ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 387 - 24/11/2009
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JORNAL DA COPA
Portugal e Holanda em batalha campal

Por Mônica Carvalho em 27/6/2006

Vi o jogo entre Portugal e Holanda (domingo, 25/6) ao lado de um português, meu pai. Portugal tem séculos de história entalados na garganta. Vive lamentando seu poderio marítimo perdido muito a contragosto. No domingo, na Arena de Nurenberg, o país resolveu cobrar todos os prejuízos causados pela Holanda.

Tudo começou no hino:

Heróis do mar, nobre povo,

Nação valente, imortal,

Levantai hoje de novo

O esplendor de Portugal!

Ali já era um recado do que viria pela frente. Mas, os ânimos foram mais atiçados após o hino da Holanda, quando este eleva Mauricio de Nassau à categoria de herói nacional. Os portugueses que vivem na Holanda, e são discriminados lá, neste momento fizeram um sinal para Figo, capitão do time: ele deveria comandar também o processo de desforra.

Tudo estava planejado desde o início, mas os holandeses fizeram o favor de danificar o craque da seleção portuguesa de maneira cruel e agressiva logo no primeiro tempo. O fato apressou o inadiável momento de glória e apesar da posse de bola pela Holanda, Maniche com a categoria de um lord, faz um golaço que treme o mundo, habitat natural da portuguesada aventureira que saiu para povoar o planeta. Cristiano Ronaldo teve que sair logo depois e chorou no banco, como um um herói que, seco pela vitória, mas muito mais pela luta, deixa o campo livre para que seus colegas lhe vinguem a ousadia e a maldade de Bronckhorst.

Depois disso, o campo de futebol virou um ringue. Incontáveis foram as vezes em que os médicos de ambas as seleções entraram com gelo e muita massagem de modo a acalmar os ânimos. Mas nada tornava o jogo mais fácil ou mais simples. Não bastava chutar a bola e mirar o gol, antes algum jogador deveria cair em campo com uma cotovelada, uma tesoura ou um safanão.

Compromisso com a realidade

Enquanto isso Galvão Bueno tratava de "manter a calma" do lado de cá e tal como um típico narrador português "esquecia-se" de dizer onde estava a bola. Por isso, enquanto cartões amarelos e vermelhos eram distribuídos a mancheias pelo árbitro russo, Galvão anunciava o quadro dos adolescentes surdos-mudos do Fantástico.

"Ele é um historiador", reclamava meu pai. E como muitos historiadores, acabam deixando passar o melhor dos acontecimentos. Mas, aos poucos, descobríamos com nossos próprios olhos que Portugal estava ali para limpar seu nome na história, nem que fosse ao custo de muitas tamancadas nas canelas, é verdade.

Resta saber como será com a Inglaterra. Há muito eles têm do que reclamar dos súditos da rainha. Em 1966, por exemplo, na Copa da Inglaterra, mudou-se o local do jogo de Portugal, o que levou o time a viajar por 24 horas de ônibus. É claro que depois de uma viagem dessas nenhuma equipe seria capaz de vencer. Vejamos, então, o que o ingrediente melancolia lusitana mais Felipão é capaz de fazer do time da camisa encarnada, mesmo que desfalcado pelas expulsões e advertências.

Espero apenas que alguém mais honesto com a realidade que acontece em campo seja escalado para narrar o jogo de Portugal e as adagas voadoras.

Comentários (5)
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Mônica Carvalho , Rio de Janeiro-RJ - Jornalista
Enviado em 8/7/2006 às 12:44:22 AM
O "muitos historiadores acabam deixando passar o melhor dos acontecimentos" significa dizer que o fato, tal como se dá, no momento em que ele acontece, é deixado para ser observado e analisado a posteriori. Como jornalista -- uma espécie de historiador do tempo presente --, embora comentarista e narrador esportivo, Galvão Bueno deveria ter desempenhado seu papel de outra forma. Não é mesmo?
Marco Antônio Leite Costa , São Caetano do Sul-SP - T.P.A.
Enviado em 28/6/2006 às 12:00:21 PM
Não aconteceu nenhuma batalha campal. O que ocorreu de fato foi que os jogadores das duas Seleções são verdadeiros pernas de pau. Esta Copa do Mundo só é a melhor de todos os tempos na voz do pegajoso Gavião Buena. O famoso aguenta cora.............................
Marcio Luz , Floripa-SC - comerciante
Enviado em 28/6/2006 às 10:37:52 AM
E o Grêmio continua sendo o bode expiatório de "time violento".como se no futebol só houvessem bonecas de louça...Felipão é vítima de um preconceito veiculado pela mídia de Rio/SP,q apesar do título de 2002,ainda não o "engoliram".Prefiro essa "pegada" Felipônica do q o tédio parreirista de resultados,insosso típico do futebol carioca.
Giancarlo Câmara , Palmares-PE - Servidor público
Enviado em 27/6/2006 às 8:47:02 PM
Ele é um historiador", reclamava meu pai. E como muitos historiadores, acabam deixando passar o melhor dos acontecimentos. Não concordo tb com este comentário, hoje os historiadores buscam não somente o melhor, segundo era antigamente, porém não devemos deixar de buscar os fatos por aqueles que não tem opinião abalizada, seja pela mídia ou por aqueles que escreviam a história.
Giancarlo Câmara , Palmares-PE - Servidor público
Enviado em 27/6/2006 às 7:55:15 PM
Quem deu a pancada foi Boulahrouz, depois a seleção portuguesa e não Portugal abusou de jogadas a lá Grêmio "Felipão", catimba, choradeira, saltos espetaculares, pancadas q os arbítros não enxergariam, etc, Não q a seleção holandesa não tivesse usado o mesmo expediente, tirando as tentativas de cera e o exemplo ridículo contra o fair play, porém estava lá a malícia e o jeitinho brasileiro que hoje não admitimos mais em nossa sociedade brasileira, salvo os apoiados pela mídia. Os quais não precisamos apontar nesta cosa nostra entre pouquíssimos clãs.
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