ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 402 - 24/11/2009
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INTERNET NO BRASIL
Exclusão digital é o maior obstáculo

Por Gelson Souza em 10/10/2006

Artigo baseado em Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) que está sendo produzido pelo autor e disponibilizado no site http://www.webjornalismo.cjb.net/.

Estamos vivenciando a consolidação de uma nova estrutura econômico-social, profundamente ligada à tecnologia: a sociedade da informação – também denominada “sociedade do conhecimento” por Bernardo Sorj (2003) e “Era da pós-informação” por Nicholas Negroponte (1995). A fonte de produtividade está agora em geração, obtenção e processamento de informações, e, naturalmente, na comunicação, instrumento indispensável para a propagação de conhecimentos.

Tal estrutura acaba gerando uma dicotomia. Por um lado, rompe as fronteiras nacionais pela globalização, permitindo a plena convivência de um “mosaico cultural”, no qual os pontos positivos de cada cultura são valorizados e ajudam a enriquecer o todo, conforme Martín-Barbero (Moraes et al., 2003). Porém, tanto a expansão quanto a valorização da informação criam uma nova exigência social: o domínio da tecnologia. Sem a devida competência para utilizá-la, o individuo torna-se excluído de uma série de benefícios, desde a expansão dos próprios conhecimentos (erudição) até boas vagas no mercado de trabalho.

Portanto, saber utilizar a informática e estar inserido no mundo digital tornou-se tão importante quanto saber ler e escrever, visto que o individuo sem estes saberes está de certa forma “condenado” a serviços pouco remunerados (vale ressaltar a importância do correio eletrônico, que está presente em muitas profissões, mesmo as que não exploram ou dependem da tecnologia).

Neste cenário, combater a exclusão digital é um fator importantíssimo para o desenvolvimento de países como o Brasil. A falta de acesso aos recursos de informática – principalmente pela população de baixa renda – gera um ciclo vicioso em que as elites permanecem elite porque têm acesso à tecnologia, enquanto as classes menos favorecidas são predestinadas a serviços mal pagos porque o custo da tecnologia é alto e, portanto, inacessível.

Conforme pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, apenas 21% da população brasileira com idade superior a 10 anos têm acesso à internet (IBGE, 28/9/2006). É um número muito baixo, o que deixa claro que a internet é uma mídia “elitizada”. Contudo, isto não reduz seu valor para o jornalismo, pois seu público necessita e procura informação. Ocorre que a ausência de tantos brasileiros na rede é um obstáculo econômico para o fortalecimento dos jornais online. Por enquanto, a publicidade online e o acesso à rede têm crescido consideravelmente, mas ainda em ritmo insuficiente para exploração do potencial verificado em países desenvolvidos – temos como exemplo as versões online do New York Times e do Wall Street Journal, ambos americanos. Na Europa, destacam-se Le Monde e The Times.

Componente do trabalho

Esta vantagem dos países ricos não é apenas econômica, mas resultado de um processo de transformação cultural e social que ocorreu mais rápida e eficientemente do que no Brasil. Conforme Joseph Straubbhar e Robert Larose (Straubbhar & Larose, 2003)., as sociedades mais desenvolvidas passaram com sucesso por três estágios: sociedade agrária, sociedade industrial e sociedade da informação. Como os estágios não são mutuamente exclusivos, países como o Brasil encontram dificuldades de passar de uma etapa a outra, possuindo elementos de cada uma de forma desorganizada.

No caso dos Estados Unidos, ter alcançado o estágio de sociedade da informação permite que o país obtenha sucesso nos estágios anteriores, como na agricultura, que utiliza alta tecnologia para aumentar a produtividade: “embora menos de 3% da força de trabalho americana esteja ligada à agricultura, os Estados Unidos é um dos maiores exportadores de comida do mundo” (Straubbhar & Larose, 2003, p. 26).

Desta forma, mesmo que a economia americana ainda tenha fortes componentes de agricultura, indústria e prestação serviços, todos esses setores foram alterados pelas tecnologias da informação: “Fazendeiros, industriais e provedores de serviços, todos trabalham de novas maneiras devido ao uso da informação como um componente majoritário de seu trabalho” (Straubbhar & Larose, 2003, p. 42). Este processo já estava muito adiantado quando o Brasil dava seus primeiros passos para a abertura político-econômica: “Em 1980, apenas 3% dos trabalhadores americanos estavam na agricultura, pouco mais que 20% na indústria e cerca de 30% em serviços, enquanto o restante [47%] trabalhava diretamente com informação” (Straubbhar & Larose, 2003, p. 43).

Prosperidade e valor

Por empregos de informação, entende-se todos aqueles que são primariamente envolvidos na produção, processamento ou distribuição de informações, como “secretárias, [...] gerentes, pesquisadores, educadores, seguradores, contadores, banqueiros e financiadores”, bem como “jornalistas, produtores de mídia, trabalhadores em computação, engenheiros em áreas de informação, designers e assim por diante” (Straubbhar & Larose, 2003, p. 43).

Neste novo modelo de organização social, que privilegia a informação, o conhecimento tornou-se a grande engrenagem do poder e não mais os recursos naturais. Temos como exemplo o Japão, que, devido às limitações de seu território, busca matéria-prima em países asiáticos, mas, como detêm o conhecimento para desenvolver tecnologia de ponta, transforma esta matéria-prima em produtos e comercializa-os internacionalmente, sendo uma das maiores potências econômicas do mundo.

Isto ocorre porque o conhecimento utilizado é o que determina o valor do produto final. Como o custo dos insumos físicos – em geral – é cada vez menor, bens e serviços mais valorizados são aqueles que transmitem, condensam e incorporam informações. Assim, numa economia global, a prosperidade ocorre quando é possível agregar mais valor a um produto do que os concorrentes.

Alternativas facilitadoras

A competitividade é então um dos aspectos que permitem aos países desenvolvidos a boa qualidade nos produtos e serviços de informação – incluindo o jornalismo. O Brasil, infelizmente, ocupa a 38ª posição no Índice de Competitividade das Nações, elaborado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Ribeiro, 4/9/2006). E, conforme as exigências do mercado se voltam para a informação, um país que investe pouco em educação e tecnologia não consegue nem mesmo acompanhar o que ocorre nos países desenvolvidos – eis a razão pela qual a internet brasileira é tão desacreditada e menos lucrativa, se comparada à dos EUA e da Europa.

Bernardo Sorj argumenta que a exclusão digital representa uma dimensão da desigualdade social, pois, “ela mede a distância relativa do acesso a produtos, serviços e benefícios das novas tecnologias da informação e da comunicação entre diferentes segmentos da população” (Sorj, 2003, p. 62). Assim, a exclusão digital no Brasil é um problema majoritariamente social e não tanto tecnológico.

Se o equipamento mínimo para acessar a internet é um computador com modem e uma linha telefônica, a tecnologia necessária para o acesso à internet já está inserida no país e com preços populares (é interessante observar que muitos países subdesenvolvidos não têm sequer infra-estrutura razoável de telefonia). Há no Brasil até mesmo sistemas de financiamento para computadores e uma série de softwares gratuitos que substituem satisfatoriamente os comerciais, mesmo na utilização profissional, visto que o governo os vem adotando no setor público.

Visão polêmica

O fato é que, conforme Sorj, a exclusão digital não ocorre somente por causa da dificuldade do acesso ao equipamento, mas também pela ausência da “capacidade do usuário de retirar, a partir de sua capacitação intelectual e profissional, o máximo proveito das potencialidades oferecidas por cada instrumento de comunicação e informação” (Sorj, 2003, p. 59). Em poucas palavras: é preciso saber utilizar a tecnologia, caso contrário a exclusão digital permanecerá. Um bom exemplo disso são os idosos, que, mesmo tendo em casa um computador conectavél, na maioria não usufruem da internet por falta de instrução. O capital cultural-intelectual é exatamente o que permite que um indivíduo compreenda e utilize as informações que recebe, sendo determinado por uma série de fatores como educação, família e relações sociais. Sorj argumenta que:

A valorização do conhecimento como principal fonte de criação de valor, num mundo em constante mutação, transforma a aprendizagem num processo de formação permanente, pela necessidade de atualizar e adaptar a formação profissional original às exigências dos novos conhecimentos e transformações tecnológicas (Sorj, 2003, p. 37).

O analfabetismo tradicional já impedia que muitas pessoas tivessem acesso à leitura e à escrita para ampliar seus conhecimentos. Hoje, fala-se no analfabetismo digital, pois, “nos tempos atuais, muitas pessoas não podem utilizar bem os computadores porque não têm as habilidades necessárias, mesmo tendo completado a escola primária" (Straubbhar & Larose, 2003, p. 33).

Sobre o assunto, o colunista e ensaísta Cândido Prunes tem uma opinião interessante, porém polêmica:

Como se sabe, a língua portuguesa é falada apenas no Brasil, Portugal e poucos (miseráveis) países africanos. O material disponível na internet, em português, é, portanto, ínfimo. Acrescente-se a isso a baixa produção acadêmica brasileira e percebe-se a tremenda desvantagem de um aluno que não conheça outro idioma. (...) Por isso – se houvesse uma real intenção do Governo de diminuir a exclusão digital –, se torna necessário um esforço para difundir a língua inglesa desde os primeiros anos do curso fundamental. Melhor ainda se o objetivo de longo prazo fosse de transformar o Brasil num país bilíngüe (Prunes, 24/11/05).

Aposta na escola

Por mais radicais que sejam as afirmações de Prunes, elas indicam que a exclusão digital é também um problema de ordem intelectual. Complementando a discussão, Manuel Castells (Moraes et al., 2003) vê um contexto ideológico. Para ele, na sociedade da informação, as funções e os processos dominantes estão cada vez mais organizados em forma de redes. Essas redes compõem uma nova morfologia social, um novo paradigma, e sua propagação altera substancialmente os processos produtivos de experiência, poder e cultura. Assim, para o autor, a presença ou a ausência na rede são fatores decisivos na dominação e transformação de nossa sociedade.

Desta forma, a tecnologia da informação apenas fornece a base material do acesso à internet. A estrutura social é que exclui os indivíduos da economia e nega-lhes os recursos – principalmente o conhecimento – para uma possível ascensão. A questão do acesso ao equipamento só será resolvida quando outros problemas sociais mais graves, como a fome, forem resolvidos. Todavia, isto ocorrendo ou não, o problema cultural da utilização da informação ainda deve permanecer, pois, segundo Gilson Schwartz, há dois tipos de exclusão digital:

A mais simples é aquela em que você não tem computador ligado à internet e não está ligado à rede. E outra, mais perigosa, é aquela em que você tem computador, banda larga, webcam, tudo, mas está perdido no meio da rede ou está usando essa rede de forma não-construtiva (Schwartz, 28/11/2004).

Acompanhando este pensamento, uma boa proposta de inclusão digital é um investimento consistente nas escolas, de forma que as novas tecnologias estejam presentes no dia-a-dia dos alunos e estes estejam aptos a utilizá-las como complemento educacional, direcionando-se para a correta utilização da internet.

Preparo e capacitação

Além disso, é preciso que o país invista maciçamente em tecnologia, disseminando o uso do software livre e barateando os custos dos computadores e conexões à internet. Disponibilizar computadores ao acesso público, como tem sido feito pelo governo, pode ser uma saída a curto prazo, mas não podemos deixar de lado a importância dos investimentos nacionais em tecnologia, informática e educação. O Brasil é um país dependente da tecnologia estrangeira e isto é péssimo para sua economia, agravando ainda mais o problema da exclusão digital e social.

Resumindo, conforme Bernardo Sorj, a inclusão digital depende de cinco fatores:

** Existência de infra-estruturas físicas de transmissão (telefonia);

** Disponibilidade de equipamentos e serviços de conexão (computador, modem, linha telefônica e provedor de acesso);

** Treinamento no uso do computador e da internet;

** Capacitação intelectual e inserção social do usuário, produto da profissão, do nível educacional e de sua rede social, o que determina o aproveitamento efetivo da informação e da comunicação pela rede;

** Produção de conteúdos adequados às necessidades dos diversos segmentos da população.

Por fim, é preciso deixar claro que os contextos da tecnologia são mais importantes do que os produtos tecnológicos – os equipamentos. Da mesma forma que um automóvel pode ser benéfico ao transportar as pessoas, pode também ser negativo ao causar acidentes de trânsito. O mesmo ocorre com a internet. Afinal, ambos são apenas um meio para determinado fim: na rede, o fim é a transmissão de informações, sejam estas positivas ou não (como exemplo de informações negativas, temos os crimes virtuais, que vão desde o roubo de números de cartões de créditos até a distribuição de material pornográfico ilegal).

Saber então utilizar a internet de forma construtiva e converter as informações obtidas em conhecimento é questão cultural que exige preparo e capacitação. O abismo que separa o Brasil das nações desenvolvidas deixa os cidadãos desamparados culturalmente, muitas vezes incapazes de usufruir dos benefícios da sociedade globalizada.

Ritmo brasileiro

Contudo, é um erro acreditar que o jornalismo online é inviável devido à exclusão digital, conseqüência não somente dos preços dos computadores, mas também da falta de instrução. Se este pensamento estivesse correto, o Brasil, que possuí altos índices de analfabetismo, também não suportaria o jornalismo impresso. Isto sem falar na questão da “leiturabilidade”, ou seja, na capacidade de interpretação. Como a educação é precária no país, muitas pessoas são incapazes de compreender com clareza até mesmo o que é transmitido por rádios e televisões. Portanto, é preciso evitar que exclusão digital se torne um argumento antiinternet por parte dos tecnófobos (indivíduos que se recusam a adotar as novas tecnologias, ou por temê-las ou por simples comodismo).

Ocorre que algumas pessoas se incomodam quando é noticiada uma nova tecnologia, argumentando que se trata de trivialidade de alto custo. Em certos casos (mas não da internet), realmente fazem pouca diferença em relação a modelos anteriores, embora o preço consideravelmente maior. Porém, se não fosse pelo lançamento de novos modelos, o preço dos mais antigos não cairia, popularizando a ferramenta. Essa é a dinâmica da tecnologia.

É preciso então aceitar que, num primeiro instante, apenas algumas pessoas tenham acesso a uma novidade. Somente após um estágio de adaptação e popularização é que uma tecnologia se torna acessível a todos. A regra, felizmente, também vale para a internet, que já está se popularizando no país – só que em ritmo “bem brasileiro”.

Referências bibliográficas

IBGE. Indicadores 2005: acesso à internet. http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/trabalhoerendimento/pnad2005/sintese/tab8_8.pdf, 28/09/2006.

Moraes, Denis de. ET AL. Por uma outra comunicação. Editora Record, 2003.

Negroponte, Nicholas. A vida digital, 2ª edição. Companhia das Letras, 1995.

Prunes, Cândido. Exclusão digital e lingüística. http://www.opiniaoenoticia.com.br/interna.php?mat=1648, 24/11/2005.

Ribeiro, Bianca. Brasil sobe 1 posição em ranking de competitividade, mas permanece em patamar baixo. http://noticias.uol.com.br/economia/ultnot/valor/2006/09/04/ult1913u56610.jhtm, 04/09/2006.

Schwartz, Gilson. Exclusão digital é o uso alienado da rede. http://pipasabe.incubadora.fapesp.br/portal/repercussao/exclusao_diario_nordeste, 28/11/2004.

Sorj, Bernardo. Brasil@povo.com: a luta contra a desigualdade na sociedade da informação. Editora Jorge Zahar, 2003.

Straubbhar, Joseph & Larose, Robert. Comunicação, mídia e tecnologia. Editora Thomson Learning, 2003.

Comentários (3)
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gabriel ferrari , presidente prudente-SP - estudante
Enviado em 24/5/2007 às 3:19:16 PM
O assunto relatado pelo artigo é muito interessante e de importância considerável atualmente. Gostaria de parabenizar o autor pelo bom trabalho e pela sensatez na escolha do tema. O texto é dinâmico, fluente e coeso. Interessante ressaltar que, mesmo falando sobre o mesmo assunto durante toda a obra, o escritor nâo a tornou repetitiva e muito menos cansativa.
Fernanda Tiosso Sampaio , Pres. Prudente-SP - Universitaria
Enviado em 2/11/2006 às 12:26:22 PM
Como estudante de Direito, achei importante seu trabalho e concordo com seus questionamentos que são relevantes inclusive para a minha área de enfoque. Acredito que as informações viabilizadas na internet podem ser muito prveitosas para sociedade, levando maior conhecimento de forma mais fácil e rápida, mesmo diante dos obstáculos da realidade brasileira ( ainda a serem superados), o jornalismo on-line tem sua importância inquetionavél para todas as áreas do conhecimento.
Ivan Moraes , Union NJ --USA-MG - sem profissao
Enviado em 11/10/2006 às 3:05:07 PM

Re Candido Prunes: eu nao entendo por que estrangeiros teem dificuldade com o ingles, talvez porque o tenham aprendido tao rapido. Todas as vezes que eu ensinei ingles pra brasileiros a aula era sempre a mesma e ia mais ou menos assim: Todo verbo regular ingles tem quatro variacoes: verbo, verbo mais "s", verbo mais "ed", verbo mais "ing". Decore 10 verbos irregulares por dia (nao ha o que decorar da estrutura regular a nao ser os nomes dos verbos). Escreva 40 sentencas por dia com eles. Sim, eu vou checar uma por uma. As poucas pessoas que eu ensinei aprenderam e muito bem, porque a estrutura verbal eh simplicissima. O resto eh decoreba mesmo. A redundancia de "informacao" em linguas como o portugues eh ridicula. Por exemplo: "eles estao cansados" repete a info "plural" 3 vezes, e a info "masculino" duas vezes. Eu nao falo portugues "errado" porque nao o sei, mas porque quero: um cachorro, dois cachorro, tres cachorro. Minha filha fala "o homens esta la fora". Qual eh o problema?

Outro aspecto do portugues que o deixa positivamente dinossaurico sao acentos, tills e cedilhas, principalmente quando os protocolos de computadores nao os traduzem corretamente e os textos em portugues terminam parecendo sanscrito. Eles sao totalmente desnecessarios, a nao ser pela palavra "é", que eu soletro "eh" ha uns 5 anos. Outro aspecto, ainda outro aspecto, eh o social. As pessoas que nao acentuam ou que nao usam plural corretamente sao, of course, os ignorantes, como, nao sei, digamos, Lula, que eh muito ignorante e nao estudado, sabem? O efeito eh discriminatorio sem a menor razao de ser: eu nao falo plural, nao vou falar tao cedo, e nao estou fazendo questao de ensinar minha filha. A substancia do que alguem com "sotaque" de "ignorante" fala tem que ter validade independente desse mesmo "sotaque", por mais que as elites nao o aceitem.

Substancia, plis. O conteudo informativo da internet em ingles eh realmente gigantesco comparado ao conteudo em portugues. Simplificar o portugues nao eh questao de simplificacao em si, mas tem varios aspectos - e beneficios - que raramente sao mencionados. Quanto aa pronuncia do portugues nao acentuado, a questao eh pequeninissima. Sera que os brasileiros nao vao aprender? Vao sim. Fora, acentos. Orrevuá, cedilhas. Nao da pra pertencer aa sociedade de informacao com excrescencias linguisticas, pelo contrario, a simplificacao radical eh o que abre portas. Eu ainda nao sei o que dizer de inclusao digital, que eh o assunto do artigo, porque ainda estou procurando sinais de inclusao linguistica.

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