ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 519 - 17/11/2009
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A BATALHA DE GAZA
Trunfos do jornalismo humanista

Por Alberto Dines em 6/1/2009

Como cobrir guerras sem provocar outras? Como descrever os resultados do ódio sem aumentá-lo? O grande desafio do jornalista em zonas de conflito é pormenorizar o horror para acabar com o horror. Tarefa sobre-humana: impossível ignorar sentimentos, preferências, preconceitos ou fingir objetividade diante da dor.

Jornalistas não são máquinas de escrever. As guerras contemporâneas são conjunto de batalhas, geralmente curtas, grande é a rotatividade dos enviados às frentes de combate. Todos mais ou menos novatos, veteranos tentariam ser mais frios, o público quer sentir as emoções do terreno.

O fator de equilíbrio é o veículo. Cabe ao jornal, revista, rádiojornal, telejornal ou portal de internet abrigar e comparar divergências, somar pontos de vista, exibir o amplo espectro da controvérsia. Juntar interpretações – geralmente encontradas a boa distância das ocorrências – com as vivências in loco. Veicular opiniões e colocá-las a serviço da racionalidade.

Se as partes não oferecerem um mínimo de credibilidade, o conjunto ficará claudicante. O jornalismo é um processo orgânico e não uma colcha de retalhos, desigual.

Sessenta anos

As edições dos jornalões de referência nacional da segunda-feira (5/1) ofereceram um mostruário deste jornalismo múltiplo, pós-individual. Com o feriadão do fim de ano e a invasão da Faixa de Gaza pelo exército israelense, foi o primeiro dia da guerra plena.

Folha de S.Paulo, Estado de S.Paulo e Globo buscaram o equilíbrio – mostrar os dois lados felizmente virou rotina. Despachar repórteres para a região do conflito também (o Globo serviu-se da correspondente).

A Folha saiu-se melhor, a partir da primeira página. Arrasadora, aquela imensa imagem negra, enlutada, e, no canto, as lágrimas correndo no rosto da menina palestina (foto de Ismayil Zaydah/Reuters). A longa chamada dividida em tópicos oferece ao leitor (provavelmente recém-chegado das férias/festas) uma visão ampla desta nova batalha da Guerra da Palestina, a mais longa dos séculos 20 e 21 (desde 1948, 60 anos).

Os três diários oferecem praticamente o mesmo espaço (quatro páginas), mas a Folha acrescentou a primeira página quase inteira e a oportuníssima análise de Igor Gielow, de Brasília, na Página 2 mostrando o nonsense da nossa diplomacia.

Além da farta produção dos enviados e correspondentes, os três selecionaram excelentes textos de grandes jornais internacionais (a Folha serviu-se do Financial Times, o Globo usou Washington Post e Independent, o Estado preferiu as agências de notícias).

Partido da racionalidade

A diferença, a grande diferença a favor da Folha foram as entrevistas da última página do primeiro caderno (A-10) com dois lúcidos especialistas: o palestino Bashir Bashir, que leciona na Universidade Hebraica de Jerusalém, e o israelense Eyal Zisser, da Universidade de Tel-Aviv.

Aqui fica visível o que acima foi designado como "fator de equilíbrio", o trabalho de edição, a orquestração. De nada adiantariam entrevistas com delirantes adversários. O leitor ficaria mais confuso, mais vulnerável às simplificações e, sobretudo, ao ódio.

A maestria – a função social do jornalismo – exibiu-se na escolha de dois expoentes da cultura regional. Teoricamente em guerra, divergentes, o palestino e o israelense mostraram como é possível produzir aproximações. Mostraram também o quilate das respectivas elites, o potencial de bom senso e sofisticação cultural ao lado daquele enorme barril de pólvora.

Cobrir uma guerra mostrando como a guerra é insensata, absurda; cobrir uma guerra tomando o partido da racionalidade é um dos trunfos – triunfo – do jornalismo verdadeiramente humanista, tão fácil de entender, tão difícil de praticar.

 

Leia também

Por um pacifismo radical — Marcos Nobre [para assinantes do UOL / Folha de S.Paulo]

Comentários (25)
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Ibsen Marques , Caçapava-SP - Técnico em Eletrônica
Enviado em 9/1/2009 às 3:53:09 PM
Chequei a informação Marabá o que verifiquei foi que a RSF até noticia que Israel impede correspondentes internacionais de entrarem na região invadida e que vários organismos acionaram a Suprema Corte para que a entrada fosse liberada. As notícias são apenas descritivas, sem tomada de posição. Isso poderia até parecer isenção, mas toma ares de omissão.
Max Suel , SP-SP - Engº
Enviado em 9/1/2009 às 12:09:33 PM
Jornalista Alberto Dines: Parabéns pelo seu artigo. Preciso na forma e no conteúdo. (Max)
Jaime  Collier Coeli , Itanhaem-SP - aposentado
Enviado em 9/1/2009 às 8:15:58 AM
O que se entende por "humanismo"? Não será, com certeza, algo próximo da definição de "babaca", comum, por exemplo, ao que se chama na atualidade "poesia"? Mas se for no sentido da Renascença (Petrarca, Pico della Mirandola, Erasmo, Tomas More & C), teriamos de nos ater à certeza de que existe o pleno desenvolvimento do individuo. Se preferirmos derivação mais próxima, do século 19, estariamos num mundo não (ou anti) religioso, com certeza de que o ser humano é capaz de autodeterminação. É ainda mais recente um movimento contrário à origem do humanismo, em que as influências sociais, economicas e psicologicas predominam no individuo. De qualquer maneira, o humanismo tem como caracteristica principal a de não ser teocratico. Em defesa do humanismo é preciso dizer que ele não pode pactuar e manobras politicas para consagrar uma real-politica do fato consumado, em que se promove a "babaquice" da poesia de qualidade inferior para legitimar o status quo. Em resumo, o humanismo não pode ser inocente util.
Miroslav  Herz , São Paulo-SP - Professor
Enviado em 8/1/2009 às 11:32:44 PM
Boa, caro Marabá, muito boa mesmo! Muito bem lembrada a crassa omissão desta ONg que sempre questionei sua legitimiade e seus interesses, e que tem jornalista que ainda não foi capaz de enxergar a obviedade, retrucando com um "ããããã" a cada crítica que faço à RSF. Esta ONg é mau-caráter, só denuncia os atentados à liberdade de imprensa quando eles acontecem (e acontecem mesmo) em países não-alinhados aos EUA. Será que o Obama vai continuar molhando as mãos desta farsa sem fronteiras, como o Bush faz?? Vamos RSF, cadê o repúdio à censura proporcionada pelo governo de Israel???
Jaime Collier Coeli , Itabhaen-SP - aposentado
Enviado em 8/1/2009 às 10:09:39 PM
Realidade é aquilo que não deixa de existir quando você deixou de acreditar nela. Ainda que anacronico, há conflitos a proposito do famoso "espaço vital" que nosso "humanismo" fingia não existir mais. Também anacronico é o centro religioso dos três monoteismos, que prosseguem lutando por territorios. Ainda anacronico é a desculpa que inventamos para os massacres por todo lado. Dizemos com ingenuidade hipócrita: Não são mais que interesses economicos contrariados. Devo concluir que o que chamamos "humanismo" se transformou (ou sempre foi) numa desculpa hipocrita para o crime generalizado? Lembro de um comentario da falecida Golda Meir, a respeito do patriarca Moises. Dizia ela que Moissés andou por decadas no deserto para, enfim, instalar sua cabana num lugar onde não havia petroleo. Desculpe-me, Dines, mas estou exausto de ouvir falar em "humanismo". Como humanistas, se todos os envolvidos são, de fato, teocracias?
Ibsen Marques , Caçapava-SP - Técnico em Eletrônica
Enviado em 8/1/2009 às 4:21:39 PM
Recomendo ao Dines a leitura do Artigo: "A causa palestina é nossa" do Gilson Caroni Filho, Nele há um diagnóstico bastante preciso do que vem ocorrendo em Gaza e a conivência da imprensa ocidental ao genocídio palestino. A imprensa está muito distante do humanismo e de informar os fatos com isenção.
Rogério Ferraz Alencar , Fortaleza-CE - ATRFB
Enviado em 8/1/2009 às 4:05:20 PM
"...Não fosse a religião, poderia viver em qualquer lugar e se integrar na espécie humana. Com nosotros que vivemos onde nascemos em paz com os nossos vizinhos." A briga é por terra, Paulo Bandarra. Terra para se edificar um país; um país onde se possa pôr em prática uma forma de viver, uma cultura, inclusive, religiosa. Todos já são integrados à espécie humana. Mas um povo, sem um país, sem terra, jamais formará uma nação. Nascemos no Brasil, vivemos em paz com nossos vizinhos, mas, se fôssemos expulsos do Brasil, e o Brasil se acabasse, ficaríamos perambulando pelo mundo, sem ter onde viver do nosso modo.
Evandro Trigueiro Tavares , Manaus-AM - Escrivão
Enviado em 7/1/2009 às 9:35:52 PM
Não nego que haja guerras por motivos religiosos, mas não é esse o caso dos Territórios Ocupados no Oriente Médio, onde há duas nações e um território, ou seja, aí a briga é por terra mesmo, o famoso espaço vital. A maior prova disso, de que este conflito não tem motivação religiosa, é que judeus e palestinos estão espalhados pelo mundo todo em comunidades que convivem pacificamente, aqui mesmo no Brasil. A mídia é pró-sionismo, não há dúvida, é só assistir ao filmes de Hollywood e aos "History Channels".
Cláudia Rodrigues , Porto Alegre-RS - jornalista
Enviado em 7/1/2009 às 4:46:59 PM
O título do artigo chamou minha atenção, entrei aqui no maior clima "oba, finalmente vou ler sobre a falta de visão humanista numa guerra, finalmente vamos ver a abordagem econômico-bélica sendo levada em conta, Dines se rebelou de vez." Ho ho ho, mera ilusão, é o massacre sendo analisado friamente sob o ponto de vista político-intelectual, a mesma e eterna condescendência com os filhos de Israel, as eternas vítimas do holocausto, ainda nos seus descontos da Segunda Guerra. Lamentável o artigo, absolutamente nonsense, acrítico, pastel, uma das piores análises de mídia já feita por esse grande jornalista, que não deveria sujar seu nome em nome do próprio nome.
Luna  Naidin do Vale , Rio de Janeiro-RJ - estudante de jornalismo
Enviado em 7/1/2009 às 3:23:10 PM
Não li a Folha e o OESP, mas não tenho achado a mídia imparcial. O Globo deu a primeira página e várias fotos dos palestinos mortos e apenas notinhas nas laterais sobre os foguetes do Hamas e o protestos de judeus contra os ataques israelenses. O que me preocupa mais é a denominação que a mídia tem usado para a guerra. Ouvi "judeus x palestinos", isso é completamente errado!
James  Emanuel de Albuquerque , Rio de Janeiro-RJ - Historiador
Enviado em 7/1/2009 às 2:42:32 PM
Caro mestre: Dentro da necessidade de um esforço para mostrar como a guerra é insensata, gostaria de ver abordada com mais ênfase o papel de “feira de amostras” dos fabricantes de armas em que as guerras atuais se transformaram. Tomando o partido da racionalidade, a existência de guerras “limitadas”, ou seja, onde só se emprega parte do poder militar de cada combatente, mostra que o “esforço” de guerra (que envolve mandar para a morte parte da juventude de seus países) não está relacionado a destruição do “inimigo”, logo o interesse só pode ser comercial (venda e demonstração de produtos bélicos). Um abraço.
Alexandre Carlos Aguiar , Florianópolis-SC - Biólogo
Enviado em 7/1/2009 às 2:26:16 PM
Primeiro, meu caro Bandarra, é preciso deixar bem claro que não é precisamente a religião (todas elas) a resposnável pelas mazelas no mundo. Sou ateu e tenho as minhas maiores restrições ás manifestações religiosas pelo mundo, abomino inclusive algumas posturas, mas seria complicado atestar sua culpa nisso. Ao longo da história, como bem disse o Ibsen, a religião fez parte, sim, mas não foi o principal motivo, não obstante ser uma forte componente. E não está sendo também no conflito em Gaza sua razão mais forte. Depois, Ibsen, é também necessário dizer que não são os judeus os culpados pela guerra (invasão, massacre, genocídio, o que seja). Tampouco os árabes. São apenas os atores do momento. Ali há uma disputa de forças, estratégica, planificada, de caráter territorial e econômico, entre Ocidente e Oriente. Manter Israel naquele lugar, mesmo com toda a carnificina que promovem, é estratégico ao Ocidente. Sempre foi. Alguém sabe quais foram os principais motivos que levaram às Cruzadas? Não foi somente o religioso, que seja dito. Por que Constatinopla foi fundada, quando o Império Romano ainda era absoluto? Por que uma das maiores disputas no século 19 foi entre turcos-otomanos e britânicos? Bush invadiu o Iraque por que? Não gostava da cara do Sadam? Os coitados dos palestinos, ali em Gaza, são apenas uns peõezinhos no tabuleiro. Estão no lugar e na hora errados.
Marabá Júnior , Olinda-PE - Autônomo
Enviado em 7/1/2009 às 2:18:16 PM
Enquanto o mundo se acaba na Palestina; enquanto a imprensa é censurada por Israel para não cobrir livre e honestamente o conflito no Oriente Médio; e enquanto crianças são mortas nas escolas da ONU pelas tropas israelenses, a ONG Repórteres Sem Fronteira silencia-se frente a esses abusos, não dedica sequer uma linha de sua página para esse tema e se volta para o que acontece, pasmem, no resto do mundo. Confira o desinteresse desse órgão que baba os ovos dos estadunidenses e que, claramente, mostra que tem fronteiras: o Eua. ( http://www.rsf.org ).
Ibsen Marques , Caçapava-SP - Técnico em Eletrônica
Enviado em 7/1/2009 às 1:14:37 PM
Prezado Bandarra, a Ásia e Europa em tempos antigos sofreram vários movimentos invasores em nada motivados por diferenças religiosas. Isso foi uma constante na história antiga. Na minha humilde opinião a religião é sempre chamada para justificar os conflitos ocultando ou justificando outros interesses nada transcendentes. Os radicais religiosos e os fundamentalistas são apenas utilizados como massa de manobra.
Ibsen Marques , Caçapava-SP - Técnico em Eletrônica
Enviado em 7/1/2009 às 1:07:14 PM
Me parece que a imprensa comete o mesmo equívoco com que noticiou a invasão do Iraque. Chama guerra o que claramente é pura invasão. As lutas armadas são símbolos clássicos da irracionalidade humana. Israel tem bloqueado o acesso às informações do front e só liberou a ajuda humanitária após muita pressão externa. Creio que as sucessivas perseguições e massacres ao Judeus tornaram-no um povo frio e anestesiado. Nas declarações dos sobreviventes do holocausto o discurso sempre foi: divulguem amplamente o acontecido para que a humanidade nunca mais passe por tamanha tragédia! Incrível que isso volte a acontecer pelas mãos de seus próprios filhos e netos.
Paulo Bandarra , Porto Alegre-RS - Médico
Enviado em 7/1/2009 às 12:50:12 PM
Caro Alexandre Carlos Aguiar, toda a briga começa com a religião. Por ela os judeus forma perseguidos e por isto quiseram voltar para a terra prometida, que haviam tirado de outros na antiguidade, e novamente fazem o mesmo. Não fosse a religião, poderia viver em qualquer lugar e se integrar na espécie humana. Com nosotros que vivemos onde nascemos em paz com os nossos vizinhos.
Elcio Machado , Assis-SP -
Enviado em 7/1/2009 às 10:04:36 AM
Dines, ainda não é sua a voz brasileira de ascendência judia que brada contra os massacres perpetrados por Israel. Seu texto elogia o equilíbrio da Folha, por colocar dois lúcidos especialistas, um (palestino) que leciona na Hebraica de Jerusalém, e outro (israelense) da Universidade de Tel-Aviv. Ambos, portanto, de Israel. O "outro lado" teria sido bem representado? Ou, do "outro lado", só existem "delirantes"?
Alexandre Carlos Aguiar , Florianópolis-SC - Biólogo
Enviado em 7/1/2009 às 7:35:01 AM
Bandarra, me permita acrescentar em seu comentário, que a questão não é apenas religiosa, ainda que seja um forte componente. É uma guerra tribal, utilizando-se dos atributos da tecnologia. Os ódios são por territórios, por composição econômica, por distribuição social, cujas resoluções não passam por tratados diplomáticos, mas pela força e pela imposição de princípios, a mesma motivação que faz tribos indígenas guerrearem, que é a birra. Normalmente, os conflitos entre nações são resolvidos usando-se os recursos da Teoria dos Jogos, do Dilema do Prisioneiro, onde as estratégias e planejamentos são amplamente analisados e discutidos. Ali, não. No caso do Oriente Médio prevalece o lema "se a farinha é pouca, meu pirão primeiro". Não há nenhum fator de conduta dos indivíduos para a tolerância ou beneplácitos.
Paulo Bandarra , Porto Alegre-RS - Médico
Enviado em 6/1/2009 às 7:30:10 PM
Em todos os comentários, começando pelo de Dines, se ignora o motivo da guerra. Nada de humanista, mas por motivações religiosas. Estas diferenças jamais relevadas por milênios. Que leva um povo a padecer em campos de concentração, em invadir a terra alheia em busca da terra prometida, de colocar a casa de Davi no poder novamente, em palestinos que não toleram seus humanos semelhantes por serem judeus e vice-versa, por semelhantes que maculam a terra de Maomé. Mesma raça que se odeiam por motivos religiosos.
Alexandre Carlos Aguiar , Florianópolis-SC - Biólogo
Enviado em 6/1/2009 às 3:47:49 PM
Tornou-se padrão, modelo e virou paradigma, adotado pelo senso comum e difundido pela mídia o cuidado em falar de Israel. Mencionar a palavra judeu, então, é fonte de narizes torcidos. Acusam o autor de anti-semita, um dos piores epítetos que se pode pechar a um cidadão moderno. E a imprensa adotou isto como conduta de uns tempos para cá. O politicamente correto recomenda cautela para evitar o embaraço. E aí surgem estas matérias sonsas, supostametne equilibradas, mas que pretendem esconder a imagem assassina do governo de Israel, principalmente neste novo conflito. Será ignorância, falta de coragem, ou alguém recomenda?
José de Souza Castro , Belo Horizonte-MG - Jornalista
Enviado em 6/1/2009 às 3:40:38 PM
A Folha de S. Paulo publica hoje um depoimento emocionante: "A paz do sítio foi destruída, e meu pai, despedaçado", de Fares Akram, do "Independent", em Gaza. É preciso ler na íntegra. O pai, "nascido em Gaza e educado no Egito, ele era um advogado e juiz que trabalhou para a Autoridade Palestina. Depois que o Hamas tomou o poder, ele abandonou seu posto e se tornou agricultor. Ele odiava o que o Hamas estava fazendo com o sistema legal de Gaza, introduzindo a justiça islâmica, e era totalmente oposto à violência". Ele se retirou para sua fazenda no norte da Faixa de Gaza, onde foi morto no sábado por uma bomba lançada por um avião israelente. "Minha dor não envolve desejo de vingança. Mas, como um filho em luto, vejo dificuldade para distinguir entre aqueles que os israelenses chamam de terroristas e os israelenses que estão invadindo Gaza. Qual é a diferença entre o piloto que despedaçou meu pai e um militante que dispara um pequeno foguete? Só sei que, no momento em que estou por me tornar pai, perdi o meu", conclui Akram. Num caso assim, como cobrar isenção de um jornalista?
Paulo Marcos  Lustoza , Rio de Janeiro-RJ - ofical de Marinha
Enviado em 6/1/2009 às 3:33:45 PM
Sr.Jorn. Dines. Li a sua chamada para o texto do articulista Marcos Nobre ,"Por um pacifismo radical", mas não concordo com a conclusão, pois historicamente o pacifismo levou nações e seus aliados a perdas de vida desnecessárias, quando atacados. Se palestinos e israelenses tivessem o mesmo equlíbrio militar, jamais se confrontariam e se repeitariam, provocações seriam apenas retóricas, pois é assim que funciona a diplomacia, que não dispensa o braço armado para ter sucesso nas negociações de paz.
Patrícia Nogueira , rio de janeiro-RJ - artesã
Enviado em 6/1/2009 às 3:25:09 PM
Batalha, supõe conflito entre duas forças. O que acontece em Gaza é massacre, não tem outro nome para descrever o que estamos vendo acontecer. Acho que o bom jornalismo não teme as palavras.
José Rubens de Araújo Júnior , Goiânia-GO - Advogado
Enviado em 6/1/2009 às 2:24:49 PM
Prezado Dines, Será que o sobretítulo não ficaria melhor se fosse "O Holocausto de Gaza", ou "A chacina de Gaza", ao invés de "A batalha de Gaza"? A desproporção de forças entre Israel e o Hamas não autorizam o termo "batalha". Acho que voce está cometendo o mesmo pecado contra o qual seu texto brada: a parcialidade.
Fábio Carvalho , Porto Alegre-RS - Jornalista
Enviado em 6/1/2009 às 12:20:38 PM
Sei não, Dines. Está em curso um massacre em Gaza (daqueles que nem a favela da Maré conhece diariamente). A imprensa não consegue mais resistir em denunciá-lo. E é preciso, sim, denunciá-lo. O veto de Israel à entrada de jornalistas não pode ser tolerado. São mais de 500 mortes, cerca de 100 crianças, pelo que tenho lido. É o horror. Sim, existem vítimas em Israel, existe ódio e irracionalidade do lado palestino. Mas existe também um exército forte e grandes indícios de terrorismo de Estado por parte de Israel. O horror.
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