ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 540 - 17/11/2009
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IGUALDADE RACIAL
A grande mídia contra as ações afirmativas

Por Fernando Conceição em 2/6/2009

O que o Estado Democrático de Direito, o que o republicanismo, o que o interesse público podem esperar quando se alinham, em uníssono à maneira de campanha, três conglomerados de comunicação que, no Brasil, são os proprietários privados dos mais influentes veículos da imprensa nacional? Uma única coisa: o abuso do direito constitucional à liberdade de expressão e de opinião. A coação dos demais poderes institucionais. O desrespeito ao princípio de igualdade de oportunidade, cerne da democracia.

Pois é exatamente o que a sociedade brasileira assiste hoje, estupefata, com a sórdida manipulação encampada pela Rede Globo, Grupo Folha e Editora Abril – respectivamente donos da TV aberta de maior audiência, com suas filiadas em todo o território brasileiro, controladores da TV por assinatura, de O Globo, de emissoras de rádio; dos jornais Folha de S. Paulo e Valor Ecnômico, do poderoso portal UOL; da maior e mais potente revista noticiosa semanal, Veja, e de vários outros tentáculos midiáticos articulados entre si.

Cotas são o inferno

Esse poderosíssimo Leviatã apresenta-se na atual conjuntura como o sucedâneo do Leviatã hobbesiano. O propósito do monstro é amedrontar a sociedade repetindo insaciável, incontinenti e monocordiamente que o Inferno em breve se instalará no Brasil. Incansavelmente a Rede Globo, a Folha e Veja anunciam que isso já tem hora e data marcada.

O Brasil será transformado no reino de Lúcifer a partir do momento em que deputados e senadores em Brasília votem pela aprovação de dois projetos que tramitam no Congresso Nacional, um deles há mais de decênio: o Estatuto da Igualdade Racial (projeto de lei 6564/05, do senador Paulo Paim, PT), e o projeto de lei 73/99 (da deputada Nice Lobão, DEM) incorporado ao projeto de lei 3.627/2004, do governo federal. Ambos estabelecem, pela primeira vez no país, um sistema de políticas sociais compensatórias, inclusive de acesso às universidades públicas federais, como forma de corrigir as profundas desigualdades repercutidas até hoje pelos mais de 300 anos de escravidão negra e indígena que marcam a história socioeconômica brasileira.

A grande mídia simplifica tais políticas compensatórias, rotulando-as como projeto de cotas "raciais". Isso tem reduzido a abrangência daquelas proposições e tornado irracional o debate. A questão de "raça" é posta no primeiro plano, em uma sociedade que custa a acreditar na existência do racismo em suas relações cotidianas e institucionais. Um povo que acredita, a despeito do desmascaramento do mito, ser o Brasil uma "democracia racial", mercê de todos os mais respeitáveis dados e índices de medição da estrutura demográfica afirmarem sempre o contrário. A sociedade brasileira é cingida por uma forte persistência da herança escravocrata, que atinge "pretos" e "pardos" (na definição do IBGE), colocando-os como grupo nas piores posições da pirâmide sócio-econômica.

Racismo como ideologia

Não são os propositores daqueles projetos de lei que inventaram a noção de "raça" como fator de identidade atribuída às pessoas de acordo com seus papéis e o lugar social por elas ocupado na formação da sociedade brasileira.

"Raça" sempre foi utilizada pelos "senhores da terra", desde o nascedouro da empreitada colonial nas Américas, como traço distintivo. Aos africanos, trazidos como escravos para todos os gêneros de labuta, foi-lhes pregada a definição de "negros" como marca de um tipo de animal racialmente inferior aos demais humanos. Não importaram as suas diferenciações culturais, ou étnicas, tampouco as suas tradições de origem. Todos são (ou eram) da "raça" negra, consequentemente podendo ser escravos pelo estatuto do ordenamento jurídico da Colônia e do Império. O racismo foi uma das ferramentas ideológicas de organização da exploração colonial. A República não solucionou, até o presente, essa equação.

Qual patriota – e a pátria, já disse alguém, é o último refúgio dos canalhas – quer ver seu país "pegar fogo", ter a sua "harmoniosa" população "separada" entre "brancos" (no Brasil identificados como rico ou doutor) e "negros" (sempre suspeitos e vilões)? Quem quer ver a "paz" que hoje reina, como antanho, desde o princípio do escravismo colonial, quem quer todas essas nossas tradições de cordialidade (no fundo perversas) perdidas por conta da aprovação do Estatuto da Igualdade Racial e do projeto 3.627?

Nessa tecla batem, de forma orquestrada e combinada, os grandes conglomerados de mídia. Com seus impressos, telejornais, experts em antropologia social, rádios, internet, publicações, almejam influenciar – e muito – os humores e a disposição da opinião pública, isto é, dos brasileiros formadores de opinião e dos eleitores.

Sem-precedentes a não ser no abolicionismo

O Estatuto e o outro projeto de lei seriam obra demoníaca (ou stalinista?). Permitir que congressistas tenham o livre-arbítrio de votar abalizados por razões éticas, de senso de justiça, de consciência histórica dos horrores que até hoje vigem da discriminação negativa contra os negros, isto a Rede Globo, a Folha de S. Paulo e a Veja simplesmente não querem aceitar. Portanto, mobilizam-se, com poucos precedentes similares nos debates legislativos, para derrotar aquelas proposições. Reeditam dessa forma, 130 anos depois, a mesma tipologia das paixões verificadas durante a árdua luta que resultou na abolição da escravatura no país.

Todos os artigos, todas as matérias, todos os editoriais veiculados direcionam-se a semear o pânico e a disseminar a idéia de que assim procede a mídia em defesa da unidade e do bem nacionais. Todas as reportagens ou entrevistas são produzidas e editadas de forma a referendar essa tese.

O método é simples e corriqueiro. Para disfarçar o flagrante desrespeito às regras básicas do jornalismo em sociedades abertas (deve-se dar voz a todas as opiniões), esses grandes veículos usam a fórmula 10 para 1. Dão espaço e peso diferenciados aos que são contrários àqueles projetos e ao demais. Este, já que favorável, tem a sua opinião, posta no contexto das outras contrárias, com um enquadramento que remete ao bizarro, ao fora de propósito. Vira exotismo defender políticas compensatórias para os descendentes de escravos no Brasil, que são a esmagadora maioria dos pobres e miseráveis.

Interesses anti-sociais das empresas

Rede Globo e seu noticioso carro-chefe, o Jornal Nacional – já classificado por seu editor como produto dirigido a gente de mentalidade de Homer Simpson –, Veja e Folha de S.Paulo querem convencer os formadores de opinião, eleitores e seus representados no Congresso Nacional de que essas empresas privadas (ou seja, Globo, Folha e Abril, assim como os seguidores de tal ideário) defendem nessa campanha o que é melhor para "o país". No entanto, os formadores de opinião, e principalmente os atuais detentores de mandatos parlamentares, deveriam atentar para a seguinte obviedade escamoteada nesse debate: Rede Globo, Folha e Editora Abril são crias alimentadas pela última ditadura militar que destruiu a democracia, prendeu, torturou, matou e fechou, por consequência, esse mesmo Congresso Nacional. Perseguiu e cassou mandatos de parlamentares e tantos outros líderes sociais e políticos não-adesistas.

Entre os sombrios anos 1960 ao ocaso dos anos 1980, a maior parte do tempo foram conflitantes e até mesmo opostos os interesses republicanos e os interesses dessa hoje tríplice-aliança. Essas empresas se fortaleceram, se beneficiaram e se consolidaram, cada uma ao seu modo, pelas facilitações que o regime militar lhes proporcionou. Apoiaram abertamente ou foram coniventes em algumas fases com aquela ditadura.

Sobre a Globo há vasto corpus documental a respeito, dentro dele a existência de uma CPI. Carlos Guilherme Mota e Maria Helena Capelato (1980) registraram em História da Folha de S. Paulo: 1921-1981 a estratégia de posicionamento político que fez este jornal jamais ter sofrido sequer de leve os abusos ditatoriais infligidos ao seu concorrente local, O Estado de S.Paulo. A Editora Abril sempre flertou com a cúpula do sistema, tendo em Golbery do Couto e Silva um dos seus referenciais de conduta e em Antonio Carlos Magalhães um dos seus queridinhos.

Dourando a pílula do comprometimento

A Folha buscou se redimir, a partir dos tempos de Claudio Abramo e mais ainda com Boris Casoy, na memorável campanha das Diretas-Já, que na primeira metade da década de 1980 exigia nas ruas o retorno ao Estado de Direito, com o estabelecimento de eleições livres para a Presidência da República. Naquela vez, Folha, Veja e Globo ficaram em campos diferenciados.

A vontade da poderosíssima Globo no período todos nós conhecemos. Se opôs tenazmente a que o povo brasileiro readquirisse a sua soberania por meio do voto. Ignorou ou mentiu, seguindo um padrão jornalístico de obediência à linha-dura do regime à qual serviu o tempo todo com denodo, demonizando os adversários.

Provas ainda piores de que a Globo, quando quer, é o reino da perversão dos interesses cidadãos estão nos anais da história brasileira recente em dois escandalosos episódios. O que ficou conhecido como "Caso Globo/Proconsult" e o debate final da campanha eleitoral de 1989, entre Lula e Fernando Collor. No primeiro, a Globo foi pega de calças curtas na sua ignóbil tentativa de manipular contra Leonel Brizola o resultado da eleição para governador do Rio de Janeiro, em 1982. No segundo, a exibição no Jornal Nacional da edição do debate, beneficiando a performance de Collor, até hoje é estudada como um case do histórico de abuso de poder que essa rede televisiva possui.

Nesse segundo episódio, o então todo-poderoso diretor da Central Globo de Jornalismo, Armando Nogueira, teve pruridos de hombridade, foi ao cacique Roberto Marinho e apresentou sua demissão do cargo. Vemos a confissão envergonhada dele para o teledocumentário Beyond Citizen Kane (Simon Hartog, 1993), que a Globo judicialmente censurou, impedindo sua exibição em todo o território brasileiro.

Um histórico de sujeiras

Esse documentário (assista aqui), que circulou em cópias piratas, é um consistente trabalho jornalístico da TV britânica, mostrando os tentáculos do império de Roberto Marinho e suas ramificações no comando do poder político nacional. Permitir a sua difusão à época seria contrária à estratégia que com o retorno da democracia a Globo traçou, visando apagar da memória o seu passado macbethiano.

Foi nesse vácuo, por exemplo, que alguma programação da emissora, como o Fantástico, até se deu ao luxo de exibir uma reportagem sobre o nascente Movimento Pelas Reparações dos Afrodescentente, enfocando o surgimento no Brasil de uma articulação social por políticas compensatórias de ação afirmativa.

Entretanto, pruridos iguais ao de Nogueira hoje não possui Ali Kamel. Este profissional, agora à frente do Jornalismo da TV Globo, é um dos comandantes do ataque sem trégua ao Estatuto da Igualdade Racial e ao Projeto de Lei do Executivo. Age de cima de um armamento pesado de artilharia, muito além do que poderiam vis mortais, como o autor dessas mal-traçadas linhas, desprovidos estes do instrumental fabuloso que são os comandos da TV Globo, da Veja, da Folha de S.Paulo. Nem um desses veículos abre espaço e tempo equitativos para o exercício de opinião contrária às suas neste tema. Seus colunistas e articulistas, com raras exceções de um Elio Gaspari, têm todos não-surpreendentemente o mesmo ponto de vista de quem lhes paga salários e bônus.

Trapaça e covardia no debate

Não há em toda a grande mídia brasileira um único articulista ou comentarista negro comprometido com a luta anti-racista contratualmente assegurado para, de forma regular, emitir sua opinião nesses veículos. Mesmo o limitado espaço da seção "Tendências/Debates" da página 3 da Folha, ou o seu suplemento "Mais!", nos últimos oito anos têm sistematicamente rejeitado colaborações contestadoras à sua tese. Não faltam pessoas com esse ponto de vista capacitadas para publicar na Folha, e uma lista de intelectuais comprometidos na luta por ações afirmativas foi entregue à Secretaria de Redação desse veículo por uma representação do Movimento Negro há mais de três anos, em visita àquele jornal. Certamente a lista foi para o lixo.

Diante de tão avassaladora campanha "cívica", mentalidades conservacionistas do establishment sentem-se agora encorajadas a bradar as suas posições contra as mudanças institucionais previstas por aqueles dois projetos de lei. Vêem-se estimuladas essas vozes porque sabem poder contar com a tutela dos grandes veículos de comunicação. Não temem, neste momento, a reação adversa das ruas. Porque as ruas estão desmobilizadas pela insuficiência das forças sociais que, sabedoras da justeza política das ações compensatórias aos estratos sempre excluídos (por razões históricas), acham-se órfãs do poder belicoso dos que possuem o controle da grande mídia.

Ouso dizer que por trás de todo esse poder esconde-se a prepotência dos covardes. Em breve eles também pressionarão os integrantes do Supremo Tribunal Federal, quando a matéria for ali analisada.

É esta covardia da Globo, da Veja e da Folha que interdita o nosso acesso equânime aos seus tempos e espaços. Ali Kamel jamais nos convidaria para um debate desarmado, ainda que em ambiente por ele dominado, em qualquer um dos seus jornalísticos ou talk shows cuja edição seja honesta. Otavio Frias Filho, para cujo jornal muitas vezes no passado escrevi, tendo dois textos meus reeditados em coletâneas organizadas pela Publifolha – e a partir dos quais produzi minha tese de doutorado – não me ofereceria em sua Folha um lugar de articulista frequente em contraponto ao seu pensamento. E Veja, para estampar uma "página-amarela" que fosse, somente se eu "revelasse" que Lúcifer não existe no além, Lúcifer é a "alcunha" de Luiz Inácio Lula da Silva.

Como as coisas assim não se darão, ou os defensores e interessados pela democratização verdadeira das relações sociais no Brasil retomam aguerridamente a sua militância, pressionam os parlamentares, ganham as ruas e outros espaços de cidadania; ou, então... adeus às mudanças.

***

P.S. – Uma nota adicional. Comecei a redigir este artigo em Madri, Espanha. Estou na Europa há oito meses como bolsista de pós-doutorado da Capes no Lateinamerika Institut da Freie Universität Berlim, verificando a presença e influência do geógrafo Milton Santos no debate intelectual em países europeus, subsídio para escrever a biografia autorizada dele. Dia desses tive de me deslocar em ônibus para Salamanca. Ao desembarcar na estação, à porta do veículo vieram me recepcionar três homens que se identificaram como agentes da polícia local. Eu era o único negro entre os demais passageiros e não estava chegando ao país naquele momento. Fui o único detido e submetido aos olhares suspeitosos dos demais.

Não se tratava de agentes da Imigração. Eram policiais comuns à paisana, que me levaram a um cubículo, me retiraram os documentos e remexeram minha mochila, cheia de livros – para a surpresa confessa deles – e folhearam meu passaporte com comentários jocosos sobre o número de viagens marcado por vários vistos ali apostos. Telefonaram para sei lá quem, ditando meus nome e sobrenome. Depois do vexame e do constrangimento, permitiram que eu fosse encontrar com um acadêmico da universidade local, estudioso da obra do brasileiro. A essa altura eu já tinha perdido meu humor.

Registro aqui o fato para ilustrar uma simples verdade, que se tenta escamotear: é muito fácil, para os prepostos do poder (público ou privado) saber quem é negro. Afirmo em resposta à questão bizantina levantada pelos inimigos das cotas. No Brasil, episódios como esse são banais. Na Europa frequentemente ocorrem. A cor da pele subsiste como valor de distinção, de discriminação e preconceito. Gostemos ou não, esses são os fatos.

Comentários (34)
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Luciana Oliveira , São paulo-SP - estudante
Enviado em 11/6/2009 às 6:07:35 PM
Os imigrantes receberam do Estado brasileiro implementação de políticas especiais para seus desenvolvidmento. É só estudar a história do Brasil. Imigrantes foram enviados de seus paises para o Brasil porque eram pobres camponeses e aqui foram acolhidos como cidadãos. Não se efetiva nenhum direito quando se nega o direito do outro. Esta Rede Globo que o professor Fernando Conceição refere-se é a mesma que tem projeto denominado ""A COR DA CULTURA" desde 2004 , sobre a cultura dea população NEGRA. Este projeto está bem especificado lá no site da SEPPIR.
Wellington  Oliveira , Salvador-BA - Acadêmico
Enviado em 9/6/2009 às 11:13:15 AM
Não Sr. Prático, não é a ti que me refiro, mas as tuas idéias. A coexistência de fato existe, como disse anteriormente, mas ela é por demais desigual. Não ver isso, é cerrar os olhos com muita força. Acredito como o Sr. na via da melhoria da educação de base, como solução a longo prazo. Mas este discurso já caducou e as coisas continuam como estão. “Não acho que essas políticas sejam a salvação, mas o ímpeto com que certas pessoas se lançam contra elas me causa estranhamento”. Palavras do Sr. Henrique Rodrigues, num comentário abaixo. Eu concordo com ele, o Sr. não?
Julio Prático Souza , São Paulo-SP - Analista de Sistemas
Enviado em 9/6/2009 às 10:14:09 AM
Quer dizer que eu, neto de catador de café, sou herdeiro de dono de capitania Sr. Wellington? Quer dizer que eu ando com motorista particular Sr. Wellington? Discurso fraco, ultrapassado, nitidamente interessado em votos dos eleitores negros! Espero que realmente o ensino básico nesse país melhore para que os negros não caiam nesse papo furado.
Wellington  Oliveira , Salvador-BA - Acadêmico
Enviado em 8/6/2009 às 6:06:21 PM
Defensores da causa humana, Sr. Prático. Da igualdade entre iguais. Não é sobre isso que estamos discutindo? Concordo com o Sr. quanto à coexistência. Coexistimos em harmonia. Até dividimos os mesmos automóveis pelas ruas das cidades. Os brancos herdeiros das capitânias no banco traseiro e o negro abolido (expulso das senzalas para as favelas) ao volante. Quanta harmonia! Sr. Mark von Übelgarten, devemos parabenizar a sua única amiga negra que conseguiu esta façanha. Devemos sim! “Até meu chefe é mais escuro que eu”. Parabéns ao chefe do Sr. Gilberto! Isto me parece um escorrego. Mas não se culpe, prezado. Somos seres sociais e nascemos em uma sociedade racista. O que fazer?
Julio Prático Souza , São Paulo-SP - Analista de Sistemas
Enviado em 8/6/2009 às 5:29:31 PM
Acredito que cotas possam ter valia em uma sociedade que tenha saído de uma política real de sgregação racial, como foi os Estados Unidos e a Africa do Sul. Nestes países até hoje existe o mundo dos negros e o mundo dos brancos. No Brasil eu não vejo isso. Não é necessário promover a coexistência entre esses grupos, pois aqui já há essa coexistência na nossa cultura. A entrada na universidade deve ser por mérito, e também cabe a análise quanto ao papel real da universidade - Será que a universidade deve ser encarada como meio de obter emprego ou acensão social? E os cursos técnicos e profissionalizantes? Por que ninguém fala em cotas para esses cursos? Já com relação a participação maior dos negros em propagandas e novelas, sou a favor sim de um maior espaço nestes casos.
Cláudio Dias , Brasília -DF - servidor público
Enviado em 8/6/2009 às 5:13:50 PM
Henrique, tudo bem? Veja, talvez um dos motivos que faz com que as pessoas se lancem contra tais medidas decorra do fato de os defensores de tais medidas, com frequência, iniciarem seus textos da seguinte forma: "os comentários revoltados dos senhores brancos de classe média que infestam esse espaço". Que tal argumentos ao invés de ofensas?
henrique rodrigues , americana-SP - estudante
Enviado em 8/6/2009 às 12:58:40 PM
Meu caro Julio Prático Souza: Sou branco, pobre e por terrível coincidência também tive um pai viciado em álcool. Por um bom tempo tive que viver em um alojamento público, e posso dizer que essa discrepância racial sempre me causou incômodo. Se tal situação não causa revolta em outras pessoas só posso lamentar. Não acho que essas políticas sejam a salvação, mas o ímpeto com que certas pessoas se lançam contra elas me causa estranhamento, esse conservadorismo travestido de contestação, como se a destinação ínfima de vagas para negros pudesse causar alguma deterioração significativa do ensino universitário, como se isso pudesse causar algum tipo de tensão racial no Brasil. Acho isso de uma hipocrisia lastimável. E um programa de cotas para estudantes de baixa renda não exclui a cota para negros, se não me engano. Só não podemos achar que essa questão racial no brasil se resolverá com o tempo, a boa vontade da mão invisível ou qualquer patacoada do gênero.
Julio Prático Souza , São Paulo-SP - Analista de Sistemas
Enviado em 8/6/2009 às 11:47:49 AM
A guerrilha urbana já existe, só não vê quem não quer!
ANTÓNIO CARLOS  RODRIGUES , Taubaté, berço do imortal Monteiro Lobato-SP - PMSP/Res
Enviado em 7/6/2009 às 11:19:42 AM
Essas questoes todas serão solucionadas com o surgimento das FARB, da guerrilha urbana e do terrorismo seletivo e sistemático. Aguardemos.
Julio Prático Souza , São Paulo-SP - Analista de Sistemas
Enviado em 5/6/2009 às 7:22:20 PM
Corrigindo último envio: E há um dado ainda mais alarmante:- escolas públicas em bairros de melhor poder aquisitivo têm melhor qualidade de einsino (Terrível não?).
Julio Prático Souza , São Paulo-SP - Analista de Sistemas
Enviado em 5/6/2009 às 7:19:06 PM
Henrique Rodrigues, meu caro, não se conserta um erro com outro erro, talvez ainda pior. A ausência de negros na universidade (todas - públicas ou não) se deve principalmente ao fato de que o ensino básico que está a disposição é de muito pouca qualidade, principalmente no nosso estado de São Paulo. E há um dado ainda mais alarmante:- escolas públicas em bairros de melhor poder aquisitivo (Terrível não?). Realmente eu não estudei em uma universidade pública por dois fatores: 1- não prestei vestibular, 2 - meu curso era em São Carlos, e eu não poderia parar de trabalhar (o que faço desde os 14 anos de idade) para poder fazer faculdade pública. Mesmo assim consegui um bom reconhecimento no mercado em que atuo, apesar de muitas portas terem se fechado no início para mim também, por não ter em meu currículo uma formação considerada "de elite". Assisti a um programa Profissão Reporter recentemente, onde os aprendizes de jornalista acompanhavam a vida dos jovens de periferia, você assistiu? Quem viu percebeu ali que brancos, negros e mulatos enfrentavam todos - POR IGUAL - as mesmas dificuldades. Um rapaz branco se matava para prestar atenção na aula, acordava as 4:00 da manhão para trabalhar e o pai ainda é alcolatra - pois é, por ser branco ele não tem direito a tal cota - Não é injusto Henrique?
Gilberto de Oliveira , Salvador-BA - funcionário público
Enviado em 5/6/2009 às 6:55:47 PM
Bem, se o acadêmico me fala de favelas e de abastados e desafortunados, não estamos mais falando de "raça" e sim de um problema social. Ele me toma por um insensível, que não dá a mínima para a miséria reinante no nosso país. Só que ele está redondamente enganado. Primeiro, sei que não é "por acaso" que a maioria dos pobres tem a pele escura. A abolição nada mais foi que a transferência da base da pirâmide social da senzala para a favela. Isso é óbvio. Segundo, não escorreguei em lugar nenhum, acadêmico, você é que escorrega quando me qualifica sutilmente de reacionário e elitista, coisa que eu nunca fui nem serei. Agora, o MÉRITO da questão é definir o que seja "raça". Se somos mestiços, miscigenados, misturados, como somos eu e o professor Fernando Conceição (é, ele cursou a universidade sem precisar de cotas!), e quiçá, você mesmo, então façamos como eu disse antes: vamos abrir nossas veias e remover a parte do sangue que nos incomoda. Eu, de minha parte, garanto que não farei isso, pois tenho Orgulho de ser descendente de brancos, negros e índios. Não sei quanto a você. Se o sistema de cotas fosse um projeto de inclusão social, beneficiando os pobres sem o estranho critério das "raças", aí eu seria o seu maior defensor. Quanto à proporcionalidade de "brancos", "negros" e etc na minha repartição, garanto que a democracia racial é total. Até meu chefe é mais escuro que eu.
Mark von Übelgarten , Joinville-SC - Engenheiro
Enviado em 5/6/2009 às 3:24:23 PM
Confesso que não li todo o artigo e preferi pular as várias partes que o autor dedica para regurgitar suas críticas e ataques à mídia. No mais, este artigo não é muito diferente das centenas de outros vistos por aí, que maquiam a política de cotas como uma justiça social ou como a reparação de danos históricos -- mas, no fim, tudo que os defensores das cotas tentam é esconder do leitor que este sistema é preconceituoso e discriminativo desde a sua origem, trocando a meritocracia de um vestibular ou de uma análise curricular (que nunca foram influenciados por raça, cor, religião ou o que for) pela demagogia das cotas. Eu estudei em uma universidade pública, graças à vaga que conquistei em um vestibular justo -- de nada me ajudou ser ateu, descendente de alemães, branco, loiro e de olhos azuis. Uma colega negra também fez o mesmo curso com o mesmo mérito (e ela também foi um dos únicos "invictos" da nossa turma, a se formar sem reprovar em nenhuma disciplina). Toda a nossa turma conquistou seu diploma por mérito, e nenhum de nós terá problemas de consciência ao saber que entrou na universidade por um "favor racial", negando a vaga a um candidato melhor capacitado, mas da cor errada.
henrique rodrigues , americana-SP - estudante
Enviado em 5/6/2009 às 1:53:48 PM
Vejo os comentários revoltados dos senhores brancos de classe média que infestam esse espaço e me obrigo a dar risadas. Com certeza nunca pisaram numa universidade pública para constatar que há bem mais colombianos, peruanos e os eteceteras da vida que negros andando por ali (sem ofensa aos nossos irmãos andinos, obviamente). E a possibilidade deste quase improvável negro ser estrangeiro é bem grande, diga-se de passagem. Moro em um alojamento para estudantes de baixa renda (pois é, sou branco, essa classe tão vitimizada no Brasil!) e a situação não muda muito. Se os negros são a maioria entre os pobres, onde eles se encontram? Debaixo da terra é que não é, ou eu estou enganado? Ligo a tv e só vejo o idílio surrealista de uma civilização branca brasileira, principalmente na tv globo: O branco é a massa, a realidade, e o negro o exótico, o Adonis pós-racial de cabelos lisos da malhação, a mulata sempre amigável, o Lázaro Ramos fazendo comercial de anti-ácido. Na publicidade somente as casas típicas dos subúrbios norte-americanos, o garoto ruivinho comendo pão com margarina sem gorduras trans: podem reparar, ele sempre está lá, não me perguntem como: Se seu filho tiver a cabeça vermelha com certeza terá futuro como ator. Mas afinal de contas: Para que mexer nessa imagem tão higiênica que temos de nós mesmos? É mais fácil ficar ficar vivendo de jeito que tá, não é mesmo?
Julio Prático Souza , São Paulo-SP - Analista de Sistemas
Enviado em 5/6/2009 às 11:34:21 AM
" Respondo sim, Sr. Prático. Seria, de fato seria. Mas não é. Poucas pessoas utilizam esta expressão “branco pobre”. Normalmente os chamam de pobres, ou pessoas de baixa renda. Aos negros: marginais (a priori, até que provem o contrário) " Caro Wellington, sua resposta, me desculpe, foi muito evasiva. "Sim, mas não o é" não é analise que se sustente para querer impor um regime de cotas baseado na raça. A melhor política Afirmativa para os pobre deste país é sim a melhoria do ensino público, extinção das favelas sub-humanas e assistência social para as famílias pobres. Sua outra resposta: " Poucas pessoas utilizam esta expressão “branco pobre”. Normalmente os chamam de pobres, ou pessoas de baixa renda. Aos negros: marginais (a priori, até que provem o contrário)". - O Sr. está errado. Como branco pobre (nascido e criado na zona leste de São Paulo) tive INÚMEROS amigos negros. Nenhum deles se tornou marginal e sou a última pessoa desse mundo a associar negro pobre a marginal. Quem faz essa associação, lamentavelmente, são justamente os defensores da causa negra.
Cláudio Dias , Brasília -CE - servidor público
Enviado em 5/6/2009 às 11:33:40 AM
Bem, não entro no mérito. O tema é polêmico e precisa ser enfrentado. O grande problema do artigo é este: o tema simplesmente não foi discutido. Perdeu-se o articulista em um longo e superficial amontoado de falácias ad hominem...
sergio ribeiro , são paulo-SP - bancário
Enviado em 5/6/2009 às 11:19:44 AM
Pelo jeito, ninguém leu o texto que indique da Folha de S. Paulo, assinado por Elio Gaspari. Ele coloca que, do mesmo jeito que demonizaram a Abolição da escravatura no Brasil a época, estão demonizando as políticas compensatórias. O mundo não acabou com a primeira, como se dizia, como não acabará com a segunda. Os EUA, com um racismo bem mais evidente, as adotaram com sucesso e pouquíssimas pessoas hoje contestam seus resultados. Por muito tempo os negros americanos viveram em um país subdesenvolvido, com indicadores sociais semelhantes aos africanos, enquanto os brancos viviam na fartura. Hoje em dia os indicadores dos negros são bem próximos dos brancos. Uma solução boa, já demonstrada por Gaspari, não me recordo se foi a UNB que adotou, é estabelecer uma média: por exemplo, 10% das vagas são para negros, porém se calcula uma média mínima para eles que, caso não seja alcançada, a vaga fica para não cotistas. Se houver procedimentos claros e bem definidos, não dá para falar em injustiça.
Geraldo  Silva , Belo Horizonte-MG - ***
Enviado em 5/6/2009 às 9:30:29 AM
Inventaram agora o mito da democratização universitária através das cotas. Uma democratização ocorreria na medida em que fosse disponível ensino superior de qualidade para todo mundo. Mas isso não ocorre nem nos países mais desenvolvidos. Pois, por mais avançado que seja o sistema universitário, sempre existe um curso, uma universidade mais prestigiados. E as pessoas se matam de estudar para conseguir o objetivo de estudar nessas instituições. No contexto da educação superior brasileira as universidades públicas é que ocupam essa posição privilegiada, mas nossos ‘inteligentes’ acham isso um incômodo. Consideram os alunos dessas instituições como usurpadores. Falam que a culpa é do vestibular que é um instrumento perverso por ser excludente. Ora, uma universidade de prestígio sempre vai atrair mais candidatos ao seu corpo discente. E se existem mais candidatos do que vagas, é lógico que a maioria terá ser excluída mesmo. Por enquanto ainda não inventaram um vestibular que contrarie a lei da física que diz que dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço. Se não querem que os melhores alunos estudem nas universidades públicas, então que sucateie essas instituições para que esses alunos as abandonem assim como fizeram com os colégios públicos. Mas aí vão ficar querendo achar maneiras de atrair a elite, como está acontecendo em relação aos colégios públicos. Eta crise de identidade!
Rodrigo Dias , Manaus-AM - Biólogo
Enviado em 5/6/2009 às 9:05:59 AM
Sr. Gilberto de Oliveira - funcionário público - na sua repartição a proporção de brancos para negros é igual à proporção que vemos nas ruas? Na minha repartição não é. Na minha universidade (UFMG) também não era. Cai na real!
Wellington  Oliveira , Salvador-BA - Acadêmico
Enviado em 5/6/2009 às 12:17:42 AM
Ao Sr. Gilberto de Oliveira, Concordo com a mistura. As favelas são realmente muito próximas dos prédios luxuosos. Aqui na nossa terra, não. Mas no Rio de Janeiro, de vez em quando, até algumas balas disparadas das favelas atingem os prédios e os seus moradores (tamanha a mistura).
Wellington  Oliveira , Salvador-BA - Acadêmico
Enviado em 5/6/2009 às 12:15:23 AM
Ao Sr. que prefere manifestar o seu discurso ocultando-se por trás de uma salada racial ou étnica e se intitulando padre: quase sempre erradas (as maiorias); o Sr. leu o texto e o seu comentário me parece um tanto revoltado (nisto concordo contigo); “A propósito, quer texto mais longo, cheio de frase de efeito e lido apenas por imbecis do que a Bíblia (ou o Corão, para não falarem que sou parcial)?”. Rodrigo Dias (muito bom). Respondo sim, Sr. Prático. Seria, de fato seria. Mas não é. Poucas pessoas utilizam esta expressão “branco pobre”. Normalmente os chamam de pobres, ou pessoas de baixa renda. Aos negros: marginais (a priori, até que provem o contrário). Gilberto de Oliveira, não posso deixar de parabenizá-lo pelo exercício retórico. O Sr. quase que conseguiu esvaziar a questão dos seus sentidos mais cruéis. Mas apenas quase. Ao final, um escorrego e coloca tudo a perder “Ouço sempre falarem em "reparação" aos descendentes de escravos. Mas essa reparação já ocorreu, e não foi por lei: foi a própria sociedade que a fez, misturando-se entre si. Só que alguns nasceram mais escuros e outros mais claros”. Permita-me continuar: e alguns mais abastados e outros à margem (talvez por acaso, deve pensar o Sr.).
Gilberto de Oliveira , Salvador-BA - funcionário público
Enviado em 4/6/2009 às 6:20:01 PM
Agora, falando sério: alguém aqui disse que não conseguiu ler o artigo até o fim. Pois deveria ter lido, pois é no fim, mais precisamente no "P.S.", que está o cerne da questão. O rapaz foi vítima de preconceito na Espanha. Aí, ele acha que instituindo cotas (que para ele não são "raciais", uma vez que ele escreveu isso entre aspas) para sei lá quem vai se vingar dos racistas espanhóis, ou até dos racistas aqui da Bahia mesmo. Ele fala em compensar os descendentes de escravos. Mas vejam bem, se somos miscigenados, quer dizer que o dito "branco", que apenas tem a pele mais clara, também pode ter sangue africano (sangue de um escravo que foi brutalizado por algum feitor); e da mesma forma o articulista, que tem pele escura e se considera "negro" por isso, pode ser descendente de algum feitor que brutalizou escravos. Então, se ele quer se vingar desses canalhas que maltrararam escravos, então retire o sangue do feitor branco que corre em suas veias e deixe só o sangue negro. O pior é que ele vai ter que retirar também o sangue negro que corresponde ao do africano que vendeu o escravo ao navio negreiro. Quer dizer, vai terminar morrendo de anemia... Ouço sempre falarem em "reparação" aos descendentes de escravos. Mas essa reparação já ocorreu, e não foi por lei: foi a própria sociedade que a fez, misturando-se entre si. Só que que alguns nasceram mais escuros e outros mais claros.
Gilberto de Oliveira , Salvador-BA - funcionário público
Enviado em 4/6/2009 às 6:05:15 PM
Políticas afirmativas são o seguinte: um estado paternalista e moralmente corrupto, chama um cidadão de pele escura e diz: "Olha, negro, eu AFIRMO que você é inferior; você não tem capacidade de entrar na universidade pelos meios normais, logo, vou instituir um sistema de cotas pra você poder ter nível universitário; se, por acaso, você chegar à universidade e constatar que lá o número de pessoas de pele mais ou menos morena igual à sua é maior do que o que você imaginava, não se intimide, faça o seguiunte: deixe o cabelo crescer, e assim você pode se diferenciar dos demais negros que não caíram na minha conversa. Outra coisa, negro, eu AFIRMO que se alguém contestar a justiça deste sistema, esse alguém está ligado aos poderosos, à elite branca, sabe? Outra coisa, negro, de repente você e mais alguns outros podem invandir aos gritos a reitoria da UFBA e estender uma faixa onde se lê A UFBA AGORA É NEGRA , deixando brancos e pardos que passarem espantados diante do espetáculo, achando (coitados deles!) que a UFBA bem que poderia ser de todos, e não só de negros ou brancos; mais uma coisa, negro, quando falarem que as cotas são raciais, escreva para o OI e ponha raciais entre aspas; sabe como é, isso pode parecer meio racista e, você sabe, racistas são os que são contra essas minhas afirmações; e tape os ouvidos à palavra miscigenação . Isso é conversa fiada, certo?"
Rodrigo Dias , Manaus-AM - Biólogo
Enviado em 4/6/2009 às 5:15:50 PM
Pior é ver padre afirmando que a maioria deve estar certa... hein, seu Ariano? Também, depois de dois mil anos de lavagem cerebral, não esperava coisa melhor. A propósito, quer texto mais longo, cheio de frase de efeito e lido apenas por imbecis do que a Bíblia (ou o Corão, para não falarem que sou parcial)?
Julio Prático Souza , São Paulo-SP - Não Acadêmico (Branco Pobre)
Enviado em 4/6/2009 às 9:47:37 AM
Wellington Oliveira, responda: A melhor ação afirmativa não seria termos um ensino básico de qualidade para todos? E o branco pobre, como fica nessa história? O filho do ministro do supremo - Joaquim Barbosa - vai ter direito a cotas também? E o decendente do Capitão do Mato, vai ter direito a cota? Em breve teremos a trupe dos "Brancos Pobres Excluídos" - aliás, já estamos infestados de movimentos Neonazistas por aí, não é mesmo?
Ariano Branco Mameluco , Cunha-SP - Padre
Enviado em 4/6/2009 às 7:52:31 AM
Sr. Fernando! Por favor continue na sua luta para escrever textos longos, cheio de frases de efeitos, citações e que apenas são lidos por poucos revoltados iagual ao senhor. Repudio pessoas como você que acham que a maioria está sempre errada...
Helder  Barbosa , Salvador-BA - Economista
Enviado em 4/6/2009 às 12:26:05 AM
Primoroso o artigo. Não há nada a retirar nem por.
Angelica Basthi , Rio de Janeiro-RJ - jornalista
Enviado em 3/6/2009 às 10:59:26 PM
Caro Fernando, parabéns pelo excelente artigo. Além desta barreira midiática , temos de enfrentar a discussão rasa da sociedade brasileira. A verdade é que a população está pouco habilitada para um debate profundo. É justo pensar nos brancos pobres, mas caramba, é justo compará-los com os negros pobres? Os brancos pobres não enfrentam a barreira histórica do racismo. E me digam: o que o Brasil fez para reparar as atrocidades da escravidão, a desumanização dos descendentes dos povos africanos e corrigir a abolição sem nenhuma reparação aos negros? Ninguém disse que é simples reduzir as desigualdades. Abaixo o debate raso. Vamos tratar o assunto com as medidas sérias q ele exige.
Wellington  Oliveira , Salvador-BA - Acadêmico
Enviado em 3/6/2009 às 8:50:05 PM
Talvez o melhor seja deixar as coisas como estão, não é mesmo Alexandre "acadêmico". Afinal, cá, atrás dos muros da Acadêmia, estes males poucos nos afetam. A pergunta a ser feita é a seguinte: quem são mesmo os acadêmicos no nosso país (ou pelo menos a sua maioria)? E porquê? Já houve quem respondesse a esta questão alegando superioridade intelectual. E você, o que pensa? FERNANDO CONCEIÇÃO!!
Alexandre Mota , Brasília-DF - Acadêmico
Enviado em 3/6/2009 às 3:48:45 PM
Nem me dei ao luxo de terminar de ler esse artigo. É tentar combater um mal com outro mal. Não sei quem é pior: O trio midiático fantástico ou esse política afirmativa . Tem dó.
Julio Prático Souza , São Paulo-SP - Analista de Sistemas
Enviado em 3/6/2009 às 3:06:10 PM
A melhor ação afirmativa não seria termos um ensino básico de qualidade para todos? E o branco pobre, como fica nessa história? O filho do ministro do supremo - Joaquim Barbosa - vai ter direito a cotas também? E o decendente do Capitão do Mato, vai ter direito a cota? Em breve teremos a trupe dos "Brancos Pobres Excluídos" - aliás, já estamos infestados de movimentos Neonazistas por aí, não é mesmo?
sergio ribeiro , são paulo-SP - bancário
Enviado em 3/6/2009 às 10:41:28 AM
Artigo de hoje na Folha de S. Paulo: Cotas desmentiram a urucubaca http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc0306200904.htm
haroldo aquilles andrade , queimadas-BA - jornalista
Enviado em 2/6/2009 às 5:10:43 PM
Caro Fernando Cada vez surpreende-me o seu espírito resoluto. Desde o tempo da escola, eu saindo voce entrando. Aos 60 anos não me surpreenderia a derrubada do projeto por força da pressão de monstros como estes citados. A grande imprensa brasileira jamais esteve ao lado das grandes causas nacionais. Ouso mesmo dizer ao lado do povo. São racistas e eleitistas e jamais poderiam defender a igaualdade que não seja a do padrão branco de qualidade. Somos racistas e mais ainda por não admitirmos este cancer que infecta as entranhas de nossa sociedade. Democratização verdadeira das relações sociais no Brasil é palavrão para esta gente. Negro que é negro tem que ser como pobre que é pobre. Reparar o que se eles sequer desejam isso.
Sergio Ribeiro , São Paulo-SP - bancário
Enviado em 2/6/2009 às 4:15:40 PM
A princípio não me agrada a idéia de cotas para estudantes, mas vejo também o debate como bastante prejudicado. Basta dar uma rápida olhada no site da revista Época: um blogueiro jornalista medíocre destaca a atuação de um deputado abertamente reacionário, defensor da ditadura militar, que entrou com ação para bloquear a implantação da política de cotas no estado do Rio. Os comentários que seguem são de uma estupidez infantil, misturando argumentos rasos e batidos com supostos escândalos do governo petista. Discutir seriamente o problema ninguém quer.
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Fernando Conceição

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