ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 366 - 17/11/2009
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A OBRA EM AÇÃO
Opus Dei investe na formação de jornalistas

Por Luiz Antonio Magalhães em 6/2/2006

Em entrevista concedida à revista Época em janeiro, o professor e consultor editorial Carlos Alberto Di Franco, diretor do curso Master em Jornalismo – Gestão de Empresas de Comunicação, revelou a sua relação com o Opus Dei, prelazia ultraconservadora da Igreja Católica. Di Franco afirmou ser numerário do Opus Dei e consultor espiritual do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB).

A confissão do professor jogou mais lenha na fogueira de uma polêmica que os leitores da revista Veja e deste Observatório vêm acompanhando desde o final do ano passado, travada entre o jornalista Alberto Dines e o colunista Diogo Mainardi, do semanário da Editora Abril. Dines alerta para a crescente influência nas redações brasileiras de idéias e práticas gerenciais difundidas a partir do Opus Dei; Mainardi acredita que o jornalismo nacional está impregnado de "lulistas" e "dirceuzistas" a serviço do governo federal.

A pré-candidatura de Alckmin à presidência da República certamente ajudou a trazer os holofotes da mídia para a polêmica, mas o assunto não é novo. Ao contrário, faz muito tempo que Dines levantou a questão da influência do ideário do Opus Dei na imprensa, no início por intermédio da espanhola Universidade de Navarra, com a qual o Master em Jornalismo mantém estreita relação. Os primeiros artigos sobre o assunto publicados no OI são de 1996, ano de estréia do Observatório na internet.

Quase tão antigo quanto os alertas do editor-responsável deste Observatório é o curso Master em Jornalismo, dirigido por Di Franco, cuja primeira edição se deu em 1997. De lá para cá, segundo as informações do site oficial do curso, quase 200 profissionais conseguiram o diploma do curso. A partir dos dados de 137 ex-alunos disponíveis na página do Master em Jornalismo na internet, foi possível realizar tabulações e consolidar o perfil de quem se graduou. Além disso, o OI procurou entrar em contato, via e-mail, com todos esses ex-alunos. Cerca de 30 endereços estavam incorretos ou retornaram por outros problemas (caixa postal cheia ou aviso de ausência temporária). No espaço de uma semana, 21 "masterianos" responderam a um curto questionário sobre as características do curso, cujo resultado será apresentado aqui.

Master e Opus Dei: "solução cristã"

Na página de apresentação do Master em Jornalismo na internet não há uma única referência ao Opus Dei. Ao contrário, a ênfase do curso parece ser bastante "pragmática". "Cada vez mais as empresas de comunicação necessitam que os líderes de suas redações tenham uma visão abrangente, integrando as exigências de uma gestão empresarial moderna e eficiente, em um mercado competitivo e adverso, ao ideal de um jornalismo de qualidade, inovador e comprometido. Com forte foco em gestão, incluindo a editorial, o Master em Jornalismo – Gestão de Empresas de Comunicação é uma clara resposta a essa demanda", explica o texto do site.

Apenas se o leitor acessar a página do Centro de Extensão Universitária, entidade que abriga o Master, será informado da relação com o Opus Dei. No link "Capelania Universitária", há uma apresentação bastante transparente de tal relação, cujo conteúdo é o que se segue:

"O Centro de Extensão Universitária, procurando cuidar não apenas da qualidade científica e acadêmica das suas atividades, desenvolve estudos de aprofundamento nos aspectos éticos das diversas disciplinas. Nesse sentido, conta com o auxílio da prelazia do Opus Dei, à qual confia também a organização de atividades de formação cristã e serviços de capelania para todos os que desejarem participar.

O Opus Dei é uma prelazia pessoal da Igreja Católica, cuja a missão é promover, entre os fiéis cristãos de todas as condições, uma vida plenamente coerente com a fé nas circunstâncias correntes da existência humana, e especialmente por meio da santificação do trabalho. Contribui assim para a evangelização de todos os ambientes, lembrando às pessoas que, seja qual for a atividade a que se dediquem, devem cooperar para uma solução cristã dos problemas da sociedade. O fundador, São Josemaría Escrivá, foi canonizado pelo Papa João Paulo II, no dia 6 de outubro de 2002, na Praça de São Pedro em Roma."

Resultados da enquete

Se a entidade-mãe do Master assume a relação, os ex-alunos foram unânimes em negar que o curso tenha algum caráter doutrinário. Os 21 masterianos que responderam a enquete do OI afirmaram que as aulas versavam apenas sobre aspectos técnicos e gerenciais da atividade de editor, embora alguns tenham revelado que perceberam ou foram explicitamente avisados da relação de professores com a Obra.

"No primeiro dia de aula, o professor Carlos Alberto Di Franco fez um ‘tour’ pelas instalações da escola. E nos levou à capela, deixando claro que todos seriam bem-vindos quando quisessem participar dos cultos. Mas nada além disso", escreveu um dos ex-alunos em sua resposta. "No primeiro módulo, numa da primeiras aulas, o professor Di Franco falou sobre a Opus Dei e sobre as ligações do curso com a Universidade de Navarra, na Espanha. Colocou-se à disposição para perguntas, indicou o site da ordem etc. Nenhum mistério, muita transparência e um posição ética corretíssima. O tema esteve circunscrito a conversas de corredores entre os colegas participantes. Não recordo se, ao longo de um ano, o assunto Opus Dei tenha sido discutido em sala de aula novamente. Acho ingenuidade pensar que editores como nós, com 29 anos de profissão, tenhamos sido doutrinados ou influenciados pela Opus Dei", completa um diretor de redação que fez o curso.

Em outra questão formulada pelo OI, os ex-alunos se dividiram. Questionados se participação no Master abriu portas para a carreira profissional, 71,4% dos respondentes negaram e 28,5% afirmaram que o curso ajudou a conseguir novos empregos ou postos nas empresas que trabalhavam. Um ex-aluno chegou a justificar a resposta, mas novamente negou a influência da prelazia: "O contato com editores de todo o país tende a abrir portas, no médio e longo prazo. É natural, e não uma conseqüência da direção ser da Opus Dei. Incrível seria se passássemos cinco quinzenas do ano debatendo jornalismo com colegas em cargos de chefia e isso nunca motivasse algumas indicações", explicou um dos respondentes. Outro masteriano, porém, revela que há veículos que levam em conta a participação no Master para contratar: "O jornal onde trabalho hoje, por exemplo, teve acesso a meu currículo pelo Master", escreveu.

A terceira questão formulada na enquete dizia respeito à relação dos alunos com o curso – se a iniciativa de participar do Master em Jornalismo havia sido do profissional ou do veículo em que ele trabalhava. Do total de respondentes, a maior parte – 47% – chegou ao curso por iniciativa do órgão de comunicação em que trabalhava. Nem todos explicitaram, mas muitos revelaram que o curso foi pago pela empresa e pelos alunos – no site oficial do Master, há a informação de que o valor do curso é de 18 mil reais por um ano, com desconto de 10% às empresas que indicarem mais de um aluno. Aos 47% devem ser somados outros 14% de respondentes que afirmaram ter partido a iniciativa do veículo e de um interesse pessoal no curso, o que já soma a maioria absoluta (61%). Cursaram o Master por iniciativa própria apenas 19% do total de ex-alunos que responderam à enquete. O restante – outro contingente de 19% – afirma que a iniciativa foi tomada a partir de sugestão de colegas, sem deixar claro quem pagou o curso.

Estatísticas do Master

A partir dos dados disponíveis na página oficial do Master em Jornalismo na internet, é possível traçar um perfil dos alunos graduados pelo curso.

A maior parte dos alunos (36%) é de São Paulo, o que faz sentido ao se levar em conta que o curso é ministrado na capital do estado. Chama atenção, no entanto, o contingente de ex-alunos da região Sul do Brasil – 10,9% são do Paraná; 10,2%, do Rio Grande do Sul; e 3,65% de Santa Catarina. Apenas 2,9% do total são cariocas – menos do que os ex-alunos de Goiás, Espírito Santo e Bahia, além dos estados sulinos. Na tabela abaixo, estão os percentuais dos ex-alunos por estado de origem.

Ex-alunos segundo o estado de origem Total
SÃO PAULO 36,50%
PARANÁ 10,95%
RIO GRANDE DO SUL 10,22%
ORIGEM INDETERMINADA 7,30%
MINAS GERAIS 5,84%
GOIÁS 5,11%
ESPÍRITO SANTO 4,38%
BAHIA 3,65%
SANTA CATARINA 3,65%
RIO DE JANEIRO 2,92%
DISTRITO FEDERAL 2,19%
TOCANTINS 2,19%
ARGENTINA 1,46%
URUGUAI 1,46%
ACRE 0,73%
ESPANHA 0,73%
MATO GROSSO 0,73%
Total Global 100,00%

Quando os dados são cruzados levando em conta o veículo em que o profissional trabalhava na época em que cursou ou Master, o resultado mostra que a maior parte dos ex-alunos veio do Grupo Estado, conforme mostra a tabela abaixo. Do jornal O Estado de S.Paulo, foram 9 profissionais que somados aos 4 da Agência Estado resulta em 13 masterianos do grupo – dois a mais do que os 11 free lancers que despontam na liderança, conforme a tabela abaixo.

Faz sentido: o professor Carlos Alberto Di Franco é colunista do Estadão, que prestigia o Master enviando anualmente alguns de seus profissionais para o curso. A Editora Abril aparece com 9 masterianos, empatada com o Estadão e a Gazeta do Povo, do Paraná, jornal que está sendo processado pelo governador do estado, Roberto Requião (PMDB), que acusa o veículo de publicar mentiras sobre a administração estadual.

O gaúcho Zero Hora já mandou 7 profissionais para o Master, ao passo que A Tarde, da Bahia, e O Popular, de Goiás, enviaram 5 jornalistas cada um. Chama a atenção o fato de o maior jornal do país, a Folha de S.Paulo, não ter um único masteriano, e o governo do estado de São Paulo, na gestão Alckmin, ter enviado um funcionário da Secretaria de Comunicação para fazer um curso destinado a editores de jornal. Coincidência ou não, o governador Geraldo Alckmin aparece no site do Master como um dos palestrantes do curso.

Ex-alunos segundo veículo de origem Total
em %
FREE LANCER 11 8,03%
EDITORA ABRIL 9 6,57%
Gazeta do Povo (PR) 9 6,57%
O Estado de S. Paulo 9 6,57%
Zero Hora 7 5,11%
A Tarde (BA) 5 3,65%
O Popular (GO) 5 3,65%
A GAZETA (ES) 4 2,92%
AGÊNCIA ESTADO 4 2,92%
ValeParaibano 4 2,92%
CORREIO BRAZILIENSE (DF) 3 2,19%
Diário Popular Pelotas (RS) 3 2,19%
Tribuna de Minas (MG) 3 2,19%
A Notícia (SC) 2 1,46%
AGÊNCIA REPÓRTER SOCIAL (SP) 2 1,46%
Comércio da Franca 2 1,46%
Correio Popular 2 1,46%
DIÁRIO DA REGIÃO 2 1,46%
Diário Gaúcho (RS) 2 1,46%
Estado de Minas (MG) 2 1,46%
GAZETA DE PIRACICABA 2 1,46%
Jornal do Tocantins 2 1,46%
Meio & Mensagem (SP) 2 1,46%
O Globo 2 1,46%
TV Anhangüera (GO) 2 1,46%
TV Paranaense (RPC) 2 1,46%
A Tribuna Rio Branco (AC) 1 0,73%
Agência Estado 1 0,73%
Assembléia Legistativa de Mato Grosso 1 0,73%
Associação Paulista de Jornais (APJ) 1 0,73%
CLARÍN (ARGENTINA) 1 0,73%
Diário Catarinense (SC) 1 0,73%
Diário de Santa Maria (Grupo RBS RS) 1 0,73%
Diário do Norte do Paraná Maringá (PR) 1 0,73%
Diario El Observador (Uruguai) 1 0,73%
Editorial Perfil Argentina 1 0,73%
EL PAÍS (MONTEVIDEU-UR) 1 0,73%
EXTRA (RJ) 1 0,73%
FAAP 1 0,73%
FOLHA DE LONDRINA 1 0,73%
Governo de São Paulo 1 0,73%
HOJE EM DIA (MG) 1 0,73%
Innovation Media Consulting Group (Espanha) 1 0,73%
Instituto Rede Paranaense de Comunicação IRPC 1 0,73%
ISTOÉ DINHEIRO 1 0,73%
JORNAL DE SANTA CATARINA 1 0,73%
Jornal do Brasil (RJ) 1 0,73%
Master em Jornalismo 1 0,73%
Nota 10 Design Assessoria de imprensa Curitiba (PR) 1 0,73%
O Estado de Minas (MG) 1 0,73%
O PIONEIRO (CAXIAS DO SUL-RS) 1 0,73%
O Tempo (MG) e Blog do Noblat 1 0,73%
Prefeitura paulistana 1 0,73%
Rede Bom Dia de Jornais Sorocaba (SP) 1 0,73%
Rede de Notícias Vitória (ES) 1 0,73%
Rede Gazeta ES 1 0,73%
Rede TV! (SP) 1 0,73%
REVISTA LÍNGUA PORTUGUESA 1 0,73%
revista Phoenix Florianópolis (SC) 1 0,73%
TV Anhangüera Palmas (TO) 1 0,73%
Universo Online (UOL SP) 1 0,73%
Total Global 137 100,00%

A tabela abaixo, por fim, mostra o cargo ou ocupação dos masterianos. A maior parte – 33 do 137 alunos pesquisados, era editor à época do curso. Há também muitos profissionais de primeiro escalão dos jornais. Trinta e nove dos ex-alunos eram editores-chefes ou editores-executivos, além de 9 diretores de redação. Em contraposição, os repórteres somam apenas 7 desde o início do curso, em 1997.

Ex-alunos segundo o cargo
Total
Editor 33
Editor chefe 25
Editor executivo 14
Diretor de Redação 9
Coordenador 6
Repórter 7
Assessor de imprensa 4
Consultor 4
Diretor 4
Redator chefe 3
Editor assistente 3
chefe de redação 3
Chefe de reportagem 2
Diretor de Jornalismo 2
Subeditor 2
Repórter especial 2
Diretor geral 2
Correspondente 2
secretário de redação 2
Diretora superintendente 1
Editor adjunto 1
Gerente de Produtos 1
Consultor e professor 1
Chefe de Reportagem 1
Coordenador de redação 1
editorialista 1
gerente 1
Total Global 137
Comentários (10)
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Vanderley Borges Borges , Goianésia-GO - Jornalista
Enviado em 27/7/2008 às 10:42:45 PM
O Grupo Goiano "Organização Jaime Câmara", enviou 10 de seus profissionais de jornalismo para o referido curso. A ele pertence os jornais "O Popular" e "Jornal do Tocantins", e as tvs "Anhanguera de Goiania" e "Anhanguera de Palamas".
Rafael Olivé Leite , Porto Alegre-RS - Médico
Enviado em 13/2/2006 às 12:42:57 AM
Vocês acham mesmo que há jornalistas ultraconservadores atuando no Brasil? Lembram de alguém que defenda valores católicos? Apenas alguns folclóricos. Quase tudo que se lê aqui deriva dos mais mequetrefes lugares-comuns de esquerda. E se existissem jornalistas religiosos? Ou agnósticos? Ou de direita? Ou de esquerda? Algum problema? Obs. Acho sinceramente que vocês só estão comentando o tal Opus Dei porque está na moda.
Fagner Barros , São Paulo-SP - agente comunitário e técnico em eletrônica
Enviado em 11/2/2006 às 2:25:02 PM

Olá a todos webespectadores do OI. A análise feita pelo jornalista Luiz Antônio Magalhães é ótima do ponto de vista estatístico-científico. É importante saber quais são os jornalistas formados no curso, o que eles pensam sobre a relação opus dei e master em jornalismo, onde eles estão alocados atualmente e em qual cargo. Agora, existem nuanças deste projeto de influência do opus dei nas mídias, que internamente chamamos de apostolado da opinião pública, que não são perceptíveis aos olhos analíticos de quem está de fora.

Em quase todas as turmas do master existe alguém com estreita relação com o opus dei por ser membro ou frequentador e que está inscrito no curso; esta pessoa terá como encargo apostólico a tarefa de aproximar os outros jornalistas do opus dei. Quando não há um aluno que possa desempenhar esta tarefa entra em cena algum professor mais carismático para ser o paizão da turma e aos poucos e com muita discrição aproximar os alunos do opus dei.

É preciso ficar claro que o opus dei tem como objetivo aproximar de 10% a 20% destes 20 alunos do master a sua seara. Outra coisa, o curso é bom. A consultora Bonnie Anderson que deu uma entrevista ao roda viva semanas atrás é professora de um dos 5 módulos do curso, posso falar com propriedade pois trabalhei no master em jornalismo e assisti a quase todo o módulo no qual a Bonnie era professora. Existe dentro do opus dei - posso falar dentro, pois fui membro da instituição por 4 anos - o congresso ordinário que ocorre de 8 em 8 anos. neste congresso são decididas as metas e projetos do opus dei em todo o mundo e no último congresso ordinário em 2003 foi decidido que uma das metas para os próximos oito anos era a da influência profunda e sistemática do opus dei em todos os meios de informação.

decorrente deste objetivo o prelado do opus dei ou chefão do opus dei, Javier Echevarría, decidiu formar diretores e técnicos de cinema em uma escola do opus dei na espanha para que eles façam filmes que vão ao encontro do que o opus dei prega ou pensa. uma frase que não sai da minha cabeça é a seguinte: "O mundo é um oceano, temos que ir nas profundezas deste oceano, nas partes mais sujas para levarmos oxigênio e assim estaremos levando vida". E o opus dei considera o cinema e todo tipo de arte algo muito sujo e pagão, que tudo isso tem que ser santificado e santificação é com o opus dei.

Betty Vidigal , São Paulo-SP - Redatora
Enviado em 9/2/2006 às 9:20:45 PM
Mas precisava a Época dizer isso, para sabermos que Carlos Alberto Di Franco é da Opus Dei? Nunca foi segredo. Que o professor di Franco representa a Universidade de Navarra aqui e dirige o Escritório de Informação da Prelazia da Opus Dei no Brasil é fato conhecido. Verdade que, quando ele escreveu no Estadão artigo de página inteira contra o best-seller O Código da Vinci, ocultou no crédito da matéria essas duas atribuições, dizendo-se apenas "professor de ética jornalística". E teria sido mais ético identificar-se como integrante da entidade que o romance ataca. Assim, também, ao ser divulgado para estudantes de Jornalismo o curso do Estadão, seria mais transparente indicar a ligação da Universidade de Navarra com a Opus Dei.
Núbia Tavares , Londrina-PR - Estudante
Enviado em 8/2/2006 às 4:12:15 PM
Totalmente preconceituoso o trecho do texto que se refere à Gazeta do Povo. Interessante o autor do texto lembrar que o jornal está sendo processado pelo Requião por publicar supostas mentiras, mas não citar quem é o sr. Roberto Requião. Um político que acha que imprensa boa é aquela que publica as ambulâncias que ele anda distribuindo. Que agride jornalistas e trata super mal a imprensa. Aliás, o autor pecou ainda mais porque nem disse que as mentiras são supostas. Simplesmente afirmou que o jornal publica mentiras sobre o Requião. Comentário totalmente desnecessário e idiota. Se eu fosse o jornal, processava o colunista.
Marcelo Mastrobuono , SãoPaulo-SP - Jornalista
Enviado em 8/2/2006 às 2:26:38 PM
O artigo em questão acabou fazendo o que a reportagem de Época não fez: ouvir os alunos do curso para saber se se sentiram ou não cooptados. Exercício básico do jornalismo, mas não praticado pela revista. Pelo que parece as respostas foram todas negativas. Por tudo o que foi colocado no artigo, incluindo o preço do curso, creio que o título do referido sairia melhor se fosse invertido. O melhor seria: Jornalistas investem na formação da Opus Dei.
Carlos Loureiro , São Paulo-SP -
Enviado em 8/2/2006 às 9:36:05 AM
Está provado que os editoriais são parciais e fruto de lavagem cerebral travestida de curso de especialização.
João Souza , Curitiba-PR - Professor aposentado
Enviado em 7/2/2006 às 7:19:14 PM
A Gazeta do Povo envia tantos editores e jornalistas ao curso pois um dos filhos do dono pertente à Opus Dei. Um detalhe altamente significante.
Kátia Pecoraro , Campo Grande-MS - Relações Públicas
Enviado em 7/2/2006 às 4:15:52 PM

Li a matéria da Época com toda a atenção.Também tenho lido as críticas do OI a respeito da Opus Dei. Sou católica, não participo da Opus Dei, não a conheço nem jamais conheci alguém da organização. Sei dela por comentários velados e pela mídia. Via-de-regra,posso afirmar que discordo de seus excessos e os entendo, no mínimo, questionáveis. Entretanto, o levantamento de participantes/veículo de mídia mostrado pelo OI foi um tanto quanto tendencioso na demonstração dos cruzamentos.

Concordo com o participante que afirmou que seria estranho a convivência não gerar indicações e é fato que hoje isto ocorre em qualquer ambiente profissional ou área, respondendo, hoje, pelo "novo nome" de network.

Em prol da isenção jornalística, sugiro que sejam feitos os mesmos cruzamentos com outras organizações com modus operandi similares, como a Maçonaria, que certamente é um grande exemplo, e tantos outros, com valores e princípios diferenciados (o menu é vasto... dentro e fora do âmbito religioso). Tenho um sério palpite de que encontraríamos muito mais "ideologia" do que se imagina existir no mercado brasileiro... e de vertentes e matizes tão distintos quantas possíveis num país como o nosso.

Talvez seja algo ingênuo entender que profissionais de diferentes direcionamentos ideológicos não usem seus respectivos espaços profissionais para fortalecer seus princípios. Respeitada a democracia, isso faz parte do antropológico jogo de poder em todos nós nos encontramos. O próprio Observatório acaba de fazer isto com esta matéria. Como o faz Mainardi na Veja e fulano, e sicrano, e beltrano etc, etc, etc... Entendo que o assunto merece uma reportagem muito, mas muito mais profunda sobre a questão da interferência ideológica na sociedade e suas diferentes ferramentas e estratégias. Isso sim, seria prestação de serviço público - o resto são pruridos que não levam a lugar algum e analisam apenas alguns aspectos da verdade (dá até para filosofar: o que é fato e verdade? rs!).

Fábio Carvalho , Porto Alegre-RS - Jornalista
Enviado em 6/2/2006 às 2:36:32 PM
Algumas contribuições ao esforço de Luiz Magalhães. 1) Guilherme Döring Cunha Pereira é diretor da Rede Paranaense de Comunicação, que inclui a Gazeta do Povo, jornal que está sendo processado pelo governador Requião. Guilherme é numerário da prelazia, professor do Master em Jornalismo, tratado como colaborador íntimo de Carlos Alberto Di Franco pelo sítio dos dissidentes da obra, o Opus Livre. É descrito como “pessoa de alma nobre e sensível, inteligência brilhante, fino senso estético, um verdadeiro aristocrata, introvertido”. 2) Acrescento ainda que dentre as “empresas participantes” do Master em Jornalismo, da região sul do país, várias pertencem à RBS, dirigida por Nelson Sirotsky. Além de Zero Hora, mencionada no texto, são dos quadros da RBS os masterianos do Diário Catarinense, O Pioneiro, Diário de Santa Maria, Diário Gaúcho, entre outros. 3) Sirotsky também é presidente da Associação Nacional dos Jornais (ANJ), com logotipo no sítio do Master em Jornalismo. A ANJ também criou a Rede em Defesa da Liberdade de Imprensa, que promoveu vários eventos em 2005. Nessas oportunidades, Carlos Alberto Di Franco foi ilustre palestrante.
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