ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 530 - 24/11/2009
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CURRÍCULO DE JORNALISMO
Duas surpresas na audiência do MEC

Por Sylvia Moretzsohn em 24/3/2009

Duas grandes surpresas – uma no início, outra no final – marcaram a primeira audiência pública para a reformulação das diretrizes curriculares de Jornalismo, na sexta-feira (20/3), no Palácio Capanema, sede da representação do MEC no Rio de Janeiro. A primeira foi notada por todos e dizia respeito ao tema central da reunião. A segunda, aparentemente, passou despercebida da maioria, mas é talvez mais relevante, pois revela uma concepção constrangedoramente simplória do sentido da expansão dos cursos superiores no Brasil.

Ao apresentar os objetivos da audiência, o representante do Ministério da Educação, Paulo Roberto Wollinger, diretor de Regulação e Supervisão da Educação Superior do MEC, provocou um burburinho na platéia ao afirmar que o pomo da discórdia da comunidade acadêmica do setor não estava em pauta: "Em momento algum pensamos em separar o Jornalismo da Comunicação Social". Disse isso a título de esclarecimento, mas só poderia causar confusão, uma vez que a iniciativa de revisão das diretrizes provocou o recrudescimento desse debate e levou integrantes da própria comissão de especialistas a se manifestar a favor da autonomia para Jornalismo. No entanto, talvez a frase tivesse outro sentido, porque logo em seguida Wollinger diria algo ainda mais surpreendente: "Não existe curso de Comunicação Social; o que existe é essa grande área da Comunicação, da qual o jornalismo é uma das especialidades".

Era uma afirmação contra toda evidência, a começar pelo nome do curso que vem gravado ano após ano nos diplomas de quem se forma na habilitação em Jornalismo. Porém, se interpretada de outra forma, a declaração inicial faria sentido: afinal, como o que existe de fato são jornalistas, publicitários, relações públicas – e não esse "comunicador" genérico –, seria ocioso discutir se o "curso de Jornalismo" deve ser autônomo, porque esta já seria sua condição inevitável. Assim, não se destacaria da "grande área" da Comunicação – porque, afinal, é Comunicação –, mas obedeceria a diretrizes curriculares próprias, sem qualquer relação com as das outras especialidades do setor. Na prática, portanto, seria já um curso autônomo.

O que, naturalmente, não resolve nada, porque o problema original persiste: quais serão as bases para uma adequada formação de jornalistas? E aqui retornamos à velha questão que divide duas correntes substancialmente distintas, cristalizadas na oposição entre "academicistas" e "tecnicistas", "comunicólogos" e "jornalistas", numa simplificação que jamais ajudou qualquer debate. E que não chegou a ser enfrentada na primeira audiência pública para discutir as diretrizes curriculares.

Polêmica antiga

Os cursos de Comunicação Social são contestados desde que foram criados. Seria excessivo tentar resumir aqui essa história, mesmo porque muita coisa mudou nas duas últimas décadas: basta dizer que até meados dos anos 1980 praticamente não havia jornalistas ou professores com essa experiência profissional dando aula de jornalismo, as escolas não eram dotadas de um mínimo de estrutura laboratorial e a pesquisa específica praticamente inexistia. Tudo isso contribuía para que os cursos se fechassem em torno de teorizações distanciadas da realidade que o futuro jornalista deveria enfrentar e fossem, portanto, desdenhados pelos profissionais formados "na prática" e pelos próprios estudantes.

Hoje ainda estamos longe do ideal – e mais ainda de um consenso sobre o que deva ser esse ideal –, mas a situação é radicalmente distinta. Apesar disso, frequentemente repetem-se os argumentos daqueles velhos tempos. Foi o que ocorreu há 10 anos, quando se iniciou o processo de avaliação das condições de oferta da habilitação em Jornalismo dos cursos de Comunicação Social. A avaliação exclusiva desta habilitação era uma tentativa de forçar a criação de um curso específico, desligado da "geléia geral" da Comunicação.

Este Observatório refletiu e estimulou a intensa polêmica durante meses seguidos. Então, como agora, prevalecia o pragmatismo entre os partidários do curso autônomo. Na época, um dos argumentos mais exuberantes nesse sentido valorizava a formação de profissionais comparados à excelência de um i-Mac: era "só ligar na tomada e começar a trabalhar". Hoje, talvez em decorrência da preocupação com a inserção mais imediata do estudante num mercado de trabalho ao mesmo tempo tão diversificado e precário, defende-se um perfil de prestador de serviços. Num caso e noutro, o que prevalece é a concepção de universidade operacional.

O consenso sobre o óbvio

Na reunião com a comissão de especialistas, passou-se ao largo dessa questão. Nós, da Universidade Federal Fluminense, apresentamos um documento sintético, de quatro páginas, defendendo o jornalismo como "um `campo de saber´ do abrangente campo de conhecimento da Comunicação", que exige a articulação entre uma sólida base humanística e uma oferta ampliada de opções para a formação profissional específica, de modo que o aluno possa "direcionar seus estudos para as áreas de atuação com as quais melhor se identifica, ampliando as alternativas de conhecimento e de prática profissional". Mas a ênfase é na formação ética do jornalista e na conscientização sobre as dificuldades e as responsabilidades envolvidas no desempenho de seu papel de mediador.

Uma decorrência lógica dessa concepção é o entendimento de que a universidade não está aí para formar prestadores de serviço, mas sujeitos dotados de autonomia intelectual, capazes de exercer competentemente a profissão que escolheram. Mas essa questão central não foi discutida e as discordâncias praticamente não apareceram, a ponto de uma professora enaltecer o consenso em torno da melhoria da qualidade dos cursos.

Além de óbvio, tratava-se de um consenso prévio. Evidentemente, ninguém pode ser contra a qualidade: o problema é saber o que cada um entende por isso. Porém um ponto essencial foi levantado pelo presidente do Fórum Nacional de Professores do Jornalismo, Edson Spenthof: a necessidade de se responder à pergunta sobre "o que é jornalismo" para uma definição mais clara das novas diretrizes. Imagine-se o grau de controvérsia que esse debate há de gerar, especialmente nesses tempos de enaltecimento da figura do "jornalista-cidadão".

Spenthof também fez uma observação conceitual relevante sobre as recorrentes demandas pela formação "multimídia", normalmente associada à simultaneidade: não era disso que se tratava, mas sim do desenvolvimento de habilidades diversificadas. Desempenhar várias funções ao mesmo tempo representaria a tentativa, previamente frustrada, de assoviar e chupar cana, uma impossibilidade física que – acrescento eu – resulta na precariedade sistematicamente verificada no noticiário cotidiano.

A universidade redentora

As divergências certamente aparecerão nas propostas a serem enviadas diretamente à comissão até o fim do mês. Ali, no Salão Portinari do Palácio Capanema, ícone da arquitetura modernista brasileira no Centro do Rio, preservou-se o ambiente ameno. Mas, já perto do encerramento da audiência, um comentário mais geral do representante da Executiva Nacional dos Estudantes em Comunicação, Felipe Melo, sobre as diferenças entre cursos privados e públicos e sobre a política de expansão do ensino superior, provocou a segunda grande surpresa do dia. Ao responder à crítica, o representante do MEC defendeu enfaticamente a criação de mais cursos, "se possível um em cada esquina", para sanar o déficit no contingente de brasileiros com formação universitária.

Se ficasse por aí, poderíamos apenas condenar o estímulo à proliferação de franquias no melhor estilo McDonald´s e o empenho na fabricação de números, que nos faz recordar o saudoso ministro Paulo Renato Souza. Mas Paulo Wollinger completou, com a fé dos justos: "Cada curso que se abre é um ponto de drogas que se fecha".

Pena que pouca gente notou, ou não percebeu esse detalhe – justamente o detalhe, que é onde mora o diabo. Pois, salvo melhor juízo, essa justificativa para a abertura de novos cursos superiores é inédita. Mais que isso: é simplesmente inacreditável.

Comentários (13)
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Gabriel Schmidt , Niterói-RJ - Estudante
Enviado em 31/3/2009 às 12:29:37 AM
Vivemos um momento no qual discussões fervorosas a respeito do Jornalismo estão sendo incentivadas. Em um "curto" período, devemos refletir se os cursos oferecidos têm qualidade para formar profissionais competentes e éticos e se diplomas são necessários para o controle de nossa qualidade. Como estudante, respondo Não e Sim, respectivamente. Acho que a necessidade do diploma não me cabe explicar (até porque já existem outros tópicos sobre o tema), mas, como universitário, posso dizer que, diariamente, me deparo com colegas (se engana quem pensa que o pessoal da redação está de fora) sem a menor noção do que é o conceito de ética e profissionalismo dentro de uma redação ou de uma assessoria. Como a própria origem do curso já remete, estamos lidando com a área de humanas, ou seja, com pessoas. Uma das capacidades mais exaltadas pelo homem na diferenciação em relação às outras espécies de animais é a sua capacidade de se comunicar com clareza. O jornalismo tem, como um de seus princípios básicos, o dever de transmitir ao público as informações sobre fatos e acontecimentos relevantes, universais e atuais, traduzindo: comunicar. Sou a favor do curso de Jornalismo como parte do curso de Comunicação, já que, a partir de uma base teórica social abrangente, é que os novos profissionais terão condições de repensar sua rotina, dando suporte para debates mais profundos no futuro.
sylvia moretzsohn , rio de janeiro-RJ - professora
Enviado em 28/3/2009 às 12:17:24 AM
Samuel, eu acho que a primeira providência é enviar a proposta do seu curso à comissão, no endereço divulgado em outras ocasiões: consulta.jornalismo@mec.gov.br. Fora isso, é provocar a discussão nos fóruns possíveis - listas, blogs, o que for. Acho imprescindível explicitar esse debate. Até agora estou impressionada com essa história. Se a comissão tem um projeto, por que não o explicita? Por que se apresenta como uma instância que vai apenas recolher as contribuições dos vários cursos para então sugerir algo? Sabe, eu fiquei muito feliz por ter ido a essa reunião. Porque, se fosse depender dos relatos das várias entidades, jamais saberia dos detalhes (das surpresas) que me fizeram escrever este artigo. E que acabaram provocando outras surpresas, como acabei de dizer. Tudo isso me entristece muito, por ver como as coisas acontecem, mas a única certeza é de que é preciso participar, sempre. E dizer o que se tem a dizer.
Samuel Lima , Joinville-SC - Jornalista e professor universitário
Enviado em 27/3/2009 às 1:55:18 PM
Esta é, professora Sylvia, a nova falsa dicotomia que pode nos legar um conjunto de diretrizes estanques, sem conexão com as áreas de conhecimento afins, na inútil e estéril tentativa de construir um campo específico do jornalismo (em tese, penso que devamos caminhar nesse sentido, respeitando o tempo epistemológico fundamental). Há determinados cursos tidos como "top" (conceito A, no antigo provão) que oferecem um conteúdo curricular quase que essencialmente técnico. O resultado é um só: depois do 4º semestre, o/a aluno/a está cansado de produzir "materinhas", repetindo surrados padrões da pirâmide invertida, não tem mais "saco" para encarar (fora de sala de aula, claro) a fundamental construção de sua bagagem intelectual, acadêmica e não-acadêmica, e vai levando do jeito que dá, até o trabalho de conclusão de curso em formato que pouco ou nada contribui para construir sequer o campo exclusivo do jornalismo. Se o caminho da Comissão é esse, já temos parâmetros na realidade para avaliar os resultados. É o percurso do acidente. A formação "autônoma e exclusiva" em jornalismo deve negar os saberes acumulados no campo da comunicação e áreas das ciências humanas e sociais? Existe prática sem teoria no ensino do jornalismo ou as duas dimensões são indissociáveis? Questões para o debate, professora. Daqui do interior de SC, não sei a quem recorrer, talvez ao FNPJ ou à FENAJ?
sylvia moretzsohn , rio de janeiro-RJ - professora
Enviado em 27/3/2009 às 11:51:40 AM
Eu concordo plenamente com a Sonia e me penitencio por não haver mencionado as questões que ela levanta, e que considero realmente fundamentais em toda essa história: primeiro, o problema não está nas diretrizes, mas nos muitos projetos que delas decorrem; segundo, a contradição entre o que se exige como capacitação “prática” (ou instrumental, de acordo com o modelo gerencial de universidade) dos professores e suas obrigações para com a carreira acadêmica tradicional (que hoje também está plena de distorções “produtivistas”, como todos sabemos). Porém confesso que teria escrito um artigo bem diferente se soubesse do que passei a saber agora – e que há de surpreender a Sonia, e provavelmente também o Samuel: que o esforço da comissão de especialistas é no sentido de propor o curso específico de jornalismo. Creio que esta é uma surpresa bem maior. Particularmente, eu seria perfeitamente favorável ao curso específico, se essa idéia não estivesse tão flagrantemente associada ao que vulgarmente chamamos de “tecnicismo”: a prevalência da lógica instrumental. Confesso que estou perplexa e muito mais preocupada ainda com os rumos que essa história pode tomar.
Samuel Lima , Joinville-SC - Jornalista e professor universitário
Enviado em 26/3/2009 às 12:16:48 PM
Não me surpreendo com a ausência do debate na audiência pública. O burocrata da SESU/MEC não foi lá com esse propósito. Docentes, discentes e profissionais do jornalismo é que devem se mobilizar para garantir um conteúdo final que interesse à sociedade. A Comissão presidida pelo prof. Marques de Mello tem representatividade, mas não o poder de decidir a questão. Essa mobilização se faz vital. Por outro lado, a fala do Sr. Wollinger reflete a política de mercantilização e proliferação sem critérios de cursos de jornalismo (como de resto em todo o ensino superior) é um desserviço ao ensino superior e ao futuro do país. É profundamente lamentável que o governo Lula não tenha tocado numa vírgula dessa política torta implementada pelo sr. Paulo Renato, de 1994 a 2002. Um breve olhar sobre os números finais do vestibular 2009 (região de Joinville/SC) me diz que as 12 instituições privadas que oferecem ensino superior aqui ficaram com uma ociosidade acima de 40% nas vagas de novas turmas. A política de "abrir uma Faculdade em cada esquina", só se explica pela mercantilização estúpida. O "inchaço" começa a dar sinais claros de retração e as megacorporações começam a demitir professores titulados e precarizar de vez. Não é possível que, só no Sul do país, tenhamos cerca de 50 cursos de jornalismo. A realidade é uma só: o Estado não tem instrumentos para fechar cursos de baixa qualidade.
Samuel Lima , Joinville-SC - Jornalista e professor universitário
Enviado em 26/3/2009 às 11:58:22 AM
Professora Sylvia, já havia lido com atenção seu pertinente contraponto ao prof. Gonzaga Motta (UnB), um dos integrantes da Comissão de Especialistas que ora desenvolve a revisão das diretrizes curriculares. Participei, nestes quase dez anos de docência superior em jornalismo, de duas revisões do Projeto Pedagógico de Curso (PPC, antigo PPP), atuando numa pequena IES (Instituto Bom Jesus/Ielusc, Joinville). Na matriz curricular ora em implantação (1ª turma foi 2008/1), conseguimos desenvolver um PPC que está focando no ensino do jornalismo, dialogando com as teorias e pesquisas do campo da comunicação e humanidades. Quando cursei a graduação na UFSC (1985-88), a falsa dicotomia era entre "teóricos" e "práticos" - considerando o quadro docente da época, como a senhora bem assinala. Hoje, a partir de algumas falas como a do Sr. Wollinger (e de Gonzaga Motta, no OI), uma nova docotomia vã se anuncia. O grupo docente que produziu e construiu, com liberdade e autonomia intelectual, o atual currículo do curso que citei (disponível em www.ielusc.br) buscou um equilíbrio entre formação técnica e teórica, do 1º ao 8º semestres. São 7 disciplinas de redação jornalística (a partir do 1º semestre), estudos de linguagens e produções em todas as mídias, acrescentado-se assessoria de imprensa, conteúdos de humanidades e ético-políticos, um projeto experimental e o TCC monográfico (SEGUE)...
Rodrigo Choinski , Curitiba-PR - estudante
Enviado em 25/3/2009 às 6:50:28 PM
Do jeito que a coisa vai, abrir uma faculdade de comunicação em cada esquina, ao contrário do que o senhor Paulo Wollinger falou, vai é melhorar as assessorias de comunicação do tráfico... ps. a classe média alta e o governo vive num país que não existe...
Sonia Aguiar , Aracaju-SE - Jornalista e professora universitária
Enviado em 25/3/2009 às 3:44:57 PM
Continuando... A questão-chave está, em primeiro lugar, no projeto político-pedagógico, que muitos formuladores de curso têm apenas uma vaga idéia do que se seja, se tanto. E, em seguida, na contradição de um modelo gerencial de educação universitária que exige dos docentes e das instituições, de um lado, experiência profissional no jornalismo e laboratórios tecnologicamente atualizados para "vivência prática" dos alunos; e, de outro, titulação acadêmica em nível de doutorado, produtividade em pesquisa e participação em inúmeras atividades para manter o tripé ensino-pesquisa-extensão em que se baseia a universidade pública. Sem enfrentar essa equação, não haverá diretriz que dê conta da pretendida formação de qualidade dos jornalistas brasileiros, em que pese a qualificação dos especialistas a que foi atribuída tamanha tarefa.
Sonia Aguiar , Aracaju-SE - Professora universitária
Enviado em 25/3/2009 às 3:20:12 PM
Pela descrição da Sylvia, fiquei a me perguntar pra quê, de fato, serviu esta audiência pública do MEC. A bem da verdade, tenho me perguntado, desde que a idéia foi lançada, por que em vez de gastar tempo e recursos formulando novas diretrizes curriculares para o ensino de jornalismo, o MEC não investe, efetivamente, em um amplo trabalho de fiscalização, revisão e atualização dos projetos político-pedagógicos dos cursos existentes, sejam públicos ou privados? E também na ampliação dos quadros docentes, instalações, equipamentos e dotações orçamentárias para material de consumo dos cursos das universidades federais, que são de sua responsabilidade direta? Participei - e em determinado momento cheguei a coordenar - do processo de reformulação curricular da habilitação Jornalismo do curso de Comunicação Social da UFF, juntamente com a Sylvia e outros colegas. E posso afirmar, com toda convicção, que as diretrizes em vigor pemitem a criação e a manutenção de um ensino superior de qualidade na área de jornalismo, em qualquer instituição. O problema não está nas atuais diretrizes, que são norteadoras e, ao mesmo tempo, flexíveis o bastante para permitir a adequação da formação profissional às necessidades e contingências socioculturais de qualquer região ou localidade deste país. A questão-chave está, em primeiro lugar, no projeto político-pedagógico, que muitos formuladores de curso
MARGARIDA   SEBENELLO , De profissão: POA, RJ e SP-SP - PEDAGOGA E CONSULTORA
Enviado em 25/3/2009 às 2:26:20 PM
AH!, quem dera que os especialistas em definir "Currículo e Pro- gramas de Ensino", para quaisquer cursos, tivesse em mente os conceitos norteadores que o Mestre Dines apresenta neste tex- to !!! Com certeza todos teríamos uma melhor formação !!! CONCLUSÃO: antes dos burocratas da Educação (necessários e bem-vindos) , os verdadeiros ESPECIALISTAS DAS PROFISSÕES, especialmente seus pensadores e praticantes de notória contri- buição, DEVERIAM SER CHAMADOS A PROPOR, ÊLES PRÓPRIOS, O CURRÍCULO BASE OBRIGATÓRIO com os PROGRAMAS e direciona-mentos práticos que tão bem utilizam; especialmente em relação aos "ESTÁGIOS", estágios iniciais DE "FORMAÇÃO" com dupla su-pervisão: Universidade e Empresa, conjuntamente. Congratulações, Mestre Dines.
Simone  Colombo , Lorena-SP - Jornalista
Enviado em 25/3/2009 às 10:19:59 AM
Muitos, pra não falar, todos os cursos de nível superior do Brasil deveriam ser mais severamente cobrados no quisito qualidade. Principalmente os de escolas particulares que enxergam cada aluno como um grande cifrão. Me formei em uma escola particular (que exigia e cobrava do aluno um TCC de qualidade ). Tive bons professores, formados em escolas públicas, que atuavam na grande mídia. No entanto, sei que inúmeros cursos de jornalismo formam pessoas que mal sabem escrever ou falar. E isso me envergonha. Mas isso não acontece somente no curso de jornalismo. Acontece em todo o ensino superior brasileiro que precisa ser totalmente reformulado e vigiado. Que dizer dos cursos de medicina (em geral os particulares) que formam pessoas incapazes de exercer a profissão? Que dizer de dentistas que mal sabem fazer o básico? De advogados que mal conhecem o português? Afirmar que cada curso superior que se abre é um ponto de droga a menos é lamentável. Se for pensar assim isso deveria valer para todo ensino básico, fundamental e médio, afinal é na infância- adolescência, que hoje em dia, infelizmente, se tem o primeiro contato com o uso de drogas. É um infeliz ponto de vista. Melhor seria se tivessemos menos cursos e profissionais mas de maior qualidade do que encher o mercado de "semi-analfabetos" com diplomas de nível superior pendurados na parede. Isso é uma vergonha para este país!
José Mariano , Florianópolis-SC - professor
Enviado em 24/3/2009 às 3:49:12 PM
Com uma assertiva assim, o representante do MEC só vem corroborar o que já sabemos: a má qualidade, feitas as exceções necessárias, entre as instituições públicas e privadas. Exige-se algo nas públicas, o TCC por exemplo. E nas instituições de ensino privado? Além disso, o subemprego de professores mal remunerados, sem garantia de emprego, afinal este depende do número de alunos; a falta de um plano de cargos e salários; a falta de um Projeto Político Pedagógico etc. tendem a agravar o ensino superior que, a despeito dos justos, cresce numa proporção em que se privilegia a mais-valia, mas nem sempre a qualidade. Não é regra do jornalismo não, é regra de toda a educação brasileira. Este é o X de uma questão pouco abordada e quase sempre abortada pelos meios de comunicação de massa e pelo próprio jornalismo. Manuais de redação para dirigir as idéias deste ou daquele; idéias algemadas pelo caráter referencial e denotativo; artigos supostamente imparciais; editores-chefes de uma deselegância ímpar; idem para respostas a interlocutores insatisfeitos; ouvidor de "fachada" e por aí vai. Resta-nos os canais de comunicação alternativos. Vasos comunicantes fora do discurso do poder. Será possível? Sem falar no EAD. Aliás, perguntinha básica: quantos alunos devem ser admitidos no EAD por tutor? Não deveria existir um número máximo? Alguém saberia responder?
Marco  Pires Lima , Brasilia-DF - Professor
Enviado em 24/3/2009 às 1:52:52 PM
A articulista identificou a persistência de um entendimento da parte do MEC que demonstra a adoção de uma política que oferece aos mais pobres, inclusive com financiamento público, cursos de péssima qualidade, geridos por interesses comerciais, onde se persegue o espírito crítico e a independência. Nas escolas privadas, com honrosas exceções, impede-se o debate de idéias, a organização dos estudantes e a possibilidade de os professores se aperfeiçoarem. O Jornalismo é oferecido a preços exorbitantes, mensalidades absurdas e no geral, o ensino é de baixa qualidade por que consultorias contratadas a peso de ouro conseguiram convencer as mantenedoras de que basta adaptar o currículo ao mercado para que o sucesso ocorra da noite para o dia. O resultado é que não existe debate consistente sobre formação, o que é o jornalismo, suas funções, seus valores. O perfil de aluno que se forma a cada ano mostra que é um crime o que se faz com a juventude e os seus sonhos de formação profissional digna e adequada ao que a Democracia reclama em nosso País.
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Sylvia Moretzsohn

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