ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 432 - 17/11/2009
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VENEZUELA
Por que defender a RCTV?

Por Elaine Tavares em 8/5/2007

Quem já esteve na Venezuela, sabe muito bem: liberdade de opinião é tudo o que há. Nas rádios e emissoras de televisão comerciais, o presidente Hugo Chávez é xingado, humilhado, destratado e desmoralizado. As palavras usadas pelos jornalistas são de uma violência sem par. E ainda assim, ali estão, eles e elas, a disseminar suas diatribes, sem que ninguém os impeça.

Não há censura de espécie alguma. Os grandes jornais fazem oposição ao governo, ou melhor, a Chávez, usando argumentos que muito mais ofendem a pessoa do presidente do que o governo em si. É um negócio inimaginável em qualquer outro país do mundo. Se isso acontecesse nos Estados Unidos, por exemplo, duvido que os jornalistas não fossem presos ou banidos para sempre. Pois na Venezuela eles estão livres para falar.

Agora, o governo decidiu uma coisa que também acontece no chamado "mundo livre", todos os dias. Não vai mais renovar a concessão de uma rede de televisão do país, a Radio Caracas Televisión, alegando que a mesma não cumpre a lei. E o que diz a lei? Que as redes de televisão, assim como as de rádio, são um serviço público e, como tal, devem servir à população com informações de interesse de todos, e não só de alguns. É uma lei muito parecida com as leis dos demais países do mundo, inclusive do Brasil. Pois a RCTV é uma rede de televisão que existe há mais de 50 anos, sempre na linha da desinformação, tal e qual qualquer outra emissora de TV alinhada aos interesses do grande capital. A RCTV, assim como a Venevisión, é uma rede que muito mais funciona como uma corrente de transmissão da ideologia do american way of life do que qualquer outra coisa. Uma máquina de propaganda, como muito bem já analisou o teórico Noam Chomsky. Aqui, no Brasil, poderíamos colocar como análoga a Rede Globo, por exemplo.

Mas, os motivos que levam o presidente Hugo Chávez a não renovar a concessão vão muito além do que uma possível represália, como dizem os parceiros da mídia-irmã, como o Jornal Nacional, da Globo, ou a CNN, braço armado da informação estadunidense. Num extenso documento chamado "Libro Blanco sobre RCTV", o Ministério do Poder Popular para a Comunicação e Informação da Venezuela explica em detalhes os porquês da não-renovação da concessão. Além de mostrar como se conforma o sistema comunicacional no país – monopólico, antidemocrático e concentrador –, o documento esmiúça todas as ilegalidades que a RCTV vem cometendo há muito tempo.

Prazo de 20 anos

Na Venezuela, 78% das estações de televisão estão em mãos privadas, contra 22% do setor público. Na banda de UHF, o número sobe para 82% no setor privado, 11% no comunitário e 7% no público. Seis grandes grupos tomam conta de quase tudo o que o venezuelano vê e ouve – e isso mesmo depois da promulgação da nova lei que regula os meios de comunicação, buscando mais participação comunitária. Os mais poderosos são os da RCTV e o da Venevisión. Juntos, controlam 85% das verbas publicitárias e têm 66% do poder de transmissão.

O grupo que controla a RCTV é o das empresas 1BC, nascido em 1920 e incrementado em 1930 com verbas e tecnologia da RCA. A TV existe desde o início dos anos 50 e tem, hoje, entre seus acionistas, uma empresa com sede em Miami, EUA, a Coral Pictures. Não é sem razão que, segundo estudos do Instituto Nacional del Menor, 67% dos programas transmitidos são de produção estrangeira e metade da programação – cerca de 52% – é de anúncios publicitários. Da programação local, muito pouco representa a vida real do país. Os programas de auditório, as telenovelas e outras produções representam, no mais das vezes, a Venezuela branca e rica. A massa de trabalhadores, os indígenas, os negros, geralmente só aparecem em programas policiais. Qualquer semelhança com o Brasil não é mera coincidência.

A idéia de concessões públicas começou a ganhar corpo na Venezuela no final de 1875, quando o governo se viu diante da necessidade de controlar as riquezas naturais, mais particularmente o petróleo. Depois, essas concessões foram se espraiando para o campo da mineração e das comunicações. Quando nasce a primeira rádio, em 1923, é o estado quem outorga a permissão. Desde então, o governo vem ditando leis para regular o setor. A última delas, antes da lei Resorte, promulgada no governo Chávez, datava de 1941 e dizia que uma concessão não podia durar mais que um ano, sendo renovada apenas se o interessado cumprisse com a legislação. Essa lei só veio a ser atualizada em 1986, através de um decreto presidencial que esticou para 20 anos o tempo da concessão. Passado esse tempo, o Estado pode então revisar o contrato e decidir se a emissora continua com a permissão.

Notícias falsas e censura

Com a Lei Orgânica de Telecomunicações – aprovada em 2000, já no governo Chávez – nasce um novo regime de concessões. Mas essa nova lei garantiu que as autorizações estabelecidas pelo decreto de 1986 e suas respectivas regras fossem mantidas, caso os prazos fossem respeitados. Isso significa que todas as emissoras que tiveram concessão naqueles dias puderam continuar operando, contando, a partir dali, o prazo de 20 anos. Agora, em 2007, esse prazo está esgotado e daí a revisão de cada uma delas, já dentro dos critérios da nova lei. Até aí, nada de ilegal ou de falta de liberdade de expressão. Apenas a correta adequação a uma nova situação, fruto de uma mudança significativa no conteúdo do que seja um serviço público, capaz de "permitir o acesso universal da informação".

Na nova lógica da lei das comunicações venezuelanas, aquele que detém o controle da empresa não é o dono da mensagem. Ele tem por obrigação garantir a pluralidade das vozes, a democratização das idéias e a participação popular. Portanto, na avaliação do governo da Venezuela, a RCTV, terminado o seu prazo de concessão, não atende aos requisitos básicos para continuar gerindo um bem público. E por quê? Porque desde sempre a emissora manteve a política de informar apenas um lado da questão: o que interessa ao grande capital.

Segundo o relatório governamental – disponível na internet –, a RCTV, durante o golpe que tentou tirar Hugo Chávez do poder, difundiu notícias falsas, impediu a fala de pessoas do governo, fomentou a violência, negou-se a divulgar opiniões que eram favoráveis ao governo e não mostrou qualquer ato de mobilização dos partidários de Chávez.

Controle por corte de verbas

Também no episódio da paralisação dos petroleiros, organizada pela Fédecamara (instituição empresarial) e a Confederación de Trabajadores de Venezuela, a RCTV usou atores profissionais e fabricou imagens visando a falsear a realidade e incitar o terror. Naqueles dias, a emissora foi alvo de investigações por parte do governo e todas essas questões foram comprovadas. Não bastasse isso, também foi detectada a evasão de tributos por parte da rede, débitos com funcionários e o uso de imagens de crianças para disseminar o ódio ao governo de Chávez. Todo o dossiê com essas informações está disponível na rede mundial de computadores [arquivo PDF; 8,69 MB].

O fato é que todos esses argumentos não estão sendo divulgados nas reportagens que são feitas sobre a não-renovação da concessão. Tudo o que se diz é que o governo Chávez está censurando, reprimindo e impedindo a livre expressão. Os fatos acima citados mostram que a coisa não é bem assim. Há que observar todos os pesos da balança.

O pensador estadunidense Noam Chomsky há muito tempo prega que as pessoas do chamado "mundo livre" deveriam ter à disposição um curso de autodefesa intelectual. E ele não diz isso à toa. É por ser um estudioso sistemático do modelo de comunicação estadunidense – o maior criador de ilusões que já se viu e que, não por acaso, estende seus tentáculos por toda a América Latina. Segundo Chomsky, quando o governo dos Estados Unidos fala em democratização da comunicação, esse discurso é totalmente desprovido de significado porque lá o cidadão comum não tem qualquer possibilidade de controle sobre o que é divulgado.

Os únicos interesses que importam são os do governo e os das grandes corporações. Controlam tudo. Quando, por algum motivo, as redes de TV ou jornais, principiam a falar de algum tema que seja contra as políticas governamentais, esses meios são "censurados" pelo imediato corte de verbas. E, ao que parece, não há ninguém na CNN ou na Globo gritando contra isso.

O poder de los de abajo

Nos Estados Unidos, denuncia Chomsky, os interesses das maiorias sempre foram considerados uma "ameaça à democracia" e quem os divulga fica marcado para sempre. Na "terra da liberdade" só têm curso livre as informações que dizem respeito aos interesses nacionais, e aí leia-se: dos bancos, das grandes empresas, do governo. Nada a ver com o povo. A desinformação é o prato do dia, servido sem que nenhum organismo de imprensa se levante em repúdio. Mentiras são divulgadas à exaustão, como a das armas químicas no Iraque, e ninguém pede provas. Pelo contrário. A notícia é disseminada por todos os países e as redes de imprensa a reproduzem como se fosse a verdade absoluta.

"Para os EUA, quando as grandes empresas perdem o controle da comunicação, então aí está uma violação da democracia", diz o teórico estadunidense. E conta ainda sobre uma rede de TV daquele país que, por ter divulgado uma reportagem sobre a compra de terras por multinacionais nos países do terceiro mundo, teve toda a verba publicitária cortada. Motivo: a notícia era antiestadunidense, o que mostra muito bem que as multinacionais têm pátria, sim. Mas, estas informações não chegam ao grande público e ninguém parece enquadrá-las como antidemocráticas ou como uma barreira à liberdade de expressão.

O certo é que aquilo que ameaça ter um cheiro de povo, de uma participação em que o protagonista é o povão, acaba tornando-se altamente incomodativo. As grandes redes na Venezuela, acostumadas a colonizar as mentes da população com um mundo alienígena, começam a perceber que os ventos sopram de outra direção. Enquanto os apoiadores da RCTV aparecem nas telas da CNN clamando pelo direito de verem suas novelas e programas de entretenimento, os que ajudaram a escrever a nova lei de comunicação querem ver brotar uma nova televisão. Que seja capaz de dar conta da pluralidade das gentes venezuelanas, que abrigue produções nacionais, comunitárias, que informe com o maior número de lados da verdade, que forme, que traga os aspectos culturais do seu povo, que assegure a participação popular.

De qualquer modo, essa é só mais uma batalha da luta de classe que se explicita no processo bolivariano. O poder de los de abajo contra as grandes corporações. Um capítulo paradigmático, visto que serve de exemplo para as demais emissoras com concessão a vencer. Na Venezuela, a iniciativa privada pode expressar-se e viver em paz, desde que cumprindo com o que diz a lei soberana, fruto da vontade do povo, pois como se sabe, ali qualquer lei pode ser alterada pelo poder popular. Assim, o que se vê nas telas das televisões dos países amigos dos EUA nada mais é do que a velha jogada ideológica de tirar por diabo toda e qualquer pessoa que não diga amém ao capital. Mas, quem pensa por si mesmo, pode chegar a outras conclusões...

Comentários (34)
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Jadel Abacuque , Rio de Janeiro-RJ - Agrimensor
Enviado em 30/5/2007 às 12:06:44 PM
Sr. César de Paula, a grande maioria do povo venezuelano não está a favor da não-renovação da concessão da RCTV. Na verdade, as pesquisas indicam que de 70 a 80% das pessoas é contra esta medida AUTORITÁRIA e ARBITRÁRIA. Os recentes protestos na capital do país só corroboram isto. E digo mais: Chávez foi eleito sim, da mesma maneira que Hitler também o foi. A democracia está longe de ser perfeita, e é por isso que os outros poderes devem manter sua independência do Executivo, coisa que não ocorre mais na Venezuela. Por isso é que Chávez pode ser chamado sim de DITADOR.
Jair  O. Lara , Uberlândia-MG - Publiciário
Enviado em 29/5/2007 às 4:56:27 PM
Acho que ficou claro que liberdade de expressão tem relação com imprensa livre, não com imprensa patrocinada. A imprensa moderna objetiva o desempenho econômico, seu caráter enlouquecido e fragmentário decorre do fato de que indistintamente se justifica pela liberdade e age pela necessidade. Não se vincula mais aos valores democráticos, pois explora oportunidades de mercado e somente pode prevalecer se defender interesses próprios e dos patrocinadores. Sua atividade prática não tem relação com o princípio iluminista/liberal da imprensa livre. Os valores essenciais da democracia como o direito à cidadania e à liberdade de expressão são princípios da pessoa natural, e se refletirmos, os veremos contrários à ação da imprensa comercial. Penso que a Imprensa livre seja um mito, um conceito sem nenhum valor histórico, que na prática deveria desempenhar com auspiciosa “santidade” a função de in-formar o povo, mas que hoje só faz deformá-lo, porque lhe interessa o privado sob a justificação de liberdade de imprensa. Ao delegar o poder da informação a qualquer agente, seja público ou privado, a sociedade delega sua função primordial de colocar-se por si mesma, perde seu caráter e identidade, permite-se condicionar. A imprensa patrocinada é antítese da liberdade de expressão, a síntese é a decadência do regime democrático.
César De Paula , São Paulo-SP - servidor público
Enviado em 29/5/2007 às 10:37:26 AM
Sr. Jadel, obrigado pela explicação. Mas este é também meu o conceito sobre autoritarismo. Talvez seja então uma questão de interpretação. O sr. chamou a articulista, de “autoritária”. Pergunto-lhe: em que lugar no texto, podemos achar algo que se encaixe no conceito universal de autoritarismo? Em tempo: sobre o Chaves, lembro que ele venceu uma eleição (1998), dentro dos trâmites constitucionalmente instituídos, com folgas, contra a RCTV e toda a mídia; sofre um golpe surreal, apoiado pelos EUA e pelas “Vejas” espalhadas pelo mundo; estabelece um plebiscito, no meio do seu mandato, para que o povo decida se ele deve ou não continuar à frente do governo e vence, novamente com folgas, contra a mídia; se reelege presidente, de novo, dentro dos trâmites constitucionalmente instituídos, contra a mídia e com mais folga ainda; toma a atitude de não renovar a concessão (que é pública, como é – veja o sr.- também no Brasil- de uma emissora de TV que tomou ações inconstitucionais), conforme as leis sobre a matéria, e ainda assim, há quem insista em dizer que ele é um ditador ou coisa semelhante. O sr. acha que as concessões devem ser vitalícias? Será que democracia só serve para reverenciar eleições de neoliberais? Será que dá pra respeitar a vontade da grande maioria do povo venezuelano?
Guilherme Chagas , Salvador-BA - Analista de Sistemas
Enviado em 29/5/2007 às 9:00:29 AM
Parabéns Elaine Tavares!! Continuem nos mostrando as noticias assim..
Yan Carlomagno , Florianópolis-SC - Estudante
Enviado em 28/5/2007 às 10:59:58 PM
Primeiramente, gostaria de fazer uma pergunta à autora e aos comentaristas acima: alguém obriga cada venezuelano a assistir os 67% de programas "de los gringos imperialistas", ou os 52% de comerciais? A menos que a RCTV possuísse um inédito sistema de hipnóse, creio que a resposta é NÃO. Já a posição de Hugo Chávez é contrária a esta liberdade de escolha, pois a concessão, como dito no próprio texto, é ESTATAL e não governamental. Desta forma, o governo populista/plebiscitário do presidente venezuelano não pode e nem deve ser este juíz do que é bom ou ruim para a população, pois isto ele já faz em seus diversos canais estatais. Sem imprensa livre -inclusive para criticar com veemência os dententores do poder, que aliás tanto carecemos no Brasil - não há democracia. Sem democracia e liberdade de expressão, o governante faz o que bem entender e isso é comprovado historicamente que nunca foi buscar o bem-comum, pois este "bem-comum" não vem exclusivamente da idéia de um "ser iluminado", mas justamente do discurso aberto, veemente e conflitante entre os diversos grupos sociais. Se há violações de conduta da emissora, quem deve ser punido são os responsáveis pela programação, se esta infringiu alguma lei. Porém, quando a Lei se torna irrelevante e os três poderes se concentram em um governante, a que lei a sociedade pode recorrer?
Sérgio Moura , Sampa-SP - Pesquisador
Enviado em 28/5/2007 às 10:49:13 PM
Por que defender o Hugo Chavez? O cara é um tirano que já tentou derrubar um presidente democraticamente eleito. Assim todos os argumentos contra a rede de televisão que apoiou o golpe, como parte da própria população eu imagino, cai por terra.
Margareth  Bastos , Curitiba-PR - Relações Públicas
Enviado em 28/5/2007 às 10:35:27 PM
Na questão RCTV, me parece mais pertinente que nós brasileiros, com muito pouca percepção da própria latinidade, produto, talvez, da programação disponível nas telinhas brasileiras, façamos uso da circunstância para avaliar a liberdade de expressão do ponto de vista das relações internas dos meios de comunicação. Um Estado, laico, renova ou não uma concessão, da mesma forma que uma rádio ou uma TV "podem" criar a própria grade de programação. Onde está, de fato, a censura?
Antônio Carlos Oliveira , Rio de Janeiro-RJ - Tradutor free-lancer
Enviado em 28/5/2007 às 10:15:41 PM
Segundo a jornalista Elaine Tavares, parece que Hugo Chavez é a nova Cida Diogo em versão internacional. Se o Chapolim de Miraflores é xingado, humilhado, destratado e desmoralizado, deveria imediatamente chorar as mágoas no colo do Inocêncio Oliveira, ou então pedir a fórmula da unanimidade a Caetano Meloso. Creio mesmo é que os melindres de Hugo Chavez são aqueles espamos de ódio furiosos que Hitler vez em quando tinha. Como não conheço a Venezuela, nada tendo a ver ali, nem qualquer tipo de afetividade com aquele PAÍFI", posso dizer tranquilamente o seguinte: "Quem pariu Mateus que o embale".
Gabriel Tomaz , Belo Horizonte-MG - Técnico Mecânico
Enviado em 28/5/2007 às 8:50:48 PM
Para aqueles "defensores" roxos da liberdade de expressão, do imparcialismo, insisto: sejam imparciais. Há sim fortes e diversas críticas que podem ser feitas ao governo Chaves. Ele é sim autoritário, anti-democrático e etc. Mas não podemos ser parciais. Chaves tem sim a razão em "não renovar", como muito bem explicado por nossa autora. Imaginem: foi concedida à uma empresa a exploração de uma rodovia. Com as condições de que fosse mantida em bons estados e segura. Quando venceu o periodo da concessão, a estrada estava toda esburacada. Pergunta-se: Para que retirar a concessão? Proibir que essa empresa realize livremente seu trabalho é um ato de autoritarismo! Para transferirmos a situação anterio para a TV venezuelana é só olharmos com menos parcialidades e ao invés de estradas pensarmos em comunicação.
Jadel Abacuque , Rio de Janeiro-RJ - Agrimensor
Enviado em 28/5/2007 às 7:24:56 PM
Sr. César de Paula, desconhece o significado da palavra? Pois bem, eis o que diz o dicionário Houaiss sobre o assunto: adjetivo 1 relativo a autoridade 2 que se firma numa autoridade forte, ditatorial 3 revestido de autoritarismo; dominador, impositivo 4 que infunde respeito, obediência 5 a favor do princípio de submissão cega à autoridade Enfim, meu conceito de "autoritário" é o mesmo de qualquer pessoa normal, que não tolera viver sob o jugo de ditadores. Se lhe apraz viver sob as ordens de um Chávez, é direito (e problema) seu. Mas não queira impor isso ao resto da população que não partilha de seu desejo; lutarei até a última de minhas forças para não ver o mesmo acontecer neste país.
César De Paula , São Paulo-SP - servidor público
Enviado em 28/5/2007 às 5:45:06 PM
Sr. Jadel, o sr. poderia nos fazer a gentileza de explicar o seu conceito de "autoritário"?
André Nunes , Rio de Janeiro-RJ - Tec. Informática
Enviado em 28/5/2007 às 5:05:44 PM
A não renovação da concessão da RCTV é uma resposta com respaldo legal ao apoio a tentativa de golpe de estado apoiada pela emissora. Caso Chaves fosse mesmo um ditador a concessão seria cassada logo após ao golpe o que não ocorreu. O susto deve ter sido forte nas organizações que controlam a mídia aqui no Brasil
Sidnei  Brito , São Paulo-SP - Servidor Público
Enviado em 28/5/2007 às 3:34:40 PM
Serviços de teledifusão são uma concessão de serviço público, ou seja, é uma concessão ofertada por toda a sociedade. Mesmo que organismos privados explorem tal serviço, eles não têm o direito de agir de acordo com o seus interesses particulares, clamando pela liberdade de imprensa ou de expressão. Penso, com todo respeito, que o pessoal que acha que uma emissora de TV pode fazer o que bem entende, recorrendo ao sagrado direito da liberdade de expressão, não tem muita noção do público e do privado, ou num caso pior, tem pouco apreço ao que é público. Se a emissora quer explorar a radioteledifusão pode fazê-lo, mas deve ser responsável, em respeito não ao presidente ou aos demais poderes constituídos, mas em relação ao cidadão, que é quem realmente lhe concede aquele espaço com o qual ele ganha rios de dinheiro.
Carlos  Coutinho , Brasília-DF - Servidor Público
Enviado em 28/5/2007 às 3:23:19 PM
Interessante a tese de que "que as redes de televisão, assim como as de rádio, são um serviço público e, como tal, devem servir à população com informações de interesse de todos, e não só de alguns ". A ditadura no Brasil utilizou-se exatamente dessa alegação para estabelecer a censura no Brasil. É impressionante como é criativa a mente humana para mascarar o autoritarismo.
Eduardo  Silva , Juiz de Fora-RJ - Administrador de Empresas
Enviado em 28/5/2007 às 2:48:50 PM
Texto Perfeito!
Julio Assis , Florianópolis-SC - Engenheiro
Enviado em 28/5/2007 às 2:05:19 PM
Que felicidade por ter lido este artigo! Que felicidade por ter acessado a Internet e escolhido a página que quis! Que felicidade poder escolher se quero ou não quero assistir à Globo dos Marinho ou à Record dos bispos! Que bom que, por mais que eu considere certas opiniões descabidas, elas podem continuar sendo divulgadas! Anota aí um trecho do último parágrafo, Chávez: como se sabe, ali qualquer lei pode ser alterada pelo poder popular. Só toma cuidado pra não morrer de rir...
Luciano Mesquita , Niterói-RJ - Professor
Enviado em 28/5/2007 às 1:45:59 PM
Muito esclarecedor o texto porque mostrou um outro ponto de vista da questão. No entanto, não dá pra temer o fato de que não há garantias que uma TV estatal seja a favor do popular e da pluralidade ou se torne um instrumento de propaganda às avessas, ou seja, que ao invés de servir ao grande capital passe a servir ao Estado, e que não necessariamente representa o povo . É correto que haja um enquadramento na lei, mas é certo que a o debate e auto-regulação por parte da própria imprensa seriam interessantes instrumentos do real esclarecimento da situação.
Jadel Abacuque , Rio de Janeiro-RJ - Agrimensor
Enviado em 28/5/2007 às 11:45:45 AM
Sr. Haertel, seu sobrenome não seria por acaso Chávez ou Castro? Ou Tsé-Tung, quem sabe?
cristovão  xavantes , linhares-ES - administrador
Enviado em 28/5/2007 às 11:38:07 AM
Alguém aí sabe quando vence a concessão da Globo?
Reinaldo C.  Zanardi , Londrina-PR - Jornalista e professor
Enviado em 28/5/2007 às 11:26:46 AM
Elaine Tavares. Parabéns pela lucidez e pelo oxigênio em meio à poluição da direita na imprensa mundial. Os reaças querem direito à liberdade de expressão e liberdade de imprensa e se esquecem da responsabilidade. Ninguém pode mentir, manipular, caluniar, difamar em nome das tais liberdades. Isso não é democracia. Peguemos os jornais reaças do Brasil que falam do "fechamento" da TV venezuelana. Fechamento é diferente de não renovação. A troca das expressões é proposital para não discutir o mérito. Pode a tal TV - concessão pública - mentir, manipular, caluniar e difamar? No Brasil também temos exemplos deste tipo de jornalismo - que mais parece propaganda política. E o que é pior muitos leitores gostam disso porque pensam exatamente deste jeito.
Paulo Perez , Santos-SP - advogado
Enviado em 28/5/2007 às 11:26:17 AM
Como se vê do artigo e de alguns comentários realizados, a esquerda queria derrubar a ditadura militar para "impor a sua ditadura". O que difere a explicação dada pela articulista das razões científicas explanadas pelos nazistas para a eugenia da raça germânica? (como bem lembrou o colega abaixo) Nada! Sob o manto da legalidade são praticadas as maiores atrocidades. Negar a repressão chavista a oposição, a imposição de um partido único, o controle dos meios de informação e da Justiça é o mesmo que querer coroar Fidel como "grande democrata" ou o ditador da Coreia do Norte como pacifista! Mais de 70% da população foi contrária ao fechamento da RCTV e isso comprova a distorção da decisão da ditadura venezuelana. Todavia isso não importa aos comentaristas esquerdistas, afinal apoiar ditadura de direita é que não pode! Ditadura de esquerda é in, é sempre "pelo povo" e sempre está certa... Manipulação e direitos só para os nossos, aos outros a censura, o desemprego e a perseguição...
Eduardo  Rosa , Rio de janeiro-RJ - Advogado
Enviado em 28/5/2007 às 11:09:55 AM
Parabéns pelo elucidativo e esclarecedor texto de Elaine Tavares.
Thaís Sousa , Belém-PA - Cientista Social
Enviado em 28/5/2007 às 8:14:26 AM
Concordo com quase tudo que Elaine Tavares disse, exceto que todos esses fatos sobre a RCTV sejam suficientes para justificar a forma autoritária com que Chaves está agindo. Concordo que ele (enquanto presisente) tenha direito de negar a concessão da RCTV, desde que, representasse a vontade da maioria da população venezuelana. Com todas essas provas contra a RCTV seria fácil obter a aprovação popular para essa medida, mas SOMENTE SE Chaves demontrasse habilidades de um governante democrático. O que certamente ele não é. Ele trata a pupulação do seu país da mesma forma que o "sistema capitalista": no cabresto. PS: também não me agrada o modelo de crescimento e consumo capitalista, mas eu não vou costurar a boca de quem discorda. O DIÁLOGO É UMA SAÍDA DEMOCRÁTICA.
Haertel Duarte , Venda Nova do Imigrante-ES - Bancário
Enviado em 27/5/2007 às 8:36:02 PM
Sr. Jadel, o seu sobrenome não seria por acaso Marinho ou Mesquita ???
arnaldo boccato , campinas-SP - jornalista e publicitário
Enviado em 26/5/2007 às 6:29:12 PM
O bom do OI é ser pluralista ao buscar - até onde é possível - fazer uma radiografia da imprensa. Isso só é possível sob democracias, com várias vozes, contra e a favor. Num país onde o estado de direito é respeitado, Elaine Tavares deve ser lida e respeitada. No Brasil é possível discordar de ou concordar com Elaine Tavares. A História (sim, com H maiúsculo) mostra que calar qualquer voz pela truculência ou pelos descaminhos do direito é abrir espaço para a intolerância e o totalitarismo - de qualquer cor ideológica.
Jadel Abacuque , Rio de Janeiro-RJ - Agrimensor
Enviado em 25/5/2007 às 11:59:54 AM
Estou estarrecido. Realmente não consigo conceber que este sítio, que deveria se dedicar, entre outras coisas, a zelar pela LIBERDADE DE IMPRENSA, publique uma pessoa com visão tão autoritária como dessa senhora Elaine Tavares. Lembrem-se: hoje é a RCTV, amanhã pode ser a Globo, depois de amanhã podem ser vocês!
roberto victorio trindade trindade , porto alegre-RS - bancario
Enviado em 19/5/2007 às 11:24:16 AM
Elogiavel a opinião de Elaine tavares sobre a imprensa.Agora onde for citado o nome do presidente, Hugo Chaves, entenda-se,que a nação popular venezuelana eleita pela modelo democratico capitalista, esta demonstrando QUE NÃO ESTÁ COM MEDO DE SER FELIZ.
Paulo Bandarra , Porto Alegre-RS - Médico
Enviado em 15/5/2007 às 3:43:31 PM
O cubano Canek Sanches, nascido em 1974, desenhista e compositor, que nada mais é do que o neto de Che Guevara, vive na Europa desde que seus pais para aqui vieram quando ele tinha dois anos. Na adolescência, Canek retornou a Cuba para sentir o que representava ser neto de Che Guevara. Aliás, só pelo forte parentesco com Che é que ganhou o raro direito (privilégio) de entrar e sair da Ilha quando quisesse. Chegando à Ilha os professores lhe perguntaram várias vezes: - Crês que se teu avô, um herói, te visse, ficaria orgulhoso de ti? Após alguns dias observando o que acontecia em Cuba, Canek respondeu: não creio. E emendou: - Não posso viver sob um governo que te diz o que tens que fazer, o que tens que comer, o que tens que pensar. O fato de viver na Europa me fez ver o regime com outros olhos, completou Canek, o neto de Che Guevara.
Son Pereira  Pereira , Belo Horizonte-MG - Jornalista
Enviado em 14/5/2007 às 6:18:07 PM
Excelente texto.
Paulo Bandarra , Porto Alegre-RS - Médico
Enviado em 14/5/2007 às 1:21:49 PM
É a realidade da liberdade de expressão e de imprensa! Só os que concordam conosco que devem possuí-la! Os que não concordamos devem ser banidos! Mesmo que seja a mídia mais assistida na Venezuela, alegam que não cumpre com o seu papel social, que é o de doutrinar para o regime neofascista em construção naquele país! O partido único certo e a mídia certa alinhada! Liberdade, como fazia a igreja, só para quem comungar com o “nosso” credo. E banir principalmente os que tem maior penetração junto ao cidadão (se não concordamos com eles)! O povo deve ser tutelado mais uma vez para aprender o que o Grande Irmão deseja o que eles pensem e assistam!
Marnei Fernando , Anapolis-GO - Publicitario
Enviado em 14/5/2007 às 9:05:59 AM
Estou contano os dias para ver esse TV golpista e antidemocrática riscada do mapa... Pena que no Brasil o governo Lula não pensa em tomar a mesma atitude em relação a Globo, que embora mais light, fez aqui, tudo que a RCTV fez na Venezuela.
Fernanda  Nascimento , Porto Alegre-RS - Estudante de jornalismo
Enviado em 10/5/2007 às 2:32:48 PM
Finalmente alguém com lucidez para discorrer sobre a polemica da renovação da concessão venezuelana a RCTV. Com uma constituição semelhante a do Brasil, o Estado Venezuelano está no seu direito ao não renovar a concessão de uma emissora que longe de difundir a programação regional do pais, vende a realidade interessante ao grande capital. Está na hora de trazer um debate como este para o Brasil, no ano em que a Globo vencerá seu prazo de concessão, o qual certamente será renovado, afinal este monoplio atualmente detém tanto poderio que tem até um ministro nas comunicações....
Paulo Bandarra , Porto Alegre-RS - Médico
Enviado em 8/5/2007 às 3:39:42 PM
Tão lógico e bem explicado como os Nazi justificaram a eliminação dos "deficientes" ou para promoverem a solução final! Mas não passa nada mais do que a censura sem tirar nem por! Não existe nada de democrático o que o governante, Hugo Chaves, o defensor do partido único, deseja fazer. Não é por apoio popular de desligar o canal ou procurar livremente as tais mídias alternativas e libertárias, mas a proibição de cima do povo de assistir a mídia pecaminosa do capitalismo! Ouvir o outro lado, agora proibido. São os nacionais socialistas agora na América Latina prometendo a revolução do povo! Era o que se podia esperar de uma jornalista política fazendo a sua propaganda do totalitarismo necessário para conduzir o povo no cabresto, que o mesmo não pode se gerir sozinho sem ser guiado pelo grande irmão!
MAURÍCIO  ANTUNES ARIEDE , Rio Negro-PR - Técnico em Eletrotécnica
Enviado em 8/5/2007 às 12:49:03 PM
Na penúltima edição deste Observatório comentei exatamente isto que é mostrado neste texto, qual seja: quais são os motivos reais de Hugo Chavez para não renovar a concessão da TV venezuelana? E naquele comentário eu também fazia a comparação e a pergunta: e no Brasil, quando serão reavaliadas as concessões públicas de TV? É muito fácil rede Globo e outros "órgãos" de informação falarem em censura, populismo, "chavismo" e autoritarismo, mas porque elas não falam a verdade sobre o episódio Chaves/TV venezuelana? Quando teremos um governo que tenha coragem de fazer com a TV brasileira, o que Chávez vez na Venezuela? Infelizmente tal questão talvez nunca seja respondida.
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Elaine Tavares

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