ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 507 - 24/11/2009
  Imprensa em Questão
Início > Índice Geral > Imprensa em Questão + A | - A
[imprimir] [enviar por email ] [link permanente]
 

IMPRENSA MINEIRA
O jornal "chapa-branca" e as eleições

Por Fernando Massote em 14/10/2008

O jornal Estado de Minas não desmente a versão popular de ser "chapa-branca", ligado, sempre que pode, como durante o governo Aécio Neves, aos interesses do Palácio da Liberdade. Eis alguns exemplos do que faz o jornal para reforçar esta crença. Edson Zenóbio, um dos seus donos, na edição do dia das eleições, 05/10, fez um entusiástico elogio à estratégia de Aécio e Fernando Pimentel para a eleição de Márcio Lacerda à prefeitura de Belo Horizonte. Tirou das prateleiras empoeiradas da sua memória a figura do bruxo de Geisel e da ditadura militar, Golbery do Couto e Silva, para abençoar a façanha; afirmou que Golbery, "que na sombra, na surdina, idealizou e conduziu a histórica distensão política" à época do regime militar, devia estar, "no andar de cima", aplaudindo Aécio e Pimentel.

Entusiasmado com as maquinações do governador e do prefeito de Belo Horizonte, e mais do que certo da eleição de Lacerda já no primeiro turno, Zenóbio soltou o verbo. Para ele o governador e o prefeito uniam "competência e credibilidade" na promoção da aliança por Belo Horizonte, "consolidando (se) a cada dia".

Alinhamento incondicional

O dono do auto-intitulado "grande jornal dos mineiros" fechou os olhos para o fato dos seus estrategas terem lançado para uma prefeitura importante, como Belo Horizonte, um candidato sem currículo político e, assim, sem o menor preparo para o diálogo eleitoral com o público. Acabaram trocando as bolas e fizeram a campanha de 2010 em 2008! Quem, com efeito, mais se manifestava, gesticulava e vocalizava nas aparições públicas das passeatas e lances do horário político na TV eram o governador e o prefeito. Entregaram ainda, para Lacerda, todo o trabalho mais pesado, de responder às muitas críticas a fatos da sua biografia, como a relação com o "mensalão" de Marcos Valério e o PT e as peripécias da sua frágil campanha.

A surpresa não tardou e veio logo na tarde daquele mesmo dia, com o escrutínio da votação. O segundo colocado na disputa, Leonardo Quintão, encostara em Lacerda com uma diferença pouco superior a dois pontos percentuais. A surpresa tomou conta de todos os ambientes. Se pudesse, o dono do Estado de Minas, já naquela mesma tarde, correria às bancas e recolheria toda a edição do seu jornal que publicara o elogio desvairado.

Outro exemplo do alinhamento sistemático do jornal com o Palácio da Liberdade está na prosopopéia do analista político Marcos Coimbra, um dos donos do Instituto Vox Populi, contratado há tempos pelo jornal. É mais uma das numerosas peças de que o periódico dispõe para cantar a mesma música do alinhamento incondicional com o ocupante de turno do executivo mineiro.

Amainar os ânimos do PT

No texto publicado no domingo (12/10), dia do primeiro debate do 2° turno entre os candidatos e véspera da retomada da propaganda televisiva e radiofônica, ele atacou o candidato do PMDB, Leonardo Quintão. As forças oficialistas querem conter a todo custo o adversário que derrubou os muros da cidadela e ameaça expugná-la no 2° turno das eleições. Coimbra, em sua trincheira tão bem situada no coração de uma das fortalezas mais influentes do estado, o "jornal dos mineiros", não pode, de fato, ficar de braços cruzados.

Lula, diz ele, não se envolveu diretamente nas disputas onde candidatos da sua base contendiam pela prefeitura local. Deixou, entretanto, que quem quisesse se referisse ao seu apoio na própria propaganda. Em Belo Horizonte, no entanto, ele foi mais envolvente. Além de fazer ali o que fizera em toda parte, sem participar diretamente da campanha, procurou os modos para mostrar inclinação por Márcio Lacerda e trabalhou para amainar os ânimos da direção nacional do PT – fortemente mobilizada, inicialmente, contra a aliança do PT com o PSDB em Belo Horizonte.

De analista político a cabo eleitoral

Mas o fato que mais intrigou Coimbra nada tem a ver com Lula, e sim, com o candidato Leonardo Quintão, em relação ao apoio eleitoral de Aécio Neves. Diz, a propósito, o sócio da Vox Populi que "o governador disse com todas as letras que apóia Márcio Lacerda e que o vê como o mais qualificado para ser o prefeito da cidade. Isso, normalmente, deveria bastar para esclarecer a questão. Para Quintão, no entanto, é como se uma manifestação dessas não tivesse qualquer significado. Na sua propaganda eleitoral, nas declarações à imprensa durante o primeiro e agora no segundo turno, ele parece que não ouve ou não entende o governador. Toda vez que pode, afirma contar com o apoio de Aécio".

Em nenhum momento o "sociólogo e cientista político" do Estado de Minas concedeu que tudo o que Leonardo Quintão disse, mesmo desagradando aos seus ouvidos e dos seus parceiros e/ou patrões, era verdade e não merecia a sua tão escandalizada reprovação, ou seja, "que pertencia à base político-parlamentar de Aécio Neves, que era seu aliado e seu amigo". O próprio Aécio Neves confirmou tudo isto em várias declarações à imprensa. Marcos Coimbra abandonou, pelo visto, os hábitos muito honoráveis do analista político, para vestir, da forma mais plebéia, a camisa do cabo eleitoral.

Comentários (17)
Comentar
Compartilhe
[imprimir] [enviar por email ] [link permanente]
Este é um espaço de diálogo e troca de conhecimentos que estimula a diversidade de idéias e pontos de vista. Não serão publicados comentários com xingamentos e ofensas ou que incitem intolerância ou crime. Os comentários devem ser pertinentes ao tema da matéria e aos debates que naturalmente surgirem. Evite vulgaridades e simplificações grosseiras. Não escreva em maiúsculas: isso dificulta a leitura do texto e, na linguagem da internet, é interpretado como gritos. Mensagens que não atendam a estas normas serão deletadas, e os comentaristas que habitualmente as transgredirem poderão ter interrompido seu acesso a este fórum.
         
Nome :   Sobrenome :
E-mail:   Profissão:
Cidade:   Estado:
Comentário:


para o limite de 1400.
 
The CAPTCHA image
Clique aqui para ouvir o
texto soletrado(mp3)
Digite no campo abaixo o texto
que você vê na imagem ao lado.

 
José de Souza Castro , Belo Horizonte-MG - Jornalista
Enviado em 20/10/2008 às 3:27:44 PM
Aécio e EM não podem reclamar quando o professor Massote junta os dois. Quem começou a junção indevida foi o governador e o jornal. Disso, não podem escapar agora, dado o malefício dessa união. E informou hoje o professor, no blog dele: "Informo que estou respondendo a interpelação judicial interposta pelo Sr. Marcio Lacerda. O candidato a prefeitura de BH me intima a confirmar conteúdos publicados no meu blog www.massote.pro.br e me ameaça de processo por difamação, calúnia e injuria. Sendo assim, confirmo a autoria de todos os textos definitivos que foram postados e permaneceram no meu blog, da data em que foram publicados até hoje. Estes textos são muito conhecidos pela alta freqüência de visitantes à minha publicação eletrônica. A difusão do meu blog, como todos sabem, é uma conseqüência entre outros fatores, da grande crise da imprensa em Minas Gerais, causada também pela censura de que é vitima e que tem sido amplamente denunciada". Para ler a íntegra: http://www.massote.pro.br/?p=301
Carmen  Vieira , bh-MG - profa. universitária
Enviado em 20/10/2008 às 9:57:41 AM
O que está em jogo, Antonio, é bem mais que obsessões do Prof. Massote. Não é tentando desqualificar o conteúdo de suas críticas que os problemas serão resolvidos É público e notório a política do governo Aécio, agora engrossada pelo PT de Pimentel: um projeto de poder que deve ser perpetuado a qq. preço, inclusive o da liberdade de imprensa, de opinião. Quem não quiser ver, que não veja.... .
Ivan Moraes , Newark, NJ-MG - sem profissao
Enviado em 19/10/2008 às 11:40:09 PM
"Massote sofre de duas obsessões – pelo menos as mais visíveis: uma é Aécio e a outra é o Estado de Minas": o depoimento de Marcos Valerio eh documento juridico ou nao eh documento juridico, Antonio Lima, e tem validade juridica ou nao tem validade juridica?
Antônio Lima , Belo Horizonte-MG - Jornalista
Enviado em 19/10/2008 às 9:15:57 PM
O Massote sofre de duas obsessões – pelo menos as mais visíveis: uma é Aécio e a outra é o Estado de Minas. Sempre que pode tenta juntar os dois para atacá-los.
renata  moreira , Belo Horizonte-MG - jornalista
Enviado em 19/10/2008 às 6:39:53 PM
O posicionamento tão desavergonhado do jornal Estado de Minas e seus articulistas em relação às eleições municipais de BH-Minas Gerais, agrava a imagem chapa branca do jornal. Ele se distancia dos seus leitores mais assíduos e participativos que passam necessariamente a procurar outras fontes de informação, mais independentes, confiáveis. Muitos já o consideram um dos maiores derrotados destas eleições de BH. Desconhecendo tão abertamente que a população de BH é plural e tem refinado sentimento democrático, o jornal se distancia do sentimento comum e perde seus leitores.
José Orair Silva , Belo Horizonte - MG-MG - Bancário
Enviado em 19/10/2008 às 3:09:25 PM
Minha solidariedade ao Professor Massote (de quem discordo em alguns pontos) no episódio relacionado com o candidato Lacerda. No Brasil até o direito de crítica está sendo cartelizado. Enquanto uma grande publicação semanal detona a tudo e a todos, inventando e deformando a seu bel prazer, sem qualquer conexão com a realidade e preocupação com o contraditório, já que não concede aos difamados o "Direito de Resposta", vemos um tentativa óbvia de intimidação de uma opinião independente. O correto seria o o candidado solicitar ao Professor Massote o "Direito de Resposta" no seu blog, estabelecendo um debate justo e democrático.
Mauricio  Libânio , Sete Lagoas-MG - sociólogo
Enviado em 19/10/2008 às 1:57:02 PM
A política mineira, e a nacional também, é feita de "velhas novidades". O papel do Estado de Minas, que sempre viveu de benesses oficiais, não surpreende ninguém. Tampouco a influência do Palácio da Liberdade sobre sua orientação que, há poucos anos, excluiu o próprio Professor Massote do rol de seus articulistas. Com relação ao processo do Márcio Lacerda me parece cômico. Que ele estava na lista do mensalão, estava. Se recebeu dinheiro do Marcos Valério para outrem, de caixa dois e de origem criminosa, me parece mais uma questão de laranjice. Assim como sua candidatura em BH.
Ivan Moraes , Newark, NJ-MG - sem profissao
Enviado em 19/10/2008 às 12:04:54 PM
"professor Fernando Massote foi intimado pela justiça para, em 48 horas, confirmar ou negar o que ele escreveu em seu blog (http://www.massote.pro.br/) sobre o candidato a prefeito Márcio Lacerda": o juiz precisa de perguntar a Massote a fonte que todo mundo ja sabe. Talvez nunca tenha ouvido falar da internet, sabe como eh... juiz e Minas Gerais... Talvez o juiz tampouco saiba que a fonte eh o documento juridico de um dos "julgamentos" (kkkkkkkkk) desdobrados do mensalao, mais precisamente da integra do depoimento de Marcos Valerio, penultima pagina. O documento juridico que tem validade como documento juridico mas nao como noticia mineira, que por sinal esta postado no novojornal.net, eh de 2 de agosto de 2005, 3 anos --tempo suficiente pra Lacerda processar Marcos Valerio mas ele estava fazendo as unhas. Processa **jornalistas** que agora repercutiram a noticia na internet, mas nao eh porque nao tem o suficiente pra processar Marcos Valerio, de maneira alguma: eh porque tem medo dele.
Paulo Barbosa , Belo Horizonte-MG - Cartunista
Enviado em 18/10/2008 às 10:31:30 PM
Marcos Coimbra faz parte agora do doente e monstruoso cérebro que é o Estado de Minas. Foram feitos um para o outro. O jornal só acaba quando e se matarem esse cérebro.
Arnoldo Souza , Governador Valadares-MG - Médico
Enviado em 18/10/2008 às 10:22:43 PM
Nenhuma novidade no caráter áulico da grande imprensa mineira.Previsível também a atitude apaixonada dos seus escribas de plantão na tentativa de reverter a tendencia nítida do eleitorado em suas quase sempre sábias decisões. Aécio e Pimentel tentaram promover o sepultamento da política, em seu conceito maior e sua praxis mais completa( Aécio ja havia de certo modo conseguido quando indicou seu vice , também um alienígena político ), promovendo uma mistura de tatu com cobra sem ideologia ou futuro,como se para a cidade e para a cidadania só importasse a gerencia e não a gestão. Para Aécio , tudo é marketing , a começar pelo seu governo. E Pimentel, fruto político do acaso , pelas mãos de Célio de Castro.escolhido por esse exatamente pela sua inexpressividade, também nutre essa visão. Ocorre que o povo os recolocar em seus devidos lugares ,criando desde já um obstáculo considerável para as pretensões de ambos em 2010. Quintão nesse contexto também aproveita-se da lei do acaso e da necessidade , e pavimenta seu projeto com a concordância da população com quem , por ser ele um ser político , interage de maneira mais natural e efetiva. A despeito portanto da pequenes do comportamento da imprensa,vence a politica com P maiúsculo,e não seu arremedo.E os escribas, ah, os escribas continuaram desperdiçando tinta e papel.
Carmen Dulce  Diniz Vieira , Belo Horizonte-MG - profa. curso de comunicação da UFMG
Enviado em 18/10/2008 às 9:08:42 PM
Muito se discutiu sobre a censura à imprensa mineira determinada pelo Palácio da Liberdade. Mas o que o artigo do prof. Massote aponta é que esta censura não é igual em todos os veículos. O "Estado de Minas", pelos seus articulistas e pelo seu noticiário da campanha eleitoral dá mostras de não precisar dela. Continua com a velha e perniciosa pratica de alinhamento incondicional aos poderosos de sempre. O que o jornal não contava é com o cansaço da sociedade belohorizontina, que reagiu, com as armas que tinha e e levou as eleições para o segundo turno.
Marcos Chaves Chaves , Belo Horizonte-MG - Func. público estadual
Enviado em 18/10/2008 às 8:38:15 PM
1º fato. Aqui em Minas Gerais/BH também temos os nossos plantonistas e agéis "Gilmar Mendes". 2º fato. É sabido a parcialidade de nossa imprensa, alinhada incondicional com o governo do estado e de sobra com o prefeito pimentel. A nossa realidade política hoje é que temos um candidato a prefeito indicado pelos dois governantes (biônico ou uma marionete) para ocupar a cadeira municipal e o outro que nada acrescenta em temos políticos e de competência que esteja a altura de nossa cidade. Estamos sitiados: dois candidatos de péssima qualidade e como um diz um dos poucos repórteres isento de BH, "FRACOS, LITERALMENTE FRACOS", e uma imprensa que blindou o palácio da liberdade a troco de não se $abe o quê deixando de exercer o seu legítimo papel. Minas perdeu o seu rumo. Lamentável que a imprensa foi atrás nessa ambiciosa busca do poder pelo poder. A campamha de 2010 já começou, contudo os pré-candidatos já perderam a primeira corrida. A imprensa e$crita, a televi$ada e a$ falada$ sentirão falta de seus leitores, telespectadores e ouvites, pois na grande rede há muito mais independência e liberdade. Agora rabo preso todos tem, sejam os candidatos, sejam os donos da imprensa.
José de Souza Castro , Belo Horizonte-MG - Jornalista
Enviado em 18/10/2008 às 7:54:43 PM
Soube hoje que o professor Fernando Massote foi intimado pela justiça para, em 48 horas, confirmar ou negar o que ele escreveu em seu blog (http://www.massote.pro.br/) sobre o candidato a prefeito Márcio Lacerda. É um processo de intimidação contra os que não se comportam como o jornal Estado de Minas e outros. É pena que juízes se prestem a esse jogo político não democrático. Não parece ser uma ameaça que se possa descartar facilmente. O candidato apoiado por Aécio Neves e Fernando Pimentel, em entrevista recente ao jornal Hoje em Dia, disse que vai processar todos os que, pela Internet, escreveram que ele está envolvido no Mensalão, entre outras coisas. Lacerda deu até o valor do que pretende receber na justiça de cada um, como indenização por danos morais: 200 salários mínimos. Esses 83 mil reais pode parecer pouco para quem declarou ao TRE bens de mais de 50 milhões de reais, mas é muito para a maioria dos trabalhadores, entre os quais os jornalistas. Quem consegue que um juiz dê um prazo de 48 horas (não é rápida nossa Justiça?) para que Massote se defenda, é realmente alguém poderoso. Minha solidariedade ao professor aposentado Fernando Massote. Espero que eu não esteja daqui a pouco na mesma posição dele, pelo que escrevi sobre Lacerda. Com uma aposentadoria de 1.860 reais por mês pelo INSS, não teria como indenizar a esse milionário travestido de político.
LUIZ FAZITO , bh-MG - médico
Enviado em 18/10/2008 às 3:38:00 PM
Massote tem razão. Onde estão as declarações taxativas do governador desmentindo o candidato Quintão? Não que eu apoie sua candidatura, a evolução da campanha está mostrando a cara fingida deste novo Collor. Os detratores de Massote estão se atendo aos fatos que ele denuncia (arrogância, sede de poder, etc) que atroplelam o processo democrático, este sim, o objeto em questão. Sem democracia, o Sr. Márcio não poderia se defender (porque não o fez no 1o. turno?). As quetões não são pessoais. Onde estão os defensores deste novo passo neoliberal, com argumentos claros e não com afirmações do tipo "eles são inteligentes, logo vão aderir"? Prá que, então, se estão tão certos, se vaierem de recursos como mordaças da imprensa e ameaças de ações judiciais. Procure, Sr. Lacerda, com olhos isentos, algum ataque pessoal ou detração neste site de livre debates que se tornou o do Prof. Massote. O que se busca é o debate democrático, público, e que vença quem tem razão. Viva a democracia! Luiz Fazito
Robson Reis Souza , BH-MG - Professor
Enviado em 18/10/2008 às 10:55:01 AM
O Estado de Minas, historicamente, tem se alinhado aos interesses do Palácio da Liberdade. O problema é que no atual governo, a falta de compostura ultrapassou todos os limites do bom senso e da ética jornalística. O diário auto-intitulado "grande jornal dos mineiros", insiste em ostentar-se como imparcial e ao mesmo tempo convoca um bando de ventríloquos para manipular a opinião pública, afrontosa e vergonhosamente, a favor dos interesses escusos do governo mineiro. E agora, nas eleições municipais, juntou-se os ideais megalomaníacos do governador do prefeito, desdenhando o povo e a história belohorizontina, com uma cobertura que deixaria ruborizado até o mais pilantra jornalista . O primeiro recado de que o povo não é "marionete" nas mãos desses neocoronéis e seus panfletos foi o resultado do primeiro turno das eleições municipais.
Italo Biagio Di Flora , Belo Horizonte-MG - Dentista
Enviado em 17/10/2008 às 3:57:58 AM
# Caro José de Souza Castro, Talvez o Newton Cardoso não tenha feito nada que preste no governo de Minas, mas dois atos logo após a posse foram deliciosos: demitir 80 (oitenta!) jornalistas do jornal Estado de Minas que prestavam serviços como ‘assessores de imprensa’, quer dizer, selecionavam notícias para o chefe ler, em orgãos da administração do Estado de Minas Gerais e proibir os ônibus intermunicipais que, a partir da rodoviávia de Belo Horizonte transportavam este pornográfico jornal gratuitamente para todo o interior do estado enquanto os outros jornais tinham que pagar por este mesmo transporte. Mais tarde o Newton também demitiu um colunista social [ ] do Estado de Minas que não me lembro o nome de todos seus 19 empregos como (novamente) assessor de imprensa em orgãos do Estado de MG. Desta vez a imprensa mineira, revoltada com tamanha injustiça promoveu jantar de desagravo para o coleguinha no Automóvel Clube. Será que agora tem novamente gente do EM trabalhando na administração Aécio Neves? Quanto aos dados acima, espero não estar sendo traído em algum detalhe pela minha memória.
José de Souza Castro , Belo Horizonte-MG - Jornalista
Enviado em 15/10/2008 às 10:01:09 AM
Nada de novo no front. O jornal Estado de Minas de Assis Chateaubriand nasceu para duas coisas: fazer negócios e conspirar. Fernando Morais, em "Chatô, o Rei do Brasil", conta bem essa história. Chatô convenceu Getúlio Vargas e sua Aliança Liberal, em 1929, a avalizar a compra de um jornal mineiro para apoiar a conspiração que levaria à revolução liderada por Getúlio. O escolhido foi o jornal fundado um ano antes por Pedro Aleixo e dois sócios. Eles aceitavam vender por 700 contos de réis, dinheiro que Chatô levantou junto aos banqueiros mineiros. Não se sabe se os banqueiros viram de novo a cor do dinheiro, mas nunca tiveram do que reclamar do Estado de Minas. De todos os governantes mineiros, desde então, só um teve do que reclamar do jornal: Newton Cardoso, que tentou dar o cano em parte das dívidas de campanha (talvez as do caixa 2, não sei). O trato que o EM e seus diretores dão a Aécio talvez seja um pouco melhor do que a muitos de seus antecessores, mas a diferença, se existe, é mais notável por uma coisa: ao longo desses anos, principalmente após a chegada da Internet, o Estado de Minas perdeu prestígio e credibilidade. Se ele continua se intitulando "o grande jornal dos mineiros", ninguém acredita mais nisso. A impressão que se tem, olhando de fora (e estou bem de fora, pois nem mais tenho ânimo para ler o jornal), é que o governo de Minas está jogando dinheiro fora.
Compartilhe este texto
Blig Blig BlinkList BlinkList BlogBlogs BlogBlogs BlogLines BlogLines Delicious del.icio.us
Digg Digg Furl Furl Google Bookmarks Google Bookmarks Linkk Linkk Magnolia ma.gnolia
netscape Netscape netvibes Netvibes newsvine Newsvine reddit reddit Stumble Upon Stumble Upon
Technorati Technorati Twitter Twitter Windows Vista Windows Vista Yahoo! MyWeb Yahoo! MyWeb Facebook
Fernando Massote

Outros artigos desta Seção
CRISE FINANCEIRA
Como o mundo
não funciona

Luciano Martins Costa
14/10/2008
PAUL KRUGMAN
Nobel de economia ou do jornalismo econômico
Alberto Dines
14/10/2008
LEITURAS DE VEJA
A revista que virou panfleto
Luiz Antonio Magalhães
14/10/2008
ESTADOS GERAIS DA IMPRENSA
Um plano para salvar a
mídia impressa francesa

Leneide Duarte-Plon, de Paris
14/10/2008
IMPRENSA MINEIRA
O jornal "chapa-branca"
e as eleições

Fernando Massote
14/10/2008
IMPRENSA PARAENSE
Strip-tease
dos jornais

Lúcio Flávio Pinto
14/10/2008
A IMPRENSA E O DESASTRE
A vida em tempos de crise
Luciano Martins Costa
16/10/2008
DESASTRE FINANCEIRO
Guerra de palavras pelo espólio da crise
Altamir Tojal
17/10/2008

Últimos 5 artigos de
Fernando Massote
HONDURAS
A árvore e a floresta da crise
28/7/2009
MÍDIA & CENSURA
Solidariedade a um jornalista e em defesa da liberdade de imprensa
23/6/2009
LEITURAS DO ESTADO DE MINAS
Colunistas coronéis e eternos
7/4/2009
ECOS DA "DITABRANDA"
Em defesa de desígnios ainda insondáveis
10/3/2009
CASO EDMAR MOREIRA
Já vimos este filme
10/2/2009
Mais artigos de
Fernando Massote >>