ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 364 - 24/11/2009
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LEITURAS DA VEJA
Quando o jornalismo de latrina dispara contra a beatitude

Por Walter Falceta Jr. em 16/1/2006

Felizmente, milito entre aqueles jornalistas "amigos" do padre Júlio Lancelotti, sacerdote católico que tanto incomoda aos poderosos da mídia criminosa e das castas cínicas neoliberais. Posso afirmar que o clérigo da Moóca figura entre os paulistanos mais respeitáveis, honestos e altruístas que conheci. Por isso, tenho colaborado voluntariamente em um de seus belíssimos projetos com o "Povo da Rua".

Tentei adivinhar quando emergiria, em toda plenitude, essa aguda e inevitável contenda na maior cidade brasileira: de um lado, a Pastoral de Rua e seu líder; de outro, Veja e aquilo que costumávamos epitetar vanguarda do atraso.

Padre Júlio representa o que há de melhor em nossa sociedade. Ostenta como atributos a tolerância, a compaixão, a energia para o trabalho, a perseverança, a humildade e a coragem. É o homem da Casa Vida, instituição reconhecida internacionalmente por seu trabalho pelas crianças e adolescentes portadores do HIV. Seus serviços oferecem um fio de esperança aos que foram humilhados, destituídos, feridos, maltratados e excluídos pela farisaica elite brasileira. Sim, nessa comunidade da outra São Paulo há também os loucos, os consumidos pelo vício e os seduzidos pelo crime de varejo. A esses homens, mulheres e crianças feitos párias, à beira do redemoinho da morte, padre Julio estende a mão, como faria seu líder, não Bento 16, o emplumado árbitro do Tribunal do Santo Ofício, mas o rústico carpinteiro da Galiléia, Jesus de Nazaré.

Como amante da dialética e das dialéticas, sempre me protegi do recurso fácil ao maniqueísmo. Aqui, entretanto, falta-me alternativa. Veja resume e simboliza o que há de pior em São Paulo, o que há de mais letal à cultura da vida no Brasil.

À margem direita do rio, empina-se arrogante a torre do "pecado", hoje convertida em bunker dos corleones da comunicação. Entre tantos colegas de boa índole, mistura-se o que há de pior em nossas fileiras, empenhados num maquiavélico processo em que a manipulação da doxa tem por objetivo destruir a episteme. O panfleto mente! Depois, distorce, trama, sabota, e agride. Em seus quadros, mantém os mais obstinados inimigos da verdade, dedicados a restaurar preconceitos, atiçar ódios e instituir intolerâncias. Mais que tudo, entretanto, a colorida cartilha do mal esforça-se por injetar nas veias da classe média a desconfiança e o medo.

Porta-voz da malta de predadores que há séculos controla cofres e mentes em Pindorama, o "odiário" oficial oposicionista publica mais uma pérola em sua edição nº 1938 (de 11/1/2006). Trata-se de iguaria de fel preparada por encomenda de certos abantesmas dracúleos, hoje estabelecidos nos porões da alcaidia.

Onze pecados

Surpreende a enorme quantidade de incorreções em tão escassas e mal digitadas linhas. Seguem 11 pecados da "reportagem" de 11 de janeiro.

1. A chamada "Pastoral de Rua" não se constitui em organização política, tampouco mantém qualquer ligação com o Partido dos Trabalhadores, o partido demonizado semanalmente por Veja.

2. Indaga-se: que tropas o papa Bento 16 – aqui invocado como Inquisidor – pode mover contra a Pastoral de Rua? Na calada da noite, invadir os arquivos da Sé Romana e triturar secretamente os documentos do Concílio Vaticano II? Apagar das fotos oficiais a figura de João 23? Ou fingir que não existe uma Doutrina Social na Igreja, cuja preocupação com os excluídos mereceu apoio até do finado João Paulo II? No entanto, tratamos aqui de assuntos de relevância histórica, cuja compreensão demanda pesquisa e capacidade de interpretação. Esses talentos e competências, definitivamente, não são mais o forte dos repórteres de Veja.

3. Ao tratar do povo de rua, a jornalista comete mais um pecado ao referir-se à "categoria". Certamente, a moça jamais gastou os olhinhos num texto de Aristóteles, ou teria mais zelo com o que escreve. Compreenderia conceitos e teria recursos para vencer o transe abriliano e enxergar com alguma clareza a realidade. A repórter tampouco logra entender a abrangência do termo "povo da rua". Desconhece o sentido antropológico da expressão e sua gênese no estudo das condições sociais e econômicas dos excluídos urbanos.

4. Na seqüência, mais uma vez atrapalhada com conceitos e categorias, a repórter apronta uma lambança, misturando sem-teto com ambulantes e menores em situação de abandono com produtores de "excrementos". Por fim, sugere que estejam todos associados, de algum modo, à bandidagem. Santo Agostinho, protegei-nos do veneno da ignorância. O termo "pivetes" insere-se na velha estratégia de Veja em recorrer ao esculacho linguístico para desqualificar o "outro".

5. Sonsa, a repórter parece tentar convencer o leitor de que padre Júlio inventou a expressão "prática higienista". Priva o leitor de conhecer a origem do termo e suas implicações históricas. Seguramente, jamais manteve qualquer contato com os relatos sobre a política higienista de Washington Luís, cuja ação, aliás, teve como alvos especialmente os desfavorecidos da Várzea do Carmo, nas bordas do Tamanduateí. Se estudasse um pouco mais, a jornalista compreenderia que práticas desse tipo não eliminam a pobreza, apenas a transferem (muitas vezes, temporariamente) de lugar. Não por acaso, boa parte do povo de rua aglutina-se hoje na região do Glicério, parte da mesma Várzea.

6. Indaga-se à repórter de que forma dez mil pessoas em situação de rua podem servir como "rebanho de manobra" para o sacerdote. Sairá o padre como candidato do demoníaco Partido dos Trabalhadores? Os tais excluídos serão utilizados para pintar propaganda eleitoral em muros, distribuir panfletos e executar boca-de-urna ilegal? Ou será que serão imolados para que se evidencie a fragilidade do sistema de segurança pública em São Paulo? Afinal, quais seriam os objetivos do padre? Na visão paranóica de Veja, o clérigo da Moóca planeja uma espécie de sinistro confisco. Pretende, quem sabe, tomar o poder para dividir as mansões do Morumbi e de Higienópolis entre os catadores de papel do Centro Velho. [Em se tratando de violência, pergunta-se: por que Veja silencia sobre o processo contra os acusados de assassinar sete moradores de rua, em 2004? Será que, neste caso, a impunidade não se converte em assunto de interesse jornalístico?]

7. Não é verdade que o padre Júlio seja contrário à oferta de albergues e abrigos para os moradores em situação de rua. Erguesse o traseiro da cadeira e a repórter poderia conhecer albergues nos quais o clérigo desenvolve suas atividades de promoção social. Para visitar, por exemplo, a casa de convivência São Martinho de Lima, no Belenzinho (sim, existe uma Zona Leste na cidade), a repórter não perderia mais que duas horas.

8. O rabo do texto é típico do cinismo retórico de Veja. A repórter tenta confundir padre Júlio com o templo ao qual está legalmente ligado, propriedade da igreja e não do sacerdote. Numa sofística pouco sofisticada, a jornalista propõe a invasão da casa de cultos. Ora, que não se confunda Jesus com Genésio. Ou será que os católicos do Opus Dei e o Sumo Pontífice concordariam em abrir a Catedral de São Pedro para acolher os imigrantes albaneses e marroquinos que afluem diariamente à Itália? Sugerir que o padre passe a viver debaixo do viaduto equivale a recomendar que os infectologistas desenvolvam as doenças que combatem. A sandice permite imaginar que, durante a redação do texto, a autora vivenciasse um estado alterado – experiência, aliás, corriqueira nos altos círculos de escribas de Veja.

9. Os profissionais de imprensa bem informados sabem que a "entrevista" com o padre desenrolou-se cordialmente, versando sobre outros assuntos, como as conquistas e desafios do trabalho missionário nas ruas de São Paulo. O esclarecimento dos fatos sugere duas hipóteses. a) Como é de praxe, o material da moça foi violentamente adulterado e editado pela intelligentsia que controla a revista. b) Durante o contato com o padre, a jornalista desenvolvia à sorrelfa a manjada tática de Veja: simular uma grande entrevista para coletar uma frase ou palavra que comprometa a vítima da vez ou que corrobore as mirabolantes teorias engendradas pelos editores da revista. Afinal, as matérias do semanário já estão prontas antes que os personagens sejam ouvidos. O contato com a realidade constitui-se em mera alegoria na práxis vejística. Aproveita-se no texto, na moldagem sutil ou na martelada, apenas o que convém aos "roteiristas".

10. Surpreende que o mesmo padre satanizado pela revista tenha estrelado uma das capas de Vejinha, em 27 de dezembro de 1995, na qual era festejado como "Papai Noel de verdade".

11. Por fim, a seção de cartas da edição seguinte de Veja escancara no desequilíbrio da seleção de opiniões mais uma molecagem. Exagera-se em número e intensidade o que serve para desqualificar a vítima. Reduz-se na peraltice o que lhe possa ser favorável. No caso presente, os que reconhecem a beatitude foram ignorados. Imagina-se que as manifestações indignadas de entidades, clérigos, políticos e cidadãos seguiram despachadas, em via inversa, nas produtivas latrinas da redação.

Comentários (24)
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teofilo  souza , são paulo-SE - webdesigner
Enviado em 30/12/2007 às 1:48:46 PM
do que adianta criar um canal de comentarios aqui, se os coment[ários são moderados. Só falar bem, não é democracia... Tem que existtir um canal da verdade... e aqui não existe!
ELIZANGELA LIZARDO EMIDIO , CORONEL FABRICIANO-MG - ESTUDANTE
Enviado em 30/12/2007 às 4:12:07 AM
Não me interesso pelo que algumas revistas publicam, toda informação com manda o bom jornalismo te que ser investigada. As denúncias contra o Padre é o que interessa, ele pagou quantias altas ao rapaz, claro , o padre é uma pessoa influente, mas esquecemos do fato que cuida de crianças, e quando uma pessoa tem tantas dúvidas envolvendo seu caráter, deveria ser afastada dessas crianças. Onde o padre "amigo" dos jornalistas arrumou tanto dinheiro? Por que ele pagou? Fico impressionada com o Observátorio da Imprensa, por esquecer que as bases do jornalismo são a investigação, a objetividade e a imparcialidade. Sejam amigos das crianças e não do padre, investiguem, ninguém está livre de cometer atos ilícitos porque aparece na mídia e tem "amigos".
Paulo Cesar  Rodrigues , São Paulo-SP - Economista
Enviado em 1/11/2007 às 9:26:55 AM
A imprensa esta a nos dever, ha muito tempo, uma radiografia do que acontece na redação da revista Veja. Até hoje considero o Globo e O Estado de São Paulo os porta vozes do conservadorismo nacional. No caso de Veja a situação é outra, a revista assumuiu uma posição pareceida com a dos antigos comando de caça aos comunistas ou organizações semelhantes, seria interessante a imprensa discutir o papel desta revista hoje
Mag Katherine , São Paulo-SP - Secretária Executiva e Antropóloga
Enviado em 30/10/2007 às 7:23:31 PM
Não sou católica, muito menos sectária de qualquer religião. Julio Lancelotti, antes de ser padre, é um ser humano como poucos. Tenho o prazer de conhecê-lo há muitos anos e, independentemente de sua crença, é inegável o comprometimento e a dedicação desse homem em favor dos desfavorecidos. "Aquele que não tiver pecado, atire a primeira pedra"; O mundo deve estar repleto de "santos", já que tantas pedras estão sendo atiradas sem que a verdade seja apurada. Se Julio Lancelotti for culpado, que seja feita justiça. Absurdo é julgar, condenar e punir sem provas.
roberto silva , sao paulo-SP - auditor
Enviado em 30/10/2007 às 4:17:15 AM
Qual a diferença - daquele psiquiátra paulistano consagrado internacionalmente, mas que sedava seus pacientes adolescentes para seviciá-los - para o padre lanceloti ? diferença nenhuma: tudo que o psiquiatra fez em favor dos aodlescentes ( escrevendo livros e artigos ), e por isso obteve reconhecimento, então caiu por terra quando se descobriu o que fazia às escondidas. No caso do padre tem-se o agravante dele usar dinheiro público repassado às ongs para  [ ]. A Veja só confrontou a postura do padre anterior, com sua realidade atual. E que o padre é símbolo petista isso não há dúvida.
MANOEL MESSIAS ALMEIDA ALMEIDA , NATAL-RN - ARQUITETO
Enviado em 24/10/2007 às 6:33:23 PM
Mais do que irresponsabilidade, a reportagem da revista Veja tenta denegrir instituições irrepreensíveis da nossa sociedade, como o é padre Julio Lancelotti. Sinto-me envergonhado de fazer parte de uma época em que esta mesma sociedade nao tem mais parâmetros, nem limítes quanto a agressões gratuitas a quem ainda tenta acreditar em dias melhores.
Victor Hugo  Silva Carvalho , Rio de Janeiro-RJ - Funcionário público
Enviado em 19/10/2007 às 3:30:31 PM
Essa história esta muito mal contada. Ninguém é extorquido a toa. A Policia Federal tem que investigar esse cara. Veja é, disparado, a melhor revista do Brasil. Lá estão os melhores profissionais.
Leo A , São Paulo-SP - Estudante
Enviado em 23/1/2007 às 10:00:10 PM
Parece que a obra de chomsky encontra-se atual demais. A "MANIPULAÇÃO DO PÚBLICO" de chomsky denota a criação parcial e manutenção da mídia norte americana.O que pode ser visto aqui muito seriamente. É horrível e triste constatar que a mídia brasileira segue os mesmos princípios da mídia americana. E a Veja nunca ficou fora diso, essa reportagem vem bem a calhar e o sr. Wlter Falceta deve ser olhado de perto para ver se não é atacado pela VEJA, numa reportagem de confidência, como de costume de Maynardis da vida. ESSA REVISTA É NOJENTA!!!!Sempre se mancomunou com interesses escusos e deve ser embargada. Contra a mídia facista. OBS: Agradeço por final por existirem pessoas como o Padre Júlio e o Sr. Walter, tentando nos dar uma luz face a escuridão dos corleones da mídia Brasileira.
Patricia Samora , -SP - arquiteta
Enviado em 6/2/2006 às 11:15:29 AM
A revista Veja passou de qualquer limite aceitável ao publicar essa matéria. Felizmente, podemos contar com um grupo de observadores atentos, desmascarando a farsa. Contudo, desqualificar a repórter é pouco: precisamos saber a que interesses serve a revista e, mais ainda, quais as consequências do ódio disseminado pela revista entre nossa sociedade. Outra pergunta: caros jornalistas, onde estão os arquitetos e urbanistas dessa cidade, que nem se incomodam com a discussão em torno da política urbana proposta para São Paulo? Será que, ao se omitir, não estarão consentindo em silêncio? Cabe averiguar pois tal silêncio, a meu ver, não tem nada de inocente.
jose luiz oliveira filho , caieiras-SP - Engenheiro Civil
Enviado em 3/2/2006 às 12:10:41 AM
materias com esse conteudo devem ser mais divulgadas para que alcance o grande publico, para que veiculos de midia tão perniciosos sejam coibidos de uma vez. Como fazer?
Vergilho Carvalho Sobrinho , CASTRO - PR-PR - advogado e microempresario
Enviado em 24/1/2006 às 11:12:23 AM

Vou derivar um pouquinho, mas não vou fugir do tema. Escrevo para fazer um reparo ao comentário feito pelo jornalista Alexandre Garcia, da Globo, no Bom Dia Brasil, onde comentou sobre as férias dos deputados. Primeiro esclareço que não tenho procuração para defender o Congresso, mas a bem da verdade, da justiça, há que se esclarecer que o Congresso tambem não pode virar caixa de pancada. Ora, sabe-se que recesso não é férias (ou não são férias); nesse período o parlamentar precisa voltar às bases, reciclar-se, descansar, refletir enfim.

A prevalecer a matemática de tempo exercitada pelo referido jornalista em seu comentário, poderia se chegar a conclusão semelhante, com resultado mais negativo ainda, pois se contarmos como tempo de trabalho, de exercício de atividade, tão somente os minutos que o jornalista aparece na TV e apresenta seu comentário, sem considerarmos o tempo de estudo, pesquisa, enfim, de preparo da matéria.

Assim ocorre com os parlamentares sérios. Não podemos nivelar por baixo. Para consertarmos o que está por aí precisamos, sem dúvida, de muita ética (não a do PT e sua base aliada) e seria, e será, muito bom, muito útil, que proceres do jornalismo, como o citado, reflitam e deem exemplo. A imprensa, assim como o Congresso, tem sem dúvida um papel importantíssimo nesta quadra da vida do País. Tomemos consciencia disso.

Djay Pariz Campos Pariz Campos , São Paulo-SP - Assessor
Enviado em 23/1/2006 às 1:46:16 PM
Meu coração ficou um pouco mais aliviado. Obrigado! O Padre Júlio não merece tanta infâmia. A cidade devia se envergonhar... mas estou pedindo demais. Um ato de repúdio seria bom e uma matéria, quem sabe na Carta Capital, sobre o trabalho da Pastoral. obrigado mais uma vez
Alexandre Carlos Aguiar , Florianópolis-SC - Biólogo
Enviado em 23/1/2006 às 11:29:36 AM
Quero me desculpar ao jornalista Flavio Simonetti por ter me apresentado arrogante na frase. Mas não o fui na essência, uma vez que, em não sendo jornalista, procuro na mídia assuntos e matérias referentes ao escopo de minha atividade, a científica. E há muito que Veja, como artefato de mídia, deixou de usar esse recurso ao transmitir suas informações aos leitores, qual seria, o de ao menos checar suas fontes, ou avaliar o grau de incertezas, disparates e aleivosias que profere semanalmente, num autêntico pacto de mediocridade com a sociedade brasileira. Claro que os jornalistas estão fora de meu comentário pois, por dever de profissão, devem ler tudo o que lhes passa às mãos, até para informar ao homem comum o que não se recomenda ler. Isso, obviamente, não os impede que sejam inteligentes.
Ely Constante , Curitiba-PR -
Enviado em 22/1/2006 às 12:08:30 AM

Esta revista deixou, há um bom tempo, de merecer credibilidade. Suas reportagens são claramente dirigidas contra movimentos sociais, contra governos socialistas e contra tudo aquilo que eles-os donos da revista e seus paus mandados- imaginam que possa de alguma maneira levar o povo a refletir. São americanófilos.Se atiram cega e desesperadamente contra tudo que ouse criticar ou contrariar os interesses americanos. Foi assim com um cantor americano, que se apresentando na Venezuela se disse admirador de Hugo Chaves e pediu desculpas pelos atos de Bush.

Entre seus colunistas existe um que é simplesmente um moleque, chamado Diogo Mainardi. Quanto às cartas publicadas, isto é para dar gargalhadas: só publicam as que vem com expressões como "obrigado à Revista Veja"..., "Veja foi brilhante"..., "Veja nos brindou"... e outras frases muito pobres. Teve uma época que as cartas começavam com: "Congratulo Veja"... Fui assinante desta revista durante 15 anos, e escrevi algumas vezes criticando reportagens da revista. Obviamente nunca tive uma carta ou e.mail publicado. Mas este último ano foi demais. É muita parcialidade. Cancelei minha assinatura.

Therezinha de Farias Lima , São Paulo-SP - do lar.
Enviado em 21/1/2006 às 10:31:17 AM
Caro Walter; Muito corajosa de sua parte a matéria sobre artigo da todo-poderosa Veja. Sou uma admiradora do trabalho do Pe. Julio, e tenho certeza, houvesse na sociedade outros Julios como ele, e nosso mundo seria bem melhor. Abraços Therezinha.
Fábio Carvalho , Porto Alegre-RS - Jornalista
Enviado em 20/1/2006 às 5:49:29 PM
Sugiro que na análise sobre a matéria da Época, assinada por Alberto Dines, seja feita remissão a essa obra do Opus Dei publicada pela revista Veja. É assim que pensa a elite: para promover a segregação e destacar os distintos, vale tudo. Até falar mal do padre. Logo, logo, será preciso retirar a favela Funchal para não atrapalhar a Daslu.
Flávio Simonetti , São Paulo-SP - Jornalista
Enviado em 20/1/2006 às 4:39:31 PM

Alexandre, não concordo quando você diz que "pessoas inteligentes, que na análise crítica tem a sua forma de se relacionar com o mundo, não são leitores dessa revista". Acho que, quanto mais pessoas inteligentes passarem a ler a Veja, maiores são as chances de que esse tipo de disparate não seja publicado impunemente. Afinal de contas, quantas pessoas que não lêem a Veja deixaram de saber das barbaridades publicadas sobre o padre Lancelotti? Se tivessem lido, poderiam ter escrito milhares de cartas à Editora Abril se posicionando contra a matéria. Acredito que devemos sempre ler todos os veículos de imprensa que pudermos (claro, sou jornalista). Entre meus amigos, não é raro ouvir "Ah, eu não leio a Veja, eu já sei o que está escrito ali". Para mim funciona exatamente de maneira contrária: é exatamente por saber o que está nas páginas da Veja (e da Folha, Estadão, Época, Caros Amigos, etc.) que eu faço questão de ler a revista da Abril, e todas as outras.

O deputado federal Delfim Neto sempre foi um grande crítico das teorias marxistas. Concorde-se ou não com ele, o fato é que ele leu e releu inúmeras vezes as obras de Marx (e não somente elas, é claro) e, em função disso, desse conhecimento, ele tem autoridade para criticar. Seria uma hipocrisia sem tamanho, por exemplo, eu, que nunca li uma linha de Marx (deveria ter lido, eu admito) dizer "não li, e não gostei". Abraços

Léo Bueno , Santo André-SP - jornalista
Enviado em 20/1/2006 às 2:17:09 PM
"Há algo de podre na Marginal, e não é o Rio Pinheiros." Alguém escreveu isso numa destas faixas de comentários, e peço desculpas por não me lembrar quem foi. Mas está correto.
Alexandre Carlos Aguiar , Florianópolis-SC - Biólogo
Enviado em 19/1/2006 às 1:42:40 PM
Eu também, a exemplo do Sr. Walter Falceta, não gosto de maniqueísmo, da mesma forma de eventos já determinados, mas não há como fugir desta constatação: pessoas inteligentes, que na análise crítica tem a sua forma de se relacionar com o mundo, não são leitores dessa revista, tampouco admiram o tal Paulo Francis de araque.
haroldo mariano neves , belo horizonte-SP - advogado
Enviado em 18/1/2006 às 11:28:44 PM
O provo já está irritado com a parcialidade da Revista Veja, que sabe somente criticar o Gov. Lula, chegando ao absurdo de dedicar quase uma página inteira da seção "cartas", de supostas missivas elogiosas ao Sr. Jorge Bornhausen. Logo ele, um banqueiro, que sempre se prevalaceu das benesses dos governos. Veja que nenhuma outra instituição, teve tamanho lucro como os Bancos nos últimos 40 quarenta anos. Agora, a revista do Sr. Roberto Civita chega ao cúmulo de imprimir em suas páginas que o capitalismo é o único sistema que pode salvar este país (materia das páginas amarelas da última edição). Já o Sr. Diogo Mainardi, este é tão irritante em sua coluna, ao ponto de dizer que ele, derrubou o governo Lula. A revista, de fato, tornou-se um publicação tendenciosa, com a clara e nítida oposição única e exclusiva ao Gov. Lula em mesmo diante dos últimos resultados satistatórios da economia, a revista recusa-se a reconhecer. Além disso, a revista parece que foi feita para criticar somente o atual governo, vez que, não dedica uma única linha sequer, aos escândalos envolvendo políticos da oposição. Até mesmo o "racista" Bornhausen mereceu uma longa entrevista. Logo ele, que queixou-se de recismo, quando, em palestra proferida da Fiesp, declarou: "Essa raça não se reelegerá nos próximos 20 anos". Ora, quem é racista? Por último, tenho lido a Veja porque minha mulher ganhou uma assinatura do banco onde mantém conta corrente (Logo, bancos provendo Veja?). Felizmente, a "cortesia" está chegando ao final. Garanto que não mais vou ler a Veja e, assim, ficarem livre desta figura chamada Diogo Mainardi. Um abraço, Haroldo
Marcelo Barros de Sousa , Goiás-GO - Monge beneditino e escritor
Enviado em 18/1/2006 às 9:13:26 PM

Senhor Redator, dirijo-me a Vossa Senhoria para, a pedido do autor, que está em viagem e sem acesso à Internet, encaminhar a esse prestigioso Observatório da Imprensa cópia da carta que o monge Marcelo Barros OSB enviou à Veja a respeito da infeliz matéria sobre o Pe. Julio Lancelotti, saída naquela revista, edição de 11 de janeiro corrente (texto abaixo).

Veja que odiosidade

Marcelo Barros

Nos últimos anos, a revista VEJA renunciou a qualquer disfarce de seriedade jornalística e ao mínimo de objetividade. Movimentos sociais são denegridos e figuras públicas, comprometidas com a transformação social, caluniadas, para que se mantenha sobre o Brasil a velha dominação dos senhores. No 1º Fórum Social Brasileiro, em Belo Horizonte, novembro de 2004, um dos seminários mais concorridos tinha como título: “Veja que mentira!. De lá para cá, a revista piorou muito. Perdeu qualquer noção de respeito a seus leitores.

No número de 11/01/2006, a jornalista Camila Antunes comete uma matéria sobre Urbanismo, cujo título é muito significativo: A solução é derrubar. Defende o projeto da atual administração de São Paulo que pretende demolir dez quarteirões do centro de São Paulo, área considerada degradada, para oferecê-la à iniciativa privada. No contexto arrogante e preconceituoso da reportagem, a jornalista centrou suas baterias contra a pessoa e o trabalho do padre Júlio Lancelotti, que, há anos e anos, consagra sua vida à Pastoral do Povo da Rua, trabalho para o qual foi nomeado pela arquidiocese de São Paulo como vigário episcopal que ele cumpre de modo exemplar.

O título especial que ele tem revela a oficialidade de sua função e mostra que ele conta com a confiança e o apoio do seu bispo e de toda a Igreja local. Aliás, posso testemunhar de coração aberto que, em todo o Brasil, o padre Júlio Lancelotti é considerado, modelo de padre e pastor. Ele cuida também de crianças soro-positivas ou filhas de pais, vítimas do HIV e acaba de receber o prêmio Alceu Amoroso Lima – Direitos Humanos, 2005 do Centro Alceu Amoroso Lima para a Liberdade, em Petrópolis, como é ainda Doutor Honoris Causa pela PUC- SP.

É difícil compreender por que um órgão de imprensa abriria seu saco de maldades contra um homem como Júlio Lancelotti, do qual só emanam bondade e testemunho de esperança para tanta gente. A jornalista Camila Antunes desconhece a categoria povo da rua e não pode pensar que seja por sua própria ignorância sociológica. Declara, então, que o padre Júlio a inventou. E, assim sendo, o que de mais odioso ela pode dizer da Pastoral da Rua é que se trata de organização política, ligada ao PT. Por isso, resgatando de outras épocas, a velha figura do dedo-duro, sugere uma intervenção do papa em uma Igreja local que, de acordo com a Teologia e o Direito que regem a Igreja Católica, tem autonomia para organizar o seu trabalho pastoral.

Para a VEJA e os administradores urbanos que inspiraram e, talvez, financiaram esta reportagem, o povo da rua é um lixo a ser removido, para que a cidade fique limpa. Hitler e seus seguidores agradecem por verem a lição bem aprendida. Nós todos queremos ver nossas cidades limpas e os seus centros revitalizados. A deterioração dos centros urbanos e de bairros importantes de nossas cidades não foi provocada pela população pobre e sim pelo modelo socioeconômico que os mesmos senhores do poder criaram. Entre 1990 e 2001, só no Brasil, a modernização tecnológica eliminou 10, 76 milhões de empregos. (Folha de S. Paulo, 18/01/2004). Foi o fechamento das indústrias existentes no local que provocou a degradação hoje existente na área de São Paulo, hoje visada para o empreendimento privado.

Em livros como Modernidade e Ambivalência, Vidas Desperdiçadas, Comunidade e outras obras criativas, Zygmunt Bauman, sociólogo polonês e professor emérito da Universidade de Varsóvia e Leeds, refere-se a este tipo de modernização preconizada pela VEJA como modernidade liquida e fluida. Ele mostra que assim como terrorismo não se vence com a guerra, a degradação de nossas cidades não se supera com mais exclusão social. Independentemente dos ataques sórdidos de órgãos da imprensa como a VEJA, Júlio Lancelotti e toda a equipe que, com ele, acompanha o povo da Rua, continuam fielmente a sua missão, cada dia mais indispensável. Eles nos mostram que o desenvolvimento de uma sociedade se mede pelo modo como esta trata os seus membros mais frágeis e carentes.

Bons governantes não são os peritos em fazer maquiagens em ruas e bairros centrais de cidades. A cidade de São Paulo, assim como o Brasil, precisa de administradores que se comprometam a priorizar a luta contra as desigualdades sociais e a se consagrar a um desenvolvimento integral e integrado, com justiça e compaixão para todos. 

Marcelo Barros, monge beneditino, teólogo e escritor, assessor da Pastoral da Terra e das Comunidades Eclesiais de Base. Documento de identidade: 4242073. SSP- GO. Endereço: Mosteiro da Anunciação do Senhor. Cidade de Goiás - GO. Email: mosteiro@rededapaz.com.br

Elizabeth Lorenzotti , sao paulo-SP - jornalista
Enviado em 18/1/2006 às 6:18:51 PM
Walter, compartilho da sua indignação. Não leio isso que se pretende chamar "revista" há anos, mas a gente sempre acaba sabendo de seus horrores. Como essa "matéria". Mais do que vergonhoso, isso não tem classificação. Como esse produto inteiro. Em paises mais civilizados se promovem boicotes a produtos que violam os chamados direitos do consumidor. Mais do que na hora de começar um boicote à Veja, não acha? Um abraço
Lica Cintra , Rio de Janeiro-RJ -
Enviado em 18/1/2006 às 1:34:01 PM
O jornalista foi muito feliz no título da matéria: jornalismo de latrina. Que reportagem desonesta e mentirosa. Que barbaridade!
CELIO LEVYMAN , SÃO PAULO-SP - MÉDICO
Enviado em 18/1/2006 às 6:13:00 AM
Há muito pouco a acrescentar ao belo texto de Walter Faceta Jr.Ao ler a matéria de Veja sobre o padre Julio Lancelotti - a quem não tenho o privilégio de conhecer pessoalmente,apenas seu trabalho - cada vez mais me convenço que a "mainardização" da revista semanal é lúgubre e segue,sem inovação alguma,vários modelos bem conhecidos de tentar desmoralizar públicamente alguém,seja expurgando stanislísticamente um cidadão ou instituição de um partido,seja criando mais ódio ainda contra pessoa/pessoas já devida e préviamente incendiadas nazísticamente.É a intolerância jornalística servindo a alguém.Liberdade de expressão possui limites,e uma das maneiras de mostrar tais fronteiras é em artigos como esse.Triste mudança de rumos do semanário...
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Walter Falceta Jr.

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