ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 480 - 24/11/2009
  Jornal de Debates
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BAIXARIA NA INTERNET
Quem vigia os vigilantes dos vigilantes?

Por Andre Deak em 8/4/2008

Talvez seja a hora de atualizar uma questão proposta por Platão há mais de 2 mil anos. Em suas discussões com Sócrates, chegaram a uma sociedade perfeita organizada sobre quatro categorias: trabalhadores, comerciantes, escravos e guardiões. Sócrates teria perguntado a ele então: "Quem vigia os vigilantes?". Essa questão já foi bastante usada em outros sentidos: Quem fiscaliza a polícia? Quem fiscaliza os jornalistas? Para ambas as perguntas, costuma-se dar a mesma resposta: a sociedade.

Atualmente, entretanto, a situação pode ter se tornado mais complexa. Não apenas a polícia ou os jornalistas, agora, são capazes de cometer crimes impunemente (apesar de existirem ouvidorias e corregedorias de polícia para os primeiros e Lei de Imprensa e ombudsman para os segundos). Pessoas comuns, agora, podem usar a internet para caluniar ou difamar, sem medo algum de punição, inclusive. O que nos leva à atualização da questão platônica: quem vigia os vigilantes dos vigilantes?

Dezenas de leitores se indignaram com a sugestão do jornalista Eugênio Bucci de que deveria haver um código de ética para os leitores, assim como há um para os jornalistas, para que os leitores fossem mais responsáveis ao deixar comentários pela rede – comentários que, às vezes, se tornam ataques pessoais, apócrifos, inclusive [ver "Estereótipos e conspirações de leitores"].

Porta fica aberta

Dito assim, de supetão, pode parecer um argumento de jornalistas que não querem ouvir críticas de leitores, mas é um dos principais debates da rede hoje. Uma tradução para essa preocupação seria: é necessário moderação de comentários? Ou, indo mais além: é preciso criar alguma forma de identificar quem publica algo na rede para responsabilizar criminosos?

Hoje existem métodos que tornam quase impossível identificar alguém que resolva publicar anonimamente algo na internet. Não são métodos simples de serem aplicados, tanto que a organização Repórteres Sem Fronteiras criou uma cartilha explicando como fazer isso, alegando poder ser útil para escrever livremente em países onde o governo pode prender sem justificativa qualquer um que publica algo na internet. Como nos Estados Unidos, por exemplo, depois da lei chamada Patriot Act.

Se responsabilizar jornalistas por informações falsas é possível – apesar de que a lei, nesse caso, é usada menos para fazer justiça e mais para intimidar jornalistas –, o mesmo se torna muito mais complicado no caso dos usuários da internet, especialmente aqueles que fazem comentários maliciosos. A polícia até tem como descobrir um criminoso, já que é possível, na maior parte das vezes, localizar o endereço residencial de alguém a partir de uma publicação – como ocorre com a prisão de pedófilos. Mas é bem improvável que a polícia invista tempo localizando um comentarista de blog. Sem punição à vista, a porta fica aberta aos ataques.

Não há espaço para identificação

A Justiça, aliás, nem mesmo interpreta que a culpa por um comentário malicioso seja de quem escreveu – a culpa é de quem o publicou. Entre dezembro de 2005 e janeiro de 2006, alguns dos autores do blog coletivo Direitos de Resposta (eu, inclusive) foram intimados em uma investigação policial que pretendia descobrir o proprietário do site. O inquérito, iniciado a pedido de João Kleber, provavelmente seria usado para processar os donos do veículo por calúnia e difamação – por conta, justamente, de comentários dos leitores. O blog tratava dos bastidores do programa de televisão que foi ao ar na RedeTV! por decisão judicial, a partir de um pedido de resposta de seis organizações civis e do Ministério Público Federal ao programa Tardes Quentes, do qual Kleber era apresentador.

As ONGs alegaram que uma parcela da sociedade foi ofendida pelo programa e exigiram reparação, concedida pela Justiça – o programa saiu do ar e no lugar dele, durante 30 dias, foi transmitido outro programa, feito pelas ONGs, chamado Direitos de Resposta. No blog deste programa, vários leitores deixaram alguns impropérios contra o apresentador. Segundo a Justiça, a responsabilidade dos comentários é de quem mantém o site. Os xingamentos saíram do ar, o processo não seguiu adiante, mas casos semelhantes se dão com certa freqüência. A responsabilidade, hoje, não está com quem escreve, mas com quem publica – o que modifica um pouco as coisas. Interpretações assim determinaram, por exemplo, que o YouTube fosse bloqueado no Brasil durante alguns dias.

A cultura atualmente desenvolvida pelos usuários da rede impediria qualquer tentativa de regular ou monitorar a participação das pessoas. Projetos como os do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), que propõe que o usuário tenha um cadastro para entrar na internet e seus passos sejam monitorados – just in case, na base do "quem não deve não teme" – são fortemente combatidos pelos defensores do direito à privacidade. Não há espaço, aparentemente, para exigir que usuários da internet se identifiquem. Qual a saída então?

"Convenci e fui convencido"

A cultura desenvolvida pela televisão talvez seja mesmo culpada pela forma como muitas pessoas interagem hoje na internet. Bucci compara os comentários agressivos postados por alguns leitores com a atitude dos dois personagens da MTV dos anos 1990.

"Penso nas posturas habituais da dupla Beavis e Butthead diante da TV. Os dois se batem contra o monitor vomitando impropérios entre arrotos que parecem risadas e risadas que soam como arrotos. Imagino um sujeito grudado no sofá, berrando vulgaridades para a mocinha seminua que dá duro no programa de auditório e que, por certo, não pode escutá-lo. Ele não sabe que a insulta, ou, pior, supõe que a elogia. Em seu delírio, acredita que a rapariga, se o ouvisse, tomaria seu grunhido gutural por galanteio. A televisão adestrou o sujeito anônimo, diluído na multidão, a falar sozinho entre quatro paredes. Adestrou-o com a promessa de que ele jamais seria visto nem ouvido."

É bem possível que as pessoas tenham se acostumado a uma participação pouco edificante diante da TV, com o passar das décadas no sofá. Qual seria a porcentagem de críticas construtivas que iriam ao ar em um sistema de comentários online, sem filtro, em tempo real, que acompanhasse uma transmissão de jogo narrada por Galvão Bueno?

A interatividade cada vez mais simples, entretanto, e o hábito de participação no espaço público talvez sejam capazes de melhorar o nível dos comentários. Provocadores natos são banidos de listas de discussão e, por mais que voltem com outros nomes, são banidos novamente até que cessem as provocações; comentários criminosos são retirados do ar; comentários agressivos recebem também respostas agressivas quando são mantidos no ar – normalmente acabando com a discussão, mas ensinando que não dá para existir discussão assim.

Filipe Fonseca escreveu um, entre as dezenas de comentários ao texto de Bucci, e creio que exemplifica esse raciocínio:

"Já tive discussões interessantes neste OI. Já convenci e já fui convencido, e isso só é possível se os envolvidos na discussão estiverem dispostos a discutir de fato. Também já errei. Já exagerei na crítica ou na agressividade, o que teve a serventia de me ensinar que não é possível travar um debate sem que se demonstre respeito pelo pensamento alheio."

Mais participação

Steven Johnson, no livro Cultura da Interface, identifica Beavis e Butthead como um tipo de programa de uma fase de transição cultural. Ele chama de "formas parasitas" programas que surgem para dar sentido a outros dados, num mar de informação.

"As formas parasitas vicejam em situações em que a informação disponível excede em muito nossa capacidade de processá-la (...). Nesses climas, aparece todo tipo de metaforma: condensadores, satiristas, intérpretes, sampleadores, tradutores. Eles se alimentam do excesso de informação, da atordoante sobrecarga sensorial da mediasfera contemporânea."

"Podemos assistir ao vídeo musical diretamente da MTV, é claro, mas podemos também fazê-lo através dos filtros de Beavis e Butthead, com seus comentários staccato correndo como pano de fundo. Ou podemos ver o mesmo vídeo no Yak Live, da MTV, com um fluxo de comentários ao vivo rolando sob a imagem em tempo real, transmitidos diretamente de uma sala de conversa da AOL, como um cruzamento de texto de capa de disco com grafites de banheiro. Beavis e Butthead e Yak são metaformas, filtros; ainda assistimos ao próprio vídeo, mas a experiência é necessariamente transformada (se não sempre intensificada) pelo filtro que a transmite para nós."

Os comentários de Beavis foram talvez o primeiro ensaio de interatividade – uma interatividade falsa, onde o próprio emissor (a MTV) comentava os seus próprios vídeos na pele de dois adolescentes (uma sátira ao seu próprio público, aliás). A evolução para o modelo Yak, que existe até hoje, é mais verdadeira: coloca o próprio telespectador comentando – assim como são as caixas de comentários.

A internet semântica talvez resolva isso. No Overmundo, por exemplo, é possível votar não apenas nos textos – que sobem de lugar na edição da página se são julgados interessantes, ou vão para um limbo onde quase ninguém os lerá –, mas também se pode votar nos comentários. Ou seja: os leitores também decidem quais comentários são úteis ao debate e quais são nocivos, jogando os nocivos no fundo da rede.

A solução contra os baderneiros da rede não precisa vir do controle sobre a participação, mas justamente do outro lado: mais participação. Se o leitor vigia o jornalista, quem vigia o leitor? Os vigilantes dos vigilantes serão vigiados por outros vigilantes: nós mesmos, os cidadãos. Inclusive nós, os jornalistas...

Comentários (28)
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Ricardo Pierri , Santos-SP - advogado
Enviado em 13/4/2008 às 5:21:11 PM
É incrível como alguns adoram espantalhos. O único q fala em censurar a imprensa é vc, meu caro! O controle social não é censura: é RESPONSABILIZAÇÃO. é exigir que a imprensa se porte como tal sob pena de ser responsabilizada ao causar dano. É exigir que a imprensa informe todas as opiniões. Vc fala em submeter a imprensa ao controle da sociedade como se fosse algo pernicioso, enquanto defende a submissão dela ao controle PRIVADO como se fosse "liberdade de imprensa"! Será que é difícil perceber a incongruência? Os mesmos que criticam todo e qquer controle da sociedade sobre a imprensa que deve servir à sociedade, defendem a censura cometida PELA empresa-imprensa, q cala toda e qquer crítica a ela, ou opinião contrária às dela, TODOS OS DIAS. Isso, eles acham "normal", pois antes de ser imprensa, ela é empresa, e pode "fazer o que quiser". Pois não pode, não, se quiser bater no peito, se dizer imprensa e gozar dos privilégios desta. Imprensa parcial e panfleto, e panfleto não tem que ter privilégio algum pois age apenas em benefício do grupo que o produz. Quem quiser se chamar de imprensa e ser respeitada como tal tem, primeiro, que agir como imprensa, e não como empresa.
Paulo  Sousa , Balneário Camboriú-SC - jornalista
Enviado em 12/4/2008 às 5:22:21 PM
Carlos Mendes está certíssimo: deixa rolar. Lendo uma parte dos comentários daqui vejo que eles corrobram o que eu já disse nos comentários ao texto do Eugênio Bucci: temos pouquíssimo apreço pela liberdade. É incrível como grassa o espírito autoritário. É enorme o número de pessoas dispostas a censurar - a imprensa e os comentaristas. Não é à toa que se pode contar nos dedos os anos em que "effepaiff" esteve livre de regimes antidemocráticos. Alguns chegam ao absurdo de sugerir "controle social" da comunicação - um eufemismo para a aplicação das técnicas stalinistas de censura. Esquecem-se de que os jornalistas, como qualquer cidadão, estão sujeitos às leis, à Justiça comum. E não se pode esquecer que este povo que hoje clama por censura à "grande imprensa", à "mídia golpista", há não muito tempo usava e abusava da mesma "grande imprensa" para espalhar suas infâmias. Enfim, que os criminosos sejam submetidos à Justiça - jornalistas ou não. Nada de conselho disso ou daquilo. Mas isso já é querer demais "neffepaiff" que segue firme e forte rumo à Idade Média.
fabio lopes , fortaleza-CE - professor
Enviado em 11/4/2008 às 2:10:26 PM
Se alguém tem dúvidas ainda sobre o modus operandi da nossa grande imprensa leia a matéria sobre a Isto É nesta edição. Quer baixaria maior q essa?
Marcio Flizikowski , Curitiba-PR - Professor
Enviado em 11/4/2008 às 2:06:52 PM
"Os leitores também decidem quais comentários são úteis ao debate e quais são nocivos, jogando os nocivos no fundo da rede." O autor realmente acredita nisso? Acredita que o usuário vai atribuir uma excelente nota ao comentário bem fundamentado mas que é contrário a visão do usuário? Não será mais óbvio que o usuário atribua excelentes notas aos comentários que ele concorda, mesmo que absurdos?
Cláudia Monteiro , Fortaleza-CE - jornalista
Enviado em 11/4/2008 às 1:33:27 PM
Acho perfeitamente pertinente a figura de moderador de conteúdos para monitorar os comentários. Além da possibilidade de crime, existem ainda uma grande inutilidade, bobagem, infantilidade e uma série de leviandades que são reproduzidas pela internet. Além de deseducativo, essa quantidade de besteira que é escrita hoje faz com que os comentários relevantes fiquem escondidos, perdidos num mar de sandices. Se não se pode censurar, pelo menos deve-se separar o joio do trigo e se destacar aqueles comentários que acrescentem algo, deixando toda a sorte de tolices abaixo.
Célio Mendes , Vitória-ES - Bancario
Enviado em 11/4/2008 às 1:28:02 PM
Já foi comum, não sei se ainda o é, em época de eleição aparecerem panfletos apócrifos denunciando isso e aquilo contra sicrano e beltrano, é um uso indevido da imprensa (falo das maquinas de impressão) e do papel, nem por isso se cogitou de se exigir identificação de quem compra papel ou quem compre/utilize impressoras. O ponto é que qualquer meio de comunicação pode ser usado para difamar, e no caso dos panfletos tal como no da internet pode ser um problema identificar o agressor. Como ja foi mencionado existem varios meios de se impedir os abusos atraves de mecanismos de filtragem e até denuncia dos próprios comentaristas. Iniciativas de identificar o usuario como a sugerida pelo senador além de ineficaz e técnicamente complicada de realizar trazem embutida uma mensagem de cerceamento a liberdade de expressão que muitos na imprensa adoram denunciar quando sentem um minimo de ameaça ao seu poder de contar a "verdade" conforme a ótica que defendem. Um caso clássico de "pimenta no olho alheio é refresco".
Amanda  Vieira , Brasília-DF - Colega
Enviado em 11/4/2008 às 11:55:45 AM
O artigo é bem interessante. Pode soar meio autoritário para os que não estudam teorias de comunicação, mas na verdade é bem libertador. O artigo todo chama a atenção para a responsabilidade do leitor, e isso incomoda porque leva a uma outra pergunta incômoda: "que responsabilidade, cara pálida? quem é você pra me dizer o quanto sou ou deixo de ser responsável? Já não basta a tv entregar o lixo q eu vejo calado, nao posso externar minha raiva ao menos em comentários na internet?" . Acho louvável tocar nesse tema, porque de fato os leitores podem cometer violências. Só não se sabe que instrumentos podem coibir esse tipo de violência sem que se tire a liberdade de expressão das pessoas. É uma linha muito tênue. Acho que o Deak levantou casos concretos que justificam a preocupação com esse tema, que de tão espinhoso, poucos ousam enfrentar... Acho que ele acertou a mão e deve continuar levantando o debate, cada dia mais necessário.
Pedro Meira , Fortaleza-CE - Funcionário Público
Enviado em 11/4/2008 às 9:47:57 AM
Quem vigia o leitor? Os próprios órgãos de imprensa costumavam fazer isso. No passado, as cartas publicadas eram e continuam sendo selecionadas, por critérios nem sempre claros e justos. Eu mesmo já escrevi diversas vezes para Veja e Carta Capital, e nunca tive minhas cartas ou e-mails publicados. E elas estavam longe de serem ofensivas, pelo menos não tinham nenhum palavrão ou expressão agressiva. Existem filtros nos sites, como aqui no OI, avisando que comentários ofensivos não serão publicados. Não vejo muita necessidade na insistência nesse assunto, mesmo porque não se pode alimentar a ilusão de que algum dia os leitores irão todos escrever do jeito que os jornalistas gostam.
Fábio de Oliveira Ribeiro , Osasco-SP - advogado
Enviado em 11/4/2008 às 8:53:25 AM
O problema, meu caro, não é o conteúdo dos comentários, mas a forma como os mesmos são encarados. Se não dermos atenção aos provocadores certamente eles não causarão nenhum mal (a não ser a sí mesmos privando-se do uso produtivo do ciberespaço). O ciberespaço é uma grande conversa, uma reprodução do que ocorre na vida em sociedade. Se fossemos processar cada muleque que pisa em nosso pé no trem, ou que amassa nossas orelhas com o bico duro de sua bombeta, ou que faz cara feita e tece comentários provocadores na rua ou nos ônibos, as cadeias ficariam cheias de novos clientes para os caras realmente perigosos que comandam as facções criminosas. Apesar de usar palavras macias, seu texto demonstra uma intolerância e um preconceito muito grande em relação a alguns internautas. Cada qual usa a rede conforme sua possibilidade e necessidade (mas nem todos a utilizam de forma produtiva, isto é um fato com o qual temos que nos acostumar). De resto, sugiro-lhe que releia O ALIENISTA, de Machado de Assis. Na sua fúria para realizar uma limpeza social parecida à que você pretende fazer na Internet, o alienista acaba prendendo todo mundo no manicômio. Depois percebe que o único alienado era ele mesmo (então ele se tranca e solta as outras pessoas).
Eduardo Goulart , Niteroi-RJ - Estudante
Enviado em 10/4/2008 às 9:08:25 PM
A internet tornou-se o que é graças a sua absoluta liberdade de comunicação. Para o bem e para o mal.
Eduardo Guimarães , São Paulo-SP - comerciante
Enviado em 10/4/2008 às 7:52:58 PM
Fico pensando... Há algumas semanas, o colunista da Folha Clóvis Rossi chamou "descerebrados", "idiotas de plantão" e "hidrófobos" os leitores que acham que a mídia é golpista e tucana. Quem é que pode escrever um texto em espaço equitativo na Folha dizendo que essa não é forma de responder às críticas à mídia? Rossi e a outra colunista que se dedica a espinafrar leitores que discordam dela são casados, respectivamente, com uma importante militante do PSDB e com o marqueteiro do partido. E ainda se dão ao desfrute de insultar quem cobra deles que deixem claros suas óbvias motivações políticas. É o seguinte: essa é a continuação da verdadeira conversa fiada de Eugênio Bucci. O fato é que a mídia está apavorada com a possibilidade de ser cobrada diretamente, em questão de minutos, por centenas de pessoas. Quando Rossi insultou os leitores, convoquei uma campanha em meu blog e e a Folha recebeu tantos emails protestando que criou até uma mensagem automática via email referente ao assunto "coluna de Clóvis Rossi". Foram centenas e centenas de mensagens de protesto, que se espalharam pela rede. Houve excessos? Claro que deve ter havido. Mas alguns desses excessos terá sido maior do que o cometido pelo colunista? Antes de querer calar as críticas, a mídia deveria evitar excessos como o do orgulhoso colunista.
Lucas Artur , Paiva-MG - estagiario
Enviado em 10/4/2008 às 7:32:19 PM
As pessoas muitas vezes não sabem diferenciar, ética de anti-ética... E isso não ta apenas num simples comentário, ta no nosso dia a dia.
Daniel Martínez Cavenaghi , Manaus-AM - estudante
Enviado em 10/4/2008 às 6:40:37 PM
O Observatório deveria criar um cadastro de comentaristas deste espaço contendo endereço, telefone, RG e outras informações pessoais, de modo que o OI só autorizaria a participação deles a partir da confirmação das informações fornecidas. O Painel do Leitor da Folha de São Paulo funciona assim. Ou seja, ninguém é obrigado a fornecer informações pessoais só pra ler artigos do OI, a menos que queira publicar comentários. Se o OI for processado por publicar algum comentário, o autor comentarista perde o direito de entrar neste espaço. Isto impede, por exemplo, que comentaristas entrem aqui com vários nomes(devido ao RG). Não adianta criar ranking de comentários pois somente os posts partidarizados serão os mais votados. Publicar um comentário deve seguir as mesmas regras que publicar um artigo.
Paulo Campos , João Pessoa-PB - eng°
Enviado em 10/4/2008 às 5:03:02 PM
Há quem considere explicita ou implicitamente ( jornalistas!!) em seus blogs que o uso do respeito ao outro no debate de idéias sinalize uma fraqueza de espírito ou que o vituperio é a melhor forma de roubar a cena. Penso que tal posição não reflete uma falta de amadurecimento cultural . Afinal de contas não foi falta de cultura o que levou Robespierre à guilhotina. Discutir sobre isto é completamente inócuo. A internet arma o leitor e desencastela o jornalista. Alguns deles ainda não se acostumaram a isto. outros já partiram pra briga, e alguns sempre à beira de um ataque de fúria, já criaram seus blogs pensando numa guerra. Se a questão central for porém: por que se peca contra a ética? ( uso a expressão pecado pois creio que numa sociedade como a nossa a ética deva ter valor religioso) e se o valor ético mais importante é o respeito pela verdade , então a penitencia deverá ser paga pelo próprio jornalismo.
fabio lopes , fortaleza-CE - professor
Enviado em 10/4/2008 às 3:55:37 PM
Essa turma da imprensa não nos perdoa por termos contribuido com a desmistificação da mídia e a derrota do projeto golpista tucano-demoníaco. A estratégia está clara: bombardear a internet com denúncias constantes de c rimes virtuais, como a pedofilia p. ex. e agora classificar os internautas como promotores da baixaria. Ligue a tv e assista a procissão de baixaria q cotidianamente desfila diante de nossos olhos. E isso se estende a determinados jornais e revistas. E lembrar q eramos obrigados a aguentar tudo isso calados. E agora q temos um espaço onde podemos nos expressar em pé de igualdade, ou quase, vêm esses clones dos Goebbels e Carlos Lacerdas da vida querer amordaçar a internet. Agora leles podem difamar a vontade sem serem molestados por ninguém, porque senão é atentar contra a liberdade de expressão. A grande imprensa promove um verdadeiro festival de hipocrisia, tentando calar a todos e se passando por vítima. Desculpe se ofendi as susctibilidades de alguém, mas "quem diz o que quer, ouve o que não quer"...é a democracia bem!
Marcelo Nogueira , Brasília-DF - Jornalista
Enviado em 10/4/2008 às 2:32:31 PM
Considero muito curioso todo esse tempo e espaço gasto com o propósito de "educar" o comentarista. Por que? Ora, será que não se percebe que se trata de um processo comum de amadurecimento cultural. Acho que o ponto mais importante de todo esse desperdício de Português serve para mostrar ao jornalista que, vejam só, o leitor EXISTE, sempre existiu...
Marcelo Thompson , Niteroi-RJ - ENGº
Enviado em 10/4/2008 às 12:59:36 PM
Pois é... como algumas outras pessoas abaixo, eu gostaria de saber qual o órgão que tem efetivamente vigiado o jornalismo nacional. Vide o caso Veja. Concordo que deva existir algum tipo de moderação nos comentários, simplesmente para manter a ordem dos prórpios e não trocar o viés da coisa discutida. Concordo também que não adianta colocar um "árbitro" que seja o prórpio jornalista. Se há de se ter um árbitro, que seja pelo menos alguém isento daquela questão.
Alexandre Carlos Aguiar , Florianópolis-SC - Biólogo
Enviado em 10/4/2008 às 11:37:05 AM
O advogado Ricardo Pierri sintetizou muito bem: falta horizontalidade. O trato é o seguinte: "eu, jornalista, exponho a matéria. Vocês, leitores/ouvintes, absorvem e comentem se sim, ou se não. Nada de exageros." Liberade de expressão não é isso, caro jornalista, que fique bem claro. Derci Gonçalves fez sucesso exatamente por proferir palavrões a todo momento e a todo lugar. Freqüentemente se ouviam risadinhas nervosas, pelo inconveniente, de ter que aturá-la. A rede mundial é uma Derci exarcebada, tanto pode fazer rir, como fazer corar os mais incautos. É assim a vida também. Agora, só espero que esta tentativa de se fazer de vítima não extrapole, pois nós, leitores/ouvintes, queremos também informação com qualidade, que é o que está faltando há muito por aí. Vo fazer um check list dos jornalistas "decentes" que nos cercam. Posso?
Maria Clara Carneiro , Rio de Janeiro-RJ - professora
Enviado em 10/4/2008 às 11:02:25 AM
No site da Folha, os comentários são agrupados de certa forma em que não se sabe sobre qual reportagem se comenta, e, na verdade, os comentários são. geralmente, sobre comentários alheios. E a fórmula para ser avaliados, ao que me parece, é o uso das maiúsculas. Foi o que deduzi por isso aqui: http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u390348.shtml
Kleber Carvalho Carvalho , B.H.-MG - -
Enviado em 8/4/2008 às 8:48:00 PM
O mais interessante de tudo isto é que não existe no Brasil, nenhum controle sobre o que os jornalistas escrevem, eles achincalham a honra das pessoas impunemente e não tem nenhum órgão que possa puní-los quando se excedem ou quando destroem reputações e ainda querem um tratamento igualitário aqui na net, tenha santa paciência, já dizia meu avô, pau que dá em Chico, também dá em Francisco.
Tiago de Jesus , SP-SP - analista de sistemas
Enviado em 8/4/2008 às 6:41:14 PM
"Qual seria a porcentagem de críticas construtivas que iriam ao ar em um sistema de comentários online, sem filtro, em tempo real, que acompanhasse uma transmissão de jogo narrada por Galvão Bueno?" e eu pergunto: quantos comentários do próprio Galvao Bueno iriam ao ar se o mesmo sistema proposto acima fosse aplicado a ele? A internet quebrou a "quarta parede".
Tiago de Jesus , SP-SP - analista de sistemas
Enviado em 8/4/2008 às 6:38:08 PM
Peço ao autor acima que imbua-se de todo o pós-modernismo que puder e releia a própria citaçao do texto de Eugenio Bucci: "Em seu delírio, acredita que a rapariga, se o ouvisse, tomaria seu grunhido gutural por galanteio". Pois eu diria que, em seu delírio, jornalistas tomam-nos todos por parvos, imaginam toda uma situaçao surreal e acabam por protagonizar várias novas instâncias do "momento William Bonner", em alusao a quando o jornalista chamou o público do JN de Homer Simpson na frente de outros repórteres, jornalistas, acadêmicos e observadores com microfones, e nao em um grunhido hipotético em uma sala hipotética da fantasia de auto-importância de quem fosse. Código de ética deveria valer para todo mundo, e foi isso que os críticos comentaram do artigo de Bucci.
cacalo kfouri , são paulo-SP - jornalista
Enviado em 8/4/2008 às 4:47:12 PM
deak dixit!
Fábio Ricardo , Blumenau-SC - Jornalista
Enviado em 8/4/2008 às 4:46:45 PM
A participação do público sempre é perigosa. Mesmo asism, a considero saudável e de grande utilidade. Praticamente necessária. O fato de um comentário falar algo que não faça muito sentido (ou seja simplesmente uma opinião) vai ser combatido ali mesmo, nos comentários. Podem ver isso em qualquer lugar. Se um leitor diz algo, os outros leitores, já nos comentários mesmo, rebatem a fala dele. Isso é democracia da informação (tá, beeem por cima, obviamente). Qualquer um pode falar o que quiser. Mas qualquer um tem o direto de concordar ou discordar.
Edmilson Fidelis , BH-MG - Analista de Sistemas
Enviado em 8/4/2008 às 4:20:34 PM
Difícil questão! Não sou contra melhor identificação de leitores ao deixarem comentários em algum post. Acredito que cada um deva ser responsável pelo que diz. Não tenho temor em deixar registrado, nos comentários que eventualmente escrevo, uma forma de poder ser facilmente identificado, desde que tais informações fiquem sob tutela dos responsáveis pelo post, não sejam também publicadas e que eles se responsabilizem em caso de vazamento. Creio que um mediador, em que pese todos os pontos negativos, seja uma figura indispensável. Difícil será tentar implementar um código de ética para leitores. Quais seriam os parâmetros? Será que iriam exigir um curso preparatório para comentaristas? Devem ter curso superior? Devem ser especialistas reconhecidos no assunto em questão? Lembremos que neste país o que mais gostam e criar leis e mais leis, regulamentos e mais regulamentos, normas e mais normas. E no final, tudo é um caos. Ou, um código de ética de leitores servirá para barrar os comentários e funcionar como a coluna de leitores dos grandes meios de comunicação impressa onde são mostrados somente os elogios? As maiorias dos comentários no post do Bucci foram contra a generalização e não contra a condenação de excessos.
Ricardo Pierri , Santos-SP - advogado
Enviado em 8/4/2008 às 3:57:21 PM
O texto é muito bom, mas falha em deixar de lado a discussão das posições dos jornalistas e dos leitores e a falta de diálogo horizontal entre eles. Enquanto partirmos do princípio que jornalista não debate com o leitor não chegaremos a lugar algum. Tomemos por exemplo o próprio artigo do Bucci, neste formato que é mais interativo do que o tradicional: ele expôs uma opinião, os leitores discutiram entre eles, o Bucci complementou seu artigo com "esclarecimentos". Neste formato o jornalista assume a postura de um árbitro, "acima" dos leitores e isolado deles. em vez de dialogar horizontalmente, utiliza o espaço de maior visibilidade para expor, arbitrariamente, as opiniões dos leitores da forma que quiser e rebatê-las na forma que desejar, e não na forma como elas foram expostas originalmente. Ou seja, se um outro leitor não percorrer a centena de comentários, jamais ficará conheendo a opinião do leitor, mas apenas a interpretação e contestação do "árbitro". Não que essa fórumla seja essencialmente errada, mas é preciso que o "árbitro" entenda e desempenhe seu "arbítrio" de forma consciente e correta, como fazem alguns ao reproduzir as palavras dos leitores, em vez de apenas sua interpretação delas. O leitor, subordinado, não pode ser censurado por se revoltar. Os abusos são reações, e não ações, dos leitores, na maioria dos casos, fruto do formato vertical, e não questão ética.
Ivan Moraes , Newark, NJ-MG - sem profissao
Enviado em 8/4/2008 às 3:47:17 PM
"Quem vigia os vigilantes dos vigilantes?": os bancos. Eh por isso que trolls nao acontecem no eBay. Essa historia de documentacao excessiva pra entrar em locais especificos na internet falha ate mesmo com passwords, porque eh um excesso de cricrificacao da sociedade. Meu browser me pergunta se eu quero "lembrar" dos passwords ha quase 3 anos. Quando eu aperto sim, ele me pede... o password do browser. Que eu NUNCA usei e portanto nao saberia. Meu computador tambem, mas eh tao chato lidar com a cricrificancia do "keychain" que eu nunca cheguei a isso. O navegante ja tem excesso de cricrificacao entrando debaixo da unha, nao vai ser com documentacao que vai ser resolvido o problema, vai ser com informacoes bancarias. Infelizmente isso vai abrir as portas aa chantagem, especialmente em paises como o Brasil aonde ate a media faz chantagem aberta e legalizada, com garantia invisivel de impunidade. Tambem abre as portas do SEU computador aa ainfiltracao bancaria e suas porcentagens, das quais eles precisam para tirar dinheiro dos paises pobres e exportar para os ricos. Seriedade conta, os bancos nao teem nenhuma.
CArlos N Mendes , Santos-SP - industriário
Enviado em 8/4/2008 às 1:34:30 PM
Talvez a pior consequência do mau uso da liberdade na internet seja a sua limitação via imposição dos agentes reguladores - censura. A proposta de Eduardo Azeredo, além de assustadora, não conseguiria nada contra a fraude ideológica - se até pessoas físicas conseguem ficar décadas ocultas, que se dirá de pessoas virtuais. Encaro esses impropérios como algo novo - leitores que cansaram da via de mão única que costuma a ser a imprensa escrita. É um fenômeno similar ao advento da pílula anticoncepcional - que resultou nos excessos do amor livre da contracultura. O bom senso acaba prevalecendo, mas só a experiência para nos mostrar o que é certo e o que é errado. Em outras palavras, deixa rolar. Vamos acabar encontrando um modo de controlar esse ódio.
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Andre Deak

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