ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 547 - 24/11/2009
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DIPLOMA DESNECESSÁRIO
Jornalismo pós-moderno e o time dos sem-canudo

Por Paulo Sérgio Pires em 21/7/2009

A desregulamentação da profissão de jornalista – que agora, a rigor, virou ofício – suscitou uma onda de protestos, queixas e profundas lamentações, pouco antes vista em se tratando de questões profissionais. Talvez tenha sido a primeira vez que o STF tenha colocado uma profissão no banco dos réus e a deixado sem quaisquer diretrizes para seu exercício, depois de décadas regulamentada.

Ainda que tenha estudado o tema da regulamentação por mais de duas décadas e seja formado em Jornalismo pela histórica Cásper Líbero, seja professor dessa habilitação em faculdades privadas, além de ter pós-graduação lato sensu e mestrado em Comunicação pela ECA/USP, confesso que não consigo ter opinião formada sobre esse tema complexo e espinhoso da obrigatoriedade do diploma. Por enquanto, costumo dizer que sou a favor do diploma como jornalista e contra como leitor, ouvinte, telespectador e internauta.

Essa dúvida persiste principalmente pelo fato de países com imprensa avançada e entidades representativas dos jornalistas mais respeitadas no mundo serem contra a exigência. Se levarmos ao pé da letra ainda algumas disposições como a da Declaração dos Direitos Humanos, a obrigatoriedade do diploma fica quase indefensável:

Artigo 19 - "Todo homem tem direito à liberdade de opinião e de expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferências, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e idéias por quaisquer meios, independente de fronteiras."

A notícia é superficial

Assim como a carta da ONU, há também posições contra a exigência do diploma da ONG Repórteres Sem Fronteiras, da Sociedade Interamericana de Imprensa e da Fundación Nuevo Periodismo, dirigida pelo jornalista e Nobel de Literatura Gabriel García Márquez. Muitas profissões de igual valor social, como as da área de publicidade, computação e informática, edição/produção de livros, design, artes plásticas, hotelaria, turismo, cinematografia e comércio exterior não exigem diploma de qualquer nível para seu exercício, ainda que tenham cursos superiores. Mas há outras, como a de corretagem de imóveis, prótese dentária, bioblioteconomia/documentação e enfermagem, em que a certificação técnica ou superior é imprescindível. No Brasil, como quase sempre, o problema é mais embaixo e a regulamentação ou não é sempre um difícil dilema.

O jornalismo é um trabalho que está se sofisticando tanto na forma como no conteúdo e que cada vez mais exige conhecimento de novas tecnologias da informação, da ética e do vernáculo, além da compreensão da cultura geral e de humanidades. Sendo uma profissão transdisciplinar, exige que o profissional perpasse pelas ciências e letras sem, contudo, necessitar de grande aprofundamento a ponto de se tornar a rigor um médico, engenheiro, economista, astrônomo, meteorologista ou advogado. Por sinal, se o jornalista se aprofundar demais num texto qualquer, a ponto de virar literatura profissional, pode deixar de praticar o jornalismo, simplesmente porque não estará realizando o que se chama na Teoria da Comunicação de difusão intensiva, o que em outras palavras quer dizer fazer-se ser entendido pelo maior número de pessoas, independentemente do seu grau cultural ou de instrução. Como bem ensinou Otto Lara Resende, um jornalista é especialista em qualquer assunto durante dez minutos. Já Stephen Glover, da revista Spectator, complementa definindo que a notícia é inevitavelmente superficial.

Desvio de função

Como foi argumento de alguns para desdenhar a formação universitária especializada, o jornalismo não é a única profissão que tem expoentes que não dispõem de formação específica. Um dos mais importantes filósofos contemporâneos, Antonio Gramsci, ao invés de cursar Filosofia era formado em Literatura (ele foi jornalista também). Outro viés da profissão foi o general Vo Nguyen Giap, comandante supremo do exército vietnamita que derrotou as poderosas forças armadas dos Estados Unidos. Não cursou nenhuma academia militar – era formado em História. Já o pai da Administração de Negócios, Peter Drucker, era filósofo e economista. Enquanto isso, os engenheiros Octávio Bulhões, Mário Henrique Simonsen e Henrique Meirelles, na verdade sobressaíram como economistas. E por aí vão outros exemplos: Henry Ford era engenheiro, mas foi um gênio da Administração e Phillip Kotler que é economista e matemático tornou-se o papa do Marketing...

Em uma de suas aulas, o jurista Vicente Rao disse que a tradicional faculdade de Direito da USP formava presidentes da República, governadores, escritores, juízes, desembargadores, jornalistas e também advogados. Por coincidência, o ator, dramaturgo e produtor teatral Juca de Oliveira é formado naquela honrosa instituição, mas isso, é claro, não inviabiliza o trabalho de formação das escolas de Artes Cênicas.

A questão do desvio de função deve ser mais bem entendida, porém nunca estimulada. Seria como defender a tese de que o aluno de ensino médio ou fundamental, para melhorar sua redação, precisaria estudar mais geografia e história, e não as técnicas narrativas, discursos e principalmente exercitar seu texto sistematicamente.

O imenso glossário médico

Para ser preciso e severo convém admitir que a massa crítica do jornalismo, por ora, não é das mais densas, mas as faculdades têm a faculdade ímpar de propiciar o treinamento profissional, como, por exemplo, a cobertura de ocorrências similares às do dia-a-dia, com a apuração, depuração e relato adequados tecnicamente e com a devida sustentação ética. Há também a prática contínua do texto, para o evoluir sempre. Além disso, a Teoria do Jornalismo tem recebido recentemente a contribuição de conhecimentos de ciências afins como a Linguística, a Filologia, a Antropologia e a Sociologia.

Não se pode negar que conhecimento sempre contribui. O fato, por exemplo, de ser um advogado ou filósofo, naturalmente pode ajudar um "jornalista prático" a entender o mundo melhor e abrir seus horizontes, mas a linguagem jurídica ou filosófica, muitas vezes labiríntica, perifrásica e até prosopopaica, são antítese do discurso jornalístico, que é direto, incisivo, objetivo e claro, talvez quase reducionista. Se advogados ou filósofos permanecessem escrevendo como juristas ou pensadores em suas reportagens não teriam vida longa no jornalismo pós-moderno. Há também a questão da velocidade. Enquanto os advogados precisam de tempo para maturar a hermenêutica do processo judicial e os filósofos para reflexão da exegese, os jornalistas precisam tomar decisões em horas, minutos ou segundos para não serem engolidos pelos massacrantes fechamentos diários, ou pelo tempo real ou ainda pelas transmissões ao vivo. Aproveitando esse aspecto, é bom lembrar que essas situações se aprendem nas escolas de Jornalismo.

Por outro lado, os médicos, que adoram mitificar seu trabalho, teriam um destino trágico como repórter se não se adaptassem. Sendo assim, um foca esculápio teria de deixar de lado imediatamente o glossário médico de quase 15 mil termos se pretendesse exercer o novo ofício de escrever. Então, ao invés de edema, passaria a escrever inchaço; ao invés de sutura, usaria o modo mais comum e popular: costurar; e se quisesse falar em incisão, teria de mudar para o curto e grosso: corte na cirurgia. Se pretendesse dizer ainda que seu par fez uma infeliz iatrogenia, bastaria mencionar que o nobre colega havia cometido um erro médico.

Articulistas e colunistas especializados

A bem da imprensa em geral, uma questão deontológica deve ser colocada para debate. Um médico, advogado ou engenheiro que agora pretenda exercer o jornalismo terá liberdade de consciência para apurar, questionar e escrever sobre tema de sua especialidade, mesmo tendo interesse em algum dia voltar à sua profissão de origem? Como um repórter médico poderia tratar de imperícia, negligência ou imprudência de um colega, sabendo que anos mais tarde, ao retornar à labuta no hospital ou clínica, poderá ter ao seu lado o objeto ou a fonte de sua reportagem? Se um repórter engenheiro for elaborar uma matéria sobre a queda de uma ponte ou uma explosão de uma máquina causada pela inabilidade do colega de formação não poderá ficar inibido ao retratar a verdade por seu esprit de corps? Eles teriam independência ou liberdade, desembaraço e isenção? São questões complexas e difíceis de serem respondidas.

Na faculdade de Jornalismo, os estudantes, tal qual um medium, incorporam e aprendem, acima de tudo, a doutrina do compromisso com a verdade, a exatidão e a imparcialidade. Naturalmente, nem tudo que é aprendido é aplicado na prática, mas seguramente a paixão pela profissão e seu dever com o receptor da notícia são inculcados nos quatro anos de aulas. E isso é fácil de ser verificado pelo próprio calor gerado no debate do diploma, uma demonstração que os focas estão compromissados visceralmente com a profissão que agora lamentavelmente tornou-se ofício.

Embora os detentores da mídia usassem o sofisma com a falsa premissa de que os profissionais de outras profissões não podiam contribuir com a imprensa, sempre houve legalmente articulistas, comentaristas, críticos e colunistas especializados expressando seus pontos de vista sobre temas de seu completo domínio. Assim, sempre estiveram presentes nas páginas, nas ondas e nas telas – com seu conhecimento prático-teórico – advogados, médicos, engenheiros, professores, cientistas, sociólogos, antropólogos, filósofos entre outros intelectuais de nível superior. O que fora impedido por lei era o acesso às funções específicas do jornalismo, como a reportagem e a edição, pois como fontes privilegiadas poderiam contribuir muito mais do que como intermediários no processo da comunicação.

Jornadas de até 10 a 12 horas

Nesta fase da comunicação jornalística, estou certo que muitos jornalistas práticos apreciaram bastante a possibilidade de exercer a profissão sem o canudo, mas ao mesmo tempo, pelo menos por enquanto, estão infelizes porque não podem dar "carteiraços" ou usar sua carteirinha de jornalista para outros fins. Dizem as línguas afiadas que Assis Chateaubriand recomendou a um jornalista para ele usar sua carteirinha quando este subordinado foi pedir-lhe aumento de salário, à época em que regia o império dos Diários Associados. O diploma pode não ser de interesse, mas a carteirinha da Fenaj - Federação Nacional dos Jornalistas, sempre foi objetivo de espertalhões como também de inúmeros colaboradores, jornalistas práticos ou diletantes da imprensa.

Há outros novos pontos neste novo cenário ocupacional a serem refletidos. Haverá articulistas que colaboram com jornais e revistas com regularidade que agora se autodefinirão como jornalistas, mas será que eles são realmente? O jornalismo, segundo a lei aniquilada recentemente, precisava antes de qualquer coisa de remuneração e, de acordo com o atual código de ética da Fenaj, não pode ser exercido sem contrapartida financeira. Por estes dispositivos, articulistas não são jornalistas. É engraçado e curioso observar que os coleguinhas usam há décadas o título de jornalista profissional, como se engenheiros, economistas, advogados, médicos não fossem profissionais também. Mas agora temos o jornalista cidadão, não é verdade?... Ou seja, alguém que exerce o ofício apenas com paixão e muitas vezes com pouca razão.

Hoje, creio ser difícil muitos profissionais de outras especialidades se empregarem como jornalistas, principalmente, por conta dos baixos salários. Há inúmeras profissões que não precisam de formação superior específica e que rendem bem mais que os ganhos de jornalistas em início de carreira, como, por exemplo, motoristas particulares, maîtres-d’hôtel, vendedores, cabeleireiros ou mestre de obras. Se agora um profissional de nível superior se aventurar pelo jornalismo deverá ser por pura vocação, paixão, interesses obscuros ou loucura mesmo, principalmente se for formado numa profissão tradicional onde a possibilidade de ganhos é infinitamente maior. Além disso, nunca na história desse país se exigiu tanta produtividade dos jornalistas. Hoje, se o profissional de redação quiser manter seu carguinho terá de trabalhar por dois ou três colegas, com jornadas longínquas de 10 a 12 horas, às vezes.

Asneira ou perversidade

Há uns 25 anos, Odon Pereira, ex-secretário de redação da Folha de S.Paulo, disse que a técnica jornalística poderia ser aprendida nas redações durante seis meses. Creio, entretanto, que poucos veículos vão querer voltar atrás e se tornarem "escolas profissionalizantes", ainda que tenham cursos rápidos (extensão universitária) para formar ou aperfeiçoar profissionais. Nas redações, contudo, não há mais tempo nem para ir ao banheiro e não são poucas as vezes que se esquece de ir ao nobre lugar por causa da pressão do fechamento cada vez mais precoce e cruel. É claro que alguns privilegiados poderão ainda ter aulas particulares nas redações, com tempo necessário para aclimatação, experimentação, bem como tolerância aos erros, mas isso será sempre exceção e só ocorrerá quando o respectivo QI do foca for muito alto.

Já tive a oportunidade de ter trabalhado com jornalistas de carreira esculpidos na rudeza da prática diária. Aprendi muito com eles, respeito-os muito e lhes agradeço das profundezas do meu coração (para não cair no lugar-comum) pelos ensinamentos, dicas e orientações. Um deles tinha apenas o curso primário e outro o segundo grau. No que pese a falta do canudo, eram profissionais fantásticos com grande conhecimento jornalístico e do idioma pátrio. Acredito que deveriam ser mesmo vocacionados para esta carreira, por sinal, muitas vezes ingrata e ilógica. Por outro lado, deparei-me com alunos veteranos de Jornalismo que além de não saber o mínimo necessário para escrever sequer uma simples nota, não queriam aprender, estavam em busca apenas do diproma e tenho absoluta certeza que hoje, mesmo sendo bacharéis ou baixarias em jornalismo, nunca serão jornalistas de fato, com a graça de Deus.

O mercado se autorregula, é implacável e extremamente depurador e isso é um consolo para os que prezam a qualidade. Infelizmente, as faculdades – e não só as de Jornalismo – esqueceram o valor da reprovação e desta forma trucidaram o mérito. Igualaram bons alunos com maus alunos e no final do curso premiam com a mesma certificação a excelência juntamente com a mediocridade. Generalizar rotulando que todos os egressos dos cursos de Jornalismo são ruins é no mínimo asneira ou perversidade. Tive o privilégio de trabalhar ao lado de um ex-aluno meu que já trilha uma carreira brilhante. Se o curso contribuiu? Certamente que sim. Se foi essencial ou imprescindível? Não tenho como responder.

Profissão merece respeito

Uma solução salomônica, que merece ser novamente discutida, seria a volta da lei do "terço". Por meio deste dispositivo legal, que foi derrubado após a última regulamentação profissional, todas as redações poderiam compor seu quadro com até 1/3 de "jornalistas práticos" ou sem diploma universitário de Jornalismo. Essa legislação poderia novamente assegurar espaço para os penas de ouro, aqueles que "teriam talento e vocação nata" para o exercício do jornalismo, além de resguardar espaço para profissionais com outras formações universitárias que contribuiriam com seu conhecimento original, estrito e profundo. Uma outra possibilidade seria o exame de proficiência profissional. Havendo um Conselho Federal de Jornalismo, uma comissão de avaliação, tal qual a da OAB, faria a avaliação para verificar se o candidato com ou sem diploma estaria apto para o exercício profissional.

Neste novo mundo, no entanto, quem decide aquele que tem ou não competência para a profissão são os empregadores, e não os órgãos classistas ou corporações de ofício como ocorre, por exemplo, na Alemanha, onde a associação dos jornalistas é quem, há séculos, literalmente habilita o profissional. O fato de os patrões ficarem com a chave da porta da entrada da profissão pode gerar em tese perigos como o clientelismo e nepotismo tão presente no Brasil em outras esferas.

De todo modo, não podemos deixar a profissão totalmente livre sem qualquer exigência legal, por conta, dos riscos que todos nós já conhecemos. Assim como não se pode deixar as crianças brincar com fogo, não se pode deixar o jornalismo simplesmente ao léu, pairando no ar, navegando na direção por onde sopram ventos errantes. A profissão merece mais respeito e não pode ser exercida tão livremente como querem alguns arautos da liberdade de expressão. A razão é simples e foi sentenciada pelo linguista e filósofo Noam Chomsky: "A imprensa pode causar mais danos que a bomba atômica. E deixar cicatrizes no cérebro."

Comentários (16)
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Julio Prático Souza , São Paulo-SP - Analista de Sistemas
Enviado em 28/7/2009 às 9:23:45 AM
No país dos bocós é assim, é necessário diploma para ter mérito, afinal quem sabe avaliar? A qualidade de uma música, ou de qualquer obra de arte, é avaliada pelo número de vezes que toca na rádio ou pelo quanto vende, lamentável. Somos mesmo um monte de lama!
Rodolfo Ricciulli Leal , Guaratinguetá-SP - advogado
Enviado em 27/7/2009 às 7:52:14 PM
Ocorreu um exagero. A defesa da liberdade de expressão não pode desmerecer a erudição e o emprenho, muitas vezes homérico, na conquista de uma graduação superior. Nas profissões, sejam quais forem, a meritocracia deve predominar. Infelizmente os oportunistas souberam tirar proveito da situação. Acredito que nosso jornalismo, tão criticado, perdeu muito como instituição.
Andrejus Realis , S Paulo-SP - jornalista
Enviado em 27/7/2009 às 7:31:48 PM
Sinceramente? Argumentação fraca. Profissionais especialistas terão tanta dificuldade em serem isentos quanto jornalistas tem de serem imparciais, mesmo sendo especialistas em superficialidades. Também não vejo fundamento na dificuldade em formar jornalistas dentro de cada veículo. Ou abre-se cursos, e daí seleciona-se o melhor para os quadros, ou terceiriza-se o treinamento das competências. Como qualquer empresa. Se a imprensa "pode causar mais danos que a bomba atômica", talvez uma ~melhor~ qualificação de seus profissionais, agora sem o amparo corporativo, diminua esses riscos. A concorrência pelo mérito faz milagres!
Fábio José de Mello , Descalvado-SP - Jornalista (MTb 24072)
Enviado em 27/7/2009 às 5:29:50 PM
É. Só que tem muitos craques jogando no time dos sem-canudo.
Ibsen  Marques , Caçapava-SP - Técnico em Eletrônica
Enviado em 27/7/2009 às 5:08:17 PM
Não encontro viabilidade no não incentivo ao desvio de função, porque vivemos uma época de pouca reflexão e muito marketing e consumo. Isso propicia, na fase das escolhas profissionais, muitos equívocos que só serão corrigidos mais à frente com a maturidade pessoal e profidssional, isto quando estas ocorrem. Aliemos a isso uma infinidade de novas profissões e especializações, muitas vingam, muitas morrem, mas o fato é que está cada vez mais complicado conhecer a enorme gama de profissões com aprofundidade suficiente para optarmos por uma sem sombra de dúvidas. Na verdade, as profissões surgem da prática. A prática dos pensadores Gregos deu origem à Filosofia e não o contrário, o mesmo se diz da Medicina e das ouitras ciências. Como costuma dizer uma canal de TV, não são as respostas que movem o mundo e sim as perguntas. As teorias, ou respostas, surgem para atender a uma necessidade prática. Portanto, uma profissão só surge como curso de formação teórica somente depois de muita prática.
Mário Abreu , Rio de Janeiro-RJ - Jornalista
Enviado em 27/7/2009 às 4:44:01 PM
Liberdade de expressão é um direito individual. Não tem nada a ver com o exercício da profissão de jornalista. Repórteres, por exemplo, não tem "liberdade de expressão" neste sentido, porque são escravos dos fatos em suas reportagens. Nem mesmo articulistas e editorialistas, cuja matéria prima é a opinião – artigo de segunda em jornalismo, onde o brilho sempre esteve associado à reportagem –, têm liberdade de expressão irrestrita. Jornais e revistas têm donos, e os donos têm interesses e ideologias. Ouvi muito claramente de um editor que tive a seguinte frase, que muitos coleguinhas já devem ter ouvido: "Quando você tiver sua própria revista, publique a sua opinião. Na minha, não."
Haroldo M. Cunha , São Gonçalo -RJ - Gestor Social
Enviado em 27/7/2009 às 2:14:07 PM
[Artigo 19 - "Todo homem tem direito à liberdade de opinião e de expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferências, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e idéias por quaisquer meios, independente de fronteiras."]Tudo bem, só que não consigo engolir esse argumento, quando é usado para se falar sobre o diploma de jornalista. Ora, a liberdade de expressão existe independetemente da regulamentação da profissão de jornalista. Não estou tão seguro quanto a exigência do diploma (a princípio sou a favor). Já postei comentários parecidos com a opinião dele sobre uma espécie de especialização em jornalismo, um cursos de extensão universitário, talvez. Para que os advogados, engenheiros, médicos, etc. aprendessem como funciona um texto jornalístico e de que maneira ele é editado. Assim não teriamos um monte de "jornalistas médicos/engenheiros/economistas" e sim o contrário, pessoas que escrevem o que estudaram e pesquisaram durante anos para exercerem a sua profissão.
Julio Pratico Souza , São Paulo-SP - Analista de Sistemas
Enviado em 27/7/2009 às 9:29:31 AM
Ótimo texto. Dentre os que tive oportunidade de ler, este abrange com seriedade os dois lados da questão. A possibilidade de existir sim talento e vocação "jornalística" em quem não é jornalista, e a necessidade, por outro lado, de o jornalista ser atrelado a uma profissão formal, impedindo que um médico, ou filósofo, mal intensionados não possam atuar livremente. Aponta um caminho de conciliação. Parabéns.
Gilberto da Silva , São Paulo-SP - cozinheiro
Enviado em 24/7/2009 às 11:18:16 PM
Grande Paulo! Lembra das discussões sobre os pretendentes a cozinheiro de letras naquela Faculdade???? Pois é. Jornalismo pós-moderno é isto mesmo: ausência de estilo, pastiche e a presença forte do mercado. As questões que você coloca são de fato reflexivas e merecem nossa atenção. Livres das amarras do "entulho do passado", como alguns preferem nomear a obrigatoriedade do diploma, o mercado triunfa e comemora. Com ou sem diploma quem nasceu para ser cozer letras sempre fará sua cozedura....
Richard  Jakubaszko , São Paulo-SP - jornalista
Enviado em 24/7/2009 às 6:05:36 PM
Boa Paulo Sérgio, deu uma no cravo e outra na ferradura, mas que fique claro que não adianta mais chorar sobre o leite derramado. Haverá outra lei, ou haverá nova regulamentação no futuro breve? O Congresso anda trocando letras a respeito e vai surgir algum PL a qualquer momento. Teremos novos debates e muita polêmica. Entretanto, o que se viu até agora, seja da Fenaj, seja dos sindicatos, antes e depois das decisões do STF, foi apenas um debate burocrático da questão do diploma. Na prática também era isso que ocorria, lamentavelmente. Não vi nenhum parajornalista ser demitido por falta de diploma, antes da decisão do STF. E eles existem aos bandos, mesmo nas grandes redações, muitos deles com status de colunistas.
Edward Wilson Martins , São Paulo-SP - empresário
Enviado em 24/7/2009 às 11:34:28 AM
Apenas para retificar o erro de digitação do comentário, para não ficar sem sentido: onde se lê "mas não repete o que já foi exaustivamente colocado já há quase dez anos (a ação civil pública é de 2.001/2.002)", leia-se "REPETE"...
Edward Wilson Martins , São Paulo-SP - empresário
Enviado em 24/7/2009 às 11:10:04 AM
O texto é bom e enfoca diferentes textos já publicados a respeito, dezenas, mas não repete o que já foi exaustivamente colocado já há quase dez anos (a ação civil pública é de 2.001/2.002), mas no final o autor prefere “ficar em cima do muro” dizendo que não tem “posição formada a respeito da obrigatoriedade”. E desafina repetindo velhos bordões, aquele chororô, de que “Assim como não se pode deixar as crianças brincar com fogo, não se pode deixar o jornalismo simplesmente ao léu, pairando no ar, navegando na direção por onde sopram ventos errantes”. Brincadeira... E aquela citação de Chomsky então foi quase um epíteto religioso. Fiquei com medo... ! Diz o velho ditado que “o uso do cachimbo por muito tempo deixa a boca torta” e a verdade é que nos acostumamos com esse entulho autoritário agora removido definitivamente (assim como com alguns outros que ainda existem) e para muitos fica difícil deixar o velho roupão de banho roto e esfarrapado e começar a usar outro. O problema agora é o tal do credenciamento, a chamada “carteira de identificação”? Se continuar sendo barrada pela FENAJ ou qualquer outra associação de classe que congregue os que efetivamente exercem a profissão, certamente elas irão enfrentar mandados de segurança, especialmente aquelas que têm status jurídico de “sindicatos” e que assinam convenções e acordos coletivos de trabalho com os sindicatos patronais.
Eliane  Tedesco Alonso , São Paulo-SP - Pedagoga
Enviado em 24/7/2009 às 10:14:17 AM
O autor Paulo Sérgio Pires retrata, com dignidade e simplicidade, a incoerência da desregulamentação da profissão de jornalista. Acredito que toda profissão tenha que ter preparo, mesmo sabendo que existam "cavalos de anel" e profissionais "genéricos".
Roberto Ribeiro , Aracaju-SE - Arqueólogo
Enviado em 24/7/2009 às 9:27:23 AM
Certa vez, quando eu era professor da UFPE no Recife, acompanhei o diálogo de dois estudantes, um de Letras e outro de Jornalismo. O estudante de Letras disse que sonhava em se formar para ser crítico literário e escrever sobre isso nos jornais da capital pernambucana. O estudante de jornalista então riu cruelmente e disse que ele não poderia fazer isso pq não seria formado em Jornalismo. A partir de então eu fui contra a obrigatoriedade do diploma. Não era a questão de ser um articulista ocasional, o rapaz queria ganhar a vida escrevendo crítica literária (vamos lá que na vida real isso seria difícil), recebendo por seu ofício de crítico para o qual estava se formando em Letras. Entretanto, para além das dificuldades práticas, ele seria impedido de fazer isso por não ter diploma de jornalismo. Um grande jornal com "caderno 2", deveria empregar um crítico literário formado em Literatura, não? Mas o riso do estudante de jornalismo matou no nascedouro o sonho do colega, como diriam os românticos. Ai está um caso claro de que jornalista não é apenas reporter e que outras formações podem sim ser úteis e mesmo necessárias na redação.
Débora  Carvalho de Oliveira , SÃO PAULO-SP - Jornalista - Editora de Conteúdo
Enviado em 24/7/2009 às 2:00:13 AM
Uau! Texto enorme, mas consegui ler até o final. Criativo, coerente e nada vulgar ou popularesco como a maioria dos textos frustrantes sobre o tema.
Enzo Lisita , Goiânia-IN - professor de jornalismo
Enviado em 23/7/2009 às 5:17:08 PM
Prezado Paulo Sérgio, até agora o seu artigo sobre o fim da obrigatoriedade do diploma foi o mais profundo, inteligente e contundente sobre a importância do curso de Jornalismo. Parabéns! Enzo De Lisita
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