ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 436 - 24/11/2009
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VENEZUELA
Hugo Chávez, Orwell e a imprensa

Por Fábio Ricardo Rodrigues Brasilino em 5/6/2007

O livro A Revolução dos Bichos, do britânico George Orwell, é uma ficção que faz uma crítica a sociedade. Tudo começa quando um sábio animal velho expõe aos demais bichos o quão explorado pelos seres humanos eles são. Quando dois porcos, Napoleão e Bola de Neve, começam a propagar a idéia do sábio animal velho, uma revolução começa a tomar forma.

A granja é tomada pelos animais numa revolução do "proletariado". Os animais, comandados por Napoleão e Bola de Neve, tomam o poder e começam um novo sistema, um sistema onde os animais não são mais explorados pelos seres humanos e um lugar onde todos contribuem e são retribuídos pelos seus esforços, um lugar justo e igualitário, um socialismo utópico em pleno funcionamento, com leis que visam à liberdade e igualdade.

Mas como a vida é uma caixinha de surpresas, o porco Napoleão com apoio de cachorros, que ele havia criado, dá um golpe em Bola de Neve e toma o poder para si, tornando o sistema que era justo e igualitário em um sistema tirânico.

Tudo é feito de maneira a manipular as massas. Assim, os animais não percebiam que estavam sendo dominados por um governo déspota e isso ocorre devido às falsas informações que são passadas aos governados. As garantias individuais já não mais existem, as leis são manipuladas para que Napoleão governe livremente, o ideal de justiça e igualdade já não funciona mais, entre outras atrocidades.

Notícias não são imparciais

Fazendo um paralelo com o governo de Hugo Chavéz, poder-se-ia dizer que são grandes as semelhanças entre o ocorrido na Venezuela e na granja dos animais. O documentário A revolução não será televisionada mostra um governo que emana do povo, o povo deseja Chavéz, o povo contribui para a retomada do poder (quando ocorre o golpe dos militares com influência norte-americana) e, de fato, o povo começa a se envolver de forma mais intensa na política; a ele é dada a oportunidade de conhecer seus direitos, são fornecidas aulas sobre a Constituição, mas conforme se observa, as garras do déspota começam a se sobrepor. Hugo Chavéz toma para si grande parte dos poderes, tem pleno controle do poder executivo e legislativo, indo assim contra a idéia da democracia, onde os poderes são autônomos entre si.

Porém, não se pode afirmar que o governo de Chavéz é tão tirano como é veiculado, pois, assim como no documentário é mostrado, o golpe que instituiu o governo militar (que durou poucos dias), apenas foi possível devido à manipulação da imprensa e ao apoio norte-americano e, sabendo que determinadas revistas e periódicos não são nada imparciais, há de se duvidar de alguns fatos. Assim como naquele período não se sabia o que de fato acontecia, então não se pode acreditar fielmente no que é veiculado pela imprensa.

Portanto, apesar das evidências levarem a crer que Chavéz está implantando um regime totalitarista, assim como não se soube, na época, de todas as atrocidades contra a Constituição venezuelana por parte dos comandantes militares com apoio norte-americano, não se pode deduzir e não se pode julgar apenas por notícias veiculadas em periódicos, que de imparciais não têm nada.

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Felipe  Cardoso , Viçosa-MG - estudante
Enviado em 9/6/2007 às 12:10:09 PM
O que acontece lá é o que acontece aqui, mas com formas opostas de mesma essência. Democracia tem efeitos colaterias, um deles: O fisiologismo político. O que se vota, vota-se por interesse. Chavez usou caminhos democráticos para chegar onde está. Quem é o bandido nessa estória? A mídia que tentou derrubá-lo ( o que não deixa de ser uma forma de corrompimento político ) ou aquele que derrubou a mídia ( que se sente ameaçado por ela)?
Arthur Alencastro Puls , Porto Alegre-RS - Estudante de Jornalismo
Enviado em 5/6/2007 às 10:20:52 PM
"tem pleno controle do poder executivo e legislativo, indo assim contra a idéia da democracia, onde os poderes são autônomos entre si." Só para lembrar que o legislativo é 100% chavista porque a oposição BOICOTOU as eleições para o parlamento local.
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