ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 370 - 17/11/2009
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COBERTURA INTERNACIONAL
Juba, o sniper iraquiano

Por Rodolfo Ribeiro Machado em 26/2/2006

Estes dias, sem querer, ouvi falar num site na internet sobre um sniper (atirador de elite) iraquiano apelidado de Juba. O site tem vídeos sobre aviação militar e coisas afins, mas também material sobre a Guerra do Iraque. Qual a minha surpresa ao saber que o tal Juba já teria abatido 200 soldados americanos.

Pesquisei no Google ("Juba sniper") e o numero de links retornados é imenso, até a TV alemã fez um documentário sobre ele. Não se sabe, realmente, se é apenas um homem ou mais de um, o fato é que toda ação é filmada, e há vários vídeos disponíveis na Internet. Mas não se vêem detalhes desagradáveis, apenas os soldados caindo.

Por que a nossa imprensa não comenta a existência deste sniper, já que os soldados americanos estão assustados e o cara, virando uma lenda? Quem assistiu ao filme Circulo de Fogo, que é sobre uma história verídica, viu o que o sniper russo e o alemão faziam.

Visão imparcial

Há tempos que leio artigos nos sites especializados em assuntos militares que dizem haver dois tipos de ataques ocorrendo no Iraque: os improvisados, às vezes suicidas, feitos pela al-Qaida, e outro tipo, mais sofisticado, feito pelos antigos integrantes da Guarda Republicana de Saddam Hussein. O segundo tipo nunca é noticiado, até porque os americanos não vão ajudar a guerrilha a melhorar sua pontaria, e não divulgam. Em Londres, na Segunda Guerra, durante os ataques das bombas V2, o governo dizia à população que eram explosões de gás – o que é correto, porque senão os alemães saberiam onde caíram as bombas e tentariam melhorar a pontaria.

Mas, no caso de vazamento de informação, é obrigação da imprensa noticiar, principalmente a não-americana. Na internet, é fácil achar fotos de tanques M1 Abrans destruídos, alguns por bombas artesanais, mas a maioria com rombos laterais na blindagem, o que caracteriza o uso de armas antitanque pela guerrilha – o que a imprensa também não noticia. E é sabido que os americanos perdem mais Abrams agora do que em 1991, na Primeira Guerra do Golfo. Consta que pouco antes de os americanos entrarem em Bagdá, o comandante da Guarda Republicana ordenou que os integrantes tirassem os uniformes, vestissem roupas civis e fossem para casa, aguardar o verdadeiro combate, e parte dos integrantes da Guarda teriam sido treinados em guerra assimétrica pelos Spetsnaz, as tropas especiais russas, já prevendo uma possível invasão.

Seria interessante a nossa imprensa explicar de forma mais detalhada por que os americanos estão tendo dificuldades no Iraque. A TV a cabo, principalmente o Discovery Channel e o National Geographic, passam documentários sobre a guerra, mas são a visão anglo-americana do conflito. Esses vídeos que circulam na internet são provavelmente oriundos da TV al-Jazira, a visão árabe. Portanto, seria interessante uma visão imparcial dos fatos pela nossa imprensa.

Comentários (1)
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Jose Alfredo Rodrigues , Porto Alegre-RS - Bancário
Enviado em 4/3/2006 às 12:57:02 AM
Algum órgão de imprensa brasileira deveria mandar correspondentes ao Iraque para avaliar o que realmente está acontecendo. Dar um depoimento. Tirar um febre. Mas acho que será difícil. Pelo menos temos a internet. Catando coisas aqui e ali, talvez seja possível ter uma visão mais equilibrada.
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