Leia abaixo a seleção de quinta-feira para a seção Entre Aspas.
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Folha de S. Paulo
Quinta-feira, 25 de junho de 2009
DIREITOS HUMANOS
Folha de S. Paulo
Instituto Vladimir Herzog será lançado hoje na Cinemateca
"Familiares e amigos de Vladimir Herzog, que completaria 72 anos no próximo sábado, lançam hoje em São Paulo um instituto em homenagem ao jornalista assassinado em 25 de outubro de 1975 pelo regime militar.
O Instituto Vladimir Herzog vai recolher e organizar todas as informações (fotos, reportagens) sobre a vida e os trabalhos do jornalista e vai disponibilizar os dados a pesquisadores e estudantes.
Além disso, o instituto pretende promover debates sobre a questão do papel do jornalista e das mudanças ocorridas na profissão com o advento de novas mídias.
O instituto também ficará responsável, em conjunto com o Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, pelo Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos -hoje será lançado o regulamento da 31ª edição do prêmio. Também será lançado o Prêmio Jovem Repórter Fernando Pacheco Jordão, voltado aos estudantes de comunicação.
A cerimônia será às 19h30 na Cinemateca Brasileira (largo Senador Raul Cardoso, 207, Vila Clementino). No evento será feita uma homenagem ao cardeal d. Paulo Evaristo Arns, ao rabino Henry Sobel e ao reverendo James Wright (1927-1999), que promoveram um culto em memória de Herzog em 31 de outubro de 1975 -logo após a sua morte sob tortura no DOI-Codi de São Paulo- que se tornou um marco na luta pelo fim da ditadura."
POLÍTICA
Eliane Cantanhêde
Por que não te calas?
"BRASÍLIA - Ok. Já se sabe que o presidente da República descarta a possibilidade de tratar José Sarney como ‘cidadão comum’, condena o ‘denuncismo’, acha que os jornais têm ‘uma predileção pela desgraça’ e que há ‘coisas mais importantes para discutir’. Por isso, conclama: ‘Não vamos fazer disso uma causa nacional’.
Cada um pensa o que quer, e a liberdade de expressão, assegurada pela Constituição brasileira, é um dos pilares de qualquer democracia. Mas, como o presidente da República tem enormes responsabilidades sobre cultura política, bons modos e bons exemplos, o que o cidadão comum quer é a opinião dele sobre a lama que jorra do Senado. O que Lula pensa sobre:
1) 663 atos secretos que favorecem os eleitos dos eleitos e prejudicam os eleitores do país, desviando dinheiro público para inventar cargos e pagar R$ 12.000 para motoristas que dão expediente como mordomos particulares?;
2) A transformação de um dos Poderes da República em cabide de emprego de famílias inteiras, desde filhos e filhas até primas distantes e ex-cunhadas -e em que o número dos que entram pela janela é muito superior aos que chegam legitimamente por concurso?
3) A descoberta de contas paralelas de quase R$ 4 milhões do Senado na Caixa Econômica Federal sem que o distinto público que as abastece fique sabendo?
4) A farra das ‘verbas indenizatórias’ com dinheiro público até para renovar banheiros faraônicos e coisas do gênero?
Afinal, cabe ao presidente da República defender aliados a qualquer custo ou cabe a ele pregar e garantir a moralidade pública, os cofres da União e os interesses dos 200 milhões de brasileiros chamados a pagar a conta?
Como Lula não para de falar sobre o Senado, não vale o argumento da ‘não intromissão em outro Poder’. Ou bem se mete pela moralidade, ou bem faria ficando calado."
DIPLOMA
José Paulo Cavalcanti Filho
Ser ou não ser (diplomado), eis a questão
"NÃO, O diploma dos jornalistas não acabou. A decisão do Supremo Tribunal Federal, na última semana, limitou-se a dizer que o decreto-lei 972/69 era incompatível com a Constituição democrática de 1988. Mais nada.
E merece elogios -por pretender, esse monstrengo da redentora, exercer o controle do jornalismo a partir do Estado. Era nele que estava, em regra acessória (artigo 4º, V), a exigência de diploma para registro dos jornalistas no Ministério do Trabalho.
Ocorre que, tecnicamente, jamais poderia o STF declarar sem valor o decreto-lei e deixar vigendo uma de suas regras. Sem juízo de valor, no julgamento, sobre o dito diploma -que poderá voltar a ser exigido em outra lei. Apenas isso.
O mais são palavras ao vento. Inclusive as do eminente presidente Gilmar Mendes, que, mais uma vez, expressa opinião pessoal sobre tema que pode vir a ser discutido no Supremo -em vez da reserva que, como regra, a seus ministros conviria guardar em situações assim.
Isso posto, cabe então perguntar se, afinal, esse diploma é bom ou ruim para a cidadania.
Não há consenso. Divididos, os países, em três posições. Primeiro grupo, o dos que exigem diploma: Bélgica, África do Sul, Arábia Saudita e mais 11 pequenos. Segundo grupo, o dos que não aceitam nenhum tipo de limitação ao exercício da profissão: Chile, Áustria e Suíça, na linha de ‘um modelo de desregulamentação’ absoluto, como defendido pelo ministro Gilmar Mendes. Duas visões francamente minoritárias, pois.
Havendo ainda um terceiro grupo, bem mais amplo, dos países que admitem algum tipo de exigência prévia para o exercício da profissão, segundo padrões culturais não uniformes: idade mínima, escolaridade, ausência de condenação penal, algum curso médio ou superior, curso preparatório específico, estágios compulsórios.
Esse panorama considera só a base legal; um diploma, no mundo real, significa maiores chances de obter emprego e/ou salário melhor.
Na Alemanha, por exemplo, quase nenhum jornal importante contrata quem não tem diploma. Nos Estados Unidos, onde ele também não é exigido, há 400 faculdades, 120 cursos de pós-graduação e 35 doutorados; sem contar que, na média, 80% das Redações são compostas por diplomados.
Maior diferença, entre Redações brasileiras e estrangeiras, é precisamente a quantidade de jornalistas com cabelos brancos: abundantes, nas democracias consolidadas, e escassos, no Brasil, pelo uso indiscriminado de estagiários, lumpens na profissão, mão de obra jovem e barata.
Mas por que jornais, em regra, tanto querem jornalistas diplomados?
A resposta é simples. Por ser dispendioso ensinar, dentro das Redações, a fazer um jornal. E também porque jornalistas aprendem, nas universidades, que errar custa caro.
Nos Estados Unidos, com vitória dos demandantes em 75% dos casos, a média das indenizações oscila entre US$ 100 mil e US$ 200 mil dólares.
Com frequência, vai muito além disso.
Dando-se então que jornalistas formados, por estatisticamente errar menos, valem mais. E ganham bem mais também, claro. Desde que haja leis de imprensa decentes, faltou dizer. O que nunca tivemos -e continuamos sem ter.
Posta a questão em tons técnicos e mais serenos, o que se vê hoje em nosso país é um cenário anormal. Exótico. Porque, em toda parte, são os próprios jornalistas que não aceitam a exigência do diploma, enquanto aqui sua defesa é feita pela Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas). E empresas sempre pedem diploma -enquanto aqui as restrições contra ele partem de um de nossos mais respeitados jornais, a Folha de S.Paulo.
Coisas do Brasil.
Dando os trâmites por findos, assim, cumpre agora esperar por legislação específica do Congresso Nacional -a quem cabe, com mais propriedade e mais legitimidade, estabelecer requisitos para o exercício das profissões. A ele cumprindo, afinal, decidir se o diploma deve ser mesmo exigido.
Ou não.
JOSÉ PAULO CAVALCANTI FILHO, 61, é advogado, pós-graduado pela Universidade Harvard (EUA). Foi presidente do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e da Empresa Brasileira de Notícias, além de secretário-geral do Ministério da Justiça (governo Sarney)."
COMUNICAÇÃO
Daniel Pimentel Slaviero
Regionalização da mídia
"DESDE 2003 , a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) promove um intenso processo de regionalização da publicidade institucional. Nesse período, o universo de veículos de comunicação contemplados com a propaganda oficial saltou de 499, em 182 municípios, para 5.297, em 1.149 cidades, ou seja, um crescimento de 961%.
Os dados foram publicados nesta Folha (31/5), em reportagem sobre o investimento realizado desde a primeira gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A reportagem informa, por exemplo, que, quando o presidente Lula assumiu o cargo, os comerciais chegavam a apenas 291 emissoras, mas, no final do ano passado, alcançaram 2.894, entre rádios e TVs.
A regionalização da mídia federal é salutar. Além de baseado em filosofia da própria Secom, esse processo decorre da elevação dos níveis de profissionalização das empresas de pequeno e médio porte.
No entanto, entendemos que esse sistema deve se basear em critérios técnicos rigorosos, com sua respectiva comprovação de audiência ou circulação, a exemplo do que ocorre no mercado privado.
Se assim for, o governo cumpre uma de suas principais obrigações, que é a de prestar contas de seus atos à sociedade. Os veículos de comunicação, sejam de abrangência nacional, sejam de abrangência local, estão entre os meios mais eficazes para fazê-lo. Isso é ainda mais verdadeiro quando se trata de um país como o Brasil, de dimensões continentais, que abriga enorme diversidade cultural, econômica e social.
A regionalização é uma tendência que se intensifica nos mercados, no exterior e no Brasil, que buscam estreitar cada vez mais a comunicação com seu público e a ele adequar a sua linguagem e os temas abordados. Por isso, como estratégia complementar a campanhas de abrangência nacional, os anunciantes -sejam eles da esfera pública, sejam do setor privado- caminham no sentido de regionalizar suas ações, para atingir, com precisão, maior fatia da população.
A razão disso é conhecida. Os avanços tecnológicos, que reduziram as distâncias e permitiram acesso mais rápido e fácil a todo tipo de informação, não diminuíram a importância do que acontece no ambiente em que se vive. Apesar do processo crescente de globalização, nenhuma outra informação interessa mais ao cidadão do que aquela que trata das questões locais e regionais, que fala de seu cotidiano, dos episódios e das pessoas conhecidas.
Essa realidade, aliás, não é estranha à radiodifusão brasileira. Ao contrário. O modelo federativo da radiodifusão tem a capacidade de reconhecer essas diferenças, de valorizá-las e de reproduzi-las para todo o território nacional.
Formado por 4.379 emissoras comerciais de rádio, entre AM e FM, e 517 geradoras de televisão, o setor consegue ter uma dimensão nacional e, ao mesmo tempo, um olhar local.
Aliás, no Brasil, são inúmeros os exemplos de empresas que cresceram justamente por dar ênfase aos interesses comunitários.
No caso do rádio, com sua história quase centenária de serviços prestados ao Brasil, a inter-relação é ainda mais evidente. Esse veículo de comunicação tem uma vocação natural para a regionalização. É um meio comunitário por excelência, pelo contato direto que tem com a população, a cidade, o bairro, sua história, sua cultura, seus anseios e suas necessidades.
Destaco, ainda, outra característica importante das empresas de radiodifusão e que interessa, sobremaneira, à sociedade brasileira em geral. Sabe-se que a sustentabilidade econômica, proveniente de múltiplos anunciantes, é o pressuposto essencial para veículos de comunicação independentes, capazes de produzir conteúdo de qualidade e de cobrar responsabilidade dos governos.
Pois o ‘Perfil Socioeconômico da Radiodifusão Brasileira’ (2007), realizado pela FGV (Fundação Getulio Vargas), revelou que o faturamento das empresas do setor depende fundamentalmente da venda de publicidade oriunda de múltiplos segmentos econômicos privados. Esse estudo apontou ainda que, no caso das emissoras de rádio, somente 4,9% correspondem a verbas do governo federal, apenas para citar um exemplo.
Portanto, não se pode considerar relevante esse índice, muito menos supor ou afirmar que tais investimentos comprometam o equilíbrio editorial das emissoras de rádio e televisão.
Por fim, reiteramos a nossa firme convicção de que a democracia depende de uma sociedade civil participativa, de governos transparentes e de uma imprensa independente, em condições de fiscalizar as ações dos poderes públicos e de oferecer um serviço de qualidade à sociedade.
DANIEL PIMENTEL SLAVIERO, 29, administrador de empresas, é presidente da Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão)."
TODA MÍDIA
Nelson de Sá
Perigo na bomba 2
"O presidente da Petrobras deu longa entrevista à Americas Society, instituição acadêmico-empresarial que influencia a política americana para a América Latina. Com destaque para a declaração ‘O Brasil é um possível substituto para outros que hoje fornecem petróleo aos EUA’.
Ontem também, o ‘Wall Street Journal’ postou na submanchete que a companhia chinesa de petróleo Sinopec comprou a canadense Addax por US$ 7,2 bi, maior aquisição da história do país e parte do esforço de garantia de suprimento.
E a ‘Foreign Policy’ ressaltou o ‘Perigo na bomba’, com a perspectiva de novo salto no preço do petróleo -em demanda crescente. Se confirmado, cortaria a recuperação econômica global.
VEM AÍ
Linkada no blog de Marcelo Leite, a nova edição da ‘Scientific American’ foca a segunda geração de etanol -que chama de ‘Grassoline’ para ligar com grama, mas é de celulose. Para se viabilizar, só depende do petróleo acima de US$ 60 o barril
AINDA O DÓLAR
Na longa análise ‘O desbotamento do domínio do dólar’, o ‘Washington Post’ publicou avaliação das ameaças -e ações- dos Brics. Sublinha, entre as ‘implicações fortes para os EUA’, que o país deve perder o ‘passe livre para financiar sua dívida’ e se assemelhar mais ao Brasil, passando a ser ‘punido por mau comportamento’
OS MILIONÁRIOS
O ‘WSJ’ destacou o relatório Capgemini/Merril Lynch sobre ‘riqueza’, com a informação de que o número de ‘milionários globais’ caiu de 10,1 milhões em 2008 para 8,6 milhões. Índia e Rússia lideram, com quedas de 32% e 27%. Os ricos de China e Brasil foram os menos afetados, com 12% e 9%. Nos EUA, 19%.
Outro estudo, do Banco de Desenvolvimento da Ásia, destaque no ‘Financial Times’, diz que a concentração de riqueza na Índia ‘é maior que no Brasil e ameaça tornar o país refém de uma oligarquia corporativa que vai cortar seu rápido crescimento econômico’.
ESCÂNDALO LÁ E CÁ
Enquanto no Brasil prosseguiam os capítulos diários do escândalo no Senado, nos EUA, por ‘New York Times’, ‘WP’ e ‘WSJ’, as manchetes on-line traziam ontem enunciados como ‘Governador admite ‘affair’ e explica desaparecimento’. Noticiado na segunda por sites como Talking Points Memo, o sumiço vem liderando as buscas no Twitter desde então.
Já sites europeus como ‘Times’ de Londres, ‘El País’ de Madri e ‘La Reppublica’ de Roma estão voltados ao primeiro-ministro italiano. No primeiro o foco é a suposta noite com uma prostituta. No segundo, ainda as fotos com jovens. No terceiro, uma ameaça de Silvio Berlusconi de sufocar publicitariamente o jornal, que ousou noticiar na Itália os ‘escândalos erótico-festivos’.
SOB CONTROLE?
Ontem no UOL, o blog de Fernando Rodrigues seguia, não o Senado, mas a Câmara que decidia as regras para a campanha de 2010.
Em suma, o acordo permitiu doação via internet, afinal -e sem os limites baixos propostos. Mas a campanha, em mídia social inclusive, só pode começar no dia 5 de julho. Sites e quaisquer assemelhados terão registro na Justiça Eleitoral. A propaganda paga on-line é vetada. Para o blog, ‘acorrenta o Brasil ao século 20’.
NUVEM
Enquanto isso, no festival de publicidade de Cannes, via Blue Bus, anuncia-se o futuro em ‘nuvem’, avançando por Facebook, Twitter, YouTube, Flickr, blogs etc.
CORRENTE
Segundo ‘tweet’ de Julio Hungria, linkando Cannes, ‘sai o conceito de ‘formador de opinião’ e nasce o de ‘corrente de opinião’. Ou ‘o mundo mudou’."
CANNES
Cristiane Barbieri
Design ‘salva’ país em festival de publicidade
"O design salvou a participação brasileira no Festival Internacional de Publicidade de Cannes. Em seu segundo ano na competição, a categoria garantiu sete Leões para o país, sendo um de ouro, para a Havaianas.
Ao contrário dos anos anteriores, em 2009 as agências brasileiras não tinham conquistado ou ficaram com apenas um prêmio em quatro categorias. Em outras duas, o número de troféus caiu a menos da metade, com relação ao ano passado.
Com nove categorias julgadas até agora, o país já conquistou 29 Leões, sendo seis de ouro. Faltam serem anunciados apenas os vencedores de filmes e Titanium, a área das novas ideias. Em 2008, o país obteve 41 Leões.
O bom desempenho em design foi conseguido graças à organização das empresas do setor. Desde o ano passado, elas se prepararam para levar a Cannes o maior número possível de trabalhos.
Coordenados pela Abedesign (Associação das Empresas Brasileiras de Design) e patrocinados pela Apex (Associação Brasileira de Exportação e Investimentos), os designers brasileiros foram recordistas em número de inscrições, com 174 trabalhos apresentados.
Também foram os únicos a montar um estande para mostrar seu trabalho no evento e ainda organizaram uma comissão de 30 participantes, que foram ao festival captar tendências e fazer contatos com possíveis clientes. O investimento na ida a Cannes somou R$ 2 milhões -a Apex patrocinou R$ 800 mil desse total.
‘Queremos gerar reconhecimento no mercado internacional sobre a capacidade e o custo do design brasileiro, como fazem hoje as produtoras de cinema nacionais’, diz Luciano Deos, presidente da Abedesign e jurado brasileiro na categoria. ‘Essa é a janela mais ensolarada e aberta que temos para nos inserir no mercado externo e para ver o trabalho repercutir no país.’
Segundo Sylvia Vitale, presidente do júri de design, Índia e Brasil causaram surpresa com trabalhos criativos, irreverentes e de qualidade. Para Deos, no entanto, o design nacional acaba sendo prejudicado porque a maior parte dos trabalhos feitos no país é de embalagens. ‘Nessa área, não há quebra de paradigmas’, diz Deos.
Foi exatamente o que buscou a Nike de Hong Kong, que conquistou o Grand Prix da categoria. Para mostrar a beleza da disputa de uma partida de basquete, dez jogadores de ensino médio foram fotografados e depois montaram suas imagens em várias ‘batalhas’ na quadra. Os pôsteres foram confeccionados pelos mesmos jogadores, por meio de serigrafias, depois reproduzidos e espalhados pelo país.
‘Apesar de ser impressa, a campanha foi interativa e deixou muito clara a posição da marca, o ‘Just do it’, afirma Vitale. ‘Com o trabalho, a Nike, cujo logotipo mal aparece, conseguiu viver a posição que proclama.’
De acordo com Deos, o objetivo da associação, a partir de agora, será desenhar um projeto para Cannes, nos próximos cinco anos, e alcançar o Grand Prix da categoria."
INTERNET
Cristiane Barbieri
Buscas on-line serão ‘sensitivas’, diz Microsoft
"Um sistema de buscas que realmente entende o que o usuário quer. Que, em vez de se basear em palavras, age pelo tom da voz, pelo jeito da pessoa, por suas necessidades.
Essa foram algumas promessas de Steve Ballmer, presidente da Microsoft, aos publicitários que participam do festival de Cannes, sobre o recém-lançado sistema de buscas Bing.
‘Algumas das ferramentas tecnológicas que estamos testando e que caminham no sentido de ter uma interface mais natural com o usuário estarão no Bing’, disse.
Ballmer desafiou-os a anunciar no Bing. Segundo ele, os resultados vão superar os do Google. O avanço do executivo sobre o tema faz sentido do ponto de vista dos números. O segmento de entretenimento movimentou US$ 8 bilhões em 2008. Com suas ferramentas tecnológicas ou serviços como o MSN, o XBox e seus serviços on-line, a Microsoft obteve US$ 3,2 bilhões desse total.
Ballmer fez diferentes comparações sobre a Microsoft dos últimos e a dos próximos dez anos. A conclusão é que, apesar da base tecnológica, a Microsoft é cada vez mais uma empresa de entretenimento.
‘Há dez anos, não sabíamos nada sobre propaganda e internet e tínhamos um perfil mais estreito, mesmo com muita ambição’, disse Ballmer. ‘Continuamos a ter muita ambição, mas nosso entendimento e comprometimento sobre entretenimento e publicidade é muito maior.’
Ballmer fez algumas apostas para os próximos dez anos. E lançou uma pergunta à plateia: o mercado de publicidade será maior ou menor no período? Com a comunicação mudando numa velocidade gigantesca, ninguém pode saber, disse.
Outra aposta de Ballmer é que a interação com o computador, o telefone e a TV mudará radicalmente. Mecanismos de reconhecimento de voz e sensores variados mudarão o jeito de as pessoas lidarem com máquinas. ‘Estamos tentando fazer com que os sistemas de buscas realmente entendam o que está sendo procurado’, disse."
TELEVISÃO
Folha de S. Paulo
Cade determina que Sky volte a transmitir a MTV
"O Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) determinou ontem que a operadora de TV por assinatura Sky volte a incluir a MTV Brasil entre os canais oferecidos a seus clientes e fixou multa diária de R$ 10.640 em caso de descumprimento.
A decisão passa a valer assim que for publicada no ‘Diário Oficial da União’. A Sky afirmou que não fora informada oficialmente e que não se pronunciaria.
A interrupção ocorreu há um ano, após impasses sobre a renovação do contrato. Segundo o Cade, há desrespeito ao acordo de manter, por três anos, a transmissão de canais nacionais, feito na aprovação da fusão Sky e DirecTV."
TV paga cresce 17% no primeiro trimestre do ano
"A base de assinantes de TV paga cresceu 17,6% no primeiro trimestre deste ano, em relação ao mesmo período do ano passado, e chegou a 6,4 milhões de casas em todo o Brasil, segundo dados da ABTA (Associação Brasileira de TV por Assinatura) e do Seta (sindicato do segmento).
No mesmo período de comparação, o faturamento bruto, publicidade inclusa, foi de R$ 2,5 bilhões, alta de 27%, e o segmento registrou cerca de 17 mil empregos, alta de 16,3%.
O presidente da ABTA e do Seta, Alexandre Annenberg, ressalta que, em um contexto de ‘cenário econômico desafiador’, a ‘programação variada’ dos canais pagos ‘ganha valor, pois é mais uma opção de entretenimento para o brasileiro’."
Daniel Castro
Rede TV! encenou renovação de contrato com ‘Pânico’
"Já está quase tudo certo para a permanência do ‘Pânico na TV’ na Rede TV! até o final de 2012, mas, ao contrário do que a emissora divulgou, o novo contrato não foi assinado anteontem à tarde.
O contrato só deverá ser formalizado nos próximos dias. Ontem, ainda era discutido entre as principais partes envolvidas -a Rede TV! e Antônio Augusto Amaral de Carvalho Filho, o Tutinha, da Jovem Pan.
No início da tarde de terça, a assessoria de imprensa da Rede TV! divulgou nota oficial afirmando que o novo contrato seria assinado às 14h do mesmo dia. Horas depois, a emissora enviou à imprensa fotografias em que Emílio Surita, apresentador do ‘Pânico’, posava ao lado de Marcelo de Carvalho e Amilcare Dallevo, respectivamente vice e presidente da Rede TV!. Quando os jornalistas solicitavam imagens da assinatura do contrato, a emissora dizia que não as possuía -primeiro porque Tutinha, por suposta superstição, não deixara ser fotografado; segundo, porque eram muitos contratos, o que dificultaria o registro.
O encontro de terça, na verdade, foi apenas um almoço. Os humoristas fizeram papel de coadjuvantes. Nem sequer tiveram acesso a uma reunião, a portas fechadas, entre Dallevo, Carvalho, Tutinha e Surita.
Surita sustenta a versão de que houve a assinatura do contrato. Disse que o grupo optou pela Rede TV! porque lá tem liberdade e porque estava inseguro em relação ao SBT. Os demais membros do ‘Pânico’ não atendem a ligações desde terça.
A Rede TV! reafirmou que os contratos foram assinados.
GRADE 1
O SBT voltará a exibir os programas ‘Hebe’ e ‘A Praça É Nossa’ mais tarde, a partir do dia 6. Criará uma segunda linha de shows, no ar a partir das 23h. Essa faixa terá também o ‘Show do Milhão’, às quartas, e filmes às terças e sextas.
GRADE 2
No final de agosto ou em setembro, o ‘Show do Milhão’ cederá espaço ao novo programa de Roberto Justus.
GRADE 3
A primeira linha de shows, às 20h, será ocupada por ‘Esquadrão da Moda’ (terças), ‘Astros’ (às quartas), ‘Só Falta Marido’ (quintas) e ‘Dez Anos Mais Jovem’ (sextas). O programa das segundas não estava definido ontem de manhã.
CHAPA QUENTE 1
Foram conturbados os bastidores da gravação do primeiro programa de Lucília Diniz, que estreia sábado na Rede TV!. Na segunda, véspera da gravação, Lucília se sentiu ofendida e discutiu com Guga de Oliveira, diretor do programa, e o demitiu. Seguranças tiveram de intervir.
CHAPA QUENTE 2
Lucília teve de chamar um amigo para dirigi-la. No programa, que levará seu nome, a empresária será uma espécie de ‘supernanny do lar’, resolvendo conflitos familiares.
ESPIRRO
Funcionários da Cultura ficaram assustados na semana passada. Uma profissional da casa, que esteve na Argentina, teve gripe suína confirmada."
Mônica Bergamo
Cortesia
"O pastor R.R. Soares almoçou com a cúpula do SBT anteontem. Foi o segundo encontro em pouco tempo -há quatro meses, ele também se reuniu com diretores da emissora. Em pauta, a possibilidade de ele ocupar um horário na TV de Silvio Santos. A assessora da rede, Maisa Alvês, diz que ‘se almoço houve, foi de cortesia’. E nega que o SBT tope alugar horários da programação para o religioso. ‘Muito menos’ o que é hoje de Gugu Liberato.
VARA CURTA
R.R. Soares é cunhado e, ao mesmo tempo, concorrente religioso do bispo Edir Macedo, da TV Record -com quem Silvio Santos vem travando disputa renhida por estrelas da TV, entre elas Gugu. Dar a ele espaço no SBT significará cutucar a onça [no caso, Edir] com a vara ainda mais curta."
Audrey Furlaneto
Roberto Carlos desfila com bíceps à mostra
"Um Roberto Carlos de bigode surge no palco e solta um desajeitado ‘Levei meu Cadillac no mecânico outro dia’. Meia hora depois, o sósia do Rei que se apresenta no ‘Caldeirão do Huck’ dá lugar ao verdadeiro -sem bigode, mas de peitoral e bíceps à vista, com alguns botões da camisa abertos.
Ele entrou às 17h30 de anteontem no estúdio da Globo, no Rio, para cantar no programa de Luciano Huck, que vai ao ar no próximo dia 4. Desde as 15h, assessores organizavam fotógrafos e repórteres para que não cruzassem com o Rei. E nada de perguntas a ele, claro.
O cantor fará uma série de participações na Globo, em comemoração dos 50 anos de carreira. Além do programa de Huck, gravou ‘A Grande Família’, um ‘Globo Repórter’ especial e também terá o show no Maracanã, em 11 de julho, exibido ao vivo pelo canal.
‘Abre! Abre que ele vai passar!’, avisa uma das produtoras do ‘Caldeirão’. Eis que surge Roberto, de jeans justo e camisa azul com as mangas dobradas para cima do cotovelo.
Ele passa, sorri e para. A equipe que o acompanha do camarim ao palco para também. O cantor, então, se aproxima de uma das assessoras da Globo e lhe dá um beijo na bochecha. Repete o gesto com a repórter.
Nos bastidores, as mulheres listam adjetivos do ‘charmoso’ ao ‘sexy’. Toda a ‘galera da faxina’, conta uma assessora de imprensa, parou o trabalho e foi ao estúdio vê-lo.
No palco, o clima é de rasgação de seda. Huck elogia, o Rei devolve. A primeira das quatro músicas que canta é ‘Eu te Amo, te Amo, te Amo’. Quando termina, abraça Huck.
‘Esse maluco chegou e falou: ‘Quero fazer o ‘Caldeirão’, diz Huck. E o Rei: ‘Eu pensei: ‘Caramba, vou lá! É minha oportunidade’. Parabéns, Luciano’. ‘Vocês não viram o bíceps do Roberto! Só na rosca direta!’, diz Huck. O cantor ri. ‘Posso abusar? Banquinho, violão...’ E Roberto canta ‘Detalhes’.
Em seguida, enquanto espera o apresentador gravar um merchandising, joga beijos para a plateia. Huck pede ‘Como É Grande o Meu Amor por Você’, que, diz, é a canção de ninar de seu filho Joaquim.
O Rei emenda ‘É Preciso Saber Viver’ e, às 17h59, já está a caminho do camarim -ele, aliás, leva seu próprio camarim à TV. Lá dentro, há um closet, um pequeno banheiro, mesa de maquiagem, uma cadeira de praia comum e só."
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O Estado de S. Paulo
Quinta-feira, 25 de junho de 2009