ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 461 - 24/11/2009
  Caderno da Cidadania
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CADEIA & VIOLÊNCIA
A menina paraense que virou notícia

Por Ligia Martins de Almeida em 27/11/2007

A prisão de uma menina de 15 anos em uma cela com 30 homens – e a violência continuada que sofreu durante o período – indignou a mídia na semana que passou, a ponto de merecer um editorial do Estado de S.Paulo sob o título de "Vergonha nacional":

"No capítulo das grandes vergonhas nacionais, merece destaque o fato, especialmente sórdido, de vileza desmedida, que é a colocação de mulheres em celas com muitos homens, para que sejam exploradas e brutalizadas sexualmente... E o mais acachapante é que a governadora do Pará suspeita de que a prática é comum – não apenas em seu Estado, mas em outros locais do território nacional – para garantir sexo aos detentos (e assim, quem sabe, deixá-los mais calmos)". (Estadão, 25/11/2007)

Pessoas sensíveis talvez não tenham conseguido passar da abertura das matérias publicadas durante a semana. Cada uma acrescentava um dado a mais sobre a miséria, a falta de perspectiva e a degradante situação das pessoas mais humildes quando em confronto com as pequenas autoridades, como os carcereiros e delegados que abusam do poder e ameaçam aqueles que estão sob seu jugo. E, pior ainda, diante das autoridades maiores, como juízes, promotores e até governadores, que se escondem atrás de argumentos legais ou da desinformação para não tomar providências.

"Gritava e pedia comida"

A leitura das revistas e jornais permite traçar o quadro completo da miséria nacional, a partir do abuso cometido com uma adolescente numa remota cidade do norte do país.

A Veja desta semana (nº 2036, de 28/11/2007), começa a matéria "Presa, estuprada e torturada" comovendo os leitores com a descrição física da vítima:

"Aos 15 anos, L.A.B. mede 1,50 metro e pesa 35 quilos. Tem a compleição física de uma criança de 12 anos. Todos os dias, L. era violada de cinco a seis vezes. A situação revoltou alguns dos presos, que disseram aos carcereiros que, além de ser uma menina, ela não podia ficar na cela com homens. Os policiais, então, cortaram o cabelo longo, liso e negro de L. à faca e rente à cabeça. Como seu corpo tem poucas curvas, ela ficou parecida com um rapaz."

A Folha de S. Paulo – "Todos sabiam que a menina estava no meio dos homens" (25/11/2007) – discute a omissão do público diante do abuso policial:

"`Era um show isso daqui. Todo mundo sabia que a menina estava lá no meio daqueles homens todos, mas ninguém falava nada´, disse uma mulher na delegacia, sexta-feira à noite. `Antes de comer, os presos se serviam dela´, lembra, inflamada, outra mulher, falando alto bem em frente à sala do delegado de plantão. Refere-se ao fato de os presos obrigarem a menina a praticar sexo como condição para lhe darem alimento. `Ela gritava e pedia comida para quem passava, chamava a atenção para si, e, como ela era conhecida por aqui, não dava para ignorar´, afirma outra."

O Brasil dos pobres

O Estado de S. Paulo, na matéria "Miséria e Prostituição na trilha de L., 15 anos" (25/11/2007), foi além dos concorrentes ao situar os leitores na situação em que vivem os moradores do município, "antigo produtor de cachaça, que hoje sofre com a grande quantidade de jovens viciados em drogas".

Sem tentar comover os leitores – como fez a Veja ao falar da fragilidade física da menor –, o jornal dá um retrato verdadeiro, cruel e talvez por isso mais comovente ainda da situação da jovem, ao dizer:

"Vivendo nas ruas e prostituindo-se desde os 12 anos, viciada em drogas, a menina, apelidada de Cartucheira, acabou presa em Abaetetuba. Com a anuência da Polícia Civil, Ministério Público e Judiciário, ficou entre os presos numa cela que pode ser vista da rua pela população, escancarando a tolerância da sociedade com aberrações cometidas pelas autoridades."

Mas, de toda a cobertura da imprensa, talvez a denúncia mais grave seja a do Diário do Pará (24/11/2007), na matéria "Polícia comunicou fato à Justiça", que informa:

"A Justiça teria conhecimento da situação da Delegacia de Polícia de Abaetetuba e houve falhas na comunicação entre os órgãos de Justiça e a Superintendência de Polícia Civil do Baixo Tocantins. É o que mostram documentos obtidos pelo Diário. Além disso, vários pedidos de transferências de delegacias do interior revelam que a situação se repete em outros municípios. Entre os documentos, um ofício, anterior ao escândalo, mostra que a Superintendência Regional do Baixo Tocantins, situada em Abaetetuba, solicitou a transferência da menor antes das denúncias virem à tona, ainda que com um inexplicável atraso de 14 dias em relação à prisão, ocorrida no dia 22 de outubro. A comunicação em tempo hábil poderia ter evitado que a presa sofresse tantos abusos. O ofício nº 870/07, de 5 de novembro de 2007, enviado pelo superintendente regional, Antonio Fernando Botelho da Cunha, e encaminhado à juíza da 3ª Vara Criminal de Abaetetuba, foi protocolado na secretaria do Fórum Penal no dia 7. No documento, o superintendente pede a transferência da presa para o CRF (Centro de Recuperação Feminino), em Belém, `em caráter de urgência (...) uma vez que não possuímos cela para o abrigo de mulheres, estando a mesma custodiada juntamente com outros detentos, correndo o risco de sofrer todo e qualquer tipo de violência por parte dos demais´ ."

Morosidade da Justiça, omissão governamental, abuso policial, somados a um quadro de miséria que obriga adolescentes a se prostituírem – por pura falta de opção e perspectivas – foram revelados nas várias matérias publicadas ao longo da semana. Graças a um escândalo que deixou leitores sensibilizados e foi um dos destaques da semana, a mídia acabou traçando um triste retrato de um Brasil que dificilmente ganha páginas dos jornais: o Brasil dos pobres e desamparados que não sensibiliza nem mesmo as mulheres no poder.

Comentários (18)
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jacirema  Tahim , natal-RN - professora
Enviado em 2/12/2007 às 12:22:54 PM
Vou bater no óbvio: este caso abjeto vai acabar do jeito de outros como, p.ex ., o dos "emasculados de Altamira". Principais responsáveis: a juíza. Ninguém quase fala. A governadora, é claro, quem vai impugnar o seu mandato? Se não houver uma "praça de maio", se não houver "greves de fome" e uma atitude pública dos religiosos, junto aos seus fiéis, se não se for ás ruas...então...nada!!!
saul rassy , belém-PA - fisioterapeuta
Enviado em 2/12/2007 às 1:58:15 AM
A questão se torna mais interessante quando analisamos por outro prisma... Abaetetuba (para quem não sabe) é uma cidade cuja população não deve passar de 40 mil habitantes, é de se estranhar que um município assim tenha tantos presos sem a mínima estrutura para tal, ora, dai podemos fazer algumas constatações: 1. Gente demais nas cadeias (será que todo esse povo de fato tem que cumprir pena ATRÁS DAS GRADES? Não poderia estar pagando pelo se crime de outra forma??? 2. Por que um município táo pequeno sofre com a superlotação de suas celas??? Até um tempo atrás isso era problema de cidades grandes (metrópoles) e por último; Onde está o judiciário para agilizar os processos de todos esses detentos??? Após observados esses três tópicos, me pergunto se a coitada da menina sofreria toda essa atrocidade.
Fabiano Mendes , Belo Horizonte-MG - Rep Comercial
Enviado em 28/11/2007 às 8:52:43 PM
Complementando o que disse a advogada Selma Gindrim, em um noticiário televisivo um apresentador se mostrava indignado porque a Governadora está a dez meses a frente do governo do estado e não fez nada para corrigir uma falha que há muito tempo , segundo informações , acontece no Estado do Pará. Ou seja, livra a cara de governantes anteriores e querem que em dez meses se faça o que não foi feito em oito anos. Esse é o PIG. Enquanto isso em São Paulo os julgamentos do PCC não existem e em Minas a violência é culpa do Governo Federal. a prostituição infantil nas estradas que cortam o Estado é outra ficção, ou seja, está tudo bem, não existe nada que chame a atenção do PIG.
Arno Esquivel , belo Horizonte-MG - Professor
Enviado em 28/11/2007 às 7:57:11 PM
O artigo, tentado a ir mais longe que as pessoas sensíveis, refere-se à personagem como a garota paraense que virou notícia". Para quem tem um mínimo de sensibilidade (e não é o caso da jornalista e nem dos leitores anteriores, autômatos em opinar e não pensar), tudo o mais se auto-explica. Nada a comentar quando a alma é pequena...
André Martins , Bauru-SP - Engenheiro
Enviado em 28/11/2007 às 5:37:26 PM
Essa nem é uma questão de justiça lenta ou falta de investimento. O fato é que várias pessoas (policiais, carcereiros, etc) viram uma menina (menina, mulher ou idosa não faz diferença) ser jogada naquela situação. Será que nenhum deles pensou que poderia ser sua filha, ou irmã? O que me intriga é saber dessas pessoas (pessoas?) o que lhes passava pela cabeça enquanto patrocinavam esse horror? Será que se tornaram animais? Quais são os valores dessas pessoas?
Alexandre Carlos Aguiar , Florianópolis-SC - Biólogo
Enviado em 28/11/2007 às 3:31:05 PM
Mas que bonitinho as classes dominantes deste país se indignarem com um fato terrível e corriqueiro como este. Aliás, [ ] hipócrita, há coisas acontecendo neste país, que são piores do que isso, se fosse possível fazer dimensões ou estabelecer grandezas para crueldades dessa ordem. O sistema carceráreo no Brasil é uma piada de escabroso mau gosto. E ainda assim há [ ] que se revelam [ ] depositando a culpa nos governantes deste ou daquele partido, como se se retirássemos o dito, as coisas se resolveriam. Esta mesma gente ignara que hoje vomita frente a esta escabrosidade fecha os vidros dos carrões de luxo quando param nos semáforos por aí. Quanta hipocrisia!
calypso  escobar , rio de janeiro-RJ - c.l.
Enviado em 28/11/2007 às 2:49:52 PM
Um detalhe o BRASIL não é burro,subdesenvolvido e recalcado.Quem assim teclou esquece que o povo atrasa o desenvolvimento com afirmações como estas.O país é rico geograficamente,não póde ter recalques;viaje para o exterior e saberá que nosso torrão é reconhecido,não estamos na era da pedra,o povo na maioria é culto,não acha? Até aí o Lula está promovendo o país a sua maneira um tanto estranho,mas estamos caminhando,por dentro toda nação tem seu corpo de distúrbios e se resolvem.Grata calypso
Rafael José Braga Fortes , Belo Horizonte-MG - Tec Elt
Enviado em 28/11/2007 às 12:43:39 PM
Duas coisas absurdas: 1 - Amenizar a gravidade do ocorrido pelo fato de que a adolescente se prostitui desde os 12 anos de idade. 2 - Utilizar-se do triste acontecimento para fazer guerra política. Uma não é menos grave que a outra.
Selma Gindri , Dourados-MS - advogada
Enviado em 28/11/2007 às 12:30:01 PM
Impressionante como as pessoas, condicionadas ( ou seria adestradas?) pela mídia, utilizam o episódio para fazer política partidária. Estão culpando a governadora, e estou pasma como ainda não culparam o pres. da república. As autoridades envolvidas são uma delegada e uma juíza, com os policiais, carcereiros etc fazendo o "trabalho sujo". Pode-se argumentar que o executivo não investiu na construção de penitenciárias. Aí eu pergunto: quem administrou o estado do Pará nos últimos oito anos? Pelo que me consta ,foi o PSDB, se estiver errada me corrijam. Culpar a governadora e o PT é questão de má fé.
Camila  Carvalho , são carlos-SP - estudante
Enviado em 28/11/2007 às 11:48:58 AM
Concordo com o Ricardo Camargo, o discurso "uma vez preso, perdeu a condição humana e tudo contra ele é permitido - o velho discurso do "nada de direitos humanos" é um dos responsáveis pela terrível situação carcerária no país, que dá origem a casos como o descrito e a tantos outros de violação. O preso uma vez não possuindo tratamento digno para que possa se recuperar, será gerador de conflitos ainda maiores para a sociedade, como no caso do PCC, que nasceu na cadeia por reinvindicação dos direitos dos presos e hoje é especializado em diversas ramificações do crime (assalto, trafico de drogas...).
Gleice Bendzius Salgado , São Paulo-SP - Técnica de Informática
Enviado em 28/11/2007 às 11:01:21 AM
Dá para imaginar o real motivo desta barbárie ter ocorrido. """ Adolescente, prostituta, drogada e viciada""". Taí, mais uma vez o preconceito falando mais alto. Que crime ela teria cometido para ser enjaulada, se já não fosse o fato de ter estas, digamos, " caractrísticas". Tenho certeza que passa pelas cabeças dos mais corretos que este já é um motivo para que não achem tudo muito cruel. É uma pena, mais o Brasil ainda é assim: burro, subdesenvolvido e recalcado.
Ricardo Camargo , Porto Alegre-RJ - advogado
Enviado em 28/11/2007 às 7:33:14 AM
O doloroso fato, assim como o caso do Jean Charles, somente tem umaspecto positivo: o de desautorizar, de modo impactante, o discurso segundo o qual, uma vez preso, perdeu a condição humana e tudo contra ele é permitido - o velho discurso do "nada de direitos humanos" -. E ainda, vem a trazer o porquê de se estabelecernuma determinada idade como geradora da responsabilidade penal. Fatos como este - que ocorrem em todo o Brasil, independentemente do Partido que governe -, entretanto, ganham a mídia por pouco tempo. Em breve, vem um crime bárbaro (como o so caso João Hélio), e volta o mesmo discurso que, em última análise, ofertou fundamento para a péssima conduta das autoridades neste caso. Poucos, hoje, aqui e ali, recordam o caso Jean Charles, e este, infelizmente, será o destino deste caso.
Teócrito Abritta , Rio de Janeiro-RJ - Físico
Enviado em 27/11/2007 às 7:19:25 PM
Para agravar a desídia destas autoridades, enquanto a menina L.A.B., de quinze anos, era mantida presa, estuprada, torturada e queimada com pontas de cigarros em uma fétida prisão paraense, a governadora petista do Pará, Ana Julia Carepa, divertia-se em Brasília em uma festa amazonense patrocinada com recursos públicos, balançando o seu traseiro – cultivado com muita mordomia –, dançando o carimbó com o representante da Igreja Universal no governo Lula, o Vice-Presidente José Alencar – em uma espécie de reedição da dança da pizza da deputada Ângela Guadagnin ao comemorar a impunidade de um colega petista por ocasião do episódio do “valerioduto” no ano passado. Para completar este quadro de total descaso pelo sofrimento humano a Ministra Nilcéia Freire, da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, apenas queixou-se da “triste coincidência” do caso da menina torturada com a festa promovida pela sua administração, no Canecão, na cidade do Rio de Janeiro, com a realização do show “Por uma vida sem violência”, com a participação de vários cantores famosos, tudo pago com o dinheiro público. Parece que a impunidade de Lula com a história de que nada sabe está servindo de exemplo no Pará!
calypso  escobar , rio de janeiro-RJ - c.l.
Enviado em 27/11/2007 às 6:19:57 PM
O histórico da jovem ,que a governadora oferta ,a carne nova e fresca para uso e abuso de detentos é delirantemente doentio,seja ela,a delegada,o povo, é para que todos os paraenses se ingratem na tarefa da vergonha,da sujeira e histeria,como não? Formam um triangulo de horror,ódio,rancor.Como brasileira esse Estado passa para os arquivos da miséria humana.Uma menina que passa a ser um um canal de distúrbios traumáticos de doenças mentais propostos por uma maníaca governadora e delegada.O Pará é testemunha da miséria humana!Jamais será esquecida pela ausência humanitária.Cela para a delegada,governadora e demais responsáveis pela lei de proteção aos menores.É calamitoso o episódio,tenha a menina-mártir sido prostituida,ladra ou assassina,nada difere a negritude dos culpados...Calypso Escobar
Marco Antônio Leite , SCS-SP - TST
Enviado em 27/11/2007 às 4:19:52 PM
Esse não é somente o jeito PT de desgovernar, esse sistema vem de longe, pois pimenta nos olhos das filhas dos outros é puro refresco. A elite quinhentona é quem fez e faz às leis que punem somente os filhos daqueles que dão o sangue para que essa mesma elite viva no conforto e no luxo, bem como na luxúria. Num país onde o facínora diplomado tem privilégios de permanecer preso numa cadeia diferenciada, quando isso ocorre, o que podemos esperar daqueles que dizem que “governam” esta quase nação. Nesse balaio estão PSDB, PT, PTB, PDT, DEM(DEMO), entre outros nanicos com pouco prestígio junto aos xerifes de plantão. Quem será que poderia nos salvar, o diabo esta em desavença com o dono do céu, há única saída é esperar que surja um herói, um bruxo, esperar o que?
Edilson Luiz da Silva , Sanharó-PE - Funcionário Público
Enviado em 27/11/2007 às 2:31:59 PM
*Esqueci de lhe convidar para o meu quintal. QUINTALDOPROFETA.BLIG.IG.COM.BR
Edilson Luiz da Silva , Sanharó-PE - Funcionário Público
Enviado em 27/11/2007 às 2:18:39 PM
*Vivemos num país onde quem se marginaliza não tem a menor chance de se recuperar. A menina por já ter histórico de prostituição foi o utilizada pelo sistema como prêmio aos maníacos que estavam presos naquela cela. *A falta de celas não é desculpa para tal procedimento. Dúvido que o crime cometido pela tal adolescente merecesse um castigo tão violento. Não existia uma igreja, parentes, almas caridosas, capazes de ceder um cúbiculo para que ela fosse recolhida. O Nicolau rouba milhões e pode permanecer em seu palacete acarpetado. Enquanto a pobre garota torna-se carne fresca nas mãos dos bandidos. *Já estou bastante decepcionado com o Brasil, agora me preocupo com o espírito humanitário do brasileiro.
Alayr Sobrinho , Belém-PA - Funcionário Público
Enviado em 27/11/2007 às 2:14:22 PM
"...a partir do abuso cometido com uma adolescente numa remota cidade do norte do país." Remota pra vcs. A cidade fica distante 60 km da capital Belém, que vcs também devem classificar como remota. Capital do Pará, um dos estados mais ricos em minérios do mundo, que aliás, devem ser os minérios mais remotos também.
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