ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 464 - 17/11/2009
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ÁLBUM DE FAMÍLIA
Retrato de uma imprensa às vésperas dos seus 200 anos

Por Alberto Dines em 18/12/2007

A mídia, especialmente a mídia impressa e principalmente a diária, chega atarantada às festas de fim de ano. Ao esquema de fechamento insano, desumano, precário, acrescenta-se o extraordinário volume de páginas para acompanhar a avalanche de anúncios.

Faturar alto seria muito bom se o empresário de jornal não se comportasse exatamente como o empresário que fabrica salsichas, despreocupado com contrapartidas.

Na atual alucinação natalina subverteu-se o critério de relevância que há 400 anos comanda o processo de escolher e destacar informações nos veículos periódicos. O que entra numa edição não é necessariamente o que mais importa ao leitor, o que é destacado nem sempre é o mais pertinente. No lugar do princípio da transcendência, o império da aleatoriedade.

Dogmas "da casa"

Como se não bastassem estes desacertos elementares, nossas redações estão engessadas por fórmulas burocráticas estabelecidas pelo departamento comercial ou decretadas pela direção para preservar o vício da segmentação e do cadernismo.

Antes mesmo de traçado o primeiro esboço da primeira página já estão anotadas tantas recomendações e proibições, tantos preceitos e preconceitos, que a soma das criatividades do diretor de arte e do editor reduz-se a 10% do seu potencial.

A obrigação de valorizar os cadernos para adolescentes, comes & bebes, informática, turismo, TV ou a crônica feminina deixam um espaço mínimo para a valorização decente dos fatos do dia. Além disso, há os "especiais" que antigamente designava-se como "picaretagens", sem eufemismos porém com certo recato, e agora são vendidos despudoradamente com a promessa de destaque na primeira página.

Como se não bastasse, há os dogmas "da casa" ("uma cifra, qualquer cifra, vale mais do que um fato, qualquer fato"), os acertos do pool corporativo, as orientações da direção e a fogueira das vaidades dos colunistas. A sobra é mínima.

Ladeira abaixo

Se o panorama é desanimador nas capas dos jornais, nas páginas internas a deformação é produzida pela licenciosidade publicitária. As agências de propaganda pagam altíssimos salários aos seus criativos (aplausos calorosos!), mas isso não deve significar que esses geniais criativos tenham o direito de pisotear os cânones de leitura e da arquitetura interior de nossos jornais. Quem deve ser endeusado não é o anunciante, mas o leitor que paga para receber um jornal bem informado, bem escrito e... minimamente legível.

Um pouco de hombridade e honestidade da parte dos departamentos comerciais tornaria nossos jornais menos vulneráveis aos malabarismos circenses que infernizam a vida de quem precisa ler jornais. E, atenção: eles são em número cada vez menor.

Pouco interessa ao leitor se a agência ganhou um prêmio em Cannes ou no Canindé com a sua barafunda psicodélica concebida para liquidar as diferenças entre informação e anúncio (caso da recente campanha da agência África para a Phillips). O leitor gosta de anúncios desde que oferecidos como anúncios, sem truques ou mistificações.

As mazelas do nosso grande jornalismo não são políticas, ou melhor, podem não ser claramente políticas, mas são tantas e tão entranhadas que acabam criando padrões jornalísticos inconfiáveis no resto da mídia. Não esqueçamos que no Brasil inexistem agências de notícias autônomas, o jornal é ainda o grande pautador do rádiojornalismo, do telejornalismo e do webjornalismo. Uma pequena asneira produzida pela balbúrdia no fechamento rola ladeira abaixo com tal velocidade que em apenas 60 minutos converte-se numa asneira enorme, difícil de erradicar ou contraditar.

Reserva de qualidade

O quadro parece menos desolador nas temporadas opulentas quando a quantidade disfarça a qualidade. Fica mais visível na saison das vacas magras. Breve, em janeiro, teremos o indefectível "jornalismo de verão" com edições mirradas, mais complicadas para preencher por causa dos recessos, férias, recheadas de modismos e abobrinhas sob o pretexto de atrair o público feminino.

A idéia de que leitoras só se interessam por superficialidades e mundanidades é terrivelmente injusta e preconceituosa, porém condenada à clandestinidade – tabu. Nenhuma jornalista ou colunista ousaria propor uma discussão sobre o assunto numa reunião de pauta. Nenhum jornal ou revista encomendaria uma sondagem a respeito. E, no entanto, quando as tiragens começam a cair a solução mais comum é apelar para a mulher e insistir na tal da "leveza".

Temos editores da melhor qualidade, redatores talentosos, repórteres incansáveis, temos até recantos de bom nível jornalístico (caso do Valor Econômico), mas o quadro geral às vésperas das comemorações dos 200 anos da fundação da imprensa brasileira é lamentável. A festa merece convidados menos mambembes.

Comentários (31)
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Juan Carlos  Bosco , Olinda-PE - Gerente de Produtos
Enviado em 24/12/2007 às 6:46:20 PM
A imprensa deverá reformular suas políticas internas, jornalismo serio ou muitos anúncios e poucas palavras, muito dinheiro e "jornalismo" barato, muito crime e terror...muito dinheiro. Na internet encontra-se mais informação de boa qualidade, eu por exemplo gosto de arte, esportes e política nacional e muito a internacional, estou aqui sentado e vou procurando...tenho oportunidade de mandar meus comentários como neste momento, isso que é bom na internet, por isso achou que tanto os jornais como às revistas, vão ter que ser mais sérios.
Marcelo Nogueira , Brasília-DF -
Enviado em 23/12/2007 às 9:41:30 AM
Estranho profundamente qualquer tentativa de desqualificar a atual imprensa tomando-se por base o jornalismo do passado. Nada mais absurdo! Qualquer leitura desatenta da história mostra que a imprensa brasileira foi criada para atender aos anseios políticos e econômicos dos que detinham, à época, capital. À exceção de páginas policiais raramente se viu a ótica do povo impressa nos tablóides brasileiros. O jornalismo nacional, infelizmente, não conseguiu romper este triste cordão e segue atolado no servilismo que lhe preenche páginas de anúncios com o qual se mantém um delicado equilíbrio financeiro. Em verdade, nos afirma a história, nunca se vendeu jornal nesse país! E isso não é de hoje, nem foi de ontem!! Porque o povo, metido em sua sabedoria, sabe que antes do jornal é preciso comprar o pão, de forma que a possibilidade de escolha recai sempre na classe média mastercard, ou seja, uns 30% da população economicamente ativa. É nesse ninho que os jornalões tentam a sobrevivência! Então, menos! Bem menos nessa de valorizar o morto para matar o vivo! Convenhamos, se a comparação é histórica, a imprensa brasileira, editorialmente, tem evoluído e conquistado respeito. Nada, evidentemente, digno de aplausos, mas, incomensuravelmente melhor do que a manipulação descarada do que lhe era publicado num passado recente ou distante. Sejamos críticos, porém um pouco mais honestos!
joao delvage , piracicaba-SP - motorista
Enviado em 23/12/2007 às 8:24:43 AM
Alberto Dines, Em seu nome gostaria de cumprimentar todos os colaboradores do O.I. O trabalho de vocês é muito importante para o Brasil. Parabéns e bom 2008 pra todos aí.
reinaldo cabral silva silva , maceió-AL - jornalista
Enviado em 22/12/2007 às 9:33:52 PM
A sanzonalidade observada com essa avalanche de anuncios nesse periodo combinada com a magreza dos jornais no primeiro trimestre do ano revelam, em parte,as causas da continuada baixa tiragem dos jornais brasileiros,que hoje não pode mais ser atribuída a baixa escolaridade da população urbana mas a uma perigosa falta de hábito de leitura. Como os donos dos jornais tratam esse ramo como se vendessem limão na feira e não há sinais de mudança dessa cultura à vista, por longo tempo eles ainda vão torcer o nariz para advertências como essa do mestre Dines.
Ibsen Marques , São Paulo-SP - Técnico em Eletrônica
Enviado em 22/12/2007 às 9:46:48 AM
Sr. Cid, não discordo de sua opinião sobre Mainard, mas o argumento não é muito feliz, pois, segundo ele seríamos forçosamente obrigados a reconhecer que Maluf e Quércia nunca se locupletaram do erário público e que são posso de honestidade afinal a justiça vive lhes dando atestado de inocência. A publicidade é necessária à sobrevivência da mída, mas ele não deveria se tornar em seu fim último. Essa é a crítica feita por Dines e mal interpretada pelo Eng. Luiz. Além do problema da imprensa não podemos esquecer do problema do leitor. Alguns, como mostram os comentários respondidos pelo OI só aprrendem aquilo que lhes é de interesse e passam à crítica pela crítica. Outra conclusão importante advinda da observação dos comentários é que fora do eixo Rio-São Paulo (e talvez o Jornal de Brasília) parece não existir imprensa. Pelo menos é o que aparenta quando vemos citados aqui sempre e sempre o Estado, a Folha, a Veja, o JB etc. Acho que para que se aprofunde a democratização da informação, a qualidade e a liberdade da imprensa é fundamental que ela se regionalize mais. Afinal, não creio ser possível que essa grande mídia sempre citada, mesmo que volte a publicar com qualidade seja capaz de informar bem toda essa diversidade.
Julio  Valerio Neto , Poços de Caldas-MG - produtor de tv
Enviado em 21/12/2007 às 6:25:24 PM
Dines, gostaria de sugerir um texto que abordasse a situaçao dos jovens jornalistas frente a esse quadro mercantilizado e poco animador da imprensa brasileira. abraço e feliz natal a todos do OI.
Luciano  Prado , Rio de Janeiro-RJ - advogado
Enviado em 19/12/2007 às 9:04:28 PM
Quanta baboseira. Sejamos honestos com a nossa honestidade: não há nada o que comemorar.
Cid Elias , fortaleza-CE - hoteleiro
Enviado em 19/12/2007 às 3:19:31 PM
Sr Matzembacher, soubestes que os estudantes receberam dinheiro dos EUA para se "mobilizarem? Espero que saibas ao menos o porquê de não haver oposição no Parlamento da Venezuela... Aconselho ao Sr Mazziotti dar uma olhada nos dados da Observatório Brasileiro de Mídia. Nas observações do OBM ficou comprovado o tratamento negativo em relação às notícias sobre o atual governo. Quem sabe o Lula discurse falando mal dele próprio e do seu governo, pois segundo a teoria do produtor paulista, "todos acabam se pautando por Lula"! Ah, isto devido aos "1,5 discursos diários"(cuma?) E o nordestino ainda quer aumentar a dose para 2 discursos por dia! Fala sério.
Francisco Mazziotti , São Paulo-SP - Produtor
Enviado em 19/12/2007 às 2:22:00 PM
Prezado Dines Será que (todas) as grandes redações têm que se submeter à chamada "agenda"? Vejamos o caso do presidente Lula: estatística recente revela que o presidente petista faz 1,5 discursos por dia e pretende aumentar a média diária para dois, fora o programa de rádio. Todos os jornais acabam se pautando por Lula. Não há meio dele sair do noticiário, seja com informação útil ou não. É avassaladora a presença do presidente em nossas vidas. Será que todo mundo está mesmo interessado no que Lula fala, ou seriam só os 30% históricos que votam no PT? E o pior é que ele sempre fala indignado, como se ainda estivesse na campanha política. Insuportável.
Luiz Oscar  Matzenbacher , Porto Belo-SC - Jornalista
Enviado em 19/12/2007 às 11:47:20 AM
Sr Cid Elias, hoteleiro de Fortalaleza, eu tive que enviar dois comentários para sair um. No primeiro, a WEB comeu, alegando erro, sei lá qual. Repeti de memória e cometi um erro de atenção. O certo é "abdicar da liberdade em nome da promessa de uma felicidade futura, para aí sim voltarmos a ter liberdade". Olha, meu amigo, isso aí é mais velho que história da humanidade. Quem vem primeiro, a liberdade ou a felicidade? É mais ou menos a história do bolo do Delfim Netto. Ou da torta do bolchevismo soviético, que dizia que era preciso primeiro consolidar a Revolução Comunista para depois conceder liberdade ao povo. Era o bolo da felicidade e da liberdade que só chegou para algus privilegiados russos, mas com a volta do capitalismo, agora selvagem e mafioso. Sr. Cid, onde há revolta estudantil e não existe oposição no Parlamento, algo está errado, não?
Jose de Almeida Bispo , Itabaiana-SE - Publicitário e radialista
Enviado em 19/12/2007 às 12:29:31 AM
Muito bem, S. Arlindo Mungioli , São Paulo-SP – jornalista. Supondo que V. S. seja jornalista formado, talvez o tenha feito sem o devido conhecimento de História do Brasil, então vejamos: TODOS os imigrantes portugueses vindo para o Brasil até ser encontrado ouro em Minas Gerais eram: ou oficiais com mandato de três anos (muitos deles judeus, já que eram quase somente eles quem sabia ler e escrever em Portugal); ou eram judeus, em geral sanbenitados ou até mesmo desorelhados (o Senhor sabe o que significa isso?) ou eram ciganos (ver Livro das denunciações que se fizeram na visitação do Santo Offício à Cidade de Salvador da Bahia de Todos os Santos, no anno de 1618, Anais da BN-Rio, volume 49, pp. 174-175). Se o Senhor não sabe, o Brasil foi ocupado por cristão-novos, ou seja, judeus marginalizados, deserdados de sua religião, de suas famílias e principalmente dos seus dinheiros - se não quisessem acabar assado numa fogueira – “convidados” a sair de Portugal. Para azar nosso, aqui se amasiaram com índias, nossas mães e não nos repassaram tudo o que sabiam, exceto as manhas, tão necessárias pra sobreviver naqueles tempos. Somos uma nova raça em gestação, Sr Mungioli E tenho orgulho da minha herança genética judia-cigana-negra-tupi. Quanto mais tempo rejeitarmos isso mais sofrimentos teremos. Meu preconceito é contra idiotices ou malandragens que acabam por se converterem em tal.
Alex  Prado , Poços de Caldas-MG - jornalista
Enviado em 18/12/2007 às 11:42:58 PM
Caro Dines, Acho que faltou lembrar que, no Brasil, ao contrário dos EUA e da Europa, foram abolidas as " férias de verão". Sou do tempo em que o ano escolar terminava em 30 de novembro e reiniciava em 1 de março. Mas insistem em dizer que o brasileiro trabalha pouco, tem muitos feriados e férias longas! Ora, desde que foram instituídos os 200 dias letivos, as férias escolares minguaram para pouco mais de 40 dias no verão e outros 20 ou 30 dias no inverno. Isto para os estudantes. Qualquer pesquisa mostra que a grande maioria dos trabalhadores formais só goza 20 dias de férias anuais, embolsando monetariamente os outros 10 dias de direito. Assim, reproduzimos o cenário de mídia dos EUA e da Europa. Há um hiato de informação e de programação entre janeiro e março, como se leitores e assistentes estivessem todos de férias ao mesmo tempo. Balela. Este ano, por exemplo, pululam notícias de empresas que cancelaram férias coletivas. Ou seja, o Brasil seja a todo o vapor, mas a mídia só voltará a dar a cara lá pelo final de março. Enquanto isto, resta-no dar uma "espiadinha" no Big Brother Brasil...
Francisco Ernesto Guerra , Assis-SP - comerciante
Enviado em 18/12/2007 às 9:47:00 PM
Escrevi agora há pouco abaixo. Em complemento, digo que temos neste exato momento uma excelente oportunidade para verificar a seriedade da Imprensa. Lembram-se daquela infeliz declaração do Maluf "Estupra , mas não mata". Pois a imprensa deu justo destaque para o caso absurdo da garota paraense, menor de idade, presa com detentos do sexo masculino. É de se presumir que a mesma foi seviciada por mais de um estuprador. A imprensa deu amplo destaque. Foi de pau em todo o mundo, na polícia, na juíza, na promotoria e, inclusive, na governadora do PT. Esta reagiu e demitiu o delegado geral. Veremos, então, o que acontecerá em São Paulo. O menor sob guarda da polícia de SP, foi torturado e assassinado por choques elétricos perpetrados por subordinados de José Serra. Veremos o que a imprensa falará deste episódio, que é proporcionalmente muito mais grave que o paraense. De minha parte não me iludo. A imprensa isenta, honrada e ética declarará que o culpado será o menor defunto. Quanto a Serra não se manifestará, como não o fez no caso das sete mortes do metrô Pinheiros. E assim caminha(para o buraco) a mídia brasileira.
Lucas Bremen , São Paulo-SP - Contador
Enviado em 18/12/2007 às 9:45:03 PM
Meu Deus do céu: "Viva Mainardi, Jabor e Miriam" e "...a Veja e os grandes jornais são fundamentais em uma sociedade livre e democrática." Parece que o engenheiro esquece de pesquisar a história da "grande" rede de televisão do Brasil, assim como da revista "olhe". Parece que o mesmo, ainda, passa longe de cogitar que os ditos "jornalistas" de plantão da vênus platinada criam suas matérias sem que haja qualquer diretiva de opinião. Gostaria de saber do engenheiro super-sabichão, sobre seus concretos conceitos sobre sociedade livre e democrática, assuntos que ainda hoje, aqui no Brasil, não podem ser analisados, haja visto a enorme quantidade de pessoas de o rabo preso com suas instituições midiáticas e governamentais. O jornalismo tombou no advento da televisão. Mais ainda quando essa febre de solidão chamada internet foi plantada em nossos computadores. Quem já constatou o poder da ideologia dominante se posiciona à mesma, da forma como pode: como um objeto aberto às suas manipulações ou como aqueles que tentam evitar a lavagem cerebral que invade nossos noticiários totalmente direcionados. Depois que os jornais se abriram e foram cooptados pela política e pelos empresários, nunca mais foram os mesmos. Por isso, lemos muito do que pouco acreditamos, diariamente. É um exercício mental extremamente desgastante, mas benéfico, para alguns, apenas. Salário mensal dita a escravidão.
Cid Elias , fort-CE - Hoteleiro
Enviado em 18/12/2007 às 8:45:39 PM
Luiz Calegaro Hausen, o mainardi, o jabor et caterva não mentem? Nem o Pantaleão! Muito menos o Pinóquio! Então porque este pseudo-brasileiro mainardi(o jabor tb) já foi condenado mais de uma vez? Por que difamou gratuitamente pessoas sérias, e acusou outras levianamente usando apenas "verdades"? Quem escreve VERDADES não é condenado, doutor...Fala sério.
Francisco Ernesto Guerra , Assis-SP - comerciante
Enviado em 18/12/2007 às 7:27:36 PM
Enfim concordo com com o Sr. Dines. Comecei a ler diariamente jornais no início da década de 70 (o jornal da Tarde), para ler as páginas de esporte. Mas, na inocência dos meus 15 anos, ficava intrigado com as notícias das páginas iniciais do JT que todos os dias trazia no meio do texto receitas de bolos e doces, ou, então, trechos de camões (soube mais tarde). Nem sabia que vivíamos numa ditadura. Era a censura. Criminosa, babaca, cretina, burra e todos os demais adjetivos que alguém possa imaginar. Veio a liberdade de imprensa, temerosa a princípio, mas plena logo a seguir (muitos se lembrarão do saudoso folhetim, da folha). Depois a democracia. A alternância no poder. A TV a cabo e a internet. Os jornais e TV perderam o seu rumo. Caiu a circulação dos jornais, vem caindo a audiência da rede Globo. Para se manterem os empresários, donos da mídia, venderam a sua alma, sua dignidade. Passaram a defender apenas um dos lados da disputa política (dos anunciantes). Não há mais contraditório. Participam de golpes ou tentativas de golpe (o escândalo Próconsulti, a filha do Lula). Escondem as falhas do outro lado, como as CPI s contra Alquimin, a compra de votos da reeleição de FHC, a cratera do metrô de São Paulo. O domínio de SP pelo PCC. A incompetência notória de Serra e seu vice kassab. Resumindo a grande imprensa perdeu o seu rumo. Não leio mais jornais e nem assisto a globo
Ramon Limeira , João Pessoa-PB - Servidor Público Federal
Enviado em 18/12/2007 às 5:56:17 PM
A qualidade da imprensa é, de fato, rasteira. Se os jornais de circulação nacional são sofríveis, mesmo sendo provavelmente a fonte de informação e opinião das pessoas mais bem posicionadas, que dirá dos meios locais? Na Paraíba, não temos mais que arremedo de jornal. E para não ficar na crítica calva, acho louvável a iniciativa da Carta Capital de reservar um espaço regular para a discussão do fazer jornalístico e da produção da notícia. Isso é essencial para a formação do leitor. Também admiro o Valor, por sua pluralidade e pela qualidade dos textos. Para terminar, Dines, não creio que a liberdade pretendida por este espaço deva ser ilimitada. Não é preciso ter muito bom senso, para saber que um comentário como o do Sr. Bispo, já denunciado por outro comentador, não deve ser levado em conta nem exposto.
Cid Elias , fort-CE - hoteleiro
Enviado em 18/12/2007 às 5:50:22 PM
Lembro ao Sr. Dines que 85% das notícias que circulam no planeta são oriundas de três agências americanas, precisa dizer mais alguma coisa??? O jornalista de nome complicado(Matzembacher) poderia esclarecer esta maravilha estilo repeteco marrom pró-américa "...Ou valerá a pena abdicar da liberdade, em nome de uma promessa de liberdade como aquela que é oferecida ao povo venezuelano, por Chávez, por exemplo?" Qual seria a liberdade que o grande jornalista refere-se, esta tal "liberdade abdicada" pelos venezuelanos? Será que ele esteve na Venezuela recentemente? De onde foi que tirou a referida realidade? Fala sério.
Luiz Callegaro , Florianopolis-SC - Eng Civil
Enviado em 18/12/2007 às 5:42:43 PM
Que me perdoe a classe de jornalistas, mas com as opiniões de alguns aí , acho que a faculdade não ajudou em abrir a caixola de alguns.É lamentável.Acho que até é passível de censura ética, de uma reprimenda.Como uma pessoa esclarecida(??) defende um tipo escatológico, bizarro e ditatorial como Chavez?Esse tipo de gente é igual ao Lulla, ao Evo,Pinochet,Videla,Fidel.Não passam de um bando de ditadores, enganadores do povo.Aqui no Brasil não vai pegar.Ainda bem que temos Veja, Estadão,Folha, etc.Jornalismo não cooptado, não são chapa branca.Viva Mainardi,Jabor,Miriam.A turma do PT pode ser até contra, mas eles não mentem, não são atrelados, não foram cooptados.Falam sobre fatos.Verdades absolutas que a cada dia, mais ficam claras.Tem um pessoal, não se por ma fé, ou pq defendem a corrupção, que passam a margem dos escândalos.Tergiversam sobre toda a corrupção petista.Mensalão,dossiê Vedoin, aloprados,ONGs, lulinha,Zé Direceu,desvios da Infraero, Valerioduto, caixa dois, e por aí vai.
Luiz  Callegaro , Florianopolis-SC - engenheiro civil
Enviado em 18/12/2007 às 5:29:08 PM
Quanta bobagem.O Sr. Dines com este pensamento "socializante" e dado a fazer favor com o chapéu alheio, se administrasse uma carrocinha de cachorro quente, quebraria em 1 mês.Ora, qualquer atividade deve dar lucro,estamos numa sociedade capitalista(graças a deus).Ninguém tem fábrica de dinheiro em casa.Tem uns petistas não declarados, que falam do dossiê Cayman.Ora quem é especialista em dossiês falsos, é a turma do Lula e do Zé Dirceu.Ver os aloprados do Lula.Ora a Veja e os grandes jornais são fundamentais em uma sociedade livre e democrática.A imprensa tem que fazer oposição até para a oposição.A verdadeira imprensa( a não cooptada, a que não é chapa branca) tem que denunciar e criticar sempre, por dever.Engraçado como os petistas não suportam a oposição, não aceitam criticas e muito menos negociar.Esta soberba, arrogância e petulância vai colhendo seus frutos.Ver a queda da CPMF e agora vâo derrubar a MP da maldita TV Brasil.Não passa de mais um cabide de emprego, para os jornalistas pelêgos.Esta imprensa sim deve ser deixad de lado.
Luiz Oscar Matzenbacher , Porto Belo-SC - Jornalista
Enviado em 18/12/2007 às 5:13:59 PM
Tive o prazer de hopspedar por uma semana em minha casa, aqui em Porto Belo, o professor Lucien Sfez, especialista em Crítica ao Jornalismo, através de uma ciência que ele tenta enriquecer, a Epistemologia da Comunicação Social. O professor da Sorbonne, tunisino e italiano, veio descansar depois de um seminário na PUC-RS, acompanhado de uma amiga, artista plástica gaúcha, irmã de minha esposa. Pois foi para mim um recordar sem fim. Falou dos meus amigos jornalistas gaúchos que conhecera em Porto Alegre e enveredamos para a crítica ao jornalismo brasileiro. Ele entendeu o nosso drama, talvez melhor do que nós o entendemos. A análise de Sfez tem o mesmo rumo das críticas de Alberto Dines. Quem sabe um dia tenhamos Lucien Sfez e Dines aqui no Observatório ou em um jornal brasileiro, expondo juntos e até debatendo essa questão vital: A imprensa livre seria a chave da felicidade para um povo sofrido, como o é o brasileiro? Ou valerá a pena abdicar da liberdade, em nome de uma promessa de liberdade como aquela que é oferecida ao povo venezuelano, por Chávez, por exemplo?
alfredo  sternheim , são paulo-SP - jornalista/cineasta
Enviado em 18/12/2007 às 5:12:31 PM
Realmente, Dines, o quadro da nossa imprensa é lamentável .Pelo menos no que se refere aos grandes jornais e algumas revistas do eixo Rio/SP) . Mas o que esperar de uma imprensa onde qualquer um pode ser colunista ou radialista? Aqui mesmo, abaixo, no teu democrático espaço para comentários, encontramos texto preconceituoso, racista (anti-semita) de um sujeito chamado Bispo, de Sergipe, que se diz radialista. Seus argumentos são ridiculos, grosseiros, ofensivos. Como esse sujeito pode ser radialista? É dono da emissora? ou filho do dono? E no dia-a-dia da n/imprensa existem muitos que ganharam colunas opinativas por parentesco, amizade, cupinchagem... geralmente, são agressivos, fanfarrões. Tipo Jabor, Mainardi, Gancia, D.Leão, etc...Por outro lado, jornais como O Estado, perderam a capacidade de dialogar com o leitor. Em plena internet, nesse jornal fiquei sem resposta várias vezes. Aliás, continuo num caso de equívoco de cobrança. E o vestuto jornal insiste em não ter ombudsman. Que atraso. Por isso, muitos (eu inclusive) deixaram de assinar ou comprar jornais. E assim la nave va...
Jose LidioMoura Pinho , Salvador-BA - Corretor de Imoveis
Enviado em 18/12/2007 às 5:06:08 PM

Sr Dines, Nem uma palavra sobre o falso dossie da revista Veja! Talvez seja por isso, que os jornaloes tipo folha estadao, globo etc, e revistas como vela, epoca ou isto e alem de jornalistas como o sr, que se dizem observadores da imprensa, nao comentam ou observam nada, que essa imprensa esta indo para o ralo!!!

Nota do OI: Se o leitor se lembrasse que a matéria de Veja sobre o tal dossiê foi publicada dezoito meses atrás, teria lido à época, neste Observatório, o artigo "Jornalismo de Veja não vê, chuta". (L.E.)

italo dueck , campo grande-MS - tec. telec.
Enviado em 18/12/2007 às 4:51:34 PM
Na medida em que não qualificou o debate sobre a cpmf, imposto que não era injusto e foi apresentado como solução para alta carga tributária, na medida em que não repercutiu o dossiê falso contra o PT como o fizeram com o dossiê falso contra o PSDB vai ficando mais transparente que o Jornalismo de alguns está à serviço dos anunciantes, financiadores , colaboradores e em alguns casos do próprio patrão. Em vários países sul americanos ainda existem TVs que decidem Presidentes nos últimos dias das eleições e não há que se orgulhar disso, mas não podemos unicamente pretender ainda assim que somos diferentes. Fala-se muito que a relação político/empresa de comunicação é nocivo para democracia, e a relação partidos /jornalismo de alguns, que nenhuma legislação alcança.
Arlindo Mungioli , São Paulo-SP - jornalista
Enviado em 18/12/2007 às 3:48:49 PM
Absurdo permitirem que esse tal Bispo itabaianense escreva que a imprensa é dominada por "judeus e ciganos bastardos". E se alguém se atrever a culpar veados, crioulos, deficientes e vadias pelos males do jornalismo? Desde que falem mal da mídia vale qualquer espécie de desrespeito e os preconceitos mais odiosos?
Paula Helena , Ribeirão Preto-SP - desconhecida
Enviado em 18/12/2007 às 3:37:49 PM
Faz muito tempo que não compro jornal. Leio um monte de sites na internet e daí tiro minha informação, tendo um pé atrás com tudo já que sempre desconfiei do Estado e a Folha... Lembro quando era criança ainda, me mostrando uma seção na Folha que mostrava duas visões do mesmo assunto, por pessoas de visões opostas. Hoje, por exemplo, dariam uma página para o debate governo/ oposição... Passados mais de 20 anos, esses dias vou ter que comprar jornal. O que tenha mais folhas, para dar para o cachorro sujar...
Edemerson  Aquino , Ribeirão Preto-SP - Adm. de Empresas
Enviado em 18/12/2007 às 2:59:44 PM
Dines, há quase dois anos que não compro um jornal de grande circulação em bancas de jornal. Era assíduo comprador, principalmente aos finais de semana. Desisti dessa parafernália quando percebi que estavam tentando me manipular, publicando notícias que não se confirmavam e depois ficavam sem um aparte para correções; calúnias, mentiras, falsos dessiês como o da revista veja (com v minúsculo) que divulgou sobre uma "possível" conta do Presidente Lula nas Ilhas Caymãs e que agora aparece como uma armação em conjunto com o Sr.Daniel Dantas. Outro exemplo clássico foi a história da "Escola de Base" e que a mídia em geral odeia tocar no assunto. Eu peguei verdadeiro nojo dessa grande mídia nativa, que visa somente seus interesses financeiros em detrimento da péle e da alma de quem passe no seu caminho. "Eu não preciso ler jornais, mentir sozinho eu sou capaz, não quero ir de encontro ao azar..." Raul Seixas.
MenjolAlmeida , São Paulo-SP - Analista Cobrança
Enviado em 18/12/2007 às 2:51:56 PM

Sr. Dines, a Veja e o sr. Daniel Dantas forjaram um dossiê (e pelo que sei o sr. adora comentar os dossiês) falso sobre diversas personalidades da política brasileira, entre eles o presidente da república (seu adversário político). Está comprovado que o dossiê era falso. V. Sa. nada tem a dizer? Vai fazer como fez com a cratera do Geraldo? Ignorar?

Nota do OI: O atento leitor esqueceu que a tal matéria de Veja foi publicada em maio de 2006, um ano e seis meses atrás. Na mesma semana em que saiu, mereceu o comentário que agora cobra: ver "Jornalismo de Veja não vê, chuta" (L.E.)

Euclides Rodrigues de Moraes , João Pessoa-PB - Bancário
Enviado em 18/12/2007 às 1:06:27 PM
Sr. Dines, Só o futuro mostrará o mal que a imprensa, vem realizando consigo mesma, me doí e sinto saudades de quando, se não era imparcial, pelo menos era plural. Nós tinhamos opiniões a esquerda, direita, acima, abaixo, centro, etc, finalmente, para todos os gostos. Como era bom poder afirmar a Folha publicou a Veja disse e assim por diante. Hoje se você se arriscar a fazer uma afirmação dessas corre o risco de ser desmentido, pela verdade, no minuto seguinte. Não sei, talvez eu seja ultrapassado, um crédulo inocente e essa é a forma moderna e atual de se fazer jornalismo, mas que não me agrada e não me faz bem e o pior não me demonstra a menor credibilidade isso é verdade. Hoje, para mim, é como disse Drummond "...é apenas um retrato na parede mas como doí!".
Jose de Almeida Bispo , Itabaiana-SE - Publicitário e radialista
Enviado em 18/12/2007 às 12:27:01 PM
Belo texto, Dines. Excelente. Todavia, você queria que saísse o quê de uma imprensa feita por judeus e ciganos bastardos (e portanto deserdados do melhor ou menos pior de suas culturas)? "Como se haveria de reconstruir o Brasil se até o capitão do navio lhe movia cruel guerra, primeiro vendendo-lhe os mastros, depois as velas, as enxarcias e se lhe não vendeu o casco o foi por não ter a quem o fazer" (Padre Vieira). Eis a nossa imprensa. Malandros que usam o conhecimento não para progresso pessoal e comunitário, mas para e apenas exercer suas vaidades em cujas é compreendido a posse do dinheiro. Êta vale de lágrimas! Mas já foi pior. Muito pior.
Max Suel , SP-SP - Engenheiro
Enviado em 18/12/2007 às 11:51:08 AM
Concordo plenamente coma análise do Jornalista A. Dines. O meu interesse na leitura do Jornal tem diminuído muito. Os motivos, além dos apontados no artigo, a meu ver tem relação com a competição da internet, e também com a escassez de bons jornalistas e de BONS LEITORES. Eu já tive muito prazer, praticamente um vício, na leitura da Folha de São Paulo (1977 a 1990), e do Estado de São Paulo (desde 1967 até estes dias); hoje a leitura destes jornais é feita em muito menos tempo, pois os assuntos de meu interesse são cada vez mais raros. É uma pena, mas espero que esta "crise" melhore, e que os Jornalões de SP voltem a se tornar imprescindíveis para mim.
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