ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 377 - 24/11/2009
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JORNALISMO DE OPINIÃO
Transparência em nome do interesse público

Por Venício A. de Lima em 17/4/2006

Uma das conseqüências não planejadas da prolongada crise política que o país atravessa é a discussão sobre o papel que a mídia desempenha em todo o processo. Apesar (ou por causa?) da resistência histórica que a grande mídia sempre tem demonstrado em pautar a reflexão sobre si mesma (ver "Escândalos midiáticos no tempo e no espaço", OI nº 376), é crescente o número de entidades da sociedade civil que vêm se dando conta da importância desse debate. E uma das questões inevitáveis a ser enfrentada refere-se ao velho conceito de objetividade jornalística ou de neutralidade da cobertura.

Bill Kovach e Tom Rosenstiel, no prestigiado Os elementos do jornalismo – O que os jornalistas devem saber e o público exigir (Geração Editorial, 2003), fazem uma arqueologia do conceito e afirmam que, na sua origem, por volta da década de 1920, a objetividade...

"...reclamava que os jornalistas desenvolvessem um método consistente de testar a informação, um enfoque transparente com as provas disponíveis, precisamente para que os preconceitos pessoais ou culturais não prejudicassem a exatidão do trabalho".

Citam também o pioneiro Walter Lippmann, crítico da cobertura que o New York Times havia oferecido a seus leitores da Revolução Russa de 1917, ao insistir que...

"...só existe um tipo de unidade possível num mundo diversificado como o nosso. É a unidade do método, não de objetivo; a unidade do experimento disciplinado". E concluem que "no conceito original o método é objetivo, não o jornalista. A chave está na disciplina do ofício, não em sua finalidade".

Ponto de vista prévio

Apesar dessa origem, o conceito de objetividade tem uma história confusa. Objetividade como método passou a ser também um pressuposto da conduta do jornalista. O credo da imprensa liberal refere-se ao jornalista como devendo ser objetivo, isto é, neutro. As opiniões estariam somente nas colunas assinadas e nos editoriais.

O que se sabe, no entanto, é que a neutralidade pessoal do jornalista é uma impossibilidade concreta e, em relação à objetividade como método, afirmam Kovach e Rosenstiel que...

"...embora a profissão tenha desenvolvido várias técnicas e convenções para determinar os fatos, pouco tem feito para desenvolver um sistema para testar a confiabilidade da interpretação jornalística".

Comentando a questão em artigo recente publicado na revista online Slate, com o sugestivo título de "O crepúsculo da objetividade", o articulista norte-americano Michael Kinsley reconhece que o "jornalismo de opinião" é o que está "funcionando" em termos de audiência e, portanto, em termos comerciais, na mídia americana – televisão, rádio, jornais, revistas, blogs e podcasts. Ao mesmo tempo, afirma ele, os...

"...jornalistas que reivindicam não ter desenvolvido opiniões próprias a respeito daquilo que cobrem estão ou mentindo ou profundamente desinteressados e não-reflexivos acerca do mundo ao redor deles".

E lembra ainda que...

"...em campos intelectuais diferentes do jornalismo, a noção de uma realidade objetiva que pode ser descrita por palavras tem estado, por décadas, ainda mais profundamente fora de moda".

O importante, insiste Kinsley, é que...

"...abandonar a pretensão de objetividade não significa abandonar a obrigação mais importante do jornalista que é a exatidão factual".

A proteção de uma pretensa objetividade jornalística, combinada com a ausência da exatidão factual, pode ainda servir de recurso para jornalistas sem honestidade intelectual selecionarem fontes que, na verdade, confirmem um ponto de vista prévio defendido por um grupo de mídia ou pelo próprio jornalista.

Clareza e transparência

No Brasil, a atual crise política recoloca a questão da objetividade na prática profissional inclusive entre os próprios jornalistas. Recentemente, Jorge Moreno em seu blog no site Globo Oline, afirmava:

"A crise está afetando e muito a relação entre os repórteres. Se escreve [sic] uma coisa, é logo rotulado. Se a notícia interessa à oposição, é tucano. Se coincide com interesses do governo, é petista. Vejo amizades serem desfeitas pela paixão da crise. (...)"

Já há, no entanto, entre nós, grupos de mídia que praticam abertamente o jornalismo de opinião. O melhor exemplo é certamente dado pelas revistas da Editora Abril. Em conhecida entrevista que concedeu à revista Imprensa, em abril de 1990, o editor Roberto Civita já afirmava:

"A Abril vem se batendo há 30 ou 40 anos pelo caminho da economia de mercado, da abertura de fronteiras, da globalização da livre iniciativa. O papel da imprensa não é ir trabalhar nos bastidores nem chegar ao ministro X e pressioná-lo; mas, sim, colocar as coisas para o leitor, tentando mudar a cabeça das pessoas nas suas páginas e não nos gabinetes."

Mais recentemente a revista Exame (nº 860, de 1/2/2006), em editorial sob o título "A opinião de Exame", evocando os exemplos da Business Week e da The Economist, declarou seguir o princípio de sempre ter "opiniões fortes e transparentes – sobre empresas, negócios, tendências ou governos" e que encara essa posição "como um sinal de respeito e de serviço ao leitor". E mais: que "a opinião também se expressa na definição da pauta da revista".

Nessa mesma edição da Exame, o princípio estava claramente expresso em matéria sob o título "Opção pelo Improviso – Avesso à privatização, o governo petista abandonou as rodovias. Agora, em ano eleitoral, corre para tapar buracos". Mais claro e transparente do que isso, impossível.

Padrões éticos e técnicos

Não deveríamos, então, retornar aos tempos dos jornais politicamente comprometidos, cujas coberturas eram abertamente identificadas com determinadas posições ideológicas e partidárias?

Não constituiria boa ética – e até mesmo bom negócio – que a grande mídia declarasse abertamente suas opiniões? E que reconhecesse que a cobertura que seus jornalistas fazem segue a mesma posição ao invés de proclamar uma objetividade/neutralidade que sabidamente não existe?

Se tivermos uma mídia praticando abertamente o jornalismo de opinião, a avaliação de sua qualidade e de sua correção será feita estritamente dentro de padrões éticos de honestidade intelectual e padrões técnicos de exatidão factual. Isso tornaria os conflitos e a disputa ideológica e política na sociedade mais claras e transparentes, evitaria a falsa discussão sobre a neutralidade dos grandes grupos de mídia e de seus jornalistas e, certamente, atenderia melhor ao interesse público.

Comentários (18)
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Cristiano Angelis , Piracicaba-SP - Advogado
Enviado em 25/4/2006 às 10:32:32 AM
Alguns Jornalistas sérios e conceituados no cenário nacional tentam, como nesta matéria, salvar a imagem e reputação da classe. No entanto, o fardo é pesado demais. Os Jornalistas, editores, etc, cada vez mais publicam reportagens com interesses múltiplos (ibope, vendas, partidários/políticos, etc) menos àqueles que realmente interessam ao público, a verdade pura e simples. Por isso, é que cada vez mais o povo duvida da credibilidade das matérias veiculadas, que geralmente são imparciais. Isto se reflete na quantidade cada vez menor de leitores assíduos. Para reverter a situação, basta que os veículos publiquem apenas a verdade, comprovada, sem especulações, leviandade, interesses obscuros e sensacionalismos...
Maria Carmo , Cuiabá-Mt -
Enviado em 24/4/2006 às 11:52:33 PM
A Flávia Mesquita tem razão, a identidade da imprensa tá bem definida: é tucana até a alma. O debate a que se tem assistido nela é pautado por muita leviandade. Sua desqualificação é fruto da desinformação que tenta passar ao leitor/telespectador, para confundi-lo e induzi-lo ao erro. Niguém está criticando a Folha Universal, A revista da Opus Dei, o Catecismo, o jornal da CUT, o jornal da Fiesp... pois quem os lê já sabe o que defendem. A crítica é para Estadão, Folha, Veja, Isto é, Globo, JB etc. etc. que, com sua altíssima qualidade e excelentes publicações, não passam de sepulcros caiados, já que defendem sorrateiramente uma determinada coligação de partidos e posição ideológica. A sugestão é que assumam aberta e honestamente suas posições e parem de nos ludibriar.
Fernando Soares Campos , Rio de Janeiro-RJ - Funcionário público
Enviado em 23/4/2006 às 6:41:53 PM
Tudo bem, Luis Paulo, está desculpado; mesmo porque, se eu não desculpá-lo, não serei merecedor das desculpas que já pedi àqueles a quem agredi. Não sei no mesmo tom, pois o pessoal do OI nos poupou de conhecer os termos. Mas acho que não deve ter sido mais hostil que já fui.
L. Paulo Azevedo , -SP -
Enviado em 23/4/2006 às 12:22:36 PM
Reli meu e-mail e peço desculpas a Fernando Soares pelo tom agressivo como me expressei. No entanto, reafirmo o conteúdo de minha mensagem. Além disso, adiciono que não tenho o propósito de negar os erros cometidos por governo algum. Apenas incomodo-me com injustiças.
L. Paulo Azevedo , -SP -
Enviado em 22/4/2006 às 4:10:16 PM
No seu caso, Fernando, falta também senso do ridículo. Entendia-me entrar nessa discussão com vc, já que vc não tem discernimento básico para distinguir calúnias plantadas que receberam, indevidamente, espaço na mídia, de fatos investigados. Referi-me a dossiês falsos, armações, trotes plantados e, quando não plantados, difundidas por certos militantes que adotam e sempre adotaram uma postura sórdida e encontraram respaldo numa imprensa filopetista durante anos a fio. Isso não tem qualquer relação de equivalência com as práticas do governo atual, pagamento de mensalão, aparelhamento do Estado, "formação de quadrilha" (segundo as palavras do próprio procurador-geral da República). Vc está querendo comparar os erros cometidos no passado, visto que a imprensa dava espaço a qualquer fofoca propagada por militantes, até por conta, repito, da relação de simpatia que a imprensa mantinha pelo PT, com fatos comprovados, como aparelhamento do Estado, que não têm como ser classificados, como deseja, como "injustiça". Sua tentativa de promover esse tipo de distorção extrapola todos os limites do ridículo e dá uma claríssima idéia de seu grau de desinformação e do tipo de [ofensas omitidas pela edição do OI].
Fernando Soares Campos , Rio de Janeiro-RJ - Funcionário público
Enviado em 22/4/2006 às 3:18:11 PM
Luís Paulo Azevedo, se, depois do que expus, você insiste em dizer que não tenho apreço pela verdade, só posso concluir que você tem “...dificuldade de compreender corretamente os fatos, e tendência a distorções”. A imprensa não comprou a internet, claro, a imprensa usa a internet como usa as ondas médias, curtas e páginas com palavras e imagens “moduladas”. Os sites nos quais escrevo registram uma ínfima parcela dos acessos às páginas dos poderosos órgãos de imprensa. Em relação à crise política que se abateu sobre o governo Lula, você diz que são “... falcatruas confessadas, documentadas, fartamente registrados por meio de testemunhos até mesmo de pessoas ligadas ao partido, investigadas e relatadas até pelo procurador-geral da República”, mas não teve suficiente convicção para afirmar: “todas comprovadas”. Pena que muitos condenados à morte só tenham sido inocentados depois de executados. Não entendeu que falei disso? Então, você NÃO distorceu o que eu disse, simplesmente não entendeu. Só. Por isso não posso acusá-lo de tendencioso, mas de ter alguma dificuldade de cognição. Se você não entendeu que me referi à provável (porém atrasada) justiça que se fará ao governo Lula, como tantas que ainda se tenta fazer a outros governos, então, não deve lamentar falta de apreço pela verdade, mas, sim, falta de senso de justiça.
Luiz Paulo Azevedo , -SP -
Enviado em 22/4/2006 às 12:55:11 AM
Deveria lamentar, Fernando Soares, a falta de apreço pela verdade, ou sua dificuldade de compreender corretamente os fatos, e tendência a distorções. HH não foi em nenhum momento estigmatizada pela imprensa que merece ser classificada como tal, logo não me referia a ela. Referi-me claramente ao governo anterior, pq não assumo claramente o que quero dizer, não gosto de conversas nebulosas para esconder segundas e más intenções. A imprensa foi perversa com o governo passado e os que vêem aqui fazer campanha contra a mídia agora, quando ela revela as falcatruas do governo Lula, muito a contragosto, sentindo-se obrigada a cada acusação ao governo, tentar equilibrar o jogo publicando listas falsas como a de Furnas, por exemplo, não só muito provalmente se regorzijava como usou e até continua usando fatos desmentidos posteriormente pela própria imprensa. Quanto à expressão a possibilidade de uma futura errata indicando que "onde se lê: ‘O maior esquema de corrupção da História’ , leia-se: ‘História pra boi dormir’" só nas suas fantasias isso seria possível, visto que não se tratam de armações de militantes divulgadas pela internet que a imprensa comprou. Mas de falcatruas confessadas, documentadas, fartamente registrados por meio de testemunhos até mesmo de pessoas ligadas ao partido, investigadas e relatadas até pelo procurador-geral da República.
Fernando Soares Campos , Rio de Janeiro-RJ - Funcionário público
Enviado em 21/4/2006 às 12:52:50 PM

Prezado Vinícius A. de Lima, queira nos desculpar por ter transformado este espaço destinado a comentários sobre o seu artigo em discussão a respeito de nossas próprias opiniões. Caro Luís Paulo Azevedo, este exemplo, espero, certamente fará você mudar essa sua opinião de que eu me alinhei “...entre aqueles que em nada se indignavam quando a mesma imprensa, de maneira esmagadora e não só pontual (visto que a imprensa é historicamente simpatizante do Pt e exerceu um papel fundamental na construção desse partido), deu espaço e notoriedade até a dossiês falsos durante poucos anos atrás, que foram usados à exaustão pela militância petista, com o propósito, bem-sucedido, infelizmente, de estigmatizar injustamente adversários do PT”.

Recentemente (nesta mesma semana em curso), de maneira precipitada, repassei uma informação sobre o relacionamento da senadora Heloísa Helena com o italiano Achille Lollo. Trata-se de uma matéria que dá conta de um suposto crime de Achille Lollo, em 73. Lollo, do partido Operário, foi condenado a 18 anos de prisão, acusado de ter incendiado o apartamento de Mario Mattei, o secretário do Movimento Social Italiano (de direita). Esta ação criminosa teria provocado a morte de dois filhos de Mattei. Logo após a minha panfletagem, recebi a informação, de fonte confiável, de que o diabo não é tão feio como se pinta. Um intelectual italiano, radicado no Brasil, ardoroso defensor do governo Lula, garante que tudo não passou de “...um incidente, de uma ação que pode ter sido idiota, mas que de toda evidência não visava o que aconteceu...” (...) “Foi solto por insuficiência de provas na base da pressão popular. Foi condenado em apelo e esta em exílio. O fato de a HH tê-lo defendido (quando correu risco de ser extraditado) é uma qualidade dela e não um defeito”. E encerra o intelectual: “Sinto muito, mas combater os oportunistas de maneira oportunista é improdutivo e estúpido”.

Também acho. Recebi várias mensagens de agradecimento por ter repassado a informação do “crime” de Lollo e seu envolvimento com Heloísa Helena, porém está me dando um trabalho dos diabos voltar a cada página onde postei a matéria e postar também esses esclarecimentos que acabo de receber sobre o caso. Portanto espero que você entenda que não estou entre dos que se comprazem em “...estigmatizar injustamente adversários do PT”.

De resto, não dá mais para continuar debatendo aqui. Já pedi desculpas ao autor do artigo, que deveria ser o verdadeiro alvo dos comentários. No entanto, como você pode ver, não tenho a menor autoridade para “cobrar um desempenho impecável e perfeito” seja lá de quem for, mas a tenho para cobrar retratação de erros, pois sempre me retratei dos meus. Mas garanto que de nada adianta fazer estardalhaço com difamações e, anos depois, colocar notinha do tipo “Erramos, anos atrás. Onde se lê: ‘O maior esquema de corrupção da História’ , leia-se: ‘História pra boi dormir’.”

Douglas Puodzius , são paulo-SP - Pesuisador
Enviado em 21/4/2006 às 1:54:32 AM

A folha online convida o inocente leitor a opinar sobre a atitude do ministro da justiça que acaba de depor no congresso. É uma pegunta clara e direta onde o respondente pode perceber tratar-se de um link: Enquete: Márcio Thomaz Bastos deveria ter indicado um advogado para Antonio Palocci? Ao clicar no link ressalta na tela as tres opções onde o leitor concentrara sua resposta: Sim(em Negrito). Não(em Negrito). Talvez.(em Negrito).

Feito o voto, o respondente recebe a informação dos resultados: Sim - 44% 334 votos Não - 49% 373 votos Talvez - 7% 52 votos Total Tudo na mais perfeita ordem. Pode parecer mas, em se tratando de um conceituado veiculo de comunicação nosso dever é desconfiar. Acontece que, aos moldes, daqueles contratos de seguro de carro, existem as letras minusculas e logo se percebe o jogo. Na verdade, quando o leitor, disposto a dar sua opinião, considerando a chamada inicial: "Márcio Thomaz Bastos deveria ter indicado um advogado para Antonio Palocci?", ele responde a outro questionamento, onde o destaque é dado ao sim, não e talvez, escritos em negrito.

Essa nova questão altera completamente o significado das respostas, tornam o positivo em negativo e vice versa. A nova pergunta fica no topo da pagina abaixo do titulo "A defesa de Bastos" e separada das respostas por uma linha, dando a impressão de ser outro tópico como segue:

A defesa de Bastos

Na sua opinião, a oposição tem razão quando acusa o ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça) de ter extrapolado suas atribuições ao intermediar um encontro entre o advogado Arnaldo Malheiros e o ex-ministro Antonio Palocci?

Sim (em Negrito). Como ministro - e já sabendo da participação de Palocci com a violação do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa -, ele não deveria ter se envolvido nesse episódio. Não (em Negrito). Ele indicou um advogado para Palocci justamente para não ter que advogar em favor do ex-ministro. Talvez. (em Negrito). Mesmo sem ter participado diretamente da estratégia de defesa de Palocci, Bastos não precisava ter ido pessoalmente até a casa do ex-ministro para intermediar o encontro.

É nítida a manipulação. Cristalina como a agua. Talvez os mais simplórios ainda tentarão dizer. - Ora, Temos que ler tudo antes de responder! Não! Meu querido e ingenuo amigo. É porisso que a justiça já não aceita mais as letrinhas miudas dos contratos, nem as palavras arcaicas que o cidadão comum não pode entender. Os responsáveis por essa vil manipulação, a fizeram de caso pensado. Sabiam o que queriam e procederam com esse intuito. Tente responder as seguintes questões. Qual a necessidade de após o leitor tomar contato com a pergunta: "Márcio Thomaz Bastos deveria ter indicado um advogado para Antonio Palocci?", haver a formulação de outra? Qual o motivo que impediu os profissionais da enquete de simplesmente colocar o sim, o não e o talvez?

A pergunta é clara e, se alguma explição houvesse, deveria ser formulada antes da questão. Mas, ao analisar a indagação da enquete percebe-se que qualquer explicação é desnecessária, até porque está junto com a matéria sobre o depoimento do ministro no congresso. Para encerrar. Creio que as coisas não devem estar colando como queriam os tais "Formadores de Opinião" , então, restou Formatar a Opinião. Bom Proveito.

Luís Paulo Azevedo , -SP -
Enviado em 20/4/2006 às 10:25:46 PM

Caro Fernando Soares, curioso e emblemático também que sua indignação em relação à falta de rigor de apuração da imprensa antes de noticiar seja tão intensa nesses tempos de governo Lula, a ponto de citar, entre tantas denúncias confirmadas que foram publicadas pela imprensa, um caso pontual do Estadão. Mais curioso e emblemático, porque muito provalmente, pelo seu tipo de discurso, se alinhou entre aqueles que em nada se indignavam quando a mesma imprensa, de maneira esmagadora e não só pontual (visto que a imprensa é historicamente simpatizante do Pt e exerceu um papel fundamental na construção desse partido), deu espaço e notoriedade até a dossiês falsos durante poucos anos atrás, que foram usados à exaustão pela militância petista, com o propósito, bem-sucedido, infelizmente, de estigmatizar injustamente adversários do PT, alguns dos quais, em minha opinião, logicamente, representavam nossa melhor - e talvez única - chance, dada a assombrosa e alarmante precariedade do quadro político que temos.

Em segundo lugar, observo que sua crítica à imprensa incorre no mesmo erro, em meu modo de entender, que é cobrar um desempenho impecável e perfeito, a prova de erros, dos raríssimos exemplos de publicações e colunistas que mantêm uma postura claramente crítica e adversária do petismo, para, em contrapartida, assumir como perfeitamente aceitáveis as mais condenáveis práticas que, em vez de pontuais, se deram de maneira sistemática, desde que oriundas daqueles que se identificam simbolicamente como de certas facções “ideológicas”. Está nas entrelinhas de seu texto que o critério para rotular determinados jornalistas como “vagabundos” é exclusivamente o alvo da crítica destes.

Antonio Carlos morais , Guarapuava-PR - Motorista
Enviado em 20/4/2006 às 10:19:30 PM
Com tanta CPI em andamento fiquei curioso, queria saber quanto do nosso rico dinheirinho e gasto e se este dinheiro esta valendo a pena. O custo das CPIs deve ser de conhecimento publico.
Fernando Soares Campos , Rio de Janeiro-RJ - Funcionário público
Enviado em 20/4/2006 às 6:31:19 PM

Caro Luís Paulo Azevedo, você tem toda razão quando diz: “Fernando Soares, infelizmente, representa o tipo de pensamento desinformado do brasileiro médio...”, no entanto sua razão não pode se estender até “que pensa que existem atalhos para o conhecimento, desprezam o valor do estudo e desconhecem o poder de discernimento proporcionados pela educação, tão precária no Brasil”. Como você pode ter concluído o que “penso”, “desprezo” e “desconheço”? Eu não disse isso, nem mesmo insinuei. Estranho, você! Não acredito que alguém, por mais instruído que seja, tendo lido uma pequena nota como a que aqui postei, chegue a tão complexa conclusão.

Se generalizei sobre os formadores de opinião isso se deve, exatamente, às “opiniões sem valor, que abundam [e medram] nestes tempos de internet”, conforme você mesmo afirma. Estou, como você, me referindo a coisas tais como cita Nelson Breve (Agência Carta Maior), em “Análise da Notícia”, depois de relatar sobre desonrosos exemplos que estão acontecendo na mídia jornalística. Diz ele:

No entanto, o portal do Estadão fez pior. Pegou um comentário de uma fonte não identificada publicado no blog do Noblat e transformou em verdade absoluta.

Se você ler outra mensagem minha sobre o artigo “Desafio a um difamador - Franklin Martins”, aqui mesmo no OI, talvez concorde que estamos falando a mesma língua quando você afirma: “De maneira que o ‘opinionismo’ da imprensa não segue exclusivamente a via das opiniões sem valor”. Lendo a mensagem indicada, você verá que eu também diria (disse?): “Felizmente, alguns deles, em vez de seguir a via das opiniões do senso comum, seguem a via do conhecimento e desmascaram mitos que, imerecidamente, caem no gosto popular”.

Onde você concluiu que eu penso o contrário disso? Bom, não sei. Mas que sou desinformado, ah!, nisso você acertou em cheio! Sou, mas quem não é?! Preciso me virar muito para poder entender um pouco o que acontece nesse dias de “jornalismo opiniento”. Também, pudera! Com essa imprensa que aí está, hein?!

J. Alencar , São Paulo-SP - Funcionário Público
Enviado em 20/4/2006 às 3:32:06 PM
Já era hora de ler algo sensato. Corretos e eticamente válidos os postulados do Sr. Venício. Mas a quem interessa revelar-se? Ao meu ver, poucos órgãos da imprensa têm-se posiocionado, assim como Veja, o Estadão também se declarou politicamente, tomando posições, manifestando suas tendências, sem receios. Mas, para alguns, a pseudaneutralidade (que nunca será, pois até essa escolha pode ser uma tendência) é uma bandeira esfarrapada para ganhos publicitários não-assumidos. Porém, isso não invalida o movimento pela transparência. Que se manifestem as opiniões, desde que assumidos os compromissos a elas inerentes!
Flavia Mesq , São Paulo-SP -
Enviado em 20/4/2006 às 12:33:35 PM
Vejo que a desqualificação da imprensa é fruto, sobretudo, de desinformação. Se houve um tempo em que vagabundos ocupavam espaços em redações, talvez tenha sido nos tempos de não obrigatoriedade do diploma, em que, sabe-se, até membros da polícia exerciam a função de "jornalista". Hoje pode ser que a imprensa brasileira não seja a mais bem preparada do mundo, como de resto não são também profissionais brasileiros que atuam em outras áreas, mas há excelentes publicações, com uma identidade bem definida, uma produção de altíssima qualidade, no patamar de qualidade de grandes títulos internacionais. Acho que muitos têm uma visão distorcida do jornalismo, como se a atividade se restringisse a produzir textos e opiniões. O jornalismo atingiu níveis de profissionalismo de escala industrial e envolve uma estrutura complexa, constituída desde pessoas dedicadas à definição de pautas, pesquisa, até profissionais responsáveis pela edição e texto final. Enfim, a crítica à imprensa é sempre bem-vinda, mas o debate que se tem assistido, infelizmente, está sendo pautada por muita leviandade, profundo desconhecimento e, sobretudo, por ideologismos e partidarismos fanáticos.
Luís Paulo Azevedo , -SP - Físico
Enviado em 20/4/2006 às 12:23:38 PM
Fernando Soares, infelizmente, representa o tipo de pensamento desinformado do brasileiro médio, que pensa que existem atalhos para o conhecimento, desprezam o valor do estudo e desconhecem o poder de discernimento proporcionados pela educação, tão precária no Brasil. Ainda que a imprensa seja uma das vítimas desse mal, isto é, não conte apenas com pessoas gabaritadas e qualificadas em seu exercício, felizmente, temos alguns nomes respeitáveis, bem-formados segundo os cânones da boa educação civilizada. De maneira que o "opinionismo" da imprensa não segue exclusivamente a via das opiniões sem valor, que abundam nestes tempos de internet em que todos, sem um mínimo de formação, mas com muita pretensão, se acreditam grandes opinadores à altura de fazer as vezes até dos realmente preparados que, felizmente, ainda que em minoria, constituem nossa imprensa. Felizmente, alguns deles, em vez de seguir a via das opiniões do senso comum, seguem a via do conhecimento e desmascaram mitos que, imerecidamente, caem no gosto popular.
Fernando Soares Campos , Rio de Janeiro-RJ - Funcionário público
Enviado em 19/4/2006 às 11:54:19 AM
Os formadores de opinião estão em baixa, pesquisa Datafolha publicada indica que os chamados formadores de opinião da grande imprensa nacional não influenciam coisa alguma, parece que os leitores defecam solenemente e caminham para o que eles "acham". Quer dizer, o papo-furado dos opinieiros profissionais não serve pra nada. E os jornalões pagam uma baba grossa pros sujeitos jogarem conversa fora. É por isso que existem uns opinientos opiniosos aí apelando: esculhambam com o presidente Lula, chamam as mulheres da Via Campesina de "vagabundas" e tantas outras idiotices más. O que eles querem mesmo é criar "polêmica", chamar a atenção para si próprios, pois os seus patrões (donos?) estão identificando os verdadeiros vagabundos. É isso aí: os cães ladram alto, mas não fazem eco; e a caravana, lá distante, passa para o andar superior das pesquisas.
Lourival de Souza , São Paulo-SP -
Enviado em 18/4/2006 às 2:18:17 PM

O debate sobre a neutralidade da mídia é absolutamente saudável. No entanto, se há um dado que está sendo desprezado desta discussão que não parece irrelevante é o fato de o questionamento sobre a objetividade jornalística ter tomado a forma de campanha de desmoralização da mídia e isso, mais sintomático ainda, justamente no governo do PT. A rigor, a mídia está sendo violentamente criticada agora pelos mesmas práticas que sempre foram amplamente aceitas pela sociedade. Com uma diferença, a mídia atualmente não difunde preconceitos nem dá espaço à promoção de dados inverídicos. Mas já o fez no passado e não foi criticada.

É por conta disso que o fato de tamanhas críticas a mídia serem abrigadas neste exato momento me parecem, já em sua origem, um desvio da realidade. Suponhamos que as mesmas críticas que hoje são absolutamente acatadas e deflagram tantas discussões tivessem partido de outras forças políticas com uma militância política menos aguerrida, qual seria o resultado possível? Não seria a impunidade dos quadros políticos no poder, não seria a rejeição de acusações baseadas em forte indícios? Digamos que a militância de um governo oligarca e autoritário, para evitar citações de nomes, tivesse logrado êxito em desqualificar a imprensa nacioalmente, qual seria a imagem pública de que esses gozariam, não seria a de figuras acima de quaisquer suspeitas? E se o governo militar tivesse tido êxito no uso dessa mesma prática, não estaríamos possivelmente hoje sob o comando de uma ditadura militar?

É preciso desmoralizar, isto sim, é esta campanha sórdida que está sendo urdida contra a mídia, principalmente porque parte de grupos políticos específicos que, além de ter contado com amplo apoio da mídia, chegaram a ser (e ainda são, no meu modo de ver) protegidos por ela, se não por outra razão pela já tradicional aliança e empatia entre a imprensa como corporação e determinados grupos de esquerda. O que me incomoda nessa discussão não é o fato de colocar em debate certas questões, tendo a saudável finalidade de trazer esclarecimentos. É o fato de distorcer a realidade, promovendo assim, não o esclarecimento, mas distorções que comprometem, portanto, qualquer tentativa de análise e crítica à imprensa.

O agravante é que a mídia atualmente está muito mais moderada e autocrítica em sua sede de escândalos do que foi em outros governos, quando era vista como um meio de difusão de informações acima de quaisquer suspeitas. Como já disseram aqui, pq essa crítica não veio a tona durante o governo FHC? Pelo simples fato de que esse grupo político não conta com forças formadoras de opinião tão influentes, muito menos aguerridas. É isso o que acho que deve ser levado em conta, ponderado: a desequilibrada influência que certos setores ideológicos passaram a exercer sobre a sociedade e sua capacidade de moldar as discussões, os debates, conforme as conveniências de tais forças.

Se estamos carecendo de transparência, creio que a crítica à imprensa tão somente não nos levaria a nada. O que deve ser questionado, isto sim, são as forças políticas, ideológicas, que manipulam a sociedade como um todo e exercem domínio inclusive sobre a imprensa. E, só para refrescar a memória dos que parecem sofrer de amnésia, lembro que o governo passado foi o que mais saiu prejudicado pela avidez de notícias da mídia, que naquele período não demonstrava o mesmo preparo e autocrítica de demonstra hoje para evitar a publicação apressada de denúncias frágeis. Prova disso é que raríssimos foram os casos de acusações posteriormente desmentidas envolvendo o atual governo, que, repito, em minha opinião sempre contou, como grupo político, com o apoio da imprensa e continua, de certa maneira, ainda contando com certa complacência, por razões de identificação histórica.

Se é para colocarmos as coisas em pratos limpos, então que sejamos verdadeiramente honestos, e discutamos essa questão em toda sua abrangência com mais transparência. É o futuro não apenas da imprensa, mas de nosso país como um todo, que está em jogo. A meu ver, temos um seríissimo problema relativo a escassez de quadros políticos gabaritados, em quaisquer segmentos ideológicos, mas isso não exatamente pela lógica seletiva que alguns desejam. Há raríssimos casos de pessoas qualificadas para a vida pública e muitas destas foram, no passado, estigmatizadas pela mesma mídia que só agora é acusada de "perseguir governos".

Para vencer esse desafio não deve a mídia deixar de cumprir seu papel fiscalizador, mas adotar critérios o mais rigorosos possíveis de apuração e publicação das informações. E me parece que, nesse sentido, a mídia nunca esteve tão bem preparada, nunca foi tão rigorosa consigo própria, como vem sendo nos últimos tempos. Debates como esses são pertinentes, mas chegam com atraso. A mídia já avançou e muito e sendo criticada, no momento oportuno para determinados grupos de poder, mais por suas qualidades que por seus defeitos.

edney oliveira , campinas-SP - comerciante
Enviado em 18/4/2006 às 12:15:27 PM

O PSDB que hoje conta com o PFL e PMDB como aliados, descobriu a forca dos editores de midia, Tvs, radios, jornais e revistas neste pais e ardilosamente conseguiu infiltrar, recrutar, treinar, colocar, indicar, apadrinhar, comprar e controlar a maioria deles nesse pais e com isso derrubou Color, dominou Itamar, ganhou as eleicoes com FHC e estao agora querendo derrubar Lula. So cometeram um erro...o da compra de votos para a reeleicao de FHC. Com isso ensinou a oposicao da epoca ou seja o PT, como e que se fazia no congresso.Portanto o mensalao nao e ideia do PT...

Porem a populacao mesmo os ignorantes que nao sao burros nao...qualquer um percebe quando um ancora ou comentarista ou mesmo artista tenta persuadir a opiniao publica, as vezes chega a ser ridiculo ...o cara falando uma coisa que foi orientado pra ele minutos antes atraves de uma reuniao antes de entrar no ar ou mesmo escrever sua materia...Gracas a Deus hoje pessoas simples conseguem entender isso, e e por isso e nao por ser ignorante que a direita esta perdendo espaco no mundo todo e nao seria diferente no Brasil. Edney Oliveira 46a Campinas SP

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