ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 367 - 17/11/2009
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GUERRAS SANTAS NO ESTADÃO
A irresponsabilidade é dupla

Por Alberto Dines em 9/2/2006

Culpa do calor ou da inapetência para discutir questões de princípio, a verdade é que o vigoroso editorial "Jornalismo irresponsável" de O Estado de S.Paulo de terça-feira (7/2, pág. 3) caiu no vazio. Não merecia. [Leia a íntegra do texto no pé desta nota.]

Em primeiro lugar pela importância do veículo em questões relativas à imprensa. Há mais de meio século o jornalão é uma espécie de porta-voz do liberalismo jornalístico: combateu a ditadura Vargas, esteve na vanguarda da redemocratização de 1945 e vocalizou idéias e ideais da SIP (Sociedad Interamericana de Prensa) antes da sua mudança para Miami.

Além do seu aspecto institucional, a peça produzida pela equipe de editorialistas do Estadão contém questões cruciais que exigem reflexão e, principalmente, debate. A "guerra santa das charges" vai além da questão da liberdade de expressão na Europa.

Por isso, antes de examinar os seus desdobramentos é preciso dizer, com toda a clareza, que a série de caricaturas dinamarquesas é incivil – esta é uma palavra chave – porque confronta as bases de tolerância e convivência da sociedade democrática. O terrorismo de militantes islâmicos nada tem a ver com o islamismo enquanto religião. Fé é questão de foro íntimo, o direito às crenças e à descrença é uma conquista da humanidade – não pode sofrer retrocessos.

Mas ao concentrar o fogo exclusivamente nos veículos europeus que reproduziram as caricaturas, o Estadão entregou-se a um fervor algo religioso e esqueceu que há outra irresponsabilidade a ser condenada – a politização da religião.

Pavio aceso

O editorial não pode ser lido nem recortado do momento em que foi publicado: a condenação simultânea das charges pelo governo americano e pelo Vaticano. A quase-teocracia americana (de viés luterano) e a teocracia integral vaticana (de viés católico), apesar de teoricamente opostas, convergiram rapidamente não apenas para denunciar a insolência das charges mas também para sepultar a discussão em torno da politização da fé – assunto-tabu. O Estadão foi na onda.

Daí o flagrante esquecimento da outra irresponsabilidade: a de certos governos médio-orientais (no momento empenhadíssimos num confronto político com a União Européia), que orquestraram as manifestações populares e converteram uma irresponsabilidade jornalística, localizada, em irresponsabilidade institucional globalizada.

Se alguns jornais europeus acenderam o pavio da guerra santa, os governos da Síria (com ramificações no Líbano) e do Irã trouxeram o barril de pólvora para perto dele.

Mistura perigosa

É preciso lembrar que Síria e Irã são estados policiais: nenhuma manifestação pode ocorrer sem prévia autorização das autoridades. As imagens mostradas na televisão são incontestáveis: não se tratou de uma explosão espontânea, mas de marchas organizadas e dirigidas. É preciso lembrar também que os distúrbios antieuropeus não alcançaram a prudente Arábia Saudita (guardiã de Meca e sede do radicalismo wahabita), certamente também insultada pelas charges, mas cuidadosa na reação.

Se, por um lado, a publicação das caricaturas exibe certas fissuras no conceito absoluto da liberdade de expressão, a politização e a midiatização das religiões constituem ameaças não menos perigosas à democracia. Esse perigo não incomoda o Estadão.

Os radares e as baterias do prestigioso jornal aparentemente não estavam sensibilizados para a perigosa mistura de política e religião. Esta mistura, que abala o Oriente Médio, foi aqui minimizada pelo tradicional diário paulista.

***

Jornalismo irresponsável

Editorial, copyright O Estado de S. Paulo, 7/2/2006

A fúria desencadeada no mundo árabe-muçulmano pela charge publicada originalmente em setembro em um obscuro jornal dinamarquês e republicada na Noruega, em janeiro, é a resposta que se poderia esperar à monumental irresponsabilidade de quem autorizou a sua publicação. O desenho mostra um iracundo profeta Maomé com um turbante em forma de bomba, a que não falta nem o pavio. Para as multidões que tomaram as ruas no Oriente Médio, queimando embaixadas dinamarquesas e norueguesas, a charge é uma das piores agressões que se poderiam cometer contra a sua religião, que veda taxativamente a representação da efígie de Maomé. O tabu nasceu da sua condenação à idolatria.

Mas, ao acrescentar à caricatura do profeta o símbolo universal da violência indistinta, o desenhista e o seu jornal não se limitaram a escarnecer de um credo. A sua estereotipada mensagem é inequívoca: islamismo e terrorismo são uma coisa só, todo muçulmano é terrorista. A isso se chama islamofobia, uma expressão de hostilidade racial que, como todas as demais, deveria merecer o vivo repúdio do mundo civilizado. É verdade que, em razão do conflito israelense-palestino, a cultura popular nos países muçulmanos vem se encharcando de anti-semitismo. Isso, no entanto, não atenua a ofensa praticada por um órgão de imprensa de um país tido como um dos mais iluminados do mundo.

Pior foi a espantosa decisão de órgãos da imprensa do porte do alemão Die Welt e dos franceses Le Monde e France-Soir de republicar a charge inflamatória para se solidarizar com o Morgenavisen Jyllands-Posten (que por sinal se desculpou pela desfeita) e para afirmar o princípio da liberdade de imprensa – uma raridade nos países muçulmanos. O Ocidente não seria o que é, efetivamente, sem o direito à livre circulação de idéias, opiniões, informações e expressões artísticas. Mesmo esse pilar das sociedades democráticas, porém, não existe no vácuo. Nas palavras do jornal londrino The Guardian, "há limites e fronteiras – de gosto, leis, convenções, princípios ou juízos. Nada disso pode ser automaticamente desconsiderado invocando-se o valor maior. O direito de publicar não obriga a fazê-lo".

Os islâmicos podem ser criticados, como foram por um de seus mais importantes pensadores na Europa, Tariq Ramadan, em entrevista ao Global Viewpoint (transcrita no Estado), por "reagir com exageros a provocações". A onda de violência, estimulada ou aceita por mais de um governo, choca por seu primitivismo. Mas Ramadan também tem razão ao dizer: "Será que eu ando por aí insultando as pessoas porque tenho liberdade para isso? Não. Isso se chama responsabilidade cívica". O problema contém ainda uma dimensão mais profunda, relacionada com as características menos louváveis da cultura ocidental nos dias atuais, associada ao vale-tudo a que se entregaram a mass media e a indústria do entretenimento, degradando a liberdade em libertinagem e licenciosidade.

Curiosamente, veio do Brasil talvez a melhor síntese da crise da charge, tendo como pano de fundo a disseminação da baixaria, sob todas as formas, na chamada "civilização do espetáculo". Falando ao Estado, o xeque Jihad Hassan Hammadeh, radicado em São Paulo, tocou no nervo da questão. "O Ocidente perdeu o valor do sagrado", constatou. "Se os ocidentais não respeitam os seus valores, imagine os dos outros." De fato, a permissividade midiática e a aversão do jornalismo de tablóide a educar o público se entrelaçam para embotar a capacidade do homem comum ocidental de entender as diferenças culturais que se manifestam especialmente em relação ao "valor do sagrado" em outros ambientes.

Na sexta-feira, o dinamarquês Posten afirma que "subestimou o sentimento de muitos muçulmanos sobre seu profeta" e que, se soubesse das conseqüências, não teria publicado a charge revoltante. O argumento é pobre. Ela não deveria ter sido publicada, mesmo que não fosse previsível a reação que provocou. Primeiro, porque não cabe a um jornal criticar – muito menos escarnecer de – valores culturais com os quais não comunga. Segundo, porque a publicação embutiu a intenção de ofender toda uma parcela da humanidade que se identifica, acima das etnias que a compõem, com um credo religioso. À deliberada profanação de um valor alheio somou-se a estigmatização da cultura que o abriga – quando a islamofobia cresce a olhos vistos na Europa.

Comentários (16)
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Carlos Cassaro , Curitiba-PR - aposentado
Enviado em 11/2/2006 às 8:25:46 PM
Também acho que publicar charges ofensivas a qualquer religião não é legal. Entretanto, acho que as lideranças politicas dos paises que se consideram ofendidos não deveriam estimular a violência contra quem as publicou. Muito menos pregar a morte dos autores. Quando o filme A última paixão de Cristo foi exibido, houve muitos protestos, recriminações, todo o mundo católico ficou indignado. Mas nem por isso condenaram à morte os autores do filme. Parece que as lideranças politicas islamicas só sabem um caminho para punir: a morte. Talvez se pensassem mais no bem-estar da população, que é das mais pobres do mundo, viveriam bem melhor. Fiquei estarrecido ao ver alunos de escolas infantis com arma em punho, gritando, orientados pelos professores, palavras de ordem pela morte dos que eles chamam de "infiéis". Isso é lei de Deus? Isso é pregação de paz?
João Humberto Venturini , Piracicaba-SP - estudante
Enviado em 11/2/2006 às 4:03:19 AM
Discordo do senhor Dines qdo este elogia o Estadão, pois apesar de ser antigo, infelizmente em seus editoriais mostra a face da elite mainardiana brasileira. Os editorialistas do jornal trazem idéias preconceituosas, racistas e elitistas. Eu leio os editoriais todos os dias e muitos deles se equivalem ao q Diogo Mainardi escreve suas idéias delirantes e macartistas. O jornal é partidário, empresarial e não busca esclarecer mas sim favorecer interesses q os financiam em suas propagandas.
Haroldo Mourão Cunha , São Gonçalo-RJ - Gestor Social
Enviado em 11/2/2006 às 3:54:43 AM

Como já comentei aqui no OI, a discussão e, no mínimo, inócua. Ser a favor ou contra de pouco adianta para o impasse criado. Repito que esta situação é do agrado dos cinicos de plantão, os que ganham sempre com os conflitos generalizados: Os donos das armas! Os mulçumanos optaram por um estado religioso e assim será, até que ELES decidam em contrário.

Há séculos a política expansionista ocidental vem destruindo civilizações inteiras, por vezes literalmente e em outras suas culturas. Vejam o caso dos jesuítas no Brasil colonial, resumido por Érico Veríssimo em seus romances. Eu penso que é nessa tecla que o ocidente consciente deve bater, discriminar o islã ou mesmo seus imigrantes só trará mais irracionalidade ao conflito estabelecido, não de agora, mas de séculos de bestialidades mútuas, como disse o Mauro Malin ou Luiz Weis (Desculpem-me, ler demais causa embaralhamento, às vezes!): isso deixa de ser estupidez para ser provocação. A qual é aceita prontamente por gente que não possui informação, a não ser aquela transmitidas pelos chefes religiosos.

Será que essa discussão sobre liberdade de imprensa terá algum alcance sobre um povo que não sabe o que é ser livre de verdade? Qaunto ao seu "Há mais de meio século o jornalão é uma espécie de porta-voz do liberalismo jornalístico", há controvérsias! A definição de liberalismo varia de acordo com as intenções ou interesses de quem será favorecido ou prejudico por uma ação.

marcio varella , brasília-DF -
Enviado em 10/2/2006 às 9:24:42 PM

A guerra das charges mostra a vitória do jornalismo americano, que é sensacionalismo puro, sem se importar com regras éticas básicas como respeito à fé, à religiosidade, às culturas. Os americanos impuseram suas verdades em todos os continentes. Estes, por sua vez,trocaram suas culturas pela imitação do modus operandi dos meios de comunicação dos EUA.

No Brasil não é diferente. Noto que desde julho do ano passado os nossos meios de comunicação fazem questão de sensacionalizar o que eles chamam de crise política vista por um lado só. Um exemplo deu-se hoje, pro volta das 17h, quando o UOL publicou matéria sobre o depoimento do Dimas Toledo na Polícia Federal e lá o suspeito disse que a lista era falsa. Manchetes nos jornais da noite de todas as TVs.

Mas, no último parágrafo da matéria do UOL, se dizia que, na avaliação da PF, o depoimento do Dimas teria sido contraditório ao depoimento de Jefferson e do dono do cartório e do tabelião, que também em depoimento à mesma PF haviam dito que o documento era completamente verdadeiro de acordo com testemunhos e carimbos etc e tal. Pergunto: não estaria o elad da matéria ivnertido? Curioso, liguei para a PF e lá me disseram com todas as letras: ontem quainta-feira, mandamos uma nota à imprensa com o resultado dos depoimentos do tabelião e do cartorário, confirmando a veracidade da lista. Eu só fui saber disto hoje. Que pôrra de imprensa é esta?????

João Cecilio , São Bernardo do Campo-SP - Engenheiro
Enviado em 10/2/2006 às 4:10:29 PM
Ao fazer o comentário que fez, o xeique Jihad é do tipo façam o que eu digo e não façam o que eu faço. Sua mesquita em São Bernardo faz absoluto silencio na hora da oração. Após a oração entra o "liberou geral" para seus fiéis. Desprezando totalmente o respeito à lei do silêncio após as 10 da noite, muitos saem para ficar batendo papo na rua em frente às janelas dos quartos de minha casa impedindo minha família de dormir. Não raro há festa até meia-noite. Fora o futebol, agora mais ou menos controlado, até as 11 da noite. No dia seguinte, pela manhã, a coisa começa às 5h e não contentes, após a reza, ficam batendo papo na rua propagando um ruído desconfortavel para quem dorme. No mes do Ramadan, que se estrepem quem mora em frente. A coisa é dia e noite, 24h sem cessar sem respeito ao silêncio. Eu diria ao senhor Jihad que talvez o ocidente tenha perdido o respeito pelo fato de já o haver tido. Se aqui está ruim, pecaminoso, existe sempre um aeroporto. Dar lição, ou criticar os outros, exige-se exemplo para dar
Washington Luiz Soares , Belo Horizonte-MG - Médico
Enviado em 10/2/2006 às 4:04:01 PM
Interessante o texto de Alberto Dines mas, gostaria de fazer uma ressalva: chamar o Estadão de porta-voz do liberalismo jornalístico é um pouco forte, não é? O Estadão se posicionou contra Vargas, como todos os paulistas apenas por questões político-econômicas. Tanto é verdade que o citado jornal nunca se posicionou contra as ditaduras dos militares já que o grande jornal foi um dos idealizadores da nefasta marcha da família com Deus pela Librdade. Se for de direita, pode haver ditadura o que não podem são reformas profundas sociais: é esta a posição do Estadão. Atenciosamente Washington Luiz
Gerson Cardoso , Recife-PE - Engº
Enviado em 10/2/2006 às 3:40:12 PM
Concordo em gênero, número e grau com o comentário do jornal Estado de São Paulo. Aliás, não entendo onde quer chegar Alberto Dines com seu comentário. Nós ocidentais sempre achamos que tudo do lado de cá é que está certo, e pior, queremos que o mundo seja exatamente como nós. Aliás, qual o propósito da elaboração e publicação das charges? Talvez o mesmo de um psicopata que entra em um restaurante, e de arma em punho, atira pra todo lado.
LUiz carlos martins , Belo Horizonte-MG -
Enviado em 10/2/2006 às 3:20:58 PM

O que tenho a dizer ´é que, eles tem direito de protestar, e os jornais o direito de publicar. Os seguidores do islâ, cometeram e cometem o farisaismo e a idolatria, ambos, literalmente proibidos por maomé. Outra coisa, quando se quer brigar, qualqur motivo é motivo,independente de onde venha. O importante é que o ocidente é infiel, e eles são fieis, a eles tudo é permitido em nome de ala, inclusive apoiar ataques a world tred center, metro de paris,metro da inglaterra, hoteis frequentado por ocidentais, e restaurantes e onibus israelense; ala, permitir isso, mas, charge de maomé, tem que ser punido com sangue e destruição, é a lei de talião, dente por dente olho por olho. É por essas e outras razões, que eu,acho que a imprensa não deva dobrar-se a ditadura religiosa.

Marcius Thadeu , São Paulo-SP - Consultor em Segurança
Enviado em 10/2/2006 às 3:05:20 PM
Não creio que seja dupla. Antes de respeitar a liberdade de religião temos que respeitar a soberania territorial, quem estabelece os limites legais em uma nação são seus próprios membros, sejam políticos ou religiosos, mas sempre em seu território. Para exemplificar, um brasileiro foi condenado a morte na Indonésia por tráfico de drogas, eles são soberanos em sua decisão e devem ser respeitados, mesmo que aqui isso não tenha uma pena tão severa. O mundo não pode ficar a mercê do fanatismo religioso, isso já aconteceu na inquisição e não pode se repetir.
Clemar Manzoni , -SP - Tecnico adminastrativo-PMSP
Enviado em 10/2/2006 às 3:04:34 PM
Acredito que é necessário que jornalistas irresponsáveis reflitam melhor o que escrever ou desenhar (nesse caso)em nome da táo decantada LIBERDADE DE IMPRENSA, ainda mais em se tratando de assuntos com alto poder explosivo como este.
Fabio de Oliveira Ribeiro , Osasco-SP - advogado
Enviado em 10/2/2006 às 1:31:47 PM
Caro Dines. Retorno ao OI para elogiar sua análise sobre o editorial do Estadão. A propósito, ao ver as charges num website português ocorreu-me outra coisa. Elas não são apenas ofensivas, são mediocres. O traço dos autores é infantil, sua capacidade de tratar de diversos assuntos por meio da mesma representação gráfica é limitado e o resultado do seu trabalho é desprovido de humor. O efeito humoristico é obtido por meio da evocação da própria desgraça (no caso a impossibilidade da Europa viver sem o petróleo e a mão de obra árabe e sua dificuldade de aceitar o islamismo). Os chargistas europeus deveriam fazer um curso com os brasileiros Laerte, Angeli e Glauco Matoso. A propósito, por que o OI não os estimula a comentar as charges?
Fernando Soares Campos Soares Campos , Rio de Janeiro-RJ - Funcionário público
Enviado em 10/2/2006 às 12:55:16 PM

Manifesto: Como uma liberdade (La Insígnia, 10/2/2006)

"Pedir desculpa pela emissão de uma opinião livre (...) será pedir desculpa pela Magna Carta, por Erasmo, por Voltaire, por Giordano Bruno, por Galileu, pelo laicismo, pela Revolução Francesa, por Darwin, pelo socialismo, pelo Iluminismo, pela Reforma, pelo feminismo."

"Um conjunto de cartoons satíricos sobre Maomé originalmente publicados num jornal dinamarquês e republicados pela generalidade da imprensa ocidental fizeram eclodir uma impressionante onda de violência em alguns países islâmicos. Um ódio que assemelha a algo de irracional, inflamado nas multidões de rua, transformando-se assim na representação de uma vaga de barbárie.”

Leiam o manifesto e, se concordarem com os seus termos, assinem. 

José Antenor Velho , São Paulo-SP - Padre
Enviado em 10/2/2006 às 9:14:31 AM

Sr. Dines, ouço todos os dias o seu comentário pela Cultura. O de hoje sobre a forma superficial de a mídia tratar do assunto é muito pertinente. Em geral, a mídia trata o fenômeno religioso como trata do futebol do domingo à tarde, algo à margem da vida, não fundamental na consciência humana ou, até mesmo, folclórico. Ainda no tema, as várias expressões da fé devem ser respeitadas na sua originalidade, desde que não atentem ao bem público (mas, para isso existe a lei) e, sobretudo, não se confundam com a política partidária.

Não seria esse o perigo que corremos também por aqui, quando o Presidente pensa em envolver os evangélicos na sua campanha pela reeleição, ou quando um partido se apresenta como sendo ligado a uma determinada igreja? Há, sim, o perigo de retornarmos à Idade Média, idade da intolerância religiosa, mas não vejo a mídia preocupada com isso! Um abraço, P. José Antenor Velho

Eduardo França Castro , Ubá-MG - Biólogo
Enviado em 10/2/2006 às 7:24:49 AM
Concordo parcialmente com o Sr. Alberto Dines. A reportagem do jornal Estado de S. Paulo está muito bem estruturada e acrescento algo mais: os fatos ocorridos nos levam ao retrocesso cultural que culminou na segunda guerra mundial onde judeus foram estereotipados e massacrados... A imprensa na Alemanha foi o veículo-chave para dominação e criação de um "monstro". não podemos nos esquecer do passado. Liberdade sim mas com Ética e responsabilidade, pois afinal somos Homo sapiens, ou não como disse Leonardo Boff, as vezes somos Homo sapiens demens.
Jose Alfredo Rodrigues , Porto Alegre-RS - Bancário
Enviado em 10/2/2006 às 3:02:33 AM
Eu concordo com o editorial do Estadão. Será que a liberdade de expressão é total e absoluta, que eu possa, por exemplo, falar mal da mãe de alguém e ficar impune? Isto é, será que o filho ofendido não teria também o direito de me xingar de volta, me bater, ou até tentar me matar, dependendo do grau de ira? Se eu xingo, deturpo, faço pouco de algo que é sagrado para alguém, não estou piorando a convivência da comunidade?
Geraldo Martins , São Paulo-SP - sociólogo
Enviado em 10/2/2006 às 12:41:59 AM
Ocorre que os cartunistas e os respectivos jornais com aquele ato, de publicar as charges do Proféta, criaram todas as condições para o crepitar das fogueiras islâmicas. Se a coisa ocorresse com Abraao ou Moisés a reação nao seria muito diferente. È necessário se entender e resppeitar os sentimentos e as religiões das pessoas, independentemente de suas etnias.
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