ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 545 - 24/11/2009
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BANDA LENTA
Internet a lenha

Por Benito Paret em 7/7/2009

Reproduzido de O Globo, 4/7/2009; título e intertítulos do OI
O Brasil dispõe de um dos piores serviços de internet em banda larga do planeta. Enquanto a média mundial de velocidade é de 13 megabits por segundo (mbps), 90% dos assinantes brasileiros acessam a rede a, no máximo, 2 mbps. Assim mesmo, nos horários de pouco tráfego. Isso porque as operadoras só se obrigam, por contrato, a garantir conexão a 10% da velocidade contratada. Como a internet é considerada um serviço de valor adicionado oferecido pelas operadoras, a Agência Nacional de Telecomunicações não fiscaliza, não supervisiona, nem regula as operações.

A União Internacional de Telecomunicações (UIT) define banda larga como conexões iguais ou acima d e 2 mbps. Como a maior parte dos contratos não garante além de 10% da velocidade contratada, conclui-se que para a maioria dos brasileiros banda larga é, sem trocadilho, uma conexão virtual. Pior que isso: pagamos pela nossa velocidade de carroça mais que os países europeus e que nossos vizinhos sulamericanos.

Acesso caro

Em julho do ano passado, o custo médio mensal, no Brasil, era de US$ 30 por 128 quilobites por segundo (kbps). Nossos irmãos argentinos pagavam, na mesma época, US$ 27 por 512 kbps; e os chilenos, US$ 34, em troca de 300 kbps.

Na abertura do evento Portugal Tecnológico, em Lisboa, em novembro de 2008, ouvimos que o projeto do governo era transformar Portugal numa potência tecnológica. Para isso, o desafio era interligar 100% do país por fibras ópticas e oferecer a todas as empresas e cidadãos acesso à internet a velocidades de 100 mbps.

Achamos, no mínimo, um exagero, mesmo para um país tão pequeno como Portugal. Quando lá voltamos, em maio último, 100% do país estava interligado por fibras ópticas (1% por satélite). E ouvimos que até o fim do ano a Portugal Telecom teria vendido 1 milhão de pacotes de 20 ou 100 mbps. Os de 20, a cinquenta euros mensais. Os de 100, a setenta.

Apenas 4,6% da população brasileira acessam os serviços de banda larga. Na Argentina, a cobertura alcança 6,6%. No Chile, 8,8%. E, na Coreia do Sul, 26%. De onde se conclui que a conexão em banda larga, no Brasil, não só é ruim, como também é limitada e cara.

A maioria dos municípios brasileiros não oferece conexão dedicada à internet. Só acesso discado. Muito menos banda larga. Por total desinteresse das operadoras locais. No Rio de Janeiro, nem os municípios da Região Metropolitana, ou sequer os bairros da Zona Oeste, têm, na sua maioria, acesso a esse serviço. Pior ainda: paga-se no Rio o acesso mais caro do Sul e do Sudeste, por conta de um ICMS 20% acima dos demais estados da região.

Discurso vazio

Instalar computadores nas escolas e distribuir milhares de laptops a professores sem disponibilizar conexão em banda larga é jogar dinheiro fora. Sem conexão que permita baixar filmes, imagens e programas mais pesados, educação pela internet não passa de ficção. Banda larga não é um luxo, nem se instala computador em escola para jogar paciência e enviar e-mail. Sem banda larga, jamais nos inseriremos na sociedade da informação.

Se há uma área em que o Estado precisa intervir para botar o Brasil em pé de igualdade com seus concorrentes é a da internet. Essa é uma responsabilidade dos ministérios da Educação, das Telecomunicações, da Ciência e Tecnologia, dos estados e municípios. Sem uma política pública que exija universalização, qualidade e preço, o serviço de banda larga existente deterá o desenvolvimento tecnológico do país.

Sem infraestrutura tecnológica de qualidade e barata, nosso ingresso na Era do Conhecimento não passará de discurso vazio. Num mundo que se move a terabites por segundo, não serão os maiores que engolirão os menores, mas os mais rápidos que engolirão os mais lentos.

Comentários (10)
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Eder Guimarães , Pelotas-RS - Porteiro
Enviado em 9/7/2009 às 2:32:11 AM
Tenho um contrato com uma operadora local a qual tratei por telefone a aquisição da linha. O vendedor da empresa me falou que não teria aumento até o final do contrato de 18 meses, mas pra minha surpresa após 4 meses veio o primeiro reajuste, ao me informar a empresa disse que estava escrito no contrato, aquelas letras miudas indecifráveis no verso do mesmo. Recorri a ANATEL e a mesma disse que era isso mesmo e que não adiantava eu recorrer a justiça. Que bom, a gente é roubado pela empresa através de um contrato mentiroso e o órgão do governo que deveria intervir, fiscalizar e dar um parecer, de cara apoia e da ganho de causa ao ladrão. Viva o Brasil e suas privatizações com seus eficiêntes órgãos fiscalizadores subserviebtes ao enriquecimento de mega empresários que corropem a todos eles.
renan esteves , Nilópolis- cidade que não tem banda larga-RJ - estudante de jornalismo
Enviado em 8/7/2009 às 9:12:10 PM
É uma vergonha municípios como os da Baixada Fluminense não disponibilizarem do serviço de banda larga. E ai eu digo a vocês: É POR ISSO QUE MUITOS MUNICÍPIOS E BAIRROS DO RJ ESTÃO USUFRUINDO DO SERVIÇO DE "GATO NET". O serviço é caro, e não se pode fazer nada, porque o estado é conivent com a situaçao.
Zé da Silva Brasileiro , Belo Horizonte -MG - Bancário Aposentado
Enviado em 8/7/2009 às 8:20:15 PM
"A União Internacional de Telecomunicações (UIT) define banda larga como conexões iguais ou acima d e 2 mbps. Como a maior parte dos contratos não garante além de 10% da velocidade contratada, conclui-se que para a maioria dos brasileiros banda larga é, sem trocadilho, uma conexão virtual. Pior que isso: pagamos pela nossa velocidade de carroça mais que os países europeus e que nossos vizinhos sulamericanos". Quem pode, pode. Quem não pode, se sacode ou então escreve no blog. Como diria o Leonel Brizola nós, brasileiros, em matéria de telecomunicações, estamos sempre tendo que escolher entre o "demônio" e o "coisa ruim", já que as poucas operadoras que dominam o mercado se equivalem no descaso e na má qualidade dos serviços. Eficiência mesmo é só nos departamentos de cobrança de todas elas... Se as empresas fossem estatais nós poderíamos pelo menos pressionar através de uma ação política coordenada mas, sendo empresas privadas, e com as agências reguladoras que temos, só resta aos crentes rezar e aos ateus, chorar...
Jose de Almeida Bispo , Itabaiana-SE - Publicitario e radialista
Enviado em 8/7/2009 às 7:31:14 PM
Eis aí o resultado da privataria tucana: Entregaram o galinheiro às raposas para tomar conta. A ANATEL não existe. É só um referencial pra enganar otário. Suas resoluções, todo o seu aparato normativo é feito pelas empresas(?) da privataria, cada vez mais oligopolizadas. É raposa tomando conta do galinheiro, mesmo. “Sua Magnificência”, FHC deu-nos esse presente que ainda tem [ ] achando que "pelos menos isso", a telefonia, ele melhorou. A internet é só um aspecto desse desastre, providencialmente "descolado" dos tucanos pelo PIG. E outra, não vai mudar nada. Tá tudo encaixado legalmente pra ninguém mexer. Até à exaustão do modelo. Sobre os gargalos que cada vez aparece mais, vão cair na velha prática de priorizar nichos, naturalmente cada vez mais seletivos, até que a corda estoure de vez e o governo tenha que recomeçar do zero. Mas isso ainda leva muito tempo e muito dinheiro nosso pros bolsos desses piratas.
roberto sidnei , Curitiba-PR - quimico
Enviado em 8/7/2009 às 7:15:04 PM
Vou dar um exemplo que esta a acontecer comigo: Solicito a mudança de endereço da minha linha telefonica/ADSL para a operadora Y (todas são iguais) pois a casa fora desocupada para outra familia ocupa-la. Depois de muitos tum-tum-tum, protocolos e perda de tempo, a operadora alega nao estar conseguindo a transferencia pois existe um "problema" no meu cadastro.... como se o problema fosse meu). Depois de 1 mes perco a paciencia (nossa!) e desisto da transferencia. Paguei 1 mes de telefone+ADSL(122 reais sem uso!) e agora decido cancelar a linha. Oras, ela esta desligada da minha parte e, pergunto ao atendente: como pagar por algo que não recebo? Solicito o desligamento: mais alguns protocolos, etc e informo que, caso minha solicitacao nao seja atendida, irei ao tribunal de pequenas causas. O supervisor me passa 5 dias uteis para ser efetivado o desligamento. Adivinhem o que acontece depois de 1 mes? nova conta. Ligo e o pedido de desligamento esta "travado" pelo problema de cadastro. Puxa, que problema de cadastro é este que o cliente não pode mais sair??? Solicito o estorno da conta e advinhem: como estornar se a linha estava "ligada". Depois de muito bate-boca a supervisão da cobrança "estorna", mas o valor ja foi pago pois a conta estava em debito automatico. Aguardo o contacto para eles depositarem o valor em minha conta.... adivinhem o que acontecera prox mes?!?!?...
Roberto Gomes da Silva , Sao Paulo-SP - Analista de Sistemas
Enviado em 8/7/2009 às 6:12:08 PM
Pérolas das privatizações do ilustre governo FHC.
Oscar Alhas , Tefé-AM - *
Enviado em 8/7/2009 às 5:25:59 PM
"Instalar computadores nas escolas e distribuir milhares de laptops a professores sem disponibilizar conexão em banda larga é jogar dinheiro fora. Sem conexão que permita baixar filmes, imagens e programas mais pesados, educação pela internet não passa de ficção."
Quem em sã consciência permitiria que alunos e professores baixassem indiscriminadamente qualquer tipo de conteúdo da Internet? Essa história de acesso à Internet em instituições de ensino (primário e médio) só agravaria o problema da concentração dos estudantes... certamente, haveria (e há) abuso por parte de discentes e docentes na utilização do serviço.
Ibsen Marques , Caçapava-SP - Técnico em Eletrônica
Enviado em 8/7/2009 às 4:08:03 PM
Depois de muito barulho a telefônica foi impedida pela Anatel de vender novos vontratos de Speedy, mas essa decisão já está para ser revogada. Pior para nós internautas. Não sei o porquê da revogação já que a qualidade do acesso continua sofrível. Esse artigo mostra em linha direta e objetivamente que temos empresas privadas oferecendo péssimos serviços de acesso à Internet via Banda Larga tanto no que se refere à velocidade do acesso quanto ao serviço de atendimento aos usuários. A exigência de garantia de banda de apenas 10% do contratado é uma piada e de muito mau gosto. Mas o artigo permite-nos também outras conclusões importantes. Primeiro, estamos atrasados como sempre na implementação de um acesso digno e rápido à internet e segundo, o número de usuários da Internet é tão baixo que não justifica por si só a crise astronômica por que passa a imprensa escrita com a queda ininterrupta da venda dos jornalões e revistões. Para isso há outros fatores muito mais importantes como a má qualidade do que a mídia entrega ao leitor, a péssima educação oferecida no país e o péssimo hábito do brasileiro pela não leitura. Isso vem de berço e se aprofunda com a má qualidade do incentivo pela leitura que as escolas públicas e privadas oferecem aos estudantes.
Julio Prático Souza , São Paulo-SP - Analista de Sistemas
Enviado em 8/7/2009 às 1:13:28 PM
É isso aí. Quando vemos, todos os dias, novos escandalos envolvendo justamente as pessoas que são eleitas para regulamentar e fiscalizar esses serviços, fico pensando quanto dinheiro não é pago por fora para que seja permitido esse monopólio de exploração do povo brasileiro. E soma-se a isso o número astronômico de ligações clandestinas, roubos de cabos etc. Quem paga? Hmm, nem precisa responder!
Sergio Luis  dos Santos , Rio de Janeiro-RJ - Aux. Adm.
Enviado em 8/7/2009 às 10:27:02 AM
Sei bem o que é isso... No início com o pacote da NET Combo, navegar na internet era bom, mas agora, passado alguns meses, está igual ao tempo da linha discada... Pelo menos não "cai" mas dói!
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