ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 374 - 24/11/2009
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CARTA AO CHEFE
Como a IstoÉ tornou-se IstoEra

Por Luiz Cláudio Cunha em 28/3/2006

Mensagem enviada pelo signatário, editor de Política da sucursal de Brasília da IstoÉ, a Carlos José Marques, diretor-editorial da IstoÉ – com cópias para Domingo Alzugaray, diretor responsável da Editora Três, e Alberto Dines, editor responsável deste Observatório. O OI procurou Marques por e-mail, às 19h43 de segunda-feira (27/3), solicitando uma manifestação sua; passadas 24 horas, não obteve resposta. De todo modo, o espaço para sua réplica está garantido. Intertítulos da Redação do OI. (L.E.)

"Jornalismo é a prática diária da inteligência e o exercício cotidiano do caráter." Cláudio Abramo (1923-1987)

Marques, eu não o conheço e, certamente, V. me conhece menos ainda. Sou um devoto da palavra escrita. Minha inspiração é o bravo Churchill, meu conservador predileto, que atravessou as madrugadas de Londres iluminadas pelas bombas da Luftwaffe ditando bilhetes, lapidando discursos memoráveis e escrevendo a História que o faria ganhar a guerra. Como o velho bulldog inglês, estou com a alma angustiada pelo bombardeio da semana passada, que detonou o emprego de dois editores na sucursal, Amaury Ribeiro Jr. e Donizete Arruda e, por conseqüência, do chefe Tales Faria, demitido ao reagir com a dignidade devida à sua injustificada blitzkrieg. Sei que nem bilhete, nem discurso vão apagar este incêndio, mas silenciar agora seria admitir que V. está no caminho da vitória. "Não se ganham guerras com retiradas", advertiu o sábio Winston ao povo inglês, ainda inebriado pelo épico milagroso de Dunquerque. A inglória e enganosa retirada de Brasília marca um atalho perigoso para a derrota. Não se abate impunemente um profissional do talento e da integridade de Tales Faria sem lançar um véu de maus presságios sobre os novos tempos. Sob o comando dele, ao longo de sete anos, a Sucursal de Brasília de ISTOÉ chegou a sete finais de Prêmio Esso – e faturou três, uma delas com o demitido Amaury. O Tales – ao contrário de V., Marques – atende com sobras aos dois paradigmas expressos pelo Cláudio Abramo para esta profissão tão marcada por bombas, retiradas, derrotas, vitórias, dignidade e vilanias.

Com 55 anos de vida e 37 de estrada, já vi muita coisa bonita e muita coisa feia nas redações de jornais e revistas. Com este longo prontuário, sou praticamente uma página virada e, neste aspecto, V. ainda é um noviço no jornalismo. Eu só tenho passado e V., pelo que vejo, só tem futuro, muito futuro. Por isso, não quero perder aqui a chance de discutir não nossas carreiras, com inflexões tão distintas, mas o futuro imediato de algo que preocupa a todos nós: a revista ISTOÉ. Compartilho este debate com outras duas pessoas, e justifico. O Seu Domingo, por ser o interessado direto no futuro de sua revista, condicionado ao perfil e ao conteúdo dos profissionais que vão garantir sua qualidade e sua relevância. E o Dines, por ser o responsável e mentor do Observatório de Imprensa, um espaço nobre e influente na internet dedicado justamente ao objetivo central desta carta: a reflexão, a crítica, o debate maduro e responsável do que pensamos e do que fazemos como jornalistas, desde o mais modesto repórter até o mais poderoso chefão – como V., Marques.

Vivemos tempos muito estranhos, em que as coisas que precisam ser ditas ficam escamoteadas, camufladas, sussurradas, caladas. Nada se reclama, nada se critica, para preservar amigos, cargos, salários, posições, espaços de poder, enquanto o jornalismo vai se diluindo e dissolvendo na sua incapacidade de autocrítica. Não sou de freqüentar boteco, nem de extravasar minhas mágoas em mesa de bar, Marques. Prefiro ganhar a guerra resistindo, pensando e escrevendo. Sem mágoa, nem ressentimento, prefiro escancarar aqui – com a ajuda do Observatório da Imprensa – uma discussão que, na nossa restrita área de influência, ficaria confinada às conversas pouco conclusivas que envolvem só os personagens diretamente interessados – o diretor que demite, o chefe demitido, os editores perplexos, os repórteres confusos, todos nós desorientados e apreensivos com o novo passaralho que vem por aí na semana que vem, no mês seguinte, quem sabe?

Quero quebrar esta caixa preta e propor, com a serenidade recomendável e a prudência necessária, um debate sobre o papel que todos nós temos no empobrecimento continuado de algumas de nossas principais revistas semanais. A crise econômica, o custo do papel, a retração dos anunciantes, a concorrência da TV, o surgimento da internet e outros quesitos geralmente justificam a recorrente onda de enxugamentos nas redações de jornais e revistas, nivelando por baixo salários e profissionais. Esta é uma dura realidade, que não é nova nem parece prestes a acabar. Pelo contrário.

Onde o norte?

Neste quadro recessivo, que inquieta patrões e assusta empregados, é natural o surgimento do "jornalismo de resultado" e seus profetas – os executivos moderninhos que prometem redações baratas, revistas idem, amenidades muitas e reflexão zero. Apostam no padrão do leitor que consome mas não pensa, no perfil Homer Simpson que se satisfaz com o atendimento às suas demandas meramente consumistas, do estilo shopping center que simboliza o templo de devoção da classe média e seus periféricos. Para este tipo de leitor, com tanto a comprar e tão pouca disposição para ler, o jeito é o modelito USA Today, o jornalão fast food destes tempos midiáticos para uma leitura rápida, calórica e saborosa como um Big Mac. Assim, nossas semanais sofrem cada vez mais a tentação de atender a este novo mercado emergente, abdicando de sua função primordial: o texto mais consistente, mais abrangente, para refletir e ponderar sobre a salada de informações frenéticas e redundantes que o dia-a-dia de jornais, rádios, TVs e internet enfia goela abaixo do cidadão.

A revista, que devia ser o oásis de reflexão para ajudar o pobre leitor a atravessar esta overdose semanal de notícias e mais notícias, abdica de seu papel e mergulha no turbilhão do jornalismo rápido e rasteiro. A estética vale mais do que a essência. A forma se impõe ao conteúdo. O texto curto confina os detalhes. A foto, espelhada e escancarada, come os espaços de uma informação cada vez mais estrangulada. Tudo induz uma leitura ligeira, quase leviana, para não afrontar o relógio e a agenda do nosso leitor tão apressado. E, em vez de procurar saciar a fome de informação e conteúdo, a revista sucumbe e se submete à magra dieta jornalística que ela diz ser exigência do leitor moderno. Alguém está enganando alguém neste jogo.

Como a idéia, aqui, é dizer o que precisa ser dito, devo ser franco e direto: a atual ISTOÉ conseguiu, no espaço de poucas semanas, conquistar a merecida pole position no grid da mediocridade nacional. Uma revista, como diria Otto Lara Resende, bonitinha mas ordinária. Das grandes semanais brasileiras, clube que ela sempre integrou com honra e mérito, ISTOÉ hoje se transformou num arremedo da revista instigante, provocativa, inteligente que era. Sob seu tacão, Marques, a revista afundou num mar de futilidades e amenidades, tragada por uma pauta desorientada e açoitada por textos curtinhos de idéias e de talento.

Para uma semanal que já teve em seu timão capitães do porte de Mino Carta, Tão Gomes Pinto, Milton Coelho da Graça e Hélio Campos Mello, seria justo esperar uma travessia e um rumo mais definido. A revista perdeu o norte e corre o sério risco de virar uma publicação fútil e irrelevante, incapaz de arrastar o leitor de sua casa até a banca mais próxima. Leitor só levanta o traseiro do comodismo, como diria o companheiro Lula, atraído pelo furo, pela reportagem bem apurada e bem escrita, pela matéria que faz história, que consola os aflitos e aflige os consolados.

Bicada inexistente

ISTOÉ, pelo jeito, não quer afligir mais ninguém, principalmente os poderosos. Deve ser por isso que a ISTOÉ desta semana consegue o milagre de produzir uma matéria sobre o caseiro Nildo, aquele que viu as bandalheiras da "República de Ribeirão Preto", sem citar uma única vez o santo nome de Antonio Palocci. E discorre sobre a vergonhosa quebra de sigilo do caseiro omitindo acintosamente o nome do assessor de imprensa Marcelo Netto, um dos suspeitos de envolvimento no crime. Reclamo porque fui eu que escrevi a matéria, e nela constavam os dois nomes – Palocci e Marcelo. Meu texto foi lipoaspirado, desintoxicado dos nomes do ministro e do assessor, e assim publicado. Por isso, recusei assinar a matéria, que não refletia o que o repórter mandou de Brasília na noite de quinta-feira 23 . E nem precisaria tanto drama, porque os nomes da dupla já estavam, desde manhã cedo, nas edições da Folha de S.Paulo e do Correio Braziliense. A revista não estaria fazendo carga contra ninguém, estaria apenas sendo fiel aos fatos. Perdeu uma bela oportunidade de não ficar calada. Até porque, momentos atrás, o Palocci acaba de se demitir, por todos os motivos que tínhamos e não explicitamos.

Ainda bem que a concorrente, a VEJA, cumpriu seu dever direitinho, colocando inclusive uma foto do Marcelo ao lado de seu protegido. Até o colunista Diogo Mainardi, sob o título um tanto explícito de "Marcelo Netto, Marcelo Netto", disse com toda a clareza: "Quem difundiu o extrato bancário do caseiro foi o assessor de imprensa de Palocci, Marcelo Netto. Desde a semana passada, todos os jornalistas sabiam disso. Marcelo Netto é jornalista. E jornalistas não denunciam jornalistas".

Silêncios assim, inexplicáveis, é que incomodam tanta gente que, como o filósofo Millôr Fernandes, acha que jornalismo é oposição – o resto é armazém de secos e molhados. Uma revista semanal com a história de ISTOÉ não pode acabar disputando espaço no cesto de revistinhas de sala de espera de dentista. Ninguém tem o direito de malbaratar o esforço sério de tantos profissionais talentosos, ao longo de tantos anos, que ajudaram a construir o prestígio e a importância de ISTOÉ no jornalismo brasileiro.

Falo isso porque o exemplo que vem de cima é preocupante. Sua estréia na direção da revista, na edição 1894 (de 8 de fevereiro de 2006), foi bombástica: uma entrevista forte de FHC. Título da chamada na capa: "A ética do PT é roubar". Só pra lembrar:

Era uma frase candente, que até destoava um pouco do estilo medido e comedido do elegante doutor honoris causa de Cambridge, Sorbonne e quetais. Por isso, valia o quanto pesava. O PT ficou tão furibundo que anunciou processo na Justiça pela injúria publicada. Mas exatamente um mês depois (8 de março de 2006), Cláudio Humberto publica a seguinte nota em sua coluna, sempre bem informada e comentada:

A dedução que se faz, a partir destes fatos, é que a bicada do tucano-rei simplesmente não existiu. Alguém no comando da revista achou por bem melhorar o que FHC diz, sempre com elegância e na maioria das vezes com propriedade. Ou seja, enxertaram uma frase, dura e agressiva, na conversa gravada de um ex-presidente da República, e tascaram o remendo na capa da revista! Em qualquer publicação séria, isso seria motivo para uma rápida apuração e inapelável demissão. Mas nada aconteceu.

Explicação possível

Podia ter sido um acidente de percurso, algo a ser relevado, travessura que não se repetiria mais. Bola pra frente! Mas eis que, quatro edições seguintes, na ISTOÉ 1898 (de 8 de março de 2006), que tinha como capa a pandemia da gripe aviária, é reservada a entrevista das páginas vermelhas ao ex-governador Anthony Garotinho, candidato dali a dez dias nas prévias do PMDB. E a gripe que deixou bicudo FHC também contaminou o coitado do Garotinho. A assessoria do ex-governador percebeu, com natural perplexidade, que o texto trazia não só respostas não dadas, mas perguntas que não haviam sido feitas, conforme os registros gravados da conversa. Vou reproduzir apenas o trecho que melhor identifica o foco da doença. É o seguinte:

1) TEXTO GRAVADO E TRANSCRITO DA CONVERSA:

ISTOÉ – Como o sr. vê a tentativa dos governistas de abortar as prévias?

Garotinho – Sem dúvida, é golpe. A prévia foi estabelecida em convenção e regulamentada pela executiva nacional. Todos participaram de tudo, inclusive os governistas. O verdadeiro motivo que os move é a vontade de entregar o partido ao PT.

2) TEXTO PUBLICADO NA REVISTA:

ISTOÉ – Líderes do PMDB intencionam ir à Justiça contra as prévias no partido. O sr. gosta dessa idéia?

Garotinho – (...) É uma tentativa de golpe, sem dúvida. A prévia foi estabelecida em convenção e regulamentada pela Executiva Nacional. Todos participaram de tudo, inclusive os governistas. Não dá para mudar as coisas assim, de uma hora para outra, como se fazia antigamente, num acerto de caciques que os índios têm de cumprir. O verdadeiro motivo que os move é a vontade de entregar o partido ao PT. 

Menos mal, cara-pálida, que o Garotinho tenha deixado pra lá a travessura e evitado repetir FHC. Mas, cá pra nós, Marques, não dá para mudar as coisas assim, de uma hora para outra (...) num acerto de caciques que os índios têm de cumprir! (Sei não, mas fui tomado, agora, por uma enorme sensação de dèja vu...)

Pesquisando nos arquivos implacáveis do Google, que já não nos deixa dormir em paz, descobri que este mal insidioso grassou em outra redação, por coincidência dirigida por V. Muito antes do Garotinho, foi o garotão de Mr. Bush no Brasil, o embaixador John Danilovich, que protestou contra os graves sintomas da gripe. Pelo jeito, é pandemia mesmo! O vigilante Observatório da Imprensa publicou, no dia 17 de agosto de 2004, a seguinte matéria:

ISTOÉ DINHEIRO

Embaixada americana contesta entrevista

[do release da embaixada]

IstoÉ Dinheiro montou "entrevista" com embaixador Danilovich

A "entrevista" com o embaixador John Danilovich apresentada pela revista IstoÉ Dinheiro na edição de 11 de agosto, intitulada "10 Perguntas para John Danilovich", foi uma montagem.

O artigo apresenta uma colagem de trechos da palestra do embaixador Danilovich no Instituto Fernando Henrique Cardoso, dia 3 de agosto, além de respostas dadas pelo embaixador a um grupo de jornalistas no mesmo evento - a "entrevista" da IstoÉ Dinheiro não menciona o fato de que o jornalista Marco Damiani fez apenas três das cinco perguntas colocadas durante aquela conversa.

A embaixada enviou à redação da IstoÉ Dinheiro a seguinte carta, que não foi publicada na edição desta semana (18 de agosto):

Brasília, 11 de agosto de 2004

Diretor de Redação, Dinheiro

Fax: 11-3611-6411

dinheiro@zaz.com.br

Gostaria de alertar os leitores sobre o fato de que sua recente "entrevista" com o embaixador dos Estados Unidos no Brasil, John Danilovich, foi montada. O repórter Marco Damiani, da Istoé Dinheiro, na realidade não fez uma entrevista com o embaixador. Em vez disso, entre cinco perguntas que alguns jornalistas dirigiram ao embaixador durante o intervalo de um seminário, três foram feitas pelo repórter . Várias das "perguntas" incluídas na sua entrevista nunca foram formuladas. O repórter tirou as últimas três respostas, fora de contexto, dos comentários preparados pelo embaixador para o seminário, cujo texto pode ser encontrado na íntegra na homepage da embaixada: (http://brasilia.usembassy.gov).

Esse formato montado de "entrevista" foi desonesto e é um desserviço aos seus leitores.

Obrigado

R. Wesley Carrington, adido de Imprensa

Um atento infectologista perceberia que o ponto em comum entre os dois pacientes, o ex-presidente e o ex-embaixador, é o editor executivo de ISTOÉ Marco Damiani, que ciscou nos dois quintais e deve ter sido contaminado. É a única explicação possível. Esta gripe quase secreta, que não deveria jamais atingir redações saudáveis e imunes ao vírus do esquentamento, não é o único problema da revista. Outro, mais escancarado e visível, atinge o coração do atual projeto editorial da revista: as fotos. Antes expressão da verdade, estágio cru da notícia, a foto nas suas talentosas mãos virou artifício para dourar a realidade e, desta forma atravessada, pregar pequenas peças no leitor incauto.

Boa idéia, mal copiada

Na edição 1895 da ISTOÉ (de 15 de fevereiro de 2006), V. publicou uma matéria de Comportamento, "Na onda das mulheres surfistas", no velho modelito 1 x 1 – uma página com uma bela foto, uma página com um texto leve, ligeiro, rapidinho, no gênero bobinho que V. imagina fazer tanto sucesso. Pois a foto, um belíssimo tubo de onda azul por onde desliza a catarinense Jacqueline Silva, campeã mundial do circuito em 2001, é uma pegadinha, um truque para enganar o leitor.

Alguém desatento pensaria que era um tubo portentoso num santuário havaiano. Alguém mais atento veria, no canto esquerdo inferior da página 48, que era uma reles montagem. Cruzes!, V. adora montagens, Marques! Como a contenção de despesas não recomenda gastar uma passagem ida e volta São Paulo-Havaí, o que lhe pareceu mais inteligente foi recortar o rosto da garota e colar sua carinha bonita no corpo – certamente não tão bonito quanto o original verde-amarelo – de alguma surfista privilegiada do Pacífico. (Espero que a Jacqueline, a surfista americana e o fotógrafo da AP, Pierre Tostee, autor da foto remendada, não nos leiam, senão os advogados terão ainda mais trabalho...) E viva o Santo Photoshop!

Só pra relembrar, aqui vai de novo a foto, aliás muito bonitinha:

No caso da Jacqueline, ainda existe a atenuante do crime confessado, a montagem. E quando ela não é anunciada? Bem, aí é processo na certa, como anunciou o ex-ministro José Dirceu. Na edição 437 (de 1º de fevereiro de 2006), a ISTOÉ Dinheiro, também dirigida por V., conseguiu fazer tudo errado numa única página, a 31. Na matéria "Dirceu sem destino", o ministro easy-rider aparece como o futuro proprietário de uma bela moto Harley Davidson de R$ 90 mil, que já estaria sendo produzida na fábrica de York, EUA. Para coroar o bolo, uma bela foto do Dirceu, todo pimpão, com tênis, jeans, jaqueta e luvas, montado na poderosa V-Road da Harley. Para quem duvida, olha ele aí, gente!

De novo, o velho truque: é a cara do ministro num corpinho que nunca foi dele. E, desta vez, nem há indicação de que tudo é montagem. O Zé Dirceu, que não é nenhum Garotinho, leu a travessura no exterior e mandou o advogado processar a revista pela traquinagem. Ele diz que não comprou, não vai comprar e, pior, nunca pilotou uma moto.

Quando não é a montagem, é a clonagem. É uma rima, mas não é uma solução. Por tudo que tenho ouvido a seu respeito, V. é um obcecado por belas fotos, especialmente fotos da imprensa americana, tipo Time ou Newsweek. Acho uma boa, até porque a imprensa de Tio Sam ainda é a melhor do mundo, apesar do momento vil e covarde que vive, intimidada pela direita, pelos falcões do Pentágono e pelo fundamentalismo religioso do bando de paranóicos que cerca o apalermado W.Bush. Voltemos às fotos: V. junta, reúne, espalha, guarda na gaveta toda e qualquer foto que lhe pareça boa. Acho bom se inspirar em coisas de qualidade. Mas inspirar não é copiar! Assim como a foto da gatinha surfista, V. distribui cópias via fax da foto eleita e pede outra igual, exatamente igual.

Se não é possível a clonagem, pura e simples, vem a montagem, dura e seca. Na capa da edição 1899 da ISTOÉ (de 15 de março de 2006), V. nos brindou com uma capa do nosso astronauta. Lembra?

Pois é. Parecia uma boa sacada. O rosto sorridente do nosso herói espacial enfiado no seu reluzente capacete prateado, metido num terno com gravata num tom azulado – uniforme esquisito para um tenente-coronel da ativa da FAB, como é o caso do nosso simpático Marcos César Pontes. Mas, na semana passada, um amigo chato, desses que não deixa passar nada, passou diante da prateleira de revistas importadas, no aeroporto de São Paulo, e o que ele viu ali? Uma ISTOÉ importada? Não, uma ISTOÉ clonada. Observe:

É uma edição da revista americana Business 2.0 , que pode ser acessada no sítio www.cnnmoney.com, com uma capa exatamente igual. É um sujeito, sem o sorriso e a simpatia do nosso astronauta, enfiado no mesmo capacete prateado, com um terno escuro e a gravata, aqui, vermelha. Mas, neste caso, o terno não parece inadequado, diante do título da capa: The Entrepreneurs´s Guide to the Galaxy (algo como o "Guia de Empreendedores para a Galáxia"). O tema aqui é o filão de milionários e aventureiros abonados que, um dia, farão turismo espacial. Nada a ver com coronel de salário mixuruca de Força Aérea.

No caso da Businnes, a foto fazia sentido. No caso da ISTOÉ, a foto é um absurdo. O pior é que a ISTOÉ não foi clonada. É o contrário. A edição americana tem a data de capa de 27 de fevereiro de 2006 – duas semanas antes da brasileira. Mais uma grande idéia, mal copiada e mal executada, que brotou da gaveta inesgotável do diretor de ISTOÉ. Que mau exemplo, Marques!

A velha e boa semanal

V. poderia alegar que este é apenas mais um caso de "foto-referência", que hoje virou clichê na redação da revista, junto com a "foto-conceito" e a "foto-atitude". Não tenho a menor idéia do que seja isso, nem os atarantados fotógrafos de sua equipe, mas talvez seja outro belo tema para o Dines abordar no Observatório. Entre algumas das máximas da "ideologia marquesista", explicitada em reuniões com seus editores e repassada a suas equipes, destaco três preciosidades: A saber:

** Jóia 1: "Não gosto de suíte."

Para sorte do jornalismo mundial e da história americana, Mr. Marques não usurpava a cadeira de Ben Bradlee como editor do The Washington Post em 1972. Na noite de 17 de junho, cinco homens invadiram as salas do QG do partido Democrata, na capital americana. Se a dupla Woodward e Bernstein, que assumiu o caso, voltasse dias depois à sala de Mr. Marques pedindo mais espaço para a série que começava a nascer, seriam enxotados: "Não gosto de suíte". E o mundo não conheceria o Caso Watergate, uma bobagem de mais de dois anos que só acabou na noite de 8 de agosto de 1974, com a renúncia do vigarista Nixon.

Na II Guerra Mundial, uma tediosa suíte de cinco intermináveis anos, o gênio Marques teria que escolher um ou outro tema para não cansar seus leitores com a dura rotina do maior conflito bélico da humanidade. O Dia D talvez, Pearl Harbor quem sabe, provavelmente Hiroshima, um ou outro poderiam ter espaço no seu jornal ou revista. Stalingrado? Não, não, é sempre a mesma coisa todo dia, quero novidades. Vladimir Herzog? Vamos dar a missa na Catedral da Sé. E não quero suíte. O Riocentro? Publique o acidente com a bombinha no Puma do DOI-CODI. O resto é suíte. A história que não couber no espaço de uma edição do mestre Marques, bem.....azar da história.

O pior é que a vida, as guerras, os escândalos, os fatos insistem em se estender, prolongar e até repetir, semana após semana, para desespero de nosso intransigente diretor, que deve odiar até a Quebra-Nozes de Tchaikowski. Como o poeta Chico Buarque avisou, o tempo passou na janela e só Marques não viu.

** Jóia 2: "Não quero preto, nem pobre na revista".

É uma visão clean da vida que combina bem com seu estilo aprumado, fashion, de ternos bem cortados e etiqueta de griffe. Mas ficaria bem na Quinta Avenida, em Nova York, não na Lapa de Baixo paulistana. Sua visão estreita e preconceituosa ignora o fato de que o Brasil se estende além dos prédios modernosos, de vidro espelhado, da opulenta Avenida Paulista. Este país varonil de 190 milhões em ação, prontos para vestir verde-amarelo para torcer pelo Brasil-il-il na Copa do Mundo, ainda tem 55 milhões de pobres – gente com renda familiar de meio salário mínimo. É o Brasil que certamente não mostra sua cara na ISTOÉ de Marques.

Pretos e pobres – que coisa mais desagradável! – asseguram ao Brasil o vice-campeonato mundial em concentração de renda, atrás apenas de Serra Leoa. Não fazemos revista para este tipo de gente, até porque, se tivesse algum dinheiro no bolso, certamente iria gastar em comida, não numa edição amena e colorida de ISTOÉ, não é, Marques?

Os leitores apressadinhos da nova ISTOÉ provavelmente não gostariam de perder tempo com as constrangedoras comparações da ONU, mostrando que o mundo gasta US$ 18 bilhões por ano com maquiagem, quando bastariam US$ 19 bilhões para sustentar os 800 milhões de seres humanos – na maioria pretos, seguramente todos pobres – que não têm o que comer. Outros US$ 15 bilhões são desperdiçados com perfumes, US$ 5 bilhões a mais do que o exigido para garantir água num planeta onde 1,1 bilhão de pessoas – todas pobres, muitas pretas – não têm o que beber.

** Jóia 3: "Não gosto de política".

Acho desconcertante que o diretor de uma das mais importantes revistas semanais do país diga tamanha sandice. Goste V. ou não, a Política está aí, desde a Grécia Clássica, para nos apontar os caminhos que o cidadão tem para atender suas necessidades de forma organizada e evoluir como sociedade. Uma revista como ISTOÉ e jornalistas como nós, Marques, devemos sempre pensar e agir, pela via do bom e relevante jornalismo, para que se faça a melhor política e se exclua do meio os maus políticos que a degradam, como ferramenta fundamental da democracia e da liberdade.

V. ainda é muito jovem, Marques, para abdicar desta missão. Brasília, com todos os seus vícios e defeitos, é fundamental para que o país saia do buraco em que está. O Brasil que trate de melhorar Brasília, votando e elegendo em gente melhor. E V., faça sua parte, fazendo uma ISTOÉ boa como antigamente. Nas suas mãos, a velha e boa semanal do Seu Domingo morreu, acabou, já era.

Acabou de nascer a ISTOEra, a ISTOÉ da Era Marques.

Eu, e milhares de leitores, lamentamos.

Saudações, Luiz Cláudio Cunha

[Brasília, 27 de março de 2006]

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Bruno  Barbosa , Curitiba-PR - Funcionário público
Enviado em 14/11/2006 às 1:39:33 PM
Já fui assinante da Istoé. Com o passar do tempo, passei a não mais gostar da revista. Tinha, na época, a dúvida de não saber se a revista tinha piorado muito ou eu tinha me tornado melhor e mais crítico. Agora sei, sem sombra de dúvida, que a primeira opção responde de maneira mais completa a minha dúvida anterior.
Marcos Adriano Rodrigues da Silva , Olinda-PE - Escritor
Enviado em 21/10/2006 às 7:12:30 PM
A IstoÉ não é mais a revista combativa de antigamente. Está se "vejizando" cada vez mais. Não há mais espaço p/a análise crítica, a reflexão, o pensamento maduro. Mas nem tudo está perdido, desde que seja posta na diretoria de redação uma pessoa mais compromissada c/o conteúdo e menos c/a forma. Aguardemos.
Zeca Virtuoso , Criciúma-SC - jornalista e professor
Enviado em 22/5/2006 às 12:01:11 AM
Desejo solidarizar-me com todos aqueles colegas jornalistas que têm a coragem de defender a ética, a honra e a dignidade, trazendo à tona a perversidade muitas vezes entranhada na mídia, quando o econômico se sobrepõe ao social. A mentira à verdade, em defesa de interesses menores. Luiz Cláudio Cunha, com sua coragem, ajuda-nos a descortinar um realidade até então obscura (para muitos). Quem sabe a partir de agora possamos ter esperança de que a ética voltará a prevalecer em todas as redações, como critério absoluto, em defesa da verdade e da cidadania.
Alexandre Harlei Ferrari , Araraquara-SP - Professor/Sociólogo/Pedagogo
Enviado em 4/5/2006 às 12:15:34 PM
Se somos, como espécie, capazes de produzir "palavras" sóbrias, responsáveis e compromissadas, como as do jornalista, bem como com a maioria dos que aqui comentaram sabiamente as mesmas, por que, afinal na conseguimos mudar a ordem da realidade? Seria porque, sozinhos, não podemos muito, além de um grito de indignação? Mas, se ao invés, fôssemos muitos neste grito de indignação, como seria? Ao fim, não importa qual o caminho que seguimos, importa sim, como nos comportamos nele...
Claudio Coppio , São Paulo-SP - Jornalista
Enviado em 6/4/2006 às 11:50:41 AM
Se Mr. Marques não se manifestou ainda, então assinou o atestado de pulha publicado aqui. De onde tiraram Mr. Marques? De quem foi a idéia de dar uma revista tão importante a esse tipo de profissional?
Luiz Paulo Santana , Belo Horizonte-MG - Economista
Enviado em 6/4/2006 às 1:29:16 AM
Como assinante de Istoé por quase 20 anos, aguardo ansioso a participação do Sr. Carlos José Marques no debate que se abre com as críticas a ele dirigidas por Luiz Cláudio Cunha. Estarei atento, e espero que o Sr. Marques seja suficientemente rápído, porque já me preparo para cancelar a minha assinatura recentemente renovada por mais um ano ainda não vigente. A par do empobrecimento que se comprova com as demissões e as observações do Sr. Luiz Cláudio Cunha, a par das fraudes de que nos fala na montagem de entrevistas e adulteração de respostas, torna-se intransponível pelo menos uma das três jóias da "ideologia marquesista", como a chamou o Sr. Cunha: aquela em que afirma "Não quero preto, nem pobre na revista". E eu responde de imediato: NÃO QUERO ISTOÉ DENTRO DE MINHA CASA, em honra dos pretos e pobres do meu país. É por isso que insisto em que o Sr. Marques deva ser rápido na resposta às críticas e acusações de que é alvo. De qualquer forma, eu já estou saindo rumo aos representantes da saudosa revista aqui nesta cidade de Belo Horizonte.
Marco Chiaretti , Joinville-SC -
Enviado em 3/4/2006 às 11:47:37 PM
Não entendi: a frase de FHC não foi dita? A foto de Dirceu na moto foi uma montagem? A entrevista de Danilovich foi montada? O diretor atual da revista IstoÉ não gosta de política, de preto, pobre, nem de suíte? Esta carta diz a verdade? Se for, e acredito que seja, o que faz o sr. Marques por lá?
Américo Abreu , Teresina-PI - Jornalista
Enviado em 3/4/2006 às 12:57:24 PM
Caro Cláudio Cunha, Quero parabenizar você pelo gesto, pelas palavras, pela aula de jornalismo, pela defesa da nossa profissão, pela coragem, pela denúncia indefensável. Sou professor de jornalismo e meu sonho de consumo é que meus alunos consigam atingir um dia esse seu grau de lucidez e, claro, que como mestre eu consiga contribuir para isso de alguma forma.
Paulo Fessel , São Paulo-SP - Analista de Sistemas
Enviado em 3/4/2006 às 12:22:48 PM

Neste fim de semana folheei alguns exemplares da "nova fase" de IstoÉ. Uma tristeza. Notei também que as matérias eram normalmente de uma página, às vezes com duas. E o que é pior: com trechos da matéria grifados para atrair a atenção do leitor, que vai acabar por fazer uma leitura "caligráfica" da revista. Ah claro, a última página - que foi de Paulo Caruso desde, pelo menos, 1993 - sumiu também. Nem a entrevista escapa - hoje está limitada a duas magras páginas.

Finalmente, boa parte da revista não passa de reprodução da Time americana. Ou seja, a impressão que se tem é que IstoÉ agora é pautada pela Time-Warner, ao menos no campo internacional. Triste fim para uma revista que já teve Henfil, Millor Fernandes e Mino Carta entre seus colaboradores.

Alexandre Assumpção , Porto Alegre-SP - publicitário
Enviado em 3/4/2006 às 11:41:51 AM
Que horror essa manipulação feita na Istoé pelo Marques!! É um absurdo!! Onde estão os donos da empresa, que permitem tamanha desfaçatez com os leitores? Eu de minha parte, sou um leitor a menos. Parei de comprar e vou avisar a tantos quantos puder que tipo de revista é a ISTOERA...
Natashy Duarte , Campinas-SP - Jornalista
Enviado em 3/4/2006 às 11:21:00 AM
Comecei a ler Istoé quando tinha uns 5 anos de idade (hoje tenho 21). Na época ainda era Istoé Senhor e com certeza fui influenciada desde pequena pela revista para escolher minha profissão. Fico muito triste em saber de tudo isso, porém fico feliz de haver colegas de profissão que não aceitam que a notícia seja deturpada. Ultimamente a revista está muito pesada e colorida. Tomara que haja alguma mudança.
Francine Moor , brasília-DF - Jornalista
Enviado em 3/4/2006 às 11:08:52 AM
Esclarecedora e estarrecedora a Carta ao Chefe de Luis Cláudio Cunha (28/03/06). Não tinha observado o início do novo diretor-editorial da IstoÉ, mas não gostei das primeiras decisões. Estamos vivendo uma situação delicada em que é inegável uma movimentação dos meios de comunicação nos bastidores da política, mesmo que isso se dê na sua aparente retirada de temas e fatos definidores. Mais do que sentir pelas opções do diretor, peço, encarecidamente, que não abandone seu compromisso básico com o jornalismo e com o Brasil.
margarida nepomuceno , são paulo-SP - jornalista
Enviado em 3/4/2006 às 11:02:44 AM
A frase (que pode transformar-se até em slogan) De IstoÉ para Isto Era já responde à altura aos demandos dessa revista. Parabéns. Nessas horas sinto orgulho de ser jornalista.abços, Margarida
Pedro Arnaldo Ribeiro , Salvador-BA - Estudante
Enviado em 2/4/2006 às 10:06:36 PM
Parabéns por desmascarar a mentira e a manipulação da informação pela imprensa. É importante analizar a questão da informação também por uma ótica global. Os casos narrados pelo Luiz Cláudio Cunha ocorrem todos os dias nas redações mundo afora. O papel que tem a imprensa e a midia em geral e a forma como o elemento politico se utiliza para obter seus ganhos nos obrigam a buscar uma alternativa viável à propagação da informação em massa, sem o intermédio desses grupos economicos e politicos. Creio que os blogs são o início desse movimento, mas ainda não são acessiveis ao grande público, que ainda recebem as informações filtradas por cretinos do porte de wilian Bonner e outros. Somente conseguiremos mudar o país se barrarmos a imprensa ligada aos coroneis e aos grupos economicos. Parabéns Luiz Cláudio Cunha e já como sugestão para um debate no OI o tema das rádios livres. Um abraço a Dines e a todos do OI.
valdemar froener , -RS - Micro Empresario
Enviado em 2/4/2006 às 6:19:42 PM
Li na integra a materia, bem fundamentada por quem é do ramo. Eu acho que parte da imprensa braileira tinha nas suas redacoes muitos petistas, esquerdistas, que manipulavam materias ao longo do tempo. Lembro que na epoda dos militares a imprensa so publicava o que tinha de pobre no pais. Mandavam imagens as piores possiveis para o exterior, para desqualificar o regime. Nao e a toa que o Brasil tem a imagem negativa que tem junto a comunidade internacional, como se so aqui tivesse mazelas. Com a subida o Lula e do PT a presidencia do Brasil, a turma da esquerda se viu bobardeada pelo mesmo metodo que usavam, e e logico nao gostaram. Achavam eles que a imprensa ia ser complacente com eles, afinal eles eram o P.T, e teriam o apoio do povo, quem duvidaria deles. Isso tudo ta provocando um rebulico nas redacoes. Vem para o bem, pois ja estamos cansados de materias mal intesionadas, isso e logico nunca vai acabar, mas vai diminuir, pois pensam que o povo e burro, e nao se da conta. Essa guerra nas redacoes vem para o bem.
adhemir martins da fonseca , rio de janeiro-RJ - aposentado
Enviado em 2/4/2006 às 11:53:32 AM
caro luiz carlos cunha, confesso que é seu primeiro artigo que leio. mas garanto que lerei os próximos. seu artigo é simplemente um raio x da imprensa brasileira. alguns jornalistas não usam sua profissão para informar ao povo a verdade. e sim são pagos para difamar algumas pessoas por motivos escusos. seu artigo da dignidade a profissão. quando exercida na sua plenitude é muito importante para o país
Pedro porfirio , Rio de Janeiro-RJ - Jornalista
Enviado em 1/4/2006 às 8:52:36 PM

O mínimo que posso dizer é que esse relato talvez seja a melhor reportagem de Luiz Cláudio Cunha, profissional que sempre admirei. Mas não posso ficar só nisso. Declaro que estou assombrado com o conhecimento dos expedientes descritos. Com meus 63 anos, em redação desde os 17, não podia imaginar que o instituto da manipulação chegara a tal nível. Como o Observatório da Imprensa é leitura "obrigatória" entre os agentes do pensamento, espero que o impacto causado pelo relato corajoso enseje uma reflexão igualmente corajosa de todos nós.

Se não houver um questionamento frontal a tais práticas, a mídia, como um todo, sofrerá mais um grande desgaste e acabará sucumbindo no abismo da galhofa. Ainda escrevendo minha coluna na TRIBUNA, mas à distância da redação (viva a Internet) sinto-me particularmente um cronista anacrônico. Eu não sabia que a imprensa tinha "evoluído" tanto. Parabéns pelo Observatório. E minha admiração ao Luiz Cláudio Cunha pela tentativa de ser fiel ao legado do nosso imortal Cláudio Abramo. Pedro Porfírio

Claudia Machado , Sorocaba-SP - radialista
Enviado em 1/4/2006 às 6:17:27 PM
Simplesmente formidável! Parabéns pela coragem, inteligência e integridade.
Carlos H. Peixoto Peixoto , Ipatinga-MG - funcionário público estadual
Enviado em 1/4/2006 às 5:02:03 PM
Prezado editor, é de espantar como nós, leitores, somos feitos de bestas. Sou assinante de IstoÉ há seis anos, e desde então venho me valendo da revista para me situar nesse cipoal de acontecimentos semanais. Contudo, como mostra o jornalista Luiz Cláudio Cunha, nem sempre os acontecimentos se convertem em boas informações. Triste notícia, e ao mesmo tempo uma descoberta, saber que a revista em muitas edições não tem sido fiel ao seu maior capital: o leitor. Não sei se manifesto solidariedade ao sentimento de decepção ao Luiz Cláudio, ou se o parabenizo pela coragem de denunciar as picaretagens editoriais de IstoÉ. De qualquer forma, boa sorte em sua luta pelo bom jornalismo. Saudações, Carlos H. Peixoto
Shirlei Horta , São Paulo-SP - Redatora
Enviado em 31/3/2006 às 10:21:49 PM
Penso que essa é a carta que Luiz Cláudio Cunha escreveria 30 anos atrás, com outras palavras. Penso também que dificilmente a escreveria 15 anos atrás. Esse tipo de atitude ou é arroubo da juventude, em sua luta por mudar o mundo, ou é a expressão de um profundo respeito pela própria biografia. Tem um momento em que ou você esclarece quem você é, ou corre o sério risco de ser confundido com a massa amorfa e aderente dos "qualquer um".
Aclair Santanna , Santos-SP - Jornalista
Enviado em 31/3/2006 às 5:32:25 PM
Caro Luiz Cláudio. Tenho orgulho de ter um colega de profissão como vc. Neste texto soberbo, vc colocou na rua tudo o que muito repórter gostaria de dizer mas não consegue por causa de "dois mírréis" por mês. Sobre as pérolas do sr. Marques, só sugiro uma ação ainda não disseminada no Brasil mas muito eficaz em outros países: o boicote à revista, enquanto esse elemento mandar por lá. Quem ele acha que é para impedir que negros e pobres apareçam? Em qual país ele acha que mora? Se fosse em outro lugar sério, ele já estaria respondendo a vários processos enjaulado por racismo, assédio moral, falsidade ideológica e tantos outros. E por falar em Marcelo Netto, outra coisa que deve acabar nas redações é a proteção a filhos de "famosos", já que o filho dele trabalha na Época e, nesta semana, descobriu-se que o jardineiro que teria visto o caseiro Nildo com um "bolo de dinheiro" na mão trabalha para um senador cuja esposa é jornalista do O Globo. Pois é, o poder tem vários tentáculos.
Gilson Raslan , Jaru-RO - Advogado
Enviado em 31/3/2006 às 1:28:40 PM
É por esta e por outras que a maioria dos jornalistas e dos proprietários da grande imprensa avançaram furiosos contra o projeto de lei que pretendia criar um código de comportamento para a mídia (como já acontece com os advogados, médicos, engenheiros, contabilistas...) em nome da liberdade de imprensa. A meu ver, eles confundiram liberdade de imprensa com malandragem de imprensa. O que a revista fez é uma vergonha para os profissionais honestos.
Wanderley Diniz , Brasília-DF - Jornalista
Enviado em 30/3/2006 às 10:02:52 PM
Foram necessários 41 anos de profissão, nos quais presenciei os mais variados tipos de passaralhos, sem que a bronca não saisse das mesas de bar, para, enfim, vibrar com um senhor protesto, devidamente embasado. Obrigado, companheiro, por sua dignidade e indignação. Quanto à revista, ela deve seguir o caminho de outras publicações que, para conseguirem leitores, oferecem brindes que, praticamente quitam o valor da assinatura. E, com isso, manter a circulação e as tabelas publicitárias. Não é mesmo?
galeno Almeida Pupo , Jarinú-SP - Empresário
Enviado em 30/3/2006 às 9:39:51 PM
Bravo! Bravo!
Bruno Silveira , Ribeirão Preto-SP - Estudante
Enviado em 30/3/2006 às 7:01:32 PM
Ao ler essa carta, fiquei com uma expressão popular na cabeça: “roupa suja se lava em casa”. Mas em todos os casos... E comecei a questionar a atitude do jornalista. Será que ele fez certo ao torná-la pública? “Observar” de fora, tudo bem, mas, e “de dentro”? Ele não deveria sair primeiro e mandar a carta para seu (ex) superior depois (se é que ele não fez isso)? Foi ético? Note que não entrei no mérito da questão e nesse campo, apesar de concordar com as denúncias do jornalista, também fiquei com dúvida. O teor da reclamação justifica a sua publicação? A exposição do problema ajuda a melhorar a imprensa e beneficia os leitores? Por outro lado, ao ler a carta fiquei tão enojado com a revista que, mesmo na dúvida sobre a atitude do Luis Cláudio Cunha, me veio outra sensação: “mas nesse caso compensa”. Foi como se ele tivesse prestado um serviço de interesse público. E se ele foi antiético, cabe a ressalva: ética tem exceção? Pensei na seguinte hipótese: se isso tivesse acontecido na Folha, o Sr. Marcelo Beraba (ombudsman) teria “peito” para expor o caso, caso o jornalista não tivesse? Se vocês me responderem as questões aqui formuladas, não precisam publicar esse comentário.
Cláudia Valente , Brasília-DF - jornalista
Enviado em 30/3/2006 às 5:30:11 PM
Quanta sensatez! Há muito tempo a desilusão me fez abandonar o jornalismo. Ao ler o seu desabafo, meu velho coração de repórter bateu mais forte.
Rosana Alves Silva de Oliveira , curitiba-PR - Jornalista
Enviado em 30/3/2006 às 5:17:08 PM
Li o desabafo do jornalista Luiz Cunha, em sua matéria direcionada ao diretor da revista Istoé, fiquei chocada e feliz. Chocada por saber de revelações tão brutais de uma realidade que sempre soube existir em nossa profissão. Dos jornalistas sem ética e moral para exercer tal. Mas feliz por saber que ainda existem dentro desta área pessoas do gabarito deste homem. Aprendi que jornalismo é verdade, pura e simples. No entanto sei por desventuras desta vida que nem sempre ela é aceita como tal. Sinto nesse desabafo que nem tudo está perdido. Cunha, não o conheço, mas seu caráter, explicito em suas palavras, não deixa dúvidas. Um abraço de quebrar tuas costelas, como dizem os gaúchos.
Célio Oliveira , Manaus-AM - Jornalista
Enviado em 30/3/2006 às 4:38:34 PM
Bravo artigo, Luiz Cláudio Cunha! Vc disse tudo. Não há nada mais a acrescentar. Mesmo assim vou tentar o oposto. Lendo este maravilhoso texto, lembrei de que conheço um cara, que também virou jornalista, fazendo exatamente o que esse tal de Marques faz. Ele simplesmente roubou a monografia dos arquivos de uma universidade fora daqui do Amazonas e na cara-de-pau só fez trocar os nomes dos entrevistados. Ou seja, não se deu ao trabalho de pesquisar, prescrustar, analisar, interpretar ele mesmo o que a faculdade de comunicação lhe exigira para conseguir o diploma de jornalista. Clonar, copiar, montar, plagiar é muito mais fácil do que criar. Como esse rapaz, existem muitos pelo país afora; sem competência para o ofício. Será Luiz, que a formação do sr. Marques não passou por essa terrível experiência?
daniele prado , são paulo-SP - professora
Enviado em 30/3/2006 às 3:51:18 PM
O que não dá para entender é como o "Seu Domingo" entrega de bandeja seu veículo de maior prestígio aos cuidados de um sujeito déspota, racista e sem criatividade como o tal do Marques. Se este já havia cometido tantas barbaridades contra o jornalismo sério na Dinheiro, por que lhe entregar as chaves do carro-chefe da editora? O que o povo brasileiro espera agora, Seu Domingo, é que o senhor recobre o bom senso e, diante de tanta mediocridade cometida, entregue sua revista nas mãos de profissionais competentes e éticos.
Michiko S. de Carvalho , São Paulo-SP - Sociólogo
Enviado em 30/3/2006 às 1:15:17 PM
Raras vezes li um artigo impecável como este. Conteúdo perfeito para o objetivo a que se propõe, além de argumentos fundamentados e comprovados para provar que é assim que se faz um jornalismo sério e politicamente correto. Aprendi muita coisa e me indignei com tudo que li e vi nas fotos. Minha credulidade burra na imagem fotografada jamais me faria suspeitar ou perceber que fossem montagens. Na verdade, sempre acho que uma revista não correria o risco de ser processada com uma foto plagiada ou montada. Por que o FHC não protestou imediatamente contra aquela capa e pediu retificação, fazendo-o só agora quando processado? Estou mandando o artigo para vários amigos.
Diogo Gomes , Rio de Janeiro-SP - Empresário
Enviado em 30/3/2006 às 12:50:11 PM
Fico feliz de ver que ainda existe imprensa consciente e preocupada em denunciar casos como este da IstoÉ, por esse motivo que parei de comprar as nossas "Domingueiras", pois não passam de cópias, subdesenvolvidas, dos tablóides britânicos, que adoram inventar, humilhar e até mesmo passar por cima do poder público, simplesmente para "amamentar" o ego de editores, que todos os meses tem que cumprir meta$ para não perder seu estimado emprego, em um país que não é nada fácil estar empregado, ainda mais no campo jornalístico, e que eles nunca retratam. Por este motivo fico com minha Folha de S. Paulo e meus periódicos de tecnologia e negócios, deixando as fofocas e jornalismo barato para os que preferem criar suas opiniões em cima factóides que muitas vezes são visivelmente criados. Parabenizo o jornalista Luiz Claudio Cunha. Atenciosamente, Diogo Marçal Gomes
Dermeval Vianna Filho , Florianópolis-SC - Advogado
Enviado em 30/3/2006 às 11:54:57 AM
Embora o diretor-editorial de Istoé transpareça a intenção de que sua revista é uma torre de vigia imersa numa terra de cegos, quem tudo vê e denuncia é Luiz Cláudio Cunha. Nada como deixar o rei nu. Brilhante sua exposição! Certamente eu e outros que já verificávamos a perda de qualidade daquele semanário nos sentimos confortados, por ter alguém do lado de lá do front que luta contra a adoção dos novos "padrões" pela revista Istoé. A sua arguta análise vale também para diversos outros veículos de mídia. Parabéns, Luiz. Espero que sua atitude seja repetida por jornalistas pertencentes a outros jornais e revistas. Oxalá tenhamos um dia uma mídia como a que você idealiza.
Avery Veríssimo , Belo Horizonte-MG - Jornalista/Professor
Enviado em 30/3/2006 às 11:36:11 AM
Uma situação que se reproduz Brasil afora em dúzias de veículos de comunicação de menor ou maior porte.
Maísa Urbano , Campinas-SP - Estudante de Jornalismo
Enviado em 30/3/2006 às 10:19:45 AM
Até que enfim alguém declarou atitudes antiéticas que permeiam redações. Na Faculdade aprendemos lições sobre ética e compromisso com a verdade, que, apesar de conceitos essenciais, não são praticados com regularidade na "vida real". É muito importante que fatos dessa ordem sejam discutidos e debatidos, não só por jornalistas ou estudantes, mas pela sociedade como um todo, para que esta tenha a consciência crítica necessária para desempenhar o papel fiscalizador dos produtos jornalísticos. Desse modo os veículos serão pressionados a oferecer material de qualidade e relevância para a sociedade. Obrigada, Luis Cláudio Cunha, por abrir um espaço para essa reflexão, compartilhar conosco os pormenores do dia-a-dia jornalístico e dar esperança aos futuros jornalístas do país!
Elaine Albuquerque , Goiânia-GO - bancária
Enviado em 30/3/2006 às 12:43:21 AM
Estou perplexa diante dos fatos relatados. Os bastidores de qualquer empresa são abundantes em intrigas, fofocas, autoritarismo e falta de espírito de corpo. Todavia, jamais imaginei que algo como o aqui descrito acontecesse. O Sr. Marques ou é um completo maluco, ou está na profissão errada: deveria ser político. Mas me encantei com a narração e a educada indignação do Luiz Cláudio Cunha. Minha admiração e respeito por este "devoto da palavra escrita". E ainda bem que não sou assinante da IstoÉ.
EDUARDO CUNHA , goiania-GO - engenheiro
Enviado em 29/3/2006 às 10:16:30 PM
Magnífico. Parabéns, jornalista Luís Cláudio. Isso é ser íntegro, fiel, corajoso. Espírito crítico, isso faz muita falta hoje em dia, em vários segmentos de nossa sociedade. O seu Domingos, como se refere ao proprietário da revista, não pode desconhecer e não reconhecer os bons propósitos de sua missiva. Duro é se constatar que sujeitos do calibre deste editor tenham voz e comando sobre um veículo que sempre pautou por um bom jornalismo. As colocações deste editor, se verdadeiras, expõem sua visão preconceituosa, estreita, falta de inteligência mesmo. Oxalá, apareçam mais jornalistas da sua estirpe que primem pela qualidade de nosso jornalismo. Mais uma vez, parabéns.
sandra freitas , Belo Horizonte-MG - jornalista e professora
Enviado em 29/3/2006 às 10:14:38 PM
Texto impecável. Apuração nota dez. Coragem e dignidade. Grande jornalismo! Grande jornalista! Parabéns!
Aguinaldo Pedro , São Paulo-SP - jornalista
Enviado em 29/3/2006 às 8:41:22 PM

Parabéns, caro Luis Claudio cunha, parabéns! Me senti de alma lavada, e com os ânimos refortalecidos e o orgulho latente em ser jornalista. Suas plavaras mais parecem um poema, em forma de protesto. Protesto embasado, claro e com firmes propósitos, no caráter e na ética. E foram as suas palavras que, tenha certeza, farão a vez e a voz de milhares de brasileiros, jornalistas ou não. Brasileiros, que como eu, negro e excluido do mundo midiático e nórdico, que vivemos em plena América Latina, ou se preferir, nosso amigo Marques "América Latrina", pois ele deve ser um daqueles que são amigos do amigo, e que advem de berço de titanio, e que nunca soube o que é bater em porta de emprego, assim como nunca soube o significado da palvra caráter, ética e humildade. Gente como ele se assemelha a ditadores. Felizmente, por pessoas como você, Luiz Claudio Cunha, o jornalismo não está pior. Grande gesto, grande desabafo, grande liçaõ para um pequeno ser. Nosso país já amdureceu, tornou-se mais inteligente (não o quanto desejamos), mas, já houve avanço. Sr. Domingo, não feche os olhos ao que está seno dito aqui. Não deixe que enterrem uma biografia por conta de vaidade, incompetência e valores outros que não os morais.

Não deixe que o nome da revista mude de istoé para quantoé, como quer a concorrência. E muito menos, como quer o sr. Carlos José Marques. Lembre ao Sr Marques que vivemos em um pais onde a maioria pobre é negra, graças ao esforço e dedicação de seres como ele. Não se esqueça de que as palvaras ditas pesam muito em nossas biografias.

Félix Barbosa , São Paulo-SP - Professor
Enviado em 29/3/2006 às 8:24:11 PM
É raro haver homens suficientemente independentes para verem a insensatez e as fraquezas dos seus contemporâneos sem que eles próprios sejam afetados por elas. Albert Einstein disse isto e, Luiz Cláudio Cunha o demonstrou de maneira tão clara que revela bem o que ocorre, não só com a revista Istoé, mas, de maneira geral, na maioria da imprensa brasileira. Parece que estamos vivendo uma nova onda de jornalismo ou pseudo-jornalismo que não conhece ou esqueceu o ideal humanitário, indissoluvelmente ligado à liberdade de expressão, ao livre arbítrio do indivíduo. Hoje, a Istoé representa bem a falta de procura por um pensamento objetivo, independente de considerações meramente utilitárias. A imprensa escrita brasileira há muito perdeu o encorajamento das diferenças no domínio do intelecto e do gosto. A carta de Luiz Cláudio Cunha é um testemunho triste, porém verdadeiro, dos novos tempos, onde homens como ele já são raridades. A minha solidariedade a Luiz Cláudio Cunha e o meu abraço fraterno.
Alceu Castilho , Brasília-DF - Jornalista
Enviado em 29/3/2006 às 7:12:11 PM

O texto de Cunha é corajoso, bem escrito e absolutamente verdadeiro. Trabalhei na Dinheiro entre 2001 e 2002 e confirmo pelo menos duas afirmações feitas em relação a Carlos José Marques:

1) sim, ele copia diagramações e fotos inteiras de revistas estrangeiras, não somente a Business Week. De volta da França, em outubro de 2001, em viagem pela revista, levei uma edição de Le Vrai Papier Journal - uma revista ironicamente de esquerda. Apenas para meu editor, Leonardo Attuch, com francês fluente, dar uma olhada. Dentro havia uma série de páginas sobre o 11 de setembro. Pelo menos quatro delas - duas páginas duplas - foram clonadas.

2) "No dia em que um pobre entrar nesta revista, eu saio pela outra porta". Já ouvi essas frases exatas. Depois, premido pelo especial tino comercial, Marques criaria na Dinheiro a seção de responsabilidade social - mas sabemos que isso não tem nada a ver com bom-mocismo, pois não?

Na minha primeira viagem pela revista, Attuch me mandou para a Grande Belo Horizonte, numa reportagem (com boa pauta) sobre os efeitos da silicose entre os trabalhadores nas minas. Eu e a fotógrafa achamos um personagem sensacional: o coveiro. Pobre. Negro. Ele percorria os túmulos, apontava o dedo e resumia a causa mortis: "Silicose". "Silicose". "Morte natural". "Silicose." "Silicose." "Silicose." "Acidente." "Silicose." "Silicose." Abri a matéria dessa forma. A fotógrafa Ciete Silvério fez fotos lindas desse senhor. Mas me avisou: eles não gostam. Na hora da edição, não deu outra: apenas os pés do coveiro apareceram.

Fui demitido em março de 2001, apesar das sinalizações dos editores em contrário, em meio ao momento familiar mais difícil da minha vida. Eu não tinha o perfil da revista, concordamos todos - eu, Attuch e o editor-executivo Ivan Martins. Até sexta-feira trabalhava na IstoÉ o jornalista Gilberto Nascimento, sujeito de caráter imenso e um dos profissionais mais comprometidos com os temas sociais. Foi também demitido por Marques. Não sei se o destino da IstoÉ será a morte, pois há mercado para entretenimento e futilidades (como prova o sucesso da Dinheiro), mas, diante das evidências, parece não haver dúvidas em relação à morte do que restava de jornalismo nessa revista. A causa? Silicose, morte natural, acidente? Pequenez.

Sergio Almeida , SP-SP -
Enviado em 29/3/2006 às 6:20:15 PM
A imprensa pensa que todos os brasileiros são ignorantes de conhecimento. a revista veja, istoé, o jornal estado de s. paulo, o globo e outros são nitidamente ligados a partidos políticos. e defensores da continuação da corupção e da má distribuição de renda, entre outros assuntos. boa parte de suas receitas vem de publicidade por parte dos orgãos públicos. precisamos de uma revolução educacional urgente. se com a educação que nos temos hoje o brasil está assim, imagine sem nenhuma. vamos mudar o brasil nas urnas.
Carina Paccola , Brasília-DF - jornalista
Enviado em 29/3/2006 às 5:25:26 PM
Essa carta lavou minha alma de jornalista, que anda muito angustiada com o jornalismo de péssima qualidade que se tem feito no Brasil nos últimos anos e da mediocridade que predomina nas redações. Me fez sentir, de novo, orgulho de minha profissão.
Ana Lucia Bastos Mota , Fortaleza-CE -
Enviado em 29/3/2006 às 5:21:08 PM
Há muito tempo sou assinante da Isto é, hoje realmente Isto era. Se pudesse voltaria no tempo e cancelaria minha assinatura. Estou comprando atualmente a Carta Capital e sou assinante da Folha de S. Paulo. A mentira sobre o Dirceu eu já havia tomado conhecimento, estou horrorizada com as outras. Parabéns, Luis Claudio Cunha, pessoas como vc são raras.
Jedeão Carneiro , Cuiabá-Mt -
Enviado em 29/3/2006 às 4:49:20 PM
Será que agora o catedrático de Sorbonne, para provar que não está envolvido na montagem da farsa, virá a público mostrar indignação com a mentira? Será que vai processar a revista por falsidade? Pobres de nós, que estamos na mão dessa imprensa, metida até o pescoço no projeto de devolver o Brasil às mãos dessa oposição raivosa. Se enfiam palavras na boca do glamouroso defensor da ética e da moralidade, imaginem o que não fazem com um simples caseiro, por exemplo, aquele do: “o tostão contra o milhão”, “o lado mais fraco é o da mentira”!
Cláudia Rodrigues , Porto Alegre-RS - jornalista
Enviado em 29/3/2006 às 3:57:45 PM
É isso aí, Luiz Cláudio Cunha, "não podemo se entregar pros home, de jeito nenhum... Não tá morto quem peleia". Parabéns pela integridade do desabafo que se não viesse te mataria e continue firme em tua trajetória exemplar. Deu parar rir também, ainda por cima não faltou humor.
Robinson Damasceno , Belo Horizonte-MG - Jornalista/Publicitário
Enviado em 29/3/2006 às 1:01:44 PM
Ler esta carta me deixou em estado de indignação plena e também totalmente solidário aos verdadeiros profissionais da revista que devem estar humilhados ao seguir uma direção facciosa e que não hesita em mentir para produzir uma revista asséptica e insossa. Pena. Lá se foi a Isto é, que tantos e bons serviços já prestou ao Brasil. Parabéns ao Cunha pela coragem e por ter descortinado o que se passa ali.
Ricardo A. Setti , São Paulo-SP - Jornalista
Enviado em 29/3/2006 às 12:31:10 PM
Teria muito a dizer a respeito do artigo "Como a IstoÉ tornou-se IstoEra", de Luís Cláudio Cunha, profissional de primeira e ser humano impecável com quem tive a honra de trabalhar em diferentes veículos da imprensa. Mas me basta apenas recomendar, enfaticamente, aos leitores do "Observatório" que por acaso não o tenham lido que o façam, com urgência, porque é indispensável. Luís Cláudio, uma vez mais, fornece razões para que seus amigos, como eu, se orgulhem dele. Ricardo A. Setti, jornalista São Paulo, SP
Fábio Carvalho , Porto Alegre-RS - Jornalista
Enviado em 29/3/2006 às 12:31:08 PM
Se todos soubessem de todas as histórias que estão por trás das promoções e das demissões, entenderiam mais a imprensa e os jogos de poder. Entenderiam por que Diogo Mainardi fala Marcelo Netto, Marcelo Netto, mas não fala Policarpo Júnior, Policarpo Júnior.
Patrick Vieira , BELO HORIZONTE-MG - Contador
Enviado em 29/3/2006 às 12:15:50 PM
Belissima matéria essa, é de profissionais assim como o Luiz Cláudio que precisamos, e não um cara de visão estreita que, pelo fato de ser nomeado "chefe", manipula palavras, reportagens somente pelo sucesso e pelo dinheiro. Ele como jornalista deveria priorizar a informação séria, o fato como realmente ocorreu. Cláudio não te conheço, nunca te vi e talvez nunca tenha lido um texto seu, mas com certeza consigo ver que suas sábias palavras refletem uma parte triste do jornalismo no Brasil. Abraços e continue lutando por uma imprensa mais verdadeira.
Raphael Lopes , Jaraguá do Sul -SC - Advogado
Enviado em 29/3/2006 às 11:49:23 AM
A impressão que tive ao voltar a assinar a revista IstoÉ se confirmou agora com o texto que acabo de ler. Parece outra revista, completamente diferente daquela que eu lia antes e que se sobrepunha as outras publicações semanais. Se as coisas não se aprumarem, vou ter que trocar esta assinatura por outra de assuntos superficiais. Pelo menos não ficarei na expectativa de boas matérias.
José Emanuel Gomes de Mattos Gomes de Mattos , Porto Alegre-RS - Jornalista
Enviado em 29/3/2006 às 11:11:01 AM

Luiz Cláudio Cunha é o melhor jornalista de todos com quem convivi em 32 anos de profissão. Integrei a equipe da sucursal da Editora Abril de Porto Alegre, chefiada por ele entre 1979 a 1980, exatamente no período em que Luiz Cláudio e o grande (em todos os sentidos) e saudoso fotógrafo J.B.Scalco conquistaram o Prêmio Esso de Reportagem com a cobertura do seqüestro dos exilados uruguaios Lilian Celiberti e Universindo Diaz. Na época, Luiz Cláudio tinha apenas 29 anos e um talento inigualável. Não o vejo desde que partiu, no início dos anos 80, para outras redações, onde pude apreciar seu texto arguto, instigante e sempre preciso.

Prova disso é esse candente libelo contra o atual estado de coisas que revela, de forma incontestável, o comportamento escandaloso de uma infeliz chefia. Certamente Domingo Azulgaray corrigirá rapidamente o rumo, até porque dono de veículo que rasga dinheiro vira empregado. Luiz Cláudio escancarou com desassombro essa situação absurda, pois sabe que jornalismo é missão e não omissão. Saúdo, igualmente, ao Observatório da Imprensa por dar integral guarida para que essa escabrosa situação fosse tornada pública.

Fabio de Oliveira Ribeiro , Osasco-SP - advogado
Enviado em 29/3/2006 às 11:00:11 AM

Parabens ao autor e ao OI pela divulgação do texto. Cresci admirando alguns jornalistas que tiveram coragem de ajudar a reconduzir os militares aos seus quartéis de inverno. Já fui assinante da Folha de São Paulo e hoje não aceitaria nem mesmo uma assinatura gratuita daquele jornal. Já fui leitor das revistas Veja e Isto É. Admiro a Carta Capital, mas não a compro todas as semanas. Recuso-me a abrir algumas revistas semanais por três razões: 1) metade das páginas das revistas é de propaganda; 2) as reportagens que enchem a outra metade das revistas são duvidosas, maliciosas e algumas certamente encomendadas e regiamente pagas; 3) há muita informação boa e barata circulando na internet de maneira que não preciso desperdiçar meu precioso tempo lendo revistas ultrapassadas e fadadas à extinção.

O texto do Luiz C. Cunha é tocante, uma pena que não esteja começando sua carreira jornalistica neste momento, mas se estivesse certamente não poderia fazer uma reflexão tão profunda e isenta do que está ocorrendo. Creio que estamos num daqueles momentos de crise e decisão. Os paradigmas jornalisticos que predomunam em algumas revistas e jornais, considerados indesejáveis por vários profissionais experientes (como o Luis C. Cunha, Alberto Dines e outros) e estão sendo questionados. As empresas jornalisticas estão sendo colocadas à prova do ponto de vista econômico. Muitas estão fadadas à extinção ou à sobrevivência na base do "jornalismo espetáculo", mas é claro que daqui algum tempo nem mesmo serão consideradas empresas jornalisticas mas "agências de marketing".

Creio, entretanto, que vai demorar um pouco para que a seriedade e dedicação da segunda metade da década de 1970 dominem novamente o cenário jornalistico porque o próprio jornalismo está sendo redefinido em razão da Internet. Mas é claro que nos tempos de crise as oportunidades de superação e solução aparecem ou são criadas. Tenho certeza de que neste exato momento os males do jornalismo brasileiro estão sendo purgados ao serem intensamente debatidos.

Celeste Marinho , Brasília-DF - Profissional de terapias alternativas
Enviado em 29/3/2006 às 11:00:06 AM
Eu sou apenas uma dona de casa que espera ficar ciente das notícias mais confiáveis nas revistas semanais. Já tinha notado pelo volume da revista Isto È a sua modificação. Deu imensa saudades do Sr. Bardavil e sua coluna FAX. Era elegante com tópicos inteligentes, falando de pessoas que realmente mereciam ser destacadas. Parabenizo ao jornalista Luiz Claudio Cunha, pela brilhante exposição e coragem. O Brasil precisa de pessoas de carater e honestidade, como ele, para vencer essa mediocridade que cada dia toma conta de todos os meios de comunicação em geral. Celeste Marinho
Aluizio Amorim , Florianópolis-SC - Jornalista
Enviado em 29/3/2006 às 2:44:52 AM
Magistral, Luiz Cláudio Cunha. IstoEra é um lixo na atualidade. Velho de guerra que sou, 35 anos de praia, conheço bem esses carinhas arrivistas tipo esse editor ao qual vc se refere. Quer dizer que lipoaspiraram a sua reportagem? Que coisa feia. E esse cara ainda se diz jornalista? Está no meu blog, num post sobre o momento político atual, uma constatação sobre a cobertura da imprensa brasileira. Não estava enganado. O seu relato corrobora o que afirmei. Essa IstoEra é um lixo. Está podre. E esse chefete, provavelmente, nem sequer sabe escrever. Lamento muito ter que dizer estas palavras duras. Mas são as únicas que encontrei para solidarizar-me com vc e salvaguardar o que resta de ética, profissionalismo e competência no jornalismo brasileiro. Cordial abraço Aluízio Amorim.
José Reis Filho , SAnto Antonio de Jesus-BA - Advogado
Enviado em 29/3/2006 às 12:47:35 AM
É pena, pra quem, como eu, já foi assinante e admirador da ISTOÉ ter conhecimento de que a corruoção da era Lula corrompeu até as boas revistas e as boas idéias. Que pena não ter acreditado em Regina Duarte, que a esperança venceria o medo. Lamentável que a "Velhinha" de Veríssimo não esteja aqui para lembrar que "gato que nunca comeu azeite, quando come se lambuza".
Juca Kfouri , São Paulo-SP - Jornalista
Enviado em 29/3/2006 às 12:10:10 AM
Graaaaaaaaaande gaúcho! Continua a ser uma honra ser seu contemporâneo.
Isaac Carneiro , Santo André-SP -
Enviado em 28/3/2006 às 10:50:52 PM
Impressionante Realmente, nem o mais terrível paredão do regime militar conseguiu tanto. O pessoal do PT brincou e brincou com tudo. Procuradores - todos quetos - coma imprensa, com os poderes, com as informações. Impressionante. Deus nos salve.
Jose de Souza Castro , -SP - jornalista
Enviado em 28/3/2006 às 10:11:43 PM

A Isto É era uma boa revista. O editor de política da revista em Brasília é um bom jornalista, que encheu o saco, mas não quer sair pedindo demissão e largando mão dos 40% do FGTS por dispensa sem justa causa, por causa de um abóbora como esse diretor de redação. É o melhor desabafo que já li, partido de um jornalista contra seu chefe. Eu, se fosse o seu Domingos, não pensava duas vezes: demitia o diretor por justa causa - imbecilidade ou sabotagem - e botava no lugar dele o autor do artigo. Talvez assim a Isto É volte a ser respeitada.

O Amaury, que conheci em Belo Horizonte, quando ele trabalhava na sucursal da Folha e eu no Globo, não ficará desempregado por muito tempo, se ainda restar um mínimo de bom-senso na direção dos jornais e revistas brasileiros. E o Dines fez muito bem em publicar o desabafo do Cláudio. Se todos reagissem como eles, talvez o jornalismo melhorasse neste país.

José Oliveira , Belém-PA - Engenheiro
Enviado em 28/3/2006 às 9:54:03 PM
Já tinha percebido a mudança editorial para muito pior da revista, levando-me a deixar de adquiri-la em bancas, e como eu, muito provavelmente vários leitores. A continuar essa linha editorial, descompromissada com a verdade, quando omite fatos e personagens importantes referentes a assuntos de interesse de toda a sociedade e fabricando entrevistas, como revelado nesta matéria, por sinal de extrema qualidade esclarecedora, texto escorreito e interessante, o final da revista será inexoravelmente "IstoEra". Parabéns ao jornalista Luiz Cláudio Cunha.
Sergio Viana , Brasília-DF - Médico
Enviado em 28/3/2006 às 9:47:04 PM
"Vi veri veniversum vivus vici". Uma das coisas mais impressionantes que eu já li nos últimos tempos, pródigos em "coisas impressionantes". É fascinante (e digno de náuseas) ver os intestinos da imprensa expostos assim. Que a mesma verdade cujo poder levou Fausto a conquistar o Universo, enquanto vivo, leve Istoé a apodrecer nas bancas, já apodrecida, por sua ausência.
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Luiz Cláudio Cunha

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