ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 562 - 24/11/2009
  Caderno da Cidadania
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VIOLÊNCIA NA UNIBAN
Esses jovens merecem um estudo

Por Ligia Martins de Almeida em 3/11/2009

"Estou praticamente trancada em casa. Não saio mais na rua. Quando arrisquei ir até ao mercado, teve gente que parou e me perguntou se eu era a `puta´ do YouTube."

A edição da Folha de S.Paulo sexta-feira (30/10) explica:

"São palavras da universitária de 20 anos que protagonizou o tumulto na faculdade Uniban, em São Bernardo do Campo, na quinta-feira [22/10]. Na ocasião, a estudante, chamada pelas amigas pelo apelido de `Loirão´, foi ao campus com um vestido curto que foi encarado como `provocação´ por vários colegas. Por causa disso, ela foi hostilizada e ameaçada fisicamente, como demonstram diversos vídeos que circulam na internet. Sem apoio dos seguranças da faculdade, ela precisou ficar trancada dentro de uma sala e só saiu de lá escoltada pela polícia. A Uniban prometeu apurar o caso."

Os dois maiores jornais da capital paulista noticiaram a agressão sofrida pela estudante universitária com atraso. A notícia circulou antes na web, onde apareceu o vídeo com a agressão e provocou debates nos sites de relacionamento.

O Estado de S. Paulo (30/10), a propósito desse caso, recordou outro, mais antigo:

"O quase linchamento da universitária da Uniban, nesta semana, não é um caso sem precedentes. Em 2006, a divulgação, na internet, de fotomontagens criadas para mostrar uma estudante da Fundação Eurípedes Soares da Rocha (Univem) de Marília, no interior paulista, na cama com dois homens, forçou a jovem, então terceiranista de Direito, a se refugiar numa sala de aula para escapar da fúria de outros alunos. Ela só pôde sair escoltada pela Polícia Militar. Assim como na Uniban, o tumulto só foi desfeito depois de a PM usar gás de pimenta."

Será que não mudou nada?

Se não é possível acusar os jornais de omissão – afinal, noticiaram – é perfeitamente justo acusá-los de atraso e falta de sensibilidade para pautas mais ligadas à realidade atual. Uma notícia desse tipo merece desdobramento. Não para saber como a moça vai resolver o problema, se vai ou não processar alguém. Estes são detalhes quase burocráticos. O que interessa mesmo é descobrir e contar aos leitores o que acontece na cabeça desses jovens universitários – uma elite diferenciada do país – que perseguem uma colega devido à roupa que ela usa, ameaçam com violência sexual e agridem verbalmente, chamando-a de "puta".

Os leitores merecem saber o que esperar desses jovens da "elite", que logo serão os responsáveis pelo país. Afinal, das universidades saem os futuros legisladores, administradores, comunicadores. Se eles reagem tão mal à roupa de uma colega, sentindo-se no direito de agredi-la, como reagirão em outras situações? Se eles, que são resultado de anos de liberação sexual, ainda chamam mulheres de "puta" quando querem ofender, como encaram a liberdade sexual feminina? Será que não mudou nada? Será que um simples caso de mau gosto na escolha das roupas pode levar ao desrespeito?

Julgamento preconceituoso e perigoso

É verdade que a moda hoje não favorece muito as mulheres. Elas recebem informações truncadas quanto ao que é erótico, discreto ou elegante. É verdade que nas vitrinas fica difícil encontrar roupas de bom gosto, principalmente para quem não tem dinheiro para compras em butiques de luxo. Mas é verdade também que as jovens ficam sem referência na hora de saber o que é ou não é de bom gosto.

Revistas de moda, programas de TV e novelas mostram o corpo feminino indiscriminadamente, sem explicar às pobres leitoras e telespectadoras que aquelas roupas só ficam bem em mulheres muito magras, altas e com porte de modelo. E aí as desavisadas, como a estudante universitária agredida pelos colegas, se metem em vestidinhos sumários e pensam que vão fazer sucesso. Quando os colegas – trogloditas, como qualificados um comentário na web – revelam o seu lado mais sombrio, os jornais ficam chocados e noticiam.

Talvez fosse o caso de tentar revelar o que pensam os jovens de hoje: são apenas conservadores ou a violência é uma forma de comunicação?

Fica também um compromisso para as revistas de moda: explicar melhor o uso de certos trajes em certas ocasiões. Mostrar – talvez com modelos mais baixinhas e mais gordinhas – o efeito que determinadas roupas podem acarretar. Explicar, também, que a aparência – cabelos, maquiagem, roupas – são o primeiro item que os outros julgam.

Sair do padrão, especialmente quando se trata de mulher jovem, é sempre muito arriscado. A mídia, que usa e abusa da imagem de mulheres liberadas, pouco vestidas e disponíveis, deveria também ensinar e alertar para o julgamento preconceituoso e, eventualmente, perigoso.

Comentários (34)
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Cristiana Castro , Rio de Janeiro-RJ - Advogada
Enviado em 9/11/2009 às 4:21:52 PM
Obrigada, Carlos, pelo esclarecimento. Tb espero que seja um caso único.
Carlos N Mendes , Santos-SP - industriário
Enviado em 9/11/2009 às 3:40:44 PM
Cara Cristiana, essa moça é aqui da Baixada. Em abril, houve um protesto (não lembro se foi por causa de mensalidades), e alguns alunos bloquearam a frente da faculdade com cones de borracha. Ela, aluna da faculdade. precisava ir para casa porque tinha um filho, mas acabou atropelando um cone (não sei se intencionalmente). O caso é, alguns alunos que faziam o bloqueio começaram a discutir com ela, o que resultou na agressão física. Espero, realmente espero, que essa tal de UniBan seja um caso único no Brasil.
Cristiana Castro , Rio de Janeiro-RJ - Advogada
Enviado em 8/11/2009 às 9:25:56 PM
http://www.youtube.com/watch?v=LfxPYU_YSw4
Cristiana Castro , Rio de Janeiro-RJ - Advogada
Enviado em 8/11/2009 às 9:20:33 PM
O Bullyng é estimulado na sociedade de um mode geral. O preconceito físico é vendido nas bancas de jornal e transmitido ao vivo 24 hs nas TVs, travestido de campanha pela saúde. Esse tipo de comportamento é chancelado pela sociedade que entende que os vencedores, ou seja, os jovens, bonitos e sarados podem fazer e desfazer dos que não se parecem com o modelo imposto. O brasileiro está mais do que acostumado a sais curtas, não foi a saia o motivo daquele evento na Uniban. Um outro vídeo no youtube mostra, uma outra moça, sem saia curta, dentro do carro, tendo o carro socado e chutado pelos alunos e, logo após a sua saída do veículo, os caras paretm para cima dela, uma outra sai com o carro e uma ambulância chega para atender a que foi agredida, a essas alturas já deitada no chão. Se o vídeo for verdadiero, não foi, o caso da mini saia, o primeiro desse tipo na Uniban. Vou tentar colocar o link aqui.
Silvio  Zaleski , Joinville-SC - Comercial
Enviado em 8/11/2009 às 1:02:33 AM
A moça tem direitos: de usar vestido curto, de andar sem calcinha, de se sentir gostosa, de subir as escadas com vestido curto, de ser vaidosa. É um direito seu. Ela não andou pelos corredores nuas e me disse: me comam! É apenas uma menina de 20 anos anos, exercendo o seu direito de ser vaidosa e sexy. Nada justifica esse comportamento A turba agiu desvairada e preconceituosamente. Símios agem assim, não Homens. O que explica esse comportamento é a ignorância e o reacionário na cabeça daqueles selvagens. Me confunde e me amedronta uma coisa: até onde vai o fundo do poço da sociedade brasileira e seus costumes vis. Quanta pasmaceira, futilidade, mediocridade, violência, falta de critérios, falta de bom senso, preconceito, falta de solidariedade, falta de respeito,falta de civilidade nos somos capazes de perpetrar e suportar!
Stanley PontAtlantica , São Paulo-SP - webwriter
Enviado em 7/11/2009 às 10:04:38 PM
Acabo de saber da decisão da uniban expulsando a garota da mini saia alegando que ela provocou a reação da turba ignara que paga sua mensalidade em dia. Parece mesmo que a direção dessa versão da "máquina de fazer doidos" (citando o genial Sergio Porto) quer assumir completamente o comando da nau dos insensatos, só faltando instituir o concurso Albert Speers para definir um uniforme em tons nazistas para os alunos e a burka para as alunas. Mal comparando, essa coisa que chamam de universidade lembra a TFP nos tempos da ditadura. Repito aqui o link do filme que vi na Mostra de cinema do ano passado com a opinião dessa juventudo formada por esses "profissionais do ensino": http://politikaos.com/blog/?p=224
Mauro  A. Silva , São Paulo-SP - Diretor de Associação
Enviado em 7/11/2009 às 8:17:25 AM
Mais uma vez a TV Globo usa os seus telejornais para culpar somente os alunos e livrar a cara dos professores e funcionários das escolas. O caso aconteceu em uma universidade particular: a UNIBAN de São Bernardo do Campo-SP. Uma aluna de 20 anos, do curso noturno de Turismo, foi humilhada, xingada e ameaçada de estupro por estar com um vestido curto… isso aconteceu no dia 22/10, mas só veio a público após os vídeos serem colocados no Youtube. No telejornal Hoje (TV Globo,30/10), os bonequinhos-playmobil falam que “a moça era vaiada pelos colegas”… “[ela] acabou sendo hostilizada pelos outros alunos”… “nada justifica a atitude agressiva dos alunos”… Por que a TV Globo não informou que fui um funcionário da escola que expulsou a aluna??? Por que a TV Globo não registrou as denúncias da aluna: “Os seguranças da faculdade, no começo, estavam rindo”, disse. “Como um aluno vai ter atitude decente se os próprios professores e funcionários apoiam [as hostilidades]?” (leia aqui) Os bonequinhos-playmobil livram a cara da universidade UNIBAN, pois nem mesmo questionaram os motivos pelos quais a Uniban levou mais de uma semana para abrir uma “investigação”… será que só começaram a “investigar” o caso porque a imagens foram parar na internet?
Leonardo  Abreu , Campos dos Goytaazes-RJ - farmacêutico
Enviado em 5/11/2009 às 8:13:48 PM
O texto foi muito valioso ao levantar os outros aspectos que rondam esse episódio na UNIBAN. É fato que um princípio fundamental do convívio civilizado foi esquecido: O DIREITO DE UM COMEÇA QUANDO O DO OUTRO TERMINA. Certamente que esse princípio contemple o "mau gosto" para o figurino, ou para música, etc... Tão importante como saber o que essa juventude tem na cabeça, é valido também discutir o que essa instituição de ensino coloca na cabeça desses mesmos jovens. Lamentável testemunhar a total intolerância com o diferente. Apesar de concordar com o que foi dito sobre a "sede" para "crucificar" alguém, quais serão os próximos passos? Eles terão sede de que no futuro?
Stanley PontAtlantica , São Paulo-SP - webwriter
Enviado em 5/11/2009 às 12:03:31 PM
Eu acho surpreendente apenas que as pessoas estejam surpresas com isso, afinal pelo histórico das situações e reações de nossa sociedade, caminhamos para uma banalização cada vez maior da violência de todos os tipos. Na mais lógica das conclusões imagino que toda essa inconsequência dessa garotada seja consequência da indigência de nossa classe política, principalmente da propalada "elite" que nos assola. Em tempo, gostaria de recomendar um documentário lançado na mostra de cinema de SP do ano passado que tem quase o estudo sobre o pensamento dessa geração "rebelde sem calça": http://politikaos.com/blog/?p=224 E, apenas como um comentário subliminar ao que parece ter sido a intenção da autora do texto ao explicar o aforismo "a primeira impressão é a que fica", gostaria de sugerir a correção da concordância na frase: "Explicar, também, que a aparência – cabelos, maquiagem, roupas – é o primeiro item que os outros julgam." PS> como não houve confirmação do envio do comentário, estou tentando novamente, se caso for apenas um problema com a confirmação, solicito cancelar esse último.
Cristiana Castro , Rio de Janeiro-RJ - Advogada
Enviado em 5/11/2009 às 1:46:16 AM
Tá meio ruim de acreditar que esse bafão todo foi por conta de um vestido curto. Mas vamos ver... Que as classe média e alta não sabem lidar com as diferenças a gente já sabe mas achei o tumulto grande demais.
Anibal do Carambeí , Lima-IN - professor
Enviado em 4/11/2009 às 11:48:20 PM
Tenho pena desta pobre infeliz. Não me admiraria se o estudo proposto demonstrasse que os jovens agressores são fanáticos religiosos. Fico impressionado quando vejo que mesmo aqui, há preconceito e deturpação da realidade. Os comentários refletem a face machista de uma grande parte da sociedade brasileira. Culpar os estudantes ?!! Acho que as hipóteses aventadas no artigo estão erradas, a verdade, pelo menos a minha, é a seguinte: "Quer dizer que o problema pode ser a falta de dinheiro para comprar em boutiques de luxo?" Já ouvi aqui na minha cidade o seguinte:"Tanto os estudantes, quanto a garota são vítimas da ignorância". Apenas discordo do uso indiscriminado do termo "bom gosto" aos candidatos a "Vencedores". A verdade é que a garota usou a roupa. Acho conveniente ela não ter nascido em 1966, e nada justifica a atitude dos estudantes.Sou professor, crianças e adolescentes, ao crescerem, buscam modelos, ao que parece. O problema não é a roupa. O problema é a vulgarização da violência e o machismo ainda latente na cultura nacional.Sinteticamente, o que eu penso disso, eu mesmo escrevi.
Allan Campos , Santa Maria do Salto-MG - Jornalista
Enviado em 4/11/2009 às 11:45:56 PM
O problema nunca esteve na garota que saiu de mini saia. As pessoas se vestem da forma que acharem melhor, da forma que se sentirem bem. Se a faculdade permitiu que ela entrasse no local com a minissaia, então, suponho, que a faculdade aceite a minissaia como uma roupa descente. O que não é correto é fazer o que fizeram com a garota. Tanto que foi preciso intervenção policial para proteger a moça, e não, prendê-la.
Wanderley Lemes , Porto Alegre-RS - Servidor público
Enviado em 4/11/2009 às 11:18:22 PM
A autora até tentou defender os jovens, mas é impossivel defender o indefensável. alguns leitores até colocaram nós homens como vítimas( da lascividade feminina?)... Mas da proposição principal da articulista, discordo completamente...Não,o comportamento dos jovens não merece nenhum tipo de estudo, não serviria pra nada...teria servido se logo após o ocorrido, a universidade tivesse sido depredada, incendiada( bem drástico- como disse certa vez Millor Fernandes, pra acabar com a violência, só dando porrada nos violentos...), então a intolerância deles teria recebido o troco devido e , aí sim serviria de exemplo pro futuro... Mas não...os estudantes devem estar rindo do que fizeram, daqui a alguns meses ninguém lembrará do fato, até que algo parecido ou pior aconteça.Sim, eles devem estar rindo, são brincalhões irresponsáveis (covardes que se valem do anonimato), e os linchamentos são assim, se todos são responsáveis, como culpar alguém? E o pior de tudo , como foi lembrado aqui, eles são o futuro da nação ...
Marcelo Idiarte , Porto Alegre-RS - Diagramador
Enviado em 4/11/2009 às 4:55:59 PM
Sinteticamente o que eu penso disso eu escrevi semana passada aqui: http://idiarte.wordpress.com/2009/10/29/voce-vai-nos-redimir/ Talvez até tenha me excedido, dira alguém mais comedido, mas nada perto do que esses bananas academizados fizeram. Vai chegar um momento em que as universidades em vez de concederem o almejado diploma, fim-em-si para a imensa maioria dos estudantes, deveriam é erguer um monumento à ignorância coletiva. Com direito a paraninfos e agradecimentos chorosos, afinal já dizia o célebre Timão de Atenas: "As cerimônias foram inventadas para dar brilho aos atos pálidos". Para avaliar o quanto determinadas universidades se envolvem e efetivamente se preocupam com a formação dos seus alunos, basta ver o que esse pessoal que responde pela faculdade em questão fez após o episódio: as justificativas todas giram em torno do velho "não temos nada a ver com isso". Não têm mesmo: a culpa é do Og, o Extraterrestre Hipotético do Luis Fernando Verissimo, que de tempos em tempos visita a Terra em busca de vida inteligente e quase sempre acaba voltando para casa de mãos vazias ( http://www.consciencia.net/2005/mes/12/veris-og.html ).
José Bezerra , João Pessoa-PB - Administrador
Enviado em 4/11/2009 às 3:52:22 PM
"O problema é a vulgarização da violência e o machismo ainda latente na cultura nacional", mas também a vulgarização da mulher, o que deve levar ela a se vestir de certa formar e provocar para mostrar algum nível de domínio ou superioridade. Não quero ser tachado de machista por falar isso, não vivo numa ditadura das mulheres, embora saiba da necessidade de afirmar sua autonomia. A respostas de alguns homens (por preconceito) e de outros, incluindo, mulheres (por diversão) não se justifica. Mas vejo muita hipocrisia em quase todos os lados. Creio que um vestido não causa tamanha algazarra, há muito mais coisas por aí... atitudes, comportamentos, palavras, gestos... Não creio que o vestido dela seja o mais adequado, mas respeito sua liberdade. Por isso, a resposta dos homens foi sem sentido. Mas o que é adequado para uma universidade? Alguém de de biquíni e tanga de banho? Alguém ir com um shortinho de futebol?
Jose Albino , Sao Paulo-SP - Engo.
Enviado em 4/11/2009 às 2:41:37 PM
O grupo que se manisfestou agredindo verbalmente e ameaçando a estudante, não reflete o perfil de comportamento de um cidadão universitário. Aquilo não é um grupo de universitários. Aquilo é um grupo de indivíduos que comprou ( sabe-se lá como) o direito freqüentar uma faculdade, a qual deveria ter um compromisso com a sociedade de formar novos cidadãos com pensamento voltado à tolerância, ao vanguardismo de pensamentos e costumes, à universalidade de idéias, ao respeito, enfim, a tudo o que a universalidade de pensamento e idéias significa. Aquele ambiente, no qual ocorreram as agressões, me parece apenas um reduto de pessoas interessadas em adquirir um título de curso superior e se divertir em meio ao ambiente pseudo-universitário. Aquilo foi um retrocesso. Retrocesso aliás que vem se refletindo na atual geração de jovens, com o aumento inexplicável do pensamento reacionário entre estes. No mundo todo,constata-se o crescente reagir negativo às manifestações mais humanitárias com relação aos povos e costumes. Hoje reage-se sem o menor pudor contra qualquer pensamento progressista, de forma conservadora. Tornou-se comum ser conservador e retrógrado, pois a sociedade parece tolerar e apoiar mais este tipo de cidado que os progressistas e modernos. É um retrato da sociedade atual, infelizmente. Do final dos anos 80 para cá, não por coincidência, a humanidade comporta-se assim.
Francisco Almeida , Niterói-RJ - Advogado
Enviado em 4/11/2009 às 12:39:42 PM
Ao que parece, o problema não é a roupa ou o comportamento da moça. O problema é a vulgarização da violência e o machismo ainda latente na cultura nacional. Esse caso e um outro caso ocorrido na Barra da Tijuca (Rio de Janeiro) - em que jovens de classe média agrediram uma empregada doméstica num ponto de ônibus e justificaram essa agressão por achar que a mulher era uma puta - guardam uma terrível coincidência: nos dois casos, o fato de se achar que a agredida seria sexualmente promíscua serviu de justificativa para a agressão. Veja-se que nos dois casos, os autores da violência não compõem a massa ignara. Ao contrário: pertencem a classes sociais de renda considerável ou ainda compõem aquela minoria que consegue alcançar educação universitária. Esses dois exemplos, somados a outros tantos, mostram que o nosso padrão civilizatório é de prepotência e de violência.
Carlos N  Mendes , Santos-SP - industriário
Enviado em 4/11/2009 às 11:04:19 AM
Crianças e adolescentes, ao crescerem, buscam modelos - grupos, "tribos". Mas como as coisas tendema ser preto-e-branco nessa idade, qualquer diferençazinha cria outra "tribo" - os emos que vestem preto não se bicam com os emos que vestem marrom, por exemplo. Qualquer passarinho que destoe da revoada vai ser alvo - toda aquela carga hormonal tem que ser usada em algum tipo de extravasamento. Mas seria bom, no caso de Santo André, algum estudioso em dinâmica de multidões fazer uma análise mais profunda. Pior vai ser a fama que aqueles garotos vão ganhar a hostilizar uma menina...
Sérgio Luiz do Prado , SBC-SP - professor
Enviado em 4/11/2009 às 10:03:06 AM
Sra. Ligia, sou professor de ensino fundamental. O comportamento dos "universitários" da UNIBAN começa aqui. No vocabulário da moda, é o "bullying". Alunos são agredidos (não fisicamente) porque comem na escola, por causa da roupa simples ou por se vestirem de forma diferente, porque são tímidos, por que não tem dinheiro para comprar um chiclete, porque não vão às malditas "lan-houses", porque ESTUDAM! Tal comportamento, generalizado, enoja. Incomoda. E haja "projeto", "conversa", "sensibilização"... Quanto mais os profissionais das escolas intervém, pior fica. Passamos nós, também, a sermos alvos. Por causa do carro, da roupa, do sapato... Por que o professor é careca. Porque a professora é gordinha. Porque a inspetora é baixinha. Porque a voz é engraçada. Porque fulano tem uma pinta. Porque sicrana é meio "machona". Porque beltrano é meio "efeminado". E, tudo, sempre, na visão que eles têm, seja coerente ou não. Não basta que "revistas de moda" expliquem o que é adequado ou não para cada um, é muito mais amplo que isso. É uma tarefa hercúlea e secular, que quanto mais demorar para ser iniciada, maior vai ficar: é resgatar, na prática, em todos os âmbitos (inclusive na escola, mas não só dentro dela), quais são os mais importantes valores humanos. Especialmente nos ambientes e meios nos quais crianças e adolescentes adoram trafegar. Mas o lucro, ainda, conta muito mais.
CAL Silva , S Paulo-SP - Desenvolvedor
Enviado em 4/11/2009 às 2:11:45 AM
Nada justifica a atitude dos estudantes. Já trabalhe e estudei com moças vestidas praticamente da mesma forma que essa moça se veste, não tem nada de mais. O que aconteceu foi um ato de violência pura e simples..O pessoal não sabe mais aceitar quem é diferente. E acabam extravasando suas frustrações na primeira oportunidade. E, de quebra, conseguiram que as aulas fossem suspensas naquele dia. Para mim, são "talibanzinhos" de araque.
Carlos N  Mendes , Santos-SP - industriário
Enviado em 4/11/2009 às 1:27:16 AM
Nasci em 1966. A minissaia é um ano mais velha do que eu. E eu SOU velho. Todo mundo já viu, e quem já viu, não se assusta. Aquilo foi histeria coletiva. 95% das pessoas naquele galpão em forma de caracol não sabiam o quê estavam ofendendo. Com certeza, merece um estudo.
Clarissa Poty , Teresina-PI - Jornalista
Enviado em 3/11/2009 às 8:29:28 PM
A verdade é que a garota usou a roupa que achou conveniente e usou de um ar provocativo que também lhe pareceu conveniente e ninguém tem o direito de persegui-la, insultá-la ou ameçá-la de estupro por causa disso. Agora se exibir e paquerar é crime? Se você quiser usar roupa curta por aí, tem que se preocupar com o risco de ser linchada? Se a moça quer posar nua ou não, quer se exibir na televisão ou não, mesmo se ela de fato fosse uma prostituta, estaria no direito dela. Que direito tinham os estudantes de atacá-la? Acredito que nenhum. Mesmo que houvesse crime [o que não houve..usar saia curta não é crime] não caberia aos estudantes fazer justiça com as próprias mãos. Mas concordo com quem comentou sobre a necessidade do homem de escolher alguém para crucificar. Dentro disso, acredito que a maioria daqueles estudantes entrou na confusão pela "diversão", sem refletir muito sobre o assunto, por mais grotesco que possa parecer. Sobre a cobertura da mídia, concordo que é necessário aprofundar e discutir o que essa juventude pensa, onde e como o machismo prepondera, inclusive na cabeça de muitas mulheres.
Azarias Esaú dos Santos , São Vicente-SP - Aposentado/Rodoviário
Enviado em 3/11/2009 às 3:44:33 PM
Os candidatos a "Vencedores", os que querem "canudos" a qualquer preço para "vencer" na vida, os que assimilam com facilidade os discursos neoliberais da Grande Imprensa de como se comportarem, os que andam com nariz "arrebitado" em seus bairros. Estes elementos explodiram de indignação ao verem a "gatona" gostosa e démodé, sustentada pelo açougueiro da rua, entrar com os mesmos direitos, em seus redutos de futuros "doutores".
Marcelo Silvestre , São Paulo-SP - aposentado
Enviado em 3/11/2009 às 3:11:54 PM
Apenas discordo do uso indiscriminado do termo "bom gosto". Gosto é uma coisa pessoal. Não existe "bom gosto". Existem, sim, padrões estabelecidos pela sociedade, muitas vezes machistas, preconceituosos e retrógrados. Vale lembrar que há alguns anos atrás muheres que usassem calças eram consideradas "putas". O animal é sempre aquele que não soube controlar seus impulsos.
Tatiane LC , Sao Paulo-SP - Relações Públicas
Enviado em 3/11/2009 às 2:33:09 PM
Tanto os estudantes, quanto a garota são vitimas da ignorância. Nada mais que um simples reflexo da decadência educacional de nosso país. O mais triste é isto acontecer dentro de uma faculdade. Lamentável!
Caio Freitas , Rio de Janeiro-RJ - Administrador
Enviado em 3/11/2009 às 2:11:57 PM
Já ouvi aqui no Rio o seguinte comentário: "Se os paulistas não gostam de loira de minissaia, mandem pro Rio que a gente a tratará com carinho." Simples, um tanto machista, porém brilhante.
Edmilson Fidelis , BH -MG - Analista de Sistemas
Enviado em 3/11/2009 às 2:11:50 PM
Quer dizer que o problema pode ser falta de dinheiro para comprar em boutiques de luxo? Quer dizer que se a garota fosse "muito magra, alta e com porte de modelo" não seria atacada? Baixinhas e mais gordinhas também teriam maiores chances de serem atacadas? Sair do padrão é arriscado. Fiquem então na mesmice? A última parte do texto parece escrita pelos "colegas trogloditas".
luis claudio silva , guarulhos-SP - comerciario
Enviado em 3/11/2009 às 1:54:13 PM
a verdade pelo menos a minha é a seguinte:A menininha inocente da Ban apareceu na tv com olhos lacrimejantes digna de todo dó devido a s/"inocencia" em se vestir.Ora gente,vamos ser menos hipocritas,Um baita de um loirão dessas (proprias amigas o dizem) c/pleno conhecimento de qto é gostosa e provocativa,Ñ passou pela cabeça q estaria provocando todos os homens da faculd .o vestido era curto sim,más até dava para passar em branco.O que ñ dá é ela puxar o vestido pra cima p/expor suas pernas (segundo próprias amigas)para provocar de fatoa quem estivesse olhando.Na própria Record qdo lá esteve,foi com um top tigrado com enorme decote frontal que deixava seus seior praticamente a mostra e um vestido ñ precisa ser necessariamente curto para provocar pois pode ser curto e justo que faz que a silhueta feminina se destaque e qdo ela senta fica praticamente nua a frente de todos se realizando c/os olhares de volúpia de todos os homens e o de raiva de todas as mulheres.Temos q deixar de ser hipócritas e colocar os pingos nos ís..Muitas mulheres confundem liberdade c/libertinagem e nós homens imbecís como sempre ,principalmente qdo se trata de mulhes gostosíssimas como essa,achamos de dar uma de protetor e achar uma barbar.o ocorrido."Ela a gostosa,q está c/certo medo pelo tumulto eu concordo ,más radiante diante dos acontecimentos.Deu até TV olha!!! PAÍS DE HIPÓCRITAS
Roberto Ribeiro , Aracaju-SE - Arqueólogo
Enviado em 3/11/2009 às 1:40:08 PM
Acho que as hipóteses aventadas no artigo estão erradas. Não se trata de um ataque a ela por ser mulher, como não é por ser branca ou se vestir de vermelho. O fato é que as pessoas querem linchamentos. Qualquer pretexto serve. Poderia ser um pedófilo, um assassino, uma bruxa, um ladrão de cavalos, um negro, um judeu, um índio pataxó, um herege. Qualquer um serviria, criminoso ou inocente. A história já viu isso muitas vezes: na inquisição, na KKK, no nazismo, nos enforcamentos do faroeste, no caso do índio Galdino. A turba quer linxar alguém, para a cartase coletiva alguém tem de ser crucificado. O fato é esse.
sergio ribeiro , são paulo-SP - bancário
Enviado em 3/11/2009 às 1:02:07 PM
"culpar os estudantes é um simplismo"?!! Ou o colega se expressou muito mal ou corrobora com os trogloditas que insultaram a moça. Por pior que estivesse vestida, nada justifica a agressão física e/ou verbal e o linchamento posterior. Poderia até ter a atenção chamada, talvez por algum representante da escola, mesmo em se tratando de uma adulta. Muita gente fala e concordo que hoje em dia as pessoas parecem cada vez menos entender o que é o certo e o que é errado nas mais básicas regras de convivência.
Rodrigo Maia , Porto Alegre-RS - Professor de Inglês
Enviado em 3/11/2009 às 12:57:02 PM
O comentário do estudante Paulo Ribeiro reflete a face assustadora, radical e machista de uma grande parte da sociedade brasileira, que é capaz das maiores barbáries, movida por um preconceito absurdo! Não duvidemos que seja um dos estudantes (nesse caso, melhor denominados animais selvagens) que quase linchou a pobre jovem na Uniban!
Peterso Rissatti , São Paulo-SP - tradutor
Enviado em 3/11/2009 às 12:52:24 PM
Fico impressionado quando vejo que mesmo nos comentários aqui no OI há o preconceito e a deturpação de uma triste realidade. A universidade deveria ser um lugar para o livre pensamento e o exercício da maturidade, mas no fim das contas percebo que é uma fábrica de diplomas que abriga o créme de la créme da ignorância e da falta de escrúpulos. Discordo do rapaz que diz que não há vítimas, pois há sim: pense que a agressão àquela moça é uma agressão a todas as mulheres, inclusive por elas próprias, a sua liberdade sexual. De bom gosto ou não, cabe a nós julgar? Acredito que, mesmo de biquini, a moça deveria ser respeitada. Mesmo se fosse prostituta de fato, desde que não prejudicasse ninguém, que mal há nisso? Então deixo a pergunta: são esses os jovens que farão o futuro do país? Se for, você continua acreditando no futuro?
Alexandre Braga , João Pessoa-PB - Técnico Industrial
Enviado em 3/11/2009 às 11:50:01 AM
Não me admiraria se o estudo proposto demonstrasse que os jovens agressores se tratam de evangélicos fanáticos, não conheço outro segmento na sociedade brasileira capaz de tal hostilidade. A propósito, não vi neste OI matérias sobre a falsa "Marcha para Jesus" que na verdade é uma demonstração de força dos líderes evangélicos.
Paulo Ribeiro , São Paulo-SP - estudante
Enviado em 3/11/2009 às 11:33:32 AM
Tenho pena desta pobre infeliz, que simplesmente resolveu copiar na vida real o modelo difundido pelas atrizes e modelos da TV Globo em suas novelas. O que funciona na telinha nem sempre cai bem na realidade. Culpar os estudantes pela exagerada manifestação é um simplismo que não ajuda a entender o cerne da questão. Ainda mais por que, no final das contas, a melhor beneficiada será ela, que acabará posando para alguma revista masculina. Não há vítimas neste caso.
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Ligia Martins de Almeida

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