ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 543 - 24/11/2009
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MAIS VENDIDOS
Tenho medo dessa ajuda

Por Gabriel Perissé em 23/6/2009

Nas recentes listas dos mais vendidos da Folha de S.Paulo, do Estado de S.Paulo, da Revista Veja e da Livraria Cultura, os livros do Pe. Fábio de Melo e de Gabriel Chalita ocupam lugares de destaque.

Quem são seus inúmeros leitores? Católicos de perfil Canção Nova, considerada, pelos católicos "antigos", uma "comunidade protestante camuflada", e pessoas (dentre elas muitos professores) que possuem algum tipo de verniz religioso ou humanista.

De que tratam esses livros? O que é tão sedutor em suas páginas?

No livro Quem me roubou de mim? (Editora Canção Nova), de Fábio de Melo, encontramos centenas de frases vagas, raciocínios frágeis, conselhos bondosos mas inconsistentes, abordagens superficiais. Dois exemplos:

"O sonho que sonhamos não pode ser projeção infértil. Ele tem que estar sempre preso à realidade, afinal, é nela que estamos sustentados." (pág. 110)

"Máscaras ocultam pessoas. Privam-nas de viver a dinâmica que a verdade proporciona, ou seja, levar o ser humano à posse do que se é e assim colocá-lo à disposição dos que estão ao seu lado." (pág. 58)

É isso, e disso não passa muito. E entre isso e nada pouca diferença há. A proposta é tangenciar sempre, é jamais aprofundar coisa alguma, dando a impressão, porém, de que se chegou aos abismos, e à plenitude... Em outras palavras, o texto promete ajudar, iluminar, orientar, e só oferece água com açúcar para acalmar os nervos. Tenho medo dessa ajuda!

Outro livro campeão de vendas é Cartas entre amigos (Ediouro), no qual Fábio de Melo e Gabriel Chalita trocam cartas supostamente carregadas de descobertas existenciais de primeiríssima grandeza. Somos convidados a acreditar que aquelas 18 epístolas cheias de palavras de carinho e mútua admiração nos transformarão radicalmente, como Pe. Fábio revela:

"Meu querido amigo, obrigado por este tempo de cartas. Ele foi circunstância feliz que acolho como transformadora. Não sou mais o mesmo. Estou mudado. O que mudou? Ainda não sei. Vou seguir descobrindo aos poucos, assim como o garimpeiro encontra e descobre a sua pedra." (pág. 239)

O sucesso consiste em dar mil voltas em torno das platitudes. E o assustador é que a fórmula dá certo. O padre e o educador encontraram o caminho da salvação própria e alheia, ocupando um espaço deixado pelo grande místico mistificador de si mesmo, o mestre genial desses jovens autores: o inesquecível Paulo Coelho!

Comentários (4)
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Thales Aranda , são paulo-SP - professor
Enviado em 29/6/2009 às 11:25:36 PM
Gente, vocês não entenderam. O Chalita precisa pagar aquele apartamento bilionário que ele comprou e só com o salário de professor é impossível. Quanto á Canção Nova, cadê o Gaeco-SP que não fiscaliza aquela gente?
Álvaro Augusto , São Paulo-SP - Consultor TI
Enviado em 25/6/2009 às 5:44:07 PM
Essa tal de canção nova é uma máquina de lavagem cerebral e de ganhar dinheiro. Tudo em nome de Cristo, claro. Como diria Santa Terezinha: "O inferno está cheio de boas intenções".
Julio Prático Souza , São Paulo-SP - Analista de Sistemas
Enviado em 25/6/2009 às 12:16:47 PM
Putz, o cara refuta a quem critica Joca Terron utilizando o Gabriel Chalita... realmente não dá mais ... cadê meu passaporte... vou para um lugar mais interessante - o passado!
Elaine Mendes , Rio de Janeiro-RJ - Economista
Enviado em 23/6/2009 às 7:09:22 PM
Eu li Cartas entre Amigos e o livro não dá respostas prontas, mas desperta no leitor uma reflexão. Bom, eu não sou filósofa e nem teóloga por isso o livro me ajudou a crescer, talvez haja outros livros de auto-ajuda que abordam melhor os medos contemporâneos. Gostei do estilo de leitura, os autores citam trechos de livros que nunca li e por isso aprendi. Porém, quem está acostumado com leituras deste tipo pode ter achado os pensamentos dos dois enfadonho. Mas, penso que a maioria é como eu, pouco afeita a essas leituras, porém admiradora desses dois jovens e por isso busca com o livro ter alguma identificação com eles. Fiquei feliz por eles terem as mesmas inquietações que nós. A parte que eu mais gostei foi quando eles falam do medo de não dar certo. Tenho 31 anos e eles retrataram muito bem os medos da minha geração. Paz e bem!
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Gabriel Perissé

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