ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 419 - 17/11/2009
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VOZ DO BRASIL
Informação tropeça na burocracia

Por Sergio Denicoli em 6/2/2007

"Licenças para pesca da lagosta estão suspensas em todo país. Essa é a principal notícia do dia", narrava uma das apresentadoras do programa A Voz do Brasil. Nada errado se não fosse dia 1º de fevereiro, quando tomaram posse os deputados federais e senadores eleitos no último pleito e quando ocorreram as eleições para as mesas diretoras do Senado e da Câmara.

A Voz do Brasil está no ar há 70 anos, tem uma hora de duração e quatro blocos: no primeiro são dadas as notícias do Poder Executivo, no segundo as do Judiciário e, nos 20 minutos finais, os últimos blocos divulgam informações do Legislativo.

Noticiário oficial do país

Como a posse dos parlamentares envolve os demais poderes e a imprensa vinha acompanhando em especial as expectativas do Poder Executivo em relação à aprovação, pelo novo Congresso, do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), esperava-se ouvir um noticiário amplo, antenado com os fatos mais importantes do mundo político. No entanto, no primeiro bloco, a única notícia que citou as ações do presidente Lula naquele dia fazia referência a uma reunião ocorrida no Palácio do Planalto com empresários, para discutir a concessão de trechos das estradas federais à iniciativa privada.

Só foi possível ter informações a respeito das eleições internas no Congresso e sobre a posse dos parlamentares no final do programa, dentro dos respectivos blocos do Poder Legislativo. Cabe lembrar que estamos falando do principal noticiário oficial do país.

A burocracia e a lagosta

As notícias do Poder Executivo em A Voz do Brasil são produzidas pelo sistema estatal Radiobrás, que existe há mais de 30 anos e hoje envolve uma agência de notícias, duas emissoras de televisão e cinco emissoras de rádio.

O site da Radiobrás diz que seu objetivo é "levar informação jornalística diária aos mais distantes pontos do país". Acrescenta que A Voz do Brasil passou por mudanças editoriais em 2003, saindo dos gabinetes e se aproximando mais dos ouvintes. Mas o que se pôde observar foi justamente o contrário, pelo menos na edição referida.

Houve um distanciamento do ouvinte porque o programa não escapou à burocracia que envolve a máquina pública. E a referência aqui não é ao conceito pejorativo de burocracia, mas à sua própria formulação teórica – elaborada por um dos pais da sociologia, o alemão Max Weber –, que prevê o funcionamento de órgão públicos dentro de regras definidas que não podem ser alteradas. Um veículo que se propõe a fazer jornalismo necessita priorizar o benefício da informação para as respectivas audiências e não pode estar fechado dentro de conceitos burocráticos.

Ao ligar o rádio, às 19 horas, num dia tão importante para a democracia brasileira, a última coisa que o ouvinte atento poderia esperar é que a lagosta desbancasse o Congresso Nacional.

Comentários (3)
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Marco Costa Costa , São Caetano do Sul-SP - T.P.A.
Enviado em 12/2/2007 às 2:13:10 PM
Gostaria de saber para que ou quem serve a foz do Brasil. Quem deveria ter um programa de sessenta minutos somos nós, o povo. As notícias veiculadas pelos dos Governantes não trás nenhum benefício ao conjunto da classe trabalhadora. Fora a voz da elite governante?
Carol Veiga , Vitória-ES - Jornalista
Enviado em 8/2/2007 às 11:45:19 PM
Concordo com Letícia e Sérgio. Além do mais, notícias abrangentes dos acontecimentos políticos e em primeira mão ao ouvinte seria o mínimo a esperar de um veículo oficial com a capacidade e a velocidade que o rádio tem ou pode ter, se for bem utilizado. Porém, ainda não tenho a paciência de esperar por isso na "Voz do Brasil". Desligo o rádio às 19h e coloco um CD relaxante, depois passo para a CBN.
Letícia  Gonçalves , Vila Velha-ES - Estudante
Enviado em 7/2/2007 às 9:01:40 PM
Tenho ouvido a "Voz" nos últimos tempos, após um longo período em que se quer lembrava que ela existia... Mas ela não me parece mais próxima dos ouvintes mesmo. O próprio programa é burocrático. Quem não desliga o rádio às 19horas? Esse negócio de "essa foi a notícia mais importante do dia" ... Pra quê isso? Será q o ouvinte não percebe, pelo destaque dado à ´notícia, que ela é a mais importante? Acho que o noticiário oficial tem potencial para ser como um importante ator no processo democrático: informar o que esse pessoal anda fazendo lá em Brasília. Tanto é que eu ouço. No entanto, esse papel não pode ser cumprido se, além das ondas da rádio, a voz também não alcançar as pessoas.
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