ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 507 - 24/11/2009
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PASSADO IMPERFEITO,
FATURAMENTO BEM-VINDO

O BB completou mesmo 200 anos de existência?

Por Alberto Dines em 14/10/2008

Foi legítima a publicação em todos os grandes jornais de capas promocionais (pagas em última análise pelo contribuinte), em comemoração ao bicentenário do Banco do Brasil?

Os jornais que publicaram a matéria paga fizeram algum tipo de investigação ou simplesmente alugaram sua página mais nobre para veicular um fato histórico recheado de dúvidas e reticências?

A verdade é que o Banco do Brasil teve várias fundações e refundações. Sua história não é linear como a da imprensa brasileira – que recentemente também completou 200 anos. Como lembra o professor Orlando de Barros, do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), é preciso descontar os anos que vão entre 1829, quando o BB foi liquidado, e 1851, quando o Barão de Mauá o recriou e assim mesmo como banco privado, cuja marca estava ali para ser aproveitada.

O governo o endossou dois anos mais tarde, promovendo a fusão com o Banco Comercial do Rio de Janeiro. Portanto já se pode descontar 23 ou 25 anos, conforme o critério escolhido. Depois, o BB foi praticamente desativado com a concordata de Mauá, em 1875.

Retornou do sono letárgico nos anos 90 do século 19, mas só recebeu amparo da nova República em 1908. Daí em diante sua trajetória é nítida, sem lapsos. O bicentenário reduziu-se a algo próximo de um sesquicentenário.

Comemoração arquivada

Esta mesma imprensa que participou da orgia publicitária do domingo (12/10) recusou-se a comemorar o seu próprio bicentenário, embora sejam incontestes os três fatos relacionados com a sua fundação:

** A Impressão Régia foi comprovadamente criada em 13 de maio de 1808 e o país finalmente entrou na Era Gutenberg depois de 308 anos de embargo eclesiástico e 272 de censura inquisitorial.

** O Correio Braziliense foi impresso em Londres com a data de junho de 1808 e o seu primeiro texto está assinado por seu fundador, Hipólito da Costa, com a data de 1º de junho de 1808. Foi o primeiro jornal livre de censura a circular no Brasil e em Portugal.

** A primeira edição da Gazeta do Rio de Janeiro foi lançada em 10 de setembro de 1808 e, embora tenha trocado de nome, nunca perdeu a sua característica de jornal oficial (na primeira fase, "terceirizado").

Apesar de tantas certezas, nossa imprensa arquivou a sua efeméride. Envergonhou-se de algo, antes ou depois da sua fundação. Se o Banco do Brasil ou Caixa Econômica pagassem alguns trocados a festa certamente não seria clandestina.

 

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Comentários (12)
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William Mendes de Oliveira , osasco-SP - bancário
Enviado em 17/10/2008 às 10:07:58 PM
Olá, Dines! Sou bancário e funcionário do BB. Acredito que uma empresa pública completar 200 anos de sua fundação é algo a se comemorar e torcer para que dure outro tanto. O PROBLEMA atual do banco é em chegar a tão nobre data sem o foco que um banco público deveria ter como, por exemplo, atuar no apoio ao pequeno e médio empresário, na agricultura familiar e no comércio exterior com taxas de juros, prazo e tarifas bem menores que as praticadas por bancos privados (se é que estes atuam nessas áreas). ALÉM DISSO, é vergonhoso o BB comemorar tal data com seus bancários em greve por assédio moral, metas abusivas por vendas de porcarias como seguro e capitalização (veja se isso é foco de banco público!) e péssimas condições de trabalho, além de baixos salários e fraudes trabalhistas. ESPEREMOS que o Governo Federal ouça o recado dos bancários e mude a direção do banco e o coloque em consonância com as reais necessidades do povo brasileiro. PARABÉNS AOS BANCÁRIOS DO BB, POIS ELES SÃO O MELHOR PATRIMÔNIO DA EMPRESA!!
ubirajara sousa , slz-MA - psicólogo
Enviado em 17/10/2008 às 10:01:59 PM
Senhor Dines, vamos esclarecer uma coisa (aliás, o senhor já foi alertado sobre isso): O Banco do Brasil é S.A. (Sociedade Anônima). O Governo detém 51%, os restantes 49% pertencem aos acionistas, dentre os quais eu sou um. Por isso, o BB não é um banco estatal e quem pagou a conta não foi o contribuinte. O contribuinte pagou apenas uma parte da despesa, que eu acho legítima, pois o BB é um patrimônio que merece ser reverenciado e tem contribuído e muito para o engrandecimento do nosso Brasil. Um abraço.
Sidmar Gutierrez , São Paulo-SP - --
Enviado em 17/10/2008 às 8:04:55 PM
A dúvida de Dines é a eficácia do BB e seu direito de comemorar sua fundação. Mas ele fica nervosinho quando ninguém dá valor às comemorações de instituições da imprensa. Particularmente, Dines, eu me envergonho da imprensa brasileira. Ela jamais conseguirá se desgarrar de escritos ideológicos. Quer um exemplo: José Serra tem a polícia pior remunerada do Brasil. Tanto é que um grevista vestia uma camisa com a seguinte sigla "PSDB - Pior Salário Do Brasil". Eles têm vale refeição de R$ 4! isso resumo o motivo do P$DB ter sido banido da presidencia pelos eleitores: descaso com as classes que verdadeiramente trabalham neste Brasil. Quando houve a greve dos aeroportuários, a imprensa direitista e ultra conservadora destacou manchete atrás de manchete, visto que essa greve afetaria as classes mais altas do Brasil. Aí ela defendeu essa classe dignamente, não é? Mas quando os serviços "sem importância" nas áreas da segurança pública, educação e saúde do estado de SP fazem greves, essas notícias são omitidas pela imprensa ou ridiculamente destacadas. A imprensa precisa provar seu valor perante os leitores. Mas não àqueles leitores que não conseguem diferenciar o que as redações impôem, daquilo que seria uma abertura para um debate ou questionamento. Longe está, sua imprensa, de ser admirada por qualquer motivo. Ele se preocupa com anunciantes e lucro, somente. Dines e Serra.....
Ney José Pereira , São Paulo-SP - Contador
Enviado em 17/10/2008 às 5:56:25 PM
1ª resposta: Não é legítimo embrulhar capa de jornal com publicidade. A primeira página é inalienável. 2ª resposta: Não se faz investigação para a venda de espaço publicitário. Há espaços vendíveis (ou vendáveis) e há espaços inalienáveis. Não sei como os demais jornais informaram ao leitorado que aquilo era publicidade. Sei (porque vi) que a Folha (de S. Paulo, hein!) mentiu dizendo que era "ESPECIAL". Os jornais que não mentiram devem ter dito que aquilo era "INFORME PUBLICITÁRIO". A Direção (agora com D maiúsculo, hein!) da Folha (de S. Paulo, hein!) sabe muito bem o que é editorial e o que é comercial. Portanto, a Folha (de S. Paulo, hein!) praticou (ou cometeu?) um erro estético e dois erros éticos. O erro estético é o próprio "embrulho". E os erros éticos são o "embrulho" e o falso "Especial", pois, o correto seria "Informe Publicitário". Além de direito é obrigação de jornais venderem espaço para a publicidade. Assim os jornais têm receita e a publicidade tem espaço para a divulgação. O leitorado lê se quiser. Mas, utilizar-se de malandragens não é bom nem para os jornais nem para a publicidade nem para o leitorado. Os irmãos Frias perderam os brios?.
Ezequiel Rodrigues , Curitiba-PR - Militar
Enviado em 16/10/2008 às 9:59:28 AM
Sinceramente não entendi o porquê de o autor ser contra a comemoração do bicentenário do Banco do Brasil. Ao que me parece, a mesma foi ilegítima apenas porque a imprensa não fez o mesmo "estardalhaço" com seu bicentenário. Então vamos analisar o caso: quem é que está errado? O BB por comemorar ou a imprensa por não comemorar? O autor queria que a imprensa tivesse comemorado, logo, não pode querer proibir o BB de fazê-lo. Senhor Dines, o problema está em a imprensa não comemorar e não no fato de o BB comemorar. Se a imprensa não tem orgulho de si própria para comemorar sua própria existência, o BB tem, e o autor, ao invés de criticá-lo, deveria elogiá-lo e pedir para que a imprensa siga este exemplo.
PAULO PEREIR , S J CAMPOS-SP - -
Enviado em 16/10/2008 às 2:01:11 AM
O Banco do Brasil completa 200 anos de FUNDAÇÃO neste ano.
Rubens Cercani , São Paulo-SP - Desenhista
Enviado em 15/10/2008 às 11:33:56 PM
Qualquer empresa que "pertença" ao governo não pode fazer festinha nem comemorar nada. Mas as empresas privadas que usam o dinheiro dos trabalhadores para não fecharem, e ainda ficam com o lucro sem risco, estas podem. Espero que Dines tenha uma vida bem plena quando Lula deixar a presidência. Está é a razão de todos os dias, haver uma pedra no sapato de Dines.
Gilberto Lopes , Maceió-AL - Bancário
Enviado em 15/10/2008 às 10:02:59 PM
O que importa mesmo neste momento não é a comemoração de 50 100 ou 200 anos, mas sim o completo abandono e falta de respeito do banco com os clientes e seus funcionários que ao longo desses anos com trabalho e muita dedicação ajudou a transformar o BB nesta potência financeira do País.
Green Lando , São Paulo-SP - Estudante
Enviado em 15/10/2008 às 8:44:20 PM
Querido jornalista, creio que o Banco do Brasil é uma marca, sendo assim, joga com o maketing. Talvez se os EUA tivessen os bancos estatais que nós temos, e o controle rígido de suas operações financeiras, talvez não estariam totalmente desacreditados. Literalmente sem créditos, sem fundos.
Green Lando , Sao Paulo-SP - Estudante
Enviado em 15/10/2008 às 8:37:02 PM
Nobre jornalista não perca tempo com discussões inóquas. Graças aos nossos grandes Bancos Estatais, Banco do Brasil e Caixa Economica é que ainda podemos oferecer crédito para as classes A, B e C. Talvez se os EUA tivessem pelo menos dois grandes bancos estatais e bem fiscalizados não estariam tão desacreditados. Reforçando, literalmente sem créditos. RSSSSSSSSS
Roberto Ribeiro , Aracaju-SE - Arqueólogo
Enviado em 15/10/2008 às 3:13:48 PM
A gente tem que "ter noção", como dizem os jovens, para não ficar desacreditado. Oras, o banco fez sua propaganda institucional sem intensão de prejudicar ninguém, apenas promover sua marca. Isso é como discutir "neutralidade" em cobertura de jogo de futebol, algo que não fede nem cheira. Perder tempo com isso é ranzinzice que desacredita o nobre jornalista.
ubirajara sousa , slz-MA - psicólogo
Enviado em 15/10/2008 às 12:20:29 AM
A diferença significativa é que os brasileiros, em sua maioria, orgulham-se do Banco que têm; o que não ocorre no que diz respeito à nossa Imprensa. Por isso, valeu a festa!
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