ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 452 - 24/11/2009
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IMPRENSA E O DEVER DA LIBERDADE
A missão de servir ao cidadão e vigiar o poder

Por Eugênio Bucci em 25/9/2007

Este é o primeiro de uma série de quatro artigos sob o título geral "A imprensa e o dever da liberdade – A responsabilidade social do jornalismo em nossos dias". O presente texto resulta da edição de uma entrevista concedida a Veet Vivarta, em dezembro de 2006, transcrita por Ana Néca, assistente da Coordenação de Relações Acadêmicas da Agência de Notícias dos Direitos da Infância (ANDI), e transformada em artigo graças à colaboração do jornalista André Deak. Contribuíram com sugestões Rodrigo Savazoni e Aloísio Milani. Veet Vivarta, em interlocução permanente com o autor, em muito contribuiu para o resultado final. Este artigo comporá o livro Políticas Públicas e Desenvolvimento Humano: Desafios da Pauta Jornalística, do Programa InFormação, desenvolvido pela ANDI com apoio da Fundação W.K. Kellogg, a ser lançado em 2007

A democracia guarda, nos seus fundamentos, o princípio de que o poder emana do povo e em seu nome é exercido. Disso resulta que, sem o livre fluxo de informações e opiniões, o regime democrático não funciona, a roda não gira. A delegação do poder e o exercício do poder delegado dependem do compartilhamento dos temas de interesse público entre os cidadãos. Quanto mais inclusiva, mais a democracia se empenha em expandir o universo dos que têm acesso à informação e garante transparência na gestão da coisa pública. Quanto mais vigorosa, mais ela faz circular as idéias.

O resto é conseqüência lógica. Para melhor cumprir seu papel de levar informações ao cidadão, a imprensa precisa fiscalizar o poder – e o verbo fiscalizar carrega, aqui, o sentido de vigiar, de limitar o poder. Sem ela, não há como se pensar em limites para o exercício do poder na democracia. Portanto, não é saudável nem útil a imprensa que se contente com o papel de apoiar os que governam. Não é saudável, não é útil, nem mesmo imprensa ela é.

Esses breves postulados, que deveriam ser óbvios e batidos para todos, soam como dissonância na tradição política brasileira e também na tradição sul-americana. Machucadas pelos períodos de arbítrio e dopadas pelos rompantes populistas, as duas tradições, que podem ser vistas como sendo uma só, ainda não assimilaram a noção de que o jornalismo só tem sentido quando posto a serviço do direito à informação – de tal modo que qualquer outro interesse que ele abrace o corrompe. Entre nós, têm prevalecido visões que o reduzem a uma ferramenta de proselitismo para dominar o público, visões que jamais aceitaram as páginas dos jornais, por maiores que sejam as distorções que ali ocorram, como arenas de emancipação. É assim que, na cultura política média do nosso sub-continente, o que tinha de ser o óbvio é o oculto. Ou o ocultado. Eis aqui um bom ponto de partida para um diálogo sobre a responsabilidade social do jornalismo em nossos dias.

O direito à informação e à comunicação vem sendo proclamado como fundamental desde as primeiras declarações de direitos no século 18. [Está escrito no artigo 11 da "Declaração de Direitos do Homem e do Cidadão", lançada em 26 de agosto de 1789, na França: "A livre comunicação das idéias e das opiniões é um dos mais preciosos direitos do homem." Depois, A "Declaração Universal dos Direitos Humanos", adotada e proclamada pela resolução 217 A (III) da Assembléia Geral das Nações Unidas, de 10 de dezembro de 1948, trata do mesmo direito, em seu artigo 19: "Toda pessoa tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferência, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e idéias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras".] Em vão, ao menos para as nossas tradições. Por aqui, ainda nos encontramos longe de tratar o direito à informação no nível dos demais direitos, como a educação ou a saúde, o que é trágico: onde esse direito não se faz respeitar integralmente, a liberdade necessária para bem informar a sociedade não pode ser exercida plenamente.

Para que se tenha mais clareza sobre o alcance e as implicações do tema, convém recapitular o sentido da construção histórica da liberdade, uma conquista que não é burguesa nem proletária, que não é liberal nem coletivista, que não é de direita nem de esquerda: é um valor de vocação universal. Ou não é nada.

1. Para começar, distância do governo – não só do governo, sem dúvida, mas do governo em primeiro lugar

Na medida em que ganhou forma tal como o conhecemos, entre fins do século 18 e meados do século 19, o jornalismo demarcou para si um campo situado fora do Estado, tornando-se independente do governo. A partir daí, exerce sua tarefa primordial: vigiar o poder por meio da investigação e disseminação das notícias e das idéias de interesse público, promovendo o diálogo entre os integrantes do espaço público. A propósito, o espaço público não pode ser entendido a não ser como aquele espaço comum que é posto pela prática da comunicação entre os cidadãos em torno de temas de interesse público. Ele não é um espaço jurídico, institucional ou administrativo, mas um espaço comunicacional.

É verdade que, hoje, mais do que antes, vigiar o poder significa vigiar não apenas o poder político em sentido estrito, aquele instalado no governo e no Parlamento e, em certa medida, moldado na dinâmica dos partidos: significa, também, vigiar o poder econômico em sentido amplo, e especialmente o poder dos meios de comunicação, que se converteram em formas relativamente novas de pressão sobre a sociedade – promovem ou simulam, no espaço público, a legitimação de causas próprias ou de causas a que se associam.

Cabe à imprensa voltar sua atenção fiscalizadora não apenas aos governos e aos partidos políticos, mas também a essas novas formas de poder que se armam no âmbito do mercado, formalmente fora do Estado – às vezes apenas formalmente, já que materialmente elas se infiltram, por fora das vias oficiais, dentro das instâncias decisórias do Estado. Não raro, elas conspiram, veladamente, contra liberdades, direitos individuais e contra a formação livre da vontade dos indivíduos e dos grupos. É crucial vigiá-las.

Não é por outro motivo que os veículos jornalísticos, na busca de aperfeiçoar os parâmetros de sua governança, vêm desenvolvendo métodos que garantem independência de gestão editorial em relação não apenas às intervenções dos anunciantes, mas também às interferências – demandas extra-jornalísticas – dos acionistas. O trato altivo e um tanto ressabiado que os jornalistas mais experientes aprenderam a manter com seus patrões, que tinha – e tem – sua razão de ser, ganhou assim novas complexidades.

Pólos de poder

O mesmo cuidado – e o mesmo afastamento crítico – deve pautar o relacionamento entre jornalistas e as ONGs (organizações não-governamentais), que, a exemplo do poder econômico, representam interesses e dispõem de meios para incidir sobre a pauta de interesse social. As igrejas, algumas delas com enorme peso na radiodifusão brasileira, enquadram-se na mesma categoria. Como as empresas de maior porte e diversas ONGs, agem de forma a fazer valer sua agenda própria na definição do debate público e, pela natureza do agenciamento que promovem, tendem a cooptar o discurso jornalístico. Diante de todos, em benefício dos direitos dos cidadãos, o jornalismo depende de manter distância. Só assim cumprirá os pré-requisitos para se pretender apartidário e equilibrado.

Apartidário, equilibrado – e livre. Se quer ser fiel à sua responsabilidade social, o jornalista não deve permitir que agendas, causas ou doutrinas totalizantes de uma parte da sociedade – venham elas de ONGs, de igrejas, de governos, grandes corporações, de partidos, de onde vierem – contaminem seu trabalho. É mais adequado que ele procure desvincular-se material e formalmente desses pólos de poder e de influência, sem que isso signifique desmerecer a legitimidade que eles têm.

Mas, atenção, a liberdade de imprensa começa mesmo pela independência em relação ao governo.

2. Incompreensões mais ou menos graves da cultura política média quanto ao lugar da imprensa

No Brasil e nos demais países da América do Sul é comum que políticos, intelectuais e mesmo jornalistas proeminentes digam que pode haver imprensa livre e crítica – principalmente contra o poder econômico, proclamam – comandada direta ou indiretamente por funcionários do governo. Acalentam e espalham a ilusão de que agentes governamentais podem dirigir centros jornalísticos de excelência, num disparate demagógico que procura esconder a incompatibilidade de natureza entre as duas funções. Sobre isso, não pode haver tergiversação: o governo, quando se associa à imprensa, tende a seqüestrar-lhe a alma. Portanto, o jornalista só deve se aproximar do governo para perguntar o que o cidadão tem direito de saber. De resto, o distanciamento é serventia da casa.

Tanto é assim que, quando sérias, as instituições públicas de comunicação em que se pratica o jornalismo, como as emissoras públicas da Europa, dentre outras, tratam de manter os representantes do governo longe da administração editorial, impedindo que eles opinem em definições das grades de programação, nas decisões de pauta, na escalação de repórteres ou de apresentadores. Algumas emissoras públicas brasileiras tentaram e tentam, não nos esqueçamos, guiar-se da mesma forma, ainda que nem sempre com sucesso.

Outros vão mais longe em matéria de incompreensão do lugar da imprensa. Houve e há aqueles que, baseados no que qualificam de mau comportamento de veículos jornalísticos – geralmente, segundo apontam, mau comportamento contra as autoridades, que posam de vítimas –, sugerem a suposta necessidade de impor limites à liberdade de imprensa. Adeptos do costume de dar, como que de presente, liberdade para os amigos, e de exigir, com ares de indignação cívica, responsabilidade dos inimigos, asseveram que nenhuma liberdade é absoluta. Ora, é claro que nenhuma liberdade é absoluta, ninguém discordaria disso. Nem mesmo a noção de absoluto é absoluta. O problema é que o corolário dessa argumentação prescreve uma liberdade "relativa" que, além de não ser absoluta, não seria sequer relativa, dado que não seria, tampouco, liberdade.

Papel de árbitro

A má conduta de jornalistas ou de órgãos noticiosos jamais deveria dar ensejo ao questionamento da liberdade; o que deveria se questionar, aí sim, é a conduta específica de quem errou, bem como as causas do erro. Errar, embora não constitua a regra, faz parte do que é previsível na prática do jornalismo. O jornalismo erra e é no cumprimento do dever de corrigir publicamente o seu erro que ele se aperfeiçoa: repondo a verdade, contribuindo para a reparação dos danos e se submetendo à lei para que os autores dos excessos sejam punidos. Esse é o caminho, e ele não fica mais fácil com menos liberdade – fica, isto sim, menos viável.

Até mesmo para que os erros de imprensa se corrijam, o regime de liberdade precisa ser fortalecido – só com mais liberdade se aperfeiçoa o regime da liberdade. Os utopistas autoritários, ainda que não o declarem abertamente, vêem no erro não um desvio a ser consertado, mas uma prova de que a liberdade é uma regalia, uma vantagem classista que precisa ser desmascarada e destronada. Fazem crer que o antídoto residiria em alguma medida de força do Estado e prescrevem como remédio, possivelmente sem o saber, uma doença bem mais letal que a enfermidade que julgam pretender curar.

Um sintoma da precariedade da cultura política nessa matéria aparece quando algumas autoridades emitem juízos condenatórios generalizantes sobre a imprensa ou, como às vezes, como dizem, a "grande mídia". Uns pecam pelo primarismo de considerá-la um corpo uno, indivisível, orientado em bloco. O ponto merece algumas considerações.

É legítimo e necessário que os comuns do público, os sujeitos da vida privada, os partidos, os intelectuais, os estudantes, as ONGs e tantos mais critiquem e discutam correntemente a imprensa. É vital que a imprensa debata a imprensa. A crítica faz bem a ela e aos meios de comunicação em geral. Uma sociedade que estimula a crítica dos meios só faz melhorá-los. Mas quando autoridades, em nome do governo, proferem julgamentos peremptórios sobre a qualidade do que se publica no país, sobretudo quando se referem à imprensa como se ela fosse um sujeito unívoco, portador de um ideário compacto, geram ruído institucional. Embora tenha o direito e mesmo o dever de solicitar correções quando erros de informação vão a público – estando em condições, portanto, de debater abertamente com a imprensa –, a autoridade pública deve, no exercício de sua função, abster-se do papel de árbitro do comportamento da imprensa. Pelas mesmas razões, representantes do Poder Executivo têm o cuidado de não pontificar sobre a saúde do Poder Judiciário, embora possam contestar um acórdão ou uma sentença, assim como evitam desqualificar a instituição do Poder Legislativo, embora possam polemizar tranqüilamente com um parlamentar, um partido ou uma bancada.

Verbas públicas

A vigência serena do regime de liberdade exige a observância de um protocolo tácito, segundo o qual o governo e seus representantes tratam a imprensa como instituição autônoma, que não lhes compete julgar. É nesse sentido que se diz, com acerto, que cabe à imprensa ser livre para vigiar o governo, jamais o contrário. A liberdade de imprensa é um valor sempre sensível, e depende, nesse aspecto, da liturgia com que os governantes a ela se dirigem. Por isso, os representantes do governo agem bem quando silenciam em matéria de media criticism. Quem quer exercer regularmente a função de "crítico de mídia", que se afaste de cargos no governo.

Os motivos para isso são numerosos. Na verdade, não há razão que fale contra; todos os motivos falam a favor da vigência do que chamo aqui de protocolo de convivência entre governo e imprensa. Vejamos apenas um deles, o do conflito de interesses. Entre outras obrigações, compete ao Estado estabelecer marcos regulatórios para que o setor dos meios de comunicação opere num ambiente de concorrência comercial justa, com diversidade de conteúdos e pontos de vistas – tarefa que ainda hoje o Poder Público no Brasil deve para a sociedade. Ora, se as autoridades passam a expressar publicamente opiniões peremptórias sobre "a grande mídia" ou sobre "a imprensa em geral", incorrem em potenciais conflitos de interesses, pondo em dúvida a impessoalidade com que tratam ou tratarão – se é que pretendem tratar – da matéria. Como ficam, por exemplo, os encarregados de conceder ou renovar as concessões de rádio e televisão caso se posicionem abertamente como adversários de uma estação e apoiadores ou mesmo sócios de outras? Será que tal engajamento é compatível com a impessoalidade do regime democrático?

Os conflitos de interesses não ficam só aí. Eles se agravam quando no governo, a quem cumpre zelar pela liberdade, surgem personagens que insinuam a necessidade estabelecer restrições à prática do jornalismo ou manifestam preferências por um ou outro veículo em particular. Fica no ar uma interrogação: acalentariam os encarregados de proteger a liberdade a fantasia de restringi-la, ainda que um pouquinho só, se não para todos, ao menos para um ou outro? Isso para não tocarmos no assunto das verbas públicas destinadas a compra de espaços publicitários nos veículos comerciais, e na forma como essas são administradas tanto no âmbito federal, como nos âmbitos estaduais e municipais. Também por isso, governantes e autoridades públicas deveriam se abster de questionar – ou de dar a impressão de que questionam – não os erros pontuais que devem ser corrigidos, mas validade da instituição da imprensa em seu conjunto. [Continua.]

Leia também
"O jornalismo precisa ser livre do governo, qualquer governo" – Luiz Egypto entrevista Eugênio Bucci
Comentários (39)
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Bernardo Nazareth , Rio de Janeiro-RJ - Estudante
Enviado em 11/10/2007 às 11:47:30 PM
Gostei muito do artigo, liberdade de imprensa é importantíssima. Agora, se parte da imprensa, como a Globo e a Veja, no Brasil, começam a servir à interesses de outros e para de ser imparcial, à ponto de inventar fatos, que jamais existiram, qual deve ser a providência tomada? E por quem: Governo, povo ou o restante da mídia? Hugo Chávez, presidente da Venezuela tomou uma atitude que eu, em particular, apoiei, pois não renovou a concessão de uma manipuladora de informações, que servia aos interesses da burguesia, que só quer explorar o povo, acorrentando-o pela falta de informação ou pela alteração de fatos reais.
ailton amaral , sao paulo-SP - consultor de seguranca
Enviado em 5/10/2007 às 1:44:34 AM
pois é, caro eustaquio, todos nós temos nossas dificuldades e parece q a sua é de interpretacao, pois em momento algum eu disse que sou stalinista, outra coisa é que em momento algum eu disse que em cuba existe a liberdade de imprensa ou de expressao, mas disse que, dentro dessa ditadura da globalizacao e do capitalismo antropofagico e canibal, o pais se mantem com sua ideia socialista, vai notar que nao é um concordancia com o modo de se governar, mas uma constatacao de que com todo o mundo sendo escravizado pelo poder do mais rico, eles se mantem dentro dos principios do comunismo q adotaram, a resistencia deles, caro professor, enfrentando o poderio do capital e belico é que é de se admirar. em relacao ao pt, ou a qualquer outro partido, nao defendo nenhuma ideia de cerceamento de liberdade, minha defesa sempre vai ser de liberdade de expressao e de atuacao, mas como vc nao leu minha resposta, nao vai ver o que realmente eu quis dizer. so pra ficar claro, apesar de buscar informar-me, politizar-me e atuar sempre para um mundo melhor, de igualdade, de bom senso, nao sou adpto a rotulos, nao sou comunista, stalinista, trotskista ou qq rotulo que as pessoas assumem, me digo socialista, professor, nao por partido, mas pela minha busca de igualdade, mas vc ha de convir, que nao ha na midia brasileira, a principio, quem ouça os dois lados envolvidos ou que divulguem isso.
eustáquio fernandes , belo horizonte-MG - professor
Enviado em 4/10/2007 às 3:25:11 PM
Caro Ailton, estamos numa democracia e temos muitas mídias a nossa disposição: umas seculares, outras religiosas, umas de esquerda, outras de direita (ou Carta Capital é de direita?),há a internet, na qual navegamos agora. Há isto no nosso país porque vivemos num país democrático liberal capitalista (ou quase!), fosse outro o caso, morássemos numa China, por exemplo, só teríamos a mídia oficial... Infelizmente discordamos frontalmente quanto a este último aspecto, você acha o modelo ditatorial cubano uma boa coisa e até o chama de verdadeira democracia, acho que aí você se trai e no fundo no fundo quer mesmo é uma mídia encabrestada, um jornal único, desde que ele esteja de acordo com a SUA opinião. Aqui no Brasil, Ailton, você está livre para discordar da versão oficial, ou das versões que as diversas partes da mídia dão.Em Cuba, por outro lada, a esta altura eu estaria preso. Esta é a diferença. Quanto aos orgãos reguladores tenho a disser que o PT é "craque" em instrumentalizá-los:do MST, passando pela UNE, CUT, etc, "tá tudo dominado". Chego a ver exigencia do MST representando a "sociedade civil" exigindo assento nos conselhos editoriais dos jornais e revistas. Isto seria democracia, ou seria presença total do PT ou de seus braços em tudo e em todos lugares (à moda totalitária cubana...).Aguardo sugestãoes menos stalinistas sobre este controle da mídia pela sociedade.
ailton  amaral , sao paulo-SP - consultor de seguranca
Enviado em 1/10/2007 às 8:25:23 PM
Caro Eustaquio, em nenhum momento sugeri que a mídia deva ter um cabresto, mas deveria sim ter mais ética e bom senso. Sou do principio que não importa o que você diga que vou sempre defender seu direito de dizer, o que não é justo, num país como o nosso, é a mídia, sabedora da manipulação que impõe as pessoas, usa disso para vender políticos e regimes que não são em momento algum bom pra sociedade. O que deixei claro, e a maioria aqui parece pensar parecido, é que não tem isenção em nenhum meio de comunicação nacional, e isenção, você que é professor deve saber melhor que eu, é o fato da noticia sair sem inclinação, nem pessoal nem ideológico, pois a imprensa, a meu ver, é para informar e não para inserir informações que ela bem entender. se você avaliar, de cada três meio de comunicação vai ver que pelo menos dois são muito tendenciosos. Por que isso?
ailton  amaral , sao paulo-SP - consultor de seguranca
Enviado em 1/10/2007 às 8:24:39 PM
Porque a mídia é controlada por pessoas que estão no governo, em algum partido ou é ligado por algum acordo a políticos. Talvez você consiga pensar por si, talvez muitos de nós o façamos, mas você há de convir, que a maioria da população não teve sequer a chance de estudar, a maioria da nossa população não aprendeu a fazer interpretação sequer de textos simples, não vai nem notar ou não vai se preocupar com o conteúdo dos meios midiáticos; sei que você pensa que o regime democrático te oferecem liberdade, mas que liberdade é essa onde só existe informação de um lado, como você vai ter autonomia pra pensar se você só tem um lado da historia. Um exemplo que sempre cito é o caso dos direitos humanos, que ninguém se digna a estudar sua real função, mas a mídia coloca na cabeça das pessoas que isso é ruim. Você que é professor, deve ter visto algo sobre a polemica dos livros do schimdt, onde ele propõe uma visão mais critica da historia, mas um jornalistazinho sem noção de certo e errado, sem pensar em com seriam vista sua opinião, jogou a opinião publica contra a o autor e contra o uso do livro, sabe por que?
ailton  amaral , sao paulo-SP - consultor de seguranca
Enviado em 1/10/2007 às 8:23:47 PM
Porque é mais fácil continuar criando pessoas sem discernimento, para o modelo de capitalismo que temos, isso é essencial.; Agora, se quisesse que todos pensassem como eu, não entraria num fórum como esse, não entraria num debate com pessoas de bom nível com os que aqui tem se mostrado, como o Nilton Andrade, no seu comentário abaixo. Mas debater, meu amigo, requer bom senso, isso não quer dizer que você vá abrir mão de suas idéias, mas como eu posso mudar as minhas acho que todos com bom senso podem fazê-lo. E ter informações de mais fontes que não sejam os jornaizinhos da globo e do sbt, que o jornalista já deixa seu preconceito aparecer quando dá a noticia, como em cuba por exemplo, talvez já tenha ido ate lá e conversado com os cubanos, eu já trabalhei com cubanos, apesar deles saberem das dificuldades impostas pelo regime, continuam a gostar do governo, mesmo querendo mais liberdade, mas lá, caro professor, é o ultimo refugio da real liberdade global, porque no resto do mundo estamos fadados a engolir a ditadura capitalista das grandes empresas e capitais. Agora não quero também uma mídia controlada pelo governo, mas talvez seja importante um órgão regulador da sociedade. Isso faria com que nós estivéssemos sempre informados e com qualidade, sem as aberrações que existem na mídia nacional…
Miguel  Oliveira , Belo Horizonte-MG - engenheiro
Enviado em 1/10/2007 às 7:14:49 PM
A imprensa tem que ser livre, mas tem que ser íntegra e honesta. Íntegra no seu sentido literal, isto é, divulgar todos os fatos de todos os partidos. Ficar longe do governo e ao lado da oposição não é íntegro e nem honesto. Divulgar os erros do governo e esconder os seus acertos, ou distorcê-los, ou minimizá-los, ou desqualificá-los sistematicamente é um abuso desta propalada liberdade. É claro que a liberdade tem que existir, mas a neutralidade, verdade total, imparcialidade também. Quem tem o direito à liberdade tem também o dever de bem utilizá-la. Não basta gritar aos quatro ventos que a imprensa tem que ser livre e ponto final. Não pode ser livre para dizer meias verdades, distorcer e escamotear as verdades relativas aos seus patrocinadores e apaniguados.
Nilton Andrade Bergamini , Bauru-SP - Micro-Empresário
Enviado em 1/10/2007 às 5:40:42 PM
Acho que há uma confusão por aqui, na verdade o que está sendo defendido não é o fechamento da mídia, não é o encabrestamento, não é a estatização da mídia (como muitos aqui querem aludir). O que está sendo defendido é pluralidade, imparcialidade (ou parcialidade admitida), é a regularização (que existe em todos os países CAPITALISTAS acima do equador), é a responsabilidade (porque há muitos profissionais da mídia que não tem a menor responsabilidade para com suas matérias, tivemos vários exemplos) pelas sua obras. Isso tudo mais afastado do estado possível, inclusive as concessões. O que de forma nenhuma é respeitada. Vários comentaristas dizem que não querem que o governo e políticos controlem a mídia. Pois bem, façamos essa regularização e vamos tirar os parlamentares do comando !! abraços !!!
eustáquio fernandes , belô-MG - professor
Enviado em 1/10/2007 às 4:03:54 PM
Ailton, a verdade absoluta só em Deus. No mais é procurar o sistema menos ruim e fazê-lo funcionar. E o melhor sistema é a imprensa livre do cabresto do Governo. O melhor é a imprensa livre!!! Como bom esquerdista você parece acreditar que o público leitor, ouvinte ou telespectador é idiota e precisa de alguém para guiá-lo. Viemos de um regime militar e não podemos pensar pela nossa própria cabeça?Não entendi! Você pensa criticamente pela própria cabeça?Como? Você não atravessou o regime militar ou suas consequências? Você conseguiu autonomia e os outros não?Os que pensam como você pensam livremente, quem não pensa como você pensa pela cabeça da Globo, é isto? Minha tese, que aliás não é só minha, aprendi estudando é: a grande vantagem da livre iniciativa e da propriedade privada é TER LIBERDADE. Quem tem propriedade não depende de governo para nada! Na URSS, como em Cuba hoje, todos têm que comer na mão do governo e do Partidão - "o grande farol que conduz o povo pela mão rumo a igualdade e à liberdade". Discordar do grande farol é ser condenado à morte ou ao ostracismo. As esquerdas realmente odeiam quem não depende do Estado, porque sua intenção é controlar o Estado e através dele, tudo mais, daí combater a propriedade privada(as ditaduras mais longevas são as socialistas meu caro Ailton!). Aliás Ailton, quem vai controlar a mídia? Aguardo com curiosidade sua resposta.
Wagner A Mor , SAO PAULO-SP - taxista
Enviado em 30/9/2007 às 10:18:05 PM
Salete lemos, jornalista e apresentadora do Jornal da Cultura, foi demitida em julho de 2007. Menos de dois meses depois de ter feito esse comentário, ao vivo, no telejornal da rede no dia 31 de maio de 2007, à respeito das desculpas que os bancos estavam dando para ficar com os milhões de reais que os poupadores tinham o direito de reaver, desde que entrassem na justiça para recuperá-los. http://podevideo.blogspot.com/2007/09/comentrio-de-salete-lemos.html
ailton amaral , sao paulo-SP - consultor de seguranca
Enviado em 30/9/2007 às 4:03:42 PM
o que é imprensa livre, afinal? para algumas pessoas que postaram aqui, parece que imprensa livre é o meio que nao usa dinheiro publico para se manter, mas usa de má fé para manter se no poder ou, no minimo, proximo dele. dizer que imprensa livre é a imprensa que diz o que quer e nem sequer se preocupa com o que vai acontecer, isso é falacia; deturpar o sentido de liberdade como fazem os meios de comunicacao, alterar para o publico de forma tendenciosa em suas informacoes o conceito de democracia chega a ser pequeno e ridiculo, mas é isso que a grande midia, principalmente, faz sem preocupacoes ou peso na consciencia. algumas pessoas aqui sugerem que nos pensemos com nossas proprias cabecas, mas imagino que nao tenham avaliado que para podermos pensar por nos mesmos, vindo de um regime militar, precisariamos ter tido uma boa educacao, incentivo a um pensamento critico e principalmente, uma midia sem corporativismo ou inclinacao para um lado ou outro do regime. poucos de nos pensa por si, a maioria pensa pelos seus preconceitos e conceitos inseridos pela má formacao, pela midia e pela falta de incentivo dos nossos professores a um pensamento de bom nivel. criar uma cultura em nossos filhos de critica e visao racional talvez mude esse quadro, hoje, talvez o que faça melhorar essa situacao é termos bom senso, parar de olhar a globo, band e demais midias como verdade.
César De Paula , São Paulo-SP - professor
Enviado em 29/9/2007 às 9:52:49 PM
Felipe, eu nem reparei, mas então você estava falando de “teses esquerdo-totalitárias”!? É isso mesmo? O seu contra-exemplo, pra se contrapor à mídia e a qualquer crítica que se possa fazer a ela, é o totalitarismo?? Mas quanta confusão você consegue fazer! Felipe, eu só fiz uma crítica óbvia e nada, nada original, sobre a postura da imprensa no país. O que eu falo, praticamente todos os outros comentaristas deste observatório, exceção feita ao Dines e, mesmo ele, só nos últimos tempos, fazem. Ninguém, que defende imprensa livre, seria considerado minimamente são, se defendesse modelos totalitários. Tente outros argumentos para a sua defesa cega do Marinho, do Frias, do Mesquita e do Civita e tente também perceber, que criticar a imprensa não é o resultado de uma fórmula matemática cuja conta existe, inexoravelmente, um petista. Por fim, sugiro que você releia o texto do Eugenio Bucci e, preste mais atenção ainda no complemento do texto, que, imagino, será publicado em breve.
Moisés  Viana , Itapetinga-BA - Jornalista
Enviado em 28/9/2007 às 4:52:21 PM
Achei interessante a proposta de Bucci. Como todo sistema humano, processo de comunicação, o jornalismo é dotado da contradição. Ela narra histórias e nega a História, quando a fragmenta ao narrar os fatos. Assim é com o conceito de liberdade, usa-se da liberdade e ao mesmo tempo, a agride, quando expoentes poderosos da mídia tentam usurpar a vontade do povo, com o genérico “opinião pública”, achando-se neutro. Não sei o conteúdo dos próximos artigos, mas creio que cabe a reflexão sobre a atual da mídia, a indústria cultural, o jornalismo como “estética da dominação”. Neutra, nem a palavra “neutra”, dado que todas as palavras são ideológicas, fruto dum contexto, duma opção política. Mais uma contradição no jornalismo? A democracia emana do povo, e quem é o povo? O poder é uma luta no meio desse povo, cabe saber que lado o jornalismo opta, pois neutralidade não existe. Não estamos acima do bem e do mal....
Felipe Faria , Rio de Janeiro-RJ - estudante
Enviado em 28/9/2007 às 11:56:42 AM
Cesar de Paula, o que é muito fácil de entender é que jornais livres, liberais, democráticos rejeitam as teses esquerdo-totalitárias que colocam sua existência em risco. Do mesmo modo que é facil entender porque Fidel Castro proibe imprensa livre em Cuba, que colocaria sua hegemonia em risco. Cair na armadilha de dar liberdade total para quem pretende tirá-la de vocë é de uma burrice monumental.
eustáquio  fernandes , belô-MG - professor
Enviado em 28/9/2007 às 10:37:28 AM
Espero que o Sérgio de Paula trate melhor seus alunos em sala de aula do que os debatedores deste blog. Mais argumentos Sérgio e menos adjetivos depreciativos. O petismo cega mesmo, Felipe. Se apenas cegassem a eles, tudo bem, seria um caso autoflagelação. Mas querem cegar, emudecer e ensurdecer os que não comungam com eles. A polêmica a respeito do livro do professor Schimit jogou luzes sobre a questão. Para muitos esquerdistas, bom mesmo é a imprensa oficial, a censura à moda stalinista ou de Mao Tse Tung (o "grade lider" da revolução chinesa, aquele que "amou muitas mulheres..."). Eles não toleram a imprensa livre, que vive de anunciantes privados e não da "generosidade desinteressada" das empresas estatais; odeiam a imprensa que depende de assinantes e da venda avulsa. Para eles a imprensa tem que ser encabrestada, tem que comer na mão do Estado. Enfim, como Mussolini, no outro extremo da ferradura, são estadólatras. Continue assim, Felipe, pensando pela própria cabeça, leia tudo, pesquise. E tudo inclui o Gramma cubano, mais inclui a Veja, também, mas sempre se lembre que aos cubanos, seus "democráticos "líderes, tão admirados aqui pelos petistas, só permitem que leiam o Gramma.
Luiz Oscar Matzenbacher , Porto Alegre-RS - Jornalista
Enviado em 28/9/2007 às 9:51:40 AM
“Entre nós revive Atenas para assombro dos tiranos; sejamos gregos na glória e na virtude, romanos.” Esses versos foram censurados do “Hino Rio-Grandense”, durante a Revolução de 64. Esse canto de liberdade do povo gaúcho, escrito por Francisco Pinto da Fontoura e entoado pela primeira vez em 1835 na promulgação da República do Piratini não foi anistiado. Quem o censurou foi um deputado da ARENA, nos anos 1964/1970. Apresentou projeto retirando a palavra – tiranos- e acabou cortando as quatro linhas que invocavam a democracia grega e a virtude romana. Pois finda a ditadura, os versos inspirados nas repúblicas mediterrâneas das civilizações grega e romana continuam de fora. E, a imprensa gaúcha em vez de denunciar e protestar contra a censura ao hino do Rio Grande do Sul, em vez disso, publica até nas capas dos jornais, os demais versos, há décadas, sem mencionar a parte censurada. Por isso, até hoje, esse estribilho nunca mais foi cantando inteiro nas cerimônias evocativas ao dia 20 de setembro de 1835 e nas escolas gaúchas: "Mostremos valor, constância, nesta ímpia e injusta guerra, sirvam nossas façanhas de modelo a toda terra. Entre nós revive Atenas para assombro dos tiranos; sejamos gregos na glória e na virtude, romanos. Mas não basta pra ser livre, ser forte aguerrido e bravo. Povo que não tem virtude, acaba por ser escravo."
Rodrigo Guedes , São Paulo-SP - Professor
Enviado em 28/9/2007 às 9:00:05 AM
Muito boa a complementação entre os artigos de Eugênio Bucci e Gilson Caroni Filho. Se fosse possível juntar as idéias centrais dos dois, teráimos um belo apanhado crítico da imprensa. Esse Observatório está ficando muito bom.
Henry Fulfaro , Sorocaba-SP - professor
Enviado em 27/9/2007 às 5:25:54 PM
O Collor foi casado e teve 2 filhos com a Lilibeth Monteiro Carvalho, filha da Dna. Lili, ex-mulher do jornalista (alguns odeiam que ele seja denominado assim), Roberto Marinho. As ligações do Collor com a Globo eram e ainda são muito profundas. Mas não foi só a Globo que obrou no sentido de elegê-lo, mas a imprensa em peso, e a despeito do Lula ter recebido no segundo turno o apoio do PSDB e até mesmo do PDT do Brizola. O Collor só conseguiu superar o Lula com muita baixaria, e por causa de uma manobra suja da Globo, que exibiu no Jornal Nacional uma infame edição do debate do dia anterior, manobra essa anos mais tarde reconhecida pelo jornalista Armando Nogueira e, se não me engano, recentemente pelo próprio Ali Kamel. Além disso, arrogância do Collor era tão grande que ele resolveu tripudiar sobre os partidos então existentes. Não se filiou a nenhum e fundou o seu próprio partido, o falecido PRN. Por outro lado ele tinha um irmão chamado Pedro Collor, que um belo dia, junto com a quase totalidade do povo brasileiro, cansado dos desmandos e das sacanagens perpetradas pelo irmão presidente, resolveu entregá-lo. Portanto, o impeachement do Collor não teve rigorosamente nada, nada a ver com a mídia em geral, que o apoiou até o último minuto. Foi apeado do poder pelo clamor do povo, por não ter base política no Congresso, e pelo definitivo testemunho do irmão.
César De Paula , São Paulo-SP - professor
Enviado em 27/9/2007 às 4:40:38 PM
Felipe, Felipe..., o que determina a postura (ético-ideológica) de uma empresa de comunicação, não são os seus jornalistas/funcionários ou colaboradores. É o editor. O editor determinará o peso que dará a esta ou àquela notícia. O editor determinará se publicará esta ou aquela matéria. O editor determinará a forma e o tamanho da matéria; se ela vai para a primeira página ou num cantinho qualquer. O editor vai definir o título da matéria. Pode haver jornalista vermelho. Pode haver jornalista amarelo. Pode haver jornalista marrom. Se o editor for azul, a sua empresa de comunicação terá a tonalidade do céu. Não é complicado de entender.
Marco Antônio Leite , SCS-SP - TSS
Enviado em 27/9/2007 às 10:19:20 AM
Segundo a teoria, a democracia emana do povo, somente na teoria, pois na prática o sistema faz tudo ao contrario daquele que a elite da comunicação diz que é o certo. A imprensa brinca de liberdade de expressão, dizendo que o governo dificulta o trabalho da corporação dos escribas e, consequentemente do veículo de comunicação que ele representa. Considerando que, a livre comunicação das idéias e das opiniões é um bem precioso, o qual da ao homem a impressão que de fato esteja sendo ouvido pêlos mandatários desse sistema esdrúxulos ora em andamento. Caro escriba, democracia é o famoso sistema cuja doutrina ou regime político se baseia nos princípios básicos da soberania popular e da distribuição eqüitativa do poder e pelo controle das “autoridades”. No entanto, estamos envolvidos numa democracia autoritária, na qual somente a escol dominante esta inserida tanto na teoria da palavra, como na prática das ações, essa meia dúzia de privilegiados vivem a democracia plenamente. Enquanto o proletariado, é obrigado a viver a margem das decisões políticas e, do bem estar que eventualmente o sistema oferece aos seus cidadãos.
Felipe Faria , Rio de janeiro-RJ - estudante
Enviado em 27/9/2007 às 10:15:58 AM
O Jornal O Globo, tido como "o" jornal de direita, tem ou teve em seus quadros Tereza Cruvinel, Franlin Martins, Luis Fernando veríssimo, e outros petistas até debaixo dágua. Hoje o ingênuo sou eu?
César De Paula , São Paulo-SP - professor
Enviado em 27/9/2007 às 9:44:51 AM
Felipe, não sei que curso você está fazendo, mas não creio que deva ter uma disciplina chamada “ingenuidade”. De qualquer forma, seria interessante que você soubesse, ainda que superficialmente, a história recente do que você tenta aqui abordar. Deixo eu te dizer: na era Collor, antes da eleição, a mídia, de um modo geral, se posicionou pró-Collor. Depois, e diante de particulares circunstâncias, ficou contra ele. Entenda, não foi a mídia “petista”, mas a mídia por ela mesma. A mesma que apóia sem nenhuma vergonha ou escrúpulo, os tucanos. A coincidência é que, contra o Collor, eram os petistas e os tucanos e, por conseqüência destes, a mídia. Discutir se a mídia tem interesses e se, por esses interesses ela é parcial, é como querer por em pauta as fases da lua, que para entender que elas existem, basta sentar em praça pública e observar.
Felipe Faria , Rio de Janeiro-RJ - estudante
Enviado em 26/9/2007 às 6:37:24 PM
Chamar de golpista a imprensa que toma partido é um tanto forte. Ainda mais quando ele é oposição ao PT. O PT, se alguém ainda lembra, usou e abusou de sua influência nos jornais de grande circulação (afinal, sabemos que em qualquer redação, todo baixo clero é petista) para derrubar Collor de Mello e tentar impichar o FHC. Teria sido a imprensa golpista naquelas ocasiões?
Octavio Hollemberg , São Paulo-PR - administrador de empresas
Enviado em 26/9/2007 às 2:58:54 PM
O discurso acima mostra como a imprensa deve, e como não deve ser, e nesse ponto o José Paulo - desempregado - SP acertadamente pinçou o conceito de imprensa golpista nas palavras do Bucci. Como se vê, esse negócio de imprensa golpista não é uma invenção petista, mas é algo que os próprios papas da mídia admitem, ao menos em tese. Quanto ao que a imprensa deveria ser endosso a opinião dos que me antecederam e que possuem discernimento suficiente para ler, entender e depois comentar, isto é, tudo muito bonito, tudo muito certinho, mas essa imprensa que o Bucci coloca como ideal está muito longe da nossa triste realidade midiática.
Felipe Faria , Rio de Janeiro-RJ - estudante
Enviado em 26/9/2007 às 1:25:11 PM
Cheguei a uma conclusão médica muito importante: o petismo cega.
Raimundo  Portela , Rio de Janeiro-RJ - Técnico em Instrumentação
Enviado em 26/9/2007 às 11:49:51 AM
Parabéns pelo texto, elucidativo, claro, de leituro fácil, sem as clássicas de alguns jornalistas que a rebuscagem. Neste jornalismo vigente vale aquela, se não estou enganado do Paulo Pompeu, só acredito na noticia de jornal se não tiver outra fonte.
RONALDO ALVES , são paulo-SP - func publico
Enviado em 26/9/2007 às 11:42:40 AM
Excelente artigo, quanto a imprensa já não espero mais nada dela; depois que se le a entrevista de um ex-presidente da republica dizendo que no país que ele governou nada deu certo entre outras barbaridades e as coisas ficarem por isso mesmo a gente desiste.
hilton oliveira , BH-MG - funionário público
Enviado em 26/9/2007 às 10:54:32 AM
Acho fundamental a liberdade de informar e, principalmente, a liberdade de ser informado. MAS QUANDO VEMOS UM GRANDE JORNAL RECEBER O GOVERNADOR DE MINAS GERAIS PARA ALMOÇO NUM DIA E NO OUTRO SUMIR COM O SEU NOME DA COBERTURA DO MENSALÃO MINEIRO, DESCONFIAMOS QUE ALGO ESTÁ SENDO MANIPULADO.
César De Paula , São Paulo-SP - professor
Enviado em 26/9/2007 às 10:34:59 AM
Espero, sinceramente, que o Alberto Dines e o estudante Felipe Faria tenham entendido o texto. Tenho mais esperança no estudante, já que com relação ao Dines, seria mais um desejo. Um desejo utópico e inalcansável.
ailton  amaral , sao paulo-SP - consultor de seguranca
Enviado em 26/9/2007 às 12:40:48 AM
Lendo o texto acima fica mais claro pra mim o papel da imprensa, que em nenhum momento, no Brasil, tem sido cumprido, e nao to falando de golpe da midia ou essa falacia que os politicos usam para nao serem avaliados quando flagrados em suas sujeiras, to falando de uma visao erratica dos jornalistas, a maioria pelo menos, uma falta de etica e moral, usando de reportagens e informacoes mentirosas e o que é pior, dando as informacoes que querem, as que beneficiam seus patrocinadores ou seus interesses. Costumo pensar que a maioria dos veiculos de comunicacao sao convenientemente listados como midia marron, pois nao tem muita coisa seria nos telejornais, jornais e revistas, mesmo as reportagens que tem em sua essencia uma denuncia ou algo que seja serio, perde sua funcao pela falta de informacao seria e isencao. O jornalista brasileiro, principalmente, tem um complexo de juiz que incomoda quem pensa, normalmente o jornalismo simplesmente deveria dar uma informacao verdadeira ou pesquisada de verdade e deixar o espectador ou leitor tirar suas conclusoes, aqui acontece ao contrario, o jornalista e as empresas tendem a assumir o papel de sabios, e dao as noticias como eles querem e nao como sao; Jornalista nao necessariamente tem que ser comentarista ou colunista, mas é isso que acontece no Brasil, acham que nos nao pensamos e querem nos dar informacoes mastigadas, do seu jeito.
Werner Piana , BHZ-MG - md radologista
Enviado em 25/9/2007 às 11:47:32 PM
Bom texto. Deveria ser lido em voz alta pela editoria de todos os "grandes" da midia, jornais, revistas, emissoras de rádio e tv. Porque o que temos visto, há vários anos e em alguns casos (p. ex.: tv globo) é a prova cabal de que os grandes têm usado o preceito de vigiar o governo - ESTE governo, DESTE partido. Os demais governos em seus diversos âmbitos, vivem na santa paz da grande mídia. É que o "DNA" político deles, é outro (diferente do governo federal). A gente que gosta de acompanhar a mídia - os "grandes" incluídos, sente muito pela falência da mesma. Moral, inclusive. Pena.
Felipe Faria , Rio de Janeiro-RJ - estudante
Enviado em 25/9/2007 às 11:47:29 PM
...muito educativo para certas pessoas que passeiam por este site....
alex prado , poços de caldas-MG - jornalista
Enviado em 25/9/2007 às 10:40:48 PM
Bem vinda a série de Bucci. Assim como ele se impôs "silêncio obsequioso", acho que cumpre-nos, leitores, aguardarmos os outros três artigos para a exposição de opinião. Entretanto, permitam-me elogiar a passagem de Bucci pelo poder público. Têm aqueles que só criticam. Outros, aceitam. Poucos saem maiores. Bucci é deste último time.
Russo Salvatore , Belém-PA - Professor
Enviado em 25/9/2007 às 10:17:47 PM
Alô pessoal, se você está insatisfeito com a mídia, leia este trecho do artigo que o Euardo Guimarães escreveu em seu Blog:"É preciso que as pessoas se comprometam. Reclamar, mandar e-mails, citar casos de más condutas da mídia, enfim, espernear, ou, simplesmente, sugerir e sugerir, não mudará nada. É preciso dar passos, tomar atitudes concretas. A internet é só um meio de mobilização, não um campo de luta." O artigo completo você encontra neste endereço:http://edu.guim.blog.uol.com.br.
Gustavo Morais , Barreiras-BA - Serv. Púb.
Enviado em 25/9/2007 às 8:33:06 PM
Avalizo integralmente o comentário do Sr. José Paulo Badaro, parabenizando-o pela valiosa contribuição. Efetivamente, a grande mídia não cumpre com a sua responsabilidade social de bem informar a população com isenção e idoneidade. Pelo contrário, usam o monopólio da informação para o patrocínio dos próprios interesses e interesses do poder econômico que representam, quase sempre divergentes dos interesses do povo. E ao invés de fortalecer a democracia comete um verdadeiro atentado contra a mesma. O que o articulista chama de erros, por vezes, são verdadeiros crimes, estando longe de ser uma exceção, visto que configura praticamente uma regra na grande mídia, que se lança à prática reiterada de tais “erros”, confiado-se na impunidade. De forma que há a urgente necessidade de criar mecanismos sociais para coibir com todo rigor os abusos do poder midiático. A liberdade de imprensa e de expressão não deve servir de escudo para proteger criminosos.
Arlindo MUngioli , São Paulo-SP - jornalista
Enviado em 25/9/2007 às 5:43:04 PM
Bucci, até agora, pois continua, seu texto é impecável. Mais que o texto, no entanto, são valiosas as idéias e raciocínios que ele expõe. Iluminam o debate. Parabéns
Eduardo Goulart , Niteroi-RJ - estudante
Enviado em 25/9/2007 às 4:43:50 PM
Jose Paulo, não tente manipular a matéria, para defender seus pontos de vista...afinal, ela está aí na íntegra...parabéns ao autor pela clareza do raciocínio e pela aula de bom jornalismo...
Jose Paulo Badaro , São Paulo-SP - desempregado
Enviado em 25/9/2007 às 4:33:00 PM
É verdade que, hoje, mais do que antes, vigiar o poder significa vigiar não apenas o poder político em sentido estrito (...) significa, também, vigiar o poder econômico em sentido amplo, e especialmente o poder dos meios de comunicação, que se converteram em formas relativamente novas de pressão sobre a sociedade – promovem ou simulam, no espaço público, a legitimação de causas próprias ou de causas a que se associam.

...Não raro, elas conspiram, veladamente, contra liberdades, direitos individuais e contra a formação livre da vontade dos indivíduos e dos grupos. É crucial vigiá-las.

Eis ai uma conceituação razoável para o que convencionamos chamar de “imprensa golpista”.
Franzé  Ribeiro , Fortaleza-CE - Jornalista
Enviado em 25/9/2007 às 3:32:11 PM
Eugênio, muito pertinente a sua reflexão. Ajuda muito no processo de discussão do papel da imprensa. Gostaria apenas de pontuar que a mída, em geral, não gosta de ser criticada, não está acostumada com isso e se sente melindrada. No seu texto, você refuta qualquer generalização mas aponta que os erros devam ser individualizados. Que deve ser observada a conduta de quem errou, na busca do reparo, da correção da informação. A instituição do Conselho Federal de Jornalistas, defendido pela Fenaj, não seria uma forma de efetivar seu pensamento?
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