ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 443 - 24/11/2009
  Tv em Questão
Início > Índice Geral > Tv em Questão + A | - A
[imprimir] [enviar por email ] [link permanente]
 

CLASSIFICAÇÃO INDICATIVA
Censura tem sempre um outro nome

Por Fábio Pereira em 24/7/2007

No final dos anos 1930, resolveram que o nome dela seria Estado Novo. Alcunha bonita, vistosa até. Pena que tenha sido um período repressivo, tão velho e atrasado, politicamente falando. A polícia política fartou-se e encheu as celas de ideólogos oposicionistas, aqueles que pensavam diferente do governo. O jornal O Estado de S. Paulo sofreu uma intervenção vergonhosa para a história do Brasil. Saíram os Mesquitas do comando. Entrou o Estado. O Novo. O ditatorial.

Na década de 1960, inventaram que ela fosse nomeada "Revolução". Mais uma vez, a nomenclatura assomou mirabolante e com certo ar garrido, ostentoso. É revoltante saber que, à época, morreu gente. Muitos, sumidos até hoje, nem puderam ser velados. E, pasmem, há arquivos daquele tempo sendo mantidos em sigilo. Só para não falar nos que foram destruídos propositadamente. O que querem esconder? A receita de como se faz uma boa (e indigesta) Revolução?

Agora, criou-se uma tal classificação indicativa. Funciona assim: o conteúdo dos programas de TV vai ser analisado antes de ir ao ar. Assim, o censor poderá decidir previamente em que classificação etária a atração se encaixa. Ao arbitrar acerca disso, o censor classificará o programa para este ser exibido apenas em horário correspondente. Como a programação das TVs, pelo menos as comerciais, não tem flexibilidade elástica, os conteúdos de muitos programas terão de ser modificados para continuar a ser veiculados nos horários atuais.

Decisão cabe ao cidadão

A proposta da classificação indicativa, verdade seja levada em conta, não é, a princípio, tresloucada. É acertada, digna. Os programas comerciais estão cada vez mais apelativos, esvaziados de bons costumes, tudo para que alavanquem até às alturas os índices de ibope. Com a vitória na guerra da audiência, o programa tem verba publicitária mais rechonchuda, o que vai gerar maior busca por lucro, significando maior conteúdo apelativo, com mais verba publicitária e, claro, mais busca por dinheiro... E assim, viciosamente, segue o círculo comercial da televisão. Há que se ter censores, sim, e a tal classificação indicativa. Só que ela tem de ser indicativa apenas, não restritiva, não capaz de censurar. E o censor mais indicado é o dono do controle remoto: o telespectador.

O telespectador busca a baixaria porque é educado a ingerir um conteúdo televisivo de baixa qualidade. Isso é cultural. Já nos idos da Revolução, TV era entretenimento. E é até hoje. O perigo de uma classificação indicativa que desaprove e modifique a grade de programação ou conteúdo de programa é deixar para o governo uma decisão que deve caber a cada cidadão, que é a de escolher o que assistir. A própria sociedade, reunida em ONGs, institutos de análise de mídia, em segmentos organizados, deve criticar e até produzir conteúdos de qualidade.

Uma prática asquerosa

Com o governo determinando o conteúdo, é lógico que a decisão pode desbancar para a farra política. Mudarão governos, mudarão as classificações indicativas. E não venham falar que podem ser criados manuais contendo claramente as leis da indicação. Os governos, todos sabem, adoram mudar as leis.

O governo atual, se quiser ajudar mesmo a TV brasileira a ter uma ótima qualidade de conteúdo, deve investir para que a sua TV pública nasça comprometida com a educação, e não com a propaganda governamental. Além disso, deve provar que é possível fazer sucesso com programas de qualidade inquestionável. Caso continuem querendo indicar e restringir, o fato real é que só criaram outro nome disfarçado e gracioso para a prática asquerosa de censurar.

Leia também
Agora uma responsabilidade de todos – Luiz Martins da Silva

As críticas e os fatos – Gustavo Gindre

Comentários (1)
Comentar
Compartilhe
[imprimir] [enviar por email ] [link permanente]
Este é um espaço de diálogo e troca de conhecimentos que estimula a diversidade de idéias e pontos de vista. Não serão publicados comentários com xingamentos e ofensas ou que incitem intolerância ou crime. Os comentários devem ser pertinentes ao tema da matéria e aos debates que naturalmente surgirem. Evite vulgaridades e simplificações grosseiras. Não escreva em maiúsculas: isso dificulta a leitura do texto e, na linguagem da internet, é interpretado como gritos. Mensagens que não atendam a estas normas serão deletadas, e os comentaristas que habitualmente as transgredirem poderão ter interrompido seu acesso a este fórum.
         
Nome :   Sobrenome :
E-mail:   Profissão:
Cidade:   Estado:
Comentário:


para o limite de 1400.
 
The CAPTCHA image
Clique aqui para ouvir o
texto soletrado(mp3)
Digite no campo abaixo o texto
que você vê na imagem ao lado.

 
Tiago de Jesus , SP-SP - analista de sistemas
Enviado em 30/7/2007 às 2:27:08 PM
A censura federal, nos tempos do tegime militar, tinha exatamente este nome: Censura Federal. Vale o argumento, a opinião, mas o aforismo não se sustenta.
Compartilhe este texto
Blig Blig BlinkList BlinkList BlogBlogs BlogBlogs BlogLines BlogLines Delicious del.icio.us
Digg Digg Furl Furl Google Bookmarks Google Bookmarks Linkk Linkk Magnolia ma.gnolia
netscape Netscape netvibes Netvibes newsvine Newsvine reddit reddit Stumble Upon Stumble Upon
Technorati Technorati Twitter Twitter Windows Vista Windows Vista Yahoo! MyWeb Yahoo! MyWeb Facebook
Fábio Pereira

Outros artigos desta Seção
MUNDO DE VALENTINA
Um quadro que
merece elogios

Danilo Pretti Di Giorgi
24/7/2007
CLASSIFICAÇÃO INDICATIVA
Censura tem sempre
um outro nome

Fábio Pereira
24/7/2007

Últimos 5 artigos de
Fábio Pereira
MÍDIA & ELEIÇÕES
Para juntar o joio ao trigo
28/10/2008
TVs COMUNITÁRIAS
Em busca de novas formas de financiamento
25/3/2008
Mais artigos de
Fábio Pereira >>