ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 439 - 17/11/2009
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RÁDIOS COMUNITÁRIAS
O coronelismo eletrônico de novo tipo (1999-2004)

Por Venício A. de Lima e Cristiano Aguiar Lopes em 26/6/2007

As rádios comunitárias existem entre nós desde a década de 1980, muito antes de serem regularizadas em 1998. Mais recentemente elas têm ocupado com freqüência as páginas e o espaço da grande mídia. Delas se tem notícia por supostas interferências no nosso caótico tráfego aéreo ou quando a Polícia Federal e a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) executam as constantes ordens de apreensão de equipamentos transmissores e a prisão de operadores de rádios não-legalizadas.

As rádios comunitárias legalmente autorizadas, exploradas por associações e fundações, deveriam ser um dos mais importantes instrumentos para a efetiva democratização da comunicação no Brasil. Nelas deveria ser exercido o direito à comunicação por aqueles que, em geral, não o têm – até porque, muitas vezes, o desconhecem. Infelizmente, não é o que acontece.

Primeiro, porque a lei que regularizou as rádios comunitárias é excludente. Ela mais dificulta do que facilita o exercício do direito à comunicação. E, segundo, porque o processo de outorga para funcionamento de uma rádio comunitária é um interminável e tortuoso caminho que poucos conseguem percorrer. Existem milhares de pedidos de outorga aguardando autorização para funcionamento no Ministério das Comunicações.

Prática corriqueira

A hipótese de que as rádios comunitárias se transformaram em instrumento de barganha política, configurando uma prática a que chamamos de "coronelismo eletrônico de novo tipo", foi a orientação básica para o desenvolvimento da presente pesquisa  – uma realização do Instituto Para o Desenvolvimento do Jornalismo (Projor), com apoio da Fundação Ford.

Clique aqui para ter o relatório final da pesquisa "Rádios comunitárias: coronelismo eletrônico de novo tipo (1999-2004)" [arquivo PDF; 1,72 MB]

Durante mais de 18 meses trabalhamos na construção de um banco de dados com informações sobre 2.205 rádios autorizadas a funcionar pelo Ministério das Comunicações (isto representa 80,44% das rádios que já haviam sido autorizadas até janeiro de 2007).

Em seguida, conseguimos realizar uma série de levantamentos com dados aos quais não se tem acesso público, dentre eles: estatísticas referentes ao número de processos autorizados pelo Ministério das Comunicações e aos processos encaminhados pela Presidência da República – Casa Civil/Secretaria de Relações Institucionais (SRI) ao Congresso Nacional; quadro estatístico com o número de outorgas concedidas individualmente pelos ministros que ocuparam o Ministério das Comunicações durante o período estudado; cálculo do tempo médio de tramitação dos processos na Presidência da República – Casa Civil/SRI; cruzamento dos dados referentes aos tempos de tramitação na Presidência da República – Casa Civil/SRI com os dados do banco de dados "Pleitos" (programa de cadastro e apreciação dos pedidos de “acompanhamento de processo” encaminhados por políticos ao Ministério das Comunicações); e cruzamento dos nomes dos representantes legais e membros das diretorias das rádios comunitárias analisadas com as seguintes listagens:

(a) candidatos eleitos e derrotados nas eleições municipais de 2000 e 2004;

(b) candidatos eleitos e derrotados nas eleições estaduais e federais de 1998, 2002 e 2006;

(c) doadores de campanha nas eleições de 2000, 2002, 2004 e 2006;

(d) membros de partidos políticos;

(e) arquivos de publicações editadas nos municípios na qual operam as rádios comunitárias; e

(f) lista de cotistas, sócios, diretores e membros de diretorias de entidades de radiodifusão comercial, educativa e comunitária.

Os principais resultados obtidos confirmam a existência de um quadro alarmante no setor: a maioria das rádios comunitárias funciona no país de forma "irregular" porque não logrou ser devidamente autorizada; e, entre a minoria autorizada, mais da metade opera de forma ilegal.

Entre as 2.205 rádios pesquisadas, foi possível identificar vínculos políticos em 1.106 – ou 50,2% delas. Embora exista uma variação considerável nesses vínculos entre os estados, o mesmo não acontece quando se comparam as regiões. Os cinco estados nos quais encontramos maior índice de vínculo político (Tocantins, Amazonas, Santa Catarina, Espírito Santo e Alagoas) representam o Norte, o Sul, o Sudeste e o Nordeste, quatro das cinco regiões brasileiras. Trata-se, portanto, de uma prática política nacional.

Descaminhos burocráticos

Identificamos, também, um número considerável de rádios comunitárias com vínculos religiosos: 120 delas, ou 5,4% do total. O domínio desses vínculos é da religião católica, com 83 emissoras, ou 69,2%; 33 emissoras, ou 27,5%, eram ligadas a igrejas protestantes; 2 emissoras, ou 1,66%, a ambas as religiões; 1 à doutrina espírita e 1 ao umbandismo.

Ainda que significativo, o resultado obtido certamente subestima a verdadeira prevalência de vínculos religiosos. As únicas fontes possíveis de informação eram noticiários, páginas oficiais das igrejas, informações contidas nos próprios estatutos das entidades ou as denominações "pastor" e "padre" nos nomes utilizados nas urnas pelos candidatos nas eleições pesquisadas.

Finalmente, comprovamos a existência de duplicidade de outorga em 26 emissoras – ou 1,2% das associações ou fundações comunitárias. Duplicidade significa a existência de ao menos um integrante da diretoria da rádio comunitária pertencente à diretoria de uma outra concessionária de radiodifusão educativa, comercial ou comunitária – algo proibido por lei. Em termos proporcionais, destacaram-se os estados de Mato Grosso, com 4,6% de duplicidades; Minas Gerais, com 2,1%; Rio de Janeiro, com 1,9%; Goiás, Mato Grosso do Sul e Pernambuco, com 1,8%.

O conjunto de resultados confirma a hipótese central da existência de um "coronelismo eletrônico de novo tipo" envolvendo as outorgas de rádios comunitárias.

Já no início do processo de obtenção da outorga no Ministério das Comunicações fica claro que a existência de um "padrinho político" é determinante não só para a aprovação do pedido como para a velocidade de sua tramitação.

Na etapa seguinte – o Palácio do Planalto – alguns processos foram acelerados enquanto outros foram retidos sem qualquer razão de ordem técnica que justificasse tal procedimento. Na prática, o resultado é a outorga de rádios comunitárias para algumas entidades e a não-concessão para outras.

Conseqüências perversas

Finalmente, os dados revelam que existe uma intensa utilização política das outorgas em dois níveis: no municipal, em que elas têm um valor no "varejo" da política, com uma importância bastante localizada; e no estadual-federal, no qual se atua no "atacado", por meio da construção de um ambiente formado por diversas rádios comunitárias controladas por forças políticas locais que devem o "favor" de sua legalização a um padrinho político.

Dos 1.106 casos detectados em que havia vínculo político, exatos 1.095 (99%) eram relativos a um ou mais políticos que atuam em nível municipal. Além disso, todos os outros 11 casos restantes são referentes a vínculos com algum político que atua em nível estadual ou candidatos derrotados a cargos de nível federal. Não houve nenhum caso detectado de vínculo direto entre emissoras comunitárias e ocupantes de cargos eletivos em nível federal.

Confirmou-se, portanto, que o histórico vínculo entre concessões de radiodifusão e políticos profissionais [ver "Representação do Projor à Procuradoria Geral da República"] continua existindo na radiodifusão comunitária. Mas, agora, de forma inédita: é a municipalização do vínculo entre emissoras de radiodifusão e políticos profissionais por intermédio do "coronelismo eletrônico de novo tipo".

Quando se discute a digitalização do rádio e que se torna mais clara a necessidade de modificações no atual marco regulatório da comunicação eletrônica de massa, os resultados desta pesquisa, além de confirmar a prática política de um "coronelismo eletrônico de novo tipo", fazem emergir um panorama sombrio com conseqüências perversas para a consolidação da democracia brasileira. Conhecer este cenário é condição indispensável para transformá-lo.

***

Clique para baixar a pesquisa: Coronelismo eletrônico de novo tipo (1999-2004) – As autorizações de emissoras como moeda de barganha política [arquivo PDF; 1,72 MB]

Comentários (21)
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Jose Duarte Duarte , pelotas-RS - comerciante
Enviado em 23/3/2008 às 3:00:26 AM
Realmente fiquei apavorado com essa matéria,em primeiro lugar quero dar os parabéns pelo conteúdo.estou sofrendo essa injustiça,e o que me aconselhariam a fazer,pois minha rádio ao qual sou presidente da associação,foi descartada e em troca outorgaram a rádio de um politico,sera que tem como reverter essa situação via justiça.fico no aguardo,abraço e mais uma vez parabéns.
FAUSTO FRANÇA , Natal-RN - Promotor de Justiça
Enviado em 3/12/2007 às 4:43:06 PM
No RN, o MP tem feito a sua parte - v. notícia abaixo. Saudações a todos. FAUSTO FRANÇA Promotor de Justiça Justiça atende pedido do MP e obriga rádio comunitária de Campo Grande/RN ceder espaço à sociedade O Juiz de Direito da Comarca de Campo Grande, Witemburgo Gonçalves de Araújo, deferiu medida liminar em Ação Civil Pública ajuizada pelo Ministério Público obrigando a rádio comunitária local a abrir espaço a órgãos representativos da sociedade. O Promotor de Justiça de Campo Grande, Fausto França, ajuizou a ação civil atendendo reclamações de diversos segmentos da sociedade que não tinham acesso à rádio, apesar de seu caráter comunitário. Com a decisão do Juiz Witemburgo Gonçalves a rádio comunitária de Campo Grande está obrigada a assegurar o espaço de 15 minutos semanais a entidades como a Câmara de Vereadores, Igreja, Conselho Tutelar, além de sindicatos e escolas estaduais. Segundo o Promotor de Justiça Fausto França ficou comprovado por testemunhos e outros elementos constantes do inquérito civil que a rádio só abria espaços a simpatizantes do prefeito da cidade, José Edilberto de Almeida (PMDB), sendo a rádio comunitária mantida por uma associação cuja presidente é a esposa do Prefeito. A decisão judicial considerou que a Lei das Rádios Comunitárias prevê o direito das diversas camadas da comunidade em participar e ter espaço na programação.
julio siqueira freitas , Itapipoca-CE - comerciante
Enviado em 16/11/2007 às 12:25:01 PM
A pesquisa tem que ser refeita. E ja adianto: os resultados serao ainda mais alarmantes. Nao vi citação, por ex. da cidade onde moro itapipoca CE, onde duas novas radios tiveram concessao. Uma comercial, onde o proprietario, politico, ganhou de uma vez só varias concessoes de radios comerciais, em cidades da redondeza. Na epoca o cearense Eunicio Oliveira era o ministro das com. A 2ª radio(comunitaria) ficou nas maos de um safado que utiliza a radio para atacar os prefeitos que vão passando para ganhar dinheiro sem trabalhar, recebe da prefeitura, da camara dos vereadores, da assembleia legislativa, pois ainda é ligado a um cacique politico na capital do estado. E ninguem tem direito de falar na radio dele não, somente ele, e mais, o sinal tem raio dezenas de vezes maior que o permitido, comerciais e locutores fixos. Imaginem só. Pergunta: Denuncia-se a quem ?
sebastian gerlic sebas , maceio-AL - promotor cultural
Enviado em 27/9/2007 às 4:15:23 PM
OS autores estao de parabens.... Entao neste caos todo.... Que dicas voces darião paraque ainda assim quer montar uma radio comunitaria ou ate multicomunitaria........ Esquecer da lei é esperar ser mais uma Heliopolis morta? Eternizarse na burrocracia..... ou ha fendas? quem sao os guerrilheiors digitais destas ondas que querem partilhar os truques?
Filipe Rodrigues , vitoria-ES - digitador
Enviado em 2/7/2007 às 11:12:02 PM
qdo vc diz q as radios agem de forma ilegal, é por causa dos vínculos com instituições e polítcos?
luiz gonzaga  barbugiani , são paulo-SP - sanitarista
Enviado em 28/6/2007 às 3:48:14 PM
Senhores. É notadamente, mais um caso de "Corporativismo", onde *t u d o* gira em torno de interesses comuns, d aquele grupo (elho ). #O que sai do bolso da calça, entra no da camisa, dividido com os do paletó, como a cueca não tem bolso, acomoda-se o "fruto" em pacotes#. *Quem dá mais??* O jogo de interêsses não para aí.. No gancho do comentário de Marco. C. Costa, e dando enfoque ; Religiôes .........faturar altas somas ... em $$, com benesses de Isenções e quiçá de subsídios (com o dinheiro dos nossos impostos), além de ser uma ¨contabilidade Frágil e Vulnerável¨, porém eficaz para acobertar valores de origem dúbia. Em Tempo: Estou cansado das interferências na Rádio ?Cultura / FM - SP, principalmente à tarde. Sds. Luiz Gonzaga.
Ricardo Guimarães , Mariana-MG - Jornalista e webmaster
Enviado em 28/6/2007 às 2:08:05 PM
Fiscalizar rádio comunitária dita "clandestina" ou "pirata" (sic) é a maior perda de tempo e desperdício de dinheiro público. Simplesmente porque elas estão fadadas à morte em pouco tempo. Sem apoio, sem patrocínio, sem patrimônio, com baixa potência, mão de obra desqualificada e massacrada pelas comerciais, não há necessidade de repressão. Quem precisa de ser fiscalizada são as rádios comerciais que se utilizam de bloqueadores e links que causam interferência em sinal de TV aberta e impedem aos cidadãos o acesso a outras emissoras; e também as comunitárias outorgadas que se utilizam de aparelhos de média e alta potência, praticam proselitismo religioso, negam espaço aos cidadãos e operam aonde bem entendem. Há muito mais desinformação que elucidação na questão da radiodifusão comunitária. E também muito preconceito, generalização e reducionismo. A "pocotização" está vencendo. Comunicólogos e profissionais liberais a favor do jugo é o fim do mundo.
Janio Oliveira , Fortaleza-CE - servidor público
Enviado em 28/6/2007 às 9:47:59 AM
Um dia pensei que as rádios comunitárias pudessem levar às comunidades músicas sem jabaculê, pelo simples prazer de divulgar os excelentes trabalhos artísticos daqueles que só têm a arte e não têm a grana para entrar nas rádios!! Na real, as "comunitárias" repetem o "playlist" das rádios comuns e o povo tem limitado o acesso à diversidade musical deste mundão chamado Brasil. É uma tristeza ouvir os sermões religiosos à cata de dízimo, que imperam nas rádios pseudo-comunitárias. E tudo isto com a conivência do Governo Federal.
Tom Oliveira Lima , Santa Inês-MA - Jornalista
Enviado em 27/6/2007 às 11:34:46 PM
Como se diz no futebol: EU JÁ SABIA ! Todos sabem o que esta pesquisa veio confirmar, as concessões para as radios comunitárias seguem os mesmos critérios das concessões comerciais. Funcionam como moeda de troca, barganha politica ou sabe-se lá o que. Criam-se associações de araque ou vincula-se a sindicatos e associações politiqueiras. Aqui no Maranhão, estão nas mãos de politicos, empresários e religiosos. Existe também a corrupção [ ] que recebem no interior do Estado um mensalinho oriundo de cotas das emissoras. Radios verdadeiramente comunitárias não existem no Estado. Diante dessa situação é necessário se repensar o que vem ser uma emissora comunitária e sua regulamentação. Como está não pode ficar, ou regula ou escancara de vez. Por enquanto a vantagem é do poder economico e politico. Entidades como a Abraço é totalmente politiqueira e deve ser abominada.
Marco Costa Costa , São Caetano do Sul-SP - T.P.A.
Enviado em 27/6/2007 às 7:50:48 PM
Os políticos e os religiosos também são empresários, os quais usam o povo como massa de manobra para alcançarem seus objetivos. As religiões são instituições capitalistas que usam a fé alheia para faturar altas somas em dinheiro. Esta prática visa comprar os meios de comunicação para difundirem suas crenças junto a população que ainda acredita que o Céu é o paraíso futuro. Quanto aos políticos suas ambições vai além do Congresso Nacional, a compra de veículos de comunicação visa aumentar seus cacifes econômicos, bem como fazer propaganda de seus feitos no Parlamento. Tanto um como o outro são instituições que tem no lucro seus motes principais. Com a falsocracia em pleno funcionamento, ás religiões foram as que mais se beneficiaram com o novo sistema, pois estão a vontade para fazer o que bem entendem, não vemos uma sequer dessas religiões com o pires na mão, todas são ricas, cujos funcionários graduados moram em casas confortáveis, viajam em veículos de primeira linha e com certeza se alimentam muito bem, enquanto o povo, ora o povo, que vá rezar?
DAIANE ROCHA , salvador-BA - publicitária
Enviado em 27/6/2007 às 2:46:14 PM
O coronelismo eletrônico no país não terá fim.Os parlamentares sabem muito bem que as rádios comunitarias são os seus melhores cabos eleitorais.O meio mais fácil e rapido de se fazer lembrar não apenas de quatro em quetro anos e 24horas,365dias anuais.
Marco Antonio Paes , São Paulo-SP - engenheiro
Enviado em 27/6/2007 às 12:15:54 AM
Antes de mais nada é preciso entender e diferenciar o que é rádio comunitária, rádio religiosa e rádio pirata. As famosas "interferências" nas freqüências dos centros de controle de voo são causadas por utilização de freqüência reservada a outro meio de comunicação, vazamento de ondas por transmissores de baixa qualidade, etc., utilizado pelos praticantes do rádio piratismo puro e simples, com o objetivo de obter lucro na atividade. As rádios religiosas, em geral se valem da "desculpa" da divulgação da palvara de Deus para a sua promoção direta, cerceando o verdadeiro direito de expressão da comunidade, muitas vezes em troca de pregações fanáticas. Pela potência que utilizam, 500W ou mais, além da baixa qualidade dos equipamentos, da invasão e uso indiscriminado de freqüência, provocam interferências em outros meios e canais de onda. A verdadeira rádio comunitária, reprimida e comprimida por uma lei esdrúxula, rigorosamente fiscalizada e controlada pelo MC e pela ANATEL, vilipendiada pelas ABERT s da vida, quase não têm espaço para respirar. Com seus minguados 25W, autorizados por lei e canal único, quase não conseguem ser ouvidas além de seu próprio quintal, fato lamentável, pois não permite que milhões de cidadãos discutam e opinem sobre problemas de seu interesse. Quanto ao coronelismo, estamos no Brasil e, de seus administradores, tudo se pode esperar...
Leandro Renato , Paulínia-SP - Jornalista
Enviado em 26/6/2007 às 11:25:51 PM
O processo para conseguir hoje uma concessão para a execução do serviço de FM comunitária no país é bastante burocrático e dificultoso, um dos fatos responsáveis pelo crescimento de rádios calndestinas. Outro problema que vejo é a falta de um aprofundamento técnico maior dos engenheiros da Anatel na hora de liberar uma concessão. Um exemplo disso é o município de Paulínia, na região de Campinas. A cidade, que tem apenas 60 mil habitantes conta com duas emissoras comunitárias operando na mesma freqüência. Para uma cidade com esse porte, não haveria a necessidade de "economizar" canais. De uns tempos para cá, as rádios piratas ganharam um espaço na mídia, onde várias operações são realizadas diariamente pela Polícia Federal e Anatel para apreenderem essas emissoras, que segundo a Anatel, interferem nas comunicações entre aeronaves e os aeroportos. A Agência Nacional de Telecomunicações generaliza a situação dessas emissoras clandestinas, como se todas elas causassem interferências em serviços de comunicação. A imprenssão que é passada para os leigos no assunto é de que toda rádio pirata interfere. Os trabalhos conjunto da Anatel e Polícia Federal são eficazes e estão contribuindo bastante para "limpar o ar poluído", mas acabar com as piratas não será possível. Já é tarde demais. Para quem gosta de rádio em geral, acessem o Site Só Rádio! (www.soradio.blogspot.com)
Marcos  Michelini , São Paulo-SP - estudante
Enviado em 26/6/2007 às 7:30:30 PM
Não precisa se tão dramático pra dizer o quanto elas atrapalham: comunicações da polícia, ambulâncias, corpo de bombeiros e aeronaves. É claro que não são a causa do caos aéreo e da falha de vários serviços, mas são certamente a causa do caos nas interferências das rádios que temos preferência em ouvir, e somos forçados a ouvir muito lixo ou não ouvir o que pretendemos.
Alexandre Alves , União do Sul-Mt - Radialista
Enviado em 26/6/2007 às 7:24:36 PM

Amigos Venicio e Cristiano. Porque não fazem um estudo pra saber nas mãos de quem está a maioria das emissoras de TV e Rádio Comercial ? ah, não precisa. nós já sabemos. Na mão dos Senadores e Deputados Federais. Essa materia mais me parece uma publicidade NEGATIVA contra as Radcom que, a muito custo vem conseguindo se manter e ganhar a audiencia das radios comerciais, que na sua maioria tentam fixar na memoria dos ouvintes, o nome de politicos. È comum ouvir no prefixo dessas emissoras comerciais: ORGANIZAÇÃO, FULANO DE TAL ( politico, é claro ). Já que a pesquisa foi tão a fundo, poderia dar nome aos bois, ou seja, denunciar que o deputado estadual Zé das cove do partido tal, detem o controle de 5 ou 10 radcom. Por favor, denuncie, ou vai mesmo ficar parecendo PUBLICIDADE NEGATIVA contra radcom, encomendado por algum grupo ou associação de radio e tv.

Nota do OI: Prezado leitor, o relatório final da pesquisa, cujo link está disponível no artigo, fecha com uma tabela na qual todos os bois são nomeados.

Paulo Reis de Oliveira , Salinas-MG - Advogado
Enviado em 26/6/2007 às 7:05:38 PM
Eu até acho que o sistema de rádiodifusão comunitário atende um objetivo de democratização da comunicação. O que falta é a consolidação do sistema evitando que seja dominada por apenas um interessado que manipula algumas associações e falsamente informam um conselho que não é verdadeiro. atualmente está permitindo uma utilização indevida do instrumento quando impõe condições que a população de baixa renda mas de cultura elevada não possa tomar parte do projeto. É preciso liberar rádios comunitárias para todos os distritos e povoados da nossa nação de forma mais facil, para evitar o domínio das pessoas mais economicamente elevadas.Em Salinas a única rádio comunitária existente tem prestado muito bons serviços. Mas para que a comunidade possa participar efetivamente dos objetivos e programas de radiodifusão é preciso que a emissora esteja mais perto dela. Isto no caso dos nossos distritos e povoados.Vamos pois facilitar a concessão para o Distrito de Matrona e povoados de Ferreirópolis, Montesclarinhos, Laje Velha, etc.
venicios  costa dos santos , sao geraldo-MG - tecnico quimico
Enviado em 26/6/2007 às 6:53:03 PM
o objetivo dos que iniciaram a luta pela existencia e espaço para radios comunitarias/piratas era do direito e universalizaçao da comunicaçao.as grandes emissoras de tv,radio e jornais estao nas maos ou a serviço de projetos politicos e financeiros.o problema é que: quem regularizou as radcom em 1998 foram os mesmos politicos que trabalham em causa propria ou equivocadamente. aponto um erro na atual legislaçao que é a proibiçao de mais de uma emissora num determinado raio delimitado.ora, se a livre concorrencia é apontada como fator de crescimento,e,numa cidade podem haver varios grupos politicos com seus respectivos partidos que podem ser mais de 20 no brasil e diversas organizaçoes locais.porque mais de uma associaçao ou grupo de pessoas nao podem explorar este recurso de comunicaçao?bastaria que disponibilizassem mais frequencias para as radcom e nao apenas uma, ficando todo o dial reservado para as comerciais, dos poderosos,isto sim é absurdo.ou, elimine-se a exclusividade,a emissora seria publica,compartilhada por quantas associaçoes interessadas houvesse,dividindo-se o horario entre elas. deixem que cada corrente de pensamento tenha acesso assegurado à livre manifestaçao de suas opinioes,e nao apenas os mais espertos,organizados ou apadrinhados.o povo fará a seleçao naturalmente.
Marlos Pessoa , Recife-PE - Prof. Universitário
Enviado em 26/6/2007 às 6:03:42 PM
Conheço um sujeito em Pernambuco que diz"dominar" , "estar com" três rádios comunitárias.
Marco Ferreira , Olinda-PE - Aposentado
Enviado em 26/6/2007 às 5:37:35 PM
Não conhecia esses dados, mas nunca tive dúvidas de que o processo de concessão estava submetido a algo parecido. O trabalho apresentado devia despertar a sociedade para mais esse absurdo, mas acho pouco provável que isso aconteça, pois, como mencionou Fabio de Oliveira, sempre tem alguém querendo um "favorzinho" qualquer para si. Só não concordo que a culpa seja das "Capitanias Hereditárias"... acho que já tinhamos tempo para ter nos educado, se não tivessemos, também, algum "favorzinho"a pedir. Enquanto isso, os que sentem constrangimento em se curvar a esse ou a outros "coronelismo" ficam indignados, mas fora do sistema. Eu que o diga. E ouve a citação: "Os cães ladram enquanto a caravana passa".
Fábio de Oliveira Ribeiro , Osasco-SP - advogado
Enviado em 26/6/2007 às 3:58:31 PM
Não importa quanto tempo passe, quais sejam as inovações tecnológicas, o Brasil sempre está a demonstrar sua canhestra vocação colonial. O país nasceu através das CAPITANIAS HEREDITÁRIAS e ainda tem gente que as mantém de uma ou outra maneira. Morreremos sem as ver desmanteladas? Esta é a grande questão metafísica que os filósofos brasileiros nem fazem, nem respondem porque também estão interessados na concessão de um cargo aqui, uma vantagem acolá... Vi hoje mesmo que uma pesquisa indica que 91% por cento dos brasileiros sentem orgulho de sua condição. Esta deve ser a razão da permanência das capitanias hereditárias em nossa memória (e história).
Ivan Moraes , Newark, NJ-MG - sem profissao
Enviado em 26/6/2007 às 1:12:00 PM
"Primeiro, porque a lei que regularizou as rádios comunitárias é excludente. Ela mais dificulta do que facilita o exercício do direito à comunicação": e eh exatamente isso que ela esta suposta a fazer mesmo, o nome eh sabotagem interna. Alguem viu essas duas maravilhas de items no Estadao hoje? >>http://estadao.com.br/ultimas/economia/noticias/2007/jun/25/342.htm<< e tambem >>http://estadao.com.br/ultimas/economia/noticias/2007/jun/26/73.htm<<
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