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ARMAZÉM LITERÁRIO
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CRÍTICA À CORRUPÇÃO PURA
Rogério Pacheco Jordão
Crime (quase) perfeito - Corrupção e lavagem de dinheiro no Brasil Editora Fundação Perseu Abramo, 47 páginas, R$ 7,00 (11) 5571-4299 editora@fpabramo.org.br e editoravendas@fpabramo.org.br
A corrupção tornou-se um problema político de peso a ser enfrentado no Brasil nesta passagem de século. Não que não fosse um problema no passado. Mas desenvolvimentos ocorridos no país a partir do final da década de 80 particularmente a incrível expansão dos negócios ilegais ligados ao tráfico de drogas colocaram a questão em uma nova dimensão. Por um lado, estamos inseridos em uma lógica que ultrapassa as fronteiras nacionais. Por outro, a corrupção por ela gerada é de um novo tipo: sofisticada e turbinada por um enorme fluxo de dinheiro. Este livro procura estimular a reflexão sobre este processo.
O trabalho está dividido em três partes. A primeira é dedicada especificamente ao tema da corrupção assunto que nos últimos anos vêm ocupando espaço nos noticiários de forma avassaladora através de denúncias, revelação de esquemas, máfias, grampos telefônicos e da atividade de dezenas de CPIs espalhadas pelo país nos âmbitos federal, estadual e municipal. Essa massa de informações muitas vezes desencontradas levou à sensação de que se vivia um verdadeiro cataclismo nacional: a corrupção chegara a níveis insuportáveis.
Mas, o que é corrupção? Ela, de fato, vem aumentando? Quais os prejuízos causados pelas práticas ilícitas nas administrações públicas? E por que ela se transformou, a partir do início dos anos 90, em um assunto mundial? Esses são os questionamentos que nos guiam.Na segunda parte, descreve-se a indústria da lavagem de dinheiro, relativamente nova no Brasil e no mundo. Esse é o ponto de chegada já que, em última análise, todo o dinheiro gerado por corrupção passa, de uma maneira ou de outra, pelo filtro da lavagem. É importante entender os seus mecanismos e perceber como o dinheiro da corrupção, para se legalizar, muitas vezes utiliza os mesmos canais do dinheiro oriundo de outras atividades criminosas, como o tráfico de drogas.
O roubo do dinheiro público é também analisado sob a ótica de três pessoas que, na década de 90, se depararam com grandes esquemas de corrupção e viram, do nascedouro, escândalos se desenvolverem. As entrevistas com o delegado aposentado da Polícia Federal Paulo Lacerda, a ex-juíza Denise Frossard, do Rio de Janeiro, e a comerciante Soraia Patrícia da Silva, de São Paulo, trazem, na terceira parte, um panorama dos temas que compõem a problemática da corrupção no país na atualidade.
O livro nâo tem como objetivo fazer uma história da corrupção no Brasil, nem tampouco especular sobre as origens remotas desse problema. Uma empreitada como essa requereria reflexões mais aprofundadas e detalhadas a respeito de temas como o da estrutura de poder no país, o patrimonialismo (elites que consideram o Estado como patrimônio privado) e o do clientelismo na política brasileira. Crime (quase) perfeito é, antes de tudo, uma introdução ao tema (amplo) da corrupção e de seus significados nos dias de hoje. A idéia deste trabalho começou a germinar em agosto de 1996, quando, como repórter político do Jornal da Tarde, de São Paulo, investiguei operações financeiras realizadas pela Secretaria de Finanças da Prefeitura de São Paulo o que mais tarde se transformaria no "escândalo dos Precatórios". Foram três anos de reflexão e pesquisa sobre o tema da corrupção. O levantamento de dados incluiu consultas a documentos de órgãos como o Ministério Público, Banco Central, Polícia Federal, de reportagens publicadas pela imprensa e relatórios de CPIs, mas também dezenas de conversas e entrevistas com pessoas, no Brasil e no exterior, que estão ligadas ao assunto da corrupção.O trabalho foi composto em grande parte durante o ano de 1999, em Londres, durante a realização de um curso de pós-graduação na London School of Economics and Political Science (LSE), possibilitado por uma bolsa do British Council, cujo tópico de dissertação final foi a corrupção na política.
Corrupção percebida
Como o futebol, de repente, a corrupção virou um assunto nacional, discutido e debatido nas esquinas, nas casas, entre os amigos, nas páginas dos jornais, das revistas, nas rádios, nas TVs, na internet. Um bombardeio de imagens, palavras, notícias , informações. E as pessoas tiveram a sensação de que se chegou a um "limite".
Este não é, porém, um problema unicamente brasileiro. Corrupção se tornou nos últimos anos um tema mundial.
Crime (quase) perfeito mostra os interesses ligados à corrupção e por que este assunto passou a ter maior visibilidade nos últimos anos. Investiga também como funcionam os esquemas de lavagem de dinheiro, etapa obrigatória para a legalização dos fundos obtidos por meios ilegais. Além disso, discute como se dá a percepção da corrupção por parte da sociedade, buscando compreender se, de fato, a corrupção na política está aumentando e como é possível combatê-la de forma eficaz.
O livro traz entrevistas exclusivas com o delegado Paulo Lacerda (investigou o caso PC), a juíza Denise Frossard (condenou os bicheiros no Rio de Janeiro) e a comerciante Soraia Patrícia da Silva (denunciou a máfia das propinas em São Paulo)
O autor
Rogério Pacheco Jordão nasceu em 1968 na cidade de São Paulo (SP) e é jornalista. Trabalhou na TV Cultura de São Paulo, no Jornal da Tarde e em O Globo (no Rio de Janeiro), com passagens pela TV Futura e pela revista Época. Foi o autor das primeiras reportagens que denunciaram, em 1996, as operações irregulares com títulos públicos realizadas pela Prefeitura de São Paulo fatos que deram origem ao "escândalo dos precatórios". As matérias saíram no Jornal da Tarde.
Em 1999, com o apoio de uma bolsa de estudos oferecida pelo British Council, concluiu curso de pós-graduação em política comparada no Departamento de Governo da London School of Economics and Political Science (LSE), em Londres, tendo obtido o título de Master in Science (MsC). É sócio-fundador da organização não-governamental Transparência Brasil, dedicada ao combate à corrupção.
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