ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 354 - 17/11/2009
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PT E O OURO DE HAVANA
Quando a expectativa é grande e faltam fatos, inventa-se

Por Alberto Dines em 7/11/2005

Veja foi mais cuidadosa na estréia da telenovela política: não opinou, não escondeu fontes, não fez ilações, tomou cuidado com os títulos, destaques, legendas e chegou mesmo a aventar ressalvas (edição 1929, de 2/11).

Na continuação do último fim de semana, uma recaída e voltou-se aos velhos tempos do faroeste jornalístico (edição 1930, de 9/11). Fato novo, concreto: apareceu o piloto do avião que transportou as caixas e que confirmou o vôo e a rota. Nada mais do que isso. Como a expectativa era grande e minguados os resultados foi preciso apelar para as licenças jornalísticas.

A começar pela chamada da capa: "Veja entrevistou o piloto do Sêneca que transportou os dólares de Cuba". Veja apenas localizou e entrevistou o piloto. Parabéns pela façanha, mas a segunda parte da oração contém duas suposições: o piloto teria transportado dólares e estes teriam vindo de Cuba. No breve depoimento do piloto Alécio Fongaro (págs. 60-63) verifica-se que, por enquanto, estas afirmações são infundadas.

Adendo delirante

O título da matéria, "O vôo do dinheiro de Cuba", comete as mesmas falsificações: até agora ninguém garante que havia dinheiro nas caixas e que esse dinheiro teria vindo de Cuba. Para fingir exatidão, colocou-se no subtítulo que as três caixas eram de "bebidas" (entre aspas).

Na abertura da matéria, uma adulteração de fatos recentes, de domínio público: por causa da repercussão da primeira reportagem, "tucanos e pefelistas saíram anunciando a abertura de um processo de impeachment do presidente Lula e a cassação do registro do PT na Justiça Eleitoral". Nada disso: a oposição reagiu com cautela à denúncia de Veja e os colunistas políticos Clóvis Rossi (Folha de S.Paulo) e Merval Pereira (O Globo) não a consideraram verossímil.

A seguir, um vistoso infográfico – empulhação inspirada nas histórias em quadrinhos e importada pelos "consultores" da Universidade de Navarra, nos anos 1990 – para comprovar que o Sêneca transportou o dinheiro. Apesar do aparato visual, nenhuma evidência, a não ser a modesta legenda onde se afirma que esta foi a rota do avião depois de receber "as caixas do dinheiro de Cuba".

Ao longo da matéria há outras quatro menções explícitas aos "dólares cubanos" como se tratasse de um dado concreto, inquestionável, e não de uma suposição, por ora, não comprovada.

Para dar dimensão à mirrada continuação da telenovela cubana, o semanário acrescentou um delirante adendo no qual se tenta mostrar a flexibilidade das opiniões de cinco petistas que entre 1995 e 2000 elogiaram Veja e agora a condenam.

Aqui os editores acertaram em cheio. E não uma, mas duas vezes: o PT não chega a ser um modelo de coerência, mas a gloriosa Veja, há algum tempo, deixou de ser modelo de bom jornalismo.



A marcha do tempo

[com os agradecimentos à seção "Há 50 anos", de O Globo, "Segundo Caderno", pág. 7]

** Chamada na primeira página de O Globo, 3/11/55:

"Iludido em sua boa-fé o Sr. Carlos Lacerda" [era forjada a famosa "Carta Brandi", suposta prova das ligações entre o peronismo e o PTB].

** Idem, dia 5/11/55:

"Hábeas corpus para que Wainer use o título que ele próprio fabricou" [O jornalista Samuel Wainer é autorizado a utilizar o seu título, Última Hora].

** Manchete da primeira página do Globo em 7/11/55:

"Considerada a ação da imprensa vermelha altamente subversiva"

Subtítulo: "Para isso, os ministros militares pediram o fechamento dos órgãos comunistas que circulam no país – até onde chega a audácia dos agitadores do PCB".

Comentários (23)
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José Aroldo de Carvalho Queiroz , Santarém-PA - meteorologista
Enviado em 15/11/2005 às 10:59:09 AM
Nós, meros mortais, que não temos acesso a informações previlegiadas, só pedimos que nos respondam as seguintes perguntas: a) Que bebidas são essas tão valiosas que precisam de avião particular e acompanhamento nos moldes de segurança de grandes carregamentos de dinheiro? b) Se não há nada a esconder, para que tanta mentira tanto do governo como do Poleto na CPI? c) Em caso de confirmação da notícia, os "deuses do jornalismo" Clóvis Rossi, Merval Pereira e Alberto Dines se desculparão aos leitores do Observatório, por estarem fazendo o mesmo que a revista, ou seja, pré-julgando antes de ter a confirmação se existiu ou não a tal de operação Cuba?
Bruno Moreno , Rio de Janeiro-RJ - jornalista
Enviado em 14/11/2005 às 4:07:02 PM
Agradeço pelo artigo. Concordo com ele, exceto pelo trecho que diz que os editores acertaram "em cheio". Acho que há formas mais honestas de se mostrar algum tipo de incoerência, mesmo que elas existam claramente. No mais, parabéns de um grande admirador.
Marcio Varella , Brasília-DF - jornalista
Enviado em 14/11/2005 às 12:45:54 PM

Por falar em ouro cubano, por que a Veja não se preocupa em fazer uma matéria "investigativa" sobre os 10 milhões de reais de notas em série flagradas com um deputado-bispo do PFL no aeroporto de Brasília? De onde veio a grana (não foi dos fiéis da Universal, é claro), quem era o piloto do avião, o amigo da mãe do piloto também deve ser alguém interessante, já imaginou, ser amigo da mãe do pilto que transportou 10 milhões de reais não contabilizados apreendidos no aeroporto da capital federal? Também poderia se investigar o deputado em questão. Que fazia ele com tanta grana? O que o seu partido sabe sobre isto? Que roupa ele usava no dia do flagrante? Ele fazia as unhas? E a manicure, é amiga dele, tem um bordéu? Este deputado tem alguma amiga cafetina famosa? Se ele torce pro Fluminense, o que é que o presidente do clube tem a ver com a grana apreendida? Enfim, esta matéria poderia render uns seis meses com manchetes garantidas em revistas e jornais do tipo Veja, ou seja, sem nenhuma credibilidade mas cheia de surpresas!!!!!!!!

Isto me lembra um verso de Drão, de Gil: "Os garotos são todos sãos. Os pecados são todos meus." O versinho serve como uma luva para jornalistas e políticos brasileiros. O fato de não assumirmos a devida responsabilidade pelo que escrevemos sem cometer os erros do passado. Não aprendemos com o passado. Devemos nos julgar sãos, admitir nossos pecados e evoluir sempre, perdoando o futuro e procurando corrigir os erros. Tem mais: o presente e o futuro não importam. O que permanece é o eterno passado.

Antonio Mello , Rio de Janeiro-RJ - publicitário
Enviado em 14/11/2005 às 7:31:16 AM
Esse comportamento, que não é só da Veja (mas no qual ela se destaca), chamo de "midiagenia", neologismo a partir de iatrogenia. Vem sendo aplicado agora com toda a força contra o ministro Palocci. A demissão dele já vem sendo tão anunciada que já quase não resta alternativa ao ministro a não ser torná-la verdadeira. Não é o fato que gera a notícia, mas a notícia que gera o fato. Publiquei uma postagem em meu blog tratando desse tema.
Carlos Cassaro , Curitiba-PR - aeronauta aposentado
Enviado em 13/11/2005 às 12:52:06 PM
Ficam no ar algumas perguntas: quem está por trás desse denuncismo desvairado da Veja? Quem e por que está inventando tudo o que é possivel para derrubar, ou pelo menos causar um grande estrago neste governo? Sou aviador aposentado, já transportei malas de dinheiro nos idos de 1977 a 1986 para campanhas políticas, e garanto que nunca foi para o PT...
Joel Ribeiro , São Paulo-SP - engenheiro
Enviado em 12/11/2005 às 3:01:03 AM
Alberto Dines, você pode acabar destruindo a sua biografia de vez, se insistir nesta frescura de ficar criticando a Veja, o veículo da imprensa com a melhor postura entre tantos vendilhões desta mídia brasileira. Acho que a melhor saída para você se redimir deste período de críticas quase infantís (já que se acha tão republicano) seria passar a elogiar a Veja diuturnamente pelo excelente trabalho que a revista está fazendo em prol do povo brasileiro. Recolha os seus ressentimentos com os Civita e faça as pazes com a sua inteligência.
Hugo Carlos Rehermann Capurro , Santana do Livramento-RS - ortopedia técnica
Enviado em 11/11/2005 às 10:43:08 AM
Es evidente que este tipo de materia y este tipo de prensa esta queriendo borrar al PT de la politica, y si puede, de la Tierra (como se dice aqui en Brasil, voy acabar con tu raza). ¿El Opus Dei tiene algo que ver?
Carlos Cassaro , Curitiba-PR - aeronauta aposentado
Enviado em 10/11/2005 às 1:09:30 AM
É impressionante o cinismo dos deputados e senadores que aparecem na TV "escandalizados" com os que declaram ter feito uso de verba não declarada em suas campanhas. Fui piloto de táxi-aéreo e de governos estaduais, transportei muito político, vi e ouvi muito. Transportei malas de dinheiro para trocar por votos. E isso entre 1977 e 1986. Não é coisa nova, não. Sempre existiu...
Osvaldo Alencar , Belém-PA - engenheiro civil
Enviado em 9/11/2005 às 9:42:15 AM
Usual na grande imprensa brasileira que escândalos geram boas vendas nas bancas. Essa é a imprensa que reclama por liberdade, quando pratica a liberalidade desonesta e nociva. Deixei de assinar revistas semanais desde o caso Ibsen Pinheiro, que escancarou, pelo próprio repórter, os descaminhos da imprensa livre, muito mais voltada a vender páginas do que bem-informar e esclarecer os leitores. Em país sério, estariam todos processados.
Pedro Carlos da Silva , Recife-PE - aposentado
Enviado em 8/11/2005 às 10:28:26 PM
Limito-me a dizer que já cancelei minha assinatura da Veja. Acho que é a única maneira de combater o mau jornalismo, pois comprando estarei pagando o salário dos maus jornalistas, e por conseguinte, financiando as falsas reportagens.
Rogério Oliveira Santos , São Paulo-SP - engenheiro
Enviado em 8/11/2005 às 3:42:17 PM
Tem que apurar se realmente era dinheiro de Cuba e depois julgar a revista. Os políticos são todos cúmplices e coniventes com Lula, mas agora temos que aturar grande parte da imprensa, que não quer deixar uma revista de circulação semanal se manifestar de maneira mais agressiva?
Luiz Toledo , Taboão da Serra-SP - consultor comercial
Enviado em 8/11/2005 às 3:40:18 PM
O que a editora não faz para vender sua revista principal!? Primeiro são notícias em capítulos para que o leitor assíduo não perca os próximos. Segundo, tem-se a impressão de que a revista está sendo patrocinada pelos mesmos políticos que sempre estiveram no poder, independentemente de qual partido estivesse governando. Não sou petista, porém optei por mudanças mas concluo que a ganância pelo poder entorpece os homens, principalmente nossos políticos, na sua maioria, sem decência moral. O voto facultativo, o fim de propaganda política paga (!?) disfarçada de apresentação dos feitos de governantes (propaganda enganosa), comunicação visual a cada novo mandato (bastaria, por exemplo, o brasão do município) seriam alguns pontos favoráveis a uma mudança significativa nesse esgoto que chamamos de política brasileira.
Marcia Borges , Caçapava-SP - empresária
Enviado em 8/11/2005 às 3:36:32 PM

Em se tratando do PT, tudo é possível. Não tenho tolas ilusões a respeito do PT, que está se mostrando um partido composto por gente muito perigosa e nociva ao cidadão brasileiro. Fazem o mal feito bem feito, sem deixar rastro, e isto é que está se tornando um problema. O PT é como um câncer instalado na nação.

Giovany Capistrano , Fortaleza-CE - médico
Enviado em 8/11/2005 às 3:26:45 PM
Não é de se estranhar que a Veja tenha sido contra a criação de um Conselho Federal de Jornalismo para reger os princípios éticos. Ao contrário de todas as outras profissões de nível superior, o jornalismo é a única que não tem um conselho fiscalizador. Resultado: faroeste, mundo sem lei. E viva a liberdade de imprensa sem responsabilidade!
Paulo de Tarso Neves Junior , Curitiba-PR - engenheiro
Enviado em 8/11/2005 às 3:20:01 PM
A Veja consegue cometer ato falho numa mesma edição. A última merece um espaço no Circo da Notícia. Apesar das quatro menções explícitas aos ”dólares cubanos”, no adendo sobre a incoerência petista ela escreve: “Na semana passada, alguns destacados petistas investiram contra VEJA por causa da reportagem que falava de uma possível contribuição cubana em dólares para a campanha eleitoral do PT, em 2002.” Como assim “possível contribuição cubana”, respeitável público? Cuba contribuiu ou não contribuiu? Se a própria Veja não acredita nessa história, por que eu acreditaria? Alberto Dines está certo. Há uma nova revista de humor no mercado. O slogan da Veja poderia ser: “Veja, uma revista humorística que adora fazer o leitor de palhaço.”
Alessandro Sobral de Morais , Rio de Janeiro-RJ - contador
Enviado em 8/11/2005 às 3:01:38 PM
Já deixei de assinar a revista faz algum tempo. Fico me perguntando se não cabe a demissão de todos os envolvidos nesse conto, pois apresentar uma matéria sem prova logo depois que o PSDB tomou uma chicotada na TV pela sua inoperância nos oito anos da privataria e roubalheira tucana... Que a revista Veja é tucana eu sei e com certeza deixou de ser exemplo de bom jornalismo há muito tempo, disso eu não tenho a menor sombra de dúvida. A Veja poderia fazer uma reportagem sobre a vergonha do Congresso Nacional, com o seu custo e a relação custo-benefício, pois é um festival de xingamentos e nenhuma coisa útil sendo feita.
Jose Marconi Sousa , São Paulo-SP - médico
Enviado em 8/11/2005 às 12:48:41 PM
Irretocável a exegese do Alberto Dines sobre a Veja. Muita gente pensa dessa maneira e está de olho no que essa revista quer. Democracia, hipocrisia ou mais dinheiro? Estamos atentos.
Kilder Puttini , Sao Paulo-SP - auxiliar administrativo
Enviado em 8/11/2005 às 12:45:53 PM
Eu, como inúmeras pessoas, já estamos injuriados com esse pasquim de 10ª categoria chamado revista Veja! E todos nós somos sabedores absolutos de que esse pasquim esta explicitamente a servico dos sempre reacionários que desgraçaram este país durante oito anos. Já foi divulgada na conceituadíssima e honesta revista Carta Capital o envolvimento do Sr. Eduardo Azeredo e do FHC em caixa 2 de campanha, e essa Veja nada anunciou. Todos nós brasileiros sabemos e temos absoluta certeza de que caixa 2 existe e não é de hoje. Queremos e exigimos uma faxina geral, e exigimos também que seja informada toda a podridão do PSDB e do PFL. Inclusive sobre os bilhões que vieram da venda das estatais.
Carlos Centrone , São Paulo-SP - engenheiro mecânico
Enviado em 8/11/2005 às 12:37:56 PM
Pergunta: por que o avião com as caixas de bebida pousou em Viracopos e, logo depois, foi solicitado a mudar de aeroporto, para o inexpressivo Aeroporto dos Amarais, também em Campinas, se o seu destino final era São Paulo? Esse fato é, no mínimo, estranho!
Hamilton Cesar Castro Carvalho , Petrópolis-RJ - advogado, professor e lingüista
Enviado em 8/11/2005 às 10:12:03 AM
Foi exatamente esta a idéia que me sobreveio à mente tão logo foi publicada a matéria. Apesar de formalmente instruída com aquilo que ela reputa "provas" necessárias ao alegado, a revista Veja pecou contra o velho ditado de que "quando a esmola é grande até o santo desconfia". Tudo está evidente demais para ser verossímil, cheirando mais a "coisa feita" ou a "mandinga encomendada" do que a um fato real e passível de haver ocorrido. O PT e Fidel são radicais mas não são burros. Não cometeriam este desatino que a ambos não aproveita. Além disto, há a teoria dos "dois pesos, duas medidas". Nunca vi ninguém no Brasil se escandalizando com a prática tradicional de que o governo americano sempre financiou a eleição de presidentes brasileiros que interessavam aos investidores americanos. O que mais escandaliza nesta prática é o fato mesmo de ela ser tão comum e tão corriqueira. Virou práxis neste continente fundo de quintal do Tio Sam e de sua onipresença entre nós. O que escandalizou na denúncia da Veja foi mais o inusitado do que o fato de Fidel ser um líder comunista supostamente financiando o PT do que o financiamento externo "em si e por si mesmo". Vocês "tiraram o pão da minha boca". Mas não reclamarei por isto. Pelo contrário, sinto-me feliz por saber que não estou sozinho em minha serenidade e na minha sensatez.
Regina Alves Pereira , Cascavel-SP - engenheira
Enviado em 8/11/2005 às 8:46:41 AM
Se a Veja erra ao pressupor um (mais um!) escândalo envolvendo o PT, Alberto Dines erra ao pressupor uma não-culpa devido ao fato de achar a coisa grotesca, primária etc. Presunção de culpa ou de inocência não cabe a nenhum dos lados, o correto é que investigações sejam feitas, pois existem dois denunciantes (gravados), um motorista (que confirmou e depois sumiu), um piloto (que apareceu e confirmou), um embaixador de Cuba que poucos dias após a denúncia voltou para seu país, um empresário (que confirmou o empréstimo do avião), um pedido de hábeas-corpus concedido (por que Poleto necessitaria?), por orgãos competentes. Acredito que o papel da imprensa seja informar, certamente a revista Carta Capital publicaria tal reportagem se o partido fosse outro (PSDB/PFL) e outros os denunciantes, o que também não seria errado.
Renato Guimarães , Rio de Janeiro-RJ - editor
Enviado em 8/11/2005 às 5:00:00 AM
Caro Alberto, sua crônica está ótima, mas, se ainda não leu, recomendo que leia a matéria do Wanderley Guilherme na penúltima página do "Idéias" de sábado último. Com pertinênca, observa que a direita no Brasil está tomando o rumo e as opções golpistas que caracterizaram a direita da Venezuela em 2002. Acrescento: da mesma forma que aconteceu no Brasil em 54 e 64, no Chile em 73 e em outras partes. Quando isso acontece, ela arrasta consigo parte ponderável da classe média, o que resulta em "marchas pela família", "panelaços" e congêneres. A matéria da Veja não passa de mais um ensaio nessa direção. E faz parte dessa manobra tentar assustar com o "antiamericanismo" de Chávez, quando na verdade o governo da Venezela é que aparece diariamente agredido e ameaçado em declarações oficiais e matérias de mídia nos EUA. Espero que isso não progrida, afinal, as condições hoje são mais difíceis para as aventuras de Bush & Cia., mas é bom prstar atenção.
Wagner Figueiredo , - - pesquisador
Enviado em 8/11/2005 às 1:11:53 AM
Vocês poderiam analisar o blog do Noblat. Fala-se do antijornalismo da Veja... Pois bem, o Noblat é a versão eletrônica dela. Hoje, cobrindo o Roda Viva com o Lula, ele colocou como comentaristas em tempo real o Arthur Virgílio, a Cora Rónai e outros menos cotados, como ponto em comum um ódio visceral pelo PT. E nada de colocar as opiniões do outro lado! Ora, as regras de ética e imparcialidade que valem para as mídias tradicionais deveriam valer também para a blogosfera. Julgo ser oportuno um artigo sobre a parcialidade do influente blog do Noblat.
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