ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 366 - 24/11/2009
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`DENÚNCIA´ DA VEJA
De quem é a culpa? Do delegado?

Por Leonardo Attuch em 30/1/2006

No ano passado, vários veículos de comunicação foram condenados a indenizar os antigos proprietários da Escola Base, que eram acusados, injustamente, de molestar alguns de seus alunos. Quando as reportagens foram publicadas, em 1994, os jornalistas se disseram induzidos ao erro pela afoiteza de um delegado, precipitado em seu ímpeto condenatório.

Mesmo depois de um caso tão pedagógico, a revista Veja, ao que parece, não aprendeu a lição. Refiro-me, em especial, ao jornalista Lauro Jardim, editor da seção "Radar". Aos fatos:

** Em maio do ano passado, ele publicou uma nota em sua coluna, chamada "Debate Público", referindo-se a um pacote de e-mails em poder da Polícia Federal, que teriam sido trocados entre ATT e DD. E Lauro, sem explicar aos leitores do "Radar", um espaço tão nobre da Veja, quem seriam os personagens da sua nota, classificou tal pacote como um "prato feito". Era um recado cifrado.

** Dias depois, eu decidi interpelá-lo judicialmente para que respondesse quem seriam ATT e DD. E não se tratava de vestir a carapuça. Eu sabia claramente que a nota era endereçada a mim. Isso porque, dias antes, eu havia convidado todos os jornalistas da Veja para um "debate público" – mesmo título da nota do "Radar" – no Observatório da Imprensa e no Comunique-se para discutir o meu trabalho e o meu patrimônio, uma vez que a revista da Abril insinuava que eu seria parte de uma quadrilha formada pelas empresas Kroll e Opportunity (ver "Um convite aos colegas da Veja").

Em vez de participar de um debate aberto e transparente, a revista Veja, fiel ao seu estilo leviano e insidioso, preferiu publicar uma nota enigmática. Por isso escrevi novamente ao Observatório da Imprensa (ver "Convite a um jornalista da Veja").

** Lauro demorou muito tempo para responder a interpelação. E antes mesmo que o fizesse, uma outra publicação, a revista CartaCapital, decidiu publicar um dos supostos e-mails entre ATT e DD. Tal publicação os atribuiu a Leonardo Attuch e Daniel Dantas e a mensagem trataria da entrega de uma encomenda – curiosamente a reportagem da CartaCapital saiu logo após a entrevista que fiz com a secretária Fernanda Karina, de conseqüências devastadoras para o governo.

** A reportagem de CartaCapital me deu a rápida oportunidade de provar que tal e-mail era forjado, o que foi atestado no mesmo dia em que ela foi publicada pelo portal Terra Networks, por meio de sua diretoria jurídica. Isso talvez tenha influenciado a resposta de Lauro Jardim à minha interpelação, que só foi entregue agora, em janeiro de 2006. Ciente de que seu "prato feito" era uma fraude, uma sórdida farsa, ele não respondeu diretamente quem é ATT e também não disse quem é DD. Justificou sua nota dizendo apenas que ATT e DD são expressões contidas no pacote recebido da Polícia Federal.

Será que ele não procura saber quem os personagens de suas próprias notas? Será que confia tão cegamente no prato de comida que lhe é servido por nossa polícia republicana?

Intenção deliberada

Pois bem. Vejamos como Veja processa suas notícias e seus erros.

A se acreditar no relato de Lauro Jardim, ele teria recebido um pacote de informações falsas da Polícia Federal e, sem a mínima preocupação em checar a veracidade do seu "prato feito", teria publicado passivamente uma nota contra um ex-colega de trabalho – nós já havíamos trabalhado juntos na Exame. Depois, mesmo ciente de que havia cometido um grave erro, Lauro, em vez de se retratar, transfere toda a responsabilidade para sua fonte.

Diante do comportamento desse colunista da Veja, eu me dou o direito de concluir que, em vez de um mero equívoco, que muitos cometem, talvez tenha existido a intenção deliberada de caluniar. E aqui eu o convido, Lauro, a participar de mais um "debate público" para responder este artigo.

***

Nota do OI
: Às 13h50 de segunda-feira (30/1), o Observatório enviou ao jornalista Lauro Jardim, por e-mail, um cópia deste artigo. Convidado a se manifestar, não recebemos resposta até o momento em que esta edição subiu para o web. Se e quando a recebermos, a réplica será aqui publicada. (L.E.)

Comentários (5)
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Paulo Camara , Brasília-DF - jornalista
Enviado em 4/2/2006 às 9:13:55 PM

Caro Attuch, poderia me esconder atrás de uma identidade alheia por ser seu colega. Poderia me render à covardia para trazer ao debate, num ambiente corporativista, algo que certamente vale mais que meu nome, minhas matérias, minhas relações: a ética na imprensa. Não tenho o histórico que tenta descrever. Talvez, se tivesse, poderia dizer que tenho apenas um carro 1.0 e uma chácara distante de São Paulo num valor declarado no IR um pouco menor do que deveria. Assim, estaríamos mais próximos. A diferença seria ainda a investigação na Polícia Federal. Dessa, abro mão mesmo com tranqüilidade.

Mas Attuch, mesmo sendo a minha identidade questionável, na sua opinião, gostaria de ver a resposta aos questionamentos que apresento. Vamos ao debate, não à teoria da conspiração ou à mania de perseguição a que pessoas comprometidas apelam quando colocadas contra a parede. Dar meu CPF? Por quê? Tem gente que trabalha a seu lado que nem esse documento tem! Sabe de quem estou falando, não é? Mas hei de dar razão: paremos com os ataques pessoais. Cada um com sua ética pessoal, eu com a minha e você sem a sua. Vamos ao debate. Defenda a publicação em que trabalha! Diga-nos, neste espaço, que a Isto É Dinheiro não recebeu dinheiro do Governo do Distrito Federal para fazer publicações que propagandeiam uma gestão duvidosa. Diga-nos, perante Alberto Dines, que é fundamental até hoje nas universidades, que o governo do Rio de Janeiro não pagou por matérias que saíram misturadas ao trabalho dos repórteres da Isto É em 2004 (desculpe-me pela falta de precisão na data). Diga-nos que o McDonalds não molhou a mão dos responsáveis pela publicação para novas matérias sobre primeiro emprego, etc. Contradiga outro de nossos importantes professores, Milton da Graça Coelho, que fez, em seu Comunique-se, o primeiro desabafo de um jornalista ético contra a oferta de espaço a corporações e governos nas publicações da Editora Três. Mal sabia ele, pobre jornalista que não se atenta às possibilidades dos desvãos de aéticos, que essas matérias, melhor, panfletos, eram feitos pelos próprios repórteres mediante pagamento de salário adicional.

Vamos ao debate, não às defesas, às escusas, às imaginativas respostas. Lauro Jardim? Não o conheço. Apenas por ler a Veja, revista que, por sinal, tem caminhado junto à Isto É nas relações comerciais. Uma, abriu-se ao capital estrangeiro; a outra, abre a quem melhor pagar numa semana. Vamos ao debate, repito.

P.S.: Um elogio, depois de tantas provocações: seus textos estão cada vez melhores. Sinceramente.

Leonardo Attuch responde

Vejo que você me acompanha há tempos. Obrigado pelo interesse. E não deixe de ler o livro A CPI que abalou o Brasil, que apesar de todos os ataques que sofri, acaba de entrar na lista de livros mais vendidos até da Veja. Ele diz muito sobre o comportamento de vários de nossos colegas de profissão — digo nossos porque, afinal, você se diz jornalista — e também desce aos pormenores de uma confusão societária que você conhece bem. É possível que você não conheça o Lauro Jardim. Mas ele lhe conhece. Continue sempre lendo meus artigos. E indique o livro aos amigos. (L.A.)
Paulo Camaro , Brasília-DF - Jornalista
Enviado em 2/2/2006 às 9:28:28 PM

A denúncia da Veja não é velha. Também não é irresponsável como quer fazer parecer esse repórter da IstoÉ Dinheiro, revista que já vendeu mão-de-obra para o governo do Distrito Federal (mandou seus repórteres fazerem matérias em favor do governador por pouco mais de R$ 500 mil), do Rio de Janeiro e do McDonald´s . O senhor Leonardo Attuch estava na lista de convocados da CPI dos Correios, não por sua matéria com Fernanda Karina (por sinal Attuch até hoje não conseguiu explicar por que guardou a tal bomba por 9 meses). Attuch seria chamado porque supostamente tem recursos no exterior, enviados ilegalmente por intermédio de uma off shore. A investigação corre na Polícia Federal. E a suspeita dos delegados é justamente que Attuch caminha de mãos dadas com Daniel Dantas. Pois então, se esse Lauro Jardim não estufa o peito para debater com uma figura obscura como Attuch, posso eu fazê-lo.

O disparate, a falta de ética, a ilegalidade e a irresponsabilidade na imprensa deveriam ter um basta. Seria um bom começo se a Editora Três (tão suspeita quanto alguns de seus repórteres e práticas) colocasse para fora repórteres de bons textos, mas de comportamente ético reprovável. O Observatório abre espaço, como não poderia deixar de ser como um veículo democrático, mas deveria tomar cuidado ao tratar com repórteres que não levam a sério as premissas e códigos do nosso jornalismo.

Leonardo Attuch responde

Eu sou capaz de apostar que esse Paulo Camaro, pelo menos esse que se esconde por trás de um email hotmail, não existe. Eu posso debater qualquer questão com o verdadeiro autor do email desde que ele se disponha a enviar dados como CPF, identidade, telefone e endereço, para que saibamos quem é. Posso também apostar que esse tal Pedro Camaro é a mesma pessoa que falsificou os emails forjados de ATT para DD. Diria até que é um personagem bastante conhecido de todos que já cobriram o affaire Brasil Telecom. Aliás, é uma pessoa com vasto histórico de falsificações. Aposto até que Lauro Jardim e muitos outros jornalistas o conhecem bem. É muito fácil se esconder atrás de uma identidade fajuta para atacar a honra das pessoas, insinuando a existência até de contas offshore. E esse inquérito que ele menciona simplesmente não existe, porque seria no mínimo curioso a PF perder tempo investigando o patrimônio de quem anda num carro 1.0, ano 2000. O convite ao debate foi feito ao jornalista Lauro Jardim. E estou certo de que ele não precisa de nenhum laranja para se defender. (L.A.)

Jedeão Carneiro , CUIABÁ-Mt -
Enviado em 1/2/2006 às 7:05:08 PM
Para os que estão deixando de renovar a assinatura de Veja, como eu, uma recomendação: não revendam, não acumulem pelos cantos, não doem, não joguem no lixo inteiras e nem queimem. Evitem a poluição do planeta e a contaminação e envenenamento pelo contato das crianças e alguns adultos desavisados com esse excremento. Coloquem-as em baldes com água por 15 dias ou até sua total desintegração. O Ministério da Saúde e o do Meio Ambiente agradecem.
william guimarães , Recife-PE - profissional liberal
Enviado em 1/2/2006 às 5:51:46 PM
A revista Veja e todas as publicações do Grupo Abril, inclusive o antididático Almanaque Abril, só servem para induzir, induzir e induzir. Em defesa de seus podres interesses, o Grupo dos Civita não respeita limites. Para atender os interesses de 800.000 assinantes, a Veja massacra o restante da população. Comprei o Almanaque Abril em banca por R$ 29,90 e o revendi por R$ 10 e ainda tive lucro, não consegui ler nem as primeiras páginas de tão espatafúrdia parcialidade político-ideológica. Num país de liberdade político-partidária, filosófica, ideológica, religiosa, um material desses não merece ser chamado de didático, pois não analisa nada imparcialmente, apenas joga no ar as emoções de jornalistas com alma já vendidas ao diabo, a exemplo de André Petry, o poderoso perseguidor. Já defendi, comprei e li muito a revista Veja... Mas, agora caí na real. Good bye, Grupo Abril...Guimarães agora não sabe em quem acreditar...
Ibrahim Cruz , São Paulo-SP - estudante de jornalismo
Enviado em 31/1/2006 às 1:35:41 PM
Por essas e outras que tenho largado a Veja pelos cantos da casa. Já não tenho gosto de lê-la quanto eu tinha antes. Definitivamente, a Veja tem decepcionado muito seus leitores.
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