ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 383 - 24/11/2009
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EM BUSCA DO HEXA
Duas semanas de abobrinhas

Por Alberto Dines em 30/5/2006

A Copa do Mundo começa no dia 9/6, a seleção brasileira já está concentrada na Suíça preparando-se para o primeiro jogo no dia 13/6 em Berlim. Faltam dez dias para a abertura e 14 para a estréia, mas jornais, rádios e tevês já estão dominados pelo frenesi do Mundial.

Sheila Soares, a loura brasileira residente na Suíça, não resistiu ao charme de Ronaldinho Gaúcho, jogou-se sobre ele e rolou na grama com o craque. Não é jornalista, mas sabia exatamente o que aconteceria no dia seguinte (27/5): ganhou a primeira pagina dos nossos jornais. E, de quebra, exibiu a disponibilidade geral para o jornalismo de abobrinhas que dominará as duas próximas semanas.

Se a seleção já iniciou o treinamento, é óbvio que a reportagem especializada deve acompanhá-lo. Mas junto com os abalizados comentaristas esportivos vai um destacamento de especialistas em picadinho e laranjada, encarregados de explorar ao máximo aquilo que ocorre fora de campo e além do tempo regulamentar.

Devidamente gratificada, Sheila Soares desapareceu do noticiário. Em seu lugar apareceu Ronaldo, o Fenômeno, queixando-se abertamente da cerrada marcação da imprensa por causa do seu peso. Ronaldo imaginou que seria eternamente endeusado. Foi ingênuo, a mídia é volúvel e voraz, agora tem outro Ronaldo para endeusar.

O "quadrado" de atacantes pode ser infalível, o talento dos atletas pode ser inesgotável e a sua fibra, imbatível, mas é preciso não esquecer que os patrocinadores gastaram fábulas de dinheiro e as empresas jornalísticas investiram fortunas na cobertura.

Todos precisam rentabilizar custos e monetizar o noticiário. Jogo e placar ficam a cargo da TV Globo.

Comentários (19)
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Cássia Queiroz , Aparecida do Taboado-MS - Estudante
Enviado em 3/6/2006 às 10:41:43 AM
O pior de tudo é que além de ter agüentar a euforia precipitada do hexa na televisão 24 horas, quando se liga o rádio é uma enxurrada de músicas sobre o assunto. Parece que os cantores se inspiraram na Ivete Sangalo na "Festa" do penta e querem tentar a vaga de trilha sonora da seleção. Será que é homenagem ou oportunismo?
Geraldo Magela da Silva Xavier , Belo Horizonte-MG - contador
Enviado em 2/6/2006 às 6:19:45 PM
A propósito, e o Roque Júnior, hein? Comenta-se que ele não foi convocado porque brigou com o Galvão Bueno. Na Folha de São Paulo de domingo, por exemplo, há um comentário sobre esse assunto. Na entrevista com a Fátima Bernardes. Que o Galvão é bastante fanático com a seleção, não há dúvidas. Mas chegar a esse ponto...
Kleber Amorim , Vitória-ES - Jornalista
Enviado em 2/6/2006 às 1:57:23 AM
Sobre a mídia ser volúvel, concordo plenamente com o Dines. O que acontece com o Ronaldo “Fenômeno” (pois para mim nunca foi), “trocado” por Ronaldinho Gaúcho, ocorreu com Romário, em 1998, quando o baixinho foi deixado em segundo plano por causa do então “Fenômeno”, bola da vez da mídia. E olha que Romário tinha sido o craque do Tetra de 1994 e atravessava ótima fase no Flamengo. Pagou por falar demais, ser autêntico, o que talvez para a mídia não fosse o exemplo de herói, ou ainda, por não estar atuando fora do país. Isso tudo já ocorria antes do corte do jogador. Logo após, a mídia ainda deu seu falso apoio ao camisa 11, mas e daí, já tinha o seu símbolo para aquela copa. Errados mesmo foram Zagalo e Zico que cortaram o jogador, por levarem o “jeito Romário de ser” para o lado pessoal. Esperaram o momento correto (a contusão) para dar um golpe certeiro (o corte). Pelo que havia representado em 1994 e ainda representava como jogador naquela época, Romário deveria ter sido um pouco mais respeitado pela comissão técnica, mesmo porque, os laudos médicos apontavam para uma recuperação rápida. Se não me engano, enquanto o Brasil se preparava para disputar a terceira partida daquela copa, Romário já estava recuperado e atuando pelo Flamengo. Deu no que deu! Aquela final ridícula até hoje mal explicada por eles e não digerida por nós. Então Ronaldo, aceite a condição e lembre-se que um dia você também já foi beneficiado por esta mídia. Doido é quem vai na onda dela!
Kleber Amorim , Vitória-ES - Jornalista
Enviado em 2/6/2006 às 12:21:59 AM
O tal “oba oba” em cima da seleção brasileira, tão comentado e criticado por todos, considero merecido e bom. Merecido porque, afinal, trata-se do melhor futebol do mundo e isto tem que ser divulgado mesmo. O basquete norte-americano não é endeusado em todos os cantos deste planeta? Não seria porque ele é o melhor e que há uma divulgação e exaltação mundial do mesmo? Então? O futebol brasileiro também merece ou merece mais, porque se trata do esporte mais popular da Terra. E considero bom, porque quero saber o que acontece nos bastidores da seleção, saber como são tratados os nossos jogadores lá fora, etc. Pena que estes tipos de bastidores só são mostrados na área do futebol, pois conheceríamos muito mais certos políticos e governantes. Por exemplo: Seria legal mostrar os bastidores de suas festas regadas a muita bebida e comida, esbanjamentos e todos os tipos de fírulas e caprichos, enquanto a população se “rasga” para comprar alguma coisa ou simplesmente comer. Não é?
Marco Antônio Leite Costa , São Caetano do Sul-SP - T.P.A.
Enviado em 1/6/2006 às 7:12:34 PM
Senhor Alberto Dines, não apenas duas semanas de abobrinhas, na realidade são 365 dias de abobrinhas, pepinos, abacaxis, entre outros leguminosos e frutas. Infelizmente no Brasil, tudo acaba em refeição, na qual como prato principal é servido a famosa PIZZA a moda de Brasília. Quanto a sobremesa tudo acaba em marmelada pura. Entretanto, o povão faz dieta o ano todo, é só comprovar nos guetos da vida o quanto às pessoas estão com o corpo esbelto, parecido com modelo profissional. Marco
daniel cardoso dias , montes claros-MG - estudante
Enviado em 1/6/2006 às 6:52:05 PM
O prejuizo é grande com essa cobertura, a imprensa valoriza muito esse espetáculo e o povo esquece dos problemoas sociais, políticos e outros que nós estamos passando.
Sergio Nascimento , Imbituba-SC - aux.administrativo
Enviado em 1/6/2006 às 3:24:03 PM
Hoje a Globo esta fazendo festa com as brincadeiras do Robinho com o Roberto Carlos e outros jogadores, do seu jeito moleque, que tudo é descontração. Mas este filme eu já vi no Pre-olimpico quando o mesmo Robinho tirou o calção do Diego. O Brasil foi eliminado, naõ disputou as Olimpíadas e a Dona Globo colocou a culpa da não-classificação no motivo acima. mas se o Brasil tivesse se classificado estaria tudo certo. Seriedade demais é exagero, mas pra tudo tem limite.
Débora Siqueira , Cuiabá-Mt - Jornalista
Enviado em 1/6/2006 às 11:49:47 AM
Não aguento mais assistir aos programas esportivos da Globo. Meu Deus! Para que esse endeusamento dos jogadores, essas matérias deslumbradas e histéricas? Isso beira a falta de respeito com os telespectadores. Os jornalistas fazem da Copa do Mundo um circo entediante. E se caso o Brasil perca (bate na madeira três vezes) a mesma Globo será a primeira a massacrar os seus deuses do futebol com ácidas críticas.
nilson gomes , goiânia-GO - jornalista
Enviado em 1/6/2006 às 12:46:40 AM

o texto a seguir vai sair na edição do próximo domingo do Jornal Opção, de Goiânia (GO).

Enciclorrédia faz Veja jogar lixo nos leitores

Nilson Gomes

A editora Abril se associou à Editions Larousse e o resultado da parceria envergonha as duas partes, com prejuízo absoluto ao consumidor. O “Dicionário Enciclopédico Ilustrado Veja Larousse” desonra a qualidade da revista “Veja” e mancha de vez a já conspurcada fama das versões brasileiras do sucesso editorial francês. O dicionário terá 24 volumes e na semana passada saiu o primeiro. É exagero de lixo. Será melhor, para a reputação de Veja, parar por aí.

O show de horror começa no preço, o absurdo de R$ 12,90 – nas bancas se encontra material do gênero por 1/5 do preço. Mas é no conteúdo que está o atentando ao conceito que Veja construiu ao longo de quatro décadas. O resenhista não leu verbete por verbete, apesar de serem poucos – 80 mil em 24 volumes demonstram preguiça, para dizer o mínimo -- , ainda assim encontrou dezenas de erros. Num periódico semanal como Veja e o Jornal Opção, são compreensíveis a falha de ortografia, o nome da personalidade grafado diferente, enfim, os pequenos deslizes. Ideal seria fazer tudo correto, porque o leitor merece, mas as mancadas encontram fundamento na pressa do fechamento de páginas, no estresse de enviar o produto à gráfica e até na sonsice mesmo.

Nada disso se espera de uma enciclopédia, a vitrine da Larousse, ou num dicionário. No jornal ou na revista, os erros são corrigidos no próximo número. Quando serão corrigidas as falhas do dicionerro Veja Larousse? O pior está no público atingido. Pelas ilustrações, o formato e a qualidade do papel, está na cara (ops, na capa) que se quer fisgar estudante, principalmente de ensino médio. Para um profissional liberal, de nada adianta o desenho de um acumulador de automóvel ou a anatomia da abrótea. O alvo é o jovem, coitadinho dele, que não pode sequer jogar fora o excremento franco-tupiniquim. Revista e jornal vão para o cesto quando chega a nova edição; o dicionário fica exposto na prateleira, na estante, na escrivaninha. Como a capa é dura e o papel é de primeira, a porcaria vai durar gerações – e essa não é uma boa notícia. É ruim para a imagem de Veja porque trata-se da melhor, maior e mais respeitada publicação semanal brasileira. Como se gaba na propaganda, é uma das mais influentes, a quarta maior tiragem, sem levar sombra no lado de baixo do Equador.

De fato. Veja tem um texto maravilhoso, pela coragem e criatividade, e – ai, ai, Larousse – sem erros. Raramente se nota alguma falha, ainda que mínima, nas centitantas páginas semanais de Veja, mais de 70% delas editoriais. Há menos conteúdo em cada volume do dicionário do que na Veja, com o detalhe de que a revista é seu antíctone. O texto do dicionário é péssimo, porque repetitivo, com pouca informação. Só não é novidade para quem comprou a última enciclopédia Larousse. O jornalista Euler Belém, editor-diretor-chefe do Jornal Opção, encontrou mais de mil erros na tal Larousse de década e meia atrás. Belém fez uma resenha em que cita cada falha e batizou o volume de “enciclorrédia”. A empresa nacional que editava Larousse ficou de consertar. Não consertou nas edições seguintes nem em edição alguma. E ainda conseguiu passar a perna em Veja.

Festival de grandes e pequenos erros

Uma rápida folheada no primeiro volume do “Dicionário Enciclopédico Ilustrado Veja Larousse”, que só vai de “a” a “ama”, é suficiente para afastar o freguês. Veja (sem trocadilho, por favor) o que o resenhista encontrou em pouco tempo de leitura:

1) Começa pela capa. O texto inteiro não dá uma linha e ainda consegue ser ruim e ter erros. A raça de um gato tem o nome latim grafado na capa como “abssini.orum”, assim mesmo, tudo emendado. Lá dentro, na página 8, o mesmo animal tem seu nome latino mudado para “abissini,orum”. Sentiu a diferença? Falta um “i” e trocou-se a vírgula por ponto. Falha pequena? Em dicionários e enciclopédias todos os erros são gigantescos. Se o moleque tiver de redigir um trabalho escolar e grafar o nome com erro, vai torcer para seu professor ser tão desatento quanto os redatores de Larousse.

2) Abre-se o volume e, logo na apresentação, feita pelo jornalista Eurípedes Alcântara, está uma promessa que ele só dá conta de cumprir em Veja: “Tudo (no dicionário) é essencial e rigorosamente atualizado”. Longe disso. O dicionário parece ter sido escrito no século passado, como se verá adiante.

3) Qual o cargo de Alcântara em Veja? No expediente da revista da semana passada, informa-se que é seu diretor de Redação; no dicionário que circulou com a mesmíssima revista, Alcântara é dado como “Diretor Editorial de Veja”, uma função que a revista não tem, pelo menos não com esse nome.

4) Não precisa seguir a ordem numérica das páginas. Abra onde quiser e se deparará com erro. Na 114, por exemplo, está o Palácio da Alvorada, com um acerto de arquitetura e dois erros de Larousse, um de informação (reduz em 80% suas colunas, dizendo que são apenas duas) e outro de grafia: “Residência oficial do pres. da República do Federativa”. O que é esse “do”? Sobra de campanha? Caixa “do”is? Coisa de “do”i“do”?

5) Volte um pouco. Na página 67 está o “vereador municipal”. Alguém aí já votou em um vereador estadual ou federal? Se vereador é o “membro de câmara municipal”, como informa o Aurélio (este, sim, preciso e conciso), para que chamá-lo de municipal? Tem também “prefeitura municipal” como se houvesse igualmente prefeitura estadual ou federal. Uma bobagem tipo a do Senado, que até hoje se autodenomina federal como se ainda existissem os senados estaduais.

6) Se não é conciso, tampouco é atual. As edições passadas de Veja informaram acerca das eleições na Alemanha. No dicionerro, Gerhard Schroder ainda é chanceler, pois Larousse só atualizou até o pleito de 2002. O adolescente (ou mesmo adulto) que quiser informação correta terá de adquirir o velho e bom Almanaque Abril – é da mesma editora do Larousse, só que presta.

7) Na tentativa de parecer contemporâneo, o dicionerro se enrola no cabelo das pernas. Vejamos apenas os exemplos de dois senadores do mesmo Estado, o Rio Grande do Norte (e é uma bobagem um dicionário listar senador só por ser senador, o que não necessariamente é o caso dos envolvidos neste parágrafo). José Agripino (PFL) é dado como vencedor de duas eleições diferentes, para senador e governador, no mesmo ano de 1990. Larousse ainda inventa uma eleição para senador em 1987. Além de errado, é desatualizado: as informações do verbete param em 2004. Garibaldi Alves Filho (PMDB) também é vítima do anacronismo de Larousse. Em seu verbete, as pesquisas pararam em 2002: Larousse informa que se candidatou, não que foi eleito. Se estivesse mesmo atualizado, o dicionário informaria que se trata do relator da CPI dos Bingos, o verdadeiro acontecimento que tornou o senador um personagem nacional.

8) Propagandeia que as imagens “renovam totalmente o conceito de dicionário”. É mentira. O visual repete a velha enciclopédia Larousse. Qualquer publicação boca-de-porco vendida porta-a-porta tem design igual (ou melhor).

9) Grilou? Volte ao início. Pág. 6. Grafa colméia sem acento duas vezes, no verbete e na legenda de uma ilustração. Dá vontade de fazer o editor comer abelha. Viva. A dentadas. Mastigando.

10) Confunde os romances urbanos e indigenistas de José de Alencar.

11) Não é nada? Volte mais. Numa página sem número, a de catalogação. Ali está Língua Portuguesa sem o agudo. Mais embaixo, bem no rodapé, outro atentado à última flor do lácio inculta e bela: depois de tudo informar em português, Larousse escreve Brasil com “z”, como se estivesse em Miami (se fosse ao menos em francês haveria uma desculpa).

12) Há um espetáculo de redundância. Exemplo: “Novas palavras que surgem na atualidade”. Bastaria “novas palavras” ou “palavras que surgem”, porque se as palavras são velhas, surgiram há muito tempo, não foi na atualidade.

13) A população das cidades desmonta o tal do “rigorosamente atualizado”. Basta comparar os números do dicionerro com o site do IBGE. Águas Lindas de Goiás, por exemplo. Larousse desinforma que tem 105 mil habitantes. Na verdade? 150 mil.

14) No que não interessa, ou interessa mas a televisão dá a toda hora, o dicionerro é eficiente. Traz Fernando Alonso como campeão de Fórmula 1 em 2005. Tudo bem, foi há oito meses, mas isso para Larousse é velocidade demais.

15) Às vezes, os erros são primários. Na página 106, diz que alquila é um substantivo feminino. No verbete seguinte, a redatora Roberta Close faz operação de mudança de sexo e troca o gênero: alquilação é “introdução de um alquila”. Você não sabe o que é alquila, mas sabe o que é grama. É como se alguém lhe dissesse que comeu uma grama de qualquer coisa – do jardim, por exemplo. Para não ficar na dúvida, o que a gente faz? Consulta uma publicação confiável, é claro. O Aurélio informa que alquila é um substantivo masculino.

16) Faltar letra em palavra é figurinha fácil. No verbete abalroar, choca-se com “impetuosamente” sem o “a”. Tira até o ímpeto do leitor.

17) Outro samba do francês doido é quanto ao país natal das celebridades. Alguém é “americano e canadense” ao mesmo tempo. Não é americano naturalizado canadense ou canadense de origem americano. É americano e canadense e pronto. Considera brasileira uma atriz (Gilda de Abreu) nascida em Paris.

18) Falar em atriz, Larousse bajula em excesso. Para o dicionerro, a atriz Lélia Abramo “esteve sempre à frente dos principais movimentos político-sociais”. Era uma petista, de vez em quando assinava uns manifestos, participava de reunião, mas “sempre à frente dos principais movimentos” é demais.

19) Falar em samba, Larouse descobre a pólvora e inventa a roda. O disco de estréia de Alcione, “grande intérprete do samba”, rendeu-lhe o primeiro disco de ouro. Queria o quê? Que o primeiro disco rendesse o segundo disco de ouro?

20) Para Larousse, agricultura produz laticínios e carne bovina. Não seria a pecuária?

21) O sujeito que criou o logotipo da Istoé, Hélio de Almeida, virou verbete por causa disso. Esperemos para que o autor da marca da Veja também apareça dicionarizado.

22) Desinforma que Alagoas é um dos Estados mais densamente povoados do Brasil. Verdade: é um dos 26 mais.

23) Na adaptação da edição francesa, sobram detalhes do país de origem. Cidades e acidentes geográficos da França pululam nas páginas, sem o menor interesse.

24) É bobagem demais, então vamos encerrar com mais uma descoberta do dicionário que teria escolhido os 80 mil verbetes mais importantes. Verbete “aberto”: não fechado. Depois disso o leitor não precisa saber de mais nada.

25) Como o provincianismo nos impele a procurar goianos em tudo, o dicionerro não os esqueceu, mas novamente falha na avaliação. Exemplo: o Albernaz mais notório da política goiana é Nion, que foi prefeito de Goiânia por três mandatos e deputado constituinte em 1988. Pois Larousse preferiu dicionarizar Bernardo Faria Albernaz, que nasceu em Jaraguá em 1847 e morreu na Cidade de Goiás em 1922. Ele foi deputado constituinte (como Nion) e editou um jornal. Pesquisador esse, hein... (N.G.)

José Cristian , Goiânia-GO - Bancário
Enviado em 1/6/2006 às 12:30:18 AM
Eu gostaria que assuntos mais importantes do nosso cotidiano tivessem a cobertura que a Globo está dando à Copa do Mundo. O número de profissionais envolvidos na cobertura desse torneio é muito grande. Será que vai ter trabalho para todo mundo? Ou, como em todas as Copas, a maioria viaja mesmo é para fazer turismo? Adoro futebol, mas esse "oba-oba" do jornalismo esportivo é muito chato. E vai ficar mais chato quando os "âncoras" da Globo chegarem à Alemanha. As "estrelas" do jornalismo.
Jairo Figueiredo Falvo , Motuca-SP - Publicitário
Enviado em 31/5/2006 às 4:16:16 PM
Época de Copa do Mundo é um circo, nos moldes do cenário greco-romano. As pessoas se divertem e esquecem da realidade nua e crua que faz parte de suas vidas cotidianas. A imprensa, com isso, acha-se na obrigação de satisfazer o povo com "abobrinhas" e aguçar sua ânsia pelo prazer de sorrir. E essa obrigação é realizada porque existe por trás um mundarel de dinheiro que satisfaz qualquer Cidadão Kane.
Alexandre Rodrigues Alves , Divinópolis-MG - Estudante
Enviado em 31/5/2006 às 10:57:07 AM
Vi ontem o Observatório da Imprensa sobre a Copa (em termos jornalísticos): O programa foi gravado, o que prejudica um pouco, mas no geral foi bom; algumas coisas me chamaram atenção: O Carlos Lemos citou o ódio que a Globo gera em muitas torcidas (ele quis dizer que a TV não influencia as pessoas, a prova seria o fato da Globo ser atacada em muitos estádios - acho que isso não tem a ver.), o que é verdade; existe um sentimento antiglobo em quem raciocina um pouco e analisa criticamente a cobertura esportiva, mas ele não se transforma em boicote muito devido ao monopólio que ela exerce (quem não vê na Globo vai ver onde?) e a um certa audiência cativa que de fato existe e o JK disse; por baixo 60% do país vê a Globo em qq circunstância... Outro fator que foi citado e contribui para o sentimento antiglobal não prosperar(não em termos de violência, mas de mudar de canal) é a incompetência dos outros canais em trans. futebol; vide a instabilidade do SBT e a cópia da Record em relação à matriz.Tb foi falado das possibilidades técnicas de trans. e acredito que na próxima Copa ainda viveremos esse monopólio; talvez na outra a coisa possa mudar...
Nicolau Werneck , Campinas-SP - Estudante de mestrado em eng. elétrica
Enviado em 31/5/2006 às 12:57:06 AM
Tudo bem achar ruim a profusão das abobrinhas, Dines, mas esse seu artigo acabou divulgando as mesmas notícias, só que com tom sarcástico!... Os mesmo fatos viraram abobrinha-doce pra TV Globo do "povão", e abobrinha-azeda pra elite ferina, que acaba é consumindo as MESMAS notícias, desde que em tom de crítica... Esse mesmo golpe tenho visto infelizmente na Carta Capital... Metade da revista é são versões debochadas das mesmas notícias que os "sociais" lêem, mas adaptadas ao gosto dos "antisociais"...
Alexandre Rodrigues Alves , Divinópolis-MG - Estudante
Enviado em 30/5/2006 às 10:02:49 PM
A cobertura da TV aberta se baseia no ufanismo injustificado, no oba-oba e na mitificação de jogadores, esquecendo de analisar seriamente a competição; o jornalismo, no esporte e em qq outra área deve ser levado a sério, coisa que a Tv aberta não faz em nenhum assunto, ainda mais no futebol; claro que a Globo é a número 1 no ufanismo, reforçado com seu criminoso monopólio de transmissões de futebol no Brasil e aumentado com as relações indecentes que o canal tem com a CBF, mas os outros canais abertos não fazem melhor; poucos jornais fazem um jornalismo mais crítico em relação à Copa.
João Nilson Dias , São Paulo-SP - aposentado
Enviado em 30/5/2006 às 9:32:01 PM
Gosto, gosto muito de futebol. Todavia, a enxurrada de reportagens sobre o assunto, sobretudo focando o Mundial, já está dando nos meus nervos. Até o JN reserva um bom espaço diariamente para noticiar sobre nossa Seleção e assim temos que aguentar as mesmices das entrevistas com os jogadores. Se eu tivesse um espelho mágico como o da Branca de Neve perguntaria: "espelho, espelho meu, existe algo mais entendiante e chato do que entrevista com jogador de futebol?" Certamente o espelho mágico responderia: "Nããão!"
Hyrata Abe , Goiânia-GO - Estudante de Ciências Sociais
Enviado em 30/5/2006 às 7:35:54 PM
Acho que essas semanas que antecedem a Copa são muito caras às emissoras e sem muita razão de ser. Concordo que transmissão de "roda de bobinho" já é demais, até para o País do futebol! No entanto chega a ser engraçado ver os jornalistas esportivos mais novos "pegarem carona" com os mais velhos. Digo isso, porque é nítida a "pautada" que Tostão e Fernando Calazans estão dando neles...repetem os verdadeiros craques da crônica em suas reportagens e comentários. Fazer o quê, ir atrás do Zagallo porque faltam 13 dias para a Copa? E tome "pautada"!
Regina Andreiuolo , Niterói-RJ - Do lar
Enviado em 30/5/2006 às 4:07:11 PM
Está aberta a temporada de asneiras. Logo, logo, veremos a mãe, a avó, o cachorro e o papagaio dos nossos bravos heróis de chuteiras em constrangedoras reportagens na TV. E as manchetes dos jornais? Fulano, isso assim assim. Beltrano, aquilo assim assado. É sempre um nome, vírgula e uma frase idiota. E sem o contraponto salvador de um João Saldanha ou de um Nelson Rodrigues. Saudades.
djalma prado , BH-MG - economista
Enviado em 30/5/2006 às 3:48:37 PM
É muito cansativo e enjoado ver os todos os reporteres falando com aquela marcação que dá uma martelada ritmada na sílaba tônica de 5 em 5 segundos, numa babação de ovos ridícula dos craques como se fossem deuses, e dando ênfase exagerada ao peso do R. Fenômeno, como se pudéssemos todos manter o nosso peso dos 18 ou 20 anos, quando já temos 28 ou 30. Ridículo dar tanto destaque a uma jogada mais disputada entre Edmilson e o Imperador (deles), como se jogador de futebol não pudesse disputar a bola ou a posição de titular. Existe um tal de Tino Marques na Globo que é simplesmente intragável!
Alexandre Carlos Aguiar , Florianópolis-SC - Biólogo
Enviado em 30/5/2006 às 2:40:37 PM

A mídia esportiva brasileira é cômica. Ou fazem demais, ou de menos. Na Copa de 1998, todos os jornalistas brasileiros, muito mais torcedores que repórteres, tomaram um drible monumental de Ronaldo e sua convulsão, no jogo final contra a França. Uma autêntica bola nas costas. Boquiabertos, no Estádio do Paris Saint-Germain, não entendiam a escalação surpresa de Edmundo no lugar do Fenômeno, pois, ao invés de fazerem reportagem, estavam todos no estádio esperando a partida que daria ao selecionado nacional (frase deles!) mais uma estrela na camisa. Estão até hoje tentando justificar o vexame com teorias conspiratórias. Na Copa seguinte, em 2002, como quase não havia público do lado de cá, pois as coisas aconteciam de madrugada, fizeram os seus turismos habituais.

Agora, na Copa da Alemanha, vê-se um excesso absurdo de cobertura, com transmissão até de roda de bobinho, com direito a repórter de campo, comentarista e narrador, tudo para não deixar o torcedor na mão. Enquanto isso, nas indefectíveis mesas-redondas noturnas, um jornalista sai com uma pérola, dizendo que levou muitos livros para ler na Copa. Me poupem!

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