho que a matéria tenha sido tudo isso. Acho, sim, que alguém deveria se expor e explicar (como fez a Veja) os perigos do desarmamento. Infelizmente, no Brasil de hoje, essa não seria a melhor forma de se controlar a violência. Não tenho e não pretendo ter armas em casa, mas prefiro que bandido nenhum saiba disso... Além disso, num pais onde o índice de analfabetos é enorme, vi pessoas com o terceiro grau completo e uma professora se confundirem com a pergunta que tem sido veiculada no país. Acho que, isso sim, foi feito propositadamente para que as pessoas votem sem saber em que estão votando. Acho, então, que deveriam criticar o governo, e não aqueles que tentam esclarecer.
Leoni Boa Sorte , Salvador-BA - advogado
Enviado em 4/10/2005 às 6:43:23 PM
Por via das dúvidas, seria pertinente que a Polícia Federal vasculhasse as contas da Veja/Abril, seus editores etc., não de agora, e dos fabricantes de armas. Nada demais, apenas para conceder-lhes o atestado de isenção (já que nada vão encontrar, e ninguém vai saber de nada!!!).
José Renato Nogueira , São Paulo-SP - engenheiro
Enviado em 4/10/2005 às 6:30:16 PM
Levando-se em conta que a média do leitor atual não tem capacidade/tempo/saco de parar pra levar o tema a um debate sério guiado pela razão (item raríssimo hoje em dia), até que a Veja pegou leve. Se grande parte da população tem suas decisões guiadas pela mídia, sem qualquer reflexão, o que fazer? Deixar que todos percam pois a nação deve "crescer com os próprios erros"? Tá louco? Chega disso. Já temos Brasília cheia de erros fazendo erros. "Mas parece manipulação", vao dizer! Lógico que é, e do outro lado também é, artistas bonitinhos falando de paz e flores. Quem tem mais alcance e apelo? Fazia tempo que eu não via uma pancada tão forte da imprensa, direta e seca. Se é o papel de um periódico sério fazer uma dessas? Não é o melhor, mas dada a circunstância, é o melhor que pode ser feito. Sem um empurrão, não sai do lugar. Não é hora nem lugar de elegância e estilo.
Ramón A. Portal , Bauru-SP - advogado
Enviado em 4/10/2005 às 6:18:01 PM
"Panfletário" é o OI, em especial o alterado autor desse artigo tão irado contra a Veja! Será assim tão difícil perceber a própria parcialidade? Para quem leu o artigo, não restaram dúvidas... Pois, ainda bem que há alguém pensante neste "Circo Brasil" lutando pelo "NÃO" a mais uma medida totalitarista e diversionista desse governo corrupto a que estamos entregues... Vocês vêm de há muito fazendo panfletagem para esse engodo ridículo do "desarmamento", sem qualquer pejo, várias vezes referindo-se aos que não estão na "curriolinha" petista como "bancada da bala", "armamentistas" e outros insultos velados tentando ridicularizar os que não se conformam com o rolo compressor autoritário do Planalto. Há meses, comentei um artigo do OI, que usava dessa argumentação falaciosa que tem sido marca comum aos partidários do sim, e minha mensagem foi solenemente ignorada. Nem todos são tão estúpidos para não perceber seu óbvio engajamento nessa farsa... Ao menos, assumam claramente seu facciosismo pela obscuridade, que já é implícito, sem ficar com essa máscara mentirosa de isenção jornalística, nula neste órgão "observativo" e tão exigida dos outros. Gostaria de estar errado, mas sei que mais uma vez minha opinião será "deletada". De qualquer modo, só escrevo aqui para cumprir um obrigação de consciência para comigo mesmo.
Celmo Oliveira , Rio Verde-GO - administrador de empresas
Enviado em 4/10/2005 às 6:16:00 PM
Caro Dines, embora contestada pela mídia (sem nenhuma razão, na minha opnião), é exatamente isso que a nota do PT denuncia da imprensa. E por essa razão foi repudiada terminantemente, inclusive pelo Observatório da Imprensa. É exatamente com tamanha irresponsabilidade que a Veja vem se comportanto diante dos fatos políticos do momento. Não informa, opina e procura formar opinião a seu favor e dos seus. Infelizmente, outros meios de comunicação também estão se comportando com a mesma insensatez. Assim sendo, acho totalmente justa e oportuna a nota do PT e da maioria dos internautas que opinam no site do OI.
Michel Peres , Sorocaba-SP - taxista
Enviado em 4/10/2005 às 6:15:32 PM
Você, com certeza, é a favor do sim! Quando critica a Veja pela matéria não é por causa da parcialidade, e sim porque ela vai contra seu pensamento. A Globo colocou todo o seu elenco e suas matérias, também não é um exemplo de imparcialidade? Mas isso não parece incomodar! A política de desarmar o cidadão de bem vai contra a Constituição. Só isso já bastaria para justificar o voto pelo não. Na minha profissão mesmo, eu não ando armado. Mas, os ladrões, por não saberem, evitam uma tentativa de assalto sozinhos. Sempre estão em dupla ou trios. O que facilita um pouco na hora de aceitar uma corrida ou não. Com o desarmamento, poderão assaltar qualquer um sossegados! E não adianta argumentar que a polícia tem que fazer esse trabalho. Vocês vão criar dois mundos: as pessoas de classe média e alta vão se esconder atrás dos seguranças e seus carros blindados. E nós vamos viver a barbárie. Não teremos uma noite de sono tranqüilo e não poderemos sair à rua. É esse o mundo em que você quer viver?
Carlos Braga , São Paulo-SP - analista de sistemas
Enviado em 4/10/2005 às 6:13:05 PM

Não posso comentar pois não li, entretanto, apesar de ainda não estar totalmente decidido a respeito do meu voto, o "não" deve ser a minha opção. Se proibição inibisse alguma coisa ninguém usava drogas e, muito pelo contrário, tudo que foi proibido até hoje recebeu tamanho incremento do valor que o lucro gerado sustenta todo o crime organizado do mundo. A exemplo, a máfia americana se fortaleceu principalmente no tempo da Lei Seca, quando a proibição da venda de bebida gerou um mercado paralelo extremamente lucrativo capaz de sustentar inúmeras grandes organizações criminosas.

Sendo assim, realmente gostaria de que alguém me convencesse de que a proibição da venda de armas ajudará em alguma coisa, ou melhor, que pelo menos não piorará a situação. Diga-se de passagem, não tenho arma de fogo e nem pretendo ter, e desejo com todas as forças que a criminalidade no Brasil acabe. Segundo estes argumentos, também sou a favor da legalização das drogas.

Marcus Belo , Olinda-PE - veterinário
Enviado em 4/10/2005 às 6:08:11 PM
Sei que o assunto é polêmico, mas acho que a reportagem da Veja é bem-vinda, pois o que se vem criando neste país é a cultura das unanimidades. A revista veio exibir uma opinião contrária, num ambiente em que dizer-se a favor do não é pior do que se admitir que há racismo no Brasil. Os partidários do sim querem mais do que impor seu ponto de vista, querem transformar o assunto em tabu. O mais impressionante é que diante de argumentos razoáveis a revista conseguiu foi despertar uma reação raivosa e meramente emocional no escritor deste libelo.
Orlando Souza , Nova Iguaçu-RJ - advogado
Enviado em 4/10/2005 às 6:00:16 PM
A coragem da Veja incomoda muita gente. Tudo neste país é manobra e manipulação tendenciosa. A imprensa não está isenta. Participa, por ação ou omissão. Referendo sobre reforma política - voto distrital, fidelidade partidária etc. - não preocupa grande parte da imprensa. Se é para acabar com a violência de verdade, o referendo deveria incluir o fabrico e o comércio de bebidas alcoólicas, instrumentos perfurocortantes e contudentes, porretes, veneno de rato, novelas da Globo etc. etc. Fuzil banhado a ouro e granadas não se compram em lojas de armas. Vamos deixar a hipocrisia de lado.
Carmen Hernandez , São Paulo-SP - assistente jurídica
Enviado em 4/10/2005 às 5:59:38 PM
Curioso como Alberto Dines clama por uma posição do governo e dos políticos e critica a revista por tomar uma posição (declarada e não-velada). A questão do desarmamento vai muito além da questão da segurança de uma população. Qual a intenção em se optar por uma proibição total, em vez de optar pelo uso legal de armas de fogo? A quem queremos fragilizar? Será que é ao bandido? Acredito que não.
Henrique Gonçalves Sanches , São Paulo-SP - advogado
Enviado em 4/10/2005 às 5:58:42 PM

Sou leitor da revista Veja e tenho notado que, ultimamente, este meio de comunicação está se mostrando extremamente tendencioso para certos interesses. A matéria estampada na capa da última edição chegou ao absurdo. Como um dos meios de comunicação mais importantes deste país, que por sinal forma opinião, seria quase que uma obrigação fazer constar na próxima edição os 7 motivos para dizer "sim" à proibição do comércio de armas e munições, mesmo que essa não seja a sua orientação.

Arnaldo Mansur Jorge , Vitória-ES - comerciante
Enviado em 4/10/2005 às 5:56:49 PM
É, Sr. Dines, eu tenho lá minhas reservas com relação à Veja, mas no quesito desarmamento, levando-se em consideração a situação atual da segurança pública do Brasil, tantas vezes discutida e mal resolvida, eu fico desta vez com o não, porque de hipocrisia eu já ando no limite.
Eduardo Mammini , São Paulo-SP - administrador de empresas
Enviado em 4/10/2005 às 5:53:50 PM
Tão faccioso quanto a matéria, faltam-lhe argumentos, pois acredito que a revista disse a verdade: estão querendo tirar um direito do cidadão, e não protegê-lo. Além de se esquecer de que proibir a venda de armas não quer dizer desarmar a criminalidade, assunto que os partidários do "sim" se recusam a comentar. É mais fácil argumentar que vai eliminar a violencia doméstica.
Gleydson Lopes , Belo Horizonte-MG - advogado
Enviado em 4/10/2005 às 5:53:10 PM
Respeito o direito de expressão de todos. Entretanto, parece-me que a frente que defende o sim está bem escorada ao governo, pois pelo que sei é quem está financiando os artistas globais para a edição da propaganda. Além disso, é preciso dizer que a Globo tomou a si a bandeira do sim, e de forma desleal tenta incuti-la na cabeça das pessoas. Podia ser feita uma matéria neste espaço sobre a defesa da Globo em favor do sim, ou mesmo, quem está financiando a citada propaganda. Acho que muitos gostariam de saber...
Leandro Vilas , Belo Horizonte-MG - advogado
Enviado em 4/10/2005 às 5:41:34 PM
E a "trip" é de uma isenção angelical... Agora entendi o parâmetro de bom jornalismo de Dines e do OI: tem que coincidir com sua visão de mundo. Do contrário, é facciosimo ou é manipulação do direito de informação submetido a interesses privados. Aliás, pessoalmente, acho melhor a Veja à Época - a primeira escancara sua opinião e a justifica; a segunda promete uma reflexão e faz proselitismo (aliás, há bastante tempo e sem o mínimo suporte fático - conferir). Ainda bem que vivemos numa economia de mercado e podemos comprar todas as três revistas.
Ernani Adriano de Almeida Camargo , Cuiabá-Mt - advogado
Enviado em 4/10/2005 às 5:40:33 PM

Ninguém, relativamente bem-informado, ciente e cioso dos seus deveres, pode ser favorável à proibição das armas. O cidadão deve ter o direito, em última instância, de defender seu país de agressões externas e dos sistemas ditatoriais. A respeito de um possível desarmamento, Augusto Zimmermann, professor de Direito Constitucional, afirma:

"Como consequência, o cidadão honrado ficará absolutamente à mercê de criminosos comuns e do próprio Estado, quando este se transformar em instrumento de tirania e opressão." (in Curso de Direito Constitucional, pág. 638, ed. Lumen Juris.)

E prossegue:

"Ademais, como é sabido que o criminoso é comumente chamado de fora-da-lei, exatamente por não respeitá-la, nós ousaríamos afirmar que tais medidas podem até mesmo agravar a escalada de violência, porque incentivam criminosos a atacarem cidadãos indefesos."

Ou seja, a proposta de desarmamento é própria de pessoas totalmente desinformadas sobre a realidade. Acidentes com armas poderão ser evitados, sim, mas então é melhor proibir também o tráfego de automóveis, pois eles matam muito mais em acidentes e até propositadamente do que as armas de fogo...

Marcelo Sampaio , Florianópolis-SC - universitário
Enviado em 4/10/2005 às 5:40:02 PM

Acredito na opinião do autor, porém, este plebicito é apenas uma forma de se disfarçar uma inconstituionalidade, já que se todos confimarem o sim a maioria dos brasileiros perderá o direito a comprar e portar arma, pois a Lei do Desarmamento permite que grande parte de profissionais continuará com o direito a ter e portar armas, e esta grande maioria vai manter as lojas de armas e fábricas de armas e munições em funcionamento por muito tempo, garantindo que continuem em produção e sendo roubadas ou vendidas a bandidos ou ao cidadão comum.

O referendo é uma piada, só fala do direito do cidadão honesto, já que o bandido pouco se importa com leis e direitos.

Donato Andrade Junior , Santaluz-BA - farmacêutico
Enviado em 4/10/2005 às 5:38:29 PM
Sou assinante da Veja há vários anos e ultimamente (?) não tenho nem lido as edições, de tão chatas e tendenciosas que estão. Chega a ser hilário. Lamentável.
Álan Dias , Porto Alegre-RS - administrador
Enviado em 4/10/2005 às 5:34:06 PM
O texto singelo, escrito por Alberto Dines, não faz nada exceto ludibriar a matéria da Veja, em vez de manifestar opinião sobre esta idéia burlesca de desarmar as pessoas de bem.
Jose Roberto Seixas , Santos-SP - comerciante
Enviado em 4/10/2005 às 5:33:51 PM
Caro Alberto, se o nosso país fosse sério eu concordaria plenamente com você, só que você se esqueceu de que o povo vive abandonado - o que chama de eclipse do governo. Então, não nos resta outra alternativa à do não. Vou votar pelo não, mas não vou comprar arma, pois não vejo necessidade. Agora, o quadro de insegurança que vai se apresentar com o desarmamento fica muito dificil.
Leonardo Santos , Porto Alegre-RS - engenheiro
Enviado em 4/10/2005 às 5:33:12 PM
Se a Veja está sendo facciosa, o que pode ser dito sobre a Rede Globo, que além de veicular propagandas do sim a cada 5 minutos ainda pressiona seus funcionários a não participarem da campanha pelo não?
Cecilia Monaco , São Paulo-SP - comerciante
Enviado em 4/10/2005 às 5:21:59 PM
Perfeita a observação. Como uma matéria pode mostrar somente um lado do problema? Eu voto não, apesar de achar muito perigoso estar desse lado, mas pelo simples fato de não estar do lado de proibições - a que sempre fui contra na vida. A educação sempre foi o melhor caminho, para cada um poder fazer sua escolha mais acertada de ter ou nao uma arma. Deixo bem claro que eu nunca teria. Se fosse seguida a lei, poucos teriam e saberiam quando e como usar.
Dermeval Vianna , Assis Chateaubriand-PR - advogado
Enviado em 4/10/2005 às 5:16:23 PM
Apesar de discordar dos padrões éticos da revista Veja, sou contra a aprovação, por referendo, ao artigo 35 do Estatuto do Desarmamento, que proíbe o comércio de armas no Brasil. A proposta política com vista a combater a violência muito se assemelha à solução encontrada pelo marido traído pela mulher, no sofá da sala. A culpa era do sofá. A solução imaginada foi retirá-lo da casa... Caso aprovem o desarmamento, como fica o direito de autodefesa, inserido na categoria de cláusula pétrea pelo artigo 5º, inc.X, da CF/88? Caso aprovem o desarmamento, como o Estado vai assegurar com efetividade a segurança individual das pessoas antes citadas? São questões que não querem calar, e a sociedade civil, o chamado Terceiro Setor, se recusa a encarar...
Alex Ferraz , Salvador-BA -
Enviado em 4/10/2005 às 5:14:19 PM
Faccioso é não ver a urgência de se dizer não com todas as letras ao desarmamento. Não há o que se discutir, até porque todos os números, de organizações respeitáveis e grandes pesquisas de grandes jornais, mostram que o número de armas domésticas em mãos de cidadãos de bem nunca foi responsável pelos altos índices de violência. Facciosismo é não alertar, alto e bom som, que o desarmamento da população é uma política americana para toda a América Latina.
Marco Antonio Melo , São Paulo-SP - economista
Enviado em 4/10/2005 às 5:10:13 PM
Poucas vezes tive oportunidade de elogiar um orgão de imprensa, como esta que estou tendo agora. Não sei o porquê de alguns grupos estarem indignados com esta semanal revista que, como todos, tem o direito de expressar sua livre opinião. Afinal, o referendo é exatamente para isto, e a Veja está contribuindo para que a grande maioria não seja enganada pela formulação da pergunta. É que os críticos brasileiros não estão acostumados a orgãos de comunicação tomando decisões corajosas de cara aberta sem medo de se expressar, mesmo contrariando interesses. Gostaria que fosse este o início de uma imprensa realmente independente com compromissos apenas com seus eleitores e o começo do fim dos gigantes da comunicação, que só vivem de acertos com o poder.
Ari Consolo Ferreira , Campinas-SP - aposentado
Enviado em 4/10/2005 às 5:08:10 PM
É lamentável essa matéria da revista. Aliás, a revista está se tornando um tablóide e, na minha opinião, de credibilidade questionável.
Affonso Fernandes , Rio de Janeiro.-RJ - sociológo
Enviado em 4/10/2005 às 5:07:01 PM

Considero que a Veja prestou grande serviço de informação à sociedade brasileira, uma vez que a proibição do comércio de armas/munições em nada inibirá com que estas estejam em mãos de elementos do crime organizado. Apenas reforçará o chamado "mercado negro". O crime organizado não adquire armas dentro das normas legais, ou seja, não adquire em estabelecimentos comerciais, atendendo aos pré-requisitos necessários para obter a arma, então, que não fará diferença alguma com o "SIM" ganhando. O que vai acontecer é o cidadão de bem tornar-se ainda mais refém destes criminosos, trunfo desta campanha equivocada que tem gastado muito dinheiro, superando os investimentos em segurança pública, desviando a atenção para o real problema da insegurança no país. Outro detalhe: Tal proibição fere o Artigo 5º da Constituição Federal, em que assegura ao cidadão o direito de ir e vir, além da norma moral do livre-arbítrio.

Se as pesquisas forem detalhar as razões de porcentagens tão altas nos índices de homicídios por armas de fogo, certamente irão constatar que muitos são pessoas que possuem o porte legal para o exercício de sua função, como vigilantes, policiais e até, como em caso recente muito noticiado, magistrados. O cidadão de bem não compra a arma com o propósito de matar, mas o de se proteger.

Celia Almeida , Salvador-BA -
Enviado em 4/10/2005 às 5:06:25 PM
Não li a revista Veja e não posso opinar sobre a parcialidade da matéria ou da linha editorial adotada por esse veículo. Mas, sobre o assunto, gostaria que o jornalista Alberto Dines comentasse o "Sim" da Rede Globo de TV, com seus astros e estrelas. Não sei se é porque eles vivem em condomínios de luxo, ou se é porque vivem cercados de seguranças, ou têm receio de não obedecer e serem despedidos.
Nicole Freitas , São Paulo-SP - empresária
Enviado em 4/10/2005 às 5:03:06 PM
Estamos em 2005, não acho errada a posição da Veja neste assunto; se for assim, mande calar a boca dos artistas a favor do desarmamento. E, claro, andam de carros blindados, enquanto a maioria da população sofre com o descaso e a incompetência dos políticos.
Ayrton Lamellas , Recife-PE - piloto
Enviado em 4/10/2005 às 5:01:20 PM
A sua matéria também registra como opção o sim para aqueles que não têm discernimento. Respeitosamente.
Jorge Costa , Rio de Janeiro-RJ - farmacêutico
Enviado em 4/10/2005 às 4:57:11 PM
Pode ser que a reportagem seja facciosa, porém ela retrata a realidade. O governo quer acobertar sua incapacidade de fazer segurança pública e inventa este plebiscito que é muito mais faccioso, pois está bancando vários artistas para dizer "sim". É uma completa mentira o que está hoje no Globo, de que 61% das armas apreendidas com os bandidos eram de cidadãos sem crime. A não ser que a população do Rio de Janeiro seja toda analfabeta e não consiga ler os jornais diariamente. As armas que, de vez em quando, a polícia consegue apreender com os bandidos são, em sua maioria, escopetas, fuzis e metralhadoras, as quais as lojas de armamentos não vendem a cidadãos. Eu não tenho qualquer tipo de arma, nunca dei sequer um tiro, mas não aceito que tirem o direito de quem quiser ter uma arma na sua casa para se defender.
José Tako , São Paulo-SP - empresário
Enviado em 4/10/2005 às 4:53:42 PM
Ao ler a matéria da Veja não me senti como o autor. No reino da omissão, do encimadomurismo, como o próprio autor descreve, a revista Veja expõe de forma clara e objetiva sua opinião. A decisão continua sendo do eleitor. Sou contra as armas, mas não abro mão do meu direito de defesa. Boa sorte.
Caio Carvalhal , Rio de Janeiro-RJ - administrador de imprensa
Enviado em 4/10/2005 às 4:52:03 PM

Aguardei ansiosamente a edição desta terça do OI justamente porque queria a opinião a respeito da polêmica capa da Veja. Tudo que ouvi a respeito foram críticas ferozes ao partidarismo da revista (tenho um amigo inclusive que ligou imediatamente cancelando a assinatura).

Acho essas opinioes, entre elas a do OI, bastante prematuras, me parece muito óbvio que semana que vem o semanário fará a capa oposta, ou seja, "Sete motivos para o sim", e assim se tornara o único veiculo de grande circulação a se posicionar efetivamente imparcial, e respeitar a profundidade do tema sem apresentar soluções mágicas. Em geral, (bem) mais desgosto do que gosto da Veja, mas acho que agora eles acertaram em cheio!

Fernando Barretto , São Paulo-SP -
Enviado em 4/10/2005 às 4:46:15 PM

Antes de mais nada, mas de fundamental importância aos meus comentários: eu não tenho armas de fogo, nunca tive e não pretendo ter. A única classificação para quem resolve as coisas pelas vias de fato é a de criminoso. Posto isto, vamos lá: não se trata de facciosismo. Qual seria seu posicionamento se a Veja tivesse publicado "Sete razões para votar sim"? De fato, com este referendo, houve uma mudança de foco da situação segurança e criminalidade. Os dois lados estão fazendo desinformação mas, sem dúvida, é bonitinho, é politicamente correto, fica bem dizer que vota "sim".

O que um artista de televisão sabe mais de sociologia, de democracia, de política, de economia etc. do que eu ? A maior parte sabe muito menos, de fato são incultos na grande maioria dos temas sociais que defendem ou que são pagos para defender. A escolaridade da maioria dos artistas é muito baixa. Mas é "bacana" aparecer na mídia de "bonzinho" defendendo o desarmamento. Volto a dizer, ninguéem tem que andar armado, ninguem tem que ter armas, mas o que está havendo é uma mudança de foco.

O que é importante para a sociedade não está sendo discutido, o governo não está vindo referendar junto aos eleitores suas ações executivas ou legislativas. Por exemplo, que tal discutirmos o modelo político, quantos representantes por estado, forma de representação, fontes e forma de campanhas, escolaridade dos candidatos, vida pregressa dos candidatos, remuneração etc.? Ou que tal referendarmos a "transposição do Rio São Francisco"? Bilhões vão ser gastos e, tecnicamente, posso discutir com qualquer um desses governistas a viabilidade deste projeto.

Mas vamos que vamos, "se vai dar certo não tem a menor importância, o que interessa é que bilhões vão ser gastos e isto significa uma boquinha", é assim que pensam os políticos. Aliás, que bocão, será que teremos mais valerioduto, delubioduto, malufioduto? A reforma da educação, se é que isto pode ser chamado de reforma, está sendo empurrada goela abaixo da população, ninguem veio me perguntar se eu concordo.

O tráfico, as guerras de quadrilhas, os arrastões estão correndo solto e o governo não veio me perguntar quais ações são adequadas para estancar o problema. Outro aspecto é a patrulha ideológica: já que é assim, não precisa gastar esta dinheirama com este referendo e já se proíbe a comercialização. A grande pergunta é: "A quem interessa este referendo neste momento"?

Evilásio Santos de Souza , Rio de Janeiro-RJ - autônomo
Enviado em 4/10/2005 às 4:44:47 PM
É evidente que órgãos de imprensa deveriam se abster de orientar a opinião pública de uma forma mais contudente. A opinião dos eleitores a respeito do desarmamento é norteada de muitas dúvidas, e perguntas feitas às autoridades continuam sem respostas. O governo saiu da questão, deixando a propaganda do referendo a várias ONGs de tendências políticas das mais diversas origens e correntes que nada mais fazem do que divulgar que o eleitor deve ser a favor do desarmamento. Mas não indica a solução.
José Carlos Felix , Bauru-SP - motorista
Enviado em 4/10/2005 às 4:42:09 PM
O Brasil saiu da ditadura militar para a ditadura do crime organizado, do tráfico de drogas e da incompetência política. Os homens públicos, em vez de dar mais segurança à população, estão tirando o pouco de defesa que nos resta. Por mim, eu liberava tudo. E sem essa de voto obrigatório.
Otávio Ferreira , Belém-PA - médico
Enviado em 4/10/2005 às 4:37:56 PM

Foi com muita alegria que vi a última edição da revista Veja, uma vela acesa num mar de escuridão. Matéria clara e objetiva. O senhor, qual é sua opinião?

Sérgio Maidana , Campo Grande-MS - advogado
Enviado em 4/10/2005 às 4:36:15 PM
Você não acha que criticando a Veja está sendo radical? A Época fez matéria dissimulada com "os prós" e os "contras" da venda de arma, depois deu "sua conclusão" (ou seja, a revista é a dona da verdade). Isso também é jornalismo panfletário e de baixo nível. Acho que Alberto Dines tem opinião formada e está tentando "dissimuladamente" tratar as pessoas como bobas. Tenha dó...
Jefferson Lima , São Paulo-SP - advogado
Enviado em 4/10/2005 às 4:35:42 PM
Não entendi a crítica tão veemente à matéria da Veja, pelo menos a revista dá alguma posição (e a correta) sobre o referendo, em que ninguém está tomando partido. O Estatuto do Desarmamento coloca uma série de dificuldades para um civil comprar uma arma. Agora, para que um referendo que tira do cidadão que se encaixa no perfil de comprar uma arma legalmente o direito de fazê-lo, se há tanta coisa mais importante a ser discutida?Estou do lado da Veja.
Jacob Salzstein , São Paulo-SP - advogado
Enviado em 4/10/2005 às 4:34:07 PM
A equação é simples: a polícia, quando existe, é inepta, quando não corrupta; o cidadão de bem vive atrás de grades domésticas, amedrontado, apavorado, cercado pela bandidagem; a bandidagem, sim, é que deveria estar atrás de grades - da cadeia, não de seu lar. Diante desse desolador panorama, qual a solução? Desarmar o honesto e não fazê-lo (por pura covardia) com o bandido, está certo isso? Se querem desarmar, tudo bem: incluam a bandidagem também, caso contrário, será o caos!
Wagner Baptista , -SP - bancário
Enviado em 4/10/2005 às 4:24:08 PM
Uma coisa no texto me causa mais espanto do que o resto: se a Veja atua como rolo compressor e presta um desserviço à população, como classificar a Globo? Ou esta última é a detentora da verdade? Não li qualquer comentário da parte do Sr. Dines com relação à citada emissora ou a sua legião de contratados "bem-intencionados". Por quê?
Carlos Hiro , São Paulo-SP - engenheiro
Enviado em 4/10/2005 às 4:23:47 PM
Tendenciosa ao extremo, nem ao menos deu o direito à comparação, isso é jornalismo? Assinante há mais de 10 anos, senti repúdio muito grande. Ainda li toda a matéria e tinha a esperança de que em algum cantinho estivesse escrito: "Na próxima edição, os 7 motivos para dizer sim ao desarmamento". Sempre achei a revista ótima, mas, com muita propaganda. Não precisava mais uma.
Marco Antônio Leite da Costa , São Luís-SP - técnico industrial
Enviado em 4/10/2005 às 4:23:09 PM
Tanto o sim como o não são opções mentirosas, às quais não condizem com a realidade de um país desorganizado e com políticos de pouca credibilidade, ou sem nenhum escrúpulo para conduzir o destino de uma nação continental. Esse referendo tem por objetivo desviar a atenção e o pensamento da população carente dos reais problemas que nos afetam.
Francisco Sanchez , Saão Paulo-SP - empresário/engenheiro
Enviado em 4/10/2005 às 4:20:18 PM
Sr. Dines, não acredita estar na hora de se discutir a posição da mídia no Brasil, seus direitos e obrigações, sua verdades e seus erros, seus interesses, sua obrigações sociais etc., para seu próprio bem e muito mais para o nosso? Como isso poderia ser feito sem que o "poder" não se colocasse como vítima de um movimento intimidatório para calar a "imprensa democrática"? Como acabar com as mazelas existentes, as notícias plantadas e como fazer para que tenhamos o contraditório na mídia? Como nós podemos nos expressar e ser ouvidos? Quando poderei ler dois jornais?
Paulo Bandarra , Porto Alegre-SP - médico
Enviado em 4/10/2005 às 4:16:18 PM

Só existe uma coisa para enfrentar a ação da Veja, que desgostou os partidários da proibição de cidadãos exercerem o seu direito de defesa: a liberdade da imprensa. Assim como existem aqueles favoráveis a uma tese, existem outros favoráveis à tese contrária. Não existe uma unidade de comando na imprensa para que uma ou outra posição seja determinada. E a informação será a média das opiniões que permeiam a sociedade. Não vou defender o meu voto, mas acho que o referendo é tendencioso e manipulador. Não se questiona muita coisa por este meio. Nem mesmo a aprovação da Constituição Federal foi dada ao povo a decidir, assim como se decidiu sem consultar o povo sobre a cláusula pétrea contra a pena de morte e a prisão perpétua. Mesmo contra a liberdade após cumprido um sexto da pena, porque já se sabe de antemão que o que os deputados visaram proteger seria rejeitado pela população.

Aborto livre também não é algo que os defensores se proporiam a submeter ao eleitorado cristão que se posicionaria contrariamente. A mídia, como formadora de opinião, deveria ter sido liberada pelo TSE para participar da informação e desta parte de construir um resultado bem-informado e consciente. Não existe vencedor neste referendo, pois qualquer das teses que for vencedora não beneficia ninguém em particular. Não há um partido a ganhar. Assim, não tem sentido a imprensa ter sido proibida de participar. Vai se chegar ao dia 23 de outubro com a enorme maioria do eleitorado precariamente convicto!

Amauri Valle , Machadinho do Oeste-RO - economista
Enviado em 4/10/2005 às 4:15:09 PM
A Veja cumpriu seu papel jornalístico. Está certa de tomar partido do não, uma vez que não foram suficientemente explicadas ao povo as "razões" do tal desarmamento. Certamente que o motivo nada tem a ver com a segurança do cidadão. Ou algum brasileiro de sã conciência acha realmente que vai estar mais seguro só porque é probida a venda de armas?
Luis Augusto Orleans , Rio de Janeiro-SP - médico
Enviado em 4/10/2005 às 4:13:35 PM
Dines, o que que é isso? E a Globo, que já antes mesmo do início da campanha fazia, como ainda faz, propaganda do "sim"? Do "sim" pode? Escreva algo contra O Globo também! A propósito, onde no Rio se compram armas e munições legalmente? Eu não conheço. Dizem que na Baixada tem - mas quantas? Onde ficam? Quanto custam? Conheço toda a Zona Sul e não vejo nenhum anúncio de armas. Acho este referendo ridículo.
Paulo Esteves , São Paulo-SP -
Enviado em 4/10/2005 às 4:10:40 PM
A Veja tem toda a liberdade de defender seu ponto de vista pelo "não", assim como a Globo tem o direito de defender o "sim". Quem ganhar ganhou, mas as conseqüências desse referendo serão sentidas por todos. A classe pobre que não tem dinheiro para comprar uma arma legal vai votar em peso para a proibição, enquando a classe média para cima vai votar contra a proibição. Em resumo, será o primeiro embate da luta efetiva de classes que deverá ser aquecida a partir desse referendo.
Manoel Machado , São Paulo-SP - técnico
Enviado em 4/10/2005 às 4:10:37 PM
É fútil a argumentação de que sem armas a violência acaba. O que diminui a violência é a educação do povo, aliada à existência de empregos. O poder paralelo do narcotráfico existe devido ao uso de armas, claro, mas também pela ausência do Estado, que não supre a população. A equação é simples: "ausência do estado + falta da educação do povo + falta de empregos = violência crescente. Temos que ter o direito de querer ou não a posse de uma arma. A propósito, depois de assitirmos aos filmes de artes marciais da TV, não poderemos ter nem facas, garfos, alfinetes, colheres e outras armas letais.
Edde Cardoso , São Paulo-SP - publicitário
Enviado em 4/10/2005 às 4:03:47 PM
Caro Alberto, talvez a máscara tenha caído... um pouco. A Veja, da Editora Abril, da família Civitta, sempre vai defender seus clientes. Quem anuncia e mantém a Veja? Os fabricantes de armas ou o povão? A mesma coisa acontece com o MST. Os famintos invadem uma fazenda (sempre propriedade de um poderoso anunciante da Veja, da Globo, do UOL...) e as notícias são publicadas assim, à revelia, com microfones voltados aos capangas. Então, quem os veículos de comunicação defendem? Quer saber mais? Imprensa livre é imprensa sem publicidade. Mas isso parece ser uma utopia.
Airton Coppini , Porto Alegre-RS - militar
Enviado em 4/10/2005 às 3:59:22 PM
Provavelmente seja o Sr. Alberto Dines mais um da turma dos atores da Globo, que moram em condomínios fechados, andam em carros blindados e quando caminham na rua seguem sempre acompanhados por seguranças muito bem-armados. Assim é fácil falar em desarmamento. Parabéns à revista Veja, que assumiu o lado certo e mantém postura independente.
Eder Luiz , Piracaia-SP - webmaster
Enviado em 4/10/2005 às 3:56:04 PM
Matéria prepotente e precipitada. Ridícula, com todo o respeito!
Joni Wasiluk , Curitiba-PR - corretor
Enviado em 4/10/2005 às 3:55:01 PM
Que a revista Veja é tendenciosa, todo mundo já sabia, mas agora ela passou dos limites; teremos que engolir mais uma vez matéria paga e tendenciosa? Chega ser insuportável.
Wagner Guimarães , Rio de Janeiro-RJ - professor
Enviado em 4/10/2005 às 3:36:44 PM

Gostaria de deixar registrado meu repúdio, como cidadão de um país democrático, em relação à tomada de postura da revista Veja, que mistura editorial com matéria investigativa ao tratar das armas de fogo e do Referendo do Desarmamento, inclusive distorcendo informações. Já na capa, a revista, velha conhecida por sua parcialidade, traz charge que ridiculariza os grupos da sociedade civil que pregam a paz no Brasil: um jovem faz o símbolo da paz com as mãos enquanto é cercado por dezenas de armas de fogo. Aquele jovem, humilhado e inseguro, me faz lembrar ícones da paz no mundo, como Ghandi, Martin Luther King e Stephen Biko, que, com coragem e força de espírito, lutaram contra a violência usando a resistência pacífica e foram vitoriosos.

Sabe-se que todos eles foram destroçados pela violência que combateram; no entanto, sua militância salvou muitas outras vidas e deixou um exemplo de paz para a humanidade. Embora a revista tenha o direito de assumir postura favorável a um dos lados da questão, o dever da imprensa é informar, esclarecer, sanar dúvidas, ou seja, preparar o cidadão para tomar decisões conscientes, em vez de manipulá-lo com informações tendenciosas e, em alguns casos, sem sequer citar a fonte.

Parece que, nesse caso, a liberdade de imprensa ultrapassou os muros da liberdade individual de cada brasileiro, violentando a democracia, da qual este referendo é um exemplo claro, visto que o parlamento brasileiro submete uma decisão de interesse de toda a sociedade a uma indagação popular. Espero que a consciência dos brasileiros, auxiliada por meios de comunicação sérios e imparciais, oriente a sua decisão no dia 23 de outubro. Afinal, seja ela qual for, num ponto todos concordamos: todos queremos paz.

Luiz Laghi , Getúlio Vargas-RS - cirurgião-dentista
Enviado em 4/10/2005 às 3:19:56 PM
Em nenhum momento, eu, que li a matéria, senti-me cooptado pelo conteúdo, e tampouco senti-me ofendido por ser deliberadamente imparcial. Acho importante que a revista tenha se posicionado claramente. Jogo limpo talvez seja o diferencial das grandes publicações. Além do mais, quem se baseia apenas no conteúdo de uma reportagem para decidir o voto num refendo ou, até mesmo, numa eleição, não estará contribuindo em nada com a democracia. Quem lê a Veja, e é contra, é porque já tem argumentos que foram encontrados em outras publicacações e entrevistas, em conversas e debates. De oportuno, absurdo mesmo é decidir sobre desarmamento ou não em dispendioso referendo, se temos deputados e senadores que deveriam fazê-lo por nós.
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