ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 518 - 17/11/2009
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GAZA SOB FOGO
A guerra escondida

Por Luciano Martins Costa em 5/1/2009

Comentário para o programa radiofônico do OI, 5/1/2009

Os jornais de segunda-feira (5/1) comentam as dificuldades para cobrir a invasão israelense da Faixa de Gaza. Isolados na fronteira, os repórteres podem apenas ouvir as explosões e os disparos, mas não conseguem entrar na zona de conflito nem se comunicar com informantes. Até mesmo os telefones celulares dos soldados foram confiscados, para evitar que se comuniquem com familiares ou jornalistas.

Portanto, tudo que se lê hoje na imprensa sobre os combates e até mesmo sobre o eventual cumprimento das normas do direito internacional para situações de guerra é informação limitada e censurada por uma das partes. O público não está sendo servido de jornalismo, mas do trabalho de relações-públicas que selecionam o que pode e o que não pode ser divulgado.

Cobertura limitada

Os relatos que enchem as páginas dos jornais, vinte e quatro horas após o início dos combates em terra, são produzidos a partir de textos distribuídos pelo exército israelense. Além disso, apenas a rede de TV Al-Jazeera e alguns representantes de agências de notícias que já se encontravam na zona de luta antes da invasão conseguem furar o bloqueio, mas têm dificuldades para as transmissões.

A associação dos correspondentes conseguiu na Justiça de Israel permissão para a entrada de dez jornalistas, mas eles terão a movimentação restrita e serão obrigados a gerar informações para todos os veículos de comunicação que têm representantes do lado de fora.

A cobertura segue sendo parcial e limitada ao que interessa às autoridades israelenses. Ademais, também foram impostas restrições aos integrantes de entidades humanitárias que tentavam ingressar na região para reforçar os serviços de assistência médica aos feridos.

Comendo mosca

A nova etapa do conflito entre o Estado de Israel e o povo palestino está sendo contada por um lado só na grande imprensa. Mas as redes de solidariedade, que reúnem militantes pela paz de todas as nacionalidades, não param de alimentar a sociedade com relatos desordenados, porém cheios de informações, sobre o que acontece na Faixa de Gaza.

As Redes de Cooperação Comunitária sem Fronteiras, por exemplo, traduziram e divulgaram o teor dos panfletos lançados pela aviação israelense sobre a população sitiada na zona de guerra e mantêm um intenso intercâmbio de informações que inclui cidadãos árabes, palestinos e judeus.

Por enquanto, a chamada grande imprensa ainda não descobriu essa fonte alternativa de informações.

***

Pornografia é cultura

A Folha de S.Paulo inaugurou o ano de 2009 com uma reportagem no mínimo curiosa no seu caderno de cultura e entretenimento. Com fotos altamente inspiradoras, o jornal paulista explica como funciona o setor de negócios chamado de "celebrity-pornô".

O texto trata do tal mercado erótico da mesma forma como, em outras edições, tem apresentado aos leitores a nova série da televisão ou a abertura da temporada de espetáculos musicais.

Lendo a "Folha Ilustrada" no dia 1º de janeiro, o cidadão ficou sabendo, por exemplo, que uma das atrizes do cinema pornográfico nacional é ex-namorada da filha de uma cantora que se celebrizou pelo porte avantajado de sua "derrière". Também ficou conhecendo detalhes da carreira de "atrizes" que ingressaram na vida "artística" depois de um relacionamento com um famoso jogador de futebol. E por aí vai.

Faltou avisar

A "Folha Ilustrada" está comemorando 50 anos de existência. A Folha de S.Paulo até publicou um livro interessante para marcar a efeméride. Dizem os textos do jornal, ao anunciar o livro, que se trata de um "panorama da história do caderno de cultura da Folha" e dos eventos culturais mais importantes ocorridos neste meio século.

Fica estabelecido, portanto, que estamos falando de cultura. Portanto, a instigante obra do produtor de pornografia Cacau Oliver passa a integrar o acervo das nossas realizações culturais mais relevantes.

Talvez os editores da "Folha Ilustrada" tenham desejado apenas reforçar os pressupostos segundo os quais vivemos a era em que tudo é arte. Mas, como dizem alguns críticos, se tudo é arte, nada é arte, se tudo tem o mesmo valor, nada pode ser avaliado.

Também é possível que os editores da "Folha Ilustrada" tivessem pretendido ser irônicos. Só faltou avisar os leitores.

Comentários (13)
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Jose Francisco , São Paulo-SP - Comerciante
Enviado em 9/1/2009 às 5:47:11 PM
É assustador como o poder economico judeu influencia em qualquer lugar do mundo. Hitler tinha o poder militar, já os judeus tem o poder economico, para domar os EUA, e o belico para escravizar os palestinos.
Ibsen Marques , Caçapava-SP - Técnico em Eletrônica
Enviado em 6/1/2009 às 7:54:15 AM
É realmente pornográfica essa invasão de Israel. Jamais caberia na Folha Ilustrada, a não ser para divulgar a exposição de algum fotógrafo de tragédias humanas. As ações do Hamas não justificam de forma alguma essa violência contra civis inocentes. No mais, os jornais vivem publicando as pornografias e depravações políticas do país e ninguém nunca os acusou de aculturados.
marina chaves , marilia-SP - bancaria
Enviado em 5/1/2009 às 11:37:52 PM
ora, pornografia pode ser cultura..... quem nao conhece as obras do marques de sade? na sua epoca podia ser um escandalo.... hoje sao obras primas.... há poemas de carlos drumond que para mim sao escandalos, para outros são arte.... e ainda podemos pensar o quanto das ideias desses senhores se refletem nas pornografias modernas.... podem nao ser arte num primeiro olhar, mas na verdade estao carregados de conceitos muito antigos....
marina chaves , marilia-SP - bancaria
Enviado em 5/1/2009 às 10:48:58 PM
estou muito triste com os conflitos em gaza.... ontem eu vi uma imagem na tv que me deixou chocada: uma criança palestima sendo socorrida em uma maca, uma criança que utilizava fraldas, toda cheia de sangue.... quando é que pessoas inocentes vao parar de morrer por causa de lideranças politicas loucas?? tenho muito respeito pelo o povo de israel, mas nao dá para aceitar os ataques contra pessoas que nada lhe fizeram...
Marco Vitis , SP-SP - Professor
Enviado em 5/1/2009 às 8:33:44 PM
Os judeus têm experiência com Holocaustos. Não querem deixar registros para não serem julgados por um "Tribunal de Nuremberg". O premiê RABIN foi assassinado em Israel, pelas costas, num evento pela Paz. Será que é preciso ser mais claro sobre as verdadeiras intenções da maioria do povo judeu ?
rogerio cardozo , Tubarão-SC - desempregado
Enviado em 5/1/2009 às 6:48:01 PM
Todos devemos respeitar o sofrimento do povo Judeu durante seculos e principalmente dutante a Segunda Guerra,Mas cada vez mais mais acho que o fascimo domina Israel.Me lembro de te visto muitos filmes da Segunda Guerra,onde por exemplo o exercito alemão tinha o habito de executa dez pessoas de uma comunidade para cada alemão que fosse morto nessa comunidade.Enquanto havia mais de 500 mortos em Gaza e dezenas de feridos a imprensa anucia que houve uma grande comossão pela morte de um soldado israelense, uma vez um Judeu morreu e sua morte e sentida até hoje. Se soube também pela imprensa que osrael se tornou uma grande maquina de guerra,fabricando e vendendo armas das mais modernas,inclusive tendo armas atomicas.Sabe um mundo é uma grande falsidade,acho que a imprensa deveria denucia todos os abusos contra os nilhares de inocentes não só em Gaza,mas também no Iraque e Alfegnistão.Só assim os insansatos recuperaram o juizo e o respeito pela vida Humana.
alfredo sternheim , são paulo-SP - jornalismo-cineasta
Enviado em 5/1/2009 às 6:05:57 PM
A pornografia de hoje pode ser a arte de amanhã. A chanchada de ontem é o clássico de hoje. A História anda. Basta lembrar livros como madame Bovary ou ou O Amante de Lady Chaterley, rotulados de obscenos quando lançados e hoje são tratados com merecido respeito a uma obra de arte. O Mesmo no cinema, as comédias da Atlântida com Oscarito ou aquelas com os Irmãos Marx eram encaradas pelos críticos dos jornais como meros e vulgares objetos de consumo popular. Um filme que dirigi, Anjo Loiro, foi proibido pelo Ministério da Justiça do governo Medici em 1973 por atentar contra a moral e os bons costumes. Alguns anos depois foi exibido pela TV aberta. A evolução dos costumes é mais rápida que a estupidez humana. Portanto, nada de errado em a Folha Ilustrada fazer matéria sobre cinema erótico rotulado de pornô. Não vi a matéria, não sei é boa ou ruim. Mas é válida, cabe numa Folha Ilustrada que dá exemplo de não se prender a sectarismos. Ponto para a Folha que acançou no combate ao preconceito contra o erótico. No jornalismo, tem gente que, publicamente, repudia e na prática curte. Quantos fariseus. .
luiz  conceição , São Paulo-SP - estudante
Enviado em 5/1/2009 às 4:18:32 PM
Até quando Israel, quantos mais inocentes será necessário exterminar?!?!? E até quando o sangue dos Palestinos servirá como prêmio para sua politica de absoluta ambição.
René Amaral , Petrópolis-RJ - Artista Plástico
Enviado em 5/1/2009 às 3:03:34 PM
Sobre o HOLOCAUSTO (mais um) em Gaza. Não se pode esperar mais do Estado de Israel. Cospe na memória de um povo tratado como lixo durante séculos por mais de meio mundo! Parece que esqueceram que o que hoje fazem com os Palestinos, é o mesmo que sofreram mundo afora, por quase toda a história da civilização (onde? quando? como? está mais pra sifilização)! Quantos séculos passarão antes que entendam que hoje são muito piores que seus algozes mais cruéis? Para quem é capaz de fazer isso com seres humanos na maior parte indefesos, ocultar informação e censurar a guerra é normal, lembrem-se, numa guerra a primeira vítima é a verdade!
Jaime Collier Coeli , Itanhaem-SP - aposentado
Enviado em 5/1/2009 às 1:45:17 PM
"Porte avantajadop de sua derriere" por acaso significa "bunda"? Tive enorme dificuldade em dwecodificar a mensagem, sem duvida criptografada. Mas o "derriere" em questão sem dúvida é menos banal do que combates com censura naquela região do "derriere" do mundo.
Antônio Luiz Calmon Teixeira Filho , Salvador-BA - Advogado
Enviado em 5/1/2009 às 1:18:17 PM
Espero que Israel consiga finalmente por um fim no Hamas e em todos os terroristas que tentam, desde sempre, destruir o povo judeu.
Alexandre Carlos Aguiar , Florianópolis-SC - Biólogo
Enviado em 5/1/2009 às 12:56:17 PM
E, obviamente, a comunidade internacional, sob medo de parecer anti-semita, mais uma vez vai refugar nas acusações, ao Estado de Israel, de barbárie. Já houve algo semelhante nos massacres nos assentamentos de Saabra e Chatila, em 1982, e será agora. Muitos morreram naquele evento sanguinário e pouco foi feito para punir os assassinos. E, o mais preocupante é que, sob a justificativa do injustificável, a de que Israel está tomando as tais medidas para revidar os ataques do Hammas, a sociedade mundial se cala. Enquanto isso, um exército fortemente armado, um dos melhores do mundo, arremete contra civis, alegando que os "seus" civis também estão sendo mortos. Criança com a perna decepada é terrorista? Ah, esqueci, é efeito colateral.
Homero D. Arneiro , São Paulo-SP - ex-estudante jornalismo
Enviado em 5/1/2009 às 11:37:39 AM
Algum órgão de imprensa corajoso, poderá traçar um quadro comparativo entre as grandes chacinas da história moderna ?: - massacre dos armênios pelos turcos de 1915 a 1917 - cerco ao Gueto de Varsóvia na II Guerra - massacre de Lídice em 1942 na Tchecoslováquia (1.500 mortos) - matança de Srebrenica, de 8373 bóznios muçulmanos, pelos sérvios em julho de 1995 O melhor paralelo que se vê na história da II Guerra para o atual massacre da população palestina na Faixa de Gaza, mais do que o Holocausto, e o cerco ao Gueto de Varsória se encaixa no massacre de Lídice, na República Checa. Em 1942, como vingança pela morte do comandante da SS Heydrich as vilas de Lídice e de Lekazy foram destruídas e cerca de 1.500 habitantes foram eliminados. Após o assassinato e o desterro de toda a população, a cidade inteira foi demolida por explosivos e deixada apenas em terra, aplainada por tratores Os alemães transformaram as cidades em pasto e a riscaram dos mapas da Europa. A notícia causou uma onda de terror e indignação mundial. Os atuais dirigentes de Israel efetivamente não esqueceram os ecos da Segunda Guerra, e estão se tornando brilhantes discípulos dos mestres genocidas nazistas. E os EUA, França e Inglaterra estão enterrando todo seu passado de luta anti-fascista. A imprensa tapuia assiste de camarote e omissa ao massacre. E nosso presidente posa de estadista
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