ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 490 - 24/11/2009
  Caderno da Cidadania
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QUESTÃO RACIAL
Anotações sobre um gesto pós-racial

Por Muniz Sodré em 17/6/2008

Nunca a grande imprensa brasileira falou tanto sobre a questão racial quanto agora. De algum tempo para cá, o tema comparece em editoriais, artigos, crônicas, reportagens, dando ou não seguimento a acontecimentos significativos, como a ida de um grupo de intelectuais ao Supremo Tribunal Federal para entregar um manifesto contra as cotas que favorecem negros nas universidades.

As posições favoráveis e contrárias já são mais ou menos conhecidas (embora não tanto as motivações profundas dos opositores). Mas uma notícia que pode ter passado despercebida é capaz de lançar uma luz nova sobre o assunto: a atriz Marília Pera convidou o ator negro Lázaro Ramos para um dos papéis principais da peça The Vortex, que será encenada no Rio. O personagem a ser vivido por Lázaro é, no texto, branco, de família tradicional inglesa (O Globo, 9/6).

O notável do fato é que, até agora, o universo ficcional brasileiro tem obedecido ao cânone da verossimilhança sócio-histórica. Este pode ser exemplificado da seguinte forma: um fictício presidente da República não seria jamais interpretado por um negro (em peça, drama televisivo, cinema, filme etc.) por infringir a regra do verossímil, que apontaria para a evidência (meia-evidência, na verdade...) de que nunca houve um primeiro mandatário negro no Brasil. Ora, se se trata de ficção, por que atender aos requisitos da realidade histórica? A televisão norte-americana tem dado uma resposta singular à questão, ao colocar um negro como presidente da República numa série policial (24 Horas). Agora, é a vez de Marília Pera romper o cânone.

O corner do binarismo

A iniciativa da atriz é de natureza "pós-racial". Primeiro, tem implícito o pressuposto – corretíssimo – de que raça só existe uma: a humana, distribuída numa miríade de cores ou fenótipos, dos claros aos escuros. Depois, a escolha obedece apenas a critérios técnicos de adequação do ator ao personagem, e não à verossimilhança fenotípica. Um ser humano de carne e osso vai viver um outro, feito de imaginação e papel, no teatro. Lázaro Ramos já havia sido protagonista do filme O Homem que Copiava, de Jorge Furtado, sem que tenha sido levantada em qualquer passagem do roteiro a questão da cor da pele. Aos olhos do espectador, um homem, simplesmente um homem, relaciona-se com outros em proximidade, desracializado.

Há uma coincidência singular entre o fato referente à peça inglesa e o momento histórico em que o negro-mestiço Barack Obama é indicado como candidato do Partido Democrata à presidência da República dos Estados Unidos. "Negro-mestiço" para nós, "negro" para o sistema classificatório norte-americano (onde vige a one drop rule, ou seja, uma gota de sangue negro define racialmente o sujeito), Obama merece, assim como Lázaro Ramos, o epíteto de "pós-racial". Isto quer dizer que não racializou a sua campanha, apesar das tentativas dos adversários no ring das primárias, de levá-lo ao corner do binarismo racial.

Análises e soluções diferenciadas

Tudo isso pode soar aos desavisados como base argumentativa contra as cotas no Brasil. Não é bem assim. Um artigo do cantor e compositor Martinho da Vila (O Globo, 10/6) no dia seguinte ao da notícia da peça também traz luz para o assunto. Martinho conta de seu espanto, na primeira viagem aos Estados Unidos, ao ver estampados em cartazes, nas ruas e em lugares de destaque, as imagens de negros socialmente proeminentes. Espantava-o o grau de visibilidade pública de cidadãos uma vez descritos pelo escritor Ralph Ellison como "homens invisíveis". Isto não se dá por acaso, nem por pura e simples graça do poder: os negros, com todas as suas contradições internas, empenharam-se durante gerações na luta por direitos civis igualitários.

Ora, dirão, esse binarismo radical que ensejou a luta por direitos mais civis nos Estados Unidos não é o caso brasileiro. O que é a mais absoluta verdade e contraria a que se apliquem aqui, sem mais nem menos, critérios válidos para a realidade norte-americana, tal como a "regra da gota única de sangue". Mas da mesma maneira não se pode invocar o "pós-racialismo" de Obama para dizer que o Brasil já dispõe há muito da fórmula agora encontrada pelo candidato democrata. São realidades diferentes, que induzem a análises e soluções diferenciadas. A boa saúde mental e cívica recomenda uma pausa nos reflexos especulares do centro do Império.

"Relação social de raça"

Uma pausa dessas pode servir para pensar que possivelmente o gesto pós-racial da atriz Marília Pera tenha sido "sobredeterminado" (uma múltipla determinação, em que o fenômeno Obama pode até ter tido algum peso) pela conjuntura sócio-político-cultural que a temática das cotas suscitou no Brasil.

Desde o Prouni, ganhou foro público a questão da cidadania de segunda classe, de sua exclusão sistemática das oportunidades historicamente concedidas aos que já nascem "cotados" ou "patrimonializados" pela cor socialmente valorizada. Mas as cotas de agora – recurso, para mim, provisório – representam uma estratégia de visibilidade mais forte, esta que os Estados Unidos de algum modo já obtiveram, sem, entretanto, resgatar a maioria negra de seus bolsões de pobreza, nem diminuir esse mal-estar civilizatório que é a discriminação racial. O conceito científico de raça acabou, mas não acabou a "relação social de raça", isto é, o senso comum atravessado pelo imaginário racialista.

Visibilidade valorizada

Os intelectuais que, em jornais ou na academia, formaram um ativo bloco orgânico para pregar contra as cotas, não desconhecem o fato de que a cidadania, conceito eminentemente político, nasce no solo da visibilidade dos membros de uma comunidade: o sujeito visível tem voz pública; o invisível, não. O escravo grego não podia ser cidadão porque não dispunha do "capital" de visibilidade suficiente (naturalidade da língua, da fratria etc.) para falar na ágora.

A decisão sobre quem pode ou não falar, ser visto e ocupar os lugares do privilégio, é de natureza estética, no sentido radical desta palavra. Na raiz, estética e política coincidem. Uma política de cotas não implica que se acredite na existência de raças, e sim que as diferenças estético-fenotípicas têm conseqüências para a igualdade dos cidadãos. Sobre a branquitude da paisagem eurocêntrica projeta-se alguma "colorização" de espaços – fonte do espanto de Martinho da Vila, ponto de partida de uma visibilidade valorizada.

Não se pode realmente acreditar que as cotas venham resgatar a situação socioeconômica dos escuros e desfavorecidos, nem resolver o problema da introjeção histórica dos estereótipos racistas. O exemplo do pós-racialismo é algo de fato desejável, pode ser uma meta. Mas não é algo que esteja aí à disposição dos interessados, como uma espécie de fruto natural gerado pela suposta boa consciência daqueles que dizem temer a "racialização" da sociedade brasileira. Em termos coletivos, será o resultado de lutas e cotas em que venham a envolver-se também empresas e outras instituições pertinentes, além do Estado. A visibilidade valorizada é um começo razoável.

Comentários (48)
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Geraldo Magela  da Silva Xavier , Belo Horizonte-MG - contador
Enviado em 23/6/2008 às 8:30:21 PM
Senhor Marco, então não pode ter pontuação mais. Quer dizer que pontuação é justificativa rota para Barrar negros. Vamos abolir a pontuação dos campeonatos de futebol , de basquete, de fórmula I, dos desfiles de carnaval, Agora, o que existe no DNA do negro para fazê-lo avesso à pontuação? Na Africa provavelmente não existe pontuação.
Marco Antônio Leite , São Caetano do Sul-SP - TST
Enviado em 23/6/2008 às 8:25:25 PM
Senhor Magela, vamos discutir com civilidade, vossa colocação para definir o socialista não é de uma pessoa culta, pois se trata de um termo chulo. Procure debater como um cidadão esclarecido e conhecedor do que o sistema neoliberal impõe para aqueles sem condições financeiras para competir no mercado consumista. Por essa razão, não se vê muitos negros estudando em Universidades gratuitas ou pagas. Você diz estar desiludido com a esquerda, porém a culpa da sua desilusão esta no interior de sua cabeça, ou seja, sua forma de pensar não esta de acordo com a realidade que vemos neste quintal Norte Americano.
Marco Antônio Leite , São Caetano do Sul-SP - TST
Enviado em 23/6/2008 às 7:05:00 PM
Senhor Magela, esse alguém é o branco, não rouba a nota, mas rouba a consciência, bem como trata o negro como escravo. Nas muitas favelas espalhadas pelo país afora a maioria dos "moradores" são negros. Nas empresas os negros estão nos postos de trabalho inferior, como também ganham menos que o branco mesmo exercendo a mesma função. Portanto, o acesso do negro na Universidade é dificultado por meios sutis, essa de pontuação é apenas uma justificativa rota para barrar sua entrada em qualquer curso superior.
Geraldo Magela da Silva Xavier , Belo Horizonte-MG - contador
Enviado em 23/6/2008 às 6:55:44 PM
Senhor Marco, não se trata de tese. É fato. O critério de classificação é baseado na pontuação. Aqueles que tem melhor desempenho entra. se não entrou é por que o desempenho não foi suficiente. Simples assim. Sua resposta so me fez desiludir mais ainda com a nossa esquerda. Repito: cada vez mais estou dando razão àqueles que chamam nossa de esquerda de perfeitos idiotas.
Geraldo Magela da Silva Xavier , Belo Horizonte-MG - contador
Enviado em 23/6/2008 às 6:48:10 PM
Senhor Marco, então quer dizer que alguém está roubando a nota dos negros?
Hélio Pimentel , São Paulo-SP - Consultor de Informática
Enviado em 23/6/2008 às 1:21:57 PM
As leis racistas que criam o privilégio das cotas dividem o país em benefício dos militantes profissionais da causa "afro". Melhorar a escola da periferia ninguém quer. O autor deste artigo não defenderia uma atriz gorda para o papel de top model e é incapaz de lembrar que São Paulo já elegeu um negro carioca e uma nordestina para a prefeitura.
Thiago Leite , Natal-RN - Antropólogo
Enviado em 23/6/2008 às 11:25:22 AM
Para o racismo que há no Brasil, “de marca”, gestos pós-raciais são importantes, pois lidam com todas as nossas noções pré-concebidas de estética, pelas quais consideramos mais parecidas entre si pessoas com a mesma cor da pele do que pessoas de cores diferentes (mesmo que sejam quase iguais em outros aspectos fisionômicos). Quando assisti a Matrix Revolutions com amigos, a cena em aparece o Oráculo, interpretado por uma atriz “afro-americana” diferente da que o interpretou no primeiro Matrix, despertou a indagação do amigo que estava ao meu lado: “Ué, essa personagem não era negra?” Para ele, a primeira atriz era negra e a segunda não. Mas para os norte-americanos, adeptos do racismo “de origem”, ambas as atrizes têm pelo menos “one drop” de sangue “negro”. Se Matrix tivesse sido feito no Brasil, não importaria a ascendência da atriz, o que importaria era sua aparência física. Considero que as cotas são mais acertadas, nas políticas anti-racismoo no Brasil, em situações em que a aparência da pessoa seja levada em conta, como na escolha de modelos de publicidade ou em empregos que tenham entrevista no processo de seleção. Mesmo assim, são paliativos e só serviriam para nos acostumar ver a alteridade representada como normal nos meios de comunicação. Os que se preparam no vestibular podem ser excluídos. Mas o vestibular não mede bem a vocação acadêmica, o que é outro problema.
Marco Antônio Leite , São Caetano do Sul-SP - TST
Enviado em 23/6/2008 às 9:43:26 AM
Senhor Magela, segundo vossa tese os negros não galgam um banco Universitário no quesito medicina em função de não alcançar a pontuação necessária. Senhor, o que ocorre de fato é que os negros não participam do processo devido à falta de dinheiro para bancar uma matéria extremamente cara. Não é falta de pontuação, mas o negro é marginalizado socialmente, essa é a questão fundamental para dificultar o acesso do negro no meio Universitário. Ou não? Caro Magela, seu comentário é racista e preconceituoso, haja vista tratar o negro como bronco?
Sérgio Henrique Cunha Zica , Taguatinga-DF - Técnico - Informática
Enviado em 23/6/2008 às 8:25:49 AM
Pois é, Ana costa. Dois passos pra pra frente e um pra trás. E assim caminha a humanidade.
Ana Costa , xx-SC - xx
Enviado em 21/6/2008 às 10:12:35 AM
No artigo é dito que o conceito científico de raça acabou, será? Há tendências em pesquisas cientícas do projeto genoma e neurológicas, após a possibilidade de ver o cérebro em funcionamento, neo-eugênicas. Há um processo de medicalização muito forte e os que querem provar que negros são inferiores como na ciência do século XIX. Só para lembrar, leiam em http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u337682.shtml "Uma entrevista do biólogo James Watson, 79, com declarações racistas anteontem a um jornal britânico atraiu uma enxurrada de críticas de cientistas, sociólogos, políticos e ativistas de direitos humanos. Watson, ganhador do Prêmio Nobel (1962), por ter descoberto a estrutura do DNA juntamente com Francis Crick, em 1953, afirmou ao jornal britânico "The Sunday Times" que africanos são menos inteligentes do que ocidentais e, em razão disso, se declarou pessimista em relação ao futuro da África." Esta declaração foi no ano passado, 2007.
Sérgio Henrique Cunha Zica , Taguatinga-DF - Técnico - Informática
Enviado em 20/6/2008 às 2:40:00 PM
O Brasil tem uma história. Neste país, se praticou a escravidão e criou-se uma cultura desde o Brasil colônia de racismo e preconceito contra seres humanos de etnia negra (quase tudo que eu disser se aplica aos de etnia indígena, vejam, ainda que por motivos diferentes, com resultados similares) e este estava arraigado na sociedade. Não é necessário ser um gênio nem saber muito de história para saber que esta cultura continua entranhada na sociedade, em todos os seus assim chamados níveis sócio-econômicos e, é claro, étnicos. Quando uma atriz negra, não me recordo qual, beijou um ator branco ela foi quase agredida nas ruas, por negros, que perguntavam se ele escovava os dentes após beijá-la (talvez Yolanda Braga e Leonardo Villar, mas não tenho certeza). Apenas mostrando como o racismo e o preconceito estão disseminados. Agora, como bem disse o autor, a etnia no Brasil não passa pelo conceito de "one drop", mas é baseado na aparência. Sim, é um conceito difícil, mas o brasileiro realiza isto usando conceitos como mulato, moreno, com ou sem diminutivos. Se está no "seu lugar", é negro mesmo, se somos forçados a aceitar, chamamos de "moreninho". Até a idnetidade de negro lhe é retirada para ser socialmente aceito. Ora, é óbvio que isso passa por percepções de ordem econômica. Mas, não se iludam: duas pessoas com currículos e situações similares que se apresentem a um emprego, o "
Léo  Bueno , Santo André-SP - Jornalista
Enviado em 20/6/2008 às 1:30:38 AM
A legitimidade, ou falta dela, do regime de cotas ultrapassa a discussão sobre o fenótipo. Focá-la no fenótipo só dá argumento aos que somos contra esse regime, pois qualquer classificação com base na aparência já prevê uma tal subjetividade que já torná-la-ia forçosamente preconceituosa por si. Isto posto, como a argumentação de Muniz Sodré é espantosamente bela! Um único parágrafo dele vale tudo o que Ali Kamel escreveu na vida. É duro saber que, nesta questão, estou do lado deste – se bem que por motivos diversos dos que ele apresenta – e contra aquele.
Geraldo Magela da Silva Xavier , Belo Horizonte-MG - contador
Enviado em 19/6/2008 às 8:50:21 PM
Se não existe negros nos cursos de Medicina e de Direito, é por que eles não conseguiram obter a pontuação necessária para serem aprovados. Não está relacionado com a cor da pele, o critério de seleção para as universidades brasileiras é objetivo, não subjetivo. O examinador nem conhece vestibulando. A resposta, pedindo emprestadas as palavras de Bob Dylan, está soprando no vento. É a educação estúpido! Mas os nossos intelectuais, não enxergam. Preferiram, sabe-se lá por que, ideologizar a questão. É uma atitude paradoxal, pois a educação é invocada como solução de diversos problemas do país, como corrupção, tráfico de drogas, gravidez na adolescência. Mas quando se fala em acesso às universidades de elite, a educação não é a solução, mas as cotas. Estou chegando à conclusão que estão cobertos de razão aqueles que chamam a nossa esquerda de perfeitos idiotas.
Marco Antônio Leite , São Caetano do Sul-SP - TST
Enviado em 19/6/2008 às 6:52:12 PM
Só existe uma raça, ou seja, o conjunto de indivíduos cujos caracteres somáticos, tais como a cor da pele, a confirmação do crânio e do rosto, o tipo de cabelo, etc., são semelhantes e se transmite por hereditariedade, embora variem de indivíduo para individuo. Resumido, branco, negro, amarelo, vermelho, mulato, bom-bom, branquela, alemão e congênere são humanos. Esse fato demonstra que a cor da pele é apenas um detalhe. Ou não?
Thiago Conceição , Campinas-SP - Programador
Enviado em 19/6/2008 às 6:06:01 PM
José Roberto, os EUA são exemplo só de como não deve ser. Lá é um país extremamente segregado, chegando ao ponto onde a pessoa deixa de ser um indivíduo e passar a ser "latino" ou "afro-americano" ou outra denominação arbitrária. Isso é simbólico do poder que se tem sobre alguém conquistado, assim como reis vencedores na antigüidade renomeavam os reis conquistados. Existe tanta paranóia com gotas de sangue que para eles não existem brancos na América Latina e nem no sul da Europa (Espanha, Portugal, Itália, etc). Pois não são "puros". Pelo amor de Deus, parem de palpitar e estudem sobre o racismo, eugenia, leis raciais, etc! A coisa lá sempre foi terrível. Não há sequer comparação. O próprio termo "ocidental" por lá tem conotação racial e nenhum país da América Latina é considerado "ocidental", pois só brancos dos olhos azuis são "ocidentais". Que mania horrível que brasileiro tem de opinar sobre o que não conhece! O pessoal vive em um mundo de fantasia.
Darla Bastet , São Paulo-SP - Estudante
Enviado em 19/6/2008 às 5:10:13 PM
Concordo plenamente. É muita bobagem. Aliás é muita bobagem toda essa discussão. Sópara começar, a definição de "raça" já é algo a se discutir. Quem decide de que raça eu sou? Se eu disse que sou negra para ser beneficiada com as tais "cotas", quem vai dizer que eu não sou? Uma atitude muito mais igualitária viria de beneficiar aqueles que vêm de escolas públicas, por avaliação sócio-econômica etc. Cor? Ah, faça-me o favor. Dentro da cidade Universitária (USP), existem diversos cursos pré-vestibulares que cobram taxas simbólicas para preparar estudantes para o ingresso na universidade. Entre eles, curso(s) dedicados a atender, prioritariamente, os negros. Como assim? Isso não é julgar pelotom da pele? Se socio-economicamente um branco e um negro estiverem em pé de igualdade para conseguir uma vaga disputada em um desses cursos, a cor da pele dá a palavra final. Lamentável. O Brasil não é um país racista, e eu bato o pé em relação a isso. Mas vai ficar. Basta continuar colocando lenha na fogueira. Nesse sentido devo concordar que o estabelecimento de cotas é um bom começo.
Thiago Conceição , Campinas-SP - Programador
Enviado em 19/6/2008 às 4:38:14 PM
Clarice, quanta bobagem. As estatísticas são manipuladas para mostrar "quanto pior, melhor". De vez em quando usam a noção nazista de gota de sangue para fazer a porcentagem de negros ser enorme, outras vezes usam o número oficial do censo, 7%. Varia conforme a conveniência. Em segundo lugar, liberdade é responsabilidade e responsabilidade é liberdade. Sem uma não há outra. Quem promove "facilidades", quotas e procura tirar a responsabilidade das costas dos outros não quer "equalizar" nada, mas quer apenas ter poder sobre eles. Se alguém prega direitos sem deveres correspondentes, desconfie. O que temos no Brasil hoje é uma tentativa de escravizar os descendentes daqueles que foram escravizados. É odiosa escravidão, mas desta vez mais eficiente, pois não será com correntes e violência, mas feita na mente, convencendo-os de que são pobres coitados impotentes e incentivando-os a mendigar ajuda e a segregarem-se sob o pretexto de "celebrar" a sua "cultura". A cultura do Brasil foi influenciada em sua maior parte pela da Europa, que mal há nisso? Conhecimento não tem cor. Essa imbecilidade de "africanizar" o Brasil, como se alguém nascido aqui tivesse a obrigação de gostar de algo que jamais teve contato apenas pela ideologia de gota de sangue é que é racista. Toda a retórica racista é pura escravidão e mentalidade de vítima e por isso algo extremamente negativo.
José Roberto F. Militao , São Paulo-SP - advogado civilista
Enviado em 19/6/2008 às 4:19:47 PM
Concordo com a argumentação do mestre Muniz Sodré, apenas ressaldo que para boas políticas de Ações Afirmativas que, mesmo nos EUA, já não se admitem cotas raciais, basta que sejam promovidas políticas públicas de inclusão das vítimas de discriminações históricas: mulheres, afrodescendentes, homosexuais, deficientes, latinos etc. A boa experiência dos EUA deixou de fazer a inclusão pela ´raça´ e passou a fazei-lo através da garantia de deveres da diversidade humana. A crítica que deve ser feita é para que o Estado não acolha na ordem jurídica o conceito de ´raça estatal´, o que viria institucionalizar a ´crença social em raças´, com o que, deixa de ser ´crença´ e passa a ser fato jurídico relevante. De fato, é possível e recomendável fazer-se políticas com Ações Afirmativas inclusivas sem o recurso a leis raciais.
Claudio Roberto Basilio , Santos-SP - Analista de Sistemas
Enviado em 19/6/2008 às 4:16:13 PM
Racismo é a ideologia ou conjunto que ideologias que preconiza a superioridade moral, intelectual ou física de determinados grupos humanos sobre outros grupos humanos. Não é racismo dar algum tipo de benefício a grupos historicamente discriminados, senão a criação de reservas indigenas seria racismo; regras imigratórias da União Européia que privilegiam aqueles de ascendência européia seriam racistas; leis que beneficiam mulheres seriam "sexistas"; projetos visando os idosos e crianças seriam desrespeitosos com os assim chamados "adultos"; ações em prol de portadores de necessidades especias seriam uma afronta contra os "normais". Todavia, falar que o Brasil é racista é afrontar o mito da "linda-nação-mestiça-onde-todos-são-irmãozinhos-e-todos-tem-oportunidades-iguais". Realmente durante toda a minha vida encontrei muitos negros de pele clara, muitos loiros de "cabelo-ruim" e muitos mulatinhos de olhos verdes... E sabe onde geralmente encontro essa rapaziada? Geralmente eu os encontro nas favelas ou nas ruas pedindo esmolas. Foram rarissimas as vezes em que encontrei negros de qualquer tom de pele em cargos de chefia, em posições politicas importantes, vestindo a toga de juíz ou o jaleco de médico. Por que será que isso acontece? Por favor, tirem essa dúvida cruel que assola a minha mente...
Felipe Faria , Rio-RJ - estudane
Enviado em 19/6/2008 às 3:05:42 PM
Para quem se interessa por tráfico de escravos nos dias de hoje http://galliawatch.blogspot.com/2008/06/arab-muslim-slave-trade.html
Felipe Faria , Rio-RJ - estudante
Enviado em 19/6/2008 às 3:02:14 PM
Geraldo Magela, a diferença é que antes o Brasil não era um país racista, isto é, não tinha leis raciais, todo mundo era considerado igual perante a lei. Agora, existem leis raciais, logo o Brasil é um país racista. O racismo de cada um, a preferencia por certas cores em detrimento de outras é normal, se o negão não quer namorar (ou conviver) com a japinha, problemas individual deles.
Alexandre Carlos Aguiar , Florianópolis-SC - Biólogo
Enviado em 19/6/2008 às 2:55:46 PM
Quer dizer que pedir para as pessoas lutarem por seus direitos e entrarem pela porta da frente, com sua luta e determinação, ao invés de precisarem de subterfúgios duvidosos dados pelos governos é ser racista? Racista, cara professora de dança, é a pessoa que imagina que uma cor de pele, um tipo de cabelo, ou um tamnho de nariz seja o suficiente para abrir-lhe caminhos, antes cerceados. Racista é supor que com caminhos alternativos os antepassados segregados terão seus netos e bisnetos vingados. Racista é pôr em evidência negativa uma característica fenotípica. E, pior, então quer dizer que eu estou preocupado em perder o meu espaço para um cotista? Quer um conselho: continue as suas aulas de dança. Ganhará mais com isso.
clarice  moraes , porto alegre-RS - professora de dança
Enviado em 19/6/2008 às 1:52:42 PM
"Mas não entrem pela porta dos fundos. É feio! É covarde!".Assim termina um comentário de um suposto não racista? Se pensarmos de onde provem esta expressão, concluiremos que é do tempo do Brasil escravazista que perpetua-se. Marilia Pera, nada mais vez do que capitalizar, assim como o fez apoiando a candidatura de Fernando Collor de Melo, apenas demagonia e oportunismo. As cotas possamos até inverter os percentuais devido a tanto barulho, nós daremos os 90% para os negro e ficaremos agora então, com os mísseros 10%. Nós aqueles identificáveis em qualquer lugar do mundo, por suas condições excludentes, não prerrogativa dos EUA, Europa e da própria Africa, isto se repete devido ao nosso europocentrismo e ao nosso monoculturismo, que nada e ninguem pode sobrepor. É talvez por isso, "amados mestres" que as cotas provocaram todo este desconforto, vamos ter que seder, possibilitar,institucionalizar a igualdade aos de pele diferente da cultura hegemônica,pois apesar de sustentar todos estes paises e continentes não servem para possuir ensino superior,alimentação e habitação descentes,policia disracializada e tudo aquilo que os negros sofremos em seu cotidiano e os ditos "brancos" assistem como no Faustao.Urge nos encomodarmos com outros percentuais, como os 5.000 jovens assassinados em Salvador , 4.600 eram negros. Porque isto teve a porta dos fundos da impresa Sivio?
Alexandre Carlos Aguiar , Florianópolis-SC - Biólogo
Enviado em 19/6/2008 às 1:07:18 PM
O mais engraçado nessa história é a necessidade em ser destaque. As pessoas pensam que ser negro e ator protagonista na Globo é o máximo. Por favor! Meu Estado, que é considerado o "mais branco do país", segundo o IBGE, em função da colonização européia (alemães, italianos, poloneses e austríacos), também é mal visto por algumas dessas pessoas que gostam de aparecer, como um Estado racista. Obviamente que não nos conhecem como deveriam. Anita Garibaldi (que não era italiana, obviamente), uma heroína pra gente daqui, era filha de negros com índios. Cruz e Souza foi o maior poeta negro do Brasil e era de Floripa. Antonieta de Barros, também de SC, foi a primeira deputada negra do país, numa época em que mulheres de qualquer cor não podiam participar da política. Até bem pouco tempo, em minha cidade, um médico negro foi secretário de saúde e um dos melhores vereadores daqui é negro. E do PT, coisa inadimissível num lugar dito racista e elitizante. A gente pode ficar aqui até amanhã de manhã citando exemplos de gente dita negra, que foi protagonista, e que não precisou de cotas pra chegar aonde chegou. Lutou para obter seu espaço, como todos os brasileiros que não nasceram em berço de ouro, sejam brancos, negros, amarelos, azuis, encarnados o fazem. O Brasil não é racista (há racismo, sim), mas poderá institucionalizar isso, graças a esse movimento cotista.
Geraldo Magela da Silva Xavier , Belo Horizonte-MG - contador
Enviado em 19/6/2008 às 12:53:07 PM
Não sei por que se perde tempo discutindo se existe ou não racismo no Brasil. É claro que existe. Existe racismo mo mundo todo. Na França, Alemanha, Argentina, EUA, até nos páises africanos, onde as diversas etnias brigam entre si. Então, por que o Brasil haveria de ser um paraíso onde todos vivessem harmoniosamente? Agora, devido ao fato de o racismo aqui não ter atingido proporções de guerra civil, os intelectuais e ativistas en geral preferem classificá-lo como de dissimulado, disfarçado. Vai ver eles estão querendo um conflito racial em solo brasileiro.
Claudio Roberto Basilio , Santos-SP - Analista de Sistemas
Enviado em 19/6/2008 às 12:23:06 PM
Só elogia a "situação brasileira" aqueles que desconhecem completamente o racismo brasileiro... Mas é fácil preferir o "racismo brasileiro" ao "racismo americano" principalmente quando não se é vitima nem de um e nem de outro
Thiago Conceição , Campinas-SP - Programador
Enviado em 19/6/2008 às 11:59:26 AM
Nikolai, é verdade. Só critica o racismo no Brasil quem não faz idéia do que seja racismo. Quem tem alguma experiência no exterior, principalmente nos EUA, sabe como valores racistas funcionam. Os EUA são um país segregado até hoje, onde as pessoas são usadas por políticos e pastores interessados em aumentar o seu poder e dinheiro através de uma guerra racial. A única razão para eles não descambarem para uma guerra civil é a perspectiva de prosperidade. Ou seja, cada grupo entende que é seu interesse participar dos EUA por causa da possibilidade de prosperar. Fico feliz em ver mais brasileiros se manifestando contra o racismo estatal, pois é disso que precisamos. Jornalistas e órgãos do governo já aplicam regras nazistas de "gota de sangue" para classificar os brasileiros, como se isso fosse normal. Devemos nos manter firmes contra essa insanidade, pois só depende de nós aceitá-la ou não. Além do mais, que a África fique na África e a Europa na Europa, aqui é o Brasil e eu sou brasileiro.
nikolai  streisky , Londrina-PR - estudante
Enviado em 19/6/2008 às 10:50:46 AM
Pois é... essa questão das cotas raciais no Brasil é como tentar apagar fogo com gasolina... Ao invés de diluirmos as diferenças raciais nós a institucionalizamos... Tomamos uma "solução" emprestada de lugares em que realmente existe um abismo racial (Estados Unidos, África do Sul e Índia) e aplicamos aqui no Brasil, terra da mestiçagem desde a época dos portugueses... As cotas raciais, são, na melhor das hipóteses, irrelevantes... Na pior, criamos critérios raciais nunca antes presentes... É por isso que nos sentimos confusos quando os EUA rotulam (e ele próprio faz isso, devido ao status quo de seu país) Barak Obama de negro, ao invés de mestiço... A mestiçagem é o que temos de melhor no Brasil, ainda melhor que a Amazônia... Em nenhum lugar do mundo existe uma mistura étnica tão rica e integrada (quem já foi aos EUA sabe do que eu estou falando)...
Cláudio Roberto Basilio , Santos-SP - Analista de Sistemas
Enviado em 19/6/2008 às 9:47:54 AM
A cegueira - para não falar negacionismo - de alguns diante do racismo brasileiro é algo que só não é chocante por que infelizmente é a regra aqui nesse "maravilhoso-pais-mulatinho". Mas talvez as pessoas que afirmam que o Brasil não seja racista estejam certas eu esteja equivocado ... Afinal de contas não faltam Baracks Obamas na política brasileira... As novelas globais têm protagonistas de pele escura desde e a época em que o "Dr. Roberto" fundou a emissora... As nossas faculdades estão apinhadas de pretinhos, mulatinhos e outros quetais, principalmente em cursos como Medicina e Direito... E ninguem por aqui é parado pela Polícia apenas por causa da cor da pele. Nessas horas que eu chego a conclusão que racistas são aqueles que querem acabar com todas as coisas lindas que eu acabei de citar e que fazem parte do cotidiano brasileiro.
Felipe  Faria , Rio-RJ - estudante
Enviado em 19/6/2008 às 12:01:53 AM
Marco Antonio, 4 oo 49, agora eu concordo! Impressionante como mudo de opinião...ou será você que ora chuta para um lado, ora chuta para o outro...e não percebe? Toda e qualquer " reparação" vai cometer injustiças. Tem afro com pele clara e euro com pele escura. 85% da população tem mais de 10% de sangue afro. Como calcular? Reduzir o problema para a quantidade de malanina na pele vai provocar distorções que acabarão prejudicando todo mundo.
Marco Antônio Leite , São Caetano do Sul-SP - TST
Enviado em 18/6/2008 às 10:00:53 PM
Parabéns Kelma, seu comentário esta dentro do padrão aqui colocado pelos demais comentaristas. Abraços e, continue nesse diapasão.
Kelma  Motta , Maceió-AL - Estudante
Enviado em 18/6/2008 às 9:11:35 PM
Sou estudante, e de fato, nunca fui a favor da cota. Tenho colegas da minha sala, que são negros, e eles não têm dependência nenhuma sobre a cota. O racismo hoje não é mais tão abrangente como antigamente. Hoje a cor não importa tanto como antes. Está aí de prova, o "futuro presidente dos estados unidos", é um negro. Os negros estão, mas do que nunca conseguindo o seu espaço. Todo o Brasil merece a oportunidade de uma educação melhor, todos devem ter seus direitos iguais, tanto a raça negra, como branca. Aliás, nem raça negra, nem branca. Somente humana. E diante mão vou logo pedindo desculpas se meu comentário não agradou.. sou iniciante ainda! hehe.
Alexandre Carlos Aguiar , Florianópolis-SC - Biólogo
Enviado em 18/6/2008 às 4:40:31 PM
Com certeza, Marco Antonio, atinge a todos dentro deste perfil que você definiu. Sem distinções. A exploração do capital atinge-nos a todos. Venho de origem humilde, e de família cujas ascendências são diversas nos matizes étnicos já conhecidos. Precisei galgar passo a passo toda a minha trajetória, com dureza, e sem precisar de ajuda de patrões, políticos ou de benefícios governamentais, além daqueles que me eram de direito. Jamais corri atrás de favores em razão das supostas deficiências que possuia. Por isso, acho absurdas a exigências por reparações históricas ou por possui excesso de melanina que determinados grupos racistas propõem, para poder driblar as desigualdes e vicissitudes que a vida nos trás. Pessoas que esmolam ajudas governamentais para sobreviver não merecem o meu respeito. Lutem pelo que precisam e pelos seus direitos, mas não entrem pela porta dos fundos. É feio! É covarde!
Marco Antônio Leite , São Caetano do Sul-SP - TST
Enviado em 18/6/2008 às 4:00:49 PM
A discriminação, o preconceito e segregação racial atinge em cheio os pobres independe de cor de epiderme, profissão e beleza visual. No Brasil, se o senhor não tiver moeda circulante para competir com uma meia dúzia de endinheirados, com certeza, você é tratado com desprezo. Isso também serve para o senhor Aguiar. Ou não?
Alexandre Carlos Aguiar , Florianópolis-SC - Biólogo
Enviado em 18/6/2008 às 2:48:55 PM
Não, meu caro, Marco Antonio, discordo. O discurso que deve ser passado é exatamente o de deixar claro que a formação do povo brasileiro deu-se às contribuições multiétnicas ao longo da história. O povo vivente hoje no Brasil é o resultado disso, e não de um ou outro agrupamento de cores distintas de pele. Se conhecessem a genética aí envolvida não nos brindariam, os defensores do cotismo racial, com falsas defesas assistencialistas e beneficentes. Todos nós, no Brasil, somos negros, pardos, cinzas, amarelos, brancos, encarnados, salvo as reservas étnicas isoladas. Vamos discutir as relevâncias sociais, a infra-estrutura sanitária e educacional, que inexistem no Brasil, e não se a minha pele é mais escura que a do meu vizinho.
Miro  Nunes , Rio de Janeiro-RJ - Jornalista
Enviado em 18/6/2008 às 1:36:59 PM
Meu caro professor Muniz Sodré. Certa vez, em uma entrevista ao jornalista Roberto D´Ávila, o saudoso professor e seu conterrâneo, Milton Santos, previu que as reações aumentariam contra as reivindicações históricas da comunidade negra na medida em que avanços, mesmo ainda pequenos, fossem alcançados no cotidiano. Os comentários aqui postados refletem exatamente isso. Desconsideram os N estudos a respeito do tema e, pior ainda, a realidade vivida nas ruas, especialmente neste nosso continente chamado América. No mais, continue a ser o ser humano que é e o exemplo de professor que tive, em 1980, no curso de comunicação social da UFF em Niterói. Saudações cojirísticas. Miro Nunes, membro da Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial do Sind. dos Jorn. Prof. do Mun. do Rio de Janeiro (Cojira/SJPMRJ).
Marco Antônio Leite , São Caetano do Sul-SP - TST
Enviado em 18/6/2008 às 11:04:40 AM
Isso é pura bobagem ser isso, aquilo ou aquilo outro, o importante é que somos isso que somos, ou seja, humanos. Porém, nem todos são humanos, alguns estão mais para broncos do que para ser humano. Ou não?
Alexandre Carlos  Aguiar , Florianópolis-SC - Biólogo
Enviado em 18/6/2008 às 10:50:34 AM
Talvez uma das questões que mais impendem de se entender o que se passa na miscigenação presente no Brasil é a valorização das ascendências. Muito se usa o termo afrodescendente. No Brasil não somos afrodescendentes, somos euro-nato-afrodescendentes. Exceto em regiões fechadas, onde prevalece uma etnia, temos (os brasileiros) um pezinho na África, outro na Europa e as mãozinhas na América. Ou se valoriza que temos uma mistura de "pingos de sangue" enorme, ou vamos continuar com essas bobagens raciais.
Marco Antônio Leite , São Caetano do Sul-SP - TST
Enviado em 18/6/2008 às 10:26:21 AM
Caro Felipe, você é muito radical, não sei se é com causa ou sem causa. Ademais, quem sabe, um garoto mimado! Hoje pensamos assim, já amanhã poderemos pensar assado? Você concorda e discorda numa velocidade supersônica?
Fernanda  Moura , Rio de Janeiro-RJ - Professora
Enviado em 18/6/2008 às 9:36:57 AM
Acho muito pertinente a passagem: "O conceito científico de raça acabou, mas não acabou a "relação social de raça", isto é, o senso comum atravessado pelo imaginário racialista." Concordo plenamente que os de fenotipo negro ocupem em grande parte das vezes posições sociais inferiores as dos brancos. Mas não concordo com a conclusão a conclusão a que o autor chega: "Em termos coletivos, [o pós-racialismo] será o resultado de lutas e cotas em que venham a envolver-se também empresas e outras instituições pertinentes, além do Estado. Se concordamos a discriminação aos negros, hoje, é social então por que as cotas não são apenas sociais? Por que insistir no ponto da cota racial? Quando o Estado utiliza um conceito ele o legitima. Se o estado implanta cotas raciais ele indica que raças existem e que os cidadãos são diferenciados por ela. Assim deixamos de ser "apenas" uma sociedade racista e ficamos sob um Estado racista, o que não somos ha 200 anos.
Felipe Faria , Rio-RJ - estudante
Enviado em 17/6/2008 às 9:47:39 PM
Agora já discordo...a esquerda não aprova a diversidade, de opiniões inclusive?
Marco Antônio Leite , São Caetano do Sul-SP - TST
Enviado em 17/6/2008 às 7:36:11 PM
Caro Felipe, obrigado pela sua generosidade, nem todo contra é a favor e vice-versa. Chegará um dia que todos afluirão ao mesmo ponto, ou seja, uma só opinião.
Felipe Faria , Rio-RJ - est
Enviado em 17/6/2008 às 7:11:45 PM
Acho que pela primeira vez concordo com o Marco Antonio.
Alexandre Carlos Aguiar , Florianópolis-SC - Biólogo
Enviado em 17/6/2008 às 2:13:30 PM
Do ponto de vista estritamente biológico, somos uma espécie animal com grande variabilidade genética. Possuímos diferenças nos formatos e cor de cabelos, tamanho das mãos, das pernas, circunferências abdominais, massa muscular, formas e tamanhos de narizes, de bocas, e até, olha só, quem diria, de cor de pele. Ou seja, possuímos muita desigualdade. Mas a característica gregária, social, neste primata pelado ajunta as diferenças. Quanto mais agregamento, menos diferentes os do grupo se tornam, caracterizando aquilo que a Antropologia define como etnia. O termo RAÇA, por si só, não existe nos agrupamentos, mas define as separações e foi inventado exatamente pela Economia para seleção produtiva. Do ponto de vista histórico, "resgatar" os desajustes gregários do passado e impor cotas para isso, é exacerbar as diferenças e se tornará risível quando, no futuro, ao se resolverem todas as diferenças (que é o que propõe essa lei) passarmos a exigir cotas para os de narizes diferentes, de olhos diferentes, de bocas diferentes, de cabeças, pernas, etc. O que precisa ficar bem claro (e acredito que esteja claro a contento!) é que não devemos ser contrários a inserção das diversas etnias na sociedade. Às vezes, para alguns espertinhos, que desejam desvirtuar o discurso a seu favor, é fácil dizer que os contra-contas são racistas. O sistema cotista, ele sim, enseja um pensamento racista.
Geraldo Magela  da Silva Xavier , Belo Horizonte-MG - contador
Enviado em 17/6/2008 às 12:50:22 PM
É bom lembrar queo o fato de Obama ser candidato à presidência dos Estados Unidos é a mesma coisa de um hispânico ou austríaco, indiano ser candidato. Pois ele representa mesmo é os imigrantes. Ele é negro mas não é descendente dos negros foram levados à américa como escravos e depois da abolição sofrerão vários tipos de segregação. Tanto assim que a avó dele mora no Quênia.
Marco Antônio Leite , São Caetano do Sul-SP - TST
Enviado em 17/6/2008 às 12:18:38 PM
O branco, o preto, o amarelo e o vermelho não necessitam de cotas para ser um cidadão no mundo capitalista. Para que possamos ser considerados pessoas de primeira classe, se faz necessárias escolas de qualidade, com professores bem remunerados e acesso fácil às Universidades Federal e Estadual, permitindo que as raças pobres estudem graciosamente, não como acontece hoje, o rico estuda de graça, já o pobre é obrigado a pagar uma Faculdade privada com mensalidades humilhantes do ponto de vista do salário que o estudante ou os pais desse estudante percebem mensalmente ( aviltantes).
Christian Morais , Brasília-DF - Jornalista
Enviado em 17/6/2008 às 11:53:46 AM
Uma das mais inteligentes, lúcidas e equilibradas reflexões sobre o tema das relações raciais e seu subtema, as cotas – assunto que é, na maioria das vezes, abordado de forma excessivamente apaixonada, messiânica e salvacionista, pelo lado dos defensores, ou cínica, desinformada ou equivocada, pelo lado dos detratores.
Thiago Conceição , Campinas-SP - Programador
Enviado em 17/6/2008 às 11:07:34 AM
Pois é, a reação do povo brasileiro fez os racistas darem um passo atrás. O que o autor do texto falha em entender é que a questão de raça, assim como proposta por movimentos negros racistas e por brancos racistas, não é simplesmente ser a favor ou contra quotas. Essa miopia jornalística em analisar o contexto não ajuda ninguém realmente. Por favor, pesquise a história, principalmente nos EUA. O problema aqui é muito maior. É uma racialização artifical na cultura brasileira baseada em regras de uma gota de sangue, assim como é nos EUA (vide "estudo" racista do INPE onde considera-se mestiço como negro. Já manifestei-me contra essa "one drop rule" brasileira.)O autor mesmo dá um exemplo de como o binarismo racial funciona, ele chama alguns de "negros-mestiços" e não apenas de mestiço. Ou seja, no novo vocabulário racista brasileiro o mestiço foi exterminado e agora todos são negros, independentemente se tem ou não sangue negro (pois pode-se ter sangue indígena ou algum outro). O Obama não é mestiço não porque exista uma regra para isso, mas sim porque ele mesmo se auto-determinou como negro. Se ele o diz quem somos nós para dizer o contrário? Isso é liberdade. Auto-determinar-se e ser quem você realmente é. Naturalmente os mais inteligentes e capazes optarão por independência e responsabilidade ao invés de "identidades falsas" e sistemas raciais de controle.
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