ARMAZÉM LITERÁRIO

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Cristina R. Durán

"Editora Globo planeja entrar em 2001 com novo perfil", copyright Valor Econômico, 26/11/00

"Contratar novos autores, aumentar a publicação anual de títulos, inovar nas edições gráficas e reeditar os clássicos esquecidos no acervo. Esses são alguns dos pilares em que se baseia o novo projeto da Editora Globo. O objetivo é entrar em 2001 competindo com mais força no mercado editorial e retomar o glamour que a casa tinha entre as décadas de 30 e 50.

Os mais recentes lançamentos e os livros que estão em preparação para sair até o fim do ano já dão uma indicação do que está por vir. ‘A meta é fazer desta a maior editora de livros do país, como ela já foi’, ressalta o diretor editorial Wagner Carelli, responsável pelo novo projeto, ainda em fase de aprovação.

A editora foi fundada em 1883 em Porto Alegre como Livraria Globo. Nos anos 30, virou ‘point’ de intelectuais liderados por Érico Veríssimo. Na mesma época, Henrique Bertaso, que começou na casa como varredor até chegar à direção, transformou a livraria em editora e referência nacional.

A Globo publicou clássicos como ‘Orlando’, de Virginia Woolf, na época considerado chocante. A tradução, pasme, foi de Cecília Meireles, que ainda traduziu ‘Em Busca do Tempo Perdido’, de Proust, com Carlos Drummond de Andrade e Mário Quintana.

Em 1986, instalada no Rio, a editora foi adquirida pelas Organizações Globo. Desde julho, Carelli é diretor editorial da editora - agora instalada no Jaguaré, em São Paulo. O mês de arranque do projeto é março e o prazo para completá-lo é de três anos.

‘O movimento editorial brasileiro é de primeiríssima qualidade’, afirma Carelli, apontando a Companhia das Letras, a Objetiva, a Rocco e a Record. ‘Até pequenas editoras vêm fazendo excelentes trabalhos, como a Cosac & Naify, que publica livros de arte muito bons’, continua.

Para ele, o livro é um bom negócio em todo o mundo. ‘Tem abrangência extraordinária, o risco é pulverizado e um best seller por ano garante toda a produção’, calcula. ‘Por mais que você possa ler um livro pelo computador, a internet não substitui a obra’, observa Carelli.

‘O formato do livro e sua textura são ideais e isso o torna insubstituível.’ Ainda assim, o editor está interessado em entrar no mundo virtual investindo no hardware do ‘e-book’. Também disponibilizará o acervo da editora. De acordo com a demanda, seu projeto futuro é transformar os livros eletrônicos em papel para vendê-los no varejo.

‘O livro abre vários campos’, diz ele. ‘De uma obra pode sair uma exposição, um programa de TV ou um show; nós devemos investir nisso tudo’, planeja.

Carelli não cita as cifras a investir, mas afirma que uma das chaves do negócio é se esmerar na qualidade do material, a começar pelo projeto gráfico das obras. O editor pretende, ainda, ampliar o catálogo da Globo de cerca de 600 obras e aumentar a produção: dos 15 a 20 títulos que são publicados anualmente vai saltar para mais de 120.

Serão reeditados os clássicos da casa - de Joyce, Proust e Balzac a Oswald de Andrade e Érico Veríssimo. Autores consagrados, cujos nomes ele prefere manter em sigilo, por enquanto, estão sendo sondados para ‘emigrar’ para lá. Mas novos talentos também terão espaço no projeto, assegura."

Capas caprichadas e histórias de fôlego para todos os gostos

‘Autópsia do Medo: Vida e Morte do Delegado Sérgio Paranhos Fleury’, do jornalista policial Percival de Souza, é o exemplo bem-acabado do perfil que a Editora Globo começa a imprimir nas suas publicações. O livro será lançado amanhã na livraria Saraiva do Morumbi Shopping (às 19h) e é uma das obras mais esperadas deste fim de ano.

A caprichada capa de Ettore Bottini envolve 650 páginas (R$ 44) de papel pólen em que o jornalista destrincha a vida do delegado que personificou a repressão da ditadura. E narra como era o obscuro mundo da ditadura e da luta armada que, entre 1969 e 1973, resultou em pelo menos 500 mortes.

Segundo o Valor noticiou em outubro, quando a obra estava nas gráficas da editora, ‘Autópsia do Medo’ apresenta, ainda, fotos inéditas do delegado - incluindo as últimas que lhe foram tiradas a bordo do iate que acabara de adquirir, em Ilhabela, antes de morrer afogado.

Também traz documentos e ardentes bilhetes de amor que um surpreendentemente doce e amante Fleury Paranhos enviava a Leonora, sua companheira extramatrimonial.

Não é exagero afirmar que esse é um livro para incomodar muita gente que ainda circula pelos meios policiais e empresariais brasileiros. Ele cita todos os que direta ou indiretamente tiveram contato com o delegado mais temido do Brasil - como o juiz Nicolau dos Santos Neto (‘Lalau’), que costumava almoçar com ele.

Apesar de ser a coqueluche dos lançamentos de fim de ano da Globo, esse não é o único livro que chega às livrarias com esmerado projeto editorial. Na semana passada, a editora lançou ‘50 Anos de TV no Brasil’, de José Bonifácio de Oliveira Sobrinho (Boni), Carlos Alberto Vizeu Edwaldo Pacote e Jorge Adib.

A colorida capa foi confecionada por Hans Donner, o homem das vinhetas da TV Globo, e Ruth Reis. Em 328 páginas (R$ 79), o livro reúne depoimentos de 50 personalidades da tevê, 50 fotos, 50 datas e 50 programas que fizeram história.

Em dezembro, a editora vai pôr outra publicação nas livrarias: ‘A Conquista do Espaço’, de Bya Barros. Segundo Wagner Carelli, diretor editorial da Globo, o livro está para a decoração e o design como Glória Kalil está para a etiqueta e a moda.

‘O Bruxo’, de Maria Adelaide Amaral, ‘Um Ensaio Autobiográfico’, de Jorge Luis Borges, e ‘Umberto Eco: o Labirinto do Mundo, uma Biografia Intelectual’, de Daniel Salvatore Schiffer, recém- lançados, também marcam o novo perfil da editora."



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