ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 452 - 17/11/2009
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FERRAMENTAS DA HORA
Jornalismo em microblogs

Por Gabriela da Silva Zago em 25/9/2007

O Twitter é um microblog. Um microblog é uma ferramenta que permite atualizações rápidas e curtas e, se possível, a partir de uma multiplicidade de suportes diferentes. É possível atualizar o Twitter, por exemplo, pela web, por instant messaging (IM), ou até pelo celular – por short message service (SMS) ou internet móvel. Há outras ferramentas de microblog na web, como o Pownce e o Jaiku, mas o interessante do Twitter é a limitação de espaço. As micropostagens não podem ultrapassar 140 caracteres (é o mesmo tamanho máximo para o envio de uma mensagem de celular por SMS).

O Twitter existe desde o ano passado. Criado em março de 2006 e tornado público em agosto do mesmo ano pela Obvious, o Twitter teve um crescimento rápido ao redor do mundo. No Brasil, o site começou a se tornar popular no começo de 2007. E, desde então, muitos usos criativos têm sido observados por parte dos brasileiros no Twitter.

A idéia original do Twitter é a de se postar o que se está fazendo no momento. O tamanho reduzido da postagem, aliado à multiplicidade de modos de se poder atualizar, poderia levar a uma prática que beirasse ao voyeurismo. Poderia. Entretanto, a parte mais interessante do Twitter é o fato de que seus usuários têm se apropriado da ferramenta para fazer usos interessantes do sistema. Um desses exemplos é o uso do Twitter como ferramenta jornalística.

Até um mapa mundi

Há vários outros usos possíveis para o Twitter, como para fazer a cobertura ao vivo de um evento, para notícias, para falar sobre si mesmo (a proposta inicial), para comunicação entre integrantes de um grupo de trabalho, para escrever uma história de ficção experimental em trechos de 140 caracteres, para fazer perguntas (embora os demais usuários do Twitter tenham a tendência a crer que toda e qualquer pergunta é meramente retórica), como um miniblog genérico (dá até para postar links), enfim, há uma infinidade de possibilidades. E todas elas requerem uma readaptação por parte do usuário ainda não acostumado a reduzir frases e idéias complexas a apenas 140 caracteres.

Um uso interessante possível para o Twitter é estabelecer diálogos coletivos de modo assíncrono. Para isso, basta colocar uma @ antes do nome do usuário para quem se quer dirigir uma determinada atualização e essa pessoa será notificada da nova mensagem. Assim, embora na prática não haja a possibilidade de se adicionar comentários a uma determinada postagem – como nos blogs –, o Twitter consegue manter a possibilidade de conversação entre indivíduos a partir do envio de mensagens direcionadas.

O Twitter tem a plataforma aberta, o que significa que qualquer um pode utilizar o código do sistema para buscar usos criativos. Há uma infinidade de sites e programas derivados do Twitter. Um exemplo é o TwitterDigest, que permite criar feeds de periodicidade diária a partir das atualizações de um número limitado de usuários (é possível, por exemplo, reunir as atualizações de mais de um jornal no Twitter em um mesmo feed). Há também o Twittervision, que se propõe a situar as últimas atualizações ao redor do mundo em um mapa mundi.

Um breve "alerta"

Desde o final de agosto, está no ar o ReporTwitters, um site dedicado a jornalistas que queiram utilizar o Twitter como ferramenta de trabalho. A idéia é mostrar os bastidores da produção da notícia através do Twitter, ou então usar o próprio Twitter como meio para encontrar e entrevistar fontes espalhadas pelo mundo.

Empresas jornalísticas que já utilizam o Twitter para transmitir notícias incluem o New York Times, a CNN, nos Estados Unidos, e o BBCBrasil e iG, no Brasil.

O serviço de bombeiros de Los Angeles utiliza o Twitter para manter as pessoas informadas sobre incêndios. Trata-se de um uso interessante, considerando-se a possibilidade de integração do Twitter com celulares.

Na Argentina, desde o dia 20 de setembro está no ar o jornal 20palabras.com. Inspirado no sistema de publicação do Twitter, a proposta é publicar notícias que tenham no máximo 20 palavras. Para isso, o jornal conta com uma redação descentralizada – e a proposta de enviar notícias a partir do local de acontecimento do fato, por dispositivos móveis (como PDAs e smartphones) ou pela própria web.

Já o jornal 20minutos, da Espanha, resolveu inovar e criar seu próprio serviço de micropostagens –, limitado a 150 caracteres e com grandes semelhanças com o Twitter.

Os microblogs aparecem ainda no topo do news diamond, como primeiro passo da produção jornalística para a internet na proposta de redação jornalística para o século 21 feita por Paul Bradshaw, do Online Journalism Blog. A idéia é a de que microblogs possibilitam que se transmita um breve "alerta" sobre o acontecimento de algum fato que, posteriormente, poderá ser desenvolvido na forma de postagem de blog, ou notícia.

Um potencial inegável

É fundamental aprender bem as regras de funcionamento do Twitter para poder explorar a ferramenta ao máximo. O destaque fica por conta da simplicidade. Os comandos são simples, e podem ser usados a partir do celular, de um programa de mensagens instantâneas (como o Google Talk) ou pela web. Para acessar na web do celular, basta apontar o navegador para m.twitter.com. SMS e IM podem ser configurados a partir do site do Twitter. Por enquanto, ainda não há um número de SMS no Brasil para fazer as atualizações, o que acaba encarecendo um pouco o uso do Twitter por essa via.

Talvez o Twitter não seja o microblog mais eficiente que existe. Há outros microblogs por aí e em todos eles é possível observar alguma utilização para fins jornalísticos. De qualquer modo, o potencial jornalístico dos microblogs é inegável, em especial para a cobertura de fatos e eventos que estejam acontecendo no momento, visto que as atualizações podem ser transmitidas em tempo real e de forma econômica e descentralizada.

Comentários (2)
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Alessandro Pichiteli , Divinópolis-MG - TI
Enviado em 5/8/2009 às 8:28:33 AM
Existe também um microblog 100% nacional, vamos ajudar no seu crescimento. www.reporterlivre.com
Lívia Cunha , Vitória-ES - Estudante de Jornalismo
Enviado em 31/1/2008 às 12:25:29 AM
Muito interessante o texto, mas achei muito adjetivado também. (In)felizmente tenho clara influência da corrente mais "clássica" do jornalismo, se é que podemos chamá-la assim.
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