ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 526 - 17/11/2009
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JORNALISMO APELATIVO
A mídia é burra? E você?

Por Emanuelle Najjar em 23/2/2009

Não sei se estou falando alguma novidade, mas temos no Brasil uma mídia mesquinha e burra.

Pode ser estranho alguém formada em Jornalismo dizer isso, mas é simplesmente a verdade. Talvez não apenas no Brasil como em outros lugares, mas cito nosso país por uma questão de familiaridade. Posso também estar cometendo uma heresia ao afirmar que o público sofre do mesmo mal. Só não se sabe se o público age assim em conseqüência da mídia ou o contrário.

Não é de hoje que o espectador é tratado como tal. Consumimos "diversão" e futilidade como se fossem as melhores coisas da vida. Quando falo em diversão, não estou fazendo "ode contra o lazer". Afinal, sou humana e sei o quanto isso é importante, mas há coisas que simplesmente fogem ao entendimento de qualquer indivíduo com o mínimo de consciência – coisas do tipo funk, programas de fofoca com apresentadores de voz estridente, novelas sem trama, Big Brother Brasil e jornalismo apelativo.

Dita moda, vicia, forma valores

Basta ligar a TV e em poucos segundos teremos um desfile de óculos – que curiosamente dão mais destaque ao traseiro da modelo –, um programa de fofocas mostrando tudo sobre a vida de alguma pseudo-celebridade que mostra o traseiro, reality-shows com participantes semi-analfabetos que só fazem gritar Urúúú (...) e exibir o traseiro, além de algum programa jornalístico esgotando qualquer desgraça da vida alheia e empolgantes e inesquecíveis narrações de enterro (?!).

De tanto ler, observar e conversar com as pessoas, vamos descobrindo um cenário quase escabroso. Temos jovens que mal se importam com aquilo que acontece ao seu lado e só pensam em internet, games, roupas da moda, shopping e compras. Vemos meninas que, na ânsia de se mostrarem mulheres, praticamente se entregam a qualquer um, engravidando cada vez mais cedo. Não por falta de informação, e sim, por descaso. Vemos rapazes de classe média alta cometendo barbaridades a troco de diversão e de se exibir para a turma – e cujos pais se mostram apenas permissivos e omissos.

Mídia dita moda, vicia público, forma valores, cria e muda formas de pensamento, constrói celebridades tão rápido quanto as destrói. Constrói, desconstrói e mostra, à sua maneira, aquilo que querem que vejamos... Ou seria aquilo que queremos ver?

Melhor rir para não chorar

Nossa mídia nos subestima. Nossa opinião pública é burra, acomodada, desconectada da realidade. Somos permissivos, desestimulados, conformados com todo o lixo que consumimos e colhemos aquilo que plantamos. Preferimos ler apenas a programação da TV, os resumos da novela, as páginas de fofoca, o resultado do campeonato de futebol dos times da nonagésima divisão e saber qual será a próxima integrante do BBB que vai posar nua. Não nos importamos com aquilo que acontece ao nosso redor, ou como os governos estão usando o dinheiro público.

Preferimos posar de engajados, informados e conscientes para parecer na moda, quando na verdade pouco nos preocupamos com qualquer outra coisa que não seja o nosso próprio umbigo.

Talvez não seja tão falsa assim a idéia de que toda unanimidade é burra. Pelo menos não quando público e mídia conseguem alienar-se e serem alienados, num ciclo vicioso e tragicômico. É melhor rir do absurdo para não chorar.

Comentários (3)
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Maria Camargo , Belo Horizonte-MG - Professora
Enviado em 26/6/2009 às 7:27:04 AM
professores. Assunto: fofocas sobre celebridades, novelas, reality shows... Poucos "educadores" gostam de ler jornais ou um bom livro... Portanto, não somente a mídia é responsável por tanta alienação etc. Nós também, pelo exemplo, incentivamos toda essa "macaquice" e preguiça de pensar... melhor é copiar, é consumir... Nada de buscar coisas que agreguem valores de verdade. (Obviamente, existem exceções). E quando os alunos viram piada nacional, pelas “pérolas” deixadas nas provas deveríamos chorar, “né não”, professora Nara? “Uai”, afinal, fazemos parte do processo, “sô”! P.S: Desculpem-me pelo “mineirês”. Não consegui resistir!
vithor césar , cuiabá-Mt - estudante
Enviado em 2/3/2009 às 2:39:43 AM
Realmente!!! como dizem tudo é reflexo de algo. no caso a própia população que não se preocupa com a qualidade da informção que recebe. Devemos sempre questionar a informção que estamos recebendo, analisar a sua fonte e analisar a posição do jornalista em relação ao tema abordado. E sinceramente... poucas pessos no Brasil fazem isto. uma pena...
Nara  Rocha Vieira , TIJUCAS-SC - professora
Enviado em 27/2/2009 às 12:58:59 AM
Mas bah, esse foi o quinto artigo que li no OI n526, e não sei se por coincidência mas em todos eles estavam citadas as lindas iniciais BBB. Credo, quanta perseguição...se sendo ruim tem tanto espaço por aqui, que dirá se fosse bom não? Pare com essa pegação de pé gente. O BBB exibe futilidades, burrices, falsidades? Dê uma olhadinha aí em volta da sua mesa de escritório, só há superdotados, sensatos e fidelíssimos?
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