ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 359 - 24/11/2009
  E-Notícias
Início > Índice Geral > E-Notícias + A | - A
[imprimir] [enviar por email ] [link permanente]
 

MERCADO DE TRABALHO
O dilema do desemprego entre jornalistas

Por Carlos Castilho em 13/12/2005

Reproduzido do blog Código Aberto; deste OI

Aproximadamente 60% dos jornalistas graduados em universidades latino-americanas ganham o diploma e vão direto para o desemprego ou para outras atividades. Esta assustadora estatística ocupou o centro de um debate no Colóquio Internacional Sobre a Sociedade da Informação, realizado em Santiago do Chile, no começo de dezembro, no qual fui um dos expositores.

Foi impossível estabelecer números absolutos apesar de o evento contar com a participação de diretores de algumas das mais importantes faculdades de jornalismo da América Latina. Um expositor chegou a mencionar, conservadoramente, três mil recém-formados sem emprego, anualmente, em toda a região.

Um número que provoca uma série de perguntas, entre as quais duas foram as mais mencionadas no evento realizado na Universidade do Chile:

1) É necessário desestimular o ingresso de jovens nas faculdades de jornalismo para evitar um crescimento ainda maior do desemprego profissional?

2) Ou a universidade deve entrar para valer no esforço para desenvolver novos projetos jornalísticos capazes de absorver os novos profissionais?

Áreas inexploradas

O dilema colocado diante dos professores de jornalismo não é simples, porque a primeira pergunta equivale a um reconhecimento do próprio fracasso, sem falar que uma redução do número de faculdades provocará também desemprego no corpo docente.

A segunda resposta parece mais fácil, mas embute uma série de desafios. A universidade é sem dúvida a instituição mais bem capacitada para buscar alternativas para a atual crise na mídia impressa. É a universidade que pode explorar os novos caminhos abertos pela internet para a comunicação social e testar a viabilidade de projetos inovadores.

Mas para fazer isso a universidade também precisa mudar, porque a esmagadora maioria dos cursos de jornalismo ainda estão orientados para a produção de profissionais para a imprensa escrita, e só marginalmente preocupam-se com o jornalismo via internet.

Haverá necessidade não só de alterar currículos e programas como reorganizar o corpo de professores para atender às demandas das novas áreas de conhecimento. Esta não é uma tarefa fácil porque mexe com interesses e estruturas já consolidadas.

A nova relação entre cidadãos/jornalistas/veículos de comunicação pode ser a chave para que os profissionais encontrem funções que não existem atualmente. Os profissionais terão que orientar e capacitar as pessoas comuns sobre como usar a informação para evitar as trágicas conseqüências da desinformação – que a internet transformou em arma letal à disposição de qualquer indivíduo.

Outras áreas ainda inexploradas são o jornalismo local e hiperlocal, bem como a informação multimídia em ambiente de convergência de meios. Estes segmentos da comunicação só poderão crescer como resultado de muita pesquisa e experimentação, coisas que só a universidade pode oferecer neste momento de profunda transformação na mídia convencional. [Postado às 12h04 de 9/12/2005]

Comentários (1)
Comentar
Compartilhe
[imprimir] [enviar por email ] [link permanente]
Este é um espaço de diálogo e troca de conhecimentos que estimula a diversidade de idéias e pontos de vista. Não serão publicados comentários com xingamentos e ofensas ou que incitem intolerância ou crime. Os comentários devem ser pertinentes ao tema da matéria e aos debates que naturalmente surgirem. Evite vulgaridades e simplificações grosseiras. Não escreva em maiúsculas: isso dificulta a leitura do texto e, na linguagem da internet, é interpretado como gritos. Mensagens que não atendam a estas normas serão deletadas, e os comentaristas que habitualmente as transgredirem poderão ter interrompido seu acesso a este fórum.
         
Nome :   Sobrenome :
E-mail:   Profissão:
Cidade:   Estado:
Comentário:


para o limite de 1400.
 
The CAPTCHA image
Clique aqui para ouvir o
texto soletrado(mp3)
Digite no campo abaixo o texto
que você vê na imagem ao lado.

 
Henrimar Lima , -SP - Jornalista
Enviado em 16/12/2005 às 2:31:45 PM
Esta questão refere-se apenas ao desemprego entre jornalistas récem-formados, e, por si só, já é grave. Mas trago outra aqui, em relação ao número de profissionais já formados e com bom tempo de carreira que estão desempregados. Quantos são, alguém sabe? Existe alguma pesquisa? E quais as razões? Eu mesmo, atualmente exercendo funções de assessor de imprensa, mas repórter no início de carreira, em 86, formado pela PUC SP, cujo curso deu ênfase ao trabalho na mídia impressa, cheguei a ficar 5 anos sem trabalho entre 1998 e 2003 - razão pela qual aceitei o atual emprego, longe do que eu sonhava, avesso a minha formação, com poucas chances de evoluir na carreira, mas ao qual me agarro e procuro melhorar como posso, atualizando-me e reciclando-me na medida do possível, já que considero improvável voltar a uma redação. E no meu caso ainda pesa a idade: 42 anos. Outro amigo, de 53, aceitou trabalhar num pequeno jornal de uma cidade vizinha, semanário que paga pouco, muito pouco para quem tem o talento e a tarimba dele. E por ai vai. Fica aqui minha sugestão para que este dado também seja levantado e debatido neste espaço! Um abraço!
Compartilhe este texto
Blig Blig BlinkList BlinkList BlogBlogs BlogBlogs BlogLines BlogLines Delicious del.icio.us
Digg Digg Furl Furl Google Bookmarks Google Bookmarks Linkk Linkk Magnolia ma.gnolia
netscape Netscape netvibes Netvibes newsvine Newsvine reddit reddit Stumble Upon Stumble Upon
Technorati Technorati Twitter Twitter Windows Vista Windows Vista Yahoo! MyWeb Yahoo! MyWeb Facebook
Carlos Castilho

Outros artigos desta Seção
MERCADO DE TRABALHO
O dilema do desemprego entre jornalistas
C.C.
13/12/2005
WIKIPEDIA
Enciclopédia online torna obrigatório o registro


13/12/2005

Últimos 5 artigos de
Carlos Castilho
CASO MILAN KUNDERA
Escritor acusado de dedo-duro
4/11/2008
CASO SANTO ANDRÉ
Perguntas que a imprensa precisa responder
28/10/2008
THE ECONOMIST
Revista simula uma eleição planetária no dia da votação nos EUA
21/10/2008
POLÍCIA vs. POLÍCIA
Imprensa sem rumo na guerra do dia-a-dia
14/10/2008
MICROSOFT & YAHOO!
A grande aliança anti-Google
5/2/2008
Mais artigos de
Carlos Castilho >>