ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 353 - 24/11/2009
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PT E O OURO DE HAVANA
Veja decidiu apostar no desatino

Por Alberto Dines em 31/10/2005

Desta vez, atenderam às exigências formais e os cuidados mínimos da cartilha jornalística. A denúncia sobre o envio de 3 milhões de dólares de Cuba para a campanha presidencial do PT (Veja, nº 1929, de 2/11/500, págs. 46-53; na capa, "Os dólares de Cuba para a campanha de Lula" e no título do texto principal, "Campanha de Lula recebeu dinheiro de Cuba") procurou evitar os erros das "bombas" anteriores: não opinou nem panfletou, não escondeu as fontes, gravou suas entrevistas abertamente, indicou onde e como se realizaram, completou-as com informações suplementares e ainda fez reparos às contradições embutidas na própria reportagem. Até aí tudo bem.

O que há de errado com a nova matéria arrasa-quarteirão de Veja?

O resto: a denúncia pressupõe um gigantesco, incomensurável, grau de estupidez nas duas pontas da operação: o governo cubano e a direção do PT. Difícil acreditar que políticos experientes aqui e no Caribe tenham embarcado numa aventura tão primária.

Nenhum político minimamente responsável arriscaria o futuro do seu partido com uma operação tão perigosa e insensata. Nem mesmo Roberto Jefferson ou Waldemar da Costa Neto.

Fidel Castro já cometeu erros crassos, a direção do PT já cometeu erros imperdoáveis, mas é impensável que juntos tenham planejado tamanho disparate e tão grande desatino. Há limites para a estultice. É isto que torna inacreditável a denúncia de Veja.

Tiro no escuro

Esta inverossimilhança nuclear estancou o curso da velha bola de neve. Houve um certo frisson na mídia eletrônica no sábado [29/10] à noite e no domingo. O Estado de S.Paulo foi o único a animar-se com a perspectiva de barulho e lascou uma manchete de primeira página no domingo com o material de Veja. O Globo estava entusiasmado com a façanha da polícia fluminense ao liquidar o facínora Bem-Te-Vi e a Folha, empolgada com os programas sociais do governo federal. Não deram muita bola.

Não houve munição para um berreiro petista contra a "conspiração da mídia" nem para repetir os chavões de Hugo Chávez contra a "mídia reacionária". Veja ficará na liça apanhando sozinha até o próximo sábado ou, na melhor das hipóteses, até sexta à tarde, quando as principais redações já conhecerão o conteúdo da próxima edição. Se no sábado não aparecer algo pelo menos consistente para oferecer como prova, a revista corre o risco de ficar pendurada na brocha.

Aqui reside a segunda falha deste tipo de "reportagem-suicida" – quem detona o petardo muitas vezes vai para o ar sozinho. A matéria foi construída em torno de declarações de pessoas (Rogério Buratti e Vladimir Poleto) às voltas com a Justiça, ex-auxiliares do ex-prefeito de Ribeirão Preto Antonio Palocci, na ocasião o coordenador da campanha de Lula. A figura-chave de ambos os depoimentos é Ralf Barquete, já falecido.

Se Veja não produzir nenhum trunfo no próximo fim de semana, o prosseguimento da denúncia deverá dar-se no âmbito de uma das CPIs, provavelmente a dos Bingos. Significa que, apesar das cautelas, Veja deu um tiro no escuro. Confiou na temperatura política, certo de que ela seria capaz de comandar os desdobramentos. Entregou-se ao imponderável. Nesses casos, o jornalismo sai de cena e entra o esoterismo.

 

Recordar é viver

Pauteiros, estudantes de História e jornalistas curiosos podem encontrar no "Segundo Caderno" do Globo, na seção "Há 50 anos" (pág.7), uma excelente ferramenta para referências históricas.

No dia 12 de outubro de 1955, O Globo noticiava: "Jânio confirma que Juscelino pagou oito milhões pelo apoio comunista".

Em 26/10/1955: "Exaltado pela imprensa russa o apoio dos comunistas a Juscelino e Jango!".

Em 28/10/1955, título forte: "Transformado o Maranhão em paraíso da fraude eleitoral".

E em 29/11/1955, a manchetinha fornecida por Octávio Mangabeira, expoente da UDN: "Não pode ser solucionada, a crise, dentro do curso normal das coisas".

Naquele ano, agosto não foi o mês dos traumas. Foi novembro. (A.D.)

Comentários (58)
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Paulo Bandarra , Porto Alegre-RS - médico
Enviado em 7/11/2005 às 9:37:51 AM
A verdade é que estas denúncias só vão ser investigadas, até mesmo por jornalistas de outros órgãos de imprensa, porque vieram a público. Considerar a priori absurdo, a julgar pelas coisas muito piores que fizeram no governo, criando o valerioduto, é temerário. Mas se for infundado mesmo, ficará apenas como as inúmeras acusações contra José Sarney, Fernando Collor e FHC!
Larissa Linder , Florianópolis-SC - estudante de Jornalismo
Enviado em 7/11/2005 às 12:44:18 AM
Sim, a reportagem da Veja parece um tiro no escuro, e sim, seria uma estupidez incomensurável, um erro absolutamente primário cometer um crime como o que foi descrito pela Veja. Todavia, paremos pra pensar: o que faz alguém pegar um avião particular em São Paulo, voar até Brasília pra pegar três caixas de bebidas e voltar a São Paulo? Obviamente, tal fato deve ser questionado, mas na Veja seguinte há reportagm com o piloto do tal avião, que confirma o episódio. E agora?
Eduardo Guimarães , São Paulo-SP - comerciante
Enviado em 7/11/2005 às 12:03:54 AM
Sinceramente, lendo a manifestação do advogado Emil Reginaldo Geiss ("Mundo de maluquices") começo a pensar que talvez seja necessário desenhar uma explicação para essas pessoas que têm criticado o artigo de Alberto Dines porque crêem que ele está se opondo à Veja ter publicado a reportagem sobre as "acusações" de Rogério Buratti e Vladimir Poleto de que o PT teria recebido milhões de Cuba. Dines não critica a publicação da "denúncia" e sim a Veja ter afirmado, no título da matéria, que o ilícito ocorreu, em lugar de apresentar a denúncia sem provas exatamente como o que ela é, uma denúncia sem provas. Eta turma difícil de entender as coisas!
Armando Curado , Rio de Janeiro-RJ - aposentado
Enviado em 7/11/2005 às 12:00:16 AM
O desatino da Veja não chega a ser uma aposta furada. Por maior que possa parecer o disparate, ainda é menor que o desatino da estória que o PT tenta fazer-nos acreditar de que toda essa dinheirama sórdida refere-se exclusivamente a verbas de campanha não-contabilizadas. Sinceramente, dou mais credibilidade à matéria da Veja que à versão do PT para as denúncias do mensalão. Os 3 milhões de dólares são menos grana que a que estava nas malas em poder do deputado federal João Batista Ramos da Silva (PFL-SP), encontradas em Brasília, bem mais recentemente. Com a certeza da impunidade que campeia no país, nada é impensável como seu texto afirma. Infelizmente...
Emil Reginaldo Geiss , Indaiatuba-SP - advogado
Enviado em 6/11/2005 às 3:58:06 PM
Sinto discordar. Não é porque alguém fez uma grande burrada que a história será necessariamente falsa. Esta crise está cheia de atos estúpidos. Na primeira vez que Veja foi chamada de denuncista, Buratti contou a história da propina de Palocci. Hoje o Ministério Público confirma a história. Buratti disse a verdade. Pelo menos é o que diz o MP ao Estadão. Agora Buratti e Poleto contam essa história maluca. Mas o dono do avião confirma a viagem e o piloto confirma a carga que seria composta por três caixas pequenas de papelão. Ora, não se trata apenas de três caixas de papelão. São três caixas cujo conteúdo deve justificar uma viagem a Cuba em avião particular para buscá-las. É burrice trazer dinheiro assim? É. Mas 3 milhões de dólares é uma burrice menor do que charutos, rum etc. Aí seria uma enorme burrice. Pode ser que não se confirme essa história. Mas eu não aceito que uma revista tendo nas mãos essas declarações decida segurar a informação porque parece uma maluquice. O mundo é feito de maluquices também. Essa crise está aí para comprovar isso.
George Macedo , Fortaleza-CE - estudante de Direito
Enviado em 6/11/2005 às 2:43:17 PM
Não panfletou? Mas é óbvio que sim. Mais uma vez a revista cumpriu seu papel de fiel escudeira da social democracia para ricos, como bem diz Marilene Felinto em matéria bem interessante publicada na Caros Amigos. Ela fez as entrevistas abertamente, mas a principal testemunha já morreu, como bem lembrou a senadora Ideli Salvatti em pronunciamento na tribuna do Senado. A outra testemunha das acusões é um petista que não quis se identificar, segundo a revista, e bom... isso é moleza. Até eu sei fazer uma matéria assim, isenta de provas, se for o caso.
Fausto José de Macedo , São Paulo-SP - jornalista
Enviado em 6/11/2005 às 12:02:11 PM
Francamente, antes de ler seu comentário estava pensando em rasgar minha carteirinha de jornalista, mudar de profissão, desistir, cometer o mesmo ato suicida da Veja e da oposição. Obrigado, Dines, por ter resgatado a auto-estima da profissão. Sim, ela não é composta totalmente de idiotas e aderentes às modinhas que eles mesmos fazem. Minha filha é jornalista e muito melhor do que eu e o Fausto Macedo Chagas, que usa o nome do meu pai no Estadão dando de verdadeiro. É certo que meu pai foi um gênio de rádio e eu sou apenas um jornalista desempregado que anda de auto-estima baixa por causa dos néscios que fazem da profissão um balcão.
Altivo Moreno , São Paulo-SP - aposentado
Enviado em 6/11/2005 às 1:23:05 AM
O caso do dinheiro na cueca do assessor político de um irmão-petista (assim mesmo) caso não fosse filmado, fotografado etc. seria, então, um desatino se alguém desse a público por ouvir dizer? Seria um jornalismo (desatinado!) tal qual a Veja praticou por ouvir dizer?
Onildo Barbosa , Rio de Janeiro-RJ - programador
Enviado em 4/11/2005 às 4:47:40 PM
Não vejo nenhuma inverossimilhança. O que vejo é má vontade de outros segmentos da imprensa em apurar a linha de informações que a Veja tem trazido à tona. O mensalão parecia um absurdo há alguns meses. Marcos Valério não era conhecido no Brasil inteiro há alguns meses. Olivério Medina fazia turismo no Brasil sem a menor preocupação. E agora a Veja apostou no desatino? Pra mim, o esquema que o PT montou é absurdo. Posso dizer que "nenhum político minimamente responsável arriscaria o futuro do seu partido" com o argumento de que caixa 2 é um mero erro e não um crime. "Nenhum político minimamente responsável arriscaria o futuro do seu partido" procrastinando a prisão de gente apanhada em flagrante (Waldomiro). Se começarmos a enumerar o que "nenhum político minimamente responsável arriscaria", veremos que o PT e seus políticos não têm nada de "minimamente responsáveis". Logo, dinheiro cubano chegando aqui na terra das fronteiras escancaradas em caixas de uísque não é nenhum desatino!
Cristiano Angelis , Piracicaba-SP - advogado
Enviado em 4/11/2005 às 11:08:08 AM

Penso que a atual situação política nacional deve-se ao fato de que a direita brasileira, hoje partidos de oposição, ainda não aceitaram a vitória da esquerda nas eleições de 02. Alie-se ao fato a constatação de sucesso do atual governo frente aos 8 anos de fracasso do antecessor. Por isso, a qualquer custo tentam tomar de volta o poder. Mas a sociedade brasileira, graças à contribuição da imprensa, pelas barbaridades por ela produzidas, já está vacinada contra os desvarios apresentados. Cada vez mais me convenço de que a direita brasileira está ultrapassada, suas idéias são retrógradas, conservadoras e objetivam a hegemonia de poucos. Aconselho que mudem o ponto de vista e participem em conjunto com o governo, em prol da sociedade. Caso contrário, a derrota nas próximas eleições será ainda maior.

Quanto à imprensa, apenas um comentário é suficiente. No Jornal Nacional, o quadro de maior sucesso são as charges; no Jornal da Globo, destaca-se um cineasta lunático adepto das pornochanchadas. Os apresentadores sérios, como o deste programa, infelizmente não têm o espaço merecido. Se o objetivo é cômico, estão obtendo êxito, pois cada vez me divirto mais com o jornalismo atual.

Rikene Fontenele , Açailândia-MA - professor
Enviado em 3/11/2005 às 4:16:26 PM

É estranho como Alberto Dines se arrisca a desmerecer a denúncia antes mesmo que ela tenha sido investigada, pelo argumento nada brilhante de que a história não é verossímil. Alguém acreditaria que um assessor parlamentar fosse capaz de carregar milhares de reais e dólares na cueca se não houvesse o flagrante? Certamente diriam: "É mentira, seria muita estupidez". Vale saber o que escreveu Reinaldo Azevedo:

"Cuba mandou dinheiro para o Brasil? Não sei. Nem a Veja jurou isso sobre a cruz. A revista relatou o que dizem dois ex-assessores de Palocci e os muitos indícios que tornam a história verossímil. E isso é, sim, jornalismo. Como jornalismo, de primeira, foi o que fez Renata Lo Prete. O Brasil, com procedimentos assim, está muito mais seguro do que entregue aos cuidados dos Catões."

Guilherme Bertollo , Porto Alegre-RS - universitário
Enviado em 3/11/2005 às 3:03:31 PM
A revista Veja agiu corretamente na publicação da matéria sobre os milhões de reais que foram enviados ao partido do governo na época das eleições. Pois a função do(s) jornalista(s) é informar ao público-leitor do que realmente é verdadeiro, só que infelizmente outros jornalistas, por terem certas ligações partidárias, ou medo de alguma "censura", fazem de conta que tudo é invenção e que denúncia sem provas "é falta de ética". Provas mais vergonhosas do que estas só vendo o Lula e sua turma contando as verdinhas fumando charuto cubano!
Andre Roldão , Criciúma-SC - radialista
Enviado em 3/11/2005 às 2:43:48 PM
O artigo põe de lado o fato para analisar, se é ou não politicamente correto (ou algo assim) publicar um fato. Ora, tiro no escuro ou não, se demais veículos de imprensa vão na onda ou não, não é o que nos interessa. O primeiro parágrafo do comentário de Dines é o que deve ser ponderado no OI. De resto é uma visão tão pessoal que passa a ser desnecessária.
Humberto Santos , Recife-PE - jornalista
Enviado em 3/11/2005 às 2:15:44 AM
A argumentação do artigo é falha. Reconhece que a matéria atendeu aos trâmites jornalísticos básicos e contesta a publicação baseado em uma espécie de senso comum que nortearia todos os jornalistas. Ou seja, seria uma estupidez e uma ingenuidade um partido fazer isso. Bem, é o que diz o bom senso do autor, que pode não ser o meu ou o da maioria das pessoas. As trocas de favores entre partidos de esquerda, ONGs e organizações revolucionárias de várias partes do mundo é costume, sabe-se disso. Bem, fica a pergunta: se Dines fosse o editor e tivesse o material que a Veja teve em mãos publicaria? Cabe aqui outra colocação: se a querida Renata Lo Prete, da Folha, resolvesse cair em campo para investigar a fundo a história do mensalão antes de publicar a entrevista de Jefferson, será que ela teria feito o certo? Às vezes cabe à mídia apostar. Sei dos erros da Veja, mas neste caso acho que a revista fez certo, independentemente do que a motivou a publicar tal denúncia; a matéria está correta do ponto de vista jornalístico, no meu humilde ponto de vista.
Iracema Torquato , Bauru-SP - professsora
Enviado em 3/11/2005 às 1:49:54 AM
O que é considerado autopromoção? R: Segundo o parágrafo 1º do artigo 8º da Resolução CFM nº 1.036/80: “Entende-se por autopromoção quando o médico, por meio de entrevistas, comunicações, publicações de artigos e informações, procura beneficiar-se no sentido de angariar clientela, fazer concorrência desleal, pleitear exclusivamente de métodos diagnósticos e terapêuticos e auferir lucros.” Pois é, o que serve para os médicos (autopromotores) pode servir de slogan a Veja. "A verdade nós só a devemos aos mortos." (Voltaire). Aliás, Dines usou a manipulação discursiva baseada na provocação admiravelmente. Se batesse, não levava. Como deu a entender que a revista tinha melhorado em seu caráter investigativo, obteve exatamente o que vemos na maioria dos comentários: indignação geral. Mas, claro, não quis revelar que o nome da revista será mudado pra Não Veja, ou Veja Não ou quem sabe Não, Veja não. Tudo é possível, cabe a nós leitores ver o que Veja vê ou nada ver. Por outro lado, há algo positivo nisso tudo, o governo agora pode posar de vítima. Somos todos vítimas e cumplíces, por que não?
José Carlos Cerqueira Mota , Catu de Abrantes-BA - engenheiro civil
Enviado em 3/11/2005 às 1:38:35 AM
Caro Dines, como sempre você é quase perfeito! Revisando seu artigo, trocaria Havana por Moscou. Também, trocaria desatino por golpismo. Nas citações de novembro, manteria agosto e Getúlio e Lacerda.
Álvaro José de Azevedo Lemgruber , São Gonçalo-RJ - publicitário
Enviado em 2/11/2005 às 6:48:11 PM
São certeiras todas as suas observações sobre os riscos assumidos por Veja, com a matéria de capa desta semana e sobre a solidão da revista nesta aventura. Quero apenas registrar uma "dúvida" que teima nos tempos atuais. Ao longo destes meses de crises e gatunagens do "presidente-tribuno" e seus comissários, já se revelaram tantos outros fatos grotescos, pueris e estabanados assinados por gente dita profissional. Será que no caso do "ouro de Cuba" o pedatismo, a certeza da impunidade e o cinismo dos operadores não os levaram a expediente tão grotesco? Lula, seu partido e seus asseclas estão aí para nos provar que tudo é possível...
Luiz Serenini , Goiânia-GO - publicitário
Enviado em 2/11/2005 às 6:03:29 PM
Acima da matéria da Veja, já assazmente comentada, fica em mim a preocupação com os rumos que são dados pelo jornalismo de maneira geral. Editores, colunistas e tais se entregam, todos sorrisos, a aceitar qualquer tipo de denúncia (com provas ou não) contra o eventual ocupante dos tronos municipais, estaduais e (ôba!) federal, como se fossem deles todos os ônus dos males do mundo. Estão todos em busca do homem público imaculado em toda a sua trajetória, sem um mínimo deslize que possa se tornar manchete principal e arrasadora daqui a pouco. Ora, se é esta a questão, por que não nomear logo um jornalista (melhor se for da Veja) presidente da República...? Aí, sim, estaremos todos salvos, e o Brasil será o mais puro dos países do mundo.
Alberto José de Camargo , São José dos Campos-SP - psicólogo
Enviado em 2/11/2005 às 5:46:49 PM
Lendo alguns comentários maldosos de poucos leitores sobre o jornalista Alberto Dines, gostaria de solidarizar-me com o brilhante e decente jornalista, que em nenhum momento deu a entender esteja protegendo ou bajulando governantes, pessoas ou partidos. Sua conduta é irretocável eticamente. Por que então se proporia a levar ao ar um Observatório da Imprensa? Não se fala por aí que a imprensa é o quarto poder? Vamos, sim, observá-lo e questioná-lo duramente, sempre que for necessário.
Edson Rasquel , São Paulo-SP - advogado
Enviado em 2/11/2005 às 1:14:22 PM
Parece que mais uma vez somente uma pessoa pode livrar a cara da Veja e confirmar a manchete da última edição. E, sobre isso, fontes tão seguras e corretas como apenas a Veja pode obter me confirmaram que a revista acaba de contratar a Mãe Diná como editora-chefe. Isso explicará de uma vez por todas que houve apenas boa-fé na tão atacada matéria. Diante disto, fica claro que novas hecatombes políticas vêm por aí, a administração de Lula e o PT que se preparem para as revelações que surgirão do além. Que Deus nos proteja dos encostos que a Veja atrair para sua redação e suas páginas daqui por diante.
Ricardo Camargo , Porto Alegre-RS - advogado
Enviado em 2/11/2005 às 1:11:43 PM

"Roma locuta, causa finita", dir-se-ia. Não seria conveniente para os EUA, depositário do bem para todos aqueles que consideram verdadeira qualquer acusação contra esquerdistas porque "o mal é o mal e deve ser varrido da face da Terra", tendo em vista o pronunciamento emitido, hoje, pelo presidente George W. Bush:

A cinco dias de se reunir com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Brasil, o chefe de Estado americano, George W. Bush, declarou que pedirá ao colega brasileiro empenho para consolidar a democracia na América Latina. Bush, que desembarca amanhã na Argentina para participar da 4ª Cúpula das Américas, em Mar del Plata, destacou o papel de Lula no cenário político local como vital para fazer frente à influência de líderes como o presidente da Venezuela, Hugo Chávez - reconhecido opositor do regime americano e amigo pessoal de Lula. Durante entrevista concedida na Casa Branca aos jornais O Estado de S.Paulo, La Nación (Argentina) e La Prensa (Panamá), além da agência espanhola EFE, George W. Bush elogiou Lula e garantiu ter boas relações pessoais com ele - o que "surpreende muita gente", de acordo com o presidente americano. Além de classificar Lula como "um homem interessante", o presidente americano também classificou o Brasil como "um grande país" no mundo. E, questionado sobre a proximidade política do colega brasileiro com Chávez, o presidente de Cuba, Fidel Castro, e o presidenciável boliviano Evo Morales, Bush disse que não tem a prerrogativa de indicar as pessoas com as quais Lula deve conversar". [http://noticias.terra.com.br/brasil/interna/0,,OI736288-EI1194,00.html, acessado em 2 de novembro de 2005].

Ficou bem claro que os EUA não gostariam de pagar a conta por uma guerra no Caribe, com o que a Editora Abril foi, mesmo, com muita sede ao pote.

No que tange ao suposto financiamento feito pelas Farc, o TSE, que não pode ser acusado de suspeito de parcialidade pró-PT, considerou manifestamente inverídica tal acusação, com o que esta suposição está afastada até pela coisa julgada.

E antes que venha o pseudo-argumento de que nenhum governo de esquerda foi condenado por nenhuma Corte de Direitos Humanos, observo que Chávez foi condenado pela Corte Interamericana, situada na Costa Rica, instituída como órgão judicial da OEA (da qual Cuba foi excluída, é bom lembrar), no caso Globovisión. A possibilidade de uma guerra no Caribe, então, deixa de ser um mero efeito colateral na luta contra o mal para se converter em aventura suicida.

E, ao colocarem sob suspeição o ministro Eros Roberto Grau, esquecem alguns dados fundamentais:

1) seus méritos costumam ser reconhecidos inclusive por adversários, dada a sua contribuição no âmbito acadêmico (os leigos em Direito não sabem que o ministro Eros é autor de uma obra sobre os aspectos jurídicos do planejamento econômico que é referência no mundo inteiro, defendida como tese perante banca examinadora na Universidade de São Paulo, orientada pelo professor Geraldo de Camargo Vidigal - ex-pracinha da FEB e advogado da Febraban, conquistou a posição de professor-titular da universidade ao defender tese sobre "A ordem econômica na Constituição de 1988", que é citada como fonte inclusive por autores de extrema-direita, como o falecido Celso Ribeiro Bastos –, com o que, negá-los pelo fato de ter tais ou quais posições ideológicas ou por ter sido nomeado pelo presidente Lula é, simplesmente, temerário;

2) no pensamento brasileiro, segundo o qual o prestígio no estrangeiro é prova de mérito, o ministro Eros é respeitado na Itália e na França, onde é, inclusive, professor-visitante;

3) se o simples fato de se ser odiado pela mídia fosse motivo para negar direitos a quem quer que seja - e José Dirceu, independentemente de seu caráter pessoal, não goza, mesmo, de qualquer simpatia da mídia -, por que não transformar a simpatia midiática em parâmetro para se atribuir ou negar a capacidade de direitos e deveres - personalidade, em termos jurídicos - a quem quer que ostente a figura humana? E, negado ao demônio o acesso às garantias da lei, e mesmo a possibilidade de ter razão, quem assegurará aos homens de bem que possam invocar seus direitos?

Célio Mendes , Vitória-ES - bancário
Enviado em 2/11/2005 às 9:11:51 AM
Veja, com trocadilho por favor, como a desinformação se propaga pela midia. Li no comentario do leitor  Carlos Neto, "Por que não?" - a afirmação: "O que pensar de pessoas ligadas diretamente ou indiretamente ao PT que transportam valores muito acima do acreditável dentro de malas pelos nosssos aeroportos?". Ocorre que a pessoa em questão pertencia aos quadros do PFL, um dos principais partidos de oposição. Creio que a intenção deste tipo de comportamento por parte da Veja (?) é justamente este, criar um ambiente tão tumultuado que qualquer noticia de corrupção "cole" no governo mesmo que seja praticada por outros partidos. Mas, a propósito, por falar no caso das malas, qual foi o fim que teve aquele episódio? Parece que a midia "esqueceu" (?), sera que é porque envolvia o PFL?
R. Araujo Neto , - -
Enviado em 2/11/2005 às 6:45:01 AM
O guru Alberto Dines aposta no próprio desatino, pois está mais que claro que o PT não só deve ter recebido ajuda de Cuba, como também das Farc, da China e muito provavelmente do Hugo Chávez. Isso para não falar na monumental corrupção interna. Allende não recebeu dinheiro da KGB? E então? A esquerda não é tão inteligente assim como o Sr. Dines pensa. Desatinadamente, comete erros para chegar ao poder e no poder comete erros maiores para mantê-lo. O PT não é uma exceção, apenas uma confirmação disto. Pobre Brasil, pobre Dines, pobres observadores da imprensa.
Eduardo Guimarães , São Paulo-SP - comerciante
Enviado em 1/11/2005 às 11:15:37 PM

Como eu já esperava, temos nesta semana um show à parte no OI, as cartas de leitores sobre o artigo bem pensado, ponderado, sereno, um tanto quanto ácido (como deveria ser) do nosso caro Alberto Dines, um jornalista dos bons mesmo, que procura se manter distante de paíxões, mesmo que às vezes de forma um tanto quanto artificial ao buscar algo de positivo numa barbaridade como a última reportagem de capa da Gestap... digo, da Veja.

O fato é que qualquer cuidado que a Veja possa ter tomado, como diz neste mesmo Canal do Leitor a competente (pelo que escreveu) jornalista Mariana Castro, viu-se dissolvido pela afirmação na capa da revista de que Lula recebeu dinheiro de Cuba, quando isso não passa de uma suposição da revista com base em relatos de fontes altamente suspeitas. Nesse aspecto, que tal ouvirmos o ex-deputado que conseguiu legenda no PFL mesmo sendo um traficante assassino, o Hildebrando "motosserra" Paschoal? Que será que ele tem a dizer a respeito do PFL? Boas coisas? Coisas ruins?

Fosse o que fosse, ouvi-lo seria interessante, pois permitiria ilações à vontade tanto se ele falasse bem quanto se falasse mal do partido pelo qual tornou-se representante do povo brasileiro. Acho que está amplamente provado que a mídia tomou partido (político) na eleição do ano que vem e está tratando de dar uma mãozinha a seus Serras, quero dizer, a seus candidatos. Aliás, até o ombudsman da Folha de S. Paulo andou dizendo que o noticiário político do jornal que o emprega e de vários outros jornais está colocando-lhes a imparcialidade "em xeque". Que mais é preciso dizer?

Alexandre Carlos Aguiar , Florianópolis-SC - biólogo
Enviado em 1/11/2005 às 10:39:51 PM
Eu venho de um meio onde o que se pretende ser a verdade é investigado com métodos padronizados e calibrados, com experimentos à exaustão e com conclusões sóbrias e bem-analisadas. E ainda assim borbulham as fraudes. Parece-nos que no meio jornalístico a ciência, ou ao menos o conhecimento, passa ao largo: as matérias saem sem um mínimo de avaliação digna de crédito, tal é a profusão de disparates que nos apresentam todos os dias. As revistas semanais, por sua vez, seguem o caminho semelhante dos jornais diários, mas, por terem mais tempo para "lamber suas crias", fazem-nas crescer como morteiros e se transformam em revistas-bomba, que explodem a cada semana no meio da multidão aparvalhada. Suspeita-se também que estão a falir, os donos das revistas, principalmente da revista Veja, pois só desesperados é que se lançam em projetos suicídas.
Alberto José de Camargo , São José dos Campos-SP - psicólogo
Enviado em 1/11/2005 às 10:31:00 PM
Ofender Fidel e Lula de um ponto de vista desrespeitoso com a história, com a luta de povos estrangeiros e de nosso povo indica o alto grau de servilismo a que chegou parte da imprensa brasileira. Questiono a conduta e a formação de alguns jornalistas que provavelmente jamais leram ou se interessaram em ler comentários do jornalista Vladimir Herzog justamente sobre o tema da imprensa servil. Em sua época, como nesta, os senhores do "deus" mercado determinavam os "demônios" a serem exorcizados. Para além de bem e mal, pega muito mal jornalistas vestirem o manto da Inquisição. Já as esquecidas vestes da parcimônia e da isenção, esquecidas ficarão. Quousque tandem...
Ricardo Camargo , Porto Alegre-RS - advogado
Enviado em 1/11/2005 às 9:24:58 PM

Mesmo quem não tenha simpatias pelo atual governo, nem pelo presidente de Cuba, nem pelo Partido dos Trabalhadores, se desejar dar credibilidade ao que dito pela revista Veja, sem quaisquer outras provas que não o desejo de derrubar o "sindicato travestido de governo", é bom lembrar que uma situação destas não termina nem na cassação do mandato do atual presidente da República, nem na cassação do registro do Partido dos Trabalhadores. Ao contrário, se verdadeira fosse a "denúncia", a honra nacional teria de ser paga mediante uma moeda que não é utilizada pelo Brasil há sessenta anos.

As mães brasileiras, sejam elas de que cor partidária forem, mesmo as que odeiem comunas, em sua grande maioria, não são matronas romanas: não preferem ver os filhos morrerem pela Pátria a terem-nos a seu lado. Não são apenas os praças, o "pobrerio", quem corre o risco de perder a vida num eventual conflito, porque eles precisam de quem os comande, e quem os comanda, a oficialidade, não se compõe exatamente de pessoas que poderiam ser acusadas de simpatizarem com o atual governo, embora lhe prestem obediência, tendo em vista o papel constitucionalmente definido para as Forças Armadas.

Quem quer pagar a conta de um conflito armado, que, no caso, seria perfeitamente plausível, por se tratar de agressão estrangeira, caso seja verdade o que denunciado? O risco de se deflagrar uma guerra não é um desatino? E mais: desde quando é verossímil um mendigo subornar um magnata?

José Silva , Curitiba-PR - psicólogo
Enviado em 1/11/2005 às 9:17:48 PM
Chama a atenção determinada manchete dizendo que o PT e sua linha-dura ameaçam abrir casos de corrupção no govergo passado (FHC). O curioso é que a imprensa deveria fazer o mesmo e com o mesmo empenho que o faz nos acontecimentos recentes. Não faz, como não o fez no passado. Seria estranho se fosse outro país, e não o nosso.
Hélio Pólvora , Salvador-BA - jornalista
Enviado em 1/11/2005 às 7:36:10 PM
Belo e oportuno artigo, bem pesado, bem medido, equilibrado, maduro e, sobretudo, decente - esse de Alberto Dines sobre a denúncia da Veja contra Lula. Ainda temos profissionais de imprensa que não se vendem à elite política.
Helio Rocha , São José dos Campos-SP - aposentado
Enviado em 1/11/2005 às 4:27:15 PM
Concordo com toda a matéria, só acrecentaria que era assinante desta revista e da 4 rodas, que pertence à mesma empresa: cancelei minha assinatura, pois não são de confiança. Para mim, o descrédito é total. Não sou petista ou coisa parecida, mas vamos deixar o presidente trabalhar, pois está dando certo e isto incomoda a muita gente. Até mesmo o Sr. Roberto Jefferson fez ironia com esta matéria da Veja.
Maria Denise Nery Santiago , Ribeirão Pires-SP - professora
Enviado em 1/11/2005 às 4:25:18 PM
A revista Veja está na história deste país como o veículo de imprensa que ajudou na derrubada do senhor Collor. Fora isso, sempre opinou sem medo de errar sobre todos os assuntos da política nacional. É um veículo que parece não ter rabo-preso com o dinheiro do governo federal. Como cidadã, acredito nesta publicação. Acho uma pena que alguns organismos de imprensa não tenham a mesma conduta e estejam nas mãos de alguns políticos e de partidos, respondendo aos seus interesses, e não aos interesses da população.
Alfredo Martins , Rio de Janeiro-RJ - consultor
Enviado em 1/11/2005 às 4:14:06 PM
Até agora o governo já deu mostras de estupidez suficiente para que se acredite em tamanha burrice. Além disso, o PT não considera isso crime, foi só mais um erro. Um pedido de desculpas, segundo a crença dominante, resolve. Além disso, não se pode desqualificar as fontes por estarem às voltas com a Justiça. O próprio Lula já esteve às voltas com a Justiça. Metade deste governo já esteve às voltas com a Justiça, e só não está de novo porque o conceito de Justiça aqui é muuuuito flexível.
Reivan Franca , Salvador-BA - funcionário público
Enviado em 1/11/2005 às 4:13:29 PM
Fica uma pergunta sem resposta, em relação à matéria da Veja: qual a verdadeira intenção da revista e do grupo Abril em publicar tal matéria sem o mínimo de prova material? Ultimamente, os canais de comunicação têm preferido dar ouvidos a disse-me-disse de pessoas comprometidas imoralmente com a coisa pública, do que dar provas do fato a demonstrar. Se as provas aparecerem, não restará à imprensa e aos partidos de oposição senão a solicitação do cancelamento do registro do PT. Se não aparecerem provas, ficará provado que há de fato um complô contra o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, orquestrada pela imprensa neoliberal e os partidos "santinhos" que sempre estiveram no poder, não aceitando o fato de terem tirado férias, ainda que por quatro anos.
Fabio Ribeiro Silva , Cabedelo-PB -
Enviado em 1/11/2005 às 3:49:54 PM
Tal reportagem é um desrespeito ao Brasil e ao povo deste país. O PT cometeu erros, como outros partidos já cometeram, mas a Veja quer colocar abaixo um governo que está dando provas de crescimento ecônomico, como também a auto-estima do povo brasileiro. Ainda voto em Lula e acredito em que vamos nos orgulhar muito desta nação.
André Luiz Alves de Souza , Itamaraju-BA - professor
Enviado em 1/11/2005 às 3:44:03 PM

"O resto: a denúncia pressupõe um gigantesco, incomensurável, grau de estupidez nas duas pontas da operação: o governo cubano e a direção do PT. Difícil acreditar que políticos experientes aqui e no Caribe tenham embarcado numa aventura tão primária. Nenhum político minimamente responsável arriscaria o futuro do seu partido com uma operação tão perigosa e insensata. Nem mesmo Roberto Jefferson ou Waldemar da Costa Neto. Fidel Castro já cometeu erros crassos, a direção do PT já cometeu erros imperdoáveis, mas é impensável que juntos tenham planejado tamanho disparate e tão grande desatino. Há limites para a estultice. É isto que torna inacreditável a denúncia de Veja."

Dizer que Fidel e o PT jamais cometeriam o erro de negociar três milhões de dólares numa operação, como mostrada na matéria não é um argumento sensato para negar a denúncia, pois é possível que os grandes chefes cometam erros. Assim, neste momento (até 1º/11/2005), o que pode negar tal denúcia dita de forma iresponsável pela Veja (a revista afirmou sem provas) é a falta de evidências.

João Luiz de Oliveira , Petrópolis-RJ - analista de sistemas
Enviado em 1/11/2005 às 3:41:56 PM
De um tempo para cá minha caixa de correio vem sendo entupida por exemplares da revista Veja sem que eu sequer tenha manisfestado vontade de adquiri-los. Não sei por que tanta generosidade comigo e com a maioria de meus vizinhos. Não sei se isto tem alguma relação com a chuva de escândalos propagada pela própria revista com relação ao governo Lula. Só sei que isso não me parece jornalismo. Me lembra panfleto partidário em véspera de eleições.
Marco Antonio Nunes de Mattos , Campinas-SP - eletrotécnico
Enviado em 1/11/2005 às 3:40:55 PM
Como de resto neste governo, cada episódio se parece mais com a novela O bem-amado. Seres bem normais e seres míticos numa mistura hilária. Será que não é possivel mesmo tamanha burrice (ou esperteza, depende da altura de quem observa)? Nessa ópera-bufa que virou esse governo e, lógico, essa oposição, só nos resta esperar a cortina baixar. Só não se sabe se vamos rir ou chorar!
Jurema França , Recife-PE - secretária
Enviado em 1/11/2005 às 3:37:43 PM
É alentador ler este comentário. Sou assinante da Veja há anos e, ultimamente, só tenho me decepcionado com as matérias da publicação! Senti uma mudança de tom inadmíssível numa revista daquele porte. Por isso, estou cancelando a assinatura. Eles estão mais preocupados em se vingar de algo sofrido (não sei o quê...) do que em informar com isenção. Há semanas que nem leio para não me aborrecer mais.
Clécio Sales , Belo Horizonte-MG - analista de sistemas
Enviado em 1/11/2005 às 3:33:59 PM
Acho que a Veja tem toda a credibilidade para escrever o que for certo ou errado. Isso mostra que é uma das poucas que ainda se mantêm longe da dominação do governo, o que não acontece com a Rede Globo, por exemplo. A Globo é o inverso da Veja. Está a mando do PT e do Lula já faz bastante tempo. Pelo jeito a organização foi comprada pelo Partido dos Trabalhadores. Pena que são poucos que têm acesso à revista Veja.
Carlos Neto , Santos-SP - advogado
Enviado em 1/11/2005 às 3:31:55 PM
A denúncia pode ser inverossímel, mas inacreditável não se pode dizer. O que pensar de pessoas ligadas diretamente ou indiretamente ao PT que transportam valores muito acima do acreditável dentro de malas pelos nosssos aeroportos? Por que não seria verossímel tal denúncia?
Roberto Sardinha , Rio de Janeiro-RJ - advogado
Enviado em 1/11/2005 às 3:30:16 PM
Tudo bem. Pode até ser desatino. Não obstante o passado de Fidel e o presente de Lula, seu partido e assessores, fatores militam pela falta de credibilidade de ambos. Até porque, depois de assistirmos à recente "farra" com o dinheiro do contribuinte promovida pelo PT e considerando que Fidel é um chefe de Estado reconhecidamente ditador sanguinário - terá a história memória fraca? -, nada que venha dos mesmos é desatino na minha ótica.
Alexandre Souza , São Paulo-SP - engenheiro agrônomo
Enviado em 1/11/2005 às 3:26:15 PM
Muito bem! Está feita a "denúncia" da Veja. Baseada em depoimentos de pessoas com intenções discutíveis. Ecoou no restante da imprensa. Tudo bem. Vamos apurar. Mas, existem outras revistas semanais no Brasil. A edição da Carta Capital, "concorrente" da Veja, traz denúncias sobre a atuação de pessoas ligadas aos Antonios Carlos Magalhães (avô e neto) na Bahia. A reportagem está baseada em relatório do TCE da Bahia. Fonte mais confiável do que a da Veja. Ecoou no restante da imprensa? Aliás, muito esquisito a revista Época ter tentado publicar algo a respeito e ter "falhado" a impressão por duas vezes! Por que há dois pesos e duas medidas nas informações "ecodas pela imprensa? Por que as pessoas são informadas de um assunto e o outro é ignorado? Os "patrões jornalísticos" pautam ou não suas redações?
João Saboia Jr , São Paulo-SP - gerente comercial
Enviado em 1/11/2005 às 3:20:24 PM
Discordo de que a Veja tenha atendido às exigências formais e tido cuidados mínimos. A Veja apresenta como prova o depoimento de dois senhores que ouviram o relato de um defunto. E curioso é que após uma semana morna e sem novos fatos ela publique essa matéria. Para mim está muito claro que a Veja e o Grupo Abril apostam e trabalham para criar fatos que embaracem o governo Lula. Totalmente irresponsável e mentirosa é a conduta dessa revista. Recomendo a leitura do artigo de Emir Sader na Carta Maior.
Wagner Orti , Macatuba-SP -
Enviado em 1/11/2005 às 3:20:23 PM
Finalmente alguém diz algo coerente. Já estou cansado de matérias "bombásticas" irresponsáveis. Não quero acreditar no "ataque imperalista contra o governo popular", mas se não for isso é uma maneira suja de vender revistas.
Acrísio Carvalho de Melo , Goiânia-GO - comerciário
Enviado em 1/11/2005 às 2:55:01 PM
Tenho percebido em alguns artigos que o vilão da história é sempre a Veja. Na realidade, trata-se do único órgão de imprensa que se pode considerar independente neste país. O OI, do respeitado jornalista Alberto Dines, tem-se mostrado exageradamente governista e petista, ao ignorar a tradição de imprensa séria que representa a Veja. Sem ela seguramente não aconteceria o impeachment do Collor, da mesma forma que a sujeira descoberta no atual governo estaria sepultada com a complacência e a conivência desses "observadores".
Silvia Botelho , Matão-SP - dona de casa
Enviado em 1/11/2005 às 2:53:22 PM
Não posso crer que uma revista como a Veja publique uma matéria como essa sem ter provas sobre o caso. Se isso for apenas e tão somente uma faísca a mais na tão nebulosa crise é realmente o fim. Tá na hora de Deus colocar um ponto final em tudo isto, pois os homens, bem, com esses eu já não conto pra nada.
Alfredo Fuentes , São Paulo-SP - administrador de empresas
Enviado em 1/11/2005 às 2:42:18 PM
Dines, apostar que a denúcia é falsa com base no suposto bom senso de Fidel, Dirceu e Lula... isso sim é um verdadeiro desatino! Se alguém há seis meses publicasse uma matéria informando que políticos fizeram fila no caixa do Banco Rural em Brasília para sacar mensalão, que assessores do PT viajavam com dólares na cueca, que um obscuro publicitário operava o caixa 2 do PT etc. seria chamado de que mesmo?
Maria Marcia Borges , Caçapava-SP - empresária
Enviado em 1/11/2005 às 2:27:26 PM
Não acho um desatino a reportagem da Veja. Desatino é o que esses políticos são capazes de fazer para serem eleitos. Estamos na era do vale-tudo. O ditador Fidel Castro e o seu partido foram capazes de fazer coisas bem piores para se manterem no poder até hoje. Todos nós sabemos que os companheiros de Moscou financiam os partidos fiéis ao sistema. Absurdo é acreditar que não houve tal financiamento, afinal, é só abrir os olhos e ver o mar de corrupção e desmandos em que estamos vivendo.
Luiz Netto , São Bernardo do Campo-SP - aposentado
Enviado em 1/11/2005 às 2:15:45 PM
Realmente, a revista Veja, ao andar que imprime a sua carruagem, vai acabar por ficar completamente desacreditada. É o que dá subestimar a inteligência do leitor. Ainda que fosse verdade o suposto financiamento da campanha de Lula por Fidel Castro, já sabemos que o financiamento irregular de campanhas é coisa que vem sendo praticada há muito tempo. O jornalista B.Hamilton, ex-correpondente da Gazeta Mercantil em Buenos Aires, nos anos em que andou por lá fez uma pesquisa em documentos históricos relativos às relações de Perón com Vargas. Encontrou um material mostrando que Perón financiou a campanha de Vargas em 1950. Escreveu um livro sobre isto: Sob os olhos de Perón, Editora Record. Podem conferir. Perón queria criar o ABC - Argentina, Brasil, Chile para fazer frente à influência americana no continente sul-americano. Acabou não dando certo, pois Vargas não encontrou condições de levar isto avante.
Fabio de Oliveira Ribeiro , osasco-SP - advogado
Enviado em 1/11/2005 às 2:13:06 PM
Excelente cometário. A Veja realmente excedeu os limites do razoável. Durante as eleições presidenciais fiz campanha do voto nulo. Desde a posse de Lula tenho sido um crítico feroz da mediocridade governamental petista. Entretanto, desta vez não posso deixar de considerar literalmente ridícula, inverossímil e improvável a denúncia feita pela Veja. Desde a década de 1960 o Brasil vota em favor de Cuba na OEA todas as vezes em que os americanos tentam aprovar uma resolução favorável à invasão da ilha. Fidel certamente não estaria vivo neste exato momento se a política externa brasileira não fosse absolutamente contrária às pretensões americanas para Cuba. Não lembro de ninguém ter acusado os governos de Juscelino, Gaisel, Figueiredo, Sarney ou Fernando Henrique de receber dinheiro de Fidel por apoiar Cuba na OEA. A matéria da Veja é um surto de idiotia jornalistica.
Otto Ferreira , Rio de Janeiro-RJ - músico
Enviado em 1/11/2005 às 2:00:03 PM
A imprensa se deteriora há muito tempo. A Veja já passou deste grau e deteriora tudo em volta. Essa cultura desintegra a informação, pois sinto que como eu os leitores mais atentos são tomados por uma revolta sublime de sentimentos contrários. Quanto mais pérfida é a reportagem mais distantes ficamos desta revista. No meu caso, sinto náusea só com o cheiro da revista.
Atama Moriya , São Paulo-SP - consultor financeiro
Enviado em 1/11/2005 às 1:55:12 PM
Percebo uma grande crítica não só à reportagem da Veja, como à própria revista, com a qual não concordo. O jornalismo investigativo é mais importante do que o simplesmente noticioso. Jornalistas incompetentes que apenas noticiam os acontecimentos ou comentam outros. Recomendo também ao Sr. A.D. estudar um pouco de teosofia antes de igualar um tiro no escuro com esoterismo. Acho que é função jornalística informar, e não desinformar. Aprenda antes o que é esoterismo e exoterismo.
Mariana Castro , São Paulo-SP - jornalista
Enviado em 1/11/2005 às 1:47:45 PM

Ok. A Veja não opinou nem panfletou, não escondeu as fontes, gravou suas entrevistas abertamente, indicou onde e como se realizaram, completou-as com informações suplementares e ainda fez reparos às contradições embutidas na própria reportagem. Mas a Veja cometeu um erro grave. A manchete de capa da revista é uma afirmação sobre o recebimento do dinheiro de Cuba pela campanha de Lula. O leitor supõe que vai encontrar provas na matéria, uma vez que a revista "crava" a históra na capa. Lendo a matéria, a manchete mais adequada seria: Campanha de Lula recebeu dinheiro de Cuba, diz Buratti, ou diz ex-assessor, enfim. A revista deveria ter sido cuidadosa e dizer, de cara, que a matéria é em torno de declarações dessas pessoas.

Não tenho dúvida de que a Veja deveria ter publicado a matéria. A reportagem tinha afirmações pesadas em "on". Mas "forçou a caneta", no jargão jornalístico, para a capa vendedora. Muita gente vê a Veja na banca, olha a manchete e nem compra a revista. Mas está lá registrada a informação, a afirmação da capa. Mesmo quem compra a revista muitas vezes olha a capa, manchetes e não lê a matéria. Pronto, mais uma vez a afirmação estampada na capa é o que fica registrado na cabeça das pessoas. Campanha de Lula recebeu dinheiro de Cuba. E ponto final. Que perigo!

Guido Venatti , Rio de Janeiro-RJ -
Enviado em 1/11/2005 às 1:46:10 PM
Para que ficar noticiando o que anda no Globo? Vocês esqueceram de que o Globo é o "diário oficial". Por isso eles preferiram noticiar a morte de traficantes. A Globo é o que existe de pior no país e parece que vocês, como todo carioca, são manipulados por ela. Infelizmente.
Eduardo Espíndola , São Paulo-SP - empresário
Enviado em 1/11/2005 às 1:31:14 PM
Há pouco li uma ótima crônica de João Ubaldo Ribeiro, na qual o escritor e jornalista diz que o problema do Brasil não são seus politicos, mas o que ele define como a "falta de matéria-prima humana". Pois é, a Veja reforça esse conceito de leviandade ao publicar uma reportagem sem fundamentos racionais e de cunho fascista, cuja única finalidade é aproveitar a maré para vender seu produto sem importar-se com as conseqüências que uma atitude irresponsável dessas pode trazer a um pais, que o que menos precisa neste momento é desse tipo de oportunismo barato.
Lucinei Lucena , Rio de Janeiro-RJ - professor
Enviado em 1/11/2005 às 1:12:47 PM
Admiro muito o trabalho do jornalista Alberto Dines e do Observatório da Imprensa. Contudo, julgo oportuno um único reparo em relação ao que foi dito acerca da reportagem da revista Veja (independentemente de ser verdadeira - o que, até agora, não parece ser - ou não): não foi o esoterismo que substituiu o jornalismo, mas a política (ou politicagem eleitoreira), e há muito tempo.
Marcelo Figueiredo , Maceió-AL - advogado
Enviado em 1/11/2005 às 1:11:59 PM
Todas as denúncias da Veja se confirmaram. Essa é mais uma, com certeza.
Paulo Silva , São Paulo-SP - Empresário
Enviado em 1/11/2005 às 1:08:34 PM
Brilhante e esclarecedor! Muito bom termos Articulistas (com A maiúsculo mesmo!) como você, Dines.
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