ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 507 - 24/11/2009
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POLÍCIA vs. POLÍCIA
A guerra entre policiais paulistas

Por Luciano Martins Costa em 17/10/2008

Comentário para o programa radiofônico do OI, 17/10/2008

Os jornais fizeram uma boa cobertura factual do confronto entre policiais ocorrido na quinta-feira (16/10) perto do Palácio dos Bandeirantes, sede do governo de São Paulo. Ao longo de todo o episódio, os sites jornalísticos mantiveram os leitores informados sobre detalhes da crise, considerada a mais grave envolvendo as forças policiais do estado. No entanto, as edições de sexta-feira pecam pela falta de informações e análises sobre o que está por trás do conflito.

Ao dar destaque à politização da crise, a imprensa dá uma grande volta no problema e desvia a atenção dos leitores de alguns elementos importantes para entender a questão da segurança pública em São Paulo. Para começar, o Estado de S.Paulo chama de "grupo" a multidão de policiais civis que participava da manifestação. Sob qualquer critério, uma massa de 2.500 pessoas não pode ser chamada de "grupo".

A Folha de S.Paulo passa longe de analisar a estratégia da cúpula da Secretaria Segurança Pública que, segundo o Estadão, teria errado ao misturar policiais civis e militares na tentativa de conter a passeata. Mas, o mais importante: os jornais paulistas continuam ignorando a verdadeira situação da segurança no Estado.

Fora dos jornais

A imprensa de São Paulo usa critérios muito diferentes na abordagem da questão da violência, por exemplo, quando se trata de notícias do Rio de Janeiro.

A greve da polícia paulista, que já completa um mês, expõe alguns problemas que a imprensa vem ignorando há muito tempo.

Eles são discutidos abertamente por integrantes das polícias civil e militar em blogs na internet e mostram que no meio da greve está embutida uma reação de parte da força policial contra aquilo que é chamado de "banda podre" da segurança pública.

Pela leitura desses meios alternativos, por exemplo, fica-se conhecendo o caso de um delegado da capital que foi afastado de suas funções por ter descoberto falsificações nas estatísticas de ocorrências policiais na Secretaria de Segurança, ou o caso de um delegado de Santos que sofreu um processo administrativo e perdeu o cargo depois que denunciou um esquema de corrupção na Baixada Santista.

A imprensa presta um bom serviço ao informar o leitor sobre o agravamento das tensões entre as polícias civil e militar, mas a verdadeira guerra não sai nos jornais: ela se dá entre os policiais honestos e aqueles que se associaram ao crime.

Comentários (12)
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pedro  santos , sao paulo-SP - policial militar
Enviado em 13/12/2008 às 1:03:07 AM
boa noite,no final quem esta sofrendo com a crise armada pelo Sr GOVERNADOR,somos nos policiais que apresentamos as ocorrencias nos DPs,outro dia acompanhei a minha filha ao 81 dp,na AV CELSO GARCIA,a mesma foi vítma de tentativa de roubo,praticado por um menor de 17 anos,o menor que foi detido ja constava com uma advogada,e quando a menina foi se ouvida solicitei que o menos saisse da sala,e disse a advogada que ela estava pressionando minha filha,qual foi minha surpresa pois,o escrivão que respondia pela delegacia me disse para que eu tirasse o meu boné e que se eu continuasse afalar com a advogada eu seria preso e recolhido ao xadrez,tudo isto dito em frente aos meus parentes e em frente ao marginal que começou a dar risadas,é brincadeira, voce vai a uma delegacia como pai de uma vítima e sem ofender nenhuma autoridade é ameaçado de prisão,isto é a retaliação feita por alguns policiais que não perceberam que somos somente massa de manobra.
José Antonio Mesquita , SP-SP - Arquiteto
Enviado em 20/10/2008 às 12:48:24 AM
Por duas vezes reclamei ao Ombudsman da Folha a falta de cobertura jornalística a respeito da Greve na Polícia Estadual.Não obtive resposta.O GRAVE episódio envolvendo a PM comandada pelo Governador Serra e os servidores públicos da Polícia Civil, mostrou a todos a intransigência e a falta de habilidade política de José Serra em negociar o reajuste de salarial desta coorporação, que embora pertencendo ao estado mais rico da federação, recebem os piores salários do País.Considero a Imprensa de modo geral cupada pelo conflito armado por ser pautada e cúmplice deste Desgoverno.Como se isto não fosse suficiente, tentam nos enfiar goela abaixo o seu preposto, de triste passado, Gilberto Kassab.
Luciano Prado , Rio de Janeiro-RJ - advogado
Enviado em 18/10/2008 às 11:49:45 PM
Aurélio De Santi , São Paulo-SP - Profissional Liberal. A pior desgraça que atinge a população brasileira é a desfaçatez e o alinhamento da imprensa golpista desse país. Mas, Aurélio se a Universal está te incomodando troca de seita. Fili-se ao PSDB ou aos Demos. Do Paulo Henrique me basta as denúncias que ele faz da imprensa serrista. Se o Paulo Henrique tiver que denunciar a Universal vai ter que denunciar também a igreja católica.
Sandro Sousa Araújo , Brasília -DF - Servidor público
Enviado em 18/10/2008 às 10:13:13 PM
Acredito que já exista uma antecipação das eleições de 2010. O próprio (Presidente eleito) José Serra admite isso quando cita que existem carros de som da CUT e da Força Sindical, cedidos aos manifestantes. Agora a cúpula da PC de São Paulo vai conversar com o ministro da justiça Tarso Genro, sendo que quem tem a competência para administrar a PC é o governador. È um jogo sujo de ambos os lados, sendo que só quem perde é a sociedade de São Paulo e a imagem do Brasil. O jeito de governar da direita abandona ( e sempre abandonará) o cidadão à própria sorte. Vide os oito anos de (des)governo de FHC. Vendemos ou damos tudo que era possível, aumentamos nossa dívida pública (a financeira) e jogamos para debaixo do tapete a nossa outra dívida pública (a social). O governador já deixou evidente que quer ser presidente e nada parece que vai atrapalhá-lo nesse interim.
ANTÓNIO CARLOS RODREIGUES , Taubaté, berço do imortal Monteiro Lobato-SP - Servidor Militar da Reserva
Enviado em 18/10/2008 às 3:42:22 PM
Observar que a Folha e o Estado, além da TV Globo, pertencem ao PIG (partido da imprensa golpista), daí não poderiam ter opinião diversa do governador Serra, que sonha dar um golpe na democracia.
ubirajara sousa , slz-MA - psicólogo
Enviado em 17/10/2008 às 11:44:00 PM
Policial de São Paulo ingênuo? Quero conhecer. A maior cidade do País e o menor salário de polícia? O que é que o Serra quer, polícia chupando o dedo? Mas a mídia, óóó, caladinha!
Aurélio De Santi , São Paulo-SP - Profissional Liberal
Enviado em 17/10/2008 às 11:39:16 PM
Será que o Paulo Henrique Amorim teria coragem de denunciar as falcatruas e o charlatanismo da igreja universal, sr. Luciano Prado?
Marco Antônio Leite , São Caetano do Sul-SP - TST
Enviado em 17/10/2008 às 7:49:08 PM
Essa crise que afeta às instituições "democráticas" vem se arrastando desde o primeiro governante do PSDB. Infelizmente, o funcionalismo público Estadual vem sofrendo com os baixos salários, conseqüentemente, sem aumento de salários há muitos anos. Vale dizer, a polícia paulista entre as polícias brasileiras é a que recebe o pior salário no país. O Serra com aquela cara de fascista vem há público dizer que havia apenas 1200 a 1500 policiais civis no movimento grevista. Para engrossar o movimente alegou que sindicalistas da Força e CUT, políticos e gente estranha criaram um clima de animosidade entre as polícias. O que é pior, disse que muitos daqueles polícias são ingênuos e foram usados politicamente, pelo movimento grevista. Como um governador de Estado pode dizer tamanha asneiro assim, que eu saiba o policial é um cidadão com boa formação cultural, psicológica e política para enfrentar o cotidiano violento da cidade grande. O que gerou essa greve foi os baixos salários que o Estado “faz que paga” e, os polícias “fazem que trabalham”. Este é o Brasil do PSDB.
Ibsen Marques , Caçapava-SP - Técnico e Eletrônica
Enviado em 17/10/2008 às 5:59:57 PM
A imprensa e a sociedade andam esquecidas do necessário debate para a fusão das duas forças policiais do Estado (a civil e a militar) que deveriam, a meu ver, subordinar-se a uma mesma hierarquia. Além disso aqui como no Rio quer me parecer que a polícia e seu comando bem como a política e os políticos já estão muito fragilizados pelo poder organizado e vassalador do crime. A questão passa muito longe de se considerar apenas o salário de uma categoria e as pressões políticas do movimento. Há muito de legítimo e ilegítimo nas reinvindicações. A questão é que margeia-se a questão sem a preocupação em uma análise mais profunda. Para resumir. Os civis terão um reajuste minguado, mas a estrutura da segurança pública não vai mudar e quem vai pagar o pato somos nós a população, principalmente os de menor renda. O confronto das polícias não me causou espanto já que, em nosso país, via de regra, quem deveria dar exemplo sempre se locupleta de sua posição: "Os srs sabem com quem estão falando???"
Luciano Prado , Rio de Janeiro-RJ - advogado
Enviado em 17/10/2008 às 3:30:57 PM
O Paulo Henrique Amorim foi direto aos motivos do silêncio da imprensa sobre os verdadeiros motivos da greve dos policiais: "o Serra edita a grande imprensa". A diferença entre os jornalista é que Amorim tem coragem de identificar a marmelada.
Ivan Moraes , Newark, NJ-MG - sem profissao
Enviado em 17/10/2008 às 11:20:43 AM
A verdadeira guerra nao pode sair nos jornais enquanto a media brasileira estiver tao ocupada praticando a espionagem. E esta sim.
Afonso  Caramano , Jaú-SP - Func. Público
Enviado em 17/10/2008 às 10:46:31 AM
Esse parece ser o exercício democrático do jornalismo que noticia mas não se aprofunda em determinadas questões, por temeridade, ou o que é pior, interesses escusos, políticos - embora seja o governador paulista quem acuse "interesse político-eleitoral" no confronto entre policiais. A questão é complexa - e a observação mais atenta revelaria que na prática o governo tucano costuma ser intransigente e escamoteia os problemas - assim acontece também nas questões relacionadas com os professores e servidores da saúde. Lamentável. (É interessante ver neste OI o artigo de Márcio Tonetti - Professores de Bico Calado)
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